domingo, 14 de outubro de 2012

JCVD

JCVD (JCVD, Luxemburgo / França / Bélgica, 2008) – Nota 7,5
Direção – Mabrouk El Mechri
Elenco – Jean Claude Van Damme, François Damiens, Zinedine Soualem.

Em meados dos anos oitenta, quando o cinema de ação estava no auge e astros com Stallone e Schwarzenegger emplacavam um sucesso atrás do outro, vários atores tentaram seguir o rastro da dupla. Bruce Willis se transformou em astro de ação meio que por acaso após o sucesso do sensacional “Duro de Matar”. Willis tinha fama pela série “A Gata e o Rato” e isso ajudou para que ele fosse visto como um ator de respeito. Com inteligência, ele fez comédias e até dramas, para não ficar marcado num único gênero. 

Enquanto isso, atores como Steven Seagal, Chuck Norris, Jean Claude Van Damme e outros menos cotados, fizeram sucesso com alguns filmes, mas não conseguiram seguir carreira além dos filmes de ação. A partir de meados dos anos noventa, estes atores foram perdendo espaço e praticamente sumiram dos cinemas, restando apenas as produções lançadas diretamente em vídeo. 

Entre estes que se perderam na carreira, Van Damme com certeza era o que tinha maior potencial de se tornar uma verdadeiro ator. A aparência de galã, o físico de atleta e até algum talento para representação ele possuía, porém a fama chegou junto com vários casamentos, escolhas ruins de papéis e até problemas com drogas. 

Quando Van Damme decidiu apostar suas fichas neste “JCVD”, ele já estava há quase uma década sem que filme algum chegasse aos cinemas. O longa começa com Van Damme no meio de um cena de ação onde derruba vários bandidos, típica sequência dos caça-niqueis que protagoniza há anos. Quando a cena acaba após um erro no cenário, Van Damme diz ao diretor que já tem 47 anos e que ficaria difícil repetir a cena, situação que é tratada com desprezo pelo jovem diretor de origem oriental. 

Em seguida descobrimos que Van Damme está no meio de uma disputa na justiça pela guarda da filha, que por seu lado não deseja morar com o pai, alegando que seus filmes fazem com que as outras crianças tirem sarro dela. Para piorar, Van Damme que precisa de dinheiro para pagar o advogado, vai até Bruxelas na Bélgica (seu país natal) para sacar o valor no correio e acaba envolvido no meio de um assalto, onde os bandidos fazem a polícia acreditar que o astro é o mentor do crime. 

Mesmo longe de ser um grande roteiro, o ponto principal e corajoso do filme é Van Damme se mostrar como ele mesmo, expondo seus erros e fraquezas, principalmente num doloroso monólogo durante o assalto, quando ele vira para a câmera e abre o coração mostrando todo o arrependimento que carrega. 

A história funciona principalmente por mostrar o homem e não o astro como personagem principal, mesmo que a trama em si seja ficção. Porém é triste constatar que o filme que poderia ser o renascimento da carreira do ator, será lembrado apenas como um trabalho diferenciado, já que em seguida Van Damme retornou aos filmes de ação de baixo orçamento lançados direto em vídeo. 

sábado, 13 de outubro de 2012

A Dupla Vida de Veronique

A Dupla Vida de Veronique (La Double Vie de Veronique, França / Polônia / Noruega, 1991) – Nota 7
Direção – Krzysztof Kieslowski
Elenco – Irene Jacob, Phillippe Volter.

Na Polônia, a jovem Weronika (Irene Jacob) vive com o pai e consegue ser aceita como cantora em uma orquestra, porém aos poucos ela apresenta problemas de saúde e acaba falecendo após sua apresentação de estreia. 

Ao mesmo tempo na França, Veronique (Irene Jacob também) é uma jovem idêntica a garota polonesa, que também vive com o pai e tem o mesmo talento para a música. Sua vida muda após assistir a um show de marionetes comandado pelo escritor Alexandre Fabbri (Philippe Volter). Veronique sente-se atraída pelo sujeito e decide desistir da carreira de cantora. 

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, este filme apresentou ao mundo o trabalho do diretor polonês Krzysztof Kieslowski, sendo extremamente elogiado pela crítica, assim como a interpretação de Irene Jacob que venceu o prêmio de melhor atriz no mesmo festival. 

Apesar de todos os elogios, gosto mais dos outros trabalhos do diretor, aqui a história tem uma premissa interessante ao mostrar duas jovens idênticas que vivem em países diferentes e sentem que falta algo em suas vidas, porém o desenrolar da trama é filosófico demais. 

