sábado, 30 de julho de 2016

Memórias Secretas

Memórias Secretas (Remember, Canadá / Alemanha, 2015) – Nota 8
Direção – Atom Egoyan
Elenco – Christopher Plummer, Martin Landau, Bruno Ganz, Jurgen Prochnow, Dean Norris, Henry Czerny.

O alemão Zev Guttman (Christopher Plummer) é um judeu sobrevivente de Auschwitz que vive em um asilo.

Sofrendo de demência e com a morte recente da esposa, Zev é orientado por seu amigo Max (Martin Landau), que entrega uma carta com um plano que deverá ser seguido por ele. Max diz que o plano foi elaborado pelos dois enquanto Zev ainda estava bem de saúde.

Zev abandona o asilo e segue as instruções da carta, tendo como objetivo encontrar um outro alemão chamado Rudy Kurlander. O problema é que existem quatro pessoas com este nome entre os Estados Unidos e o Canadá. 

Este surpreendente drama é com certeza o melhor filme do direto egípcio Atom Egoyan desde o elogiado “O Doce Amanhã” de 1997. As obras de Egoyan geralmente são dramas que focam em personagens marcados pelo passado. Aqui o foco é este, mas diferente de suas obras anteriores que sofrem por não se desenvolverem tão bem quanto as premissas, neste longa, Egoyan cria uma história completa de resgate do passado, em que a memória falha do personagem principal esconde fatos que serão revelados na impactante sequência final. 

A jornada do protagonista é valorizada pela belíssima interpretação do veteraníssimo Christopher Plummer, que do alto dos seus oitenta e seis anos tem a rara oportunidade de segurar um filme praticamente sozinho. Apesar de pequenas, também são importantes as participações de Martin Landau (oitenta e sete anos) e do alemão Bruno Ganz (setenta e quatro anos). 

O resultado é um ótimo drama que merece ser descoberto.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Bombas! - Filmes com Charles Bronson

Charles Bronson foi um dos grandes astros dos anos sessenta, setenta e oitenta. Ele compensava sua falta de talento com uma carismática presença nas telas, tendo marcado sua carreira pelos personagens durões.

No meio dos mais de cinquenta e filmes em que trabalhou, sendo alguns clássicos absolutos como "Os Doze Condenados", "Era Uma Vez no Oeste" e "Sete Homens e um Destino", além do marcante "Desejo de Matar", Bronson também protagonizou algumas bombas, basicamente em duas fases da carreira.

Aqui eu comento de forma rápida cinco filmes fracos que ele estrelou no final do anos sessenta e início do setenta, em sua maioria após seu casamento com a atriz inglesa Jill Ireland, que foi o amor de sua vida e tinha a mesma falta de talento do astro.

A segunda fase ruim foi no final da carreira, quando já estava acomodado e trabalhava sob contrato com a produtora picareta Cannon.

Alguém Atrás da Porta (The Stranger ou Quelqu'un Derrière la Porte, França, 1971) – Nota 5,5
Direção – Nicolas Gessner
Elenco – Charles Bronson, Anthony Perkins, Jill Ireland, Henri Garcin.

Laurence (Anthony Perkins) é um neurocirurgião obcecado por sua pesquisa. Quando descobre que sua bela esposa Frances (Jill Ireland) o está traindo com um jornalista (Henri Garcien), ele decide se vingar de uma forma inusitada. Laurence se aproveita de um paciente (Charles Bronson) que tem distúrbios mentais e sofre de amnésia. Ele leva o desconhecido para sua casa e o faz acreditar que Frances é sua esposa, para desta forma o estranho assassinar o jornalista. Este é com certeza o filme mais bizarro da carreira de Charles Bronson. Um ritmo extremamente arrastado, uma história pra lá de absurda, um afetado Anthony Perkins e Bronson interpretando um desequilibrado resultam numa obra que quase chega a ser cult de tão estranha.

As Armas do Diabo (Guns of Diablo, EUA, 1965) – Nota 5,5
Direção – Boris Sagal
Elenco – Charles Bronson, Susan Oliver, Kurt Russell, Jan Merlin.

