domingo, 14 de agosto de 2016

Rosetta

Rosetta (Rosetta, França / Bélgica, 1999) – Nota 7,5
Direção – Jean Pierre & Luc Dardenne
Elenco – Emilie Dequenne, Fabrizio Rongione, Anne Yernaux, Olivier Gourmet.

Rosetta (Emilie Dequenne) é uma jovem que vive com a mãe alcoólatra (Anne Yernaux) numa espécie de trailer em um camping. 

Logo no início do filme, a garota é dispensada de um emprego temporário e causa um grande tumulto na empresa. O desespero da jovem em conseguir trabalho e ter uma vida normal resulta em vários problemas, inclusive com Riquet (Fabrizio Rongione), um rapaz que tenta ajudá-la. 

Os irmãos Dardenne venceram a Palma de Ouro de Cannes com este drama que foca na falta de oportunidade de trabalho para os jovens, situação que já era comum no final dos anos noventa e principalmente nas consequências de uma família desestruturada. 

A interpretação espontânea e ao mesmo tempo nervosa da estreante Emilie Dequenne é perfeita. A agitação da garota fica mais assustadora com a escolha dos diretores em filmar com a câmera na mão, com muitas cenas em close e outras em ângulos inusitados, com o objetivo de fazer o espectador sentir o mesmo desconforto dos personagens. 

Visto hoje, não tem o mesmo impacto da época, mas mesmo assim ainda é um drama forte com uma protagonista complexa e desesperada.

sábado, 13 de agosto de 2016

Philomena

Philomena (Philomena, Inglaterra / EUA / França, 2013) – Nota 8
Direção – Stephen Frears
Elenco – Judi Dench, Steve Coogan, Sophie Kennedy Clark, Mare Winningham, Barbara Jefford, Anna Maxwell Martin, Ruth McCabe, Peter Herman, Sean Mahon.

Londres, ano 2000. O jornalista Martin Sixmith (Steve Coogan) perde o emprego numa emissora de tv e fica sem saber o que fazer da vida. Durante uma festa, ele é abordado por uma jovem (Anna Maxwell Martin) que o convida a conhecer sua mãe Philomena (Judi Dench) para escrever uma matéria sobre ela. 

Nos anos cinquenta, ainda adolescente, Philomena foi deixada pelo pai em um convento, sendo criada por freiras. Ela engravidou e deu a luz a um garoto, que pouco tempo depois foi entregue pelas freiras para um casal. Mesmo relutante, Sixmith aceita a oferta e aos poucos descobre uma triste e surpreendente história. 

Baseado numa história real contada em livro pelo próprio Martin Sixmith, este sensível longa aborda mais um tema polêmico relacionado aos pecados que a Igreja Católica tenta esconder debaixo do tapete. 

São vários destaques no filme. A inusitada química entre o contido Steve Coogan e a simplicidade da personagem de Judi Dench é valorizada pelos ótimas interpretações e os diálogos afiados, alguns até engraçados. É o tipo de relação em que duas pessoas completamente diferentes criam um laço de amizade e aprendem sobre a vida na troca de experiências. 

A história também é surpreendente à partir do momento em que a dupla principal descobre a identidade do filho desaparecido. 

Depois de alguns filmes com qualidade abaixo de seu talento, o inglês Stephen Frears voltou a acertar a mão neste belo trabalho.    

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Um Toque no Coração

Um Toque no Coração (Ring the Bell, EUA, 2013) – Nota 3
Direção – Thomas Weber
Elenco – Ryan Scharoun, Ashley Nicole Anderson, Casey Bond, Madison Miller.

Rob Decker (Ryan Scharoun) é um agente que cuida da carreira de jogadores de beisebol. Ele viaja até uma pequena cidade com o objetivo de convencer um talentoso jovem em assinar um contrato para ser tornar profissional, ao invés de aceitar o convite de uma universidade. 

