quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Outland - Comando Titânio & O Som do Trovão


Outland – Comando Titânio (Outland, EUA, 1981) – Nota 7
Direção – Peter Hyams
Elenco – Sean Connery, Peter Boyle, Frances Sternhagen, James B. Sikking, Clarke Peters, Steven Berkoff, Kika Markham, John Ratzenberger.

No futuro, uma corporação colonizou Jupiter e um dos seus satélites foi transformado em campo de mineração. Quando mortes começam a ocorrer, um novo xerife (Sean Connery) é enviado ao local e rapidamente entre em conflito com o responsável pela mineração (Peter Boyle), que na verdade faz contrabando de uma poderosa droga. 

Esta interessante ficção utiliza uma história típica de western, em parte do clássico “Matar ou Morrer”, para criar uma trama onde um sujeito precisa enfrentar bandidos sem apoio algum da população, inclusive sendo obrigado a aguardar a chegada dos que seriam seus assassinos. A diferença aqui é que o roteiro do diretor Peter Hyams transportou a trama para o espaço, aproveitando o gênero ficção que estava em alta na época, ao contrário do western. 

No geral é um bom filme que prende a atenção com um montagem ágil e ainda cria boas cenas de ação interpretadas com competência por Sean Connery. 

O Som do Trovão (A Sound of Thunder, EUA / Alemanha / República Tcheca, 2005) – Nota 5,5
Direção – Peter Hyams
Elenco – Edward Burns, Catherine McCormack, Ben Kingsley, Jemina Rooper, David Oyeyowo, Jeike Makatsch.

Em 2055, os milionários podem gastar seu dinheiro viajando no tempo para caçar dinossauros. A lei é nunca trazer algo do passado, seja objeto ou animal, além disso o animal a ser caçado deve estar prestes a morrer, para que o fato não altere o ecossistema. Durante uma caçada liderada por Travis (Edward Burns), alguém resolve não cumprir a regra e altera drasticamente o presente. Travis é obrigado a retornar ao passado para tentar descobrir o que foi modificado durante a caçada. 

Esta produção baseada num conto de Ray Bradbury foi extremamente confusa e resultou num grande fracasso que afundou a carreira do diretor Peter Hyams, que por sinal já não vinha bem. O filme foi rodado em 2002, porém a produtora que bancava o longa faliu e a Warner não gostou da montagem final. O projeto foi engavetado e acabou lançado apenas em 2005, onde rendeu menos de dois milhões após ter custado cinquenta e dois. 

O fracasso é explicado pelas falhas no roteiro, os efeitos especiais fracos e o elenco ruim, inclusive o ótimo Ben Kingsley que parece apenas cumprir seu papel por obrigação.  

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Uma Ponte Longe Demais

Uma Ponte Longe Demais (A Bridge Too Far, EUA, 1977) – Nota 8
Direção – Richard Attenborough
Elenco – Dirk Bogarde, James Caan, Michael Caine, Sean Connery, Robert Redford, Elliott Gould, Laurence Olivier, Ryan O’Neal, Liv Ullmann, Edward Fox, Gene Hackman, Anthony Hopkins, Maximilian Schell, Hardy Kruger, Denholm Elliott.

No final de 1944, após a invasão da Normandia, os aliados tentaram dar o golpe final para vencer a 2º Guerra Mundial através de um plano ousado. A estratégia era enviar paraquedistas além das linhas inimigas para estes dominarem algumas pontes na Holanda que eram fundamentais para os alemães transportarem armas, combustível e alimentos para seus soldados. A estratégia fracassou em parte, primeiro porque não fez com a Alemanha se rendesse naquele momento e principalmente pelo grande número de soldados que morreram na ação. 

O filme de Richard Attenborgou (que se consagraria cinco anos depois com “Ghandi”) dificilmente é listado entre os melhores de guerra já realizados, porém entre virtudes e defeitos resulta num ótimo filme, principalmente na parte técnica, com cenas de ação grandiosas e muito bem filmadas. 

O roteiro é simples, sem surpresas e tenta dividir a importância dos personagens na trama, que tem um elenco recheado de astros. Caan, Connery, Caine, Gould, Redford, Olivier, Hackman e O’Neill estavam no auge do carreira e protagonizaram vários grandes filmes na época, o que nos dias de hoje praticamente inviabilizaria um projeto ousado e caro como este. 

A sessão vale para quem gosta do gênero e principalmente de filmes longos, a duração deste clássico é de quase três horas.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Wallander

Wallander (Wallander, Inglaterra, 2008, 2010 e 2012)
Elenco - Kenneth Branagh, Sarah Smart, Richard McCabe, Jeany Spark, Sadie Shimmin, Tom Hiddleston, David Warner.