Um sujeito que viaja de trem de forma clandestina (Charles Bronson) cruza o caminho de um adolescente órfão (Kurt Russell) e se envolve com uma jovem (Susan Oliver) que é casada com o xerife de uma pequena cidade. Pensando em mudar de vida, o trio se aventura na busca de uma mina de ouro perdida. A curiosidade desta aventura pouco inspirada é a inusitada dupla interpretada pelo então astro mirim Kurt Russell e o ícone Charles Bronson. 

Chino ou Valdez, o Mestiço (Valdez, Il Mezzosangue, Itália / Espanha / França, 1973) – Nota 5
Direção – John Sturges
Elenco – Charles Bronson, Jill Ireland, Marcel Bozzuffi, Vincent Van Patten.

Chino Valdez (Charles Bronson) é um mestiço que vive isolado para evitar conflitos por causa do preconceito. Num certo dia, um jovem fugitivo (Vincent Van Patten) pede abrigo no pequeno rancho de Valdez, que após relutar aceita a presença do garoto e passa a ensiná-lo tudo sobre cavalos. Quando Valdez se envolve com uma jovem (Jill Ireland), o preconceito dos moradores da cidade vem à tona. É um filme extremamente arrastado, que não funciona como drama e nem como western. Com certeza um dos piores da carreira do diretor John Sturges.

Três Horas Para Matar ou O Proscrito e a Dama (From Noon Till Three, EUA, 1976) – Nota 6
Direção – Frank D. Gilroy
Elenco – Charles Bronson, Jill Ireland, Douglas Fowley.

Graham (Charles Bronson) faz parte de uma quadrilha que planeja assaltar um banco. Ele desiste do crime para seduzir a bela Amanda (Jill Ireland), porém seus comparsas seguem o plano que acaba falhando. Graham acaba na cadeia, enquanto Amanda escreve um livro sobre o rápido relacionamento que se transforma em sucesso. Ao sair da prisão, Graham volta para procurar Amanda que mudou completamente de vida. Este western romântico com pitadas de comédia é um pouco melhor que os demais filmes desta postagem, principalmente por causa da inusitada mistura de gêneros. 

Cidade Violenta (Cittá Violenta, Itália / França, 1970) – Nota 5,5
Direção – Sergio Sollima
Elenco – Charles Bronson, Jill Ireland, Telly Savalas, Umberto Orsini.

Jeff (Charles Bronson) é um matador de aluguel que pretende se aposentar e levar a namorada (Jill Ireland) para uma viagem romântica na América Central. O problema é que ele não sabe que está sendo seguido. Após ser traído, ele acaba preso. Quando sai da prisão, Jeff parte em busca de vingança e encontra sua namorada vivendo com o chefe da organização criminosa a qual ele pertencia, Al Weber (Telly Savalas). O desenvolvimento do filme é lento e cansativo, com a melhor sequência senda a de uma perseguição de automóveis pelas ruas estreitas de uma cidade indefinida na América Central. 

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Conspiração e Poder

Conspiração e Poder (Truth, Austrália / EUA, 2015) – Nota 7,5
Direção – James Vanderbilt
Elenco – Cate Blanchett, Robert Redford, Topher Grace, Dennis Quaid, Elisabeth Moss, Bruce Greenwood, Stacy Keach, John Benjamin Hickey, David Lyons, Dermot Mulroney, Rachael Blake, Andrew McFarlane.

Às vésperas das eleições presidenciais americanas em 2004, Mary Mapes (Cate Blanchett), produtora do programa jornalístico “60 Minutos” do canal CBS, investiga o passado militar do então candidato a reeleição George W. Bush. 

Após receber documentos que podem comprovar que Bush teve privilégios durante aquele período em troca de favores bancados por seu pai, Mary recebe a autorização do canal para ir fundo na reportagem, contando inclusive com o apoio do apresentador Dan Rather (Robert Redford), um ícone da tv americana. A reportagem trará consequências drásticas para todos os envolvidos. 

Baseado na história real descrita em livro pela própria Mary Mapes, este longa, além de destrinchar a sujeira por trás dos bastidores da grande mídia e da ligação deste meio com políticos, tem um roteiro que crítica também a transformação que o jornalismo sofreu nas últimas décadas quando começou a misturar noticiário com entretenimento para ganhar audiência e lucrar. 

