segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Dicas de Filmes Cults para o Ano Novo

Fechando o ano de 2012, decidi postar uma lista com 50 filmes cults que comentei no blog durante estes quase cinco anos.

Clicando sobre o filme que tiver curiosidade em conhecer, você acessará a postagem original com a resenha.

Agradeço a todos que visitaram o blog durante 2012, desejo um Feliz Ano Novo repleto de saúde, paz e realizações.

Agora sairei de férias durante alguns dias, mas no próximo ano continuarei a escrever e comentar sobre cinema.

1 - O Agente da Estação

2 - Conflitos Internos

3 - O Hospedeiro

4 - Pi

5 - The Corporation & Roger e Eu

6 - O Tempo e a Maré

7 - Subway

8 - Raízes do Mal

9 - A Caverna

10 - A Fortuna de Ned 

11 - Domingo Sangrento

12 - Asas do Desejo

13 - O Silêncio do Lago

14 - Edifício Master

15 - A Onda

16 - Abismo do Medo

17 - Lunar

18 - Navigator - Uma Odisseia no Tempo

19 - Sinédoque, Nova York

20 - Paradise Now

21 - Matewan - A Luta Final

22 - O Banheiro do Papa

23 - Terra de Ninguém

24 - Segunda-Feira ao Sol

25 - Na Captura dos Friedmans

26 - I.D. - Fúria nas Arquibancadas

27 - O Caso Alzheimer

28 - Incêndios

29 - Monstros

30 - São Paulo S/A

31 - Once Brothers - A História de Vlad Divac & Drazen Petrovic

32 - Não Amarás & Não Matarás

33 - Katyn

34 - 13 - O Jogador

35 - Crimes Temporais

36 - Caminho da Liberdade

37 - A História Oficial

38 - Momentos Decisivos

39 - Síndromes e um Século

40 - Fora da Jogada

41 - Cela 211

42 - A Maldição do Lago

43 - Uma Noite Sobre a Terra

44 - Swingers - Curtindo a Vida

45 - O Portal do Paraíso

46 - Primer

47 - Líbano

48 - Aura

49 - Rio Congelado

50 - Histórias Mínimas

domingo, 30 de dezembro de 2012

Third Watch - Parceiros da Vida

Third Watch (Third Watch, EUA, 1999 a 2005)
Criadores - Edward Allen Bernero & John Wells
Elenco - Michael Beach, Kim Raver, Jason Wiles, Skipp Sudduth, Coby Bell, Anthony Ruivivar, Molly Price, Eddie Cibrian, Chris Bauer, Tia Texada, Amy Carlson, Nia Long, Bobby Cannavale.

O colega Léo do blog Bússola do Terror comentou em seu espaço sobre as carreiras de Anthony Ruivivar e Coby Bell. Estas postagens me deram a ideia de escrever sobre "Third Watch", série em que os dois atores participavam.

A série passou completa no canal Warner e parte dela nas madrugadas do SBT como o título de "Parceiros da Vida".

A série teve seis temporadas e mostrava o dia a dia de bombeiros, policiais e paramédicos que trabalhavam em Nova York. O roteiro inovou ao juntar os três tipos de profissionais na mesma série, desta forma tendo de trabalhar com um elenco grande e várias histórias em cada episódio.

O acerto dos roteiros era misturar a vida pessoal e profissional dos personagens, mostrando principalmente como as pressão das três profissões interferiam nos relacionamentos familiares e amorosos, além da saúde física e psicológica de cada um.

As duas primeiras temporadas fizeram sucesso, que duplicou na terceira temporada lançada após os atentados de 11 de Setembro. As consequências da tragédia foram exploradas pelos roteiristas e produtores, tanto nas tramas, como nos locais onde aconteciam a ação.

A quarta temporada seguiu ainda com bons roteiros que apresentavam histórias interessantes, porém a partir deste ponto "Third Watch" passou a sofrer com problemas comuns a muitas séries. Alguns personagens começaram a sair, o primeiro foi Bobby Cannavale que largou a série no final da segunda temporada. Depois  foi a vez de Amy Carlson que havia substituído o próprio Cannavale. Na penúltima temporada a coisa desandou, os roteiristas começaram a criar histórias fantasiosas, até mesmo alguns episódios sobre um grupo de jovens que se achavam vampiros. Os roteiristas também usaram o artifício de criar doenças e tragédias com personagens e seus familiares, o que transformou as duas últimas temporadas quase em dramalhão. Eddie Cibrian, Kim Raver e Michael Beach também abandonaram a série antes do final.

Os personagens principais eram divididos entre os paramédicos Monte Parker (Michael Beach) e seu parceiro canalha Carlos Nieto (Anthony Ruivivar), a bela Kim (Kim Raver) e Bobby (Bobby Cannavale) depois substituído por Alex (Amy Carlson). Os policiais eram Faith (Molly Price) e seu parceiro esquentado Bosco (Jason Wiles), o veterano John Sullivan (Skipp Sudduth) e o jovem Tyrone (Coby Bell). Já os bombeiros tinham o também canalha Jimmy (Eddie Cibrian), que vivia brigando com a ex-esposa, a paramédica Kim. O elenco era completado por bombeiros de verdade que participavam principalmente das cenas de ação.