Tentando mostrar a esperteza da cidade grande, Rob se surpreende ao descobrir que os habitantes do local e o próprio jovem jogador não se preocupam com fama ou dinheiro, preferindo colocar a fé em primeiro lugar. 

Quem visita meu blog sabe que comento sobre todo tipo de filme. É sempre um prazer pesquisar e descobrir filmes pouco conhecidos. Desta forma encontrei uma pequena resenha deste filme em um site. Ela dizia algo sobre um sujeito que deixava uma metrópole e mudava sua vida em uma cidade pequena. O que eu não imaginava é que o filme seria uma verdadeira propaganda sobre religião, com um roteiro que tenta passar uma mensagem rasteira e totalmente clichê sobre fé e amor ao próximo. 

O nível de interpretação do elenco também é sofrível. Desde a primeira cena fica clara a falta de talento do protagonista e por consequência do restante do elenco. 

O filme pode ser útil numa aula de catecismo ou algo do gênero. Como cinema é melhor esquecer.  

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Bosch

Bosch (EUA, 2015/2016)
Criador - Eric Ellis Overmyer
Elenco - Titus Welliver, Jamie Hector, Amy Aquino, Lance Reddick, Sarah Clarke, Madison Lintz, Troy Evans, Jason Gedrick, Jeri Ryan, Brent Sexton, Annie Wersching, James Ransone.

Hyeronimus "Harry" Bosch (Titus Welliver) é um veterano detetive da divisão de homicídios de Los Angeles. Visto por alguns superiores como rebelde por seguir seus instintos e não ter medo de dar sua opinião, Bosch também é extremamente competente nas investigações.

Ao lado do parceiro Jerry Edgar (Jamie Hector), na primeira temporada eles investigam o assassinato de um garoto de doze anos ocorrido vinte anos antes. Os restos do garoto são encontrados numa cova rasa em um bosque nos arredores da cidade. Em paralelo, a dupla precisa capturar um serial killer (Jason Gedrick).

Na segunda temporada o foco se volta para a investigação do assassinato de um produtor de filmes pornô com ligação com a Máfia Armênia de Las Vegas. A trama paralela desta temporada é a investigação de um grupo de policiais corruptos.

Nas duas temporadas o roteiro também explora a vida pessoal do protagonista, principalmente sua relação com a ex-esposa (Sarah Clarke) e a filha adolescente (Madison Lintz), além do gosto pelo jazz.

A série segue um estilo clássico do gênero policial, com uma dupla de detetives com personalidades e idades bem diferentes, investigações complexas e minuciosas, além de toda a politicagem que envolve os bastidores da polícia. Também não são deixadas de lado as perseguições, brigas e tiroteios, sempre realistas.

O personagem Bosch é o protagonista de uma série de livros que foram adaptados pelo roteirista Michael Connelly para este seriado de tv, que por sinal marca o primeiro papel principal do veterano ator de TV Titus Welliver.  Com participação em mais de cinquenta seriados desde os anos noventa, o ator tem aqui sua maior oportunidade na carreira.

No elenco, vale destacar ainda seu parceiro interpretado por Jamie Hector e principalmente o marcante chefe de polícia vivido por Lance Reddick.

Em cada temporada são dez episódios, sendo que mais dez estão programados para a terceira que deverá ir ao ar em 2017.

É uma ótima série para quem curte o gênero policial.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Negócio das Arábias

Negócio das Arábias (A Hologram for the King, EUA / França / Alemanha / EUA / México, 2016) – Nota 7,5
Direção – Tom Tykwer
Elenco – Tom Hanks, Alexander Black, Sarita Choudhury, Sidsen Babett Knudsen, Tracey Fairaway, Jane Perry, Tom Skerritt, Ben Whishaw.

Alan Clay (Tom Hanks) é enviado para Arábia Saudita com a missão de vender uma nova tecnologia para o rei daquele país que está construindo um megaempreendimento no meio do deserto. 

