quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Histórias Mínimas

Histórias Mínimas (Historias Mínimas, Argentina, 2002) – Nota 8
Direção – Carlos Sorin
Elenco – Javier Lombardo, Antonio Benedicti, Javiera Bravo, Julia Solomonoff, Anibal Maldonado, Mariela Diaz.

Na pequena comunidade de Fitzroy, interior da Argentina na região da Patagônia, três personagens iniciam uma jornada em direção a cidade de San Julian, cada com um objetivo aparentemente simples, porém de grande importância pessoal. 

A jovem Maria (Javiera Bravo) é sorteada para participar de um programa de televisão onde concorrerá a prêmios. Preocupada em viajar com o filho pequeno e deixar o marido, ela acaba convencida por uma amiga (Mariela Diaz). 

O segundo personagem é Roberto (Javier Lombardo), um vendedor que viaja pelo país e prepara uma surpresa para o aniversário do filho de uma cliente por quem ele está apaixonado. 

O terceiro é mais sensível personagem é o idoso Dom Justo (Antonio Benedicti), que é proprietário de um mercadinho na beira da rodovia e vive com o filho e a nora. Quando um amigo avisa Dom Justo que seu cachorro Malacara que havia desaparecido há alguns anos está em um armazém em San Julian, o idoso decide viajar pedindo carona, já que seu filho não aprova que o pai viaje 300 km para buscar o cão. 

O roteiro de Pablo Solarz é extremamente sensível ao criar três histórias interpretadas por personagens comuns que levam uma vida simples numa região quase deserta. Durante a jornada, cada um dos protagonistas cruza com personagens interessantes, alguns que também estão viajando, como a bióloga Julia (Julia Solomonoff) e outros que abrem o coração para ajudar, como o mestre de obras Fermin (Anibal Maldonado). Vale destacar ainda a bela fotografia, que aproveita a paisagem natural das estradas da Patagônia. 

Como curiosidade, grande parte do elenco de apoio é formado por pessoas da região onde o longa foi filmado, inclusive o protagonista Antonio Benedicti, que interpreta com grande naturalidade o obstinado Dom Justo. Por sinal, este filme consta como único trabalho deste senhor como ator, assim como a jovem Javiera Bravo. 

O resultado é um pequeno grande filme que merece ser descoberto. 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O Poderoso Chefão III

O Poderoso Chefão III (The Godfather: Part III, EUA, 1990) – Nota 8
Direção – Francis Ford Coppola
Elenco – Al Pacino, Diane Keaton, Talia Shire, Andy Garcia, Eli Wallach, Joe Mantegna, George Hamilton, Bridget Fonda, Sofia Coppola, Raf Vallone, Helmut Berger, John Savage.

Nova York, 1979, Michael Corleone (Al Pacino) está separado de Kay (Diane Keaton), velho, sem boa saúde e tentando se redimir do seu passado criminoso através de algumas ações. Ao mesmo tempo em que faz um doação de cem milhões para a Igreja, Michael se envolve com a cúpula católica numa negociação que poderá dar a ele o controle do banco do Vaticano. 

Além disso, Michael precisa enfrentar um crise na sua família mafiosa. Através de sua irmã Connie (Talia Shire), Michael é apresentado a Vinnie (Andy Garcia), filho ilegítimo de seu falecido irmão Sonny. O problema é que Vinnie deseja ter voz ativa na família, mas tem uma disputa com outro mafioso (Joe Mantegna). 

Coppola demorou dezesseis anos  para comandar o fechamento da trilogia da família Corleone e provavelmente pela questão do timing, não conseguiu equiparar a qualidade das geniais partes I e II. Mesmo assim ele cria um bom espetáculo, que mostra um Michael Corleone velho e isolado, diferente do jovem furioso da parte II, que intimamente faz um levantamento de sua vida se arrependendo de ter estragado seu casamento e principalmente por ter mandado assassinar seu irmão Fredo. 

O elenco bem diferente dos filmes anteriores, tem como destaque a entrada de Andy Garcia e como ponto negativa a fraca atuação de Sofia Coppola. Por sinal, sua escolha foi detonada pela crítica na época e provavelmente foi um dos motivos que fez com que Sofia deixasse a carreira de atriz de lado e alguns anos depois seguisse o caminho da direção, onde se mostrou muito mais talentosa. 

O resultado é uma conclusão digna de umas maiores trilogias da história do cinema.    