Foi uma série inovadora que começou muito bem, teve seu auge com a ajuda da tragédia de 11 de Setembro, mas que não soube manter a qualidade das histórias e acabou de uma forma bem inferior ao início promissor.

sábado, 29 de dezembro de 2012

This is England '86

This is England ’86 (This is England ’86, Inglaterra, 2010) – Nota 8
Direção – Shane Meadows & Tom Harper
Elenco – Thomas Turgoose, Vicky McClure, Joe Gilgun, Andrew Shim, Rosamund Hanson, Stephen Graham, Jo Hartley, Andrew Ellis, Michael Socha, Chanel Cresswell, Danielle Watson, Johnny Harris.

Esta sequência do longa de 2006 foi produzida em formato de minissérie com quatro capítulos e se passa em 1986 durante a Copa do Mundo do México, três anos após os acontecimentos do longa original. 

O grupo de amigos skinheads continua unido, mas precisam enfrentar novos problemas que surgem com a vida adulta. O casal Woody (Joe Gilgun) e Lol (Vicky McClure) passam por uma crise, tanto pela imaturidade dele, quanto pela volta do pai de Lol, situação que deixa a jovem revoltada por ter sido abusada pelo sujeito. O garoto Shaun (Thomas Turgoose) que se afastou do grupo após um crime no final do longa anterior, hoje cresceu e sua mãe (Jo Hartley) deseja que ele consiga um emprego, porém o jovem acaba reencontrando os amigos e se reaproximando de Smell (Rosamund Hanson). 

Várias outras situações envolvendo problemas de relacionamento, sexo e violência ocorrem com os personagens do grupo, num roteiro que enfoca o drama destas pessoas que são filhos de trabalhadores pobres e que tentam ter uma vida diferente dos pais, mesmo que isso não seja nada fácil. 

O filme original cita a diferença entre os skinheads que cultuam a rebeldia ao sistema e aqueles que se transformaram em neonazistas, porém aqui o foco principal está no drama de cada personagem. 

É uma interessante visão de época, tendo como de pano fundo os jogos da seleção inglesa na Copa do Mundo. 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Mutação & A Relíquia


Mutação (Mimic, EUA, 1997) – Nota 7
Direção – Guillermo Del Toro
Elenco – Mira Sorvino, Jeremy Northam, Josh Brolin, Giancarlo Gianinni, Alexander Goodwin, Charles S. Dutton, F. Murray Abraham, Norman Reedus.

Quando uma doença disseminada por baratas mata diversas crianças em Nova York, os cientistas Susan Tyler (Mira Sorvino) e Peter Mann (Jeremy Northam) após muitas experiências conseguem desenvolver um novo tipo de barata que colocada em contato com os insetos normais os matam. Após três anos, a doença está controlada, porém as baratas criadas em laboratorio continuam a se desenvolver sozinhas, gerando insetos mutantes gigantes que começam a devorar humanos. Susan e um grupo de pessoas resolvem descer nos subterrâneos da cidade para localizar e destruir a ameaça. 

Esta ficção com roteiro de filme B foi a estreia do mexicano Guillermo Del Toro em Hollywood e ele não decepciona. Mesmo sem grande preocupação com interpretações, o filme se sustenta pelas violentas cenas de ação e o clima de suspense criado pelos cenários sujos dos esgotos de Nova York, além das assustadoras criaturas. 

É o típico filme de terror sem pretensões, que diverte os fãs do gênero. 

A Relíquia (The Relic, EUA, 1997) – Nota 6
Direção – Peter Hyams
Elenco – Penelope Ann Miller, Tom Sizemore, Linda Hunt, James Whitmore, Clayton Rohner.

Uma peça antiga encontrada na selva é enviada para o Museu de Nova York, porém ela traz consigo um perigoso vírus. Quando ocorre uma misteriosa morte no local, o detetive Vincent D’Agosta (Tom Sizemore) se torna o responsável pela investigação e logo entra em conflito com a pesquisadora Margo Green (Penelope Ann Miller). Outras mortes ocorrem e mesmo assim os responsáveis pelo museu decidem manter uma festa de reinauguração no local, situação que poderá se transformar em tragédia. 

Com uma trama simples e uma dupla de protagonistas sem muito carisma, o veterano diretor Peter Hyams tenta prender a atenção do espectador utilizando o cenário do museu como suspense, tendo apoio de bons efeitos especiais criados pelo falecido mestre Stan Winston. 

O resultado é uma diversão apenas razoável.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Lanterna Verde

Lanterna Verde (Green Lantern, EUA, 2011) – Nota 5
Direção – Martin Campbell
Elenco – Ryan Reynolds, Blake Lively, Peter Sarsgaard, Mark Strong, Tim Robbins, Jay O. Sanders, Taika Waititi, Angela Bassett, Mike Doyle, Jon Tenney, Temuera Morrison.