Baseado em livros do escritor sueco Henning Mankell, esta série inglesa é um nova versão de uma série sueca que rendeu vinte e sete episódios.

Aqui foram produzidos nove episódios de uma hora e meia cada, sendo divididos em três temporadas exibidas pela BBC em 2008, 2010 e 2012.

A história tem como protagonista o detetive Kurt Wallander (Kenneth Branagh), que vive na pequena cidade de Ystad na Suécia, onde precisa lidar com complexos casos de assassinatos. Wallander passa por uma fase pessoal difícil. Sua esposa o abandonou para viver com outro homem, seu relacionamento com a filha (Jeany Spark) é complicado, assim como a relação com o pai (David Warner), um pintor excêntrico que sofre de Alzheimer.

Mesmo sendo uma produção inglesa, esta versão é toda filmada no interior da Suécia, utilizando como cenários as belas paisagens do país, como as praias desertas, bosques e as casas de campo em meio a estradas isoladas.

Os roteiros são bem elaborados, prendem a atenção não somente pelas investigações, mas também pelas questões pessoais do protagonista, que é um sujeito que tem dificuldades em demonstrar seuss sentimentos, ao mesmo tempo em que se envolve emocionalmente com os casos que investiga.

A narrativa é até certo ponto lenta, o que se casa perfeitamente com o ritmo de vida do local. Não esperem cenas de ação, mesmo com algumas trocas de tiros e mortes violentas, o ponto principal é o drama que envolve os crimes.

A série tem ainda bons coadjuvantes interpretando detetives que trabalham com Wallander, como a doce Anne-Britt (Sarah Smart) e o rival Magnus Martinsson (Tom Hiddleston), que tem papéis importantes nos episódios.

Ainda não tive oportunidade de conferir a série original, mas se for do mesmo nível desta versão inglesa, com certeza é uma ótima diversão.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Dramas Sobre Doenças - Parte Final

Na primeira parte desta postagem (clique aqui para ler) comentei cinco filmes onde o tema principal é a luta de um personagem contra alguma doença.

Aqui comento outro seis filmes, alguns são melodramas exagerados, mas pelo menos os dois primeiros apresentam emoção na medida certa, sem apelar para forçar o choro fácil do espectador.

Uma Prova de Amor (My Sister’s Keeper, EUA, 2009) – Nota 7,5
Direção – Nick Cassavetes
Elenco – Cameron Diaz, Abigail Breslin, Jason Patric, Sofia Vassilieva, Evan Ellingson, Alec Baldwin, Joan Cusack, Heather Wahlquist, Thomas Dekker, David Thornton, Emily Deschanel.

Aos onze anos, Anna Fitzgerald (Abigail Breslin) decide contratar um advogado (Alec Baldwin) para conseguir e emancipação do seu corpo. Traduzindo, ela deseja ter o poder de decidir sobre doar ou não um rim para sua irmã Kate (Sofia Vassielieva). O problema é que Kate é uma adolescente que sofre com a leucemia desde criança e seus pais (Cameron Diaz e Jason Patric) decidiram ter Anna para que ela fosse utilizada como doadora de medula, sangue e outras situações que pudessem salvar Kate, já que eles e o irmão Jesse (Evan Ellingson) não eram compatíveis. 

O roteiro do próprio diretor Nick Cassavetes em parceria com Jeremy Leven tem a seu favor não apelar para o melodrama, colocando ainda como discussão a pergunta “até onde se pode chegar para tentar salvar uma vida?”. Não existem heróis ou vilões entre os personagens, mas sim uma situação crítica onde a mãe deseja lutar pela vida da filha a todo custo, mesmo que acabe usando a outra filha como cobaia e deixe o filho de lado. O pai interpretado por Jason Patric é quase um espectador, que mesmo apoiando a esposa sabe que seu casamento está em segundo plano e assim tenta apenas viver dia após dia. 

Mesmo com os coadjuvante vividos por Alec Baldwin e Joan Cusack (a juíza) sendo interessantes e cada um tendo uma história pessoal, o julgamento se torna menor e até desnecessária em relação a questão principal da doença e das relações familiares. 

Finalizando, vale destacar a atuação de Abigail Breslin, que trabalhou em “Sinais” e brilhou no ótimo “Pequena Miss Sunshine”. Ela novamente mostra que tem potencial para se tornar uma ótima atriz. 

Tempo de Recomeçar (Life as a House, EUA, 2001) – Nota 7,5
Direção – Irwin Winkler 
Elenco – Kevin Kline, Kristin Scott Thomas, Hayden Christensen, Jena Malone, Jamey Sheridan, Scott Bakula, Sam Robards, John Pankow, Mary Steenburgen, Ian Somerhalder, Mike Weinberg, Scotty Leavenworth. 

