sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Aura

Aura (El Aura, Argentina, 2005) – Nota 7,5
Direção – Fabian Bielinsky
Elenco – Ricardo Darin, Dolores Fonzi, Pablo Cedron, Nahuel Perez Biscayart, Jorge D’Elia, Alejandro Awada, Walter Reino, Manuel Rodal, Rafa Castejon.

O taxidermista Esteban Espinosa (Ricardo Darin) é um sujeito tímido e inseguro que sonha em realizar um crime perfeito, mas é sempre ridicularizado pelo amigo Sontag (Alejandro Awada). Esteban tem uma memória privilegiada, com facilidade para decorar números, palavras e locais. Num certo dia, Esteban é abandonado pela esposa e para esquecê-la aceita o convite de Sontag para caçar nas florestas da Patagônia, mesmo odiando a ideia de matar algum animal. 

Por um determinado motivo que não citarei para não entregar parte da trama, a dupla descobre que a pequena cidade onde desejam ficar está com todos os hotéis lotados. A saída encontrada é procurar abrigo numa região isolada, onde existem alguns chalés decadentes que pertencem a um caçador chamado Dietrich (Manuel Rodal), porém como o sujeito não está no local, eles acabam conversando apenas com a jovem esposa Diana (Dolores Fonzi) e o cunhado Julio (Nahuel Perez Biscayart). Não demora para ocorrer um acidente e por consequência a descoberta de um intrincado plano que fará Esteban tomar uma perigosa decisão. 

Este segundo e último filme de Fabian Bielinsky é um drama com poucos diálogos, que constrói uma trama como se fosse um quebra-cabeças, onde o calado personagem de Ricardo Darin tem a chance de realizar seu sonho maluco, porém descobre que a teoria é bem menos complicada que a prática. 

Diferente de “Nove Rainhas”, o filme anterior de Bielinsky com Darin, que era uma obra urbana sobre  uma dupla de vigaristas em busca do golpe de suas vidas, este longa se passa em grande parte na floresta e em locais afastados da civilização, mostrando que a ganância e a violência existem em qualquer lugar. 

Como triste informação, o diretor Bielinksy faleceu em 2006 quando visitava São Paulo para promover este longa. Além da terrível perda humana, o cinema também perdeu um diretor promissor que deixou apenas dois trabalhos no currículo, muito bons por sinal.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Jogando com a Sorte & Dois Vigaristas em Nova York


Jogando com a Sorte (California Split, EUA, 1974) – Nota 6,5
Direção – Robert Altman
Elenco – George Segal, Elliott Gould, Ann Prentiss, Gwen Welles, Edward Walsh, Bert Remsem. Jeff Goldblum.

O desocupado Charlie (Elliott Gould) e o funcionário de uma revista Bill (George Segal) se conhecem numa mesa de pôquer e dão inicio a uma amizade onde vício pelo jogo será o combustível. Enquanto Charlie vive tentando ganhar trocados em todo o tipo de aposta, Bill precisa arrecadar um valor alto para pagar uma dívida com um agenciador. Passando por mesas de pôquer, lutas de boxe e corridas de cavalo, a dupla acabará num cassino em Reno para tentar a sorte grande. 

O diretor Robert Altman procurou mostrar como é a vida de um viciado em apostas, utilizando dois personagens diferentes, mas com o mesmo problema. Charlie é o sujeito que já se entregou ao esquema, sem se preocupar com trabalho ou algo mais e quando precisa de um teto se abriga na casa de duas prostitutas de luxo (Ann Prentiss e Gwenn Welles). Enquanto Bill vai sendo tragado aos poucos pelo vício, inclusive armando fugas do trabalho para poder apostar. 

O tema é interessante mas em alguns momento o longa fica cansativo e hoje parece um pouco envelhecido. O roteiro deixa claro no final que o principal para o viciado em jogo não é apenas o dinheiro, mas sim a adrenalina, a sensação de que pode vencer. 

Dois Vigaristas em Nova York (Harry and Walter Go to New York, EUA, 1976) – Nota 6
Direção – Mark Rydell
Elenco – James Caan, Michael Caine, Elliott Gould, Diane Keaton, Charles Durning, Lesley Ann Warren, Jack Gilford, Michael Conrad, Carol Kane, Burt Young, Val Avery, Bert Remsen, David Proval.

No final do século XIX, Harry (James Caan) e Walter (Elliott Gould) são atores mambembes que decidem se aventurar como ladrões para sobreviver, porém a falta de habilidade para o novo ofício leva a dupla rapidamente para a cadeia. Na prisão, eles conhecem o inglês Adam (Michael Caine), um famoso arrombador de cofres que tem um plano mirabolante para quando sair da cadeia, roubar um cofre considerado impenetrável em Nova York. Os atrapalhados e ambiciosos Harry e Walter conseguem fugir da prisão antes que Adam seja libertado, com o objetivo de chegarem primeiro ao cofre em Nova York. A dupla acaba se juntando a uma jornalista feminista (Diane Keaton), que aceita participar do plano por acreditar que roubar dos ricos não é crime. 

Este longa que pegou carona no sucesso do clássico “Golpe de Mestre”, tem um elenco repleto de astros no auge da carreira. Caan, Caine, Gould e Keaton estavam entre os grandes nomes de Hollywood na época e cumprem bem os papéis aqui, mas isto não foi o suficiente para resultar num grande filme.     

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O Corvo (2012)

O Corvo (The Raven, EUA / Espanha / Hungria, 2012) – Nota 7,5
Direção – James McTeigue
Elenco – John Cusack, Luke Evans, Alice Eve, Brendan Gleeson, Kevin McNally, Sam Hazeldine, Pam Ferris, Oliver Jackson Cohen, Jimmy Yuill.