No planeta Oa vivem os guardiões do espaço chamados de Lanterna Verde. Quando um inimigo conhecido como Parallax escapa e começa a matar os guardiões e destruir planetas, um dos seus alvos é Abin Sur (Temuera Morrison), que foge ferido e chega à Terra. Abin Sur usa um anel que deverá escolher um novo guardião quando da sua morte. O anel acaba escolhendo o piloto de caças Hal Jordan (Ryan Reynolds), um sujeito rebelde e ao mesmo tempo inseguro em virtude de não ter superado a morte do pai (Jon Tenney), que também era piloto. 

Meu conhecimento sobre o universo do personagem Lanterna Verde se resume a participação no antigo desenho “Super Amigos”, ou seja, não tenho como analisar se a adaptação foi fiel ou não aos quadrinhos, porém como cinema o filme é ruim, com certeza um dos piores bancados pela DC Comics. A impressão é que a única preocupação foi com a parte técnica, principalmente no quesito de mostrar o planeta Oa, deixando de lado história e personagens. 

O roteiro além de ser totalmente clichê tem furos absurdos. A família do personagem principal desaparece da trama após uma festa, o herói aparece numa determinado situação sem explicação alguma, como se adivinhasse o local da ação, além do péssimo desenvolvimento dos personagens. 

A princípio Ryan Reynolds parecia ser o cara certo para o herói rebelde e um pouco arrogante, papel comum em sua carreira, porém aqui sua apatia e falta de expressão são claras. A presença de Blake Lively é apenas um enfeite de beleza e até o bom ator Tim Robbins entra numa fria em um papel ruim. 

É estranha a direção preguiçosa de Martin Campbell, que fez ótimo “007 Cassino Royale” e aqui parece interessado apenas na grana que ganhou para comandar o longa. Para completar, ainda temos o inevitável gancho no final para quem sabe uma continuação. 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Como Água Para Chocolate

Como Água Para Chocolate (Como Agua Para Chocolate, México, 1992) – Nota 8
Direção – Alfonso Arau
Elenco – Lumi Cavazos, Marco Leonardi, Regina Torné, Mario Ivan Martinez, Ada Carrasco, Yareli Arizmendi, Claudette Maillé.

No início do século passado durante a Revolução Mexicana, a jovem Tita (Lumi Cavazos) é a mais nova de três irmãs, que por uma tradição familiar, sua mãe (Regina Torné) exige que a garota não se case para cuidar dela até morrer. Quando o jovem Pedro (Marco Leonardi) pede a mão de Tita em casamento, a mãe oferece sua outra filha, Rosaura (Yareli Arizmendi). Pedro aceita a proposta com o objetivo de ficar perto de Tita, mesmo que seja casado com a irmã. A tristeza de Tita pela situação faz com que ela direcione seu amor para os deliciosos pratos mexicanos que prepara para a família e assim tenta manter viva sua ligação com Pedro. 

Baseado no livro de Laura Esquivel, este drama romântico utiliza toques surrealistas para contar uma complicada de história de amor passada numa época e num local onde a sociedade obrigava a mulher a ser submissa. A localização da trama nesse contexto social é um dos pontos principais para se aceitar a história, que brinca ainda com o absurdo em algumas cenas, como na sequência inicial do choro no parto da mãe da Tita ou a emoção que consome os personagens após uma refeição preparada por Tita, principalmente sua irmã Gertrudis (Claudette Maillé). 

Quanto ao elenco, o destaque é a sensível interpretação de Lumi Cavazos, que acerta o tom nos momentos emotivos e principalmente no amadurecimento da personagem durante o filme. Por outro lado, seu parceiro, o italiano Marco Leonardi é o ponto fraco, tanto no personagem que se mostra apático no contexto da trama, como na interpretação sem emoção alguma do ator. 

O filme fez muito sucesso na época e deixou a impressão de que o ator mexicano Alfonso Arau tinha potencial para se tornar um grande diretor, porém seus trabalhos posteriores foram apenas razoáveis. 

Como curiosidades, na época Arau era casado com a escritora Laura Esquivel, o que facilitou a adaptação do livro e além disso, sua decisão de dirigir em muito foi por causa do estigma que carregou na carreira de ator durante os anos que dividiu seus trabalhos entre o México e Holywood. Nos filmes americanos Arau recebia convites apenas para papéis de bandido, ele teve participações em séries como “Gunsmoke”, “Bonanza” e “Miami Vice”, além de filmes como “Tudo Por Uma Esmeralda” e “Os Três Amigos”. Após este trabalho como diretor, Arau abandonou a carreira de ator em Hollywood.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Menino Maluquinho

Menino Maluquinho (Brasil, 2004) – Nota 6
Direção – Helvecio Ratton
Elenco – Samuel Costa, Patrícia Pillar, Roberto Bomtempo, Luiz Carlos Arutin, Hilda Rebello, Vera Holtz, Tonico Pereira, Othon Bastos.

No final dos anos sessenta, Maluquinho (Samuel Costa) é um garoto que vive com os pais (Patrícia Pillar e Roberto Bomtempo) e divide seu tempo entre a escola e as brincadeiras com os amigos de sua rua. Extremamente esperto, Maluquinho inventa brincadeiras e apronta traquinagens inofensivas com todos. Em contrapartida terá de lidar com problemas como a separação dos pais e a morte do avô (Luiz Carlos Arutin). 

Baseado no famoso personagem do cartunista Ziraldo, esta adaptação para o cinema rendeu um longa que tem como pontos positivos a alegria do menino Samuel Costa no papel título e principalmente a homenagem a uma época bem diferente da atual, quando as crianças brincavam nas ruas sem medo de violência, não existiam videogames ou computadores e brincadeiras como jogo de pião, taco e amarelinha divertiam a garotada. 

Ziraldo nasceu em Caratinga, interior de Minas e com certeza utilizou sua memórias infância para criar o personagem. 

O resultado é um longa simples voltado para as crianças. 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Os Fantasmas Contra Atacam & O Grinch


Os Fantasmas Contra Atacam (Scrooged, EUA, 1988) – Nota 7
Direção – Richard Donner
Elenco – Bill Murray, Karen Allen, Bobcat Goldwaith, John Glover, John Forsythe, Carol Kane, Robert Mitchum, David Johansen, Michael J. Pollard, Alfre Woodard.

O executivo de tv Frank Cross (Bill Murray) é um sujeito arrogante, ranzinza e que odeia o Natal. Ele trata pessimamente seus funcionários que preparam um especial de tv para a véspera do Natal. Para surpresa de Frank, o fantasma do seu falecido sócio Lew (John Forsythe) aparece e o avisa para mudar suas atitudes, caso contrário terá um final de vida extremamente infeliz. Lew diz ainda que na noite de Natal, Frank receberá a visita de três fantasmas, o do seu passado, do presente e do futuro. 

O diretor Richard Donner se baseou livremente no conto de Charles Dickens e transportou o personagem Scrooge para os dias atuais, onde o sujeito sofre nas mãos dos fantasmas que mostram toda sua vida. O fantasma do passado é representando por um maluco motorista de taxi (David Johansen), o do presente é uma fada (Carol Kane) e o do futuro uma espécie de monstro que encarna a morte. O resultado é divertido com uma boa mensagem no final. 

Como curiosidade, o sucesso de “Os Caça-Fantasmas” e a presença de Bill Murray nos dois filmes, fez com que a distribuidora brasileira traduzisse o título para confundir o público e muitos acabaram acreditando que o longa seria um continuação do filme citado.

O Grinch (How the Grinch Stole Christmas, EUA, 2000) – Nota 6,5
Direção – Ron Howard
Elenco – Jim Carrey, Taylor Momsen, Jeffrey Tambor, Christine Baranski, Bill Irwin, Molly Shannon, Clint Howard, Anthony Hopkins.

Num povoado onde todos adoram o Natal, o Grinch (Jim Carrey) é uma criatura que odeia a data e vive isolado nas montanhas em virtude de um trauma do passado. Quando a garotinha Cindy (Taylor Momsen) o encontra, ela que também não entende o porquê da agitação do Natal, acaba convidando a criatura para passar a data no povoado, porém a decisão causará um novo problema. 

Baseado no livro do Dr. Seuss, este longa narrado por Anthony Hopkins, tem a direção de Ron Howard que alterou alguns pontos da história para agradar também aos adultos, o que resultou num divertido passatempo todas as idades, principalmente pela direção de arte que lembra os filmes de Tim Burton e também pela presença carismática de Jim Carrey debaixo de uma maquiagem pesada. 

domingo, 23 de dezembro de 2012

Com Amor, Liza & Incrível Obsessão


Com Amor, Liza (Love Liza, Alemanha / EUA / França, 2002) – Nota 6,5
Direção – Todd Louiso
Elenco – Philip Seymour Hoffman, Kathy Bates, J. D. Walsh, Stephen Tobolowsky, Sarah Koskoff

O webdesigner Wilson Joel (Philip Seymour Hoffman) fica perdido após o suicídio da esposa. Sem entender o porquê, Joel não tem coragem de abrir a carta que a esposa deixou. Esta situação complicada faz com que Joel deixe de lado amigos e trabalho, além de começar um inusitado vício de cheirar gasolina, combustível que ele também utiliza no aeromodelismo, outra fato novo em sua vida. O único laço que Joel consegue manter é com a sogra (Kathy Bates), que faz de tudo para que ele abra a carta e descubra qual mensagem a esposa deixou. 

Este curioso drama independente foi a estreia na direção do ator Todd Louiso, figura conhecida por participações em seriados de tv e que teve como papel mais conhecido o de amigo de John Cusack e Jack Black em “Alta Fidelidade”. Aqui ele conta uma história extremamente triste, sobre como uma tragédia afeta a vida das pessoas, tendo como ponto principal a atuação de Hoffman como o sujeito que após perder a esposa parece vagar angustiado pelo mundo, como se estivesse totalmente dopado. 

Não é uma história fácil e a estranha narrativa também pode não agradar a todos, mas vale a sessão para quem gosta de personagens que sofrem pela perda de um amor. 

Incrível Obsessão (Owning Mahowny, Canadá, 2007) – Nota 7
Direção – Richard Kwietniowski
Elenco – Philip Seymour Hoffman, Minnie Driver, John Hurt, Maury Chaykin, Ian Tracey, K. C. Collins, Sonja Smits.

Dan Mahowny (Philip Seymour Hoffman) é um gerente de banco considerado funcionário de confiança pelos superiores. Aparentemente uma pessoa correta e reservada, na verdade Dan é viciado em apostas. Quando sua situação financeira afunda, a compulsão de Dan o faz desviar dinheiro do banco para apostar, o que a princípio não gera consequência alguma, mas aos poucos o faz entrar num buraco sem saída. 

Este pouco conhecido longa é baseado na história real de umas da maiores fraudes bancárias da história do Canadá e tem na interpretação de Hoffman o ponto principal. Ele cria um personagem que aparenta ser ingênuo e solitário, mas na verdade esconde sua compulsão por trás desta máscara. 

É um filme pequeno, simples e com uma solução triste, porém esperada.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Vida de Balconista

Vida de Balconista (Brasil, 2009) – Nota 7,5
Direção – Cavi Borges & Pedro Monteiro
Elenco – Mateus Solano, Gregório Duvivier, Paula Braum, Miguel Thiré, Alamo Facó, Renata Tobelem.

Cavi Borges é dono de uma conhecida locadora no Rio de Janeiro que começou a produzir curtas em meados da década passada. Com incentivo de uma operadora de celulares, ele dirigiu vários curtas com o personagem “Mateus – O Balconista”, um atendente de locadora que precisa ter jogo de cintura para tratar clientes de todos os tipos. O sucesso da série fez com que Cavi se juntasse a Pedro Monteiro e com uma pequena verba conseguisse transformar as histórias em um longa. 

O filme se passa durante um dia na locadora onde Mateus conversa direto com a câmera fazendo comentários irônicos sobre os estranhos frequentadores do local. Cavi se baseou em histórias e personagens que passaram por sua locadora durante mais de uma década. Mateus precisa ajudar um cinéfilo indeciso, tem de lidar com um cliente caloteiro, com outro que curte filmes de sacanagem, com um sujeito chato que reclama e não aluga filme algum, com uma jovem fã do Van Damme e até com um fiscal picareta. 

Os pontos altos são interpretação de Mateus Solano, que faz caras e bocas que resumem bem seus sentimentos ao lidar com personagens engraçados e até patéticos, além de alguns diálogos deliciosos sobre cinema, principalmente sobre Tarantino, uma das inspirações do filme que rende uma divertida cena de sonho do personagem principal. 

O longa foi todo filmado com câmera digital utilizando uma lente angular, que a princípio deixa uma sensação estranha, como se estivéssemos vendo imagens de uma câmera de segurança, mas se torna perfeita com o desenrolar do filme e aproveita bem o pequeno cenário da locadora. 

Divertido e sem pretensão, o filme é um exemplo de como a frase “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão” está mais atual do que nunca.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Bombas - Comédias Ruins - Parte I

Desta vez na sessão Bombas, destaco em críticas rápidas dez comédias que não cumprem seu papel de fazer o espectador rir.

São filmes repetidos a exaustão na tv aberta durante os anos noventa, geralmente nas sessões da tarde.


As Incríveis Perípecias do Ônibus Atômico (The Big Bus, EUA, 1976) – Nota 5
Direção – James Frawley
Elenco – Joseph Bologna, Stockard Channing, John Beck, Rene Auberjonois, Ned Beatty, Bob Dishy, José Ferrer, Ruth Gordon, Harold Gould, Larry Hagman, Sally Kellerman, Richard Mulligan, Lynn Redgrave, Stuart Margolin.

Um cientista (Joseph Bologna) constrói uma ônibus movido a energia nuclear e para provar que sua invenção funciona com segurança, parte para uma viagem sem paradas entre Nova York e Denver, porém uma série de sabotagens pelo caminho põe em risco o sucesso da viagem, inclusive uma bomba é colocada no veículo. O longa é uma sátira aos filmes catástrofe que faziam sucesso na época e aos road movies, com algumas sequências engraçadas e nada mais que isso. A curiosidade é o elenco recheado de rostos conhecidos da época.

A Incrível Mulher que Encolheu (The Incredible Shrinking Woman, EUA, 1981) – Nota 5,5
Direção – Joel Schumacher
Elenco – Lily Tomlin, Charles Grodin, Ned Beatty, Henry Gibson, Elizabeth Wilson, Pamela Bellwood, John Glover.

Uma dona de casa (Lily Tomlin) ao misturar vários produtos de limpeza começa a diminuir de tamanho até ficar minúscula. Seu marido (Charles Grodin) fica desesperado e tenta a todo custo descobrir como reverter o processo. Ele encontrará ajuda em um excêntrico cientista (Henry Gibson). Este foi o primeiro longa para o cinema de Joel Schumacher, que escolheu refilmar um clássico B dos anos cinquenta chamado “O Incrível Homem que Encolheu”. O resultado é apenas razoável, com efeitos especiais que envelheceram e algumas boas piadas a cargo de Lily Tomlin. 

Wacko – Uma Comédia Maluca (Wacko, EUA, 1982) – Nota 2
Direção – Greydon Clark
Elenco – Joe Don Baker, Stella Stevens, George Kennedy, Julia Duffy, Scott McGinnis.

O sucesso de “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu” gerou vários longas que seguiam o estilo de paródia e dos que assisti, este “Wacko” com certeza é um dos piores. A trama tem como protagonista um detetive (Joe Don Baker) que não dorme nunca e que tem como objetivo descobrir quem é o “Assassino do Cortador de Grama”. Este fio de história é o início de um filme bizarro, com cenas absurdas parodiando filmes de sucesso da época como “O Exorcista”, “A Profecia” e “Alien”, porém sem a mínima graça.

Loucademia de Combate (Combat High, EUA, 1986) – Nota 4
Direção – Neal Israel
Elenco – Keith Gordon, Wallace Langham, Robert Culp, Elya Baskin, George Clooney, Danny Nucci, Jamie Farr.

Dois jovens delinquentes (Keith Gordon e Wallace Langham) são condenados a cumprir pena de um ano numa academia militar. Esta comédia para tv que segue o estilo criado por “Loucademia de Polícia”, transfere a ação para o exército e consegue ser ainda mais fraca. O filme tem algumas curiosidades: O diretor Neil Israel no ano anterior comandou o engraçado “A Última Festa de Solteiro” com Tom Hanks e depois de vários filmes ruins, seguiu carreira na tv. O protagonista com cara de nerd Keith Gordon abandonou a carreira de ator e se tornou um bom diretor em filmes como “Noites Calmas” e “A Guerra do Chocolate” e até em episódios do seriado “Dexter”. Já Wallace Langham que hoje é figura carimbada em séries de tv, aqui assinava ainda como Wally Ward.    

Agente Zero Zero Nada (The Trouble with Spies, EUA, 1987) – Nota 4
Direção – Burt Kennedy
Elenco – Donald Sutherland, Ned Beatty, Ruth Gordon, Lucy Gutteridge, Michael Hordern, Robert Morley, Gregory Sierra.

Um espião inglês (Donald Sutherland) é enviado para Ibiza com o objetivo de investigar o desaparecimento de outro espião. Num hotel de luxo ele se envolverá com os estranhos clientes e sofrerá algumas tentativas de assassinato. Esta tentativa de parodiar os filmes de James Bond é um desperdício do talento de Sutherland e não provoca riso algum. O falecido diretor Burt Kennedy era especialista em westerns, o que mostra que sua escolha para dirigir uma paródia foi um grande equivoco. 

Elvira, a Rainha das Trevas (Elvira: Mistress of the Dark, EUA, 1988) – Nota 5
Direção – James Signorelli
Elenco – Cassandra Peterson, W. Morgan Sheppard, Daniel Green, Jeff Conaway.

Elvira (Cassandra Peterson) é a apresentadora de um programa de terror trash que recebe como herança de um tia distante uma mansão numa pequena cidade. O objetivo de Elvira é vender a mansão, porém um tio (W. Morgan Sheppard) também quer sua parte na herança. Além disso, sua figura exótica espanta os moradores do local. A personagem Elvira surgiu em um programa de tv e teve algum sucesso, principalmente pelos seios enormes, o que resultou nesta comédia totalmente trash, com piadas sobre terror e sexo. 

Deu a Louca nas Federais (Feds, EUA, 1988) – Nota 4,5
Direção – Dan Goldberg
Elenco – Rebecca DeMornay, Mary Gross, Ken Marshall, Fred Dalton Thompson, Tony Longo.

Uma advogada (Mary Gross) e uma ex-militar (Rebecca DeMornay) se inscrevem no curso para agente do FBI e precisam passar por um duro treinamento, além de enfrentar o machismo dos colegas de curso. O roteiro tem até uma premissa curiosa, utilizando personagens que são opostas, onde uma seria o cérebro e a outra os músculos, porém tudo vai por terra em virtude do roteiro cheio de clichês, os diálogos idiotas e as cenas de ação forçadas. Rebecca DeMornay ainda fez carreira, já Mary Gross não vingou, assim como o ator Ken Marshall que havia protagonizado a ficção cult “Krull” e depois desapareceu.