O arquiteto George Monroe (Kevin Kline) descobre que está doente e que tem pouco tempo de vida. O fato faz com que ele mude suas prioridades. Ele que sempre colocou o trabalhou à frente de sua vida pessoal, decide tentar construir algo antes de partir. Ele procura se aproximar do filho (Hayden Christensen) com quem tem um relacionamento ruim e com a ex-esposa (Kristin Scott Thomas). Numa espécie de metáfora de vida, George decide ainda construir uma casa à beira mar, sonho que sempre teve, mas alegava não ter tempo para realizar. 

O roteiro é sem surpresas, mas o filme tem a seu favor o carisma de Kevin Kline para criar um personagem que agrada ao público ao tentar reparar erros do passado antes de partir. Kristin Scott Thomas e Jena Malone tem bons desempenhos como sempre, já Hayden Christensen tem uma atuação apagada, como sempre também. 

Doce Novembro (Sweet November, EUA, 2001) – Nota 6
Direção – Pat O’Connor
Elenco – Keanu Reeves, Charlize Theron, Jason Isaacs, Greg Germann, Liam Aiken, Robert Joy, Lauren Graham, Frannk Langella, Ray Baker.

O executivo Nelson Moss (Keanu Reeves) é um sujeito que pensa apenas em trabalho. Quando precisa renovar a carteira de habilitação, acaba conhecendo de modo confuso a bela Sara (Charlize Theron), por quem sente-se atraído. A garota é o oposto de Nelson, não se liga em bens materiais e deseja apenas viver. Para surpresa de Nelson, Sara o convida a passar um mês com ela, o novembro do título, sem saber que a garota guarda um triste segredo. 

Apesar de ser uma refilmagem de “Por Toda a Minha Vida” de 1968, este longa lembra muito “Outono em Nova York” produzido um ano antes. A história é esquemática e ainda tem o quase sempre inexpressivo Keanu Reeves no papel principal. Os pontos altos são a beleza e a interpretação sensível de Charlize Theron e nada mais que isso. 

Outono em Nova York (Autumn in New York, EUA, 2000) – Nota 5
Direção – Joan Chen
Elenco – Richard Gere, Winona Ryder, Anthony LaPaglia, Vera Farmiga, Elaine Stritch, Sherry Stringfield, Jill Hennessy, J. K. Simmons, Sam Trammell, Mary Beth Hurt.

O solteirão Will Kane (Richard Gere) está na casa dos cinquenta anos e não pensa em relacionamento sério. Homem de várias mulheres, acaba conhecendo a jovem Charlotte (Winona Ryder) que tem a metade de sua idade. O que prometia ser mais um caso passageiro, se torna algo mais. Após pouco tempo a situação fica ainda mais séria, pois Will descobre que Charlotte tem um doença terminal. 

A bela fotografia que abusa das imagens de Nova York no outono não são suficientes para suprir as falhas de um longa feito especificamente para a plateia chorar, principalmente a ala feminina. Não demora para o melodrama dar as caras em meio a jantares em restaurantes caros, juras de amor e a total falta de química entre Gere e Ryder. Esta aventura da atriz Joan Chen na direção falha ao exagerar no drama.

Coração Indomável (Untamed Heart, EUA, 1993) – Nota 6,5
Direção – Tony Bill
Elenco – Christian Slater, Marisa Tomei, Rosie Perez, Kyle Secor, Willie Garson.

A garçonete Caroline (Marisa Tomei) é uma jovem que não deseja mais se apaixonar depois de sofrer várias desilusões. Para piorar, ela sofre uma tentativa de estupro, mas acaba salva por um colega de trabalho, o tímido Adam (Christian Slater). Aos poucos os dois iniciam uma relação, mas Adam não tem coragem de contar que sofre de um doença no coração. 

Drama romântico feito especialmente para emocionar casais apaixonados e principalmente mulheres, o longa foi uma tentativa fracassada de transformar a bela Marisa Tomei em estrela após ela vencer o Oscar de Atriz Coadjuvante pelo papel em “Meu Primo Vinnie” no ano anterior. Após ter feito muitos papéis ruins durante uma década, nos últimos anos Marisa Tomei escolheu trabalhos melhores provou ser uma boa atriz. Já Christian Slater não se firmou na carreira. 

Tudo Por Amor (Dying Young, EUA, 1991) – Nota 5
Direção – Joel Schumacher
Elenco – Julia Roberts, Campbell Scott, Vincent D’Onofrio, Colleen Dewhurst, Ellen Burstyn, David Selby.

Victor Geddes (Campbell Scott) é um jovem de família rica que sofre de leucemia. A família contrata a jovem extrovertida Hillary (Julia Roberts) como enfermeira. O relacionamento profissional aproxima os dois que logo se envolvem, mesmo com o jovem tendo pouco tempo de vida e sua família sendo contra a relação. 