O fato mudou a forma como as notícias são divulgadas, na maioria das vezes o que prevalece é a versão que não cause prejuízo ao veículo. Quando algum jornalista tenta bater de frente com esta situação, geralmente leva a pior. 

O ponto principal do filme são as informações de bastidores da história, o que resulta numa obra que se apoia nos diálogos. 

Vale ainda destacar a sóbria interpretação da sempre competente Cate Blanchett e a presença do veterano astro Robert Redford, que não brilha, mas passa credibilidade no papel de Dan Rather. 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Broken

Broken (Broken, Inglaterra, 2012) – Nota 7,5
Direção – Rufus Norris
Elenco – Tim Roth, Cillian Murphy, Eloise Laurence, Rory Kinnear, Robert Emms, Bill Milner, Denis Lawson, Zana Marjanovic.

Uma mentira seguida de uma agressão muda a vida de três famílias vizinhas em um subúrbio inglês. 

O advogado Archie (Tim Roth) foi abandonado pela esposa e tenta criar os filhos Skunk (Eloise Lawrence) e Jed (Bill Milner) com a ajuda de uma espécie de babá (Zana Marjanovic), que por seu lado está em um complicado relacionamento com o professor Mike (Cillian Murphy). 

Um casal de idosos sofre para cuidar do filho (Robert Emms) que sofre de problemas psicológicos. E a terceira família é encabeçada pelo revoltado Bob (Rory Kinnear), que tem três filhas adolescentes rebeldes. 

O roteiro coloca a garota Skunk como o elo entre as três famílias. Com a ingenuidade de um criança de sete anos, o olhar de Skunk descobre aos poucos que o mundo está longe de ser um lugar tranquilo, algumas vezes ficando assustada e atônita com as atitudes impensadas das pessoas ao seu redor. 

É uma história triste sobre como as frustrações transformam a vida das pessoas e muitas reagem da pior forma possível. 

O destaque do elenco fica para a espontaneidade da garota Eloise Laurence.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Linha de Frente

Linha de Frente (Homefront, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – Gary Fleder
Elenco – Jason Statham, James Franco, Izabela Vidovic, Winona Ryder, Kate Bosworth, Marcus Hester, Clancy Brown, Omar Benson Miller, Rachelle Lefevre, Frank Grillo, Chuck Zito, Pruitt Taylor Vince.

Após trabalhar infiltrado em uma gangue e ajudar a prender seus integrantes, o agente do DEA Phil Broker (Jason Statham) se aposenta e vai viver com sua filha Maddy (Izabela Vidovic) em uma pequena cidade utilizando uma nova identidade. Broker ficou marcado pela morte do filho do chefão da gangue, que jurou vingança. 

A vida tranquila na nova cidade se complica quando sua filha entra em uma briga com um garoto que é filho de uma viciada (Kate Bosworth) que tem como irmão um traficante de metanfetamina, o violento Gator (James Franco). 

Este razoável longa policial apresenta algumas curiosidades. O roteiro é assinado por Sylvester Stallone, que fez amizade com Jason Statham na franquia “Os Mercenários” e aqui deu de presente o papel de protagonista ao astro inglês. 

Outro ponto interessante é ver James Franco no papel de vilão. O ator que intercala papéis em dramas e comédias malucas, aqui muda o foco da carreira. Ele não chega a lutar como Statham, mas assusta bastante na primeira cena, quando surge na tela para afugentar um grupo de jovens drogados. 

Também não deixa de ser estranho ver a outrora estrela Winona Ryder interpretando uma viciada bagaceira. 

O roteiro tem vários furos e alguns personagens praticamente desaparecem da história, mas mesmo assim a narrativa ágil e as cenas de ação prendem a atenção do espectador fã do gênero.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O Homem Irracional

O Homem Irracional (Irrational Man, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Woody Allen
Elenco – Joaquin Phoenix, Emma Stone, Parker Posey, Jamie Blackley.

Abe Lucas (Joaquin Phoenix) é um professor de filosofia questionador em relação ao mundo e as pessoas, além de estar atormentado por causa de um trauma. 

