sábado, 16 de março de 2013

Kamchatka

Kamchatka (Kamchatka, Argentina / Espanha / Itália, 2002) – Nota 7,5
Direção – Marcelo Piñeyro
Elenco – Ricardo Darin, Cecília Roth, Matias Del Pozo, Hector Alterio, Fernanda Mistral, Tomas Fonzi, Milton De La Canal.

Durante a ditadura militar na Argentina, um casal (Ricardo Darin e Cecilia Roth) envolvido com a oposição ao regime, precisa sair de Buenos Aires e se refugiar num sítio no interior do país. A família tem um filho pequeno e outro um pouco mais velho, que tem apenas onze anos (Matias Del Pozo). 

A estadia forçada no local é vista com alegria pelo filho mais velho, que antes quase não via os ocupados pais e agora tem a oportunidade de conviver o dia inteiro. O laço maior acaba sendo com o pai, com quem adora jogar “War’, o jogo de estratégia que ficou no famoso nos anos setenta, onde os jogadores tinham de conquistar territórios no mapa mundial. 

O jogo além de unir pai e filho, também tem ligação com o título do filme e a Guerra Fria entre comunistas e capitalistas. Kamchatka é uma península no leste da antiga União Soviética que era considerado local estratégico durante a Guerra Fria, pois ficava mais próximo aos Estados Unidos do que de Moscou. O local era também um símbolo de resistência, assim como os pais do garoto que lutavam contra a ditadura. 

O ponto interessante do filme é contar a história através dos olhos do garoto, que do alto de sua ingenuidade transforma um tema forte em algo mais leve durante boa parte da trama. 

O elenco é ótimo, com os sempre competentes Ricardo Darin e Cecilia Roth, além da surpresa do garoto Matias Del Pozo e a participação do veterano Hector Alterio como o avô. 

O resultado é mais um filme que ajudou a fazer o cinema argentino ser respeitado no mundo inteiro.   

sexta-feira, 15 de março de 2013

A Família Flynn & Alguém Para Dividir os Sonhos


Filmes sobre a questão dos moradores de ruas nas grandes cidades são poucos, por isso ao assistir "A Família Flynn", que toca em outros temas como conflitos familiares e drogas, rapidamente lembrei deste ainda melhor "Alguém Para Dividir os Sonhos", longa produzido há vinte anos e hoje praticamente esquecido.

A Família Flynn (Being Flynn, EUA, 2012) – Nota 6,5
Direção – Paul Weitz
Elenco – Robert De Niro, Paul Dano, Julianne Moore, Olivia Thirlby, Lili Taylor, Wes Studi, Chris Chalk, Thomas Middleditch.

Nicky Flynn (Paul Dano) é um jovem aspirante a escritor que está desempregado e sem rumo na vida. Ele trai a namorada que o expulsa de casa e assim ele acaba dividindo um apartamento num antigo prédio com dois sujeitos (um homossexual e um pequeno traficante) e com a jovem Denise (Olivia Thirlby). 

Sua vida começa a mudar quando recebe um telefone do pai, Jonathan (Robert De Niro), a quem não via há dezoito anos. Jonathan é um sujeito preconceituoso, teimoso, que trabalha como taxista, mas acredita ser um talentoso escritor e diz estar terminando seu livro que seria uma obra prima. A relação entre os dois começa estranha e distante, porém quando Nicky decide trabalhar em um abrigo e depois de algum tempo seu pai aparece no local procurando um lugar para dormir, o contato entre os dois fica inevitável, assim como os conflitos resultantes dos traumas do passado. 

Baseado num livro autobiográfico de Nicky Flynn, este longa dirigido Paul Weitz, especialista em comédias bobinhas, acerta ao não exagerar no drama, apesar da trama tocar em temas pesados como pessoas desabrigadas, drogas e suicídio. 

A primeira parte é a mais interessante, ao mostrar o desenvolvimento dos personagens e como suas vidas chegaram naquele estágio. Além de De Niro e Dano, vale também destacar o papel de Julianne Moore como a mãe de Nicky, personagem que aparece em flashbacks e tem grande importância na trama. O filme perde um pouco o impacto na parte final, quando alguns problemas sérios são resolvidos com facilidade e a personagem de Olivia Thirlby acaba sendo mal aproveitada. 

No geral é um drama razoável que vale a sessão pelo bom desempenho de De Niro, que acertou na escolha depois de vários papéis em filmes ruins.

Alguém Para Dividir os Sonhos (The Saint of Fort Washington, EUA, 1993) - Nota 7,5
Direção – Tim Hunter
Elenco – Matt Dillon, Danny Glover, Rick Aviles, Nina Siemaszko, Ving Rhames, Joe Seneca.