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Thor

Thor (Thor, EUA, 2011) – Nota 6,5
Direção – Kenneth Branagh
Elenco – Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston, Anthony Hopkins, Stellan Skarsgard, Kat Dennings, Clark Gregg, Colm Feore, Idris Elba, Ray Stevenson, Tadanobu Asano, Josh Dallas, Jaimie Alexander, Rene Russo, Adriana Barraza, Jeremy Renner.

No planeta Asgard, o rei Odin (Anthony Hopkins) prepara seu primogênito, o príncipe Thor (Chris Hemsworth) para sucessão ao trono. Thor é um jovem impetuoso e arrogante, bem diferente de seu soturno irmão Loki (Tom Hiddleston). Quando o rei Laufy (Colm Feore), inimigo de Odin, envia alguns soldados para resgatar um objeto valioso em Asgard, Thor fica furioso e decide invadir o planeta de Laufy como vingança, levando seus amigos guerreiros. 

O fato irrita Odin, que como punição expulsa Thor de Asgard, o enviando para Terra e tirando seus poderes. Como um mero mortal, Thor encontra a cientista Jane (Natalie Portman), seu parceiro Erik (Stellan Skarsgard) e a ajudante Darcy (Kat Dennings) que a princípio não acreditam em sua história, mas aos poucos percebem que algo de verdade existe quando o governo envia a equipe secreta Shield para investigar o caso. 

Durante alguns anos a Marvel preparou a adaptação para o cinema de “Os Vingadores” e como estratégia produziu filmes com seus heróis como protagonistas solitários. Com uma quantidade grandes de produções, algumas situações se repetiram, porém com resultados irregulares. 

Por exemplo, "Thor" e "Capitão América" tem muita coisa em comum . Os dois filmes tem protagonistas fracos, roteiros cheios de clichês, boas cenas de ação e uma parte técnica exuberante. É o tipo de diversão descartável extremamente comum no cinema atual, onde os efeitos especiais e os cortes rápidos são trunfos do diretor para hipnotizar a plateia, sem grande preocupação em desenvolver melhor a história ou os personagens. 

O curioso aqui é que ainda tentaram dar um ar de seriedade ao escalar o ótimo ator inglês Kenneth Branagh na direção. Ele que comandou para o cinema boas adaptações de Shakespeare, além de “Frankestein de Mary Shelley” e “Voltar a Morrer”, até consegue melhorar um pouco a qualidade das interpretações com ajuda de Anthony Hopkins, que por sinal não precisa se esforçar para criar o mítico Odin e a surpresa de Tom Hiddleston, bom ator que interpreta Loki e que trabalhou com Brannagh na ótima série inglesa “Wallander”. 

O resultado é superior a “Capitão América”, mas fica bem abaixo em comparação com as melhores adaptações da Marvel, como “Homem de Ferro” e “Homem-Aranha”.

domingo, 11 de novembro de 2012

Os Mercenários (1968)

Os Mercenários (The Mercenaries ou Dark After Sun, EUA / Inglaterra, 1968) – Nota 7
Direção – Jack Cardiff
Elenco – Rod Taylor, Jim Brown, Yvette Mimieux, Peter Carsten, Kenneth More, André Morell, Olivier Despax, Calvin Lockhart.

O presidente do Congo (Calvin Lockhart) contrata a dupla de mercenários Currie (Rod Taylor) e Ruffo (Jim Brown) para viajarem até o interior do país  com o objetivo de resgatarem moradores de uma comunidade, além de transportarem com segurança um lote diamantes que vale milhões e está em poder do líder do local. O problema é que a região está tomada pelos Simbas, um grupo rebelde que tenta derrubar o governo. Para completar a missão, os mercenários levam um grupo de soldados liderados por um ex-oficial nazista (Peter Carsten). 

Típico filme de ação dos anos sessenta, com muitas cenas de tiroteios e violência, uma trama com pano de fundo político e a boa química entre o australiano Rod Taylor e o negro Jim Brown. Duas falhas atrapalham um pouco. A participação apenas como enfeite feminino da bela francesa Ivete Mimieux, que não agrega nada a trama e o final que mostra um remorso exagerado de um dos personagens. 

No geral é um filme que diverte, um bom passatempo sem compromisso.

sábado, 10 de novembro de 2012

Assalto ao 13º DP - 1976 & 2005


Assalto ao 13º DP (Assault on Precinct 13, EUA, 1976) – Nota 7,5
Direção – John Carpenter
Elenco – Austin Stoker, Darwin Joston, Laurie Zimmer, Martin West, Tony Burton, Charles Cyphers, Nancy Loomis.