Ele inicia um novo trabalho em uma universidade em Newport, despertando a curiosidade em alunos e colegas professores. Ao mesmo tempo, Abe se envolve com a professora casada Rita (Parker Posey) e inicia um romance com sua aluna Jill (Emma Stone), que abandona o namorado (Jamie Blackley). Sua forma de encarar o mundo criará uma situação totalmente fora do normal. 

Neste trabalho, Woody Allen vai além do seu estilo habitual, criando uma curiosa e até sinistra reviravolta no roteiro que transforma o drama em um pequeno suspense. Lógico que as obsessões de Allen não são deixadas de lado. Temos o protagonista temperamental (geralmente escritor, roteirista ou professor) que se apaixona por uma garota muito mais jovem, além de adultério, paixão, promessas quebradas, sofrimento e diálogos afiados. 

O trio principal segura muito bem seus papéis, com destaque curioso para a proeminente barriga de Joaquin Phoenix e a boa interpretação de Parker Posey, atriz habitual de produções independentes. 

É um trabalho mediano de Allen para o público em geral, mas com certeza um bom espetáculo para os fãs do diretor.  

sábado, 23 de julho de 2016

Tempo de Decisão

Tempo de Decisão (Kicking and Screaming, EUA, 1995) – Nota 6
Direção – Noah Baumbach
Elenco – Josh Hamilton, Chris Eigeman, Eric Stoltz, Jason Wiles, Carlos Jacott, Olivia d’Abo, Parkey Posey, Cara Buono, Elliott Gould, Noah Baumbach.

Quatro amigos se formam na universidade e passam o ano seguinte perdidos na vida, sem emprego, morando na mesma cidade e frequentando bares e festas de calouros. 

Grover (Josh Hamilton) sofre porque a namorada (Olivia d’Abo) foi estudar na Europa, Otis (Carlos Jacott) é inseguro e não tem coragem de mudar de cidade para trabalhar, Max (Chris Eigeman) é um mal humorado que tem um pai rico que banca sua vida, enquanto Skippy (Jason Wiles) escolhe fazer outro curso na universidade. O quinto elemento é Chet (Eric Stoltz), um sujeito mais velho metido a intelectual, que após vários anos continua na universidade fazendo doutorado e que trabalha como bartender. 

Muitos críticos elogiam o trabalho de Noah Baumbach por filmes como “A Lula e a Baleia” e “Margot e o Casamento”, além deste “Tempo de Decisão” que marcou a estreia do diretor. Vejo estes trabalhos como obras pessoais extremamente verborrágicas, que rodam, rodam e não saem do lugar. Os diálogos repletos de referências a filmes e livros ao invés de serem cult ou pop se mostram vazios. Em alguns momentos parece que o diretor tenta copiar o estilo da sitcom “Seinfeld” sem a mesma qualidade no texto. Preciso assistir outros filmes de Baumbach para uma melhor análise, mas por enquanto, após estes três filmes, o vejo apenas como um roteirista pretensioso e um diretor mediano.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Círculo de Fogo

Círculo de Fogo (Pacific Rim, EUA, 2013) – Nota 6
Direção – Guillermo Del Toro
Elenco – Charlie Hunnam, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Charlie Day, Burn Gorman, Max Martini, Robert Kazinsky, Clifton Collins Jr, Ron Perlman, Brad William Henke, Larry Joe Campbell.

Em futuro próximo, monstros gigantes surgem através de uma fenda que se abriu no fundo do mar. As criaturas são batizadas de Kaijus. 

Para enfrentar a terrível ameaça, os humanos desenvolvem robôs gigantes comandados pela atividade cerebral de duplas que sejam "neurocompatíveis" e que saibam lutar. Estes robôs são chamados de Jaegers. 

Após anos de batalhas, cientistas acreditam que os Kaijus se preparam para um ataque final. A última chance dos humanos é atacar a fenda utilizando os quatro robôs que restaram. 