O jovem Matthew (Matt Dillon) sofre de esquizofrenia, mas mesmo assim é liberado de um clínica psiquiátrica. Sem ter onde morar, ele consegue uma vaga em um abrigo em Washington. Na primeira noite ele precisa se defender de um violento desabrigado (Ving Rhames), mas como ele é um sujeito ingênuo, seria presa fácil para a valentão, porém outro desabrigado, Jerry (Danny Glover), um veterano da Guerra do Vietnã, o ajuda dando início a uma grande amizade. Jerry perdeu família e filhos, por isso vive nas ruas limpando carros e fazendo bicos para sobreviver. Jerry vê no jovem Matthew a chance de ter uma nova família e quem sabe sair das ruas para recomeçar a vida, porém não será nada fácil.

Este drama pesado e emocionante vai fundo ao mostrar as dificuldades com comida, água, temperatura, além do preconceito e da violência que os desabrigados enfrentam no dia a dia. É provavelmente o filme produzido em Hollywood que mais se aprofundou sobre o tema. Mesmo não sendo considerados grandes atores, Matt Dillon e Danny Glover cumprem com perfeição seus papéis.

Como curiosidade, o diretor Tim Hunter tem praticamente toda a carreira voltada para seriados de tv, tendo feito apenas cinco longas, sendo este o último até hoje.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Dois Córregos

Dois Córregos – Verdades Submersas no Tempo (Brasil, 1999) – Nota 7
Direção – Carlos Reichenbach
Elenco – Carlos Alberto Riccelli, Beth Goulart, Ingra Liberato, Vanessa Goulart, Luciana Brasil, Kaio César, Luiz Damasceno, Thomaz Jorge.

O filme começa com a empresária Ana Paula (Beth Goulart) chegando à cidade de Dois Córregos com o seu advogado (Luiz Damasceno) e a polícia para fazer a reintegração de posse de um velho sítio da família. A ação acontece tranquilamente, porém Ana Paula passa a recordar seu passado quando chega ao local. 

A partir daí, o filme volta para o final dos anos sessenta no auge da ditadura militar, quando em flashback a jovem Ana Paula (Vanessa Goulart, sobrinha de Beth na vida real) e sua amiga Lydia (a pianista Luciana Brasil) viajaram de trem de São Paulo até Dois Córregos para conhecer o tio de Ana Paula, Hermes (Carlos Alberto Riccelli) que está escondido no sítio por ser comunista e por estar sendo procurado pela polícia e exército. No local vive também a governanta Teresa (Ingra Liberato), que é amante de um violento militar casado (Kaio César). Durante quatro dias, as três mulheres e o comunista Hermes trocarão experiências e segredos. 

O diretor gaúcho Carlos Reichenbach, que faleceu em 2012, foi um dos grandes nomes do cinema brasileiro, tendo participação de mais de cinquenta filmes em várias funções. Além de diretor, Reichenbach foi produtor, ator e fotógrafo, tendo deixado como marca principalmente em seus últimos trabalhos, criar personagens da classe trabalhadora em filmes com forte crítica social. Foi assim nos interessantes “Garotas do ABC" e “Falsa Loura”, seu longa derradeiro. 

Aqui em “Dois Córregos”, ele utiliza a questão da ditadura para contar uma história sobre descobertas e também sobre como muitas pessoas tiveram a vida destruída, precisando abandonar família e amigos para sobreviver. 

A atuação de Carlos Alberto Riccelli é perfeita como o sujeito que sofre por estar longe dos filhos e que precisa fazer escolhas extremamente difíceis, inclusive se arrependendo de decisões passados. A bela Ingra Liberato também está bem como uma mulher fria e sofrida. Em contrapartida, as duas jovens vividas por Vanessa Goulart e pela pianista Luciana Brasil não convencem, com a escolha da segunda sendo entendida apenas porque a personagem também é pianista. 

No geral é um filme simples e sensível, sobre personagens que sofrem por suas escolhas.      

quarta-feira, 13 de março de 2013

Amor ou Consequência

Amor ou Consequência (Jeux d”enfants, França / Bélgica, 2003) – Nota 6
Direção – Yann Samuell
Elenco – Guillaume Canet, Marion Cotillard, Thibault Verhaeghe, Joséphine Lebas Joly, Emmanuelle Gronvold, Gerard Watkins, Gilles Lellouche.

Julien (Thibault Verhaeghe) é um agitado garoto de oito anos que vive com o rígido pai e que sofre com a doença da mãe. Quando Julien conhece a garotinha Sophie (Joséphine Lebas Joly), uma filha de poloneses que é humilhada pelas crianças por causa de sua descendência, os dois iniciam uma forte amizade. 

