sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Revista Set

A revista Set foi publicada durante vinte e dois anos, de julho/1987 a setembro/2009 e marcou época como um grande veículo de informações para os cinéfilos brasileiros.

Lembro quando um colega de trabalho apareceu com a revista nº 1 (foto da capa ao lado) com Mickey Rourke na capa, ele que era o astro do momento após o grande sucesso de "Nove e Meia Semanas de Amor".

Numa época em que não existia internet, a tv por assinatura ainda não havia chegado ao país e o provavelmente o único programa sobre cinema e vídeo no Brasil foi o ótimo Cinemania apresentado por Wilson Cunha e que foi ao ar de 1988 a 2003 na extinta TV Manchete, a Set se transformou em revista obrigatória para os cinéfilos.

Tenho a coleção completa, inclusive com algumas edições especiais de Terror e Ficção e posso afirmar que muito do meu conhecimento sobre cinema vem desta revista. Hoje falta espaço para guardar a coleção, por isso ela está na casa de minha mãe. As vezes até penso em vendê-la, mas o lado sentimental é contrário.

Nos primeiros anos a revista trazia um encarte com cartazes originais de clássicos do cinema, com a ficha técnica completa na parte de trás do cartaz, material de primeira qualidade que muitas pessoas fizeram coleção.

Outro ponto positivo nos primeiros anos era o enfoque. Além de dar atenção aos grandes lançamentos, a revista também trazia comentários dos diversos lançamentos em vídeo (vhs), que explodiram na época com a popularização do videocassete e a chegada das grandes distribuidoras ao mercado. Lembro por exemplo que a MGM entrou no mercado do Brasil com um pouco de atraso, mas mesmo assim explodiu nas vendas lançando logo de cara toda a coleção 007.

A revista apresentava ótimas matérias também sobre clássicos do cinema, filmes de arte e longas brasileiros. Foi assim que conheci mais sobre as carreiras de Kurosawa, Fellini, John Ford, Hitchcock, entre outros. Aprendi também como funcionavam as produções da Boca do Lixo e as grandes diferenças entre Hollywood e o cinema europeu.

Uma ótima sessão era a coluna de Dulce Damasceno de Brito, que viveu em Hollywood nos anos cinquenta, fez amizade com vários astros e estrelas e escrevia textos sobre aquela época com extrema simplicidade, muitas informações de bastidores e com muito carinho pelos amigos.

Com o passar dos anos a revista teve várias mudanças, inclusive de editores e colaboradores. O foco também mudou durante o tempo, aos poucos a revista produzido para o cinéfilo foi se transformando numa publicação voltada para o consumidor de cinema, aquele que deseja apenas as novidades, os grandes lançamentos.

O que comentarei a seguir é uma opinião pessoal sobre o fim da revista. A partir do início dos anos 2000, a revista se voltou totalmente para o cinema comercial, principalmente após o sucesso do primeiro "O Senhor dos Anéis" e de "O Homem-Aranha" em 2002, o longa que alavancou a Marvel e deu início a uma série de filmes de super heróis. Nesta época, o editor (não citarei o nome) e seus colabores basicamente transformaram a revista num reino de nerds, onde edição após edição apresentavam capas com novos blockbusters e entrevistas exclusivas com jovens atores e diretores destas produções, quase sempre feitas em outros países, em sets de filmagens, pré-estreias ou hotéis de luxo.

Voltando aos primeiros anos, muitas coisa publicada eram entrevistas traduzidas feitas por jornalistas estrangeiros ou por correspondentes brasileiros que vivam nos Estados Unidos e na Europa, e por sinal com um conteúdo melhor que a bajulação da última década.

Um dos motivos do fim da revista foi a crise do mercado editorial, mas analisando como administrador, não deixa de ser um absurdo gastar com viagens frequentes ao exterior para fazer uma entrevista, quando hoje existem diversos meios mais baratos para isso. Ao meu ver a revista se tornou um reino onde um pequeno grupo aproveitava as benesses, não se importando com os custos. Acredito que a revista poderia continuar circulando até hoje com uma qualidade melhor sem a necessidade destes gastos, com um política de pé no chão.

Além do conteúdo dos últimos anos, o que me chateou foi a forma como a revista acabou e um fato que presenciei, ou melhor, li no Orkut em 2009. De uma hora pra outra a revista sumiu e os assinantes foram abandonados, sem explicação alguma. Do nada apareceu um sujeito do Jornal do Brasil afirmando que o jornal comprou a revista e eles seriam os responsáveis por uma reformulação, deixando claro que havia um descontentamento com o editor anterior.

Fui pesquisar para entender melhor a situação e procurei a comunidade da Set no Orkut. Existia uma tópico principal no fórum onde vários assinantes e cinéfilos perguntavam sobre a situação. O dono da comunidade era o antigo editor da revista, que para minha surpresa respondia com no mínimo indelicadeza aos questionamentos, como se fosse o dono da verdade. Ficou claro que ele não aceitava perder o trono, era uma briga de egos.

Esta mudança durou duas ou três edições e logo o editor antigo, o sujeito do Orkut, anunciou que ele voltaria para revista. Uma última edição foi às bancas em setembro de 2009 com Brad Pitt na capa caracterizado pelo papel em "Bastardos Inglórios".