O filme poderia ter o título de “Godzilla vs Transformers” ou “Guillerme Del Toro encarna Michael Bay e Roland Emmerich”. O diretor mexicano é um nerd craque em efeitos especiais e filmes influenciados por quadrinhos e games. Por outro lado, ele também já mostrou talento para escrever histórias nos ótimos “O Labirinto do Fauno” e “A Espinha do Diabo”. 

Aqui, Del Toro acerta no primeiro item e erra feio no segundo. A história é totalmente clichê, os diálogos são uma piada e as interpretações péssimas. Os efeitos especiais são de primeira qualidade, com certeza agradando muito ao público jovem que curte quadrinhos e games. 

Como preferência pessoal, vejo as cenas grandiosas de batalhas como cansativas e barulhentas, parecendo muito mais um game do que cinema. Acredito que o ideal é um meio-termo entre efeitos especiais, roteiro e interpretações. Quando os dois últimos são vistos como secundários, o resultado é igual a este filme, um produto chamativo como marketing e vazio no conteúdo. 

Finalizando, uma sequência deverá ser produzida até 2018.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Mais Forte Que Bombas

Mais Forte Que Bombas (Louder Than Bombs, Noruega / França / Dinamarca / EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Joachim Trier
Elenco – Gabriel Byrne, Jesse Eisenberg, Isabelle Huppert, Devin Druid, Amy Ryan, David Straithairn, Ruby Jerins, Megan Ketch, Rachel Brosnahan.

Quatro anos após a morte da fotógrafa Isabelle (Isabelle Huppert), sua família se prepara para uma exposição de suas fotos e também para um artigo que um jornalista amigo (David Straithairn) escreverá sobre sua vida, inclusive confirmando que o acidente de automóvel que matou Isabelle foi um suicídio. 

A situação traz à tona lembranças, frustrações e segredos que balançam a vida do viúvo Gene (Gabriel Byrne), de seu filho mais velho Jonah (Jesse Eisenberg) e principalmente do caçula, o adolescente Conrad (Devin Druid). 

O diretor dinamarquês Joachim Trier, do elogiado “Oslo, 31 de Agosto”, entrega aqui um drama familiar um tanto frio. Ele intercala duas narrativas. A primeira segue os dias atuais focando na crise de relacionamento entre Conrad e o pai, além das dúvidas de Jonah sobre seu próprio casamento. 

A segunda narrativa destrincha o passado, mostrando como o trabalho de Isabelle influenciou nos problemas familiares. Isabelle era uma fotógrafa que viajava o mundo, deixando marido e filhos em segundo plano, mesmo demonstrando que os amava no pouco tempo em que ficavam juntos. 

A história não é tão forte como o título sugere, na verdade é um drama mediano sobre pessoas que se amam, mas que demonstram dificuldades em se relacionar.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Contra Corrente

Contra Corrente (Undertow, EUA, 2004) – Nota 6
Direção – David Gordon Green
Elenco – Jamie Bell, Josh Lucas, Devon Alan, Dermot Mulroney, Kristen Stewart.

O adolescente Chris (Jamie Bell) e seu irmão Tim (Devon Alan) vivem com o pai John (Dermot Mulroney) na região rural de uma cidade da Georgia. 

Chris é um jovem rebelde que sofre pela falta da mãe e também por ser proibido de namorar Lila (Kristen Stewart), que é controlada pelo pai. 

Quando Deel (Josh Lucas) aparece na casa da família e se apresenta como irmão de John, Chris e Tim descobrem que o sujeito é um tio que estava cumprindo pena. O objetivo de Deel não é fazer as pazes com o irmão, na verdade ele deseja encontrar uma coleção de moedas de ouro deixadas pelo pai e fará de tudo para levar sua parte. 

O diretor David Gordon Green já comandou comédias absurdas como “Segurando as Pontas” e um drama forte com “Joe”. Aqui o resultado é uma mistura bizarra de drama e violência, pontuada por uma trilha sonora de Philip Glass (da trilogia “Koyaanisqatsi”) que lembra os filmes de terror dos anos oitenta. 

A narrativa é irregular, com uma espécie de clímax ocorrendo antes da metade do filme. A partir daí, a história se arrasta por um bom tempo até o inevitável confronto na sequência final. 