Passando por uma grave crise existencial, consequência da separação da esposa, da falta de dinheiro para pagar a universidade para a filha e por uma complicada decisão profissional que tomou tempos atrás, Alan vê na negociação uma espécie de última chance para se reerguer. 

O primeiro terço do filme, assim como o título nacional, passa a impressão de que veríamos uma comédia de erros focada na diferença de costumes entre americanos e árabes, porém no desenrolar da narrativa a trama muda o foco inserindo pitadas de drama, além de uma crítica social nas entrelinhas. 

O interessante do roteiro é que ele não divide a história entre mocinhos e vilões, os dois lados são mostrados com virtudes e defeitos. Do lado americano são discutidas as consequências da crise de 2008 que levou muitas empresas a transferir sua produção para o oriente em troca de um corte de custos, fato que resultou no aumento do desemprego nos Estados Unidos. 

Por outro lado, a Arábia Saudita é mostrada como um país que passa para o mundo a imagem de uma sociedade islâmica ortodoxa, mas no fundo esconde seus pecados, seja a exploração de imigrantes no trabalho e as festas e bebidas que a elite aproveita de forma privada. 

O filme é valorizado pela interpretação de Tom Hanks, que ao mesmo tempo passa simpatia e angústia em seu personagem. Outro destaque é o estreante Alexander Black, que interpreta o engraçado motorista árabe de forma perfeita. Foi até uma surpresa descobrir que o ator é americano. 

Recheada de músicas pop dos anos oitenta e com uma cena inicial de sonho do personagem de Hanks ao som de “Once a Lifetime” da banda Talking Heads, a trilha sonora é outro ponto alto. 

Mesmo não sendo cult como “Lola, Corra Lola” ou instigante como “A Viagem” que comandou em parceria com os irmãos Wachowski, novamente o alemão Tom Tykwer comprova ser um diretor diferenciado. 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O Homem que Copiava & Meu Tio Matou um Cara



O Homem que Copiava (Brasil, 2003) – Nota 7
Direção – Jorge Furtado
Elenco – Lázaro Ramos, Leandra Leal, Pedro Cardoso, Luana Piovani, Júlio Andrade, Carlos Cunha Junior, Paulo José.

Em Porto Alegre, André (Lázaro Ramos) é funcionário de uma copiadora e sonha em conquistar a jovem Silvia (Leandra Leal), que trabalha numa loja próxima. Para se aproximar da garota, André precisa conseguir dinheiro. Apaixonado cegamente, André e o amigo Cardoso (Pedro Cardoso) tem a ideia de utilizarem as máquinas da copiadora para “fabricar” dinheiro. O desejo de Cardoso é ficar com a sensual Marinês (Luana Piovani). Com o sucesso no primeiro passo dentro do mundo do crime, a dupla elabora um plano para assaltar um carro forte. 

O sucesso que o longa fez na época se deve bastante a interpretação de Lázaro Ramos, que de uma forma simpática narra a história e repete diversas vezes que seu “cargo” seria de “operador de fotocopiadora”. Seus diálogos com Pedro Cardoso também são outro ponto alto, que por seu lado faz o papel de otário metido a malandro. 

Como opinião pessoal, o filme perde alguns pontos a partir da sequência do assalto, mas no geral é uma divertida sessão da tarde.

Meu Tio Matou um Cara (Brasil, 2004) – Nota 6
Direção – Jorge Furtado
Elenco – Lázaro Ramos, Darlan Cunha, Ailton Graça, Dira Paes, Déborah Secco, Sophia Reis, Renan Gioelli, Júlia Andrade.

Eder (Lázaro Ramos) confessa ter assassinado um sujeito. Seu sobrinho Duca (Darlan) acredita que o tio está mentindo para proteger sua namorada Soraya (Déborah Secco), que é ex-mulher da vítima. Para elucidar o caso, Duca contrata um detetive (Júlio Andrade). Em paralelo, Duca tenta conquistar uma amiga de escola (Sophia Reis) que se mostra mais interessada em outro garoto (Renan Gioelli). 