Algumas boatos apareceram sobre o retorno da revista, mas nada aconteceu. É uma pena que uma revista que marcou época e que tinha público fiel tenha acabado desta maneira.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Compramos um Zoológico

Compramos um Zoológico (We Bought a Zoo, EUA, 2011) – Nota 6,5
Direção – Cameron Crowe
Elenco – Matt Damon, Scarlett Johansson, Thomas Haden Church, Colin Ford, Maggie Elizabeth Jones, Angus Macfadyen, Elle Fanning, Patrick Fugit, John Michael Higgins, Carla Gallo, J. B.  Smoove.

Após perder a esposa que faleceu, o jornalista Benjamin Mee (Matt Damon) decide largar o emprego e mudar de casa com os dois filhos, a pequena Rosie (Maggie Elizabeth Jones) e o adolescente Dylan (Colin Ford). Ao procurar um novo lar, Benjamin chega ao uma antiga casa num local isolado, porém se assusta ao descobrir que na enorme propriedade existe um zoológico. A pequena Rosie se apaixona pelo local e Benjamim decide comprar a propriedade para assumir o decadente zoológico. Ele terá ainda de ficar com os funcionários, entre eles a bela cuidadora de animais Kelly (Scarlett Johansson).

Esta produção baseada numa história real é o típico filme família, que mesmo partindo de uma situação mais pesada (a morte da mãe), os demais problemas que aparecem durante a trama se resolvem após pequenas crises. 

Acredito que Matt Damon tenha escolhido o papel para dar uma pausa nos personagens de filmes de ação que se habituou a interpretar nos últimos anos e neste papel mais leve acaba não decepcionando. A presença de Scarlett Johansson vale pela beleza e o engraçado Thomas Haden Church acaba sendo pouco aproveitado no papel do irmão de Damon. 

Como previsão, acredito que o elenco juvenil tenha potencial para ter uma boa carreira. Elle Fanning (irmã da mais talentosa Dakota) e Colin Ford cumprem bem os papéis, mas o destaque maior vai para a pequenina Maggie Elizabeth Jones, extremamente simpática e esperta.   

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Atração Perigosa

Atração Perigosa (The Town, EUA, 2010) – Nota 8
Direção – Ben Affleck
Elenco – Ben Affleck, Rebecca Hall, Jon Hamm, Jeremy Renner, Blake Lively, Slaine, Owen Burke, Titus Welliver, Pete Postlethwaithe, Chris Cooper.

Os letreiros iniciais citam que o bairro de Charlestown em Boston é o local onde mais surgem assaltantes de banco nos Estados Unidos. No final, um letreiro semelhante cita que o roteiro não estava generalizando, porém ao mesmo tempo confirma a má fama do local. Esta curiosa informação é o ponto de partida para construção de um dos melhores filmes policiais dos últimos anos. 

Logo de início, quatro assaltantes utilizando máscaras de caveiras invadem um banco durante a chegada de um carro forte, roubam todo o dinheiro e ainda levam a gerente Claire (Rebecca Hall) como refém. A garota é abandonada intacta na beira do mar. 

O bando é liderado por Doug McRay (Ben Affeck), tendo como parceiros seu violento amigo James Coughlin (Jeremy Renner), o ladrão de carros Gloansy (Slaine) e o especialista em alarmes Desmond (Owen Burke). 

A situação fica complicada com a entrada do FBI na investigação e principalmente por que Doug se envolve com Claire, sem que ela saiba que ele liderou o assalto e a tomou como refém. 

O roteiro do próprio Ben Affleck em parceria com Peter Craig e Aaron Stockard não apresenta grandes surpresas, mas cria uma narrativa envolvente numa história que lembra uma caçada de gato e rato entre o personagem de Affleck e o agente do FBI interpretado por Jon Hamm. O roteiro ainda apresenta detalhes interessantes do passado do protagonista e enfoca como o ambiente influencia a escolha e o destino das pessoas. 

Além disso, vale destacar a forte atuação de Jeremy Renner e as pequenas mas importantes participações de Chris Cooper como o pai de Affleck e de Pete Postlethwaithe como um bandido conhecido como “o Florista”. Por sinal, o ator que faleceu pouco tempo depois já estava bastante abatido por causa da doença. 

O resultado é um ótimo longa que confirma o talento de Affleck na direção e no roteiro, sendo que neste segundo item ele já venceu o Oscar por “Gênio Indomável” em parceria com Matt Damon. 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Navigator - Uma Odisseia no Tempo

Navigator – Uma Odisseia no Tempo (The Navigator: A Medieval Odyssey, Austrália / Nova Zelândia, 1988) – Nota 8
Direção – Vincent Ward
Elenco – Bruce Lyons, Chris Haywood, Hamish McFarlane.

No século XIV na região da Cumbria (onde hoje é a Inglaterra), um pequeno povoado de mineradores sofre com a provável chegada da Peste Negra que assola toda a Europa. Um dos mineradores é Connor (Bruce Lyons), que foi enviado para analisar o alcance da doença e voltou rapidamente dizendo que ela está próxima. 

O desespero das pessoas faz com que acreditem nas visões do garoto Griffin (Hamish McFarlane), o irmão mais novo de Connor, que diz que a única saída para salvar o povoado da doença é cavar um túnel numa caverna que levará até uma cidade do outro lado do mundo. Griffin diz ainda que será necessário fincar uma cruz no topo de uma determinada igreja. Os mineradores aceitam cavar o túnel e para surpresa eles chegam em Auckland na Nova Zelândia em pleno século XX. 