Jamie Bell e o garoto Devon Alan tem boas interpretações, enquanto o canastrão Josh Lucas exagera no papel de vilão. 

Finalizando, o filme se diz baseado numa história real, por sinal totalmente maluca se for realmente verdadeira.

domingo, 17 de julho de 2016

45 Anos

45 Anos (45 Years, Inglaterra, 2015) – Nota 7,5
Direção – Andrew Haigh
Elenco – Charlotte Rampling, Tom Courtenay, Geraldine James, Dolly Wells.

Na semana em que estão se preparando para a festa de comemoração de 45 anos de casamento, o casal Kate (Charlotte Rampling) e Geoff (Tom Courtenay) recebe uma notícia que mexe com o relacionamento. 

Um carta endereçada a Geoff informa que o corpo de uma ex-namorada foi encontrado congelado nos Alpes Suíços. Mesmo com o acidente que vitimou a garota tendo ocorrido há mais de cinquenta anos, o fato novo abala Geoff e faz vir à tona alguns segredos. 

Relacionamentos são complicados, por mais que pessoas vivam juntas por décadas, sempre existirão altos e baixos. Este sensível longa aborda o tema de uma forma sóbria, mostrando que mesmo algo ocorrido há muitos anos pode abalar a estrutura de um casamento aparentemente perfeito. 

O roteiro toca em vários temas ligados ao casamento. O casal vive numa bela casa em uma área rural com um cão. Eles não tem filhos, seus alicerces estão fincados na relação a dois, por isso a história da ex-namorada se torna maior do que realmente é. A convivência com amigos que falam de filhos e netos também é algo que incomoda. Além disso, remoer o passado faz com que eles percebam que estão no final da vida e que as chances de mudarem o rumo praticamente inexiste. 

A solidão e a vida pacata do casal é pontuada por uma narrativa sem trilha sonora. As músicas que tocam no decorrer do filme são incidentais, como na cena de dança na sala da casa, no passeio de carro e na festa da parte final. 

É basicamente um filme sobre relacionamentos, vida a dois e terceira idade, com destaque para os sensíveis desempenhos de Charlotte Rampling e Tom Courtenay.

sábado, 16 de julho de 2016

Morte Por Um Ideal

Morte Por Um Ideal (Formosa Betrayed, EUA, 2009) – Nota 7
Direção – Adam Kane
Elenco – James Van Der Beek, Wendy Crewson, John Heard, Will Tiao, Tzi Ma, Leslie Hope, Kenneth Tsang, Chelcie Ross, Sahajak Boonthanakit.

Chicago, 1983. Um conhecido professor universitário de origem chinesa é assassinado. A policial encarregada do caso (Leslie Hope) recebe auxílio de uma dupla de agentes do FBI. 

O veterano Tom Braxton (John Heard) e o jovem Jake Kelly (James Van Der Beek) seguem pistas que o levam a dois suspeitos, que conseguem fugir para Taiwan. O FBI decide enviar Kelly para observar a investigação que será comandada pelo polícia local. No país estranho e sem poder de polícia, Kelly sofre ao ver a repressão sobre o povo de Taiwan e ao perceber que a morte do professor pode estar ligada a interesses do próprio governo. 

Inspirado em uma história real, este longa policial explora uma trama de conspiração política internacional que teria sido acobertada pelos governos de Taiwan e dos Estados Unidos, inclusive com ligações com o famoso caso “Irã Contras” que viria a público em 1986. 

Analisando como cinema, o longa prende a atenção, tem alguns bons momentos de suspense, interessantes locações em Taiwan e um roteiro um pouco confuso. 

É filme indicado para quem gosta de tramas policiais mais voltadas para o drama do que para ação.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Rastros de Justiça

Rastros de Justiça (Five Minutes of Heaven, Inglaterra / Irlanda, 2009) – Nota 7
Direção – Oliver Hirschbiegel
Elenco – Liam Neesom, James Nesbitt, Ana Maria Marinca, Richard Dormer.

Lurgan, interior da Irlanda do Norte, 1975. Quatro jovens protestantes ligados a um grupo que defende a separação do país do Reino Unido, recebem a missão de assassinar um católico. Um dos jovens assassina o sujeito aos olhares de um garoto de nove anos que é irmão da vítima. 