Esta mistura de comédia e romance peca pela história novelesca e os personagens caricatos. Diferente de “O Homem Que Copiava” que tinha falhas que eram compensadas pelo ótimo protagonista, aqui em momento algum o espectador percebe carisma nos personagens. 

Em comparação com as comédias brasileiras atuais, este longa é superior, mas analisando em relação a um quadro maior, infelizmente o resultado deixa a desejar. 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Tudo Acontece em Nova York

Tudo Acontece em Nova York (Happythankyoumoreplease, EUA, 2010) – Nota 7
Direção – Josh Radnor
Elenco – Josh Radnor, Michael Algieri, Malin Akerman, Kate Mara, Zoe Kazan, Pablo Schreiber, Tony Hale, Peter Scanavino, Richard Jenkins.

Com quase trinta anos de idade, Sam (Josh Radnor) ainda sofre para conseguir publicar seu primeiro livro. No dia em que tem uma reunião que pode mudar a situação, Sam cruza no metrô com um garotinho (Michael Algieri) que parece perdido. 

Sam tenta ajudá-lo e descobre que o garoto não deseja voltar para o lar adotivo. Ele acaba levando o menino para casa até descobrir o que fazer. Ao mesmo tempo, Sam tenta se aproximar de uma bela bartender (Kate Mara). 

O ator Josh Radnor, do seriado “How I Met Your Mother”, estreou na direção com este simpático longa sobre amizade e relacionamentos, tendo a cidade de Nova York com pano de fundo. 

O roteiro escrito pelo ator desenvolve ainda duas subtramas. A sua melhor amiga vivida por Malin Akerman se mostra dividida entre um um advogado careta e um roqueiro descompromissado, enquanto a prima do personagem de Radnor vivida por Zoe Kazan, passa uma crise com o namorado interpretado por Pablo Schreiber. 

É um típico filme independente com pequenas histórias sobre pessoas comuns. 

Radnor faria um filme ainda melhor na sequência, o sensível “Histórias de Amor”

domingo, 7 de agosto de 2016

Mente Criminosa

Mente Criminosa (Criminal, Inglaterra / EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Ariel Vromen
Elenco – Kevin Costner, Gary Oldman, Tommy Lee Jones, Ryan Reynolds, Jordi Molla, Gal Gadot, Michael Pitt, Alice Eve, Amaury Nolasco, Antje Traue, Scott Adkins.

Em Londres, o agente da CIA Bill Pope (Ryan Reynolds) é monitorado por seus superiores e ao mesmo tempo perseguido por assassinos ao tentar encontrar com um sujeito conhecido como o “Holandês”. Bill termina assassinado e a CIA não sabe se ele contou para os criminosos onde estaria escondido o holandês. 

Para tentar descobrir o que ocorreu, é chamado o Dr. Franks (Tommy Lee Jones), que desenvolveu uma pesquisa com o objetivo de transferir a memória de pessoas mortas para outras. Para ser utilizado como cobaia, o Dr.  Franks escolhe Jericho Stewart (Kevin Costner), um psicopata que cumpre pena. As consequências da cirurgia criam um caos ainda maior. 

Este agitado longa de ação e ficção explora elementos que já vimos em vários outros filmes do gênero. A transferência de memória lembra o recente “Sem Retorno” protagonizado por Ryan Reynolds, a escolha do assassino para auxiliar na situação extrema é semelhante ao ótimo “A Rocha” dos anos noventa, além de utilizar outros clichês como a experiência científica maluca, o vilão megalomaníaco e um final açucarado. 

Quem não se importar com estes clichês e com os furos do roteiro, poderá se divertir com o elenco de astros, o bom ritmo da narrativa e as várias cenas de ação, algumas bastante violentas. 