No final do século XIX em Baltimore, o escritor Edgar Allan Poe (John Cusack) está falido, apesar do grande número de contos de terror que publicou. Poe está apaixonado pela jovem Emily (Alice Eve), porém o pai da garota (Brendan Gleeson) o odeia. A vida de Poe fica ainda mais complicada quando um serial killer começa a cometer assassinados copiando seus contos macabros. Como responsável pela investigação, o detetive Fields (Luke Evans) pede ajuda a Poe para descobrir os próximos passos do assassino. 

Esta trama original é uma ficção que utiliza a falta de informações sobre os últimos dias de vida do escritor Edgar Allan Poe, para criar uma história de suspense fazendo referências as suas diversas obras. Mesmo o roteiro se aproveitando das reviravoltas comuns ao gênero, a boa direção de James McTiegue (“V de Vingança”) prende a atenção ao montar um quebra-cabeças macabro e criar ainda uma boa reconstituição de época. 

Pelo que pouco que conheço sobre a vida de Poe, provavelmente ele estaria bem mais decadente na época de sua vida que é mostrada aqui, mas isso não tira o valor da interpretação do sempre competente John Cusack. 

O resultado é um bom divertimento, principalmente para aqueles que gostam do gênero e da obra de Poe.     

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Munique

Munique (Munich, EUA, 2005) – Nota 8
Direção – Steven Spielberg
Elenco – Eric Bana, Daniel Craig, Ciaran Hinds, Mathieu Kassovitz, Hanns Zischler, Ayelet Zurer, Geoffrey Rush, Michael Lonsdale, Mathieu Amalric, Moritz Bleitbreu, Marie Josée Croze, Yvan Attal, Lynn Cohen.

Baseado livremente no terrível atentado das Olimpíadas de Munique em 1972, quando oito terroristas palestinos pertencentes a um grupo islâmico chamado Setembro Negro executaram onze atletas israelenses nos alojamentos da competição, este drama de Spielberg se concentra na vingança planejada pelo governo de Israel para matar os responsáveis por arquitetarem o ataque. 

O filme mostra a famosa primeira ministra de Israel Golda Meir (Lynn Cohen) convocando o agente do Mossad (o serviço secreto de Israel) Avner (Eric Bana) para comandar o plano de vingança. Avner é delisgado do Mossad para não ocorrer suspeitas de ligação com o governo de Israel e na clandestinidade monta um grupo de especialistas. Robert (o também diretor Mathieu Kassovitz) é o perito em explosivos, Carl (Ciaran Hinds) é o organizador, Hans (Hanns Zichler) o contador e Steve (Daniel Craig antes de ser James Bond) é a força bruta. 

Deixando de lado o cinema-pipoca, Spielberg preferiu mostrar a vingança como um drama questionador, onde mesmo ele sendo judeu, procurou não tomar lado na secular briga entre judeus e muçulmanos. São mostrados absurdos dos dois lados, além de dilemas de consciência, principalmente através do personagem principal de Eric Bana, que sofre quando percebe que alguma ação possa resultar em danos colaterais, como a morte de inocentes. 

Apesar de ter um ritmo até certo ponto lento em algumas partes, a força da história e as boas sequências de suspense resultam num drama obrigatório que faz pensar sobre o absurdo de um conflito que parece ser interminável.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Bombas - Atores Famosos, Filmes Ruins - Parte II

Como citei na primeira postagem do tema, são tantos filmes ruins com atores famosos que precisarei dividir em várias postagens.

Nesta eu cito mais cinco filmes.

O Escorpião Rei (The Scorpion King, EUA, 2002) – Nota 5,5
Direção – Chuck Russell
Elenco – Dwayne “The Rock” Johnson, Steven Brand, Michael Clarke Duncan, Kelly Hu, Bernard Hill, Grant Heslov, Peter Facinelli, Ralf Moeller, Branscombe Richmond, Roger Rees.

Na Era Antiga, a cidade de Gomorra é dominada por Memnon (Steven Brand) que destrói todos aqueles que o confrontam, usando as visões de uma espécie de oráculo (Kelly Hu). Os povos contrários a Memnon que sobreviveram, se juntam e contratam o mercenário Mathayus (The Rock) para salvar a vidente e acabar com o poder do ditador.

O filme utiliza o personagem que The Rock interpretou no sucesso “A Múmia” de 1999, porém muda a característica. No original ele era um dos vilões e aqui se transforma em herói. Com um roteiro melhor este fato poderia ser apenas um detalhe, mas o conjunto da obra é fraco. Até mesmo os efeitos especiais não sustentam as fracas cenas de ação. 

O Dia Depois do Amanhã (The Day After Tomorrow, EUA, 2004) – Nota 6
Direção – Roland Emmerich
Elenco – Dennis Quaid, Jake Gyllenhaal, Emmy Rossum, Sela Ward, Ian Holm, Jay O. Sanders, Dash Mihok, Austin Nichols, Arjay Smith, Tamlyn Tomita, Kenneth Welsh, Glenn Plummer, Adrian Lester, Nestor Serrano, Perry King, Mimi Kuzyk.

O cientista Jack Hall (Dennis Quaid) descobre em suas pesquisas que alterações climáticas estão ocorrendo no oceano em virtude do aquecimento global, porém não é levado a sério quando alerta as autoridades em um congresso mundial. Para se aprofundar nas pesquisas, ele se alia a um amigo cientista (Ian Holm) e juntos chegam a conclusão que o hemisfério norte pode ser inundado pelo degelo das calotas polares em pouco tempo. Quando a tragédia se inicia, Jack descobre que o filho Sam (Jake Gyllenhaal) está escondido na biblioteca do congresso em Washington para se proteger da revolta da natureza. Jack decide através meio país no meio da caos para salvar o filho, que por seu lado quer salvar a namorada (Emmy Rossum).

O mago dos desastres Roland Emmerich errou a mão neste projeto ambicioso, por sinal praticamente todos os seus filmes são caros e ambiciosos. Se por um lado os efeitos especiais são ótimos e assustadores ao mostrar as tragédias naturais, o roteiro é de um absurdo total ao fazer o personagem de Quaid atravessar o país par salvar o filho. A composição dos personagens também pouco ajuda no desenvolvimento da trama, que tem outros dramas ao redor da história principal, sempre com situações clichês dos filmes do gênero. O resultado é um filme que diverte em alguns momentos e se torna chato e cansativo em outros, ficando bem abaixo da expectativa. 

A Marca (Twisted, EUA, 2004) – Nota 5,5
Direção – Philip Kaufman
Elenco – Ashley Judd, Samuel L. Jackson, Andy Garcia, David Strathairn, Russell Wong, Camryn Manheim, Mark Pellegrino, Titus Welliver, D. W. Moffett, Richard T. Jones, Leland Orser.

A policial Jessica Shepard (Ashley Judd) é promovida para detetive e logo que assume seu novo posto, começam a aparecer homens assassinados à pancadas, mas com um detalhe específico, todos foram seus amantes. Para piorar sua situação, todos descobrem que ela leva um vida dupla (gosta de fazer sexo casual com estranhos) e sua carreira fica complicada, mesmo tendo o apoio do novo parceiro Mike Delmarco (Andy Garcia) e de seu tutor, o comissário de polícia John Mills (Samuel L. Jackson).

Fica difícil entender como o bom diretor Philip Kaufman (“Os Eleitos”) realizou este filme confuso e cheio de furos no roteiro, em que o espectador percebe logo no primeiro assassinato o que está acontecendo com a personagem de Ashley Judd, o que ela mesmo sendo detetive sequer desconfia, além da explicação idiota para o porquê dos assassinatos. Um desperdício de talento dos envolvidos, como Garcia,  Jackson e o ótimo David Strathairn, este no papel de um psiquiatra.

Stealth – Ameaça Invisível (Stealth, EUA, 2005) – Nota 5
Direção – Rob Cohen
Elenco – Josh Lucas, Jessica Biel, Jamie Foxx, Sam Shepard, Joe Morton, Richard Roxburgh, David Andrews.

Três pilotos de caça, o rebelde Ben (Josh Lucas), a bela Kara (Jessica Biel) e o certinho Henry (Jamie Foxx) fazem parte de uma espécie de grupo de elite, que utlizam o caça Stealth em treinamentos e missões. A disputa de egos que existe entre eles precisa ser deixada de lado quando um novo modelo de caça sem tripulação guiado por uma inteligência artificial é enviado numa missão com o trio e após receber uma descarga elétrica, o “cérebro” do caça resolve agir por conta própria e dá início a um missão secreta que tem como objetivo um ataque nuclear.

Infelizmente todo o aparato tecnológico não esconde o fraco roteiro e os personagens previsíveis e esquemáticos. O diretor Rob Cohen pensou que o filme faria sucesso apenas com cenas de perseguição entre caças, numa espécie de “Top Gun” turbinado, porém errou feio e entregou um filme frouxo, com cara de história requentada. 

Edison – Poder e Corrupção (Edison, EUA, 2005) – Nota 6
Direção – David J. Burke
Elenco – Morgan Freeman, L L Coll J, Justin Timberlake, Kevin Spacey, Dylan McDermott, John Heard, Cary Elwes, Roselyn Sanchez, Piper Perabo, Damien Dante Wayans.

Durante uma ação policial de um grupo de elite, o oficial Lazerov (Dylan McDermott) mata um traficante. O caso acaba sendo arquivado porque outro policial, Deed (L L Cool J) é coagido e testemunha a favor do colega. Percebendo algo estranho no caso, o jornalista novato Pollack (Justin Timberlake) tenta se aprofundar na investigação, mas não é apoiado por seu chefe, o editor Ashford (Morgan Freeman), responsável pelo jornal na pequena cidade de Edison, que não deseja se envolver com a polícia. Pollack encontra apoio apenas no veterano policial Wallace (Kevin Spacey), que conhece os podres dos colegas.

Existem filmes em que vemos o cartaz cheio de rostos conhecidos e uma sinopse interessante, porém o conteúdo está longe do potencial. É o caso deste longa, que desperdiça ótimos atores como Freeman e Spacey, além de coadjuvantes competentes como L L Cool J e Dylan McDermott numa história repleta de clichês utilizados em seriados policiais. O resultado é o típico filme de produtor, daqueles em que o diretor é um mero operário. David J. Burke fez toda sua carreira na tv como produtor e este filme é seu único trabalho como diretor em cinema. É uma pena, o resultado fica bem abaixo da expectativa.  

domingo, 28 de outubro de 2012

Quem São os Políticos?


Após meses de discussões, alianças, conchavos e uma fortuna gasta em propaganda, terminaram hoje as eleições municipais, mas fica a pergunta, o que mudará?

A resposta: Nada

A população em geral tem o hábito de falar que todo político é corrupto. Sendo bonzinho, acredito que 90% dos políticos tem um objetivo bem diferente do que pensar no bem estar da população. A ideia principal é usufruir do poder e suas facilidades. Altos salários, verbas generosas, mordomias como carros, auxílio moradia e até o chamado auxílio paletó, além da possibilidade de conseguir mais do que uma aposentadoria são "pequenos atrativos" para se candidatar a algum cargo. Agora faço outra pergunta, quem são os políticos?

A resposta: Representantes da população brasileira, ou seja, o espelho do nosso povo.

