sábado, 6 de outubro de 2012

Elefante Branco

Elefante Branco (Elefante Blanco, Argentina / Espanha, 2012) – Nota 7,5
Direção – Pablo Trapero
Elenco – Ricardo Darin, Jeremie Renier, Martina Gusman.

O padre Julian (Ricardo Darin) é o responsável por uma paróquia dentro de uma enorme favela na periferia de Buenos Aires. No local existe um velho edifício inacabado que fora construído décadas atrás com o objetivo de ser um grande hospital, mas o projeto foi abandonado e o esqueleto do prédio se transformou em moradia para dezenas de famílias e também local para jovens viciados se drogarem. Para auxiliá-lo na paróquia, Julian vai buscar o padre Nicolas (Jeremie Renier), um amigo belga que vive numa comunidade na Amazônia. Junto com a dupla, a assistente social Luciana (Martina Gusman) também tenta ajudar a população da favela, inclusive na construção de um conjunto habitacional. 

Dos bons diretores que surgiram no cinema argentino na última década, Pablo Trapero é com certeza o que mais procura mostrar o lado obscuro da sociedade do seu país. Nos ótimos “O Outro Lado da Lei” e “Abutres” ele criticou ferozmente a corrupção policial, sendo que no segundo ainda mexia na questão dos golpes contra as seguradoras. 

Nesta nova produção, Trapero vai fundo ao mostrar a vida dos excluídos com toda a corrupção e violência que os cercam. A favela argentina sofre dos mesmos problemas que vemos no Brasil, enquanto alguns poucos tentam melhorar as precárias condições de vida desta população, outros remam contra, aqui sobrando críticas para a Igreja Católica que lava as mãos com a situação, os políticos que desviam dinheiro público e a truculência da polícia. 

Trapero acerta ainda ao filmar vários planos-sequências que seguem os personagens pela ruas estreitas da favela e pelas escadas e corredores do gigantesco prédio abandonado, fato incomum no cinema atual marcado pelos cortes rápidos e pela velocidade da câmera. 

Vale destacar ainda a trilha sonora do inglês Michael Nyman e o elenco competente, com Ricardo Darin e Martina Gusman revivendo a parceira de “Abutres” e agora com a participação do belga Jeremie Renier, conhecido pelo papel do namorado drogado da protagonista no ótimo “O Silêncio de Lorna”.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A Sétima Vítima & Fui Comunista Para o FBI


A Sétima Vítima (The Seventh Victim, EUA, 1943) – Nota 6
Direção – Mark Robson
Elenco – Kim Hunter, Tom Conway, Jean Brooks, Erford Gage, Hugh Beaumont.

A jovem Mary Gibson (Kim Hunter, a dra, Zira de “O Planeta dos Macacos” de 1968) estuda num colégio interno, porém quando sua irmã Jacqueline (Jean Brooks) deixa de pagar as mensalidades e não envia notícias, ela resolve partir para Nova York para saber o que aconteceu. Chegando lá, Mary descobre que a irmã abandonou o salão de beleza que era dona e sumiu. Na busca, Mary encontrará Gregory Ward (Hugh Beaumont) que diz ser namorado de sua irmã e que também está a sua procura. O único que parece saber o paradeiro da mulher é o psiquiatra Louis Judd (Tom Conway) que alega estar protegendo sua paciente. 

O suspense que o roteiro promete se perde nos vários personagens que cruzam na tela, numa trama confusa e envelhecida para os dias atuais. A história tenta assustar ao mostrar um grupo de pessoas influentes que pertencem a um grupo satanista, mas a abordagem não convence. Uma pena que a boa premissa tenha sido desperdiçada.  

Fui Comunista Para o FBI (I Was a Communist for the F.B.I., EUA, 1951) – Nota 7
Direção – Gordon Douglas
Elenco – Frank Lovejoy, Dorothy Hart, Philip Carey, Richard Webb, Paul Picerni.

Matt Cvetic (Frank Lovejoy) recebe a oferta do FBI para se infiltrar no partido comunista e atuar como espião para o governo americano. O maior problema é que Matt tem de esconder o seu verdadeiro objetivo até mesmo da família, o que causa revolta principalmente em seu irmão Joe (Paul Picerni). 

Este longa é baseado na história real de Matt Cvetic, que nos quarenta se passou por membro do partido comunista por nove anos e durante este período se envolveu em situações críticas, até mesmo no assassinato de outro agente do FBI. 

Apesar de ser um bom filme, a produção claramente tinha o objetivo de servir de propaganda do governo americano contra o comunismo, com o adendo de que o Macarthismo (perseguição aos que eram considerados antiamericanos) começou no mesmo ano.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Uma Vida Melhor

Uma Vida Melhor (A Better Life, EUA, 2011) – Nota 8
Direção – Chris Weitz
Elenco – Demian Bichir, José Julián, Dolores Heredia, Joaquín Cosio, Gabriel Chavarria, Carlos Linares.

Carlos Galindo (Demian Bichir) é um mexicano que vive há muitos anos de forma ilegal em Los Angeles. Ele mora numa casa simples em um bairro pobre e violento com o filho adolescente Luís (José Julián). Carlos trabalha como paisagista em casas de bairros ricos auxiliando Blasco (Joaquín Cosio), que pensando em voltar para o México. oferece a Carlos a oportunidade de comprar sua caminhonete e ficar com seu clientes. 

Sem dinheiro e preocupado em ser parado pela polícia caso esteja dirigindo sem licença, Carlos fica em dúvida se aceita ou não a proposta do amigo, pois sabe que sem ele, terá de procurar um novo emprego, situação complicada para um imigrante ilegal. Ao mesmo tempo, seu filho Luís não deseja ter a mesma vida dura do pai e como namora uma jovem ligada a uma gangue, o garoto começa a pensar em entrar para o mundo do crime. 

Este pequeno longa é uma grata surpresa que aborda um tema que geralmente é mostrado no cinema através de cenas de violência, porém aqui o roteiro escolhe focar no drama da vida dos imigrantes ilegais que desejam apenas trabalhar com honestidade para melhorar de vida. 

O grande destaque é a atuação do mexicano Demian Bichir, conhecido pelo papel de Fidel Castro nos filmes “Che” de Steven Soderbergh, aqui ele conseguiu uma merecida indicação ao Oscar interpretando o pai que foi abandonado pela esposa com um filho pequeno e que luta para dar uma vida melhor ao garoto. 

Vale destacar também a direção sóbria de Chris Weitz, responsável por filmes bem diferentes entre si, como “American Pie”, “Um Grande Garoto” e “A Bússola de Ouro”. Neste novo trabalho ele acerta o tom da narrativa e cria um longa com emoção e realismo na medida certa.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

TerrorStorm

TerrorStorm (TerrorStorm: A History of a Government-Sponsored Terrorism, EUA, 2006) – Nota 7,5
Direção – Alex Jones
Documentário

Após os atentados de 11 de setembro, surgiram várias teorias sobre quem realmente participou dos atentados e vários pontos de interrogação sobre a versão oficial. 

Partindo destas questões, o jornalista texano Alex Jones produziu este documentário que com certeza coloca mais dúvidas ainda sobre a versão do governo americano. Jones acredita, assim com muitas pessoas, que o próprio governo americano participou dos atentados, facilitando a ação dos terroristas. Para provar sua teoria, ele busca na história várias situações de governos que cometeram atentados sobre uma “falsa bandeira”, acusando em seguida algum grupo opositor para fomentar o medo na população e a consequente aprovação de alguma lei ou ato que diminuiu os direitos do povo em prol da liberdade da pátria, ou seja, um golpe para dar início a uma ditadura. 

Ele cita como exemplo a Alemanha Nazista em 1933, quando pouco tempo depois de Hitler se tornar Chanceller, ele e outros oficiais armaram o incêndio no Parlamento Alemão culpando um jovem com problemas mentais acusado de ser comunista, fato que deu liberdade para Hitler começar a impor suas leis absurdas, a princípio com o apoio do povo. Para mostrar que o governo americano também já havia feito algo parecido, Jones cita o incidente no Golfo de Tonkin em 1964, quando o presidente Lyndon Johnson precisando de aprovação para declarar Guerra ao Vietnã, forjou a notícia de que destroyers americanos tinham sido atacados por barcos vietnamitas, uma grande mentira que serviu como estopim para guerra. 

As dúvidas levantadas por Jones são divididas com diversas personalidades, inclusive ex-militares e ex-políticos de alto escalão, que não entendem porque caça algum foi para o ar com o objetivo de deter os aviões sequestrados, o porquê da demora do presidente Bush em sair da escola e tomar uma atitude após ser avisado da situação, o avião que teria caído no Pentágono mas que as imagens mostram um possível míssil, além da própria queda das torres que lembram um demolição programada, finalizando com vários absurdos cometidos pela imprensa. 

Jones levanta ainda suas dúvidas sobre os atentados de Londres, com coincidências absurdas com o 11 de setembro, como os treinamentos anti-terrorismo que ocorriam nas duas cidades nos mesmos dias dos atentados, fato que seria quase impossível de ocorrer, o que seria uma proporção matemática absurda. 

São tantas informações interessantes que merecem ser vistas e ouvidas, inclusive a citação do assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes como outro absurdo sem explicação convincente.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O Último Mestre do Ar

O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, EUA, 2010) – Nota 7,5
Direção – M. Night Shyamalan
Elenco – Noah Ringer, Dev Patel, Nicola Peltz, Jackson Rathbone, Shaun Toub, Aasif Mandvi, Cliff Curtis, Seychelle Gabriel, Katharine Houghton.

O mundo está dividido em quatro povos: Os povos da água, da terra, do ar e do fogo. A paz entre estes povos era mantida pela presença de um avatar, um sujeito que nasce a cada geração com o poder de dominar os quatro elementos. Quando o avatar desaparece, o povo do fogo decide atacar os outros grupos, exterminando primeiramente o povo do ar que pela tradição seria onde nasceria o próximo avatar. Em seguida o povo do fogo entra em guerra com os povos da água e da terra, escravizando várias comunidades. 

Quando o jovem Aang (Noah Ringer) é resgatado congelado por dois irmãos do povo da água, Sokka (Jackson Rathbone) e Katara (Nicola Peltz), eles descobrem que o garoto é o avatar que desapareceu há cem anos, O fato dá início a uma caçada do povo do fogo para capturar o avatar, ao mesmo tempo em que o garoto Aang precisa aceitar que toda uma geração depende de sua vida. 

O diretor M. Night Shyamalan se baseou numa série de animação para escrever o roteiro e comandar esta adaptação com o objetivo de criar um franquia, sendo a princípio uma trilogia, porém a crítica massacrou o filme e enterrou as esperanças de uma sequência. Analisando sem conhecer a série animada, considero um bom filme, perfeito na parte técnica e com cenas de ação interessantes, além de apresentar um bom protagonista, com o garoto Noah Ringer dando conta do recado. 

O problema principal é o roteiro que comprime vários personagens e muita história em pouco mais de uma hora e meia, fato ocorrido provavelmente com a certeza de que o restante da trama seria contada nos dois filmes seguintes. Este tipo de aposta vem dando errado em vários casos, como na razoável ficção adolescente “Eu Sou o Número Quatro” e na confusa fantasia “A Bússola de Ouro”. 

A diferença aqui está na história que mesmo não aproveitando bem os personagens é contada de modo claro, inclusive com situações adultas, como a angústia do personagem principal em assumir seu destino e a obstinação do príncipe Zuko (Dev Patel) em capturar o avatar para ser aceito por seu pai (Cliff Curtis), o rei do povo do fogo. 

Acredito que um filme com maior duração poderia desenvolver melhor os personagens e adiantar a trama até um final que não deixasse o espectador frustrado caso não houvesse uma sequência. 

Além do roteiro, outro fator que pesