sábado, 14 de maio de 2016

Triplo 9

Triplo 9 (Triple 9, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – John Hillcoat
Elenco – Casey Affleck, Chiwetel Ejiofor, Anthony Mackie, Woody Harrelson, Aaron Paul, Kate Winslet, Norman Reedus, Clifton Collins Jr, Gal Gadot, Teresa Palmer, Michael Kenneth Williams, Michelle Ang.

Uma gangue assalta um banco e rouba o conteúdo de um cofre específico. Em seguida, o espectador descobre que dois integrantes da quadrilha (Anthony Mackie e Cliffton Collins Jr) são policiais, outros dois sãos irmãos (Norman Reedus e Aaron Paul), enquanto o líder (Chiwetel Ejiofor) tem ligação com a Máfia Russa, para quem foi feito o serviço e que exige um novo trabalho do grupo. 

Um policial (Casey Affleck) se torna problema para a quadrilha quando é designado para trabalhar como parceiro de um dos assaltantes. Além disso, um detetive (Woody Harrelson) investiga o roubo ao banco. 

A premissa de policiais corruptos agindo como assaltantes e a sequência inicial do roubo ao banco deixam uma impressão de um grande filme, porém muita coisa se perde na confusa trama e no mal desenvolvimento dos personagens. 

As cenas de ação são bem filmadas e repletas de violência, explorando com competência a periferia de Atlanta na Geórgia. 

Os destaques do elenco ficam para Woody Harrelson como um excêntrico detetive e a curiosidade de ver Kate Winslet como vilã, interpretando a chefe da Máfia Russa. 

Apesar de não ser um filme ruim, no final fica claro que o bom argumento que foi em parte desperdiçado.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

A Grande Beleza

A Grande Beleza (La Grande Bellezza, Itália / França, 2013) – Nota 8
Direção – Paolo Sorrentino
Elenco – Toni Servillo, Carlo Verdone, Sabrina Ferilli, Carlo Buccirosso, Iaia Forte, Pamela Villoresi.

Jep Gambardella (Toni Servillo) é um jornalista que vive do sucesso de seu único livro escrito há décadas. Napolitano de nascimento, Jep se deixou seduzir pela vida noturna de Roma, intercalando noitadas em festas agitadas, jantares com os amigos intelectuais e eventos culturais. Ao completar sessenta e cinco anos, Jep começa a repensar sua vida. 

Com uma clara influência dos filmes de Fellini, o diretor napolitano Paolo Sorrentino criou uma sensível obra que aborda o medo da velhice e da solidão, além de criticar o discurso vazio dos artistas e intelectuais. 

Não espere um roteiro quadrado hollywoodiano, a proposta de Sorrentino é atingir o espectador pela beleza das sequências que parecem episódios isolados, mas que no final se completam como a descrição de uma vida inteira. 

Por sinal, várias sequências são sensacionais. As cenas das festas misturam loucura, solidão e melancolia e a sequência do enterro é um verdadeiro teatro narrado pelo protagonista. 

A atuação de Toni Servillo é perfeita. Parceiro habitual de Sorrentino, Servillo interpreta um observador crítico da vida, que analisa tudo e todos a seu redor, de vez em quando soltando “verdades” na cara das pessoas que se mostram tão fortes como um soco no estômago. 

Como informação, o filme venceu o Oscar de Filme Estrangeiro em 2014, derrotando a meu ver, o ainda melhor “A Caça”. 

É um filme indicado para o cinéfilo que gosta de obras que fogem do lugar comum.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Every Secret Thing & Em Busca de Justiçca


Every Secret Thing (Every Secret Thing, EUA, 2014) – Nota 6
Direção – Amy Berg
Elenco – Diane Lane, Elizabeth Banks, Dakota Fanning, Danielle Macdonald, Nate Parker, Common, Sarah Sokolovich.

Numa típica cidade americana, duas garotas pré-adolescentes sequestram um bebê que acaba morrendo. Após cumprirem pena em uma penitenciária juvenil, as duas tentam retomar a vida. Ronnie (Dakota Fanning) consegue trabalho em uma padaria, enquanto a gordinha Alice (Danielle Macdonald) é pressionada pela mãe (Diane Lane) para encontrar um emprego. Quando outra criança é sequestrada, as duas jovens se tornam novamente suspeitas na investigação da detetive Nancy (Elizabeth Banks). 

O roteiro divide a história em duas narrativas. Nos dias atuais, as atitudes das jovens deixam o espectador e a detetive em dúvida sobre a participação no novo desaparecimento, além de detalhar as consequências psicológicas do crime cometido no passado na vida das pessoas envolvidas. A segunda narrativa detalha em flashbacks o que realmente aconteceu no sequestro do bebê. 

A premissa é interessante, mas infelizmente a diretoria Amy Berg, que estreava comandando um longa, não consegue impor um ritmo, resultando numa narrativa fria e arrastada. O roteiro também explica mal a questão do primeiro sequestro, além de não explorar devidamente a questão racial, já que as duas crianças sequestradas são negras e de passagem é citado que o bebê é neto do primeiro juiz negro da região. O bom argumento acaba desperdiçado. 

Em Busca de Justiça (The Take, EUA, 2007) – Nota 5,5
Direção – Brad Furman
Elenco – John Leguizamo, Tyrese Gibson, Rosie Perez, Bobby Cannavale, Matthew Hatchette, Yul Vazquez, Jake Muxworthy, Roger Guenveur Smith, Laurence Mason.

Felix De La Pena (John Leguizamo) trabalha como motorista de carro-forte e mora em uma bairro latino de Los Angeles com a esposa (Rosie Perez) e um casal de filhos adolescentes. Em um dia aparentemente normal de trabalho, ao parar o veículo para fazer uma coleta, seu parceiro (Yul Vazquez) é atacado por três ladrões. O violento líder dos assaltantes (Tyrese Gibson) alega conhecer a família de Felix e o obriga a dirigir o veículo sem acionar o alarme até a sede da empresa de segurança. Lógico que o crime não termina bem e Felix se torna suspeito ao olhar de uma dupla de detetives do FBI. 

O inocente acusado injustamente é personagem comum no gênero policial, o que diferencia a situação neste longa são os furos no roteiro que transformam a teoria dos policiais em absurda, sem contar a péssima investigação que ignora outros suspeitos. 

A perseguição final que começa em frente a uma casa e passa por diversos lugares, inclusive um grande mercado popular é patética, lembra os piores filmes policiais brasileiros dos anos setenta, incluindo uma irritante trilha sonora latina. 

O diretor Brad Furman acertou a mão no interessante “O Poder e a Lei” de 2011, mas voltar a errar feio com “Aposta Máxima” de 2013. 

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Invasão a Londres

Invasão a Londres (London Has Fallen, Inglaterra / EUA / Bulgária, 2016) – Nota 6,5
Direção – Babak Najafi
Elenco – Gerard Butler, Aaron Eckhart, Morgan Freeman, Angela Bassett, Sean O’Bryen, Jack Earle Haley, Robert Forster, Melissa Leo, Alon Aboutboul, Waleed Zuaiter, Radha Mitchell, Colin Salmon.

A súbita morte do primeiro-ministro inglês faz com que os chefes de Estado do mundo inteiro viagem a Londres para o funeral. Para surpresa geral, vários ataques terroristas simultâneos transformam Londres em um verdadeira praça de guerra. Em meio ao caos, o agente especial Mike Banning (Gerard Butler) tenta salvar o presidente americano (Aaron Eckhart) escoltando o sujeito pela cidade. 

O original tinha um roteiro ainda mais absurdo do que esta sequência, porém se mostrava superior principalmente pelo talento do diretor Antoine Fuqua em comandar cenas de ação. Fuquá centralizou toda a trama na Casa Branca, explorando muito bem o local para sequências quase ininterruptas de tiroteios e lutas, enquanto este novo longo faz os protagonistas correrem pela cidade, diversificando os locais de ação, mas infelizmente sem a mesma competência do original. 

As cenas de destruição lembram os filmes catástrofe de Roland Emmerich, assim como o excesso de clichês e as atuações caricatas, onde até mesmo o ótimo Morgan Freeman é totalmente desperdiçado. 

É um filme que prende atenção pela correria, mas que no final se mostra totalmente descartável.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Vicky Cristina Barcelona

Vicky Cristina Barcelona (Vicky Cristina Barcelona, Espanha / EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Woody Allen
Elenco – Rebecca Hall, Scarlett Johansson, Javier Bardem, Penelope Cruz, Chris Messina, Patricia Clakson, Kevin Dunn, Pablo Schreiber, Carrie Preston. Zak Orth.

Amigas desde a adolescência, Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) decidem passar as férias de verão em Barcelona. Vicky está prestes a casar com Doug (Chris Messina) e deseja aproveitar a viagem para terminar sua tese sobre a Cultura da Catalunha, tema que ela é apaixonada. Por outro lado, Cristina é impulsiva, do tipo que se joga de cabeça nos relacionamentos. 

Logo no primeiro dia em Barcelona, as amigas são convidadas pelo pintor Juan Antonio (Javier Bardem) para viajar à cidade de Oviedo. O sedutor Juan Antonio deixa claro que deseja levá-las para cama. O convite mudará completamente a vida das jovens durante a estadia no país. 

Mesmo quando leva suas histórias para a Europa, Woody Allen explora os mesmo temas dos seus filmes em Nova York. Paixões fulminantes, traições, mentiras, casamentos em crise e até a crítica ao estilo de vida da classe alta novaiorquina estão presentes aqui. Allen é obcecado por relações amorosas e familiares, seu olhar é sempre extremamente crítico, focando o sofrimento das relações, mesmo utilizando bom humor. 

Os destaques do elenco ficam para Javier Bardem, perfeito como uma espécie de amante latino e para uma temperamental Penelope Cruz interpretando a ex-mulher do sujeito. Rebecca Hall e Scarlett Johansson são destaques pela beleza, a segunda também pela sensualidade. 

Com meio ponto acima ou meio ponto abaixo, os filmes de Woody Allen são todos muito semelhantes na qualidade e indicados principalmente para os fã do estilo do ator/diretor/roteirista.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

A Senhora da Van

A Senhora da Van (The Lady in the Van, Inglaterra, 2015) – Nota 7
Direção – Nicholas Hytner
Elenco – Maggie Smith, Alex Jennings, Jim Broadbent, Frances de la Tour, Gwen Taylor, Roger Allam, Deborah Findlay.

Início dos anos setenta, bairro Camden em Londres. Uma excêntrica senhora conhecida como Miss Shepherd (Maggie Smith) vive em uma velha van estacionada em uma das ruas da região. Vista como maluca pela crianças e como um estorvo por alguns moradores do local, Miss Shepherd ignora a todos. 

A situação se altera quando o escritor e ator teatral Alan Bennett (Alex Jennings) se muda para uma casa na rua onde está a van da senhora. As duas pessoas extremamente diferentes entre si, aos poucos criam um inusitado laço de algo parecido com uma amizade e por quinze anos a van ficará estacionada ao lado da casa do ator. 

Baseado numa história real, que a princípio parece absurda, este longa de Nicholas Hytner (do ótimo “As Loucuras do Rei George”) explica aos poucos os detalhes por trás da escolha de Miss Shepherd em viver isolada. 

Mesmo com toques de comédia, as entrelinhas da história são tristes. O passado da protagonista envolve problemas familiares e religiosos, com este segundo tema sendo mostrado como um vilão na vida da personagem. 

A veterana atriz Maggie Smith é especialista em personagens ranzinzas que no fundo tem um bom coração e aqui não é diferente, ela dá um show de interpretação. A química com o eterno coadjuvante Alex Jennings é perfeita, que cria com perfeição o também excêntrico ator que tem o hábito de conversar com ele mesmo enquanto escreve suas peças. 

É um filme simples e simpático.

domingo, 8 de maio de 2016

O Maravilhoso Agora

O Maravilhoso Agora (The Spectacular Now, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – James Ponsoldt
Elenco – Miles Teller, Shailene Woodley, Brie Larson, Masam Holden, Mary Elizabeth Winstead, Jennifer Jason Leigh, Kyle Chandler, Bob Odenkirk, Andre Royo, Dayo Okeniyi.

Uma discussão leva ao fim a relação entre Sutter (Miles Teller de “Whiplash”) e Cassidy (Brie Larson de “O Quarto do Jack”). Eles estão no último ano do colégio. Enquanto Cassidy planeja ir para universidade, Sutter prefere aproveitar a vida sem se preocupar com o futuro. 

Após a separação, Sutter se aproxima da tímida Aimee (Shailene Woodley de “Tomorrowland”), com quem começa a namorar. O que seria um passatempo para o garoto, começa a se tornar sério. Em paralelo, ele deseja reencontrar o pai, enquanto Aimee precisa convencer a mãe a deixá-la ir para universidade na Califórnia. 

Este simpático drama romântico coloca em discussão dois temas. O primeiro é a questão dos problemas familiares, de como as relações com pai, mãe e irmãos influenciam a vida de cada pessoa. O outro tema faz o espectador pensar em até que ponto devemos curtir o dia atual ou planejar o futuro deixando algumas coisas de lado. 

Esta decisão, qualquer que seja ela, gera alguma consequência e como fica claro na sútil cena final, o que deixamos de fazer hoje, com certeza terá resultado diferente se fizermos amanhã. 

Vale destacar o ótimo trio principal, que defende com simplicidade e sensibilidade seus papéis, mostrando os conflitos da juventude e as decisões importantes que temos de tomar neste período, mesmo não tendo experiência para tanto. 

Sem ser espetacular como diz o título original, o filme vale pela sensibilidade da trama e dos personagens. 

sábado, 7 de maio de 2016

Terra Prometida

Terra Prometida (Promised Land. EUA / Emirados Árabes Unidos, 2012) – Nota 7
Direção – Gus Van Sant
Elenco – Matt Damon, John Krasinski, Frances McDormand, Rosemary DeWitt, Hal Holbrook, Titus Welliver, Terry Kinney, Tim Guinee, Lucas Black, Scoot McNairy.

Steve Butler (Matt Damon) está prestes a conseguir uma promoção no trabalho, mas antes disso precisa fechar um complicado negócio numa pequena cidade. 

Ao lado de Sue (Frances McDormand), Steve tem a missão de comprar as fazendas da região e também convencer o conselho da cidade a aprovar a exploração de gás natural por sua empresa, a corporação Global. 

Acreditando que irá convencer facilmente as pessoas simples da cidade, a dupla de negociantes se surpreende ao ser confrontada por um veterano professor de ciências (Hal Holbrook) que sabe que a exploração de gás poderá contaminar a águas e as terras da região, além de um militante ambientalista (John Krasinski) que deseja brecar os avanços da Global. 

O roteiro escrito em parceria pelos atores Matt Damon e John Krasinski foca na ambição desmedida de muitas grandes empresas que visam explorar determinado recurso natural para lucrar, sem se importar com a natureza ou com as vidas que serão afetadas.

Como um dos personagens cita, os maiores prejudicados são sempre os mais pobres, que recebem ofertas aparentemente interessantes no momento, sem imaginar que as consequências podem ser trágicas. 

Apesar de uma pequena surpresa em relação a um personagem na parte final, no geral o filme é apenas correto e os conflitos são previsíveis, assim como o desfecho. 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Operação Invasão

Operação Invasão (Serbuan Maut ou The Raid: Redemption, Indonésia / França / EUA, 2011) – Nota 7,5
Direção – Gareth Huw Evans
Elenco – Iko Uwais, Joe Taslim, Donny Alamsyah, Yayan Ruhian, Pierre Gruno, Ray Sahetapy.

Um grupo de vinte policiais de elite, uma espécie de SWAT da Indonésia, tem a missão de invadir um enorme edifício na periferia de Jacarta dominado por traficantes para prender o chefão da quadrilha. A ação dos policiais gera uma violenta reação dos traficantes, transformando o velho edifício numa zona de guerra. 

O diretor Gareth Evans consegue entregar um ótimo filme de ação explorando um fio de história. Dentro do roteiro, ainda surgem duas situações pessoais em relação ao confronto entre policiais e criminosos, mas o ponto principal é a ação quase ininterrupta, que explora os espaços do decadente edifício através de tiroteios, brigas com espadas, machetes, martelos e tudo mais que esteja a mão, além de ótimas cenas de Kung Fu. 

O estilo violento e criativo nas cenas de ação lembra bastante os filmes comandados por John Woo em Hong Kong nos anos oitenta e noventa. 

O longa teve uma continuação em 2014, filme que ainda não assisti, mas que muitos críticos consideram ser ainda melhor que este. 

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Harry Potter



Harry Potter e a Pedra Filosofal (Harry Potter and the Sorcerer's Stone, Inglaterra / EUA, 2001) – Nota 7,5
Direção – Chris Columbus
Elenco – Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Richard Harris, Robbie Coltrane, Maggie Smith, Alan Rickman, Tom Felton, John Hurt, Ian Hart, Zoe Wanamaker, Richard Griffiths, Fiona Shaw, Warwick Davis

Harry Potter e a Câmara Secreta (Harry Potter and the Chamber of Secrets, Inglaterra / EUA, 2002) – Nota 7,5
Direção – Chris Columbus
Elenco – Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Kenneth Branagh, Richard Harris, John Cleese, Robbie Coltrane, Warwick Davis, Richard Griffiths, Jason Isaacs, Alan Rickman, Fiona Shaw, Maggie Smith, Julie Walters, Mark Williams, Tom Felton

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, Inglaterra / EUA, 2004) – Nota 7,5
Direção – Alfonso Cuarón
Elenco – Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Gary Oldman, Michael Gambon, Robbie Coltrane, Fiona Shaw, Richard Griffiths, Julie Walters, Mark Williams, David Thewlis, Alan Rickman, Warwick Davis, Maggie Smith, Tom Felton, Emma Thompson, Paul Whitehouse, Julie Christie, Timothy Spall.

Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire, Inglaterra / EUA, 2005)  – Nota 7,5
Direção – Mike Newell
Elenco – Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Michel Gambon, Ralph Fiennes, Robbie Coltrane, Timothy Spall, Miranda Richardson, Maggie Smith, David Tennant, Warwick Davis, Mark Williams, Gary Oldman, James Phelps, Oliver Phelps, Jason Isaacs, Tom Felton, Robert Pattinson, Roger Lloyd Pack, Alan Rickman, Brendan Gleeson

Lançado praticamente junto com “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel”, o longa original da franquia Harry Potter deu início a uma onda de adaptações para o cinema de aventuras infanto-juvenis. 

Se os livros Tolkien já eram obras consolidadas e tinham fãs de todas as idades, Harry Potter era um fenômeno novo com foco em crianças e adolescentes, que alçou a escritora J.K. Rowling do anonimato para um sucesso quase sem limites. Foram sete filmes que renderam um fortuna para os envolvidos.

Eu assisti apenas os quatro primeiros e fiquei com a impressão de serem muito semelhantes na qualidade. São ótimos passatempos recheados de efeitos especiais, com elenco de astros britânicos escolhidos as dedo e conflitos com a cara da adolescência, porém, como gosto pessoal, perdi o interesse na franquia. 

Um sucesso gigantesco como este renderia o maior número de filmes possíveis para os fãs, mas para quem gosta apenas de cinema, ficou a impressão de esticarem a história apenas para o lucro, como é feito em novelas e seriados, que muitas vezes não apresentam novidades, com a história rodando no mesmo lugar. Inclusive os dois últimos filmes são baseados em um mesmo livro que teve a história dividida.

Por exemplo, diferente de 007 que tem um grande número de filmes intercalados em uma média de três anos de diferença, a franquia Harry Potter produziu sete longas em nove anos, claramente para aproveitar o “aquecimento” do personagem. 

Volto a frisar, são bons filmes, apenas fica a sensação de repetição no caso de quem é não é fã e nem leu os livros.  

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Poker

Poker (Poker, Colômbia, 2011) – Nota 7
Direção – Juan Sebastian Valencia
Elenco – Rafael Novoa, Juan Sebastian Aragon, Luis Fernando Hoyos, Javier Ortiz, Angelica Prieto.

Numa sala vip de um cassino, quatro homens disputam um jogo de poker. Enquanto trocam ironias, blefes e aumentam as apostas a cada rodada, em flashbacks o espectador conhece um pouco da vida de cada jogador e também da garota que é a crupiê. 

Com uma curta duração de apenas uma hora e quinze minutos, este longa colombiano mescla drama e violência para contar a história de personagens que buscam resolver seus problemas na mesa de jogo, fato que invariavelmente não termina bem. 

Não é um filme de grandes interpretações, os pontos altos são os dramas de vida dos personagens e a crescente tensão na mesa de poker, até o explosivo clímax, além da narrativa ágil. 

Vale a sessão para quem gosta de filmes que fogem do lugar comum.   

terça-feira, 3 de maio de 2016

O Novíssimo Testamento

O Novíssimo Testamento (Le Tout Nouveau Testament, Bélgica / França / Luxemburgo, 2015) – Nota 7,5
Direção – Jaco Van Dormael
Elenco – Benoit Poelvoorde, Phil Groyne, Catherine Deneuve, François Damiens, Yolande Moreau.

Deus (Benoit Poelvoorde) vive em Bruxelas na Bélgica. Ao invés de misericordioso como acreditam os religiosos, ele é um sujeito cruel que trata mal a esposa (Yolande Moreau) e a filha pequena Ea (Phil Groyne), além de culpar seu filho Jesus Cristo pela sua própria morte. Deus passa os dias de roupão, ofendendo a família e manipulando a vida das pessoas através de mensagens enviadas por um velho computador. 

Inconformada com as atitudes do pai, Ea decide enviar uma mensagem via celular para todas as pessoas na Terra informando o dia em que cada um morrerá. Em seguida, ela mesma decide sair de casa e procurar seis novos apóstolos. Revoltado, Deus segue a filha sem saber as consequências que terá de enfrentar. 

O roteiro escrito pelo diretor Jaco Van Dormael (“Sr. Ninguém”) em parceria com Thomas Gunzig faz uma crítica ácida a fé cega e coloca em questionamento porque as pessoas aceitam uma vida de sofrimento acreditando que este é o seu destino. A partir do momento que a pessoa sabe que terá um determinado tempo de vida marcado, ela muda suas atitudes e a forma de olhar para o mundo. 

É interessante também a forma como Deus manipula as pessoas através de leis idiotas que ele cria apenas para se divertir. Sabe quando algo acontece e não acreditamos por ser um azar enorme? Este filme diz que é apenas uma pegadinha de Deus. 

Apesar da fantasia fazer parte da trama, algumas situações são estranhas demais, como o peixe falante e o gorila apaixonado. Esse flerte com o surreal fazer o filme perder alguns pontos. 

Vale destacar a sensível interpretação da garotinha Phil Groyne, que narra a história e que deseja escrever um novo testamento com a ajuda de um velho morador de rua, que por sinal fica sem saber quando irá morrer porque não tem celular. 

É um longa que vale ser visto pela extrema originalidade e pela coragem de brincar com um tema sagrado para muitas pessoas.   

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Quebra de Confiança

Quebra de Confiança (Breach, EUA, 2007) – Nota 7
Direção – Billy Ray
Elenco – Chris Cooper, Ryan Phillippe, Laura Linney, Caroline Dhavernas, Gary Cole, Dennys Haysbert, Kathleen Quinlan, Bruce Davison.

No início de 2001, o jovem analista do FBI Eric O’Neill (Ryan Phillippe) é indicado por sua chefe (Laura Linney) para uma missão especial que pode lhe valer a promoção para agente.

Seu objetivo seria espionar o veterano agente Robert Hanssen (Chris Cooper), especialista em questões relativas a antiga União Soviética e que é suspeito de disseminar conteúdo sexual proibido. 

Após começar a trabalhar com Hanssen, Eric a princípio sente-se intimidado, porém aos poucos cria uma espécie de admiração pelo sujeito, que se mostra um católico fervoroso e um pai de família devoto, fatos que deixam o jovem em dúvida quanto a culpa do novo amigo. 

Este interessante longa detalha os bastidores de uma complexa história real que causou enormes danos ao governo americano, que até hoje considera confidencial a extensão deste prejuízo. 

Além dos segredos da história em si, o roteiro foca na relação entre dois sujeitos com inteligência acima da média, que travam um verdadeiro duelo repleto de testes de confiança. 

O destaque desta disputa fica para o eterno coadjuvante Chris Cooper, que brilha como o excêntrico agente que está sempre um passo à frente no trabalho. 

Não espere cenas de ação, a trama se mantém através dos diálogos e de pequenos detalhes.

domingo, 1 de maio de 2016

Anesthesia

Anesthesia (Anesthesia, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Tim Blake Nelson
Elenco – Sam Waterston, Tim Blake Nelson, Glenn Close, Corey Stoll, Jessica Hecht, Gretchen Mol, K. Todd Freeman, Michael Kenneth Williams, Kristen Stewart, Gloria Reuben, Mickey Sumner, Yul Vazquez, Scott Cohen, Natasha Gregson Wagner.

Em pouco mais de três dias, várias pessoas tem suas vidas modificadas por alguns incidentes. O professor Walter Zarrow (Sam Waterston) se prepara para se aposentar e aproveitar o resto da vida ao lado da esposa (Glenn Close), mas antes disso procura ajudar um aluna brilhante que é depressiva (Kristen Stewart). 

Seu filho Adam (Tim Blake Nelson) sofre ao saber que a esposa Jill (Jessica Hecht) pode estar com um tumor no ovário. O casal ainda precisa cuidar dos filhos adolescentes. O advogado Jeffrey (Michael Kenneth Williams) tenta levar à força para uma clínica de reabilitação seu amigo de infância Joe (K. Todd Freeman) que está entregue às drogas. Por último, Sarah (Gretchen Mol), que mora em um bela casa de subúrbio, abusa da bebida para compensar a ausência do marido (Corey Stoll). 

O ator, diretor e roteirista Tim Blake Nelson criou personagens que estão em momentos delicados da vida para desenvolver este sensível longa que foca principalmente na questão familiar. De uma forma ou de outra, todas as situações enfrentadas pelos personagens estão ligadas à família, seja por uma doença, por uma crise no casamento, pelo amor e até mesmo uma grande amizade. 

Apesar de lenta, a narrativa prende a atenção pela sobriedade como as pequenas histórias são contadas, sem jamais apelar para o exagero. O filme perde alguns pontos pelo final em aberto, já que as histórias não fecham completamente, mesmo não sendo difícil imaginar o que aconteceria em seguida. 

O destaque fica para a atuação do veterano Sam Waterston, perfeito com o professor sábio e com um sentimento de humanidade acima do normal. Por sinal, depois dos anos noventa, Waterston fez poucos trabalhos no cinema, pois foi a figura principal do seriado “Law & Order” entre 1994 e 2010.