Em Anderson na Califórnia, o 13º Distrito está sendo desativado e para encerrar as atividades é indicado o tenente Ethan Bishop (Austin Stoker), que tem o auxílio de duas jovens e um velho sargento. Pouco antes de anoitecer, um ônibus penitenciário que carrega três condenados que estão sendo transferidos a outra cadeia é obrigado a parar na delegacia porque um dos detentos está passando mal. Ao mesmo tempo, uma gangue se prepara para atacar a delegacia como retaliação a morte de alguns membros na noite anterior. Quando começa o ataque, policiais e presos condenados precisam se unir para sobreviver. 

Este foi o segundo longa do diretor John Carpenter (o primeiro foi “Dark Star”) e aqui já vemos os elementos que se tornaram comuns a sua filmografia. Temos a inconfundível trilha sonora criada por ele mesmo com sintetizadores, o clima de filme B e os personagens marcantes, mesmo que representados por canastrões, sendo que em vários de seus filmes Carpenter utiliza um ator branco e outro negro como protagonistas. 

O curioso é que o cerco a delegacia é feito por quase um exército de bandidos, que não falam nada e atacam furiosamente e sem medo, lembrando muito os zumbis dos longas de George Romero, outro mestre dos filmes B que com certeza influenciou Carpenter. 

Pelo estilo dos personagens, se o filme fosse produzido anos depois, com certeza Carpenter escalaria Kurt Russell como o detento condenado a morte que se une ao tenente negro. 

O resultado é um divertido filme B de ação.

Assalto ao 13º DP (Assault on Precinct 13, EUA / França, 2005) – Nota 7
Direção – Jean François Richet
Elenco – Ethan Hawke, Laurence Fishburne, Gabriel Byrne, John Leguizamo, Ja Rule, Drea DeMatteo, Brian Dennehy, Maria Bello, Matt Craven, Kim Coates, Dorian Harewood, Aisha Hinds, Titus Welliver.

Na véspera de ano novo, o 13º Distrito está prestes a ser desativado, com o sargento Jake (Ethan Hawke) sendo o responsável por organizar os guardas para vigiarem os presos na último noite no local. Os problemas começam quando um grupo policial que está transferindo o perigoso bandido Marion Bishop (Laurence Fishburne) não consegue atravessar a estrada cheia de neve e decide passar a noite na delegacia. O que eles não contavam é que o bando de Bishop cercaria o local com o objetivo de resgatar o sujeito. 

Esta refilmagem do longa B de John Carpenter é competente e se não tem o clima que Carpenter costuma dar a suas obras, pelo menos o diretor francês Jean François Richet consegue criar ótimas cenas de ação sem apelar para os exageros, com exceção da sequência final fora da delegacia. O elenco cheio de rostos conhecidos ajuda a dar uma cara diferente do original. 

Em relação as dezenas de refilmagens ruins dos últimos anos, este longa respeita se destaca por respeitar o original e não decepcionar como filme de ação. 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Para Roma, com Amor

Para Roma, com Amor (To Rome, with Love, EUA / Espanha / Itália, 2012) – Nota 7
Direção – Woody Allen
Elenco – Woody Allen, Judy Davis, Roberto Benigni, Jesse Eisenberg, Ellen Page, Alison Pill, Flavio Parenti, Alessandro Tiberi, Alessandra Mastronardi, Penélope Cruz, Alec Baldwin, Greta Gerwig, Fabio Armiliato.

Novamente tendo a Europa como palco, desta vez Woody Allen utiliza a beleza clássica de Roma para contar quatro histórias aleatórias que falam de amor, traição, desejo e celebridades misturando personagens americanos e italianos. 

A primeira trama apresenta um casal de americanos (Allen e Judy Davis) que viaja a Roma para conhecer o namorado da filha. Allen interpreta um produtor musical aposentado que por acaso ouve o sogro de sua filha cantando ópera no chuveiro e acredita que poderá transformar o sujeito em astro. O problema inusitado é que o homem somente consegue cantar tomando banho. 

A segunda história tem como protagonista Leopoldo (Roberto Benigni), um italiano burocrata que se torna celebridade, a princípio ficando assustado com a situação, mas que aos poucos passa a desfrutar da fama se entregando aos exageros das celebridades. 