Existem bons momentos como a cena em que as duas jovens se encontram por acaso numa praça na Cracóvia e as sequências de sexo da bela protagonista, em contrapartida o ritmo lento que nos outros trabalhos do diretor serviam como reflexão da história e das vidas dos personagens, aqui deixa a impressão de que a trama não chega a lugar algum. 

Para os fãs do filme, com certeza a história pode render grandes discussões filosóficas, mas na minha opinião é um longa superestimado.   

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Ficção B com Alienígenas

Hangar 18 (Hangar 18, EUA, 1980) – Nota 6
Direção – James L. Conway
Elenco – Gary Collins, Darren McGavin, Robert Vaughn, James Hampton, Pamela Bellwood.

Uma nave não identificada se choca com um satélite e faz um pouso de emergência no deserto. Dois astronautas (Gary Collins e James Hampton) que estavam em um ônibus espacial presenciam o acidente e quando voltam à Terra tentam descobrir o que ocorreu com a nave, porém são proibidos de investigar pelo governo que não deseja que o fato influencie na reeleição do presidente (Robert Vaughn). Esta razoável ficção fez algum sucesso na época ao mostrar uma trama de conspiração governamental para esconder alienígenas, com uma mistura do anterior “Capricórnio Um” (longa que tratava a chegada à lua como um farsa) e a posterior série “Arquivo X”, porém sem o charme e o carisma dos personagens da série. Com efeitos especiais que envelheceram, hoje o filme val apenas como curiosidade.  

Missão Alien (Alien Nation, EUA, 1988) – Nota 7
Direção – Graham Baker
Elenco – James Caan, Mandy Patinkin, Terence Stamp, Kevin Major Howard, Peter Jason, Jeff Kober, Leslie Bevis, Conrad Dunn, Roger Aaron Brown, Brian Thompson.

Um nave com trezentos mil alienígenas chega à Terra fugindo de uma guerra no seu planeta de origem. O governo recebe os visitantes e tenta criar formas de integrá-los a sociedade. Após algum tempo os alienígenas vivem normalmente entre humanos, inclusive demonstrando os mesmos defeitos e virtudes. Quando um policial (James Caan) tem seu parceiro morto por uma gangue de alienígenas, seu superior escala como novo parceiro o primeiro alienígena a ser tornar policial (Mandy Patinkin), o que causa revolta no sujeito. A trama lembra bastante o ótimo e bem posterior “Distrito 9”, mostrando a interação dos alienígenas com a população e todos os conflitos que surgem com a situação, inclusive o preconceito idêntico ao que ocorre com os imigrantes. O roteiro segue o estilo dos longas policiais sobre parceiros que a princípio não se entendem e depois se tornam amigos, com a diferença de que um deles é alienígena. Como curiosidade, o longa fez sucesso e gerou uma série com outro elenco que rendeu uma temporada. A série foi cancelada e os fãs reclamaram, o que posteriormente gerou cinco filmes para a tv baseados na série, produzidos de 1994 a 1997.

Caçada Alienígena (Peacemaker, EUA, 1990) – Nota 5,5
Direção – Kevin S. Tenney
Elenco – Robert Forster, Lance Edwards, Hilary Shepard, Robert Davi, Bert Remsen.

Dois alienígenas (Robert Forster e Lance Edwards) chegam à Terra e travam uma violenta batalha. Entre eles está uma médica (Hillary Shepherd) que não sabe quem é o mocinho ou o bandido. Um policial (Robert Davi) também se envolve na caçada. Esta ficção B copia o superior “The Hidden – O Escondido”, longa produzido dois anos antes que também tinha como ponto principal a caçada a um alienígena assassino que usava o corpo das vítimas como hospedeiro. O filme tem até boas cenas de ação e bastante correria, que pode divertir quem não sabe importar com as falhas do roteiro e o elenco de canastrões.   

Monolith – A Energia Destruidora (Monolith, Alemanha / EUA, 1993) – Nota 5,5
Direção – John Eyres
Elenco – Bill Paxton, Lindsay Frost, John Hurt, Louis Gossett Jr, Musetta Vander.

Uma dupla de policiais (Bill Paxton e Louis Gosset Jr) investiga o assassinato de um jovem e as pistas os levam a uma entidade secreta do governo que está envolvida numa experiência com alienígenas. Esta ficção B misturada com longa policial, começa deixando o espectador curioso com a possível conspiração, porém o roteiro se perde resultando num clímax fraco repleto de efeitos especiais ruins. Bill Paxton, Louis Gosset Jr e John Hurt fazem o possível com o que tem em mãos, porém não é o suficiente para resultar num bom filme.

Sob o Domínio dos Aliens (The Puppet Masters, EUA, 1994) – Nota 6,5
Direção – Stuart Orme
Elenco – Donald Sutherland, Eric Thal, Julie Warner, Keith David, Will Patton, Yaphet Kotto, Richard Belzer, Tom Mason, Sam Anderson, Marshall Bell.

Uma nave alienígena cai numa pequena cidade americana e quando os agentes do governo chegam ao local, tudo parece normal, como se nada tivesse ocorrido. A questão é que os aliens tem o poder de entrar no corpo dos humanos e se alojar na espinha dorsal, mantendo o hospedeiro como uma espécie de zumbi. Quando os agentes do governo (Donald Sutherland, Eric Thal e Julie Warner) descobrem o que ocorreu, é o início de uma corrida contra o tempo, já que qualquer um pode estar contaminado e rapidamente infectar outros. Copiando a premissa do clássico “Vampiros de Almas” que já foi refilmado algumas vezes, esta ficção com cara de filme B é até competente ao misturar o clima de caos com cenas de ação, mesmo que tenha alguns furos e o final não seja lá grande coisa. Como curiosidade, Sutherland estrelou o semelhante “Invasores de Corpos” em 1978, que foi a primeira refilmagem de “Vampiros de Almas”.

Contato Alienígena (Alien Hunter, EUA / Bulgária, 2003) – Nota 6
Direção – Ron Krauss
Elenco – James Spader, Janine Ester, John Lynch, Carl Lewis, Keir Dullea.

Numa base no Pólo Sul, cientistas descobrem um estranho objeto enterrado no gelo. Enquanto isso, diversas estações pelo mundo captam sinais de rádio vindos do espaço. Para decifrar os sinais, a cientista chefe da base convoca o especialista Julian Rome (James Spader), que descobrirá uma terrível ameaça na mensagem. Basicamente é uma ficção “B”, com uma história que tem algum suspense e agradará fãs nem tanto exigentes do gênero. O ponto negativo são os fracos efeitos especiais que comprometem o longa. Como curiosidade, temos a participação do ex-corredor e medalhista olímpico Carl Lewis e uma ponta de Keir Dullea, que protagonizou o clássico “2001 – Uma Odisséia no Espaço” e nunca se firmou no carreira.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Terráqueos

Terráqueos (Earthlings, EUA, 2005) – Nota 7,5
Direção – Shaun Monson
Narração – Joaquin Phoenix
Documentário 

O diretor Shaun Monson reuniu uma coletânea de imagens, em grande parte gravadas com câmeras escondidas, que mostram como os seres humanos tratam os animais de forma terrível, como se fossem objetos, sendo que nossa sociedade é totalmente dependente dos animais. 

O documentário é dividido em cinco partes: Animais de estimação, comida, vestuário, entretenimento e pesquisas científicas. Em todas estas situações o diretor mostra como os animais são tratados com crueldade. São cenas absurdas que chocam pela total falta de sentimento de pessoas envolvidas que podem ser consideradas psicopatas. 

Confesso que em várias partes usei o fast forward. Logo na questão dos animais de estimação fiquei com um nó na garganta. Os terríveis criadouros de cães são comparados aos campos de concentração nazistas, com os pobres animais ficando presos em pequenas jaulas, situação que leva muitos deles a loucura. 

O documentário segue mostrando como funcionam os criadores e abatedouros, onde vacas, porcos e galinhas vivem amontoados até o momento de serem executados. Vemos ainda cenas de caça onde os animais são vítimas para serem utilizados na confecção de roupas, as corridas de cavalo e cães, onde o que vale é o lucro com as apostas, os domadores de circo que batem em animais para adestrá-los e finalizando com as pesquisas científicas que muitas vezes utilizam animais vivos como cobaias. 

Fica claro que o documentário foi feito com o objetivo de chocar, utilizando as piores imagens possíveis de maus tratos aos animais, situações que não merecem perdão para os envolvidos, porém, infelizmente esta dependência do ser humano em relação aos animais continuará existindo, não vejo como isso possa mudar. Por outro lado, acredito que existam formas de minimizar este sofrimento, a questão é como fazer isso?

Resumindo, é um documentário pesado que faz o espectador refletir sobre suas atitudes de consumo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Dúvida

Dúvida (Doubt, EUA, 2008) – Nota 8,5
Direção – John Patrick Shanley
Elenco – Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Viola Davis.

