quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Somos Marshall

Somos Marshall (We Are Marshall, EUA, 2006) – Nota 8
Direção – McG
Elenco – Matthew McConaughey, Matthew Fox, Anthony Mackie, David Strathairn, Ian McShane, Kate Mara, January Jones, Kimberly Willians Paisley, Arlen Scarpeta, Brian Geraghty.

Em novembro de 1970, a equipe de futebol americano da Universidade de Marshall é dizimada em um acidente aéreo. A tragédia faz com que o diretor da universidade (David Strathairn) decida acabar com o time, porém Nate Ruffin (Anthony Mackie), um jogador que não estava no voo por causa de uma contusão, inicia um movimento para reativar a equipe em homenagem aos amigos que faleceram. 

Com dificuldade até mesmo para contratar um novo treinador, o diretor se surpreende ao receber um chamado de Jack Lengyel (Matthew McConaughey), que comanda o time de uma desconhecida universidade. O excêntrico Lengyel é contratado para resgatar o orgulho da cidade. 

Baseado em uma história real, este sensível longa é muito mais um drama sobre como superar uma tragédia do que um simples filme de esporte. A missão de remontar o time tem como objetivo fazer com que as pessoas da cidade retomem suas vidas. 

Entre os vários personagens afetados pela tragédia, temos o assistente técnico (Matthew Fox) que desistiu de entrar no avião no último instante, o pai do astro da equipe (Ian McShane) que não se conforma com a perda, assim como a namorada do jovem (Kate Mara). 

É um longa feito para emocionar.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Storage 24

Storage 24 (Storage 24, Inglaterra, 2012) – Nota 6
Direção – Johannes Roberts
Elenco – Noel Clarke, Colin O’Donoghue, Antonia Campbell Hughes, Laura Haddock, Jamie Thomas King, Alex Price, Ned Dennehy.

Um acidente aéreo libera uma perigosa criatura que estava trancada em um container. A criatura se esconde em um depósito, mesmo local para onde segue Charlie (Noel Clarke) e seu amigo Mark (Colin O’Donoghue). O primeiro deseja confrontar a ex-namorada (Antonia Campbell Hughes) que o abandonou. 

Um problema de energia faz com que trio e mais algumas pessoas fiquem presas no depósito e se tornem alvos do alienígena. 

O roteiro escrito pelo protagonista Noel Clarke explora a premissa clássica dos filmes B de terror e ficção, utilizando uma ameaça desconhecida como vilão. 

O filme tem até algumas boas cenas de suspense e violência, como a perseguição pelo duto de ar, mas infelizmente deixa a desejar em algumas quesitos. A briga de namorados parece algo deslocado no meio da trama, assim como o desenvolvimento dos personagens e os segredos que são revelados sobre eles. 

Um ponto curioso é a criatura. Assim como em diversos filmes de ficção, o alienígena é um derivado do “Predador”, criação clássica do grande Stan Winston para o filme de 1987. 

Finalizando, esta ficção fica aquém do potencial da premissa.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Lone Star - A Estrela Solitária

Lone Star – A Estrela Solitária (Lone Star, EUA, 1996) – Nota 7,5 
Direção – John Sayles 
Elenco – Chris Cooper, Elizabeth Peña, Joe Morton, Ron Canada, Kris Kristofferson, Matthew McConaughey, Clifton James, Frances McDorman, Miriam Colon, Jesse Borrego, Tony Plana, Gabriel Casseus, Tony Amendola. 

Na cidade de Rio, fronteira do Texas com o México, dois militares durante uma folga encontram um esqueleto enterrado no deserto. As pistas encontradas junto a ossada fazem o xerife Sam Deeds (Chris Cooper) acreditar que o corpo seja de um antigo xerife da cidade, o corrupto e violento Charlie Wade (Kris Kristofferson), que desapareceu há mais de quarenta anos levando consigo dez mil dólares roubados. 

Durante a investigação, Sam desconfia que Wade possa ter sido assassinado por seu pai, Buddy Deeds (Matthew McConaughey), que era inimigo do sujeito e que após o desaparecimento se tornou xerife da cidade por trinta anos. 

O roteiro escrito pelo diretor John Sayles desencava aos poucos os segredos da pequena cidade que foram enterrados com o corpo de Wade. É a típica situação em que pessoa alguma deseja remexer, apenas o protagonista tem interesse em descobrir a verdade que ele acredita estar ligada a seu falecido pai 

Este acontecimento principal é amarrado a subtramas. Temos o reencontro de Sam com Pilar (Elizabeth Peña), seu amor de adolescência. A tentativa de reconstrução da relação entre um veterano dono de bar (Ron Canada) e seu filho (Joe Morton), que é o novo comandante do exército na região, além da influência da questão racial no dia a dia da cidade, que é tomada por mexicanos. 

Não se pode deixar de citar que os acontecimentos dos anos cinquenta são mostrados em flashbacks. 

É um interessante drama sobre relacionamentos, política e violência, temas comuns as obras do competente John Sayles.

domingo, 11 de setembro de 2016

O Homem da Terra

O Homem da Terra (The Man From Earth, EUA, 2007) – Nota 8
Direção – Richard Schenkman
Elenco – David Lee Smith, Tony Todd, John Billingsley, Ellen Crawford, Annika Peterson, William Katt, Alexis Thorpe, Richard Riehle.

Em uma pequena cidade, o professor John Oldman (David Lee Smith) recepciona colegas de trabalho para uma despedida. Após dez anos, ele está saindo do colégio e seguirá para outra cidade. 

Para surpresa do grupo de professores, John diz ser um homem que está vivo há 14.000 anos e que teria vivenciado vários fatos importantes neste período. Tratado com incredulidade pelo grupo, que de forma individual o vê como como maluco ou mentiroso ou apenas um contador de histórias. 

Tendo como cenário apenas a sala da casa do professor e algumas poucas cenas no quintal, este longa de baixo orçamento e elenco canastrão surpreende pelo ótimo roteiro escrito por Jerome Bixby, que provavelmente também tem as mãos do diretor Richard Schenkman, pois Bixby faleceu em 1998. 

A discussão filosófica que surge após o protagonista revelar seu segredo, questiona a história do mundo, a ciência e principalmente a religião. Por mais que seja uma fantasia o conceito da vida eterna, o conteúdo dos diálogos apresenta explicações críveis sobre os assuntos citados e com certeza deixando os religiosos irritados. 

O elenco é todo composto por coadjuvantes de tv, tendo como rostos mais conhecidos, o sempre vilão Tony Todd e o eterno “Super Herói Americano” William Katt. 

Se você gosta do tema e não se importar com as interpretações e a simplicidade da parte técnica, com certeza ficará com os olhos vidrados e os ouvidos abertos nas discussões universais entre os personagens.

sábado, 10 de setembro de 2016

O Clã

O Clã (El Clan, Argentina / Espanha, 2015) – Nota 8
Direção – Pablo Trapero
Elenco – Guillermo Francella, Peter Lanzani, Lili Popovich, Gaston Cocchiarale, Giselle Motta, Franco Masini, Antonio Bengoechea, Stefania Koesso.

Buenos Aires, início dos anos oitenta. Com a ditadura militar argentina vivendo seus últimos dias, alguns colaboradores do regime passaram a cometer crimes particulares visando dinheiro. 

Neste contexto, Arquimedes Puccio (Guillermo Francella), contador, advogado e funcionário do Secretaria de Inteligência Estado, foi deixado de lado pelo governo, que não tinha mais interesse em desaparecer com opositores e assim começou a comandar uma quadrilha especializada em sequestros de pessoas ricas. Entre seus parceiros estavam dois filhos, Maguila (Gaston Cocchiarale) e o então astro da seleção argentina de rugby Alejandro (Peter Lanzani). 