Um Detetive do Outro Mundo (Second Sight, EUA, 1989) – Nota 4
Direção – Joel Zwick
Elenco – John Larroquette, Bronson Pinchot, Bess Armstrong, Stuart Pankin, James Tolkan.

O detetive Wills (John Larroquette) é contratado por uma freira (Bess Armstrong) para localizar uma menina desaparecida, ao mesmo tempo terá de trabalhar com o excêntrico Bobby (Bronson Pinchot), um sujeito que recebe um espírito que ajuda em suas investigações. Esta comédia paranormal foi uma tentativa frustrada de utilizar a fama na época de John Larroquette (“Night Court”) e Bronson Pinchot (“Primo Cruzado”) que eram astros de seriados de tv.

A Casa Maluca (Madhouse, EUA, 1990) – Nota 4
Direção – Tom Ropelewski
Elenco – John Larroquette, Kirstie Alley, Alison La Placa, Jessica Lundy, Bradley Gregg, Dennis Miller, John Diehl, Robert Ginty.

O casal Bannister (John Larroquette e Kirstie Alley) precisa lidar com parentes que chegam para visitar sua casa e que decidem passar alguns dias no local, além de vizinhos complicados e problemas de trabalho. Outra comédia que utilizou atores de seriados de tv e fracassou merecidamente, tendo uma história que ao invés de fazer rir, chega a irritar o espectador em algumas sequências. 

Por Que Eu? (Why Me? EUA, 1990) – Nota 5,5
Direção – Gene Quintano
Elenco – Christopher Lambert, Christopher Lloyd, Kim Greist, J. T. Walsh, Michael J. Pollard, Tony Plana, John Hancock.

Dois ladrões (Christopher Lambert e Christopher Lloyd) roubam uma antiga joia do tesouro Bizantino e juntos com a namorada do primeiro (Kim Greist) acabam perseguidos pela polícia, a CIA, terroristas e até agentes turcos. O longa mistura perseguição, correria e comédia numa típica sessão da tarde. Por escolhas ruins como esta, a carreira do astro Christopher Lambert afundou.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Loucos de Amor & 28 Dias


Loucos de Amor (She’s So Lovely, EUA, 1997) – Nota 6
Direção – Nick Cassavetes
Elenco – Sean Penn, Robin Wright Penn, John Travolta, Harry Dean Stanton, Debi Mazar, James Gandolfini, Gena Rowlands, Talia Shire, Burt Young.

Eddie Quinn (Sean Penn) e sua esposa Maureen (Robin Wright Penn) vivem uma confusa relação regada a sexo, drogas e bebidas. Quando Eddie desaparece por alguns dias, Maureen que estava grávida pede ajuda a um vizinho (James Gandolfini), porém os dois começam a beber e o sujeito tenta estuprá-la. Quando Eddie retorna para casa e descobre o que houve, ele mata o vizinho e acaba preso. 

Dez anos depois, Maureen está casada com Joey (John Travolta) e tem três filhas, sendo a mais velha filha de Eddie. Maureen largou o vicio e vive feliz, porém sua vida vira de ponta cabeça quando Eddie sai da prisão e reaparece em sua vida. 

Este longa é um drama pesado sobre amor entre duas pessoas instáveis que acreditam terem nascido uma para outra, mesmo que juntas vivam um verdadeiro inferno. Mesmo com Sean Penn tendo boa interpretação novamente num papel de desajustado, infelizmente isso para segurar o filme, que em boa parte se torna exagerado, com sequências que se transformam em melodrama.

28 Dias (28 Days, EUA, 2000) – Nota 6
Direção – Betty Thomas
Elenco – Sandra Bullock, Viggo Mortensen, Dominique West, Elizabeth Perkins, Steve Buscemi, Azura Skye, Diane Ladd, Reni Santoni, Jean Marianne Baptiste.

A colunista de jornal Gwen Cummings (Sandra Bullock) leva uma vida louca. Adora festas e bebidas sem pensar nas consequências. Quando por diversão Gwen decide roubar uma limusine no casamento da irmã (Elizabeth Perkins) e se envolve num acidente, o fato faz com que ela aceite se internar numa clínica de reabilitação para um tratamento de vinte e oito dias onde terá de enfrentar seu problema e aprender a obedecer regras. 

Numa análise rápida o filme pode lembrar o clássico “Um Estranho no Nome”, em virtude dos excêntricos coadjuvantes internados na clínica, mas longe de ser um drama pesado, o longa tem uma história batida sobre mudança de comportamento que utiliza todos os clichês do gênero, inclusive inserindo um interesse romântico no personagem de Viggo Mortensen. 

Simples, correto e totalmente descartável, é o tipo de filme para assistir e esquecer rapidamente.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Tetro

Tetro (Tetro, EUA / Argentina, 2009) – Nota 7
Direção – Francis Ford Coppola
Elenco – Vincent Gallo, Alden Ehrenreich, Maribel Verdú, Klaus Maria Brandauer, Rodrigo De la Serna, Silvia Pérez, Leticia Brédice, Sofia Gala, Mike Amigorena, Carmen Maura.