A ligação entre as crianças está em um brinquedo que eles carregarão por anos e usarão para testar os limites um do outro. Quem tem o brinquedo desafia o outro a fazer algo absurdo para retomar o objeto e assim continuar o jogo. Quando eles chegam a juventude (agora interpretados Guillaume Canet e Marion Cotillard), o jogo fica mais complicado, pois os desafios atrapalham a atração que eles sentem um pelo outro, fazendo com que entrem em conflito, mas continuem o estranho jogo por vários anos. 

O diretor Yann Samuell estreou com este longa que tenta seguir o sucesso do ótimo “Amelie Poulan” produzido dois anos antes, utilizando também ótimos efeitos visuais para criar sequências absurdas e até de humor negro, porém peca pela falta de carisma dos personagens e principalmente por mascarar um história simples de encontros e desencontros por trás dos efeitos especiais e do visual colorido. 

Os personagens principais chegam a ser irritantes em alguns momentos, com o fraquinho Guillaume Canet (de “A Praia”) não convencendo, e a bela e hoje famosa Marion Cotillard até cumprindo bem o papel, porém as brigas entre os dois são ridículas, do estilo das discussões de adolescentes em comédias americanas. 

É uma pena, no final temos uma belíssima parte técnica desperdiçada numa trama sem graça. 

terça-feira, 12 de março de 2013

Durval Discos

Durval Discos (Brasil, 2002) – Nota 6
Direção – Anna Muylaert
Elenco – Ary França, Etty Fraser, Isabela Guasco, Marisa Orth, Letícia Sabatella, Rita Lee, André Abujamra, Theo Werneck.

O solteirão Durval (Ary França) é o dono de uma loja de discos no bairro de Pinheiros em São Paulo. Durval parece um hippie que parou no anos setenta e se nega a vender CDs, mesmo com sua loja quase falindo, Num fundo da loja está a casa onde Durval mora com a mãe Carmita (Etty Fraser). Quando Durval percebe que a velha mãe já tem dificuldade para cuidar da casa, ele decide contratar uma empregada. A escolhida é Célia (Letícia Sabatella) que vem com a filha pequena Kiki (Isabela Guasco). O que ele não esperava é que Célia desaparecesse deixando um bilhete dizendo que voltaria em alguns dias para buscar Kiki. 

Até este ponto o filme lembra um pouco o ótimo “Alta Fidelidade”, sobre um sujeito que tem uma loja de discos e vive como um adolescente, além de ter de conviver com clientes malucos, aqui representado por alguns personagens, entre eles o estranho Fat Marley interpretado pelo músico André Abujamra (que foi casado com a diretora Anna Muylaert e fez também a trilha sonora), porém a segunda parte da trama é uma verdadeira salada russa, que mistura policial, suspense e drama, terminando de forma melancólica em todos os sentidos. 

Os destaques são o trio principal, com a veterana da tv Etty Fraser interpretando um papel semelhante ao que fez diversas vezes nas novelas, a supresa da garotinha Isabela Guasco e principalmente o ótimo Ary França, ator mais conhecido por seus trabalhos no teatro, que aqui mostra todo seu talento. 

Como curiosidade, a casa onde foi filmado o longa realmente ficava em Pinheiros e foi demolida para dar lugar a um edifício, fato triste e comum no dias atuais em São Paulo.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Violência Máxima & Awaydays


Violência Máxima (The Football Factory, Inglaterra, 2004) – Nota 7
Direção – Nick Love
Elenco – Danny Dyer, Frank Harper, Tamer Hassan, Roland Manookian, Neil Maskell.

Tommy Johnson (Danny Dyer) é um jovem trabalhador, assim como seu amigo Rod (Neil Maskell), porém aos finais de semana eles participam de um grupo de hooligans torcedores do Chelsea, que na verdade desejam apenas extravasar suas frustrações e descarregar adrenalina em violentas brigas com os rivais. Entre os líderes do grupo está o veterano Bright (Frank Harper), um sujeito com mais de quarenta anos, casado, pai de dois filhos e extremamente violento. Tommy começa a ter pesadelos com as brigas que participa, uma espécie de premonição de que algo ruim irá acontecer, porém mesmo assim ele não consegue se afastar do grupo. 

Um dos pontos principais do filme é mostrar que a ação dos hooligans não tem ligação alguma com o futebol dentro do campo, a questão de serem torcedores é apenas um gancho para o objetvo que é a violência. Em momento algum vemos cenas dentro de um estádio, as violentas brigas são mostradas em becos e ruas isoladas, onde os baderneiros podem se destruir, uma situação bem real, já que a Inglaterra praticamente erradicou a violência dentro do estádios, qualquer ato neste sentido leva o sujeito para cadeia, o que diminuiu as brigas e as transferiu apenas para a rua. 