Baseado numa absurda história real, este longa de Pablo Trapero mostra um pouco como muitos dos colaboradores da ditadura argentina eram aparentemente pessoas respeitáveis na sociedade, mas que por debaixo dos panos atuavam com frieza e crueldade. 

A história da família Puccio é ainda mais maluca, porque o patriarca pressionava os filhos para cometerem os crimes com ele e pior, utilizava o porão da própria casa como cativeiro, transformando esposa e outras duas filhas em cúmplices. 

Diferente do que ocorreu Brasil, em que durante vinte anos de ditadura morreram em torno de trezentas pessoas, sendo duzentos guerrilheiros e cem pessoas entre civis e militares, a ditadura argentina matou mais de trinta mil pessoas, sendo corriqueiro o sequestro de opositores. Arquimedes Puccio foi um destes “prestadores de serviços” para a ditadura militar argentina. 

Para quem gosta do tema e do cinema de Pablo Trapero, este é mais um filme imperdível.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O Rabino e o Pistoleiro, Hanky Panky & O Maior Amante do Mundo


Na semana passada, o cinema perdeu o comediante Gene Wilder, que estava aposentado do cinema há mais de vinte e cinco anos. Com um carreira praticamente toda voltada para comédia, Wilder tem como seu filme mais popular, o divertido "A Dama de Vermelho", grande sucesso de bilheteria nos anos oitenta.

Além deste trabalho, vale destacar as parceiras com Mel Brooks e com Richard Pryor. Com Brooks, Wilder protagonizou três clássicos da comédia: "Primavera Para Hitler", "Banzé no Oeste" e "O Jovem Frankenstein".

Ao lado do grande Richard Pryor, seu melhor filme foi "O Expresso de Chicago" de 1976. Eles ainda trabalharam juntos em "Loucos de Dar Nó", "Cegos, Surdos e Loucos" e "Um Sem Juízo, Outro Sem Razão", estes dois últimos quando Pryor já estava bastante debilitado por causa da esclerose múltipla. 

Por sinal, o próprio Gene Wilder abandonou o cinema após este último trabalho com Pryor. Ele fez ainda alguns filmes para TV e protagonizou uma série antes de se retirar de vez.

Nesta postagem comentou três filmes em que o ator foi protagonista.

O Rabino e o Pistoleiro (The Frisco Kid, EUA, 1979) – Nota 7
Direção – Robert Aldrich
Elenco – Gene Wilder, Harrison Ford, William Smith, Ramon Bieri, George DiCenzo.

Em 1850, o rabino polonês Avram (Gene Wilder) chega a Filadélfia mas não consegue entrar no navio que o levaria para San Francisco. Sem conhecer o país, o ingênuo rabino aceita viajar com os irmãos Diggs (William Smith e George DiCenzo), não imaginando que o sujeitos são ladrões. Após ser abandonado e passar por alguns apuros, Avram termina por se associar a outro pistoleiro, Tommy Lillard (Harrison Ford), que promete levá-lo até seu destino. 

Este divertido western cômico foi o penúltimo trabalho do grande diretor Robert Aldrich, que explora um roteiro repleto de piadas sobre judeus, além da inusitada química entre um então ascendente Harrison Ford e o já famoso Gene Wilder. 

Hanky Pank – Uma Dupla em Apuros (Hanky Panky, EUA, 1982) – Nota 6
Direção – Sidney Poitier
Elenco – Gene Wilder, Gilda Radner, Richard Widmark, Kathleen Quinlan, Robert Prosky, Josef Sommer, Jay O. Sanders.

Estando a trabalho em Nova York, o arquiteto Michael Jordon (Gene Wilder) é surpreendido ao ser abordado em um táxi por uma bela jovem (Kathleen Quinlan), que o entrega um pacote e diz que o encontrará no hotel. Atraído pela garota, ela entra no jogo, mas se arrepende ao reencontrá-la morta no hotel. Suspeito de ser o assassino e perseguido por estranhos que desejam o pacote, a única ajuda que Michael terá será da estranha Kate (Gilda Radner), seu contato de trabalho na cidade. 