A terceira trama segue o jovem Jack (Jesse Eisenberg) que mora com a namorada (Greta Gerwig) e estuda arquitetura. Quando ele encontra por acaso um famoso arquiteto americano (Alec Badwin), este passa a ser uma espécie de consciência sentimental do jovem ao dar opiniões cheias de sarcasmo sobre a chegada da complicada Monica (Ellen Page), um atriz desempregada que decide ficar alguns dias com o casal e por quem Jack se apaixona. 

A quarta história e mais fraca de todas tem um casal de jovens italianos (Alessandro Tiberi e Alessandra Mastronardi) que chegam a Roma após se casar com o objetivo de encontrarem os tios do jovem que lhe prometeram um emprego. Alguns desencontros fazem com que a moça se envolva com um ator canastrão e o jovem com uma prostituta (Penélope Cruz). 

As críticas não foram das melhores e realmente o filme é irregular, mas não deixará de agradar aos fãs de Allen. As quatro premissas são boas, mas nem todas se desenvolvem da melhor forma. 

Na minha opinião a melhor história é a primeira, principalmente quanto aos diálogos e as situações absurdas criadas pelo personagem de Allen para fazer o tenor cantar. 

A trama como Roberto Benigni é uma crítica a criação de celebridades, onde qualquer situação pode transformar um sujeito comum em astro e logo depois descartá-lo. Propositalmente o roteiro de Allen não dá explicação alguma para a situação, o que não deixa de estar perto da vida atual, onde qualquer um pode ter seus minutos de fama, mesmo que não tenha talento algum. 

A trama com Jesse Eisenberg é típica dos trabalhos de Allen, ao mostrar um sujeito comum que fica em dúvida entre a namorada leal e a aventura sexual, com o plus da pequena e ótima participação de Alec Baldwin. 

Como citei anteriormente, a fraca história do casal de italianos segue o estilo das comédias de costumes cheias de encontros e desencontros, porém falta carisma a dupla de atores, que são engolidos pela beleza selvagem de Penélope Cruz. 

Numa análise simples, o resultado pode ser considerando como quatro curtas que se transformaram num longa irregular.
      

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A Lenda do Tesouro Perdido: Livro dos Segredos

A Lenda do Tesouro Perdido: Livro dos Segredos (National Treasure: Book of Secrets, EUA, 2007) – Nota 6
Direção – Jon Turteltaub
Elenco – Nicolas Cage, Justin Bartha, Diane Kruger, Jon Voight, Ed Harris, Helen Mirren, Harvey Keitel, Bruce Greenwood, Ty Burrell, Albert Hall, Alicia Coppola.

Durante uma palestra, o historiador Ben Gates (Nicolas Cage) e seu pai Patrick (Jon Voight) são confrontados por Mitch Wilkinson (Ed Harris) que apresenta o pedaço de um documento que comprovaria a participação do avô de Patrick como mentor do assassinato de Abraham Lincoln. Para provar a inocência do ancestral, pai e filho decidem investigar o caso com a ajuda de Riley Poole (Justin Bartha) e da ex-namorada de Ben, Abigail Chase (Diane Kruger). A investigação leva o grupo ao Palácio de Buckingham em Londres, a Casa Branca e ao Monte Rushmore. 

O longa original era divertido e apesar dos furos no roteiro e alguns exageros o resultado era aceitável, porém esta continuação tem um roteiro primário com algumas sequências totalmente absurdas. É o tipo de filme para assistir com o cérebro desligado e assim tentar se divertir com os exageros. A premissa é legal, principalmente para quem gosta de história, mas quando os protagonistas conseguem entrar em alguns dos lugares mais protegidos do mundo de forma tranquila, fica difícil aceitar. 

Em comparação com o original vale destacar a presença de Helen Mirren num papel diferente do que costuma interpretar, fazendo a mãe de Nicolas Cage de uma forma divertida. A entrada de Ed Harris no elenco também poderia ser um plus, porém seu personagem sofre com o roteiro, que muda sua personalidade algumas vezes, ele passa de vilão a amigos dos protagonistas, volta a ser vilão e no final tem uma decisão que muda tudo novamente. Um roteiro decente poderia ter rendido uma aventura muito melhor.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A Morte de um Bookmaker Chinês

A Morte de um Bookmaker Chinês (The Killing of a Chinese Book, EUA, 1976) – Nota 7
Direção – John Cassavetes
Elenco – Ben Gazzara, Timothy Carey, Seymour Cassell, Robert Phillips, Morgan Woodward.