O roteiro traça bem o perfil dos envolvidos nestes grupos, aqui com destaque para o violento Bright, que é o grande exemplo dos hooligans que agiam principalmente nos anos oitenta e foram perdendo espaço com a repressão policial das décadas seguintes. 

Como curiosidade, o ator principal Danny Dyer é o protagonista de uma série documental chamada “The Real Football Factory”, onde ele viajou por vários países mostrando a ação das torcidas organizadas, inclusive no Brasil.

Awaydays (Awaydays, Inglaterra, 2009) – Nota 6,5
Direção – Pat Holden
Elenco – Nicky Bell, Liam Boyle, Stephen Graham, Oliver Lee, Ian Puleston Davies.

Liverpool, 1979, Carty (Nicky Bell) é um jovem de classe média que deseja entrar para um grupo de hooligans conhecidos como “The Pack”. Carty faz amizade com Elvis (Liam Boyle), um jovem pobre que faz parte do grupo de arruaceiros, mas que divide com Carty o gosto pela música e pela arte. Após muito insistir, Elvis aceita apresentar Carty ao líder dos hooligans, o veterano Godden (Stephen Graham), dando início a uma jornada do jovem ao mundo da violência. 

Baseado num livro de Kevin Sampson, este longa procura retratar uma época em que o punk rock estava em alta na Inglaterra e os hooligans agiam livremente no país, porém diferente de outros longas que seguiam o mesmo tema, este cria uma estranha relação entre os dois jovens protagonistas, situação que vai além das brigas de rua. 

O filme perde pontos por ser irregular, principalmente nas sequências de sofrimento do personagem Elvis e nas fracas interpretações. Até mesmo o competente Stephen Graham repete o papel de sujeito violento, muito parecido com seu trabalho em “This Is England”. 

Vale destacar a ótima trilha sonora com músicas de grupos da época, como The Rascals e Joe Divison. 

Os créditos finais são em memória de um sujeito com sobrenome Sampson, assim como o escritor, que teria falecido nos anos oitenta com vinte anos de idade. Não consegui encontrar a informação na internet, mas acredito que seja algum parente do escritor e que pode ter falecido em virtude das brigas de hooligans.

sábado, 9 de março de 2013

A Viagem

A Viagem (Cloud Atlas, Alemanha / EUA / Hong Kong / Cingapura, 2012) – Nota 8
Direção – Tom Tykwer, Andy Wachowski & Lana Wachowski
Elenco – Tom Hanks, Halle Berry, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Hugh Grant, Susan Sarandon, Doona Bae, Ben Whishaw, Keith David, James D’Arcy, Xun Zhou, David Gyasi.

Este longa pode ser considerado uma experiência única no cinema. Extremamente ambicioso, o filme é baseado num livro de David Mitchell que era considerado impossível de ser levado às telas. Esta enorme ambição dos irmãos Wachowski fez com que parte da crítica fosse cruel com a obra e também dividisse a opinião do público. 

Durante as quase três horas de duração, o público encara uma alucinante viagem entre seis histórias diferentes que se passam em épocas distintas. São praticamente seis curtas no mesmo filme, cada um de um gênero diferente. 

A história mais antiga se passa em 1849 e mostra a amizade entre um advogado escravagista e um escravo, seguindo para 1946 na Inglaterra, onde um compositor bissexual sonha em elaborar uma peça musical clássica com ajuda de um mestre, depois para 1973 onde o amante do compositor é um cientista que pede ajuda a uma jornalista para investigar uma conspiração. A quarta história se passa nos dias atuais com um editor de livros que pede ajuda ao irmão para pagar uma dúvida e acaba preso num asilo. A quinta trama é sobre uma revolução que acontece em 2144 em Neo Seul, uma cidade futurista construída após a destruição de Seul que é dominada por uma corporação. Finalizando, a sexta história se passa num futuro distante, onde os humanos voltaram a viver em florestas, precisam se defender de grupos que se tornaram canibais e ainda acreditam numa deusa completamente diferente. 

As histórias estão conectadas não por algum fato em comum, mas por pequenos detalhes que se repetem nas diferentes épocas ou influenciam a trama posterior e principalmente nos atores interpretando múltiplos personagens debaixo de maquiagem pesada. Os atores em vários papéis estão ligados a questão da vida após a morte, com o roteiro seguindo a ideia de que o mesmo espírito tem várias vidas e muitos repetem os erros ou o caráter de suas vidas anteriores. No filme, Hugo Weaving e Hugh Grant são os vilões, Halle Berry e Jim Sturgess os que lutam por justiça, enquanto Tom Hanks e Jim Broadbent ficam no meio termo, entre algumas atitudes ruins e outras boas em busca da redenção. 