Julia Roberts ficou famosa após o sucesso de “Uma Linda Mulher”, porém em seguida fez algumas escolhas ruins como drama com suspense “Dormindo com o Inimigo” e este “Tudo Por Amor”. O filme fez muitas adolescentes apaixonadas chorarem e até algum sucesso no cinema, mas analisando com cinema, o resultado é um filme totalmente esquemático que abusa do melodrama.


domingo, 2 de dezembro de 2012

Intocáveis

Intocáveis (Intouchables, França, 2011) – Nota 8,5
Direção – Olivier Nakache & Eric Toledano
Elenco – François Cluzet, Omar Sy, Anne Le Ny, Audrey Flerot, Clotilde Mollet.

O milionário Philippe (François Cluzet) é um tetraplégico que vive em Paris numa mansão rodeada de empregados. Precisando contratar um novo enfermeiro, vários candidatos se apresentam, entre eles o imigrante senegalês Driss (Omar Sy), que deseja apenas que o homem assine um papel para comprovar que ele foi a entrevista e assim possa receber uma espécie de auxílio desemprego do governo. Para surpresa do falante Driss, Philippe decide contratá-lo como uma espécie de desafio. O fato faz a inusitada dupla dar início a uma amizade que irá além das diferenças físicas, culturais e financeiras. 

Esta comédia dramática baseada numa história real, bateu recordes de bilheteria e se tornou a produção francesa mais rentável da história. A explicação para o fenômeno está na perfeita química entre o veterano ator François Cluzet (“Por Volta da Meia-Noite”, “Surpresas do Coração”) e o desconhecido Omar Sy. Enquanto o personagem de Cluzet redescobre a alegria de viver contagiado pela força do amigo, Omar Sy cria com perfeição um jovem que adora a vida, mesmo tendo de enfrentar o desemprego e os problemas de uma família pobre. 

Outro positivo é o roteiro não apelar para o melodrama, fato que invariavelmente ocorre neste tipo de filme em Hollywood, que por sinal já comprou os direitos para uma refilmagem. 

Simples, sensível e com emoção na medida certa, este longa é uma agradável surpresa.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Primer

Primer (Primer, EUA, 2004) – Nota 8
Direção – Shane Carruth
Elenco – Shane Carruth, David Sullivan, Casey Gooden, Anand Upadhyaya.

Este filme independente que custou apenas sete mil dólares é um dos longas mais complexos da história do cinema. O diretor e ator principal Shane Carruth é um matemático que estava desanimado com a carreira e decidiu utilizar seus conhecimentos para escrever um roteiro que quebra a cabeça do espectador. Shane é ainda o produtor, editor e responsável pela boa trilha sonora. 

A história começa com quatro engenheiros que estão desenvolvendo um projeto na garagem da casa de um deles durante seus momentos de folga, já que todos trabalham para grandes empresas. Eles não sabem ao certo o que resultará o projeto, até que num determinado momento, Aaron (Shane Carruth) e Abe (David Sullivan) percebem que podem estar construindo algo grande. A dupla percebe também o desinteresse dos outros dois amigos e por este motivo decidem seguir o projeto sem eles. 

Esta primeira parte tem diálogos extremamente rápidos e incompreensíveis, quase todas as falas são termos técnicos de matemática, física e engenharia. A partir do momento em que Abe começa a revelar para Aaron o que desenvolveu sozinho, a perplexidade do personagem será a mesma da plateia. Este segredo teria tudo para transformar o longa numa ficção de suspense hollywodiano, porém Shane Carruth prefere criar uma ficção sem efeito especial algum, onde o inacreditável surge em pequenos detalhes, muitos deles imperceptíveis numa primeira sessão. Por enquanto assisti apenas uma vez e por isso a quantidade de dúvidas é enorme. 

Para não se aprofundar na trama, cito apenas que o filme lembra os ótimos “Pi” de Darren Aronofsky e “Donnie Darko” de Richard Kelly, porém bem mais complexo. Mesmo com as dúvidas sobre a trama, um filme que faz o espectador ficar dias pensando merece uma boa nota, mesmo que numa segunda sessão possa não ter o mesmo impacto.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Dominados Pelo Ódio & Os Cinco de Chicago


O diretor e produtor Roger Corman é uma lenda vida do cinema independente. Hoje com oitenta e seis anos, Corman continua na ativa, já tendo produzido em torno de quatrocentos filmes. 

Sua carreira de diretor é conhecida pelos filmes terror que fez nos anos sessenta, vários deles protagonizados por Vincent Price. Nestes filmes Corman trabalhou ainda com veteranos com Boris Karloff e Peter Lorre, mas também em outros trabalhos abriu as portas do cinema para figuras como Jack Nicholson, Bruce Dern, Jonathan Demme, Joe Dante e vários outros nomes que se tornaram famosos.