Cosmo Vitelli (Ben Gazzara) é o dono de uma boate em Los Angeles que anda rodeado por strippers e tem o vício do pôquer. Por conta deste vício, Cosmo fica devendo uma grande quantia a um bookmaker e seus parceiros. Sem dinheiro para pagar, Cosmo recebe uma proposta dos credores. Para diminuir sua dívida, ele teria de assassinar um rival do grupo, um bookmaker chinês que vive cercado de capangas em Chinatown. 

Para o público comum, o falecido John Cassavetes foi ator de alguma fama, tendo trabalhado em clássicos como “Os Assassinos”, “O Bebê de Rosemary” e “Os Doze Condenados”, porém sua carreira como diretor também foi marcante. Ainda no final dos anos cinquenta, ele procurou criar uma carreira fora do esquema de Hollywood e se aventurou na direção com “Sombras”. Nos anos sessenta e setenta ele comandou outros filmes independentes como “Faces” e “Uma Mulher Sob Influência”, que foram elogiados pelo crítica mas passaram longe do público. Seu filme mais popular com certeza é o drama policial “Gloria” de 1980, protagonizado por sua esposa Gena Rowlands e que foi refilmado com Sharon Stone no papel principal. 

Eu assisti apenas o interessante “Gloria” e este diferente “A Morte de um Bookmaker Chinês”, que lembra um pouco na temática os primeiros filmes de Scorsese, como “Caminhos Violentos”, mas segue um estilo diferente, onde a câmera de Cassavetes passeia livre por ângulos inusitados e mostra toda a fauna da noite e do submundo de Los Angeles nos anos setenta, longe do glamour dos bairros ricos da cidade. 

Está longe de ser um filme fácil, alguns diálogos chegam a ser filosóficos e ao mesmo tempo tristes, as situações fogem do estilo tradicional de Hollywood e os personagens são decadentes. 

Cassavetes pode ser considerado um visionário, numa época em que os filmes independentes eram raridades (poucos cineastas se arriscavam a produzir seus filmes, o principal nome independente era Roger Corman), ele entendeu que o cinema americano passaria por grandes mudanças e arriscou bancar seus próprios filmes e impor sua peculiar visão do cinema e da vida.   

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Obsessão Fatal & O Vizinho


Obsessão Fatal (Unlawful Entry, EUA, 1992) – Nota 6,5
Direção – Jonathan Kaplan
Elenco – Kurt Russell, Ray Liotta, Madeleine Stowe, Roger E. Mosley, Ken Lerner, Carmem Argenziano, Debora Offner.

O casal Michael (Kurt Russell) e Karen (Madeleine Stowe) chega em casa e descobre que ela fora assaltada. Eles chamam a polícia que envia o oficial Pete Davis (Ray Liotta). A princípio o policial se mostra atencioso e preocupado com a situação, inclusive se oferecendo para fazer uma ronda pelo bairro nos dias seguintes. O que o casal não esperava é que Pete começasse a se intrometer na vida deles, aparecendo em horas inoportunas e aparentemente tendo interesse na bela Karen. A situação se transforma num inferno para o casal, que precisa se defender do piscopata que se esconde atrás da farda de policial. 

Misto de suspense e policial com cara de filme de tv, este longa fez até um certo sucesso na época, principalmente por ter Kurt Russell no auge da carreira de Ray Liotta pouco tempo de depois de ficar famoso com “Os Bons Companheiros”.  

É um filme que prende atenção pelo incômodo da situação que cria uma tensão crescente, mas que o espectador acostumado com o gênero descobrirá o final rapidamente. 

O Vizinho (Lakeview Terrace, EUA, 2008) – Nota 6,5
Direção – Neil LaBute
Elenco – Samuel L. Jackson, Patrick Wilson, Kerry Washington, Ron Glass, Justin Chambers, Jay Hernandez.

O casal Chris (Patrick Wilson) e Lisa (Kerry Washington) compra uma casa num condomínio nos arredores de Los Angeles, porém a alegria pela aquisição do imóvel dura pouco. Logo eles descobrem que o vizinho é o policial Abel Turner (Samuel L. Jackson), um sujeito arrogante e racista que passa a atormentar a vida do casal. Turner não aceita que Chris sendo branco tenha um relacionamento com Kerry que é negra. As atitudes de Abel dão início a uma guerra entre vizinhos que não terminará bem. 