O jovem Bennie (Alden Ehrenreich) chega de navio a Buenos Aires para reencontrar o irmão Angelo (Vincent Gallo) após muitos anos de separação. Bennie é bem recebido pela doce Miranda (Maribel Verdú), namorada de seu irmão, porém o instável Angelo, que agora quer ser chamado de Tetro (seu sobrenome é Tetrocini) parece não aceitar a presença do jovem. 

Angelo abandonou os Estados Unidos para viver um ano em outro local com o objetivo de escrever um livro, porém não mais retornou ao país e cortou laços com a família, principalmente com o pai, o famoso maestro Carlo Tetrocini (Klaus Maria Brandauer). 

Coppola se inspirou em sua própria vida familiar para escrever o roteiro, sendo que ele teve uma  convivência difícil com o irmão e foi testemunha da rivalidade entre seu pai e tio (aqui também interpretado por Brandauer) que eram músicos. 

Coppola não trabalhava com roteiro próprio desde “A Conversação” em 1976 e parece ter desanimado do trabalho de diretor após os fracos “Jack” e “O Homem que Fazia Chover”. Sua volta a direção foi no pequeno “Velha Juventude”, longa que eu ainda não conferi, mas este trabalho seguinte está muito mais para o cinema independente do que para as grandes produções que costumava comandar. 

A história é simples e tem até um pequena surpresa no final, além de ter como ponto positivo a bela fotografia em preto e branco (apenas as sequências em flashback são em cores) que mostra o bairro pobre da Boca na Argentina como um local de cultura. Mesmo sem indicar o ano em que se passa a trama, fica a sensação de estarmos nos anos cinquenta. 

Os destaques do elenco são Maribel Verdú (“E Sua Mãe Também”), Rodrigo De la Serna (“Diários de Motocicleta”) e Letícia Brédice (“Nove Rainhas”), os dois últimos como atores de uma pequena trupe teatral composta por amigos de Angelo. 

O jovem Alden Ehrenreich não atrapalha, mas por outro lado é difícil engolir o estilo Vincent Gallo de atuar. Procuro não ter preconceitos com atores ou atrizes, mas o sujeito é um mala que em todo filme exagera no estilo dramático, querendo se mostrar cool e rebelde. 

O interessante é mesmo ver o outrora grande Francis Ford Coppola, sujeito de um ego enorme, dirigindo um filme pequeno.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Sal de Prata

Sal de Prata (Brasil, 2005) – Nota 6
Direção – Carlos Gerbase
Elenco – Maria Fernanda Cândido, Camila Pitanga, Marcos Breda, Bruno Garcia, Janaína Kremer, Júlio Andrade, Nelson Diniz, Maitê Proença.

Rudi Veronese (Marcos Breda) é um cineasta que tenta fazer carreira, mas tem grande dificuldade para conseguir filmar seus roteiros. Durante uma discussão sobre regras para um concurso de curta metragens, Rudi sofre um ataque do coração e morre. 

Sua namorada Cátia (Maria Fernanda Cândido) é uma executiva de finanças que nunca se interessou a fundo pelo trabalho de Rudi, porém após a morte do sujeito, ela encontra alguns roteiros no computador do namorado, fato que desperta a atenção de outros cineastas amigos de Rudy. Curiosa, Cátia começa a ler os roteiros e encontra situações que acreditam terem sido inspiradas na sua relação com Rudi, além de passar a desconfiar que ele tinha um caso com a atriz Cassandra (Camila Pitanga), ao mesmo tempo em que ela própria era amante de Valdo (Bruno Garcia), um cineasta famoso. Aos poucos, Cátia passa a confundir sua vida com os roteiros do namorado. 

A premissa do roteiro escrito pelo próprio Gerbase é quase uma homenagem aos candidatos a cineastas, que sofrem com a falta de dinheiro para transformar seus roteiros em filmes, além de discutir em algumas sequências a transformação do cinema em película para a era digital, fato que diminui os custos e facilita o caminho para jovens cineastas finalizarem seus trabalhos. 

É interessante também a situação da descoberta do roteiro do falecido, que é visto com entusiamos pelos amigos, mas que logo desistem do projeto. Um deles prefere fazer comerciais para ganhar a vida e o outro é um sujeito que não tem controle algum do dinheiro. 

O ponto falho é a tentativa de mostrar o filme dentro do filme, transformando as cenas do roteiro lido por Cátia em sequências na mente da personagem, misturando com a montagem de um longa capitaneado por Cátia através das cenas filmadas pelos cineastas amigos de Rudi , fatos que resultam numa parte final confusa e pretensiosa. Além disso é complicado aceitar a mudança de comportamento de Cátia, que a princípio não entende nada de cinema, mas no final se transforma em cineasta.