A grande sacada do roteiro do próprio diretor Vincent Ward é mostrar as reações dos homens medievais frente ao mundo atual, tendo de enfrentar automóveis, pessoas e até um submarino para chegar ao objetivo, em situações que misturam drama, ficção e comédia. 

A produção de baixo orçamento não atrapalha a criatividade do diretor, que provavelmente teve carta branca para criar as curiosas sequências e incluir ainda pitadas de religião, viagem no tempo e uma narrativa diferente, quase poética em algumas sequências. 

Vale destacar a interpretação de Hamish McFarlane como o estranho garoto profeta, ator que não fez carreira. 

O longa se transformou em sucesso cult na época e fez o diretor Ward ser contratado para dirigir “Alien³”, porém ele acabou substituído por David Fincher e os novos roteiristas apenas usaram sua história como base para desenvolver o roteiro. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Wall Street - Poder e Cobiça & Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme


Wall Street – Poder e Cobiça (Wall Street, EUA, 1987) – Nota 7,5
Direção – Oliver Stone
Elenco – Michael Douglas, Charlie Sheen, Daryl Hannah, Martin Sheen, Sean Young, John C. McGinley, Hal Holbrook, Terence Stamp, James Spader, Saul Rubinek, James Karen.

Bud Fox (Charlie Sheen) é um jovem corretor de Wall Street extremamente ambicioso, que coloca como objetivo se aproximar de Gordon Gekko (Michael Douglas), um sujeito que ficou milionário investindo na Bolsa de Valores. Fox consegue se aproximar de Gekko e aos poucos conquista uma certa confiança do sujeito, além de encher o bolso de dinheiro. Com o passar do tempo, Fox percebe que muitas das atitudes de Gekko são imorais e até ilegais, situação que faz o jovem colocar em dúvida se a vida que está levando é a correta. 

Mesmo com um roteiro que não foge do lugar comum ao mostrar a relação entre mestre e aprendiz até a revolta do segundo, este longa pode ser considerado um marco ao mostrar como os anos oitenta mudaram a mentalidade dos jovens americanos, situação que por consequência se espalhou para o resto do mundo. 

Se nos anos sessenta e setenta a ideologia dos jovens era ser rebelde e mudar o mundo, os anos oitenta apresentaram a geração que deixou de lado estes pensamentos e os trocaram pelos bens materiais, sucesso profissional e dinheiro. O yuppies de Wall Street foram o grande exemplo desta mudança e aqui muito bem representados pelo personagem de Charlie Sheen e principalmente pelo arrogante Gordon Gekko de Michael Douglas, personagem que criou a frase “a ganância é boa” e que merecidamente lhe rendeu o Oscar. Estas mudanças permanecem até os dias de hoje, onde a competição pelo sucesso perssoal supera qualquer outra ideologia. 

Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (Wall Street, Money Never Sleeps, EUA, 2010) – Nota 7
Direção – Oliver Stone
Elenco – Michael Douglas, Shia Labeouf, Josh Brolin, Carey Mulligan, Frank Langella, Eli Wallach, Susan Sarandon, John Bedford Lloyd, Austin Pendleton, Vanessa Ferlito, Charlie Sheen.

Esta sequência do longa de 1987 começa com Gordon Gekko (Michael Douglas) saindo da prisão em 2001 após cumprir pena por crimes financeiros. O longa pula para 2008, quando o jovem Jake Moore (Shia Labeouf) tem um alto cargo no banco de investimentos de Louis Zabel (Frank Langella) e ao mesmo tempo namora Winnie Gekko (Carey Mulligan), filha de Gordon que não fala com o pai há quase uma década. 

Esperto mas ainda inexperiente, Jake se surpreende quando o banco onde trabalha entra em colapso e Zabel comete suicídio. Enquanto isso, Gekko se transformou em escritor para contar sua experiência de vida e apresentar palestras onde tenta mostrar que quem comanda o mundo financeiro nos dias de hoje é muito pior do que ele. Jake procura se aproximar de Gekko e descobre que Zabel se matou por ter sido humilhado por outro banqueiro, o canalha Bretton James (Josh Brolin), fato que o faz pensar em vingança. 

Se o filme original focava basicamente na especulação financeira, numa época em Wall Street era o Olimpo da economia, esta sequência mostra as consequências da decisão de um país em deixar de lado a produção e acreditar que apenas o mercado financeiro sustentaria a economia. A trama aqui se passa no meio do colapso americano que entre 2007 e 2008 afundou a economia do país, tendo como gota d’água a chamada “bolha imobiliária”. 

O roteiro mostra como grandes banqueiros ainda conseguiram lucrar com a crise, espalhando o terror através de boatos e fazendo o governo americano liberar uma verba absurda para salvar a economia. O fato é representando pelo personagem de Josh Brolin e seu relacionamento como o cabeça do Banco Federal Americano interpretado por John Bedford Lloyd. 

Stone acerta ao mostrar como contexto atual os chamados “grandes jogadores” não estão preocupados apenas com o dinheiro, mas sim como o poder e a sensação de vencer uma disputa e humilhar o concorrente. 