Em 1964, no colégio católico St. Nicholas no Bronx, a irmã Aloysius (Meryl Streep) comanda as professoras e os alunos com mão de ferro. Em contrapartida, padre Flynn (Philip Seymour Hoffman) é um sujeito progressista, que ensina basquete para os alunos, tira suas dúvidas e faz sermões nas missas baseados em temas como dúvida e intolerância. 

O padre considera um grande atraso os métodos da irmã Aloysius, que pelo seu lado não vê com bons olhos a relação do padre com os alunos. No meio desta guerra está a jovem irmã James (Amy Adams), uma professora que acredita na bondade e por este motivo fica dividida entre as suspeitas da irmã Aloysius e o tratamento carinhoso que o padre Flynn tem com os alunos. 

A situação fica complicada quando um aluno de cor negra, o primeiro a ser aceito na escola, tem um comportamento estranho após conversar com o padre. O fato transforma a inimizade entre irmã e padre numa guerra, onde a irmã Aloysius tentará fazer todos acreditarem que o padre molestou o garoto. 

Este ótimo drama é baseado numa peça teatral do próprio diretor John Patrick Shanley (Oscar pelo roteiro de “O Feitiço da Lua”) que utiliza a dúvida em relação ao comportamento do padre como ponto principal. Pequenos detalhes em cena, algumas sequências e os ótimos diálogos que podem ser interpretados nas entrelinhas, deixam o espectador e os personagens mergulhados na dúvida até o final, que por sinal tem uma sensacional cena com Meryl Streep e Amy Adams. 

Além do roteiro que foi indicado ao Oscar, a atuação do quarteto principal também resultou em merecidas indicações, inclusive a pequena participação de Viola Davis como a mãe do aluno que faz amizade com o padre.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Ele Não Está Tão Afim de Você

Ele Não Está Tão Afim de Você (He’s Just Not That Into You, EUA, 2009) – Nota 7
Direção – Ken Kwapis
Elenco – Ginnifer Goodwin, Justin Long, Jennifer Aniston, Jennifer Connelly, Scarlett Johansson, Bradley Cooper, Ben Affleck, Drew Barrymore, Kevin Connolly, Luis Guzman, Kris Kristofferson.

Em Baltimore, várias pessoas estão interligadas por encontros e desencontros amorosos. Temos a jovem sonhadora procurando o amor (Ginnifer Goodwin), que faz amizade com o gerente de um bar (Justin Long), que resolve contar de forma direta quais são os sinais que os homens dão quando não estão afim de uma garota. Temos um corretor de imóveis (Kevin Connolly) apaixonado por uma professora de ioga (Scarlett Johansson), que por seu lado está interessada num sujeito casado (Bradley Cooper) que passa por uma crise com a esposa (Jennifer Connelly). Esta última trabalha com a jovem sonhadora e com outra mulher (Jennifer Aniston) que vive há sete anos com o namorado (Ben Affleck) que não pensa em casar. Ainda temos uma jovem (Drew Barrymore) que procura um namorado pela internet. 

Esta ciranda de amores brinca com a ansiedade feminina em decifrar os sinais dados pelos homens, que na maioria das vezes nem imaginam que uma determinada atitude pode ser interpretada pelas mulheres como sinal de interesse. 

As narrações no prólogo e no epílogo refletem bem como a maioria das mulheres escolhem sonhar com um final feliz, mesmo que a situação real mostre o oposto. 

O elenco de astros segura bem o filme, com destaque para os dois menos conhecidos: A simpática Ginnifer Goodwin e Justin Long tem os papéis mais interessantes, com os melhores diálogos, repetindo o par que fizeram na antiga série de tv “Ed”.  

Do restante do elenco vale destacar os corretos Bradley Cooper e as Jennifer Aniston e Connelly, além da volúpia de Scarlett Johansson. O destaque negativo é o fraco Ben Afleck, que aparece pouco na tela, provavelmente por escolha do diretor. 

Como curiosidade, em uma cena a personagem de Ginnifer Goodwyn assiste ao longa “Alguém Muito Especial”, clássico adolescente dos anos oitenta estrelado por Eric Stoltz e Mary Stuart Masterson.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O Artista

O Artista (The Artist, França / Bélgica, 2011) – Nota 8
Direção – Michael Hazanavicius
Elenco – Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelop Ann Miller, Missy Pyle, Beth Grant, Ed Lauter, Malcolm McDowell, Ken Davitian.