Além dos filmes de terror que comentarei em outra postagem, aqui cito dois trabalhos de Corman como diretor no gênero gângster. 

Dominados Pelo Ódio (Machine Gun Kelly, EUA, 1958) – Nota 6,5
Direção – Roger Corman
Elenco – Charles Bronson, Susan Cabot, Morey Amsterdam, Richard Devon, Jack Lambert, Frank DeKova.

George “Machine Gun” Kelly (Charles Bronson) é um violento ladrão de bancos que age com sua namorada Flo Becker (Susan Cabot) e alguns comparsas. Quando um assalto dá errado, o casal decide mudar o foco e arma o sequestro da filha de um milionário, porém a truculência de Kelly transforma seus comparsas em inimigos, o que dificulta ainda mais o plano. 

Apesar das interpretações exageradas, o roteiro é curioso ao mostrar o assaltante como um sujeito fraco, que responde com violência quando é contrariado, mas por outro lado morre de pavor quando vê qualquer símbolo que esteja ligado a morte, além de ser dominado pela namorada, esta sim a personagem mais forte da trama. Não deixa de ser estranho ver Charles Bronson apavorado quando vê um caixão ou a tatuagem de uma caveira na mão de um sujeito. 

Os Cinco de Chicago (Bloody Mama, EUA, 1970) – Nota 6
Direção – Roger Corman
Elenco – Shelley Winters, Don Stroud, Robert De Niro, Pat Hingle, Bruce Dern, Diane Versi, Robert Waldem, Scatman Crothers.

Nos anos trinta, Ma Barker (Shelley Winters) é a líder de uma quadrilha de assaltantes de bancos que aterroriza as cidades do sul dos Estados Unidos (o Chicago do título é invenção de algum tradutor), com um detalhe, os quatro comparsas são seus filhos. 

Extremamente violento e com pitadas de incesto e estupro, esta incursão de Corman ao gênero policial segue um estilo exagerado, inclusive na construção dos personagens, com Shelley Winters criando uma assaltante quase histérica. A atriz que começou no cinema nos anos quarenta, aqui já estava em uma fase onde engordou bastante e passou a aceitar papéis bem diferentes das mocinhas frágeis do início de carreira  

A curiosidade são as participações dos ainda jovens e desconhecidos Robert De Niro como o filho drogado e Bruce Dern como amigo de outro filho, que por sinal também é amante de Ma Barker.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Área Q

Área Q (Brasil / EUA, 2011) – Nota 5,5
Direção – Gerson Sanginitto
Elenco – Isaiah Washington, Murilo Rosa, Tânia Khalil, Ricardo Conti.

Em 1979, na cidade de Quixadá no interior do Ceará, João Batista (Murilo Rosa) sai de seu sítio para buscar leite e desaparece, voltando algum tempo depois alegando que fora abduzido. 

Trinta anos depois, o jornalista americano Thomas Matthews (Isaiah Washington), que procura o filho que também desapareceu, recebe uma proposta para fazer uma matéria sobre luzes misteriosas e curas milagrosas em Quixadá. Relutante e incrédulo, Thomas aceita vir ao Brasil porque precisa do dinheiro do trabalho. 

Thomas terá como guia Eliosvaldo (Ricardo Conti), que conta diversas histórias sobre eventos sem explicação na região e o leva para entrevistar as testemunhas. Os depoimentos e algumas coincidências fazem com que Thomas passe a acreditar que existe algo fora do normal no local. Ao mesmo tempo, Thomas se envolve com Walquiria (Tânia Khalil), uma jornalista que acredita que os fatos estranhos sejam apenas histórias para aumentar o turismo na região. 

Esta ficção com cara e roteiro de filme B dos anos cinquenta é ruim tecnicamente e primária em sua narrativa, mas se torna interessante pela curiosa história que mistura religião e extraterrestres ambientada num local como o interior do Ceará. 

O filme foi detonado pela crítica, que analisando friamente tem toda a razão, mas como cinéfilo que gosta de ficção e principalmente de filmes diferentes, posso dizer que foi até divertido encarar as bizarrices da trama e os “defeitos especiais”. 

As luzes das aparições parecem efeitos dos anos setenta e algumas soluções são inacreditáveis, como a cena em que o personagem de Murilo Rosa é abduzido. Ele está em uma carroça que de repente se vê no meio de uma ventania, porém apenas a árvore ao lado balança, enquanto as que estão no fundo da cena continuam paradas. 

Outro erro foi a escolha de Tânia Kahlil, atriz típica de novelas que interpreta pessimamente uma personagem mal inserida na trama que tem um segredo absurdo. 