No elenco vale destacar Michael Douglas novamente bem de volta ao papel de Gekko, Josh Brolin também acerta como inescrupuloso banqueiro, porém Shia Labeouf e Carey Mulligan estão apenas corretos. A pequena participação do personagem de Charlie Sheen é curiosa e não se pode deixar de citar o veteraníssimo Eli Wallach, que do alto dos seu noventa e cinco anos interpreta um banqueiro mentor do personagem de Brolin, que cria um interessante sinal para finalizar suas ideias. 

Destaco ainda a ótima trilha sonora recheada de canções de David Byrne, vocalista da banda Talking Heads, umas das grandes dos anos oitenta.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Paraísos Artificiais

Paraísos Artificiais (Brasil, 2012) – Nota 6
Direção – Marcos Prado
Elenco – Nathalia Dill, Luca Bianchi, Livia de Bueno, Bernardo Melo Barreto, César Cardadeiro, Divana Brandão, Emílio Orciollo Neto, Roney Villela, Cadu Fávero.

Dividindo a narrativa em três épocas diferentes, o produtor Marcos Prado que estreava na direção de um longa conseguiu irritar muita gente ao colocar no roteiro raso diversos temas como sexo, drogas, amor, punição, família, juventude perdida e as festas rave. 

A história começa com Nando (Luca Bianchi) saindo da prisão e voltando para a casa da mãe e do irmão mais novo. Quando ele encontra drogas no quarto do irmão, começa a recordar seu passado. A partir daí a trama se divide em duas narrativas, a primeira se passa no litoral de Pernambuco, onde Nando e seu amigo Patrick (Bernando Melo Barreto) se divertem numa festa rave em uma praia isolada, onde também estão as amigas Érika (Nathalia Dill) e Lara (Livia de Bueno). A segunda se passa dois anos depois, quando os dois amigos estão em Amsterdam na Holanda, ao mesmo tempo em que Érika trabalha como DJ em um casa noturna. Nando e Érika acabam se envolvendo e aos poucos o espectador é apresentado aos segredos do passado dos personagens. 

A produção é extremamente bem cuidada, com uma bela fotografia que aproveita as paisagens naturais do litoral do nordeste, as cenas de sexo são sensíveis e bem filmadas, mas o roteiro exagera nas coincidências e não se aprofunda em tema algum. Muitas situações são claramente referências a filmes famosos. As cenas da rave em câmera lenta lembram “Matrix Reloaded”, as drogas no aeroporto vem de “O Expresso da Meia-Noite”, a crise familiar de Nando copia “A Outra História Americana” e assim por diante. 

Estes clichês irritaram os críticos, as cenas da festa rave regada a drogas, bebidas e sexo irritaram os frequentadores do movimento que se sentiram ofendidos por serem tratados como inconsequentes e por final os moralistas ficaram indignados com as cenas de sexo. 

Concordo que os clichês atrapalharam o filme, assim como o inexpressivo elenco, com exceção da bela Nathalia Dill que cria a melhor personagem da trama, além de ser bonita e ter uma belo corpo, mas como citei anteriormente, as cenas de sexo são bem filmadas e não merecem críticas, já sobre a questão das drogas, não vi esta generalização que muitos citaram, entendo que bebidas, drogas e sexo fácil estão presentes em todo tipo de festa, sejam nas raves ou nas atuais e concorridas baladas com sertanejo e forró universitário ou o funk carioca. 

O filme tem como ponto positivo gerar uma discussão complexa, mesmo que no geral os temas sejam tratados de forma artificial, semelhante ao título do longa.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Zeitgeist: Moving Forward

Zeitgeist: Moving Forward (Zeitgeist: Moving Forward, EUA, 2011) – Nota 7,5
Direção – Peter Joseph
Documentário

Em 2007, o diretor Peter Joseph lançou diretamente na Internet o documentário “Zeitgeist” (leia postagem aqui), que trazia discussões interessantes sobre a origem e a influência das religiões no controle das massas e como o governo americano utilizava estes preceitos para justificar as novas guerras que tem como objetivo principal o lucro. 

O sucesso do documentário fez com que o Movimento Zeitgeist liderado pelo próprio Joseph chamasse a atenção e uma continuação fosse inevitável. Um ano depois ele lançou “Zeitgeist Addendum”, que na sua primeira parte focava principalmente nos malefícios do sistema econômico americano e por consequência mundial. A parte final apresentava o “Projeto Vênus”, uma proposta criada pelo quase centenário Jacque Fresco, um sujeito com conhecimento em arquitetura, designer e educação que sonha em criar uma sociedade com foco na cooperação social, na tecnologia e na ciência sem envolvimento do capital. Seria uma sociedade onde os bens de consumo estariam a disposição das pessoas sem custo, mas com responsabilidade. 

A utopia de Fresco e o movimento contra a economia de Joseph aparentemente se juntaram e renderam este terceiro documentário que com o depoimento de especialistas cita como a desigualdade existente no mundo capitalista leva a fome, a pobreza, a violência e também como os recursos naturais estão sendo explorados a exaustão, sem preocupação alguma com o meio ambiente. A primeira parte toca nestas questões de modo didático e esclarecedor, deixando a segunda parte para mostrar mais a fundo o mundo utópico de Fresco. 