Sei que nem todos os brasileiros agem desta forma, mas infelizmente grande parte da população é adepta da "Lei de Gerson". Traduzindo, gosta de levar vantagem em tudo. No caso dos políticos, os candidatos são uma minoria, porém cada um deles tem uma legião de pessoas apoiando, não por ideologia ou vontade de ajudar a população, mas para conseguir um cargo caso o sujeito seja eleito. Existem os empresários que apoiam pensando em conseguir um alto cargo, sendo indicados para Ministro, Secretário, Sub-Prefeito ou Presidente de algum órgão estatal. As corporações que colocam dinheiro nas campanhas para conseguir benesses futuras e até mesmo os sujeitos que colam cartazes nos postes e distribuem "santinhos" que sonham em ser pelo menos office boy de algum vereador. No fundo, todos estão pensando em melhorar de vida as custas do dinheiro público.

Estas pessoas comuns que tentam se associar aos políticos são tão culpadas quantos os homens públicos que desviam nosso dinheiro e fazem negociatas. Todos estes fazem parte do povo, assim como o prestador de serviço que cobra um valor absurdo por um serviço mal feito, aquele que cobra pela troca de uma peça que não precisava ser substituída, pelo corretor que inflaciona o preço de um imóvel para aumentar sua comissão ganhando por fora, o sujeito que recebe um troco errado a mais e não devolve o dinheiro, a vendedora que mente para a cliente dizendo que o vestido lilás com bolinhas amarelas está lindo nela, o funcionário do supermercado que troca as etiquetas de validade dos produtos perecíveis, as empresas que inventam taxas para camuflar o aumento de preço de um produto, os funcionários de bancos e financeiras que enganam clientes para vender produtos inúteis e cobrar tarifas absurdas, os comerciantes das cidades turísticas que tentar extorquir os visitantes com preços abusivos e até mesmo o feirante que pendura um peso na balança para cobrar um valor maior do que o correto.

Eu poderia ficar até amanhã citando exemplos de como grande parte do nosso povo é desonesto, situações que mostram que aquelas campanhas inúteis da mídia que tentam vender o brasileiro como solidário, honesto e sem preconceitos é pura balela, a realidade é bem diferente.

Se vocês quiseram citar outros exemplos, fiquem a vontade,

sábado, 27 de outubro de 2012

América do Medo & Marcados Pelo Sangue


Em 1978, quando Walter Hill dirigiu o ótimo "Warriors - Os Selvagens da Noite", filmes sobre gangues eram pouco comuns. O sucesso do longa fez nascer timidamente um gênero, que logo se adaptou a realidade. O filme Hill mostrava a violenta Nova York dos anos setenta, porém o local mais complicado em relação as gangues era Los Angeles. O tema pegou forte quando Dennis Hopper filmou "Colors - As Cores da Violência" em 1988 com Sean Penn e Robert Duvall nos papéis principais. A partir daí várias produções abordaram o tema. Nesta postagem comento dois filmes que estão entre os melhores e mais realistas sobre a vida nas gangues de Los Angeles. Como curiosidade, o dois filmes tem roteiro de Floyd Mutrux e foram produzidos quase em seguida.

América do Medo (American Me, EUA, 1992) – Nota 7,5
Direção – Edward James Olmos
Elenco – Edward James Olmos, William Forsythe, Pepe Serna, Sal Lopez, Evelina Fernandez, Vira Montes, Jacob Vargas, Cary Hiroyuki Tagawa.

Após passar dezoito anos preso e ficar em liberdade por pouco tempo, Montoya Santana (Edward James Olmos) volta para prisão e começa a relembrar sua vida. Em 1968, ainda adolescente, ele e os amigos J. D. (William Forsythe) e Mundo (Pepe Serna) se envolvem com o crime, são presos e levados a um reformatório, local onde Santana mata um agressor. O fato o transforma em um sujeito temido e dá início a sua carreira como chefe de uma gangue de descendentes de mexicanos dentro da prisão. 

O roteiro segue a vida de Santana durante o período em que ele fica na cadeia, sua relação com os companheiros de gangue e toda violência utilizada para manter seu poder e também afastar os grupos inimigos. 

Existe um prólogo que se passa nos anos quarenta durante a Segunda Guerra, quando o pai de Santana (Sal Lopez) tem orgulho da bela esposa (Vira Montes), porém como o preconceito contra estrangeiros era grande, eles são atacados por marinheiros, fato que marcará o restante da vida do casal. 

Este prólogo mostra uma espiral de violência contínua, que passa pela vida de Santana e segue na geração dos anos oitenta, quando ele sai de cadeia por um período e acaba sendo visto como herói pelas crianças do bairro, inclusive por seu irmão adolescente (Jacob Vargas). 

A mistura de drama com violência infelizmente é próxima da realidade, sendo que o filme se diz baseado em fatos reais, porém como um coletânea de situações que se transformaram num roteiro de cinema. 

Vale destacar a segurança do ótimo ator Edward James Olmos, tanto na interpretação do personagem principal, quanto na condução do longa como diretor. 

Uma sequência é quase uma parábola de vida, quando Santana e seus amigos ainda jovens decidem mudar de caminho para chegar em casa, atravessando o território de rivais, fato que acaba em tragédia e deixa a mensagem de que mesmo para quem acredita não ter futuro existem escolhas, a questão é decidir pelo caminho correto.

Marcados Pelo Sangue (Bound by Honor, EUA, 1993) – Nota 8
Direção – Taylor Hackford
Elenco – Damian Chapa, Benjamin Bratt, Jesse Borrego, Enrique Castillo, Delroy Lindo, Ving Rhames, Victor Rivers, Tom Towles, Raymond Cruz, Tom Wilson, Danny Trejo, Billy Bob Thornton, Richard Masur.