Na Hollywood de 1927, George Valentin (Jean Dujardin) é um grande astro do cinema mudo, porém não imagina que sua vida irá mudar em pouco tempo. Quando o produtor Al Zimmer (John Goodman) mostra que o futuro chegou e os novos filmes seriam produzidos com som, George debocha do sujeito. Pouco tempo depois Al despede George, que decide produzir seu próprio filme mudo e acredita que continuará fazendo sucesso. Por outro lado, a jovem Peppy Miller (Bérénice Bejo) que começou no cinema como figurante com a ajuda de George, se torna a nova estrela da companhia de Al Zimmer, que agora produz apenas filmes com som. 

O filme é uma grande homenagem ao cinema mudo, focando a transição para o cinema com som, fato que acabou com a carreira de diversos astros e estrelas, abrindo caminho para novos rostos. O roteiro do diretor Hazanavicius é apenas certinho, segue um modelo clássico de sucesso, queda e redenção, citando ainda rapidamente a questão da quebra da bolsa de Nova York em 1929, porém o filme cresce nas ótimas interpretações de Dujardin e Bejo, na “atuação” do simpático cachorrinho companheiro de Dujardin, na belíssima fotografia em preto e branco, numa perfeita reconstituição de época e em fazer o espectador atual prender atenção em um filme sem diálogos, pontuado por um trilha sonora inspirada. 

É um belo filme em que o diretor buscou inspiração nos primórdios do cinema.  

domingo, 7 de outubro de 2012

O Enigma das Cartas

O Enigma das Cartas (House of Cards, EUA, 1994) – Nota 5,5
Direção – Michael Lessac
Elenco – Kathleen Turner, Tommy Lee Jones, Asha Menina, Shiloh Strong, Esther Rolle, Park Overall.

Ruth Mattews (Kathleen Turner) volta da América Central após a morte do marido num acidente quando o casal fazia a restauração de uma pirâmide Maia. Ao chegar em casa nos Estados Unidos com o filho adolescente Michael (Shiloh Strong) e a pequena Sally (Asha Menina), a garota começa a agir de forma estranha. Primeiro subindo em lugares altos como árvores e o telhado de casa, depois deixando de falar e não mostrando reação a situação alguma. A escola indica o assistente social Jake Beerlander (Tommy Lee Jones) para examinar a garota, o que a princípio não é aceito por Ruth, mas diante das situações perigosas que a menina se envolve, ela é obrigada a aceitar o tratamento. 

É um filme estranho, que no início passa a impressão de que a garota está possuída por algum espírito Maia ou algo sobrenatural, já que no prólogo a criança conversa na antiga língua dos Maias com um descendente daquele povo. O foco muda quando a garota constrói uma espécie de casa de cartas e a mãe tentando ajudar procura uma solução fora do comum. 

Mesmo o filme não sendo de todo ruim, ele perde pontos em virtude do roteiro confuso escrito pelo diretor Lessac e também por seu trabalho atrás das câmeras que é fraco, apresentando uma narrativa lenta e sem emoção.

sábado, 6 de outubro de 2012

Elefante Branco

Elefante Branco (Elefante Blanco, Argentina / Espanha, 2012) – Nota 7,5
Direção – Pablo Trapero
Elenco – Ricardo Darin, Jeremie Renier, Martina Gusman.

O padre Julian (Ricardo Darin) é o responsável por uma paróquia dentro de uma enorme favela na periferia de Buenos Aires. No local existe um velho edifício inacabado que fora construído décadas atrás com o objetivo de ser um grande hospital, mas o projeto foi abandonado e o esqueleto do prédio se transformou em moradia para dezenas de famílias e também local para jovens viciados se drogarem. Para auxiliá-lo na paróquia, Julian vai buscar o padre Nicolas (Jeremie Renier), um amigo belga que vive numa comunidade na Amazônia. Junto com a dupla, a assistente social Luciana (Martina Gusman) também tenta ajudar a população da favela, inclusive na construção de um conjunto habitacional. 

Dos bons diretores que surgiram no cinema argentino na última década, Pablo Trapero é com certeza o que mais procura mostrar o lado obscuro da sociedade do seu país. Nos ótimos “O Outro Lado da Lei” e “Abutres” ele criticou ferozmente a corrupção policial, sendo que no segundo ainda mexia na questão dos golpes contra as seguradoras. 

Nesta nova produção, Trapero vai fundo ao mostrar a vida dos excluídos com toda a corrupção e violência que os cercam. A favela argentina sofre dos mesmos problemas que vemos no Brasil, enquanto alguns poucos tentam melhorar as precárias condições de vida desta população, outros remam contra, aqui sobrando críticas para a Igreja Católica que lava as mãos com a situação, os políticos que desviam dinheiro público e a truculência da polícia. 