A curiosidade está nas informações que encontrei pesquisando sobre o documentário. Assim que ele foi lançado no início de 2011, Fresco e sua esposa Roxanne Meadows reclamaram que Peter Joseph não deu os créditos devidos pelas suas ideias e teria se apoderado dos conceitos, como se eles tivessem sido criados pelo Movimento Zetgeist. O fato gerou uma ruptura entre os grupos e no meio disso surgiram diversos militantes reclamando dos dois lados, alguns afirmando que o ego de Fresco falou mais alto e que ele deseja ser lembrado como alguém que criou algo novo para a humanidade, enquanto outros alegam que Joseph não sabe como transformar seu movimento em algo real. 

Analisando como espectador, fica claro que por melhor que sejam as ideias apresentadas aqui, sendo muitas delas extremamente interessantes, uma sociedade voltada para a cooperação social sem capital não passa mesmo de uma utopia, já que os próprios defensores das ideias não se entendem e brigam por causa do ego e provavelmente de dinheiro.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Aeon Flux & Ultravioleta


Aeon Flux (Aeon Flux, EUA, 2005) – Nota 5,5
Direção – Karyn Kusama
Elenco – Charlize Theron, Marton Csokas, Jonny Lee Miller, Sophie Okonedo, Frances McDormand, Peter Postlethwaite, Amelia Warner.

Em 2011, um virus matou 99% da população. No século XXV, os sobreviventes vivem numa cidade chamada Bregna. Neste contexto, Aeon Flux (Charlize Theron) é uma assassina que pertence a um grupo liderado por Handler (Frances McDormand) e que recebe a missão de assassinar o governante da cidade, Trevor Goodchild (Marton Csokas), porém ela falha por acreditar ter uma ligação com o sujeito. 

Baseada numa animação da MTV, esta produção fracassou nas bilheterias em virtude do roteiro fraco, muito criticado por alterar os conceitos das animação, pelas interpretações ruins e pela fraca direção de Karyn Kusama. As cenas de luta até que são bem feitas, mostram a elasticidade de Charlize Theron e copiam o estilo “Matrix” sem exagerar. 

O filme se torna razoável para quem não conhece a série e que procura apenas uma diversão passageira exigindo pouco.   

Ultravioleta (Ultraviolet, EUA, 2006) – Nota 4
Direção – Kurt Wimmer
Elenco – Mila Jovovich, Cameron Bright, Nick Chinlund, William Fichtner, Sebastian Andrieu.

No final do século XXI, uma mutação genética transforma humanos em hematófagos, pessoas com características de vampiro, principalmente com força e reflexos maiores que os humanos normais. Com o aumento do número de pessoas com esta mutação, o governo liderado por Daxus (Nick Chinlund) “cria” um garoto (Cameron Bright) com o objetivo de usá-lo para exterminar os hematófagos,  porém a rebelede Violet (Mila Jovovich) seqüestra o menino acreditando que ele também possa a ser a cura da sua condição e por este motivo passa a ser perseguida por todos. 

A história não chega a ser absurda em razão do gênero, porém o desenrolar do roteiro é confuso e as cenas de ação são cópias descaradas de “Matrix”, inclusive abusando da câmera lenta. 

A presença de Mila Jovovich vale apenas para admirarmos as suas curvas e a barriguinha enxuta que ela deixa a mostra boa parte do filme, mas tirando isso sobra pouco para diversão.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Outland - Comando Titânio & O Som do Trovão


Outland – Comando Titânio (Outland, EUA, 1981) – Nota 7
Direção – Peter Hyams
Elenco – Sean Connery, Peter Boyle, Frances Sternhagen, James B. Sikking, Clarke Peters, Steven Berkoff, Kika Markham, John Ratzenberger.

No futuro, uma corporação colonizou Jupiter e um dos seus satélites foi transformado em campo de mineração. Quando mortes começam a ocorrer, um novo xerife (Sean Connery) é enviado ao local e rapidamente entre em conflito com o responsável pela mineração (Peter Boyle), que na verdade faz contrabando de uma poderosa droga. 

Esta interessante ficção utiliza uma história típica de western, em parte do clássico “Matar ou Morrer”, para criar uma trama onde um sujeito precisa enfrentar bandidos sem apoio algum da população, inclusive sendo obrigado a aguardar a chegada dos que seriam seus assassinos. A diferença aqui é que o roteiro do diretor Peter Hyams transportou a trama para o espaço, aproveitando o gênero ficção que estava em alta na época, ao contrário do western. 

No geral é um bom filme que prende a atenção com um montagem ágil e ainda cria boas cenas de ação interpretadas com competência por Sean Connery. 

O Som do Trovão (A Sound of Thunder, EUA / Alemanha / República Tcheca, 2005) – Nota 5,5
Direção – Peter Hyams
Elenco – Edward Burns, Catherine McCormack, Ben Kingsley, Jemina Rooper, David Oyeyowo, Jeike Makatsch.

Em 2055, os milionários podem gastar seu dinheiro viajando no tempo para caçar dinossauros. A lei é nunca trazer algo do passado, seja objeto ou animal, além disso o animal a ser caçado deve estar prestes a morrer, para que o fato não altere o ecossistema. Durante uma caçada liderada por Travis (Edward Burns), alguém resolve não cumprir a regra e altera drasticamente o presente. Travis é obrigado a retornar ao passado para tentar descobrir o que foi modificado durante a caçada. 

Esta produção baseada num conto de Ray Bradbury foi extremamente confusa e resultou num grande fracasso que afundou a carreira do diretor Peter Hyams, que por sinal já não vinha bem. O filme foi rodado em 2002, porém a produtora que bancava o longa faliu e a Warner não gostou da montagem final. O projeto foi engavetado e acabou lançado apenas em 2005, onde rendeu menos de dois milhões após ter custado cinquenta e dois. 