Vale destacar também o fantástico visual, que é fato comum nas produções dos irmãos Wachowski e aqui ainda contam a parceria criativa do alemão Tom Tykwer de “Corra, Lola Corra”. 

Dar uma nota para um filme como este é algo extremamente pessoal e difícil, lendo as críticas você encontrará notas de um até dez, mostrando que acima de tudo é um longa que não deixa o espectador indiferente, ele faz pensar muito sobre diversos temas. 

Para quem gosta de filmes diferentes e tiver a paciência de encarar seis histórias entrecortadas em três horas, terá uma experiência única.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Filmes Produzidos para a TV - Parte II

Nesta postagem comento algumas produções para a tv do gênero aventura e suspense.

Caçadores de Marfim (Ivory Hunters, EUA, 1990) – Nota 5,5
Direção – Joseph Sargent
Elenco – John Lithgow, Isabella Rossellini, James Earl Jones, Tony Todd, Olek Krup.

Um escritor (John Lithgow) viaja para o Quênia para tentar descobrir o que aconteceu com sua assistente que foi fazer uma pesquisa e desapareceu. No local, o escritor encontra outra pesquisadora (Isabella Rossellini) que acredita que o desaparecimento da colega está ligado ao tráfico de marfim. Um policial (o veterano James Earl Jones) é designado para investigar o caso, mas sabe do perigo para quem tenta vigiar a vida dos traficantes. 

O filme tem uma boa premissa com a denúncia do tráfico de marfim na África e toda a violência que existe por trás deste crime, além de um elenco competente, mas infelizmente o roteiro não se aprofunda no tema.

Tudo Pela Liberdade (Born to Ride, EUA, 1991) – Nota 4
Direção – Graham Baker
Elenco – John Stamos, John Stockwell, Teri Polo, Sandy McPeak, Keith Cooke, Salvator Xuereb, Justin Lazard, Thom Mathews.

Nos anos sessenta, o exército decide trocar sua unidade de cavalaria por motocicletas e durante um treinamento, o jovem civil Grady (John Stamos) decide mostrar suas habilidades na moto e humilha os soldados, colocando alguns em risco. Grady acaba preso, mas recebe a proposta de entrar para o exército em troca da liberdade. Ele aceita, mas seu jeito rebelde o coloca em situações complicadas, principalmente quando se envolve com a filha do comandante (Teri Polo). No final, a habilidade de Grady o coloca como pessoa chave numa missão para resgatar um cientista e sua filha que foram sequestrados pelo General Franco, ditador espanhol. 

A primeira metade do longa é repleta de clichês e a parte final apresenta um roteiro absurdo, apesar de que algumas cenas de ação são até razoáveis. O longa foi uma tentativa de abrir caminho no cinema para o astro de tv John Stamos, famoso pela série “Full House”, porém ele foi mais um ator que não conseguiu fazer a transição. Seu maior sucesso foi ter sido casado com a belíssima Rebecca Romjin.

Morte no Evereste (Into Thin Air: Death on Everest, EUA / República Tcheca, 1997) – Nota 6,5
Direção – Robert Markowitz
Elenco – Peter Horton, Nathaniel Parker, Christopher McDonald, Richard Jenkins.

Dois experientes alpinistas rivais, Scott Fisher (Peter Horton) e Rob Hall (Nathaniel Parker) escalam o Monte Everest ao mesmo tempo, cada um levando um grupo de pessoas, várias delas inexperientes. O que começa com um desafio se torna uma perigosa aventura conforme os grupos avançam na escalada e precisam enfrentar frio, neve e vários outros obstáculos que podem causar uma tragédia. 

Este telefilme é baseado num famoso livro do jornalista Jon Krakauer, que relata uma história real, sendo ele um dos participantes da aventura, aqui no longa interpretado por Christopher McDonald. A história é ótima e o filme pode ser considerado bom levando em conta as limitações de uma produção para tv.

Alerta Vermelho (Hostile Waters, EUA / França / Alemanha / Inglaterra, 1997) – Nota 5,5
Direção – David Drury
Elenco – Rutger Hauer, Martin Sheen, Max Von Sydow, Harris Yulin, Colm Feore, Rob Campbell, Regina Taylor, Dominic Monaghan.

Em outubro de 1986, um velho submarino russo carregado com artefatos nucleares se chocou com um submarino americano e quase causou um acidente nuclear na costa da Bermuda. Esta produção para tv foca na tensão que toma conta da tripulação russa e dos oficiais, principalmente o Capitão Britanov (Rutger Hauer) e o Almirante Chernavin (Max Von Sydow). 