Trapero acerta ainda ao filmar vários planos-sequências que seguem os personagens pela ruas estreitas da favela e pelas escadas e corredores do gigantesco prédio abandonado, fato incomum no cinema atual marcado pelos cortes rápidos e pela velocidade da câmera. 

Vale destacar ainda a trilha sonora do inglês Michael Nyman e o elenco competente, com Ricardo Darin e Martina Gusman revivendo a parceira de “Abutres” e agora com a participação do belga Jeremie Renier, conhecido pelo papel do namorado drogado da protagonista no ótimo “O Silêncio de Lorna”.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A Sétima Vítima & Fui Comunista Para o FBI


A Sétima Vítima (The Seventh Victim, EUA, 1943) – Nota 6
Direção – Mark Robson
Elenco – Kim Hunter, Tom Conway, Jean Brooks, Erford Gage, Hugh Beaumont.

A jovem Mary Gibson (Kim Hunter, a dra, Zira de “O Planeta dos Macacos” de 1968) estuda num colégio interno, porém quando sua irmã Jacqueline (Jean Brooks) deixa de pagar as mensalidades e não envia notícias, ela resolve partir para Nova York para saber o que aconteceu. Chegando lá, Mary descobre que a irmã abandonou o salão de beleza que era dona e sumiu. Na busca, Mary encontrará Gregory Ward (Hugh Beaumont) que diz ser namorado de sua irmã e que também está a sua procura. O único que parece saber o paradeiro da mulher é o psiquiatra Louis Judd (Tom Conway) que alega estar protegendo sua paciente. 

O suspense que o roteiro promete se perde nos vários personagens que cruzam na tela, numa trama confusa e envelhecida para os dias atuais. A história tenta assustar ao mostrar um grupo de pessoas influentes que pertencem a um grupo satanista, mas a abordagem não convence. Uma pena que a boa premissa tenha sido desperdiçada.  

Fui Comunista Para o FBI (I Was a Communist for the F.B.I., EUA, 1951) – Nota 7
Direção – Gordon Douglas
Elenco – Frank Lovejoy, Dorothy Hart, Philip Carey, Richard Webb, Paul Picerni.

Matt Cvetic (Frank Lovejoy) recebe a oferta do FBI para se infiltrar no partido comunista e atuar como espião para o governo americano. O maior problema é que Matt tem de esconder o seu verdadeiro objetivo até mesmo da família, o que causa revolta principalmente em seu irmão Joe (Paul Picerni). 

Este longa é baseado na história real de Matt Cvetic, que nos quarenta se passou por membro do partido comunista por nove anos e durante este período se envolveu em situações críticas, até mesmo no assassinato de outro agente do FBI. 

Apesar de ser um bom filme, a produção claramente tinha o objetivo de servir de propaganda do governo americano contra o comunismo, com o adendo de que o Macarthismo (perseguição aos que eram considerados antiamericanos) começou no mesmo ano.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Uma Vida Melhor

Uma Vida Melhor (A Better Life, EUA, 2011) – Nota 8
Direção – Chris Weitz
Elenco – Demian Bichir, José Julián, Dolores Heredia, Joaquín Cosio, Gabriel Chavarria, Carlos Linares.

Carlos Galindo (Demian Bichir) é um mexicano que vive há muitos anos de forma ilegal em Los Angeles. Ele mora numa casa simples em um bairro pobre e violento com o filho adolescente Luís (José Julián). Carlos trabalha como paisagista em casas de bairros ricos auxiliando Blasco (Joaquín Cosio), que pensando em voltar para o México. oferece a Carlos a oportunidade de comprar sua caminhonete e ficar com seu clientes. 

Sem dinheiro e preocupado em ser parado pela polícia caso esteja dirigindo sem licença, Carlos fica em dúvida se aceita ou não a proposta do amigo, pois sabe que sem ele, terá de procurar um novo emprego, situação complicada para um imigrante ilegal. Ao mesmo tempo, seu filho Luís não deseja ter a mesma vida dura do pai e como namora uma jovem ligada a uma gangue, o garoto começa a pensar em entrar para o mundo do crime. 

Este pequeno longa é uma grata surpresa que aborda um tema que geralmente é mostrado no cinema através de cenas de violência, porém aqui o roteiro escolhe focar no drama da vida dos imigrantes ilegais que desejam apenas trabalhar com honestidade para melhorar de vida. 

O grande destaque é a atuação do mexicano Demian Bichir, conhecido pelo papel de Fidel Castro nos filmes “Che” de Steven Soderbergh, aqui ele conseguiu uma merecida indicação ao Oscar interpretando o pai que foi abandonado pela esposa com um filho pequeno e que luta para dar uma vida melhor ao garoto. 