O diretor israelense Ariel Vromen entregou um filme bem melhor em seu trabalho anterior. O drama policial “O Homem de Gelo” com Michael Shannon merece ser descoberto.

sábado, 6 de agosto de 2016

Vítimas de uma Paixão & Malícia


Vítimas de uma Paixão (Sea of Love, EUA, 1989) – Nota 7,5
Direção – Harold Becker
Elenco – Al Pacino, Ellen Barkin, John Goodman, Michael Rooker, Richard Jenkins, William Hickey, Paul Calderon, John Spencer, Michael O’Neill.

Um sujeito é assassinado pela parceira durante o sexo. Para investigar o caso é designado o detetive Frank Keller (Al Pacino). Pouco tempo depois, outro homem é encontrado morto nas mesmas condições. Keller se junta ao detetive Sherman (John Goodman) e descobre que as duas vítimas haviam publicado um anúncio em jornal à procura de uma namorada. Para tentar atrair a assassina, Keller publica um anúncio semelhante e termina por encontrar a voluptuosa Helen (Ellen Barkin). Quanto mais Keller se envolve com Helen, mais pistas apontam para a garota. 

Este interessante suspense policial marcou a volta de Al Pacino ao cinema após quatro anos afastado das telas. Dizem que Pacino ficou frustrado com o enorme fracasso do épico “Revolução” em 1985 e por este motivo decidiu dar um tempo na carreira. Sua escolha de filme para retorno foi um acerto, além da história que deixa a dúvida sobre a identidade da assassina, vale destacar também o clima sensual marcado pelas fortes cenas de sexo entre Pacino e Ellen Barkin. 

O longa tem ainda bons coadjuvantes como John Goodman e Richard Jenkins no papel de um rival de Pacino. Outro ponto positivo é a canção “Sea of Love”, que toca em alguns momentos do filme, inclusive no créditos finais na inconfundível voz de Tom Waits. 

Como curiosidade, mesmo sem a mesma polêmica, o longa lembra um pouco o posterior e ainda mais bem sucedido “Instinto Selvagem”. 

O sucesso do filme ajudou a recolocar a carreira de Pacino nos trilhos.

Malícia (Malice, EUA, 1993) – Nota 7,5
Direção – Harold Becker
Elenco – Alec Baldwin, Nicole Kidman, Bill Pullman, Bebe Neuwirth, Peter Gallagher, Josef Sommer, Tobin Bell, George C. Scott, Anne Bancroft, Debrah Farentino, Gwyneth Paltrow.

Andy (Bill Pullman) é um psicólogo que trabalha em uma universidade numa pequena cidade de Massachusetts. Casado com a bela Tracy (Nicole Kidman), eles sofrem pela dificuldade dela em engravidar. A situação piora quando Tracy é internada após passar mal. No hospital, Andy reencontra um antigo colega de universidade, o egocêntrico médico Jed (Alec Baldwin), que termina por atender Tracy. Os dois iniciam uma estranha disputa de poder, uma inimizade velada. Em paralelo, um serial killer está agindo na região. 

O ponto alto deste suspense é a complexa trama escrita pelo roteirista Aaron Sorkin, que revela aos poucos a verdadeira face de cada personagem. Bill Pullman e Nicole Kidman estão bem como o casal aparentemente perfeito, porém quem brilha é Alec Baldwin, que cria uma médico arrogante até a médula. Vale destacar ainda a participação de Tobin Bell, que ficaria famoso anos depois ao interpretar o vilão da franquia “Jogos Mortais”. 

Para quem curte um suspense com algumas surpresas e uma narrativa que prende a atenção, este longa é uma boa opção.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Polícia, Adjetivo

Polícia, Adjetivo (Politist, Adjectiv, Romênia, 2009) – Nota 8
Direção – Corneliu Porumboiu
Elenco – Dragos Bacur, Vlad Ivanov, Ion Stoica, Irina Saulescu, Cerasela Trandafir.

Cristi (Dragos Bacur) é um policial de uma pequena cidade da Romênia. Sua missão atual é seguir um adolescente que todos os dias fuma haxixe com um colega e uma garota. O tal colega do adolescente é um informante que alega para a polícia que o garoto e seu irmão que vive em Bucareste são traficantes. 