A premissa de misturar suspense com comédia é interessante, assim como algumas sequências de correria, o problema é que as risadas são poucas e o desenrolar da história previsível. O filme tem algumas curiosidades. É uma das poucas comédias em que atuou o veterano Richard Widmark. O astro Sidney Poitier dirigiu Gene Wilder e Richard Pryor dois anos antes em outra comédia mediana chamada “Loucas de Dar No”. E este também foi o filme em que Gene Wilder e Gilda Radner se conheceram. Eles se casaram em 1984, mas infelizmente a atriz faleceu muito cedo em 1989.

O Maior Amante do Mundo (The World's Greatest Lover, EUA, 1977) – Nota 5,5
Direção – Gene Wilder
Elenco – Gene Wilder, Carol Kane, Dom DeLuise, Fritz Feld.

Em 1920, Rudy Hickman (Gene Wilder) e sua esposa Annie (Carol Kane) partem de Milwaukee em direção a Hollywood. O objetivo de Rudy é entrar para o cinema. Ele acaba aprovando em teste do produtor Adolph Zitz (Dom DeLuise), que sonha em encontrar um concorrente para o então astro Rudolph Valentino. A situação fica complicada quando a jovem Annie se apaixona pelo verdadeiro Valentino. 

Após vários sucessos nos anos setenta, esta comédia foi o primeiro fracasso do astro Gene Wilder. A tentativa de criar uma comédia de erros explorando os bastidores de Hollywood dos anos vinte rendeu poucas risadas. É um dos trabalhos mais fracos de Wilder. 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Amor Por Direito

Amor Por Direito (Freeheld, EUA, 2015) – Nota 6,5
Direção – Peter Sollett
Elenco – Julianne Moore, Ellen Page, Michael Shannon, Steve Carell, Luke Grimes, Josh Charles, Skipp Sudduth, William Sadler, Dennis Boutsikaris, Kevin O’Rourke, Tom McGowan, Adam LeFevre.

Condado de Ocean, New Jersey, 2002. A detetive Laurel Hester (Julianne Moore) começa um relacionamento com a jovem Stacie Andree (Ellen Page), mas esconde o fato de seus colegas de trabalho, inclusive do parceiro, o detetive Dane Wells (Michael Shannon). 

Algum tempo depois, após inclusive estar vivendo na mesma casa com a namorada em uma União Estável, Laurel descobre que está doente e inicia uma batalha para deixar uma pensão para Stacie, caso ela venha a falecer. 

Baseado em uma história real, este longa tem a atriz Ellen Page como uma das produtoras. Ela que é defensora da causa gay, provavelmente viu na história a chance de divulgar ainda mais suas ideias. 

O espectador mais sensível vai se comover com o sofrimento da protagonista, porém o roteiro é totalmente previsível, mesmo para quem não nunca tinha ouvido falar sobre a história. 

O ponto alto é o elenco, principalmente o trio interpretado por Julianne Moore, Michael Shannon e Steve Carell, este último como um agitado ativista judeu e gay. 

É uma história que funcionaria melhor como telefilme.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Chatô

Chatô - O  Rei do Brasil (Brasil, 2015) – Nota 4
Direção – Guilherme Fontes
Elenco – Marco Ricca, Andrea Beltrão, Letícia Sabatella, Leandra Leal, Paulo Betti, Eliane Giardini, Gabriel Braga Nunes, José Lewgoy, Walmor Chagas, Zezé Polessa.

Após vinte anos de problemas com a produção, o ator e diretor Guilherme Fontes conseguiu finalizar seu “épico”. Após assistir ao filme, fiquei surpreso ao ler várias críticas positivas pela internet, com muita gente elogiando a forma como Fontes criou uma espécie de sátira ao Brasil utilizando como base a biografia de Assis Chateaubriand. 

Com meu olhar de cinéfilo, o filme chega a ser irritante. A escolha em explorar o exagero na narrativa, nas atuações e transformar a biografia em uma ficção, resulta num filme histriônico, uma comédia de absurdos sem risadas. 

Não li a biografia escrita por Fernando Morais, mas sei que Chatô foi uma figura controversa, que na minha opinião mereceria um filme sério para detalhar fatos de sua vida, assim como a forma como ele se transformou em um magnata da imprensa, suas ligações de bastidores com a elite e com o então presidente Getúlio Vargas. 

Merecidamente, o filme foi ignorado pelo público e novamente como opinião pessoal, deveria servir de exemplo para justificar o fim da Lei Rouanet. É inadmissível que exista uma lei para “bancar a cultura” em um país como o Brasil, em que não existe infraestrutura decente para atender aos serviços básicos de saúde e educação e que os trabalhadores pagam quase quarenta por cento dos seus ganhos em impostos, sem contar violência, desemprego e corrupção. 

Se eu precisar de dinheiro para montar um pequeno negócio, terei de pedir um empréstimo e pagar juros e taxas. Então, porque um produtor de cinema pode receber dinheiro público para fazer um filme? É bom citar, dinheiro da Rouanet é público, pois são impostos que deixarão de ser utilizados em prol da população.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Deadpool

Deadpool (Deadpool, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Tim Miller
Elenco – Ryan Reynolds, Morena Baccarin, Ed Skrein, Gina Carano, Stefan Kapicic, Brianna Hildebrand, Karan Soni.

Wade Wilson (Ryan Reynolds) é uma espécie de mercenário urbano, que cobra uns trocados para pressionar perdedores que estão atrapalhando a vida de seus clientes. 

Após conhecer e se apaixonar por Vanessa (Morena Baccarin), Wade descobre que tem pouco tempo de vida. Procurado por um estranho que oferece a cura para sua doença, ele aceita a proposta e cai nas mãos de um psicopata (Ed Skrein) que faz experiências para transformar moribundos em mutantes. 

O grande destaque deste longa é a ousadia da Marvel, da produtora Fox e do astro Ryan Reynolds em esculachar os filmes de super heróis, criando uma comédia de ação recheada de piadas politicamente incorretas e violência. As várias citações sobre outro filmes, personagens e cultura pop são divertidas, porém, nem tudo funciona. A história de amor e vingança é puro clichê, assim como o final apoteótico. 

É um filme competente em sua proposta de não se levar a sério. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Sequestro no Espaço

Sequestro no Espaço (Lockout, França, 2012) – Nota 6
Direção – James Mather & Stephen St. Leger
Elenco – Guy Pearce, Maggie Grace, Vincent Regan, Joseph Gilgun, Lennie James, Peter Stormare, Jacky Ido, Tim Plester.

Em 2079, o governo americano criou uma prisão espacial onde criminosos de alta periculosidade são mantidos em cápsulas de hibernação para cumprirem suas penas. 

Durante a visita da filha do presidente americano (Maggie Grace), explode uma rebelião e os presos dominam a estação espacial. Para tentar resgatar a jovem é enviado o ex-agente da CIA Snow (Guy Pearce), que foi preso acusado injustamente de assassinar outro agente. O objetivo de Snow também é encontrar um ex-parceiro que está preso e que tem provas que podem inocentá-lo. 

Produzido e escrito por Luc Besson em parceria com a dupla de diretores, este agitado longa de ficção é uma cópia descarada do clássico “Fuga de Nova de York” de John Carpenter, que por sinal processou Besson e ganhou. 

A diferença é o local da ação, aqui Besson levou a história para uma prisão espacial, enquanto o filme de Carpenter tinha como cenário uma Manhattan devastada. 

Esta “versão” é bem inferior. O protagonista interpretado por Guy Pearce solta uma piadinha atrás da outra e a mocinha Maggie Grace (de “Lost”) é bela e inexpressiva. O destaque fica para um dos vilões vivido pelo inglês Joseph Gilgun, conhecido pelo papel de punk na ótima série “This Is England”. Seu personagem é um maluco cínico e alucinado. 

Para quem não se importar com os exageros da trama, os tiros que jamais atingem o herói e os furos do roteiro, poderá se divertir um pouco.

domingo, 4 de setembro de 2016

A Marca do Vampiro

A Marca do Vampiro (Mark of the Vampire, EUA, 1935) – Nota 7
Direção – Tod Browning
Elenco – Lionel Barrymore, Elizabeth Allan, Bela Lugosi, Lionel Atwil, Jean Hersholt, Donald Meek.

Um homem é encontrado morto no quarto de sua mansão sem uma gota de sangue no corpo. Encarregado de investigar a morte, o Inspetor Neumann (Lionel Atwill) tenta desvendar o ocorrido com a ajuda do Professor Zelen (Lionel Barrymore), que tem certeza que a causa da morte foi o ataque de um vampiro e o suspeito seria o Conde Mora (Bela Lugosi). 

Com a ajuda dos criados da mansão que estão apavorados, eles resolvem trancar a casa para proteger a filha do homem morto, a bela Irena (Elizabeth Allan), que seria o próximo alvo do suposto vampiro. 

Este foi o penúltimo filme dirigido por Tod Browning, diretor que veio do cinema mudo e foi considerado maldito pela indústria do cinema na época, principalmente após fazer o clássico “Monstros” (“Freaks”), longa estrelado por anões e pessoas com deficiências físicas e mentais, por sinal um filme que merece ser conhecido. 

Antes ele havia feito outro clássico, o terror “Drácula” com Bela Lugosi como protagonista, que aqui novamente faz o papel de vampiro, porém num filme que é mais uma homenagem ao gênero do que propriamente um terror. 

Pena que Browning tenha trabalhado apenas até 1939, depois sendo praticamente esquecido.

sábado, 3 de setembro de 2016

Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei

Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei (Brasil, 2009) – Nota 8
Direção – Micael Langer, Calvito Leal & Cláudio Manoel
Documentário

No final dos anos sessenta, a popularidade do cantor, apresentador e showman Wilson Simonal era gigantesca. Comandando um programa de auditório na TV Record, que era a grande emissora da época e fazendo dezenas de shows no ano, Simonal estava no auge da carreira. Em 1970, ele viajou para o México com a seleção brasileira de futebol que foi tri-campeã do mundo, inclusive ficando no mesmo hotel e sendo tratado como integrante da delegação. 

No ano seguinte, tudo mudou. Simonal se envolveu numa situação absurda. Ele acreditava que seu contador o estava roubando. Utilizando de sua influência, conseguiu que alguns policiais do temido DOPS levassem o sujeito para uma interrogatório, ou pior, uma sessão de tortura. O escândalo veio à tona e Simonal foi acusado de ser colaborador da ditadura. A partir daí, ele se tornou um pária no meio artístico. Durante os vinte anos seguintes, ele sumiu dos programas de tv, não gravou mais nada e seus shows praticamente não existiram. 

Este doc detalha a jornada do artista mostrando os vários lados. Com depoimentos de figuras importantes como Miéle, Chico Anísio, do escritor Ziraldo e de seus filhos Max de Castro e Wilson Simoninha, o espectador descobre que além do talento, Simonal também tinha um ego enorme, fato que causava inveja em muita gente. Seu erro absurdo foi o gatilho que muitos esperavam para derrubá-lo. 

Por outro lado, é extremamente triste como ele tentou limpar seu nome nos últimos anos de vida, conseguindo até ir em alguns programas de tv nos anos noventa. As poucas imagens dele em um determinado programa, mostram um sujeito abatido, bem diferente do jovem que regia massas em shows. 

Eu cresci nos anos oitenta e cansei de ouvir o nome de Simonal, mas confesso que somente nos anos noventa percebi que eram apenas menções, pois ele jamais aparecia em programa algum. Vale destacar que outros artistas também sofreram este boicote da mídia após serem acusados de apoio ao governo militar. 

Dois exemplos famosos são a dupla Dom e Ravel e a banda Os Incríveis, que fizeram muito sucesso no início dos anos setenta e que também foram acusados pela esquerda de apoiar a ditadura porque gravaram o clássico “Eu Te Amo Meu Brasil”. 

O doc traz ainda um depoimento exclusivo do contador, que esclarece em detalhes o que ocorreu, mas também deixa dúvidas sobre até que ponto era a relação de Simonal com os agentes do DOPS ou com o próprio governo.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

The Secret

The Secret (The Secret, Inglaterra, 2016) – Nota 7,5
Direção – Nick Murphy
Elenco – James Nesbitt, Genevieve O’Reilly, Patrick O’Kane, Nina Woods, Stuart Graham.

Corelaine, Irlanda do Norte, 1990. Colin Howell (James Nesbitt) é um dentista casado com Lauren (Nina Woods) e pai de quatro filhos pequenos.

Mesmo sendo extremamente religioso, Colin sente-se atraído por Hazel (Genevieve O’Reilly), que é casada com Victor (Patrick O‘Kane) com quem tem dois filhos. A atração é correspondida e Colin e Hazel se tornam amantes. 

Após serem descobertos e repreendidos pelo pastor da Igreja Batista a qual frequentam, eles confessam e pedem perdão aos companheiros, porém continuam o caso novamente às escondidas. Obcecado em ficar com Hazel, Colin planeja uma atitude extrema, que mudará para sempre a vida dos dois. 

Baseado em uma história real ocorrida entre 1990 e 2011, esta minissérie em quatro capítulos enfoca temas polêmicos como adultério, culpa, desejo sexual e religião. 

O grande destaque é a atuação de James Nesbitt, que cria um personagem complexo, que é ao mesmo tempo um pai amoroso e um religioso fanático, que em alguns momentos se mostra um psicopata frio, capaz de atitudes extremas que ele credita a vontade de Deus. 

Como informação, o ator James Nesbitt é nascido em Corelaine, a cidade onde ocorreu esta história.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Bone Tomahawk

Bone Tomahawk (Bone Tomahawk, EUA / Inglaterra, 2015) – Nota 7,5
Direção – S. Criag Zahler
Elenco – Kurt Russell, Patrick Wilson, Matthew Fox, Richard Jenkins, Lili Simmons, David Arquette, Sid Haig, Fred Melamed, Evan Jonigkeit, Kathryn Morris.

Durante uma fuga após assaltarem e matarem alguns vaqueiros, uma dupla de bandidos (Sid Haig e David Arquette) invade um cemitério indígena. Eles são atacados por selvagens e apenas um consegue fugir. 

Alguns dias depois, o sujeito chega a pequena cidade de Bright Hope e não demora para entrar em conflito com o xerife Hunt (Kurt Russell). Ele termina preso, mas o que ninguém na imagina é que os índios selvagens estão no encalço do sujeito. 

Os índios sequestram o assassino e mais duas pessoas, obrigando o xerife, seu assistente (Richard Jenkins), um vaqueiro com a perna fraturada e imobilizada (Patrick Wilson) e um pistoleiro (Matthew Fox) a seguirem em caçada por um território desconhecido. 

O grande mérito deste western é fugir do lugar comum do gênero, mesmo que a premissa lembre o clássico “Rastros de Ódio” de John Ford. O ritmo cadenciado da narrativa difere das perseguições alucinadas, sendo valorizada pelos ótimos diálogos, principalmente o falatório sem fim do personagem de Richard Jenkins. 

A tensão surge na meia-hora final, quando entram em cena os selvagens e a violência explode, transformando o longa quase num terror B. 

O filme marca a promissora estreia do diretor S. Craig Zahler, que também escreve o roteiro. 

Como curiosidade, o astro Kurt Russell repete o visual barbudo e cabeludo de “Os Oito Odiados”.