No início dos anos setenta no leste de Los Angeles, os meio-irmãos Paco (Benjamin Bratt) e Cruz (Jesse Borrego) juntos com o primo Miklo (Damian Chapa), entram para gangue chamada de “Vatos Locos” e se envolvem com violência e drogas. A vida louca acaba em tragédia que leva Miklo para cadeia e afasta os irmãos que abandonam a gangue. Cruz se torna um artista plástico famoso, porém o psicológico frágil e a crise familiar o empurra para as drogas, enquanto o explosivo Paco se torna policial. 

Este épico de três horas de duração sobre as gangues de Los Angeles foi uma aposta arriscada de Taylor Hackford que fracassou nas bilheterias e dividiu a crítica, porém a qualidade do roteiro é inegável, sendo baseado na história real do poeta Jimmy Santiago Baca. 

A história vai além dos filmes sobre gangues e prisão, a trama é temperada por situações como traições, lealdade, seja ela de sangue ou de amizade e conflitos pessoais, como o perturbado Cruz e a crise de identidade de Miklo, que é branco e pobre, por isso não se encaixa entre os chicanos ou entre os brancos, precisando lutar para sobreviver em meio a violência.

O único senão é quanto ao elenco, se Benjamin Bratt e Jesse Borrego dão conta do recado, o canastrão Damian Chapa é o elo fraco do trio, mas isso não tira a força do longa.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Mulheres à Beira de un Ataque de Nervos

Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (Mujeres al Borde de um Ataque de Nervios, Espanha, 1988) – Nota 7,5
Direção – Pedro Almodovar
Elenco – Carmen Maura, Antonio Banderas, Julieta Serrano, Maria Barranco, Rossy de Palma, Fernando Guillen, Kiti Manver.

Em Madri, a atriz Pepa Marcos (Carmen Maura) está deprimida por ter sido abandonada pelo amante, o também ator Ivan (Fernando Guillen). Tentando descobrir onde está o sujeito, que ao parece deve viajar naquele dia, Pepa o procura no estúdio onde trabalham, telefona para casa do amante e discute com a esposa dele (Julieta Serrano) e por fim decide colocar a cobertura onde mora para alugar, pensando em morar em outro local e esquecer o sujeito. 

O problema é que várias situações inusitadas acontecerão naquele dia. Pepa receberá a visita da ingênua amiga Candela (Maria Barranco) que se apaixonou por um terrorista, do casal Marisa (Rossy de Palma) e Carlos (Antonio Banderas) que pretende alugar o imóvel, com o detalhe de Carlos ser filho de Ivan, a esposa de Ivan e por fim a polícia em busca de informações sobre o terrorista. Junte a estes personagens uma advogada feminista, uma recepcionista curiosa, uma vizinha testemunha de Jeová e um taxista que dirige um carro todo enfeitado chamado de “Mambo Taxi”. 

Almodovar chamou a atenção da crítica com dois trabalhos anteriores estrelados por Antonio Banderas, os polêmicos “Matador” e “A Lei do Desejo”, mas foi com este “Mulheres” que ele se tornou mundialmente conhecido. O seu roteiro é perfeito ao misturar comédia pastelão, nonsense e dramalhão que lembra as novelas de uma forma engraçada, onde o exagero e o kitsch se tornam agradáveis. 

Mesmo sendo um estilo que não está entre os meus preferidos, é impossível não rir com algumas sequências, como a do gazpacho e a ridícula perseguição entre moto e táxi. 

Outro destaque é a atuação de Carmen Maura, ótima como a mulher totalmente neurótica por causa do amante. 

O resultado é um longa divertido e mais leve que os trabalhos habituais de Almodovar. 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Aliens, o Resgate

Aliens, o Resgate (Aliens, EUA, 1986) – Nota 10
Direção - James Cameron
Elenco – Sigourney Weaver, Michael Biehn, Carrie Henn, Paul Reiser, Lance Henriksen, Bill Paxton, Jennete Goldstein, Mark Rolston, Daniel Kash, William Hope.

Após quase sessenta anos hibernando em uma cápsula no espaço, Ellen Ripley (Sigourney Weaver) é resgatada por uma nave e descobre que o estranho planeta onde ela e seus companheiros da nave Nostromo foram atacados, foi colonizado. A nave que a resgatou leva um grupo de fuzileiros e tem como missão descobrir o que ocorreu no planeta, em virtude da Terra ter perdido o sinal com os colonizadores. Mesmo com Ripley alertando que voltar para aquele local é suicídio, um burocrata (Paul Reiser) que viaja como representante da corporação que colonizou o planeta decide continuar a expedição.

Se o clássico de Ridley Scott era claustrofóbico ao extremo, esta sequência comandada por James Cameron é sensacional como filme de ação. Aqui os aliens criados pelo falecido mestre dos efeitos especiais Stan Winston, estão ainda mais perigosos, surgem em várias formas e em diversas sequências até o clímax da luta dentro da espaçonave entre Ripley e a rainha-mãe dos aliens. 

O longa é valorizado ainda pelo bom roteiro do próprio Cameron em parceria com David Giler e o diretor Walter Hill (“Warriors”, “Inferno Vermelho”), que cria uma sequência totalmente verossímil, inclusive adicionando novos fatos como a questão da filha de Ripley e a relação que ela cria com a menina Newt (Carrie Henn), única sobrevivente do planeta colonizado. 

Outro acerto foi transformar a personagem Ripley em heroína, com Sigourney Weaver tendo um ótima interpretação, tanto na parte dramática como nas sequências de ação. Sua atuação valeu uma merecida indicação ao Oscar. 