Durante vários dias, Cristi segue o adolescente e tenta descobrir alguma ligação dele ou de sua família com o tráfico. Ao mesmo tempo, seus chefes o pressionam para prender o garoto, mesmo sem ter prova alguma. 

Assim como em “A Leste de Bucareste”, aqui o diretor Corneliu Porumboiu faz uma crítica bem humorada sobre a dificuldade da sociedade romena em se adaptar aos novos tempos após o final do comunismo no inicio dos anos noventa. 

A polícia é mostrada como um órgão arcaico, onde um policial sofre para conseguir informações básicas sobre os suspeitos e os superiores são burocratas que agem como se ainda estivessem no comunismo. 

É interessante a narrativa imposta pelo diretor, que é ao mesmo tempo lenta e realista. A câmera segue o policial em longos planos-sequências durante a investigação, assim como na relação com outros policiais dentro da delegacia e principalmente com a esposa. 

Em uma destas sequências sem cortes, o protagonista chega em casa, fala rapidamente com a esposa, vai para a cozinha jantar, volta para sala e novamente conversa com a mulher, até resolver dormir. É uma sequência sem cortes com mais de dez minutos, que por si só mostra o talento do diretor. 

É um filme indicado para quem gosta de obras diferentes.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

47 Ronins

47 Ronins (47 Ronin, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – Carl Rinsch
Elenco – Keanu Reeves, Hiroyuki Sanada, Ko Shibasaki, Tadanobu Asano, Min Tanaka, Jin Akanishi, Masyoshi Haneda, Takato Yonemoto, Cary Hiroyuki Tagawa, Rinko Kikuchi, Natsuki Kunimoto.

No Japão Feudal, um garoto chamado Kai é resgatado por Lord Asano (Min Tanaka) e criado junto com os samurais. Anos depois, Kai (Keanu Reeves) sofre com o preconceito dos samurais por ser mestiço, fato que o impede de viver com a bela Mika (Ko Shibasaki), filha de Lord Asano. 

Quando um senhor feudal inimigo utiliza uma bruxa para desgraçar Lord Asano, seus samurais são expulsos de suas terras se tornando Ronins (samurais sem dono). Liderados por Oishi (Hiroyuki Sanada) e Kai, os samurais buscarão vingança. 

É sempre bom quando um filme nos surpreende de forma positiva. Eu esperava pouco deste longa e no final fiquei satisfeito. A história é baseada na famosa lenda japonesa dos “47 Ronins” e tem o elenco composto de japoneses, com exceção do astro Keanu Reeves como protagonista. 

A história clássica sobre honra, traição e lealdade se mistura com fantasia representada pelas ações da bruxa e pelas criaturas que surgem durante o desenrolar da trama. Os efeitos especiais se mostram um complemento competente para as boas cenas de ação, com destaque para confronto entre samurais no clímax. 

Está longe de ser um filme de Akira Kurosawa, mas mesmo assim é um eficiente divertimento para quem curte o gênero. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O Bom Coração

O Bom Coração (The Good Heart, Islândia / Dinamarca / EUA / França / Alemanha, 2009) – Nota 7
Direção – Dagur Kari
Elenco – Brian Cox, Paul Dano, Isild Le Besco, Damian Young, Daniel Raymont, Clark Middleton.

Jacques (Brian Cox) é o rabugento dono de um bar que sofre de um complicado problema no coração. Lucas (Paul Dano) é um jovem morador de rua que tenta o suicídio. 

O destino faz com que os dois fiquem lado a lado no hospital. Jacques vê no garoto a chance de deixar um “herdeiro” para seu bar. Lucas se torna seu aluno e aos poucos, a convivência transforma a forma de cada um deles ver a vida. 

Este interessante longa dirigido pelo francês Dagur Kari apresenta uma narrativa estranha, alguns diálogos bizarros e coadjuvantes pra lá de excêntricos. O foco principal é o contraponto entre o frustrado personagem de Brian Cox e a bondade de Paul Dano, figuras opostas que criam um laço de amizade. 