Com poucas cenas de ação e muito falatório, o resultado é apenas razoável. Vale a curiosidade pela história e o bom elenco, nada mais.

Caçadores de Tornado (Storm Chasers: Revenge of the Twister, EUA, 1998) – Nota 3
Direção – Mark Sobel
Elenco – Kelly McGillis, Wolf Larson, Liz Torres, Adrian Zmed, James MacArthur.

Cópia descarada de “Twister”, este produção para tv mostra também um grupo de caçadores de tornados em aventuras pelo meio-oeste americano. Com efeitos especiais paupérrimos e um elenco péssimo, liderado pelo canastrão Wolf Larson, que interpretou “Tarzan” numa série de tv no início dos anos noventa, além de Liz Torres e Adrian Zmed, rostos conhecidos em seriados da época. 

A curiosidade é a participação de Kelly McGillis, famosa por “Top Gun”, mas que na época já estava com a carreira em declínio.

Ação no Oceano (Intrepid ou Deep Water, EUA, 2000) – Nota 4
Direção – John Putch
Elenco – James Coburn, Costas Mandylor, Finola Hughes, Alex Hyde White, Sonia Satra, Larry Poindexter, David Kaufman, Chick Vennera, Sarah Bibb.

Um teste nuclear malsucedido desencadeia uma onda gigante que vira um transatlântico. O capitão (James Coburn) tenta liderar os sobreviventes para o salvamento, porém um grupo terrorista que estava a bordo ainda deseja sequestrar a filha de um milionário. 

Esta produção para a tv com um roteiro absurdo foi um dos últimos papéis do grande James Coburn, trabalhando ao lado de canastrões conhecidos como Costas Mandylor da série “Jogos Mortais” e a bela Finola Hughes. Algumas cenas de ação razoáveis não salvam esta bomba.

quinta-feira, 7 de março de 2013

O Mestre

O Mestre (The Master, EUA, 2012) – Nota 7,5
Direção – Paul Thomas Anderson
Elenco – Joaquin Phoenix, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Laura Dern, Jesse Plemons, Ambyr Childers, Rami Malek, Kevin J. O’Connor, Christopher Evan Welch, Madisen Beaty.

Freddie Quell (Joaquin Phoenix) é um ex-combatente da 2º Guerra Mundial que ao voltar para casa não consegue se adaptar. Freddie é um sujeito bruto, sem educação, que gosta de beber, fala o que pensa e responde aos problemas com violência. Após se meter em uma confusão no seu último trabalho, Freddie foge e acaba cruzando o caminho de Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman), uma espécie de guru, famoso por um livro chamado “A Causa”. 

Os dois sujeitos extremamente diferentes acabam criando um estranho laço, primeiro com Lancaster ficando interessado numa bebida fortíssima fabricada por Freddie, depois por ver Freddie quase como um animal a ser domado. Em contrapartida, Freddie se transforma em defensor de Lancaster, quase um segurança que toma atitudes fortes contra os inimigos do mestre. 

Os produtores tentaram vender o filme como sendo uma espécie de biografia fictícia do escritor L. Ron Hubbard, um guru que criou a Cientologia, uma religião com cara de culto que é seguida por várias atores famosos de Hollywood, tendo como principal garoto propaganda o astro Tom Cruise. A ideia de vincular o nome de Hubbard com a produção acabou não dando certo, o filme dividiu a crítica e o público, mesmo que o resultado seja no mínimo interessante. 

O roteiro do próprio diretor P. T. Anderson foge do lugar comum que seria transformar a trama em uma denúncia contra um guru picareta. Ele prefere mostrar os bastidores da vida do sujeito e de seus seguidores, com destaque para a ótima Amy Adams como a esposa atual, que é discreta mas defende as ideias do marido até o fim, para a sumida Laura Dern como uma seguidora cega pelo carisma do mestre e o filho vivido por Jesse Plemons, um jovem apático que mesmo ficando ao lado do pai, num diálogo específico mostra um sentimento de descrença nas ideias do homem. 

Os grandes destaques são as interpretações de Hoffman e Phoenix. Hoffman está perfeito como o sujeito carismático que fala bem, mas que mostra seu verdadeiro lado quando é contrariado em alguma discussão. Já o trabalho de Phoenix é psicológico e corporal, que além de criar com perfeição o veterano de guerra que esconde os traumas atrás da brutalidade, ele inventou uma estranha forma de andar, um pouco curvada, como se estivesse com a coluna torta. 

É um filme diferente, com uma narrativa lenta em alguns momentos, mas que vale pelo elenco e  por algumas ótimas sequências entre Hoffman e Phoenix.

terça-feira, 5 de março de 2013

Corpo

Corpo  (Brasil, 2007) – Nota 6
Direção – Rossana Foglia & Rubens Rewald
Elenco – Leonardo Medeiros, Rejane Arruda, Chris Couto, Louise Cardoso, Regiane Alves, Zé Carlos Machado.

O médico legista Artur (Leonardo Medeiros) é um sujeito desmotivado com o trabalho e com a vida, que a cada novo corpo que chega ao local e também com as pessoas que cruzam seu caminho no metrô por exemplo, ele imagina uma história de vida, doenças e problemas que a pessoa enfrentou ou deve enfrentar. 

Sua vida ganha algum sentido quando o corpo de uma mulher que aparentemente morreu há mais de trinta anos chega intacto ao necrotério. Artur decide investigar quem seria a pessoa e chega até o nome de uma psicóloga que teria sido presa durante a ditadura. Tentando descobrir se realmente é a pessoa, ele faz contato com Fernanda (Rejane Arruda), filha da suposta mulher e que alega que sua mãe está viva, porém suas atitudes irresponsáveis deixam Artur ainda mais confuso. Para piorar, a chefe de Artur é a estranha Lara (Chris Couto), que deseja enterrar rapidamente a mulher não identificada como indigente. 

O casal de diretores Rossana Foglia e Rubens Rewald escolheu uma interessante premissa para sua estreia no cinema, porém o ritmo extremamente arrastado e a narrativa confusa em alguns momentos tiram a força do filme. Num determinado momento da trama, o espectador passa a conhecer a história da jovem presa pela ditadura em flashback, o que rapidamente faz com que se descubra o que realmente ocorreu. Isso não teria importância se os personagens fossem melhor elaborados, mas apenas Leonardo Medeiros consegue uma boa atuação, mesmo criando um sujeito derrotado, sem carisma algum. 

Infelizmente o resultado fica bem abaixo da premissa.

segunda-feira, 4 de março de 2013

As Bicicletas de Belleville

As Bicicletas de Belleville (Les Triplettes de Belleville, França / Bélgica / Canadá / Inglaterra / Letônia, 2003) – Nota 7,5
Direção – Sylvain Chomet
Animação

Esta animação com estilo bem diferente dos similares americanos, concorreu merecidamente ao Oscar de Animação e também de Canção Original ao criar uma trama com personagens a princípio bizarros em situações estranhas, mas com uma forte crítica social nas entrelinhas do roteiro. 

A trama começa numa cidade do interior da França, quando um garoto gordinho ganha de sua avó um cão ainda filhote. Mesmo ficando amigo do animal, o garoto ainda demonstra tristeza, que muda apenas quando sua avó lhe presenteia com uma bicicleta, que se torna sua grande paixão. 

Em seguida a trama pula mais de uma década e mostra o garoto já adulto. Ele emagreceu e se tornou um ciclista profissional que treina para participar da famosa “Volta da França”, sempre acompanhado de perto pela avó. Durante a competição, o jovem não consegue completar a prova e acaba sendo sequestrado por um estranho grupo que o leva para a cidade grande com um objetivo mais estranho ainda, porém a velha senhora e o cão, que hoje está enorme, seguem a pista para tentar salvar o neto. 

Os traços da animação são exagerados de forma proposital, a maioria dos personagens são obesos e apenas os atletas são magros, porém são tristes e sem vida. Estas escolhas foram uma forma de criticar o mundo atual, onde a epidemia da obesidade é a consequência da acomodação e por outro lado, a tristeza dos atletas são reflexo da pressão que todas as pessoas sofrem para conseguir o sucesso, muitas vezes deixando de lado o prazer e a felicidade. O prazer que o garoto tinha em pedalar se perdeu completamente quando o objetivo passou a ser a vitória. A cidade grande de Belleville também é mostrada como um lugar sem vida, cheia de edifícios e construções enormes. 

A mistura da crítica social com humor é extremamente original, resultando numa animação muito mais profunda do que aparenta. 

domingo, 3 de março de 2013

O Homem Errado

O Homem Errado (The Wrong Man, EUA, 1956) – Nota 8
Direção – Alfred Hitchcock
Elenco – Henry Fonda, Vera Miles, Anthony Quayle, Harold J. Stone, Charles Cooper, Nehemiah Persoff.

Em 1943, o músico Manny Balestrero (Henry Fonda) toca num conhecido clube de Nova York e leva uma vida tranquila com a esposa (Vera Miles) e dois filhos. Num certo dia, Manny vai a uma corretora de seguros solicitar uma autorização para a esposa fazer um tratamento dentário, porém o que seria uma situação de rotina se transforma num inferno quando uma das atendentes alega que Manny assaltou o local há algum tempo. A polícia é chamada para prender Manny, que não consegue provar ser inocente e mesmo não tendo antecedente criminal algum, precisará provar sua inocência. 

Este é o único trabalho de Hitchcock baseado numa história real, mesmo que ele tenha alterado alguns fatos para dar maior ênfase ao suspense e principalmente aumentar o drama da injustiça que o personagem de Fonda é obrigado a enfrentar. 

O ótimo roteiro cria uma emaranhado de coincidências e pistas que parecem levar Manny a um beco sem saída, afetando além dele também sua esposa. 

A polícia é mostrada como uma instituição a ser temida, que pode acabar com a vida de alguém apenas por conta de uma acusação sem provas. 

As interpretações de Fonda e Vera Miles são primorosas, elas passam toda a angústia que toma conta de seus personagens. 

O resultado é um belo trabalho de Hitchcock, mesmo que não tenha tanta fama como outras obras do diretor.

sábado, 2 de março de 2013

Killer Joe

Killer Joe (Killer Joe, EUA, 2011) – Nota 5
Direção – William Friedkin
Elenco – Matthew McConaughey, Emile Hirsch, Juno Temple, Thomas Haden Church, Gina Gershon, Marc Macaulay.

Chris (Emile Hirsch) deve uma quantia para um mafioso que pretende matá-lo caso ele não pague. Para conseguir o dinheiro, Chris convence seu pai Ansel (Thomas Haden Church) em contratar um assassino para matar a mãe que fez um seguro de cinquenta mil dólares em nome da filha, a estranha Dottie (Juno Temple). Dottie mora com Ansel e sua segunda esposa, Sharla (Gina Gershon) que também resolve participar do plano para receber parte do seguro. Para fazer o serviço, Chris procura um policial corrupto, “Killer” Joe Cooper (Matthew McConaughey) que aceita o negócio em troca de metade do seguro e de favores sexuais de Dottie. 

Este longa do veterano William Friedkin é uma experiência radical que mistura humor negro, violência, personagens absurdos e sequências bizarras. Friedkin foi um dos grandes diretores dos anos setenta após comandar clássicos como “Operação França” e “O Exorcista”, porém a sequência de sua carreira foi irregular, alternando trabalhos interessantes como “Parceiros da Noite” e “Viver e Morrer em Los Angeles”, com gigantescas bombas como “A Árvore da Maldição” e “Caçado”. Este novo trabalho deixa toda a impressão de que Friedkin tinha o objetivo de chamar novamente a atenção através da polêmica, o que conseguiu em “O Exorcista”, com a diferença de aquele era um filmaço assustador, enquanto aqui a única sensação que o espectador terá será de constrangimento. 

O início da trama faz pensar que veremos um filme violento, daqueles onde o plano dos protagonistas dá errado, porém a forma como se desenrola a trama é quase doentia. Duas sequências de sexo, ou melhor, simulação de sexo são sinistras, das piores já filmadas. A primeira é praticamente uma sequência de pedofilia entre os personagens de McConaughey e Juno Temple, esta interpretando uma jovem quase adolescente com limitações mentais. A segunda sequência é horrível e violenta, interpretada por McConaughey e Gina Gershon. 

Por mais que eu goste de filmes diferentes, este longa deixou uma péssima sensação ao final.   

sexta-feira, 1 de março de 2013

Campanha de Incentivo à Leitura

O amigo Gilberto do blog Gilberto Cinema ofereceu este selo de incentivo à leitura.

Os convidados a participar da campanha devem:

1 - Indicar quantos livros quiser, sobre qualquer assunto.

2 - Indicar outros blogs para participar da campanha.

Para não fugir do tema do blog, indicarei dois livros imperdíveis sobre cinema.


1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer

Este livro contém resenhas escritas por críticos diversos para 1001 filmes importantes da história do cinema.

O filmes estão divididos por ano, com textos sucintos e pessoais.

Uma verdadeira viagem pela história do cinema.



Como a Geração de Sexo, Drogas e Rock N'Roll Salvou Hollywood

Esta sensacional obra conta as grandes mudanças ocorridas em Hollywood iniciadas no final dos anos sessenta, a partir do clássico "Bonnie & Clyde - Uma Rajada de Balas", até o fracassado "O Portal do Paraíso" em 1980.

O autor conta detalhes de bastidores das produções de Coppola, Scorsese, William Friedkin, Spielberg, Warren Beatty e vários outros diretores, atores e produtores que transformaram completamente o cinema americano.

Os blogs indicados para o selo são:

Cinema & Literatura

Cinema Pipoca Cult

Gonga e a 7º Arte

Brazilian Movie Guy

Cinema, a Arte da Emoção

Pipoca com Guaraná