Briga entre vizinhos infelizmente é fato comum, mas aqui o roteiro aumenta a tensão incluindo a questão do racismo, mostrando inclusive que pessoas preconceituosas existem em todas as raças e locais. O desenrolar da trama é tenso, principalmente pela boa atuação de Samuel L. Jackson, perfeito como o policial cheio de rancor, que elege os vizinhos como inimigos. O filme perde pontos em virtude de falhas do roteiro, que apresenta coadjuvantes mal aproveitados, alguns que desaparecem da trama e a escolha de um final tipicamente hollywoodiano. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Crimes Temporais

Crimes Temporais (Los Cronocrimenes, Espanha, 2007) – Nota 8
Direção – Nacho Vigalondo
Elenco – Karra Elejalde, Candela Fernandez, Bárbara Goenaga, Nacho Vigalondo.

Hector (Karra Elejalde) e sua esposa Clara (Candela Fernandez) se mudam para uma casa num local isolado no interior da Espanha. Do quintal, Hector tem o hábito de utilizar um binóculo para ver a floresta que fica nos arredores de sua bela casa.

Durante uma espiada ele vê um bela jovem (Bárbara Goenaga) se despindo numa clareira. O fato desperta curiosidade e atração no sujeito de meia-idade, que decide vasculhar o local. Ele encontra a jovem aparentemente morta e do nada recebe uma tesourada no braço, fugindo sem ver quem o atacou.

Desesperado, Hector busca abrigo numa propriedade no meio da floresta e descobre que o local é um laboratório ao encontrar um cientista (o diretor Nacho Vigalondo), que pede para ele se esconder em uma espécie de tanque, porém Hector não imagina que aquilo é uma máquina do tempo. 

Esta ficção B produzida na Espanha é um exemplo de como uma boa história e um diretor criativo são mais importantes que muito dinheiro para se fazer um bom filme. 

O roteiro aparentemente maluco, brinca com o tema da viagem no tempo ao criar três situações que se amarram e fazendo o espectador quebrar a cabeça para acompanhar, além de apresentar um final que não soluciona absolutamente nada, porém que se mostra totalmente de acordo com a proposta do roteiro. 

Se as interpretações são fracas, apenas o protagonista pode ser considerado um ator razoável, por outro lado a direção de Nacho Vigalondo é promissora. Ele com certeza é um cinéfilo, já que o filme utiliza ideias de diversos longas. O cinéfilo mais atento verá citações a “Janela Indiscreta”, “Efeito Borboleta”, “Corra Lola, Corra”, “De Volta Para o Futuro” e até ao ótimo e esquecido “Darkman – Vingança Sem Rosto” de Sam Raimi. Por todos estes motivos, é um longa obrigatório para quem gosta de filmes com temáticas fora do comum.

domingo, 4 de novembro de 2012

Frankenstein (1910)

Frankenstein (Frankenstein, EUA, 1910) – Nota 6,5
Direção – J. Searle Dawley
Elenco – Augustus Phillips, Charles Ogle, Mary Fuller.

Produzido pela companhia de Thomas Edison, esta curiosa versão do livro de Mary Shelley tem a duração de doze minutos e se passa em três cenários simples. 

Em seu laboratório, dr. Frankenstein (Augustus Phillips) testa uma fórmula com o objetivo de criar vida. Utilizando um caldeirão que parece ser de uma bruxa, ele mistura sua fórmula que reage e cria um monstro (Charles Ogle), que mais parece um homem das cavernas. O monstro o ataca e foge assim que o dr. Frankestein desmaia. Quando o doutor volta para casa e encontra a noiva Elizabeth (Mary Fuller), o monstro o segue e o ataca novamente ao sentir ciúmes da jovem. Uma terceira sequência se passa também na casa do doutor, após ele se casar com Elizabeth. O monstro reaparece e a história termina com um curioso truque do espelho, onde o diretor procura mostrar a ligação entre criador e criatura. 

O filme vale ser visto por ser uma relíquia dos primórdios do cinema,  porém perde em comparação com os trabalhos de Georges Melies, que eram bem mais criativos. Como informação, o filme está disponível no Youtube.

sábado, 3 de novembro de 2012

O Homem que Queria Ser Rei & Khartoum


O Homem que Queria Ser Rei (The Man Who Would Be King, Inglaterra / EUA, 1975) – Nota 8
Direção – John Huston
Elenco – Sean Connery, Michael Caine, Christopher Plummer, Saed Jaffrey, Shakira Caine.

Após três anos de uma inacreditável aventura, Peachy Carnehan (Michael Caine) reencontra o jornalista e escritor Rudyard Kipling (Christopher Plummer) para contar como ele e Daniel Dravot (Sean Connery) se transformaram em reis na inóspita região do Cafiristão na Índia no final do século XIX. 