O roteiro também não se preocupa em detalhar o passado dos personagens, deixando a questão por conta da imaginação do espectador. Por outro lado, o desenrolar da trama deixa várias pistas sobre o final da história, que tenta ser surpreendente, mas que se mostra clichê. 

É um filme diferente, que tem como destaque maior as interpretações da dupla principal. 

terça-feira, 2 de agosto de 2016

A Convocação

A Convocação (The Calling, EUA / Canadá, 2014) – Nota 6,5
Direção – Jason Stone
Elenco – Susan Sarandon, Gil Bellows, Topher Grace, Ellen Burstyn, Donald Sutherland, Christopher Heyerdahl.

A pacata comunidade de Fort Dundas no Canadá fica abalada após dois assassinatos similares. As pistas levam Hazel (Susan Sarandon), a chefe de polícia da cidade, a acreditar que um serial killer esteja agindo na região. 

A princípio sendo ignorada pelos superiores em Ontario, Hazel tem auxílio apenas de dois policiais (Gil Bellows e Topher Grace), além de lidar com fortes dores nas costas e uma depressão disfarçada pela bebida. 

O longa tem uma interessante premissa que desperta a curiosidade do espectador quanto a motivação dos crimes, deixando clara logo no início a identidade do assassino interpretado por um enigmático Christopher Heyerdahl. 

A narrativa também prende a atenção com a ajuda das belíssimas locações do interior do Canadá, que por sinal lembram a série “Arquivo X” que era filmada na região, muitas vezes com sequências em bosques, florestas e estradas afastadas. 

Vale destacar também as participações dos veteranos Donald Sutherland no papel de um padre e Ellen Burstyn como a mãe da policial interpretada por Susan Sarandon. 

O resultado é um filme policial simples com uma história bem amarrada, mas que faltou um pouco de ação e também um diretor mais experiente.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Dois Caras Legais

Dois Caras Legais (The Nice Guys, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Shane Black
Elenco – Russell Crowe, Ryan Gosling, Angourie Rice, Matt Bomer, Margaret Qualley, Kim Basinger, Yaya DaCosta, Beau Knapp, Keith David, Lois Smith, Gil Gerard, Murielle Telio.

Jackson Healy (Russell Crowe) é um detetive particular sem licença, especializado em pressionar e bater em pessoas em troca de dinheiro. Ele é contratado pela jovem Amelia (Margaret Qualley) que deseja afastar outro detetive, o atrapalhado Holland March (Ryan Gosling) que fora contratado por uma senhora para encontrar sua sobrinha. 

Após um violento primeiro encontro, os detetives terminam por unir forças para investigar o assassinato de uma atriz pornô (Murielle Tellio) que pode estar ligado a fuga da garota Amelia. 

O diretor e roteirista Shane Black é aplaudido até hoje pelo roteiro do primeiro e ótimo “Máquina Mortífera”. Nos trinta anos seguintes, Black assinou alguns roteiros de blockbusters de ação e se aventurou na direção do elogiado “Beijos e Tiros”, filme que eu considero superestimado, além da terceira parte da franquia “Homem de Ferro”. 

Esta nova incursão de Black na direção é superior a “Beijos e Tiros”, mesmo assim ainda é um filme irregular, que intercala algumas boas piadas sobre Richard Nixon e os Waltons e uma dupla de protagonistas carismática que tem o divertido apoio da garotinha Angoure Rice, com uma história rocambolesca que não convence, mesmo sendo analisada como paródia do gênero policial. 

Não sou grande fã do estilo, geralmente paródias resultam num meio termo em que nem a comédia e nem a trama policial se sobressaem. 

O filme até prende a atenção, tem várias cenas de ação, violência e correria. 

Pelas críticas, o longa agradou ao público, mas mesmo assim vejo como uma obra esquecível.