A sessão vale a curiosidade para quem gosta de ficção B e filmes trash.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Rashomon

Rashomon (Rashomon, Japão, 1950) – Nota 8,5
Direção – Akira Kurosawa
Elenco – Toshiro Mifune, Machiko Kyô, Masayuki Mori, Takashi Shimura, Minoru Chiaki. Kichijiro Ueda.

Durante uma forte chuva, um rude aldeão (Kichijiro Ueda) procura se proteger debaixo de um portal abandonado na vila de Rashomon. No local, ele encontra um lenhador (Takashi Shimura) e um sacerdote (Minoru Chiaki) que aparentam tristeza. Os dois decidem contar porque estão tristes e cada um dá sua versão para um estupro seguido de assassinato no meio da floresta. 

Em seguida o espectador é apresentado a uma espécie de interrogatório, onde o assassino Tajomaru (Toshiro Mifune) e a jovem que foi violentada (Machiko Kyô) contam suas versões sobre o crime que culminou no assassinato do samurai marido da jovem (Masayuki Mori). Até mesmo a versão do samurai assassinado é contada através de um espírito que incorpora em uma mulher. 

Este longa dirigido por Akira Kurosawa venceu o Oscar de Filme Estrangeiro e foi o primeiro filme japonês a fazer sucesso mundial. A grande sacada é o roteiro do próprio Kurosawa, que mostra em flashback quatro versões do mesmo crime, deixando o espectador decidir qual a verdadeira. Cada personagem conta uma versão em que sua honra ficaria intacta, situação comum numa sociedade onde a honra era extremamente importante na época. 

Além disso, o roteiro é pessimista ao longo do filme, fazendo os personagens acreditarem apenas na maldade do ser humano, porém na sequência final Kurosawa deixa uma fio de esperança ao inserir um personagem que representa um futuro que pode ser melhor. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Ônibus 174

Ônibus 174 (Brasil, 2002) – Nota 8,5
Direção – José Padilha
Documentário

O diretor José Padilha ficou famoso pelos dois ótimos “Tropa de Elite”, porém seu nome surgiu para o cinema neste tenso documentário baseado na tragédia ocorrida em 12 de Junho de 2000 no Rio de Janeiro que ficou conhecida como “O Sequestro do Ônibus 174”. 

A mesma história rendeu o interessante longa “Última Parada 174” de Bruno Barreto, que tratava a vida do assaltante Sandro do Nascimento de forma romanceada. Aqui a abordagem é real e extremamente tensa. 

Para quem não lembra, a história começa nebulosa, até hoje não se sabe ao certo o que pretendia o ex-presidiário Sandro do Nascimento que tomou de refém vários passageiros dentro de um ônibus, o 174 do título e durante várias horas ameaçou matá-los, mesmo com o local cercado de policiais, jornalistas e curiosos. O rapaz totalmente alucinado, coloca a arma na cabeça de várias passageiras, até o trágico final no período da noite. 

Padilha intercala as cenas reais do sequestro, que foi transmitido ao vivo pelos canais de tv, com depoimentos de psicólogos, da assistente social que conhecia Sandro desde criança, de amigos que cresceram com o rapaz nas ruas, de policiais e até de um criminoso amigo do sujeito. 

O grande acerto de Padilha foi dar voz a todos os lados, criando uma discussão não para justificar o ato insano do rapaz, mas para entender suas motivações através da vida miserável que ele teve aquele dia. 

Além dos erros da polícia e da sede por sangue da imprensa e dos populares que estavam no local, fica para reflexão analisar a sociedade cruel em que vivemos, onde a desestruturação familiar, a exclusão e a falta de perspectivas geram centenas de jovens como Sandro, que acreditam não ter nada a perder, nem mesmo a própria vida.     

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Sem Medo de Viver & Passageiros


Sem Medo de Viver (Fearless, EUA, 1993) – Nota 8
Direção – Peter Weir
Elenco – Jeff Bridges, Isabella Rossellini, Rosie Perez, Tom Hulce, John Turturro, Benicio Del Toro, Deirdre O’Connell, John de Lancie.

Max Klein (Jeff Bridges) é um dos poucos sobreviventes de um acidente aéreo. A tragédia faz com que Max mude sua personalidade e passe a acreditar ser imortal. Ele larga o emprego, perde todos os medos e passa a viver situações de risco. Sua atitude faz com que se distancie da esposa Laura (Isabella Rossellini). O psiquiatra Bill Perlman (John Turturro) o acompanha no tratamento, mas para fazer com que ele volte a realidade, o médico o apresenta a outra sobrevivente do acidente, Carla (Rosie Perez), que perdeu o bebê na tragédia e encara seus traumas de modo completamente diferente de Max. 

Este belo e sensível longa de Peter Weir (“O Show de Truman”, “Caminho da Liberdade”) hoje está quase esquecido, porém é outro grande trabalho deste ótimo cineasta. O filme é valorizado pelas ótimas interpretações de Jeff Bridgges e até de Rosie Perez, um atriz normalmente exagerada, mas que aqui a acerta o tom do papel. Vale destacar ainda a cena do acidente aéreo, uma sequência assustadora.  

Passageiros (Passengers, EUA, 2008) – Nota 6
Direção – Rodrigo Garcia
Elenco – Anne Hathaway, Patrick Wilson, David Morse, Andre Braugher, Dianne Wiest, Clea DuVall, William B. Davis.

Após um acidente aéreo, os sobreviventes são encaminhados para tratamento com a psicóloga Claire (Anne Hathaway). Um dos sobreviventes é Eric (Patric Wilson), que diz se sentir bem e ao invés de aceitar o tratamento, sente-se atraído pela psicóloga. Os outros sobreviventes formam um grupo onde Claire tenta fazer com que eles relembrem o acidente para tentar superar o trauma. Quando um dos participantes do grupo desaparece, Claire começa a suspeitar que a companhia aérea esteja perseguindo os sobreviventes para encobrir a verdadeira causa do acidente. 

O diretor colombiano Rodrigo Garcia, filho do escritor Gabriel Garcia Marquez, não acerta o tom neste suspense que apresenta um roteiro repleto de clichês, que apela ainda para uma grande reviravolta final, porém que não é tão surpreendente assim. Além das várias pistas durante o filme, o cartaz original praticamente entrega a trama. 

É uma pena, a premissa tinha potencial e um elenco recheado de bons atores, mas após um interessante início, a cena em que Patrick Wilson anda pela praia ao lado do avião em chamas lembra o primeiro episódio de “Lost”, a narrativa torna-se arrastada e não se define entre drama e suspense.   

domingo, 25 de novembro de 2012

Leviathan

Leviathan (Leviathan, EUA, 1989) – Nota 4
Direção – George Pan Cosmatos
Elenco – Peter Weller, Richard Crenna, Amanda Pays, Daniel Stern, Ernie Hudson, Hector Elizondo, Michael Carmine, Lisa Eilbacher, Meg Foster.

Numa base no fundo do mar, um grupo de mineradores está nos últimos dias de trabalho após quase três meses isolados no local. Dois tripulantes (Amanda Pays e Daniel Stern) saem para uma missão de rotina, quando por acaso encontram um navio russo afundado, o Leviathan. Eles trazem para a base alguns objetos do navio, entre eles uma pequena garrafa de vodka que eles não imaginam estar contaminado com algo desconhecido, uma espécie de vírus que causa uma mutação genética em um dos tripulantes. Entre os objetos existe também uma fita de vídeo onde o comandante do navio russo diz não saber porque seus subordinados estão morrendo. 

O falecido diretor italiano de origem grega George Pan Cosmatos até dirigiu filmes interessantes como “Fuga para Atenas” e “Tombstone”, porém é mais conhecido por exageros como “Cobra” e “Rambo II – A Missão”, os dois em parceria com Stallone. Em “Leviathan” o nível é ainda pior. 

O longa é uma produção da família de Dino de Laurentiis, que filmou na Itália esta cópia descarada de vários filmes. De “Alien – O Oitavo Passageiro” temos um grupo de pessoas de várias etnias presas num local e um alien que se alimenta de sangue e carne. De “Aliens – O Resgate” copiaram a grande corporação corrupta e o striptease de Sigourney Weaver, agora por conta da inglesa Amanda Pays. E de “O Enigma do Outro Mundo” sugaram a cena do teste do sangue e o personagem do médico desconfiado que resolve salvar o mundo mesmo que tenha de matar os companheiros. 

Para tentar dar um ar de seriedade, foi contratado um elenco de atores americanos conhecidos, entre eles Peter Weller que vinha do sucesso de “Robocop” e Richard Crenna da série “Rambo”, que parecem não acreditar nos péssimos diálogos que foram obrigados a representar, que por incrível que pareça são creditados a David Webb Peoples, responsável pelos roteiros de grandes filmes como “Blade Runner”, “O Feitiço de Áquila” e “Os Imperdoáveis”. 

Contrataram ainda o falecido mestre dos efeitos especiais Stan Winston, que criou um monstro que basicamente era uma cópia do alien. 

Para completar a bomba, a sequência final é uma das mais absurdas da história do cinema. Não contarei para não estragar “a supresa” de quem tiver a curiosidade de assistir.

sábado, 24 de novembro de 2012

Líbano

Libano (Lebanon, Israel / França / Líbano / Alemanha, 2009) – Nota 8
Direção – Samuel Maoz
Elenco – Ioav Donat, Itay Tiran, Oshri Cohen, Michael Moshonov, Zohar Strauss.