O resultado é um dos melhores filmes dos anos oitenta e o meu preferido de toda a série.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Dragnet - Filme e Série


A série policial "Dragnet" fez sucesso durante quatro temporadas (entre 1967 e 1970) tendo como protagonistas Harry Morgan e Jack Webb. Não tenho absoluta certeza, mas acredita que a série seja inédita no Brasil.

Nesta postagem comento dois remakes da série. O primeiro é um longa produzido nos anos oitenta em formato de comédia e o segundo é uma nova versão que infelizmente durou apenas duas temporadas.

Dragnet – Desafiando o Perigo (Dragnet, EUA, 1987) – Nota 5,5
Direção - Tom Mankiewicz
Elenco – Dan Aykroyd, Tom Hanks, Christopher Plummer, Dabney Coleman, Harry Morgan, Alexandra Paul, Jack O’Halloran, Elizabeth Ashley, Kathleen Freeman.

O detetive Joe Friday (Dan Aykroyd) é um sujeito correto ao extremo, que chega a ser chato. Joe acaba sendo obrigado a trabalhar com um novo parceiro que é o seu contrário, o desleixado Pep Streebek (Tom Hanks). O primeiro caso da dupla é investigar o roubo de vários objetos estranhos. Após algumas pistas em meio a muita confusão, a dupla passa a suspeitar de um reverendo picareta (Christopher Plummer) que pretende utilizar uma jovem virgem (Alexandra Paul) num ritual pagão. 

Mesmo sem ter assistido a série original que era narrada de forma séria, fica claro que esta versão foi concebida como comédia para aproveitar a fama de Aykroyd e Hanks na época, que por sinal fizeram outras comédias bem melhores. A escolha deu errado, principalmente pelo fraco e totalmente absurdo roteiro e os personagens sem graça. 

Como curiosidade, Aykroyd interpreta aqui o sobrinho do personagem de Jack Webb da série original e Harry Morgan que interpretava o parceiro de Webb, aqui é o tenente chefe da dupla de comediantes. 

Dragnet (Dragnet, EUA, 2003 / 2004) 
Criadores - Jack Webb & Dick Wolf
Elenco – Ed O'Neill, Ethan Embry, Christina Chang, Desmond Harrington, Eva Longoria, Evan Parke, Erick Avary.

O produtor Dick Wolf, criador da premiada "Law & Order", decidiu ressuscitar a antiga série e contratou o ator Ed O'Neill para interpretar Joe Friday, aqui transformado em tenente. Conhecido por seu papel durante quase uma década na sitcom "Married with Children", O'Neill era uma escolha arriscada, porém ele assumiu muito bem o papel do policial durão e correto que precisa comandar a investigação de homicídios pelos bairro ricos de Los Angeles.

Na primeira temporada que teve doze episódios, ele tinha como parceiro o detetive Frank Smith (Ethan Embry) e uma equipe de assistentes, porém na virada para segunda temporada o elenco foi modificado. No lugar de Embry entrou Desmond Harrington e após mais dez episódios a série acabou cancelada.

Acompanhei todos os episódios pelo Universal Channel e gostei. As investigações tinham um clima sério pontuado por uma música tema marcante, os roteiros eram interessantes e até a química entre o veterano O'Neill e o jovem Embry funcionava, mas provavelmente a audiência não deve ter sido das melhores.

É uma pena, para quem é fã de séries policiais como eu, esta tinha tudo para ter seguido por mais temporadas.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Juventude Selvagem & Juventude em Fúria


A questão de jovens envolvidos com gangues e violência é fato comum nos dias atuais, porém nesta postagem comento dois filmes que tem este tema como foco principal e mostram que o problema é bem mais velho do que se imagina. Um deles foi produzido no início dos anos sessenta e o segundo no início dos anos oitenta.

Juventude Selvagem (The Young Savages, EUA, 1961) – Nota 7,5
Direção – John Frankenheimer
Elenco – Burt Lancaster, Dina Merrill, Edward Andrews, Shelley Winters, Telly Savalas.

Um jovem porto-riquenho cego é assassinado a facadas por três adolescentes de descendência italiana, que são presos e levados a julgamento, onde a princípio o promotor Hank Bell (Burt Lancaster) pensa em pedir a pena de morte. Como um dos jovens assassinos é filho de uma ex-namorada de Hank (Shelley Winters), ele resolve se aprofundar no caso para descobrir as motivações do crime e decidir qual pena pedir para os jovens. 

Este ótimo drama praticamente esquecido que foi dirigido pelo falecido John Frankenheimer (“Grand Prix”, “Ronin”), é um retrato da violenta relação entre jovens de diferentes descendências na Nova York dos anos sessenta. O roteiro mostra algo parecido ao que ocorre no dias de hoje, colocando como protagonistas jovens sem perspectivas na vida, que entram para gangues com o objetivo de conquistar respeito e se sentirem partes de algo, como uma família distorcida. 

É um longa que vale ser conhecido, ainda pela curiosidade de ter um tema que lembra o grande clássico musical “Amor, Sublime Amor”, produzido no mesmo ano.

Juventude em Fúria (Bad Boys, EUA, 1983) – Nota 7
Direção – Rick Rosenthal
Elenco – Sean Penn, Reni Santonti, Esai Morales, Jim Moody, Eric Gurry, Aly Sheedy, Clancy Brown, Robert Lee Rush, Alan Ruck.

O jovem Mick O’Brien (Sean Penn) mora com a mãe que faz programas e namora a jovem J. C. (Ally Sheedy), porém extravasa toda sua revolta em pequenos roubos. Num destes roubos, seu amigo Carl (Alan Ruck) acaba morto e Mick atropela e mata o irmãos mais novo de Paco Moreno (Easi Morales), jovem envolvido no tráfico de drogas e que era o alvo do roubo armado por Mick e seu amigo. Mick acaba preso e levado a um reformatório, onde a violência impera igual a um presídio comum. Para piorar, Paco faz de tudo para ser preso e encontrar Mick com o objetivo de vingar a morte do irmão. 

Apesar do filme ter quase trinta anos, a história é extremante atual ao mostrar um juventude violenta, envolvida em roubos e tráfico e que vê o próximo como inimigo. É interessante ver Sean Penn e Esai Morales muito jovens e interpretando personagens com a fúria que era necessária aos papéis. 

O reformatório do filme é mostrado com um depósito de jovens, praticamente um vestibular para o crime. 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Selo Versatile Blogger

O amigo Gilberto do blog Gilberto Cinema me presentou com este selo que sugere ao indicado escrever sete coisas sobre ele mesmo.

Não é fácil escrevermos sobre nós mesmos, mas tentarei comentar alguns detalhes sobre minha vida e personalidade.

1. Crítico - Sou extremamente crítico, comigo mesmo inclusive. Por não gostar de errar, analiso muito antes de tomar uma decisão séria. Como tudo na vida, este jeito de ser tem dois lados: O ruim é que as vezes deixo de fazer algo que daria certo. O lado bom é que não entro em furadas, principalmente na questão financeira.

2. Direto - Não suporto indiretas, briguinhas e joguinhos de palavras. Procuro sempre ser direto com as pessoas, o que já me fez perder amigos (provavelmente a amizade não era tão forte), mas também me ajudou a criar laços fortes com algumas pessoas que pensam de forma semelhante.

3. Idade - Tenho quarenta e um anos e sinto que levo uma vida diferente da maioria das pessoas desta faixa etária. Sou casado e não tenho filhos, escrevo um blog, vou a estádios de futebol, saio com a esposa todo final de semana e trabalho em casa. As vezes sinto que vivo como um adolescente ao ver os casais passeando em shoppings e parques com filhos chorando, pedindo algo e correndo. Não tenho paciência para isso, acho que nunca tive e ainda bem que minha esposa pensa igual.

4. Família - É algo tão complicado que no momento considero como família apenas minha esposa, pai, mãe, irmão, cunhada esposa do meu irmão e minha cachorrinha. Tenho alguns amigos que considero muito mais que o restante da família. Infelizmente parentesco de sangue não é sinônimo de amizade.

5. Cães - Sempre tive cães, os chamados vira-latas. Na casa de meus pais vive uma cadela que pegamos filhote. Ela gosta de companhia, mas sem exageros. Hoje moro em apartamento e minha esposa queria adotar um cão de pequeno porte. Adotamos uma poodle que fora abandonada e em pouco ela nos conquistou. A pequena vive o dia todo ao meu lado, companheira ao extremo. Como citei no início, procuro ser racional, não tenho sonhos mirabolantes, mas neste ano na convivência com a pequena criatura passei a pensar em algo diferente. Se no futuro existir condições de morar em uma casa com quintal espaçoso, tenho vontade de resgatar cães de rua para cuidar e procurar um novo lar. O futuro é sempre uma surpresa, mas quem sabe.

6. Cinema - A paixão pelo cinema está estampada no blog. Assisto filmes e leio sobre cinema desde meados dos anos oitenta. Um fato que não citei é que sou extremamente organizado, assim desde que comecei a assistir filmes fazia anotações em cadernos. No final dos anos noventa comecei a passar aos poucos todas as informações para o computador. Em breve pretendo postar como começou minha paixão pelo cinema.

7. Palmeiras - Amor passado de pai para filho. Meu pai começou a me levar ao estádio desde criança e passou sua paixão pelo clube para mim. Hoje ele não vai mais aos estádios, mas mesmo com alguns problemas continua acompanhando os jogos pela tv e pelo rádio. Eu fui fisgado por esta paixão maluca e continuo minha rotina de alegria e sofrimento no estádio ou em frente a tv. É um amor incondicional e irracional, algo maluco que somente quem torce para um clube de futebol sabe.

domingo, 21 de outubro de 2012

Melinda e Melinda

Melinda e Melinda (Melinda e Melinda, EUA, 2004) – Nota 7
Direção – Woody Allen
Elenco – Radha Mitchell, Will Ferrell, Chloe Sevigny, Jonny Lee Miller, Amanda Peet, Chiwetel Ejiofor, Steve Carell, Daniel Sunjata, Vinessa Shaw, Brooke Smith, Larry Pine, Wallace Shawn, Josh Brolin, Shalom Harlow, David Aaron Baker, Zak Orth.

Em Nova York numa mesa de bar, quatro intelectuais discutem as diferenças da comédia e da tragédia. Eles decidem partir da mesma premissa para montar uma comédia e uma tragédia. Wallace Shawn é o dramaturgo adepto da comédia e Larry Pine da tragédia. As duas histórias tem como personagem principal a complicada Melinda (Radha Mitchell). 

Na trama voltada para a tragédia, Melinda chega sem avisar ao apartamento da amiga de infância Laurel (Chloe Sevigny), que está casada com o ator desempregado Lee (Jonny L Miller) e que no momento é anfitriã de um jantar com amigos, inclusive com a presença de Cassie (Brooke Smith), que também é amiga de infância de Melinda. Laurel e Cassie decidem encontrar alguém para Melinda, porém o próprio casamento de Laurel está em crise e será afetado pela presença da amiga. 

Na história voltada para comédia, Melinda mora sozinha num apartamento e após ingerir vários comprimidos, bate à porta do casal de vizinhos, a cineasta Susan (Amanda Peet) e seu marido Hobie (Will Ferrell), outro ator desempregado, que preparam um jantar para tentar seduzir um sujeito a produzir o primeiro filme de Susan. Após ser amparada pelos participantes do jantar, Melinda conta sua história de vida e faz amizade com o casal. A questão é que Hobie logo se sente atraído pela jovem. 

Mesmo não estando entre os melhores filmes de Woody Allen, é interessante a escolha de colocar a mesma personagem em histórias paralelas, mostrando como comédia e tragédia podem estar próximas, dependendo muitas vezes da visão de quem conta a história. 

Quanto as tramas em si, tudo que conhecemos de Allen está lá, adultérios, descoberta do amor, desilusão e diálogos engraçados. 

Desta vez o elenco não se destaca, vale citar apenas a beleza de Radha Mitchell e a presença de Will Ferrell como o alter ego do diretor, personagem comum  nos filmes de Allen.

sábado, 20 de outubro de 2012

O Sequestro do Metrô - 1974, 1998 & 2009


O Sequestro do Metrô (The Taking of Pelham One Two Three, EUA, 1974) – Nota 7,5
Direção – Joseph Sargent
Elenco – Walter Matthau, Robert Shaw, Martin Balsam, Hector Elizondo, Jerry Stiller, James Broderick, Kenneth McMillan, Julius Harris, Dick O’Neill, Earl Hindman, Lee Wallace, Doris Roberts.

Quatro homens (Robert Shaw, Martin Balsam, Hector Elizondo e Earl Hindman) sequestram uma composição do metrô e exigem um mihão de dólares como resgate. O líder da quadrilha (Robert Shaw) faz contato com a sala de comando do metrô e passa a negociar como tenente Zachary Garber (Walter Matthau), que precisa ganhar tempo enquanto espera a decisão do prefeito panaca (Lee Wallace) e um possível plano de ação da polícia para invadir o vagão sequestrado. 

Mesmo não sendo filmaço, é uma obra cultuada pela tensão crescente pontuada por uma marcante trilha sonora, pelo roteiro inteligente e o elenco competente com personagens bem desenvolvidos, inclusive os bandidos. Temos o cérebro do crime (Robert Shaw), o sujeito calado (Earl Hindman), o explosivo (Hector Elizondo) e o veterano (Martin Balsam), sem contar o grande Walter Matthau misturando astúcia e ironia nos diálogos da negociação. 

O longa tem várias curiosidades: O diretor Quentin Tarantino homenageou o filme em “Cães de Aluguel” utilizando as cores para os apelidos dos bandidos, assim como vemos aqui. Temos Mr. Blue, Mr. Grey, Mr. Green e Mr. Brown. O operador do metrô é vivido por James Broderick, pai do futuro astro Matthew Broderick e Jerry Stiller, pai de Ben Stiller, interpreta um policial. Finalizando, o diretor Joseph Sargent fez praticamente toda a carreira em filmes para tv, este longa é uma exceção, assim como “MacArthur” com Gregory Peck.  

O Sequestro do Metrô ou Inferno Subterrâneo (The Taking of Pelham One Two Three, EUA, 1998) – Nota 6
Direção – Felix Enriquez Alcalá
Elenco – Edward James Olmos, Vincent D'Onofrio, Donnie Wahlberg, Richard Schiff, Lisa Vidal, Lorraine Bracco, Tara Rosling, Kenneth Welsh.

Quatro assaltantes sequestram uma composição do metrô e exigem cinco milhões de dólares como resgate. Dois policiais (Edward Jamess Olmos e Lorraine Bracco) são chamados para negociar, porém os sequestradores matam um dos reféns, fato que faz com que a polícia acredite que invadir o vagão seja única solução. 

É com certeza a versão mais pobre dos três filmes sobre a mesma trama, porém alguns detalhes são diferentes em relação aos personagens. No grupo de bandidos temos uma mulher (Tara Rosling) e outra mulher (Lorraine Bracco) interpreta uma personagem importante da polícia. O restante do filme é bem parecido com original, porém com as limitações de uma produção para a tv, além de apresentar um vilão exagerado interpretado por Vincent D’Onofrio. 

Como curiosidade, o filme também é conhecido como “Inferno Subterrâneo”.

O Sequestro do Metrô 1 2 3 (The Taking of Pelham 1 2 3, EUA, 2009) – Nota 6,5
Direção – Tony Scott
Elenco – Denzel Washington, John Travolta, John Turturro, James Gandolfini, Luís Guzman, Michael Rispoli, Ramon Rodriguez, John Benjamin Hickey, Victor Gojcaj, Robert Vataj, Gary Basaraba, Aunjanue Ellis.

Quatro sujeitos sequestram uma composição do metrô que saiu do Brooklin com destino a Manhattan. O líder do grupo é Ryder (John Travolta) que entra em contato com a sala de controle do metrô e fala com Walter Garber (Denzel Washington), exigindo um resgate de dez milhões de dólares em uma hora, caso contrário matará um refém por cada minuto de atraso. Walter na verdade era o chefe do departamento, porém está em investigação por suspeita de ter recebido propina, por este motivo perdeu temporariamente o cargo. Ryder não aceita conversar com o negociador da polícia (John Turturro), preferindo manter Walter como seu único contato. 

O recentemente falecido Tony Scott era um diretor craque na parte técnica, seus filmes sempre traziam imagens estilizadas, cortes rápidos e câmera lenta em determinadas cenas, porém os roteiros na maioria das vezes eram previsíveis. Aqui acontece exatamente isso, a primeira hora é interessante, com ótimos diálogos entre Washington e Travolta e uma certa tensão dentro do vagão sequestrado. Os problemas começam com o mal aproveitamento de bons coajuvantes como Turturro e James Gandolfini como o prefeito. Para piorar, a parte final transforma a tensão e o suspense numa perseguição absurda, não pela sequência em si, mas por transformar o personagem de Washington em herói, diferente das versões anteriores em que o clímax não apelava para o exagero.