Mais de trinta anos depois, um programa sensacionalista de tv deseja reunir os dois homens para uma conversa sobre o crime e quem sabe uma reconciliação. Alistar (Liam Neesom) é o assassino que cumpriu pena e que vive de palestras sobre sua vida, enquanto Joe (James Nesbitt) é um sujeito comum que carrega o trauma de não ter ajudado o irmão. 

O roteiro de Guy Hibbert (do recente “Decisão de Risco”) lembra o drama “Acerto Final” dirigido por Sean Penn em 1995. Nos dois filmes, um crime marca para sempre a vida do autor e de um familiar da vítima. O primeiro atormentado pelo remorso, enquanto o segundo dedica parte de sua vida em busca de vingança. 

Neste longa dirigido pelo alemão Oliver Hirschbiegel, o roteiro ainda coloca fogo na situação com a questão do programa de tv, onde os produtores se mostram atenciosos, mas no fundo desejam a polêmica para conseguir audiência, além do eterno conflito entre cristãos e protestantes na Irlanda do Norte. 

Apesar de ser irregular e estar bem abaixo do sensacional “A Queda! As Últimas Horas de Hitler”, este trabalho de Hirschbiegel é superior ao fraco “Invasores” que foi detonado por crítica e público. 

A dupla de protagonistas ajuda a manter o interesse na triste história. principalmente o agitado personagem de James Nesbitt.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Carandiru

Carandiru (Brasil, 2003) – Nota 8
Direção – Hector Babenco
Elenco – Luiz Carlos Vasconcelos, Milton Gonçalves, Ivan de Almeida, Ailton Graça, Maria Luisa Mendonça, Aida Lerner, Rodrigo Santoro, Gero Camilo, Lázaro Ramos, Caio Blat, Wagner Moura, Floriano Peixoto, Ricardo Blat, Milhem Cortaz, Antonio Grassi, Sabotage, Rita Cadillac.

Ontem o cinema perdeu o diretor Hector Babenco. Argentino naturalizado brasileiro, Babenco deixou uma carreira com dez longas e um documentário. 

Eu prefiro a primeira fase da carreira, quando entregou filmes com temáticas marginais como “O Rei da Noite”, “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” e “Pixote: A Lei do Mais Fraco”, com estes dois últimos com certeza entrando na lista de melhores da história do cinema brasileiro. Gosto também da complexa adaptação de “Brincando nos Campos do Senhor” e deste polêmico “Carandiru” que comento aqui. 

Apesar das críticas terem sido as mais diversas possíveis, com alguns elogiando bastante e outros odiando o resultado, esta adaptação do livro de Dráuzio Varella é um grande filme, que foca na vida dentro daquele que foi o maior maior presídio da América Latina, o Carandiru, culminando com o massacre ocorrido em 1992. 

Através da narração do médico (Luiz Carlos Vasconcelos) que trabalhou no presídio durante os anos oitenta e noventa, o espectador é apresentado a diversos personagens, suas histórias de vida repletas de violência e sofrimento, além de conhecer as regras de um mundo a parte. 

Passam pela tela um travesti (Rodrigo Santoro), seu namorado (Gero Camilo), um assaltante que tem duas esposas (Ailton Graça), o jovem que assassinou o estuprador da irmã (Caio Blat), o assassino que abraçou a religião (Milhem Cortaz) e um veterano que espera soltura (Milton Gonçalves), além de várias outras figuras. 

Um ponto polêmico foi a simpatia do roteiro com os presidiários, que é semelhante ao retratado no livro. Em um país como o Brasil, onde o trabalhador honesto sofre com salário miserável, desemprego e violência, é inevitável que este tipo de olhar a favor do presos gere desconforto, mas lógico que isso não justifica o terrível massacre. 

Por sinal, a sequência da lavagem da escada misturando água e sangue é uma das mais fortes do filme, simbolizando o inferno que ocorreu naquele local. 

Considero o filme tão forte como o livro e para finalizar, cito uma frase que um amigo proferiu quando o livro foi publicado: “Em cada parágrafo que leio, parece que sinto o cheiro de mofo das celas”.