Em junho de 1982, Israel invadiu o Líbano com o objetivo de expulsar os muçulmanos que estavam em guerra civil contra os católicos do país. 

O diretor israelense Samuel Maoz utiliza este cenário para mostrar a ação de quatro jovens soldados israelenses que no primeiro dia desta guerra recebem a missão de entrar no Líbano comandando um tanque e dando apoio para um grupo de soldados em terra. Os quatro jovens inexperientes imaginam que seria uma missão tranquila, porém logo são abordados por um oficial (Zohar Strauss) extremamente preocupado e não demora para descobrirem o inferno que terão de enfrentar. 

Este ótimo drama de guerra lembra “A Fera da Guerra” de Kevin Reynolds, longa sobre um grupo de soldados soviéticos no Afeganistão e o clássico “O Barco – Inferno no Mar” de Wolfgang Petersen, um claustrofóbico filme de guerra que se passa dentro de um submarino alemão durante a 2º Guerra Mundial. 

Aqui a  narrativa é tensa, principalmente nas discussões entre os jovens soldados, que além de inexperientes são totalmente inseguros, acentuada pela claustrofobia causada pelo pequeno espaço completamente sujo. 

A grande sacada do diretor foi mostrar a guerra pelo ponto de vista da mira do tanque. Os soldados dentro do tanque se deparam com o horror da guerra através algumas cenas extremamente fortes, como o desespero da mãe em busca da filha, o morte do motorista do caminhão das galinhas e a tocante sequência das lágrimas do burro. 

O roteiro apresenta ainda algumas situações sobre a questão política, citando a participação no conflito de sírios e das milícias árabes. 

Com pouco menos de uma hora e meia, este longa é uma pérola que mostra a estupidez da guerra.  

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Pat Garrett & Billy the Kid

Pat Garrett & Billy the Kid (Pat Garrett & Billy the Kid, EUA, 1973) – Nota 8
Direção – Sam Peckinpah
Elenco – James Coburn, Kris Kristofferson, Bob Dylan, Richard Jaeckel, Jason Robards, Katy Jurado, Chill Wills, Barry Sullivan, R. G. Armstrong, Luke Askew, John Beck, Matt Clark, Jack Elam, Emilio Fernandez, L. Q. Jones, Slim Pickens, Charles Martin Smith, Harry Dean Stanton, Rutanya Alda, Elisha Cook Jr, Dub Taylor.

Quando este longa foi produzido, o gênero western estava em decadência. Uma nova geração de cineastas (Coppola, Arthur Penn, Scorsese, entre outros) liderava as bilheterias com filmes urbanos e temáticas realistas. O diretor Sam Peckinpah que cinco anos antes havia comandado um dos últimos grandes westerns, o clássico “Meu Ódio Será Sua Herança”, resolveu voltar ao gênero num misto de homenagem e encerramento. Lógico que outros grandes westerns foram produzidos depois, porém de forma esporádica. 

Peckinpah escolheu escalar dois personagens míticos do western, o bandido Billy the Kid (Kris Kristofferson) e o xerife Pat Garrett (James Coburn), porém diferente dos clássicos que apresentavam duelos que envolviam até a honra, cavalgadas filmadas em planos abertos e música eletrizante, aqui ele mostra um oeste em fase de mudança, onde os velhos tempos em que homens duros decidiam suas vidas à bala estavam acabando e agora a lei se fazia presente. 

Este conflito é marcado pelos personagens principais que eram grandes amigos, mas a chegada dos novos tempos fez com que Pat Garrett mudasse de lado e se tornasse inimigo de Billy the Kid, que por seu lado não aceitava as mudanças que estavam por vir. Esta situação fica clara no desconforto que Garrett sente ao perseguir seu amigo, ele sabe que precisa cumprir seu papel de xerife, mas no fundo entende que se matar Billy estará matando um parte de si próprio. 

Outro ponto interessante é a escolha de Bob Dylan, seu papel é quase de um espectador dentro do filme, tendo sua verdadeira força na trilha sonora. Várias de suas músicas pontuam o longa, inclusive a clássica "Knockin' on Heaven's Door" que é tocada em momentos importantes. 

O roteiro marca o fim de uma era, já a homenagem ao gênero está nos diversos coadjuvantes que passam pela tela. A lista de atores que fizeram quase toda a carreira em westerns é grande: Jack Elam, Chill Wills, R. G. Armstrong, Luke Askew, Emilio Fernandez, Slim Pickens, Elisha Cook Jr e Dub Taylor. Para a geração atual são nomes e rostos desconhecidos, mas para os fãs do gênero são figuras carimbadas que merecem a homenagem.