Vale destacar também a direção sóbria de Chris Weitz, responsável por filmes bem diferentes entre si, como “American Pie”, “Um Grande Garoto” e “A Bússola de Ouro”. Neste novo trabalho ele acerta o tom da narrativa e cria um longa com emoção e realismo na medida certa.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

TerrorStorm

TerrorStorm (TerrorStorm: A History of a Government-Sponsored Terrorism, EUA, 2006) – Nota 7,5
Direção – Alex Jones
Documentário

Após os atentados de 11 de setembro, surgiram várias teorias sobre quem realmente participou dos atentados e vários pontos de interrogação sobre a versão oficial. 

Partindo destas questões, o jornalista texano Alex Jones produziu este documentário que com certeza coloca mais dúvidas ainda sobre a versão do governo americano. Jones acredita, assim com muitas pessoas, que o próprio governo americano participou dos atentados, facilitando a ação dos terroristas. Para provar sua teoria, ele busca na história várias situações de governos que cometeram atentados sobre uma “falsa bandeira”, acusando em seguida algum grupo opositor para fomentar o medo na população e a consequente aprovação de alguma lei ou ato que diminuiu os direitos do povo em prol da liberdade da pátria, ou seja, um golpe para dar início a uma ditadura. 

Ele cita como exemplo a Alemanha Nazista em 1933, quando pouco tempo depois de Hitler se tornar Chanceller, ele e outros oficiais armaram o incêndio no Parlamento Alemão culpando um jovem com problemas mentais acusado de ser comunista, fato que deu liberdade para Hitler começar a impor suas leis absurdas, a princípio com o apoio do povo. Para mostrar que o governo americano também já havia feito algo parecido, Jones cita o incidente no Golfo de Tonkin em 1964, quando o presidente Lyndon Johnson precisando de aprovação para declarar Guerra ao Vietnã, forjou a notícia de que destroyers americanos tinham sido atacados por barcos vietnamitas, uma grande mentira que serviu como estopim para guerra. 

As dúvidas levantadas por Jones são divididas com diversas personalidades, inclusive ex-militares e ex-políticos de alto escalão, que não entendem porque caça algum foi para o ar com o objetivo de deter os aviões sequestrados, o porquê da demora do presidente Bush em sair da escola e tomar uma atitude após ser avisado da situação, o avião que teria caído no Pentágono mas que as imagens mostram um possível míssil, além da própria queda das torres que lembram um demolição programada, finalizando com vários absurdos cometidos pela imprensa. 

Jones levanta ainda suas dúvidas sobre os atentados de Londres, com coincidências absurdas com o 11 de setembro, como os treinamentos anti-terrorismo que ocorriam nas duas cidades nos mesmos dias dos atentados, fato que seria quase impossível de ocorrer, o que seria uma proporção matemática absurda. 

São tantas informações interessantes que merecem ser vistas e ouvidas, inclusive a citação do assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes como outro absurdo sem explicação convincente.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O Último Mestre do Ar

O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, EUA, 2010) – Nota 7,5
Direção – M. Night Shyamalan
Elenco – Noah Ringer, Dev Patel, Nicola Peltz, Jackson Rathbone, Shaun Toub, Aasif Mandvi, Cliff Curtis, Seychelle Gabriel, Katharine Houghton.

O mundo está dividido em quatro povos: Os povos da água, da terra, do ar e do fogo. A paz entre estes povos era mantida pela presença de um avatar, um sujeito que nasce a cada geração com o poder de dominar os quatro elementos. Quando o avatar desaparece, o povo do fogo decide atacar os outros grupos, exterminando primeiramente o povo do ar que pela tradição seria onde nasceria o próximo avatar. Em seguida o povo do fogo entra em guerra com os povos da água e da terra, escravizando várias comunidades. 

Quando o jovem Aang (Noah Ringer) é resgatado congelado por dois irmãos do povo da água, Sokka (Jackson Rathbone) e Katara (Nicola Peltz), eles descobrem que o garoto é o avatar que desapareceu há cem anos, O fato dá início a uma caçada do povo do fogo para capturar o avatar, ao mesmo tempo em que o garoto Aang precisa aceitar que toda uma geração depende de sua vida. 

O diretor M. Night Shyamalan se baseou numa série de animação para escrever o roteiro e comandar esta adaptação com o objetivo de criar um franquia, sendo a princípio uma trilogia, porém a crítica massacrou o filme e enterrou as esperanças de uma sequência. Analisando sem conhecer a série animada, considero um bom filme, perfeito na parte técnica e com cenas de ação interessantes, além de apresentar um bom protagonista, com o garoto Noah Ringer dando conta do recado. 