Em flashback, o espectador conhecerá a história da dupla, que eram dois ex-soldados ingleses que perambulavam pela Índia em busca de riqueza, até que chegaram ao Cafiristão e foram atacados por nativos. Dravot recebe uma flechada no peito, mas como usava um colete de metal, nada aconteceu. O fato fez os nativo acreditarem que eles eram deuses imortais, situação que os transformou em reis. Porém a ganância por poder e riqueza fez com que a farsa não terminasse bem. 

Baseado no livro do indiano filho de ingleses Rudyard Kipling (escritor de “O Livro da Selva”), este longa é uma ótima aventura dirigida pela grande John Huston. A já citada questão da ganância do ser humano foi tema que Huston tratou em outros filmes, como o clássico “O Tesouro de Sierra Madre” e que tem aqui nas interpretações de Caine e Connery os maiores trunfos para retratar novamente esta situação. 

O longa tem algumas curiosidades: Shakira Caine que interpreta a nativa por quem o personagem de Connery se apaixona, nasceu na Guiana Inglesa e se casou com Michael Caine em 1973, com quem vive até hoje. A segunda curiosidade é que o filme tem situações e diálogos que são ligados diretamente a preceitos da maçonaria, constando inclusive que o escritor Kipling era maçom, assim como o astro Michael Caine.    

Khartoum (Khartoum, Inglaterra, 1966) – Nota 7
Direção – Basil Dearden
Elenco – Charlton Heston, Laurence Olivier, Richard Johnson, Ralph Richardson, Alexander Knox, Michael Hordern, Johnny Sekka, Nigel Green.

Em 1893, o exécito egípcio liderado por um general inglês atravessa o deserto para enfrentar os muçulmanos liderados por Mohammed Ahmed (Laurence Olivier quase irreconhecível), que se autodenomina o “Mahdi”, aquele que seria o escolhido por Maomé. Os egípcios são facilmente derrotados, o que resulta numa crise no governo inglês, que é apontado como culpado pelo desastre no deserto. 

O primeiro ministro inglês Gladstone (Ralph Richardson) se vê pressionado pela opinião pública para enviar o exército com o objetivo de enfrentar Mahdi e não deixar os muçulmanos tomarem a cidade de Khartoum no Sudão. Para acalmar a situação, Gladstone envia o general Gordon (Charlton Heston), um herói nacional que acabou com a escravidão no Sudão, para que ele comande a retirada dos egípcios de Khartoum, porém o envolvimento de Gordon com o povo do Sudão é grande, o que faz com que ele tome a frente e lidere a defesa da cidade contra os muçulmanos, fato que desagradará muito o líder inglês Gladstone.

Baseado na história real do cerco a Khartoum, o filme é interessante ao mostrar as maquinações políticas do governo inglês quando este ainda tinha colônias e influência nos países africanos, pensando sempre na questão de manter o poder, mesmo que para isso tivesse de sacrificar milhares de vidas. 

O ponto falho é o ritmo irregular, em parte pela mão pesada do diretor Deardon e também pela duração de pouco mais de duas horas, provavelmente uns vinte a menos deixaria o filme mais consistente. 

Por outro lado as batalhas são bem filmadas, com muitos figurantes e com a dose certa de violência, mesmo não tendo a grandiosidade de outras clássicos do gênero. 

Finalizando, este é mais um longa em que Heston interpretou um personagem famoso da história, como Moisés, Michelangelo, El Cid e Thomas Jefferson. 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Aura

Aura (El Aura, Argentina, 2005) – Nota 7,5
Direção – Fabian Bielinsky
Elenco – Ricardo Darin, Dolores Fonzi, Pablo Cedron, Nahuel Perez Biscayart, Jorge D’Elia, Alejandro Awada, Walter Reino, Manuel Rodal, Rafa Castejon.

O taxidermista Esteban Espinosa (Ricardo Darin) é um sujeito tímido e inseguro que sonha em realizar um crime perfeito, mas é sempre ridicularizado pelo amigo Sontag (Alejandro Awada). Esteban tem uma memória privilegiada, com facilidade para decorar números, palavras e locais. Num certo dia, Esteban é abandonado pela esposa e para esquecê-la aceita o convite de Sontag para caçar nas florestas da Patagônia, mesmo odiando a ideia de matar algum animal. 

Por um determinado motivo que não citarei para não entregar parte da trama, a dupla descobre que a pequena cidade onde desejam ficar está com todos os hotéis lotados. A saída encontrada é procurar abrigo numa região isolada, onde existem alguns chalés decadentes que pertencem a um caçador chamado Dietrich (Manuel Rodal), porém como o sujeito não está no local, eles acabam conversando apenas com a jovem esposa Diana (Dolores Fonzi) e o cunhado Julio (Nahuel Perez Biscayart). Não demora para ocorrer um acidente e por consequência a descoberta de um intrincado plano que fará Esteban tomar uma perigosa decisão. 

Este segundo e último filme de Fabian Bielinsky é um drama com poucos diálogos, que constrói uma trama como se fosse um quebra-cabeças, onde o calado personagem de Ricardo Darin tem a chance de realizar seu sonho maluco, porém descobre que a teoria é bem menos complicada que a prática. 

Diferente de “Nove Rainhas”, o filme anterior de Bielinsky com Darin, que era uma obra urbana sobre  uma dupla de vigaristas em busca do golpe de suas vidas, este longa se passa em grande parte na floresta e em locais afastados da civilização, mostrando que a ganância e a violência existem em qualquer lugar. 

Como triste informação, o diretor Bielinksy faleceu em 2006 quando visitava São Paulo para promover este longa. Além da terrível perda humana, o cinema também perdeu um diretor promissor que deixou apenas dois trabalhos no currículo, muito bons por sinal.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Jogando com a Sorte & Dois Vigaristas em Nova York


Jogando com a Sorte (California Split, EUA, 1974) – Nota 6,5
Direção – Robert Altman
Elenco – George Segal, Elliott Gould, Ann Prentiss, Gwen Welles, Edward Walsh, Bert Remsem. Jeff Goldblum.

O desocupado Charlie (Elliott Gould) e o funcionário de uma revista Bill (George Segal) se conhecem numa mesa de pôquer e dão inicio a uma amizade onde vício pelo jogo será o combustível. Enquanto Charlie vive tentando ganhar trocados em todo o tipo de aposta, Bill precisa arrecadar um valor alto para pagar uma dívida com um agenciador. Passando por mesas de pôquer, lutas de boxe e corridas de cavalo, a dupla acabará num cassino em Reno para tentar a sorte grande. 

O diretor Robert Altman procurou mostrar como é a vida de um viciado em apostas, utilizando dois personagens diferentes, mas com o mesmo problema. Charlie é o sujeito que já se entregou ao esquema, sem se preocupar com trabalho ou algo mais e quando precisa de um teto se abriga na casa de duas prostitutas de luxo (Ann Prentiss e Gwenn Welles). Enquanto Bill vai sendo tragado aos poucos pelo vício, inclusive armando fugas do trabalho para poder apostar. 

O tema é interessante mas em alguns momento o longa fica cansativo e hoje parece um pouco envelhecido. O roteiro deixa claro no final que o principal para o viciado em jogo não é apenas o dinheiro, mas sim a adrenalina, a sensação de que pode vencer. 

Dois Vigaristas em Nova York (Harry and Walter Go to New York, EUA, 1976) – Nota 6
Direção – Mark Rydell
Elenco – James Caan, Michael Caine, Elliott Gould, Diane Keaton, Charles Durning, Lesley Ann Warren, Jack Gilford, Michael Conrad, Carol Kane, Burt Young, Val Avery, Bert Remsen, David Proval.

No final do século XIX, Harry (James Caan) e Walter (Elliott Gould) são atores mambembes que decidem se aventurar como ladrões para sobreviver, porém a falta de habilidade para o novo ofício leva a dupla rapidamente para a cadeia. Na prisão, eles conhecem o inglês Adam (Michael Caine), um famoso arrombador de cofres que tem um plano mirabolante para quando sair da cadeia, roubar um cofre considerado impenetrável em Nova York. Os atrapalhados e ambiciosos Harry e Walter conseguem fugir da prisão antes que Adam seja libertado, com o objetivo de chegarem primeiro ao cofre em Nova York. A dupla acaba se juntando a uma jornalista feminista (Diane Keaton), que aceita participar do plano por acreditar que roubar dos ricos não é crime. 

Este longa que pegou carona no sucesso do clássico “Golpe de Mestre”, tem um elenco repleto de astros no auge da carreira. Caan, Caine, Gould e Keaton estavam entre os grandes nomes de Hollywood na época e cumprem bem os papéis aqui, mas isto não foi o suficiente para resultar num grande filme.