O fracasso é explicado pelas falhas no roteiro, os efeitos especiais fracos e o elenco ruim, inclusive o ótimo Ben Kingsley que parece apenas cumprir seu papel por obrigação.  

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Uma Ponte Longe Demais

Uma Ponte Longe Demais (A Bridge Too Far, EUA, 1977) – Nota 8
Direção – Richard Attenborough
Elenco – Dirk Bogarde, James Caan, Michael Caine, Sean Connery, Robert Redford, Elliott Gould, Laurence Olivier, Ryan O’Neal, Liv Ullmann, Edward Fox, Gene Hackman, Anthony Hopkins, Maximilian Schell, Hardy Kruger, Denholm Elliott.

No final de 1944, após a invasão da Normandia, os aliados tentaram dar o golpe final para vencer a 2º Guerra Mundial através de um plano ousado. A estratégia era enviar paraquedistas além das linhas inimigas para estes dominarem algumas pontes na Holanda que eram fundamentais para os alemães transportarem armas, combustível e alimentos para seus soldados. A estratégia fracassou em parte, primeiro porque não fez com a Alemanha se rendesse naquele momento e principalmente pelo grande número de soldados que morreram na ação. 

O filme de Richard Attenborgou (que se consagraria cinco anos depois com “Ghandi”) dificilmente é listado entre os melhores de guerra já realizados, porém entre virtudes e defeitos resulta num ótimo filme, principalmente na parte técnica, com cenas de ação grandiosas e muito bem filmadas. 

O roteiro é simples, sem surpresas e tenta dividir a importância dos personagens na trama, que tem um elenco recheado de astros. Caan, Connery, Caine, Gould, Redford, Olivier, Hackman e O’Neill estavam no auge do carreira e protagonizaram vários grandes filmes na época, o que nos dias de hoje praticamente inviabilizaria um projeto ousado e caro como este. 

A sessão vale para quem gosta do gênero e principalmente de filmes longos, a duração deste clássico é de quase três horas.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Wallander

Wallander (Wallander, Inglaterra, 2008, 2010 e 2012)
Elenco - Kenneth Branagh, Sarah Smart, Richard McCabe, Jeany Spark, Sadie Shimmin, Tom Hiddleston, David Warner.

Baseado em livros do escritor sueco Henning Mankell, esta série inglesa é um nova versão de uma série sueca que rendeu vinte e sete episódios.

Aqui foram produzidos nove episódios de uma hora e meia cada, sendo divididos em três temporadas exibidas pela BBC em 2008, 2010 e 2012.

A história tem como protagonista o detetive Kurt Wallander (Kenneth Branagh), que vive na pequena cidade de Ystad na Suécia, onde precisa lidar com complexos casos de assassinatos. Wallander passa por uma fase pessoal difícil. Sua esposa o abandonou para viver com outro homem, seu relacionamento com a filha (Jeany Spark) é complicado, assim como a relação com o pai (David Warner), um pintor excêntrico que sofre de Alzheimer.

Mesmo sendo uma produção inglesa, esta versão é toda filmada no interior da Suécia, utilizando como cenários as belas paisagens do país, como as praias desertas, bosques e as casas de campo em meio a estradas isoladas.

Os roteiros são bem elaborados, prendem a atenção não somente pelas investigações, mas também pelas questões pessoais do protagonista, que é um sujeito que tem dificuldades em demonstrar seuss sentimentos, ao mesmo tempo em que se envolve emocionalmente com os casos que investiga.

A narrativa é até certo ponto lenta, o que se casa perfeitamente com o ritmo de vida do local. Não esperem cenas de ação, mesmo com algumas trocas de tiros e mortes violentas, o ponto principal é o drama que envolve os crimes.

A série tem ainda bons coadjuvantes interpretando detetives que trabalham com Wallander, como a doce Anne-Britt (Sarah Smart) e o rival Magnus Martinsson (Tom Hiddleston), que tem papéis importantes nos episódios.

Ainda não tive oportunidade de conferir a série original, mas se for do mesmo nível desta versão inglesa, com certeza é uma ótima diversão.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Dramas Sobre Doenças - Parte Final

Na primeira parte desta postagem (clique aqui para ler) comentei cinco filmes onde o tema principal é a luta de um personagem contra alguma doença.

Aqui comento outro seis filmes, alguns são melodramas exagerados, mas pelo menos os dois primeiros apresentam emoção na medida certa, sem apelar para forçar o choro fácil do espectador.

Uma Prova de Amor (My Sister’s Keeper, EUA, 2009) – Nota 7,5
Direção – Nick Cassavetes
Elenco – Cameron Diaz, Abigail Breslin, Jason Patric, Sofia Vassilieva, Evan Ellingson, Alec Baldwin, Joan Cusack, Heather Wahlquist, Thomas Dekker, David Thornton, Emily Deschanel.

Aos onze anos, Anna Fitzgerald (Abigail Breslin) decide contratar um advogado (Alec Baldwin) para conseguir e emancipação do seu corpo. Traduzindo, ela deseja ter o poder de decidir sobre doar ou não um rim para sua irmã Kate (Sofia Vassielieva). O problema é que Kate é uma adolescente que sofre com a leucemia desde criança e seus pais (Cameron Diaz e Jason Patric) decidiram ter Anna para que ela fosse utilizada como doadora de medula, sangue e outras situações que pudessem salvar Kate, já que eles e o irmão Jesse (Evan Ellingson) não eram compatíveis. 

O roteiro do próprio diretor Nick Cassavetes em parceria com Jeremy Leven tem a seu favor não apelar para o melodrama, colocando ainda como discussão a pergunta “até onde se pode chegar para tentar salvar uma vida?”. Não existem heróis ou vilões entre os personagens, mas sim uma situação crítica onde a mãe deseja lutar pela vida da filha a todo custo, mesmo que acabe usando a outra filha como cobaia e deixe o filho de lado. O pai interpretado por Jason Patric é quase um espectador, que mesmo apoiando a esposa sabe que seu casamento está em segundo plano e assim tenta apenas viver dia após dia. 

Mesmo com os coadjuvante vividos por Alec Baldwin e Joan Cusack (a juíza) sendo interessantes e cada um tendo uma história pessoal, o julgamento se torna menor e até desnecessária em relação a questão principal da doença e das relações familiares. 

Finalizando, vale destacar a atuação de Abigail Breslin, que trabalhou em “Sinais” e brilhou no ótimo “Pequena Miss Sunshine”. Ela novamente mostra que tem potencial para se tornar uma ótima atriz. 

Tempo de Recomeçar (Life as a House, EUA, 2001) – Nota 7,5
Direção – Irwin Winkler 
Elenco – Kevin Kline, Kristin Scott Thomas, Hayden Christensen, Jena Malone, Jamey Sheridan, Scott Bakula, Sam Robards, John Pankow, Mary Steenburgen, Ian Somerhalder, Mike Weinberg, Scotty Leavenworth. 

O arquiteto George Monroe (Kevin Kline) descobre que está doente e que tem pouco tempo de vida. O fato faz com que ele mude suas prioridades. Ele que sempre colocou o trabalhou à frente de sua vida pessoal, decide tentar construir algo antes de partir. Ele procura se aproximar do filho (Hayden Christensen) com quem tem um relacionamento ruim e com a ex-esposa (Kristin Scott Thomas). Numa espécie de metáfora de vida, George decide ainda construir uma casa à beira mar, sonho que sempre teve, mas alegava não ter tempo para realizar. 

O roteiro é sem surpresas, mas o filme tem a seu favor o carisma de Kevin Kline para criar um personagem que agrada ao público ao tentar reparar erros do passado antes de partir. Kristin Scott Thomas e Jena Malone tem bons desempenhos como sempre, já Hayden Christensen tem uma atuação apagada, como sempre também. 

Doce Novembro (Sweet November, EUA, 2001) – Nota 6
Direção – Pat O’Connor
Elenco – Keanu Reeves, Charlize Theron, Jason Isaacs, Greg Germann, Liam Aiken, Robert Joy, Lauren Graham, Frannk Langella, Ray Baker.

O executivo Nelson Moss (Keanu Reeves) é um sujeito que pensa apenas em trabalho. Quando precisa renovar a carteira de habilitação, acaba conhecendo de modo confuso a bela Sara (Charlize Theron), por quem sente-se atraído. A garota é o oposto de Nelson, não se liga em bens materiais e deseja apenas viver. Para surpresa de Nelson, Sara o convida a passar um mês com ela, o novembro do título, sem saber que a garota guarda um triste segredo. 

Apesar de ser uma refilmagem de “Por Toda a Minha Vida” de 1968, este longa lembra muito “Outono em Nova York” produzido um ano antes. A história é esquemática e ainda tem o quase sempre inexpressivo Keanu Reeves no papel principal. Os pontos altos são a beleza e a interpretação sensível de Charlize Theron e nada mais que isso. 

Outono em Nova York (Autumn in New York, EUA, 2000) – Nota 5
Direção – Joan Chen
Elenco – Richard Gere, Winona Ryder, Anthony LaPaglia, Vera Farmiga, Elaine Stritch, Sherry Stringfield, Jill Hennessy, J. K. Simmons, Sam Trammell, Mary Beth Hurt.

O solteirão Will Kane (Richard Gere) está na casa dos cinquenta anos e não pensa em relacionamento sério. Homem de várias mulheres, acaba conhecendo a jovem Charlotte (Winona Ryder) que tem a metade de sua idade. O que prometia ser mais um caso passageiro, se torna algo mais. Após pouco tempo a situação fica ainda mais séria, pois Will descobre que Charlotte tem um doença terminal. 

A bela fotografia que abusa das imagens de Nova York no outono não são suficientes para suprir as falhas de um longa feito especificamente para a plateia chorar, principalmente a ala feminina. Não demora para o melodrama dar as caras em meio a jantares em restaurantes caros, juras de amor e a total falta de química entre Gere e Ryder. Esta aventura da atriz Joan Chen na direção falha ao exagerar no drama.

Coração Indomável (Untamed Heart, EUA, 1993) – Nota 6,5
Direção – Tony Bill
Elenco – Christian Slater, Marisa Tomei, Rosie Perez, Kyle Secor, Willie Garson.

A garçonete Caroline (Marisa Tomei) é uma jovem que não deseja mais se apaixonar depois de sofrer várias desilusões. Para piorar, ela sofre uma tentativa de estupro, mas acaba salva por um colega de trabalho, o tímido Adam (Christian Slater). Aos poucos os dois iniciam uma relação, mas Adam não tem coragem de contar que sofre de um doença no coração. 

Drama romântico feito especialmente para emocionar casais apaixonados e principalmente mulheres, o longa foi uma tentativa fracassada de transformar a bela Marisa Tomei em estrela após ela vencer o Oscar de Atriz Coadjuvante pelo papel em “Meu Primo Vinnie” no ano anterior. Após ter feito muitos papéis ruins durante uma década, nos últimos anos Marisa Tomei escolheu trabalhos melhores provou ser uma boa atriz. Já Christian Slater não se firmou na carreira. 

Tudo Por Amor (Dying Young, EUA, 1991) – Nota 5
Direção – Joel Schumacher
Elenco – Julia Roberts, Campbell Scott, Vincent D’Onofrio, Colleen Dewhurst, Ellen Burstyn, David Selby.

Victor Geddes (Campbell Scott) é um jovem de família rica que sofre de leucemia. A família contrata a jovem extrovertida Hillary (Julia Roberts) como enfermeira. O relacionamento profissional aproxima os dois que logo se envolvem, mesmo com o jovem tendo pouco tempo de vida e sua família sendo contra a relação. 

Julia Roberts ficou famosa após o sucesso de “Uma Linda Mulher”, porém em seguida fez algumas escolhas ruins como drama com suspense “Dormindo com o Inimigo” e este “Tudo Por Amor”. O filme fez muitas adolescentes apaixonadas chorarem e até algum sucesso no cinema, mas analisando com cinema, o resultado é um filme totalmente esquemático que abusa do melodrama.


domingo, 2 de dezembro de 2012

Intocáveis

Intocáveis (Intouchables, França, 2011) – Nota 8,5
Direção – Olivier Nakache & Eric Toledano
Elenco – François Cluzet, Omar Sy, Anne Le Ny, Audrey Flerot, Clotilde Mollet.

O milionário Philippe (François Cluzet) é um tetraplégico que vive em Paris numa mansão rodeada de empregados. Precisando contratar um novo enfermeiro, vários candidatos se apresentam, entre eles o imigrante senegalês Driss (Omar Sy), que deseja apenas que o homem assine um papel para comprovar que ele foi a entrevista e assim possa receber uma espécie de auxílio desemprego do governo. Para surpresa do falante Driss, Philippe decide contratá-lo como uma espécie de desafio. O fato faz a inusitada dupla dar início a uma amizade que irá além das diferenças físicas, culturais e financeiras. 

Esta comédia dramática baseada numa história real, bateu recordes de bilheteria e se tornou a produção francesa mais rentável da história. A explicação para o fenômeno está na perfeita química entre o veterano ator François Cluzet (“Por Volta da Meia-Noite”, “Surpresas do Coração”) e o desconhecido Omar Sy. Enquanto o personagem de Cluzet redescobre a alegria de viver contagiado pela força do amigo, Omar Sy cria com perfeição um jovem que adora a vida, mesmo tendo de enfrentar o desemprego e os problemas de uma família pobre. 

Outro positivo é o roteiro não apelar para o melodrama, fato que invariavelmente ocorre neste tipo de filme em Hollywood, que por sinal já comprou os direitos para uma refilmagem. 

Simples, sensível e com emoção na medida certa, este longa é uma agradável surpresa.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Primer

Primer (Primer, EUA, 2004) – Nota 8
Direção – Shane Carruth
Elenco – Shane Carruth, David Sullivan, Casey Gooden, Anand Upadhyaya.

Este filme independente que custou apenas sete mil dólares é um dos longas mais complexos da história do cinema. O diretor e ator principal Shane Carruth é um matemático que estava desanimado com a carreira e decidiu utilizar seus conhecimentos para escrever um roteiro que quebra a cabeça do espectador. Shane é ainda o produtor, editor e responsável pela boa trilha sonora. 

A história começa com quatro engenheiros que estão desenvolvendo um projeto na garagem da casa de um deles durante seus momentos de folga, já que todos trabalham para grandes empresas. Eles não sabem ao certo o que resultará o projeto, até que num determinado momento, Aaron (Shane Carruth) e Abe (David Sullivan) percebem que podem estar construindo algo grande. A dupla percebe também o desinteresse dos outros dois amigos e por este motivo decidem seguir o projeto sem eles. 

Esta primeira parte tem diálogos extremamente rápidos e incompreensíveis, quase todas as falas são termos técnicos de matemática, física e engenharia. A partir do momento em que Abe começa a revelar para Aaron o que desenvolveu sozinho, a perplexidade do personagem será a mesma da plateia. Este segredo teria tudo para transformar o longa numa ficção de suspense hollywodiano, porém Shane Carruth prefere criar uma ficção sem efeito especial algum, onde o inacreditável surge em pequenos detalhes, muitos deles imperceptíveis numa primeira sessão. Por enquanto assisti apenas uma vez e por isso a quantidade de dúvidas é enorme. 

Para não se aprofundar na trama, cito apenas que o filme lembra os ótimos “Pi” de Darren Aronofsky e “Donnie Darko” de Richard Kelly, porém bem mais complexo. Mesmo com as dúvidas sobre a trama, um filme que faz o espectador ficar dias pensando merece uma boa nota, mesmo que numa segunda sessão possa não ter o mesmo impacto.