O problema principal é o roteiro que comprime vários personagens e muita história em pouco mais de uma hora e meia, fato ocorrido provavelmente com a certeza de que o restante da trama seria contada nos dois filmes seguintes. Este tipo de aposta vem dando errado em vários casos, como na razoável ficção adolescente “Eu Sou o Número Quatro” e na confusa fantasia “A Bússola de Ouro”. 

A diferença aqui está na história que mesmo não aproveitando bem os personagens é contada de modo claro, inclusive com situações adultas, como a angústia do personagem principal em assumir seu destino e a obstinação do príncipe Zuko (Dev Patel) em capturar o avatar para ser aceito por seu pai (Cliff Curtis), o rei do povo do fogo. 

Acredito que um filme com maior duração poderia desenvolver melhor os personagens e adiantar a trama até um final que não deixasse o espectador frustrado caso não houvesse uma sequência. 

Além do roteiro, outro fator que pesou foi a antipatia de grande parte da crítica ao trabalho de Shyamalan, que foi quase chamado de gênio após “O Sexto Sentido” e que vem sendo detonado a cada novo trabalho. As duas situações são exageradas, Shyamalan não é um gênio, mas também não merece as críticas duras, já que ele é um cineasta original numa época em que poucos diretores tem coragem de inovar. 

Infelizmente o público que conheceu esta história apenas no cinema não saberá como termina a saga.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Alta Frequência & Vozes do Além



Alta Frequência (Frequency, EUA, 2000) – Nota 7,5
Direção – Gregory Hoblit
Elenco – Dennis Quaid, Jim Caviezel, Andre Braugher, Elizabeth Mitchell, Noah Emmerich, Shawn Doyle.

John Sullivan (Jim Caviezel) é um policial que sofre por não ter convivido com o pai, o bombeiro Frank (Dennis Quaid), que morreu em um incêndio quando John tinha poucos anos. Quase trinta anos depois da trágica morte, John que mora na mesma casa que fora do pai, encontra um velho rádio amador no porão. Ao ligar o rádio, John consegue contato com uma voz que diz ser de um bombeiro e rapidamente ele liga os fatos e descobre estar falando com o próprio pai. 

Por algum motivo fora do comum, pai e filho conseguem contato pelas ondas do rádio mesmo estando com um distância de trinta anos. O fato faz com que John tente alertar o pai sobre o acidente fatal, porém ele não imagina que evitar o acidente mudará o curso de vários situações, com consequências até nos dias atuais. 

Esta interessante e fantasiosa história prende o espectador com um roteiro bem amarrado, que de início parece ser um drama ao mostrar a aproximação de pai e filho através do rádio e a descoberta de gostos parecidos, mas aos poucos se transforma num thriller. 

Vale destacar as boas atuações de Jim Caviezel e Dennis Quaid, além da direção de Gregory Hoblit, responsável por bons filmes como “Possuídos” e “Um Crime de Mestre” e que começou a carreira na tv dirigindo ótimas séries como “Nova York Contra o Crime” e “Hill Street Blues”.   

Vozes do Além (White Noise, EUA, 2005) – Nota 6
Direção – Geoffrey Sax
Elenco – Michael Keaton, Deborah Kara Unger, Chandra West, Ian McNeice.

O arquiteto Jonathan Rivers (Michael Keaton) está casado e feliz com sua segunda esposa, a escritora Anna (Chandra West), até que um certo dia ela desaparece na beira de um rio, deixando apenas seu carro abandonado. Depois de algum tempo um homem (Ian McNeice) procura Jonathan dizendo que Anna morreu e está tentando se comunicar. A princípio Jonathan não acredita, mas após alguns acontecimentos estranhos, ele resolve procurar o homem e descobre que o sujeito tenta se comunicar com os mortos através de aparelhos eletrônicos. 

Partindo da ideia de que existe um mundo depois da morte e os que lá estão querem se comunicar com o lado de cá, a história trabalha com a técnica que alguns especialistas acreditam ser a melhor forma de comunicação nestes casos, utilizando rádios e tvs mal sintonizadas para tentar captar mensagens do além. 

O longa começa interessante, com suspense e alguns sustos, mas a partir da metade da história o roteiro se torna confuso, misturando mensagens enviadas pelos mortos com outras enviadas por pessoas ainda vivas que estão em perigo, culminando num desfecho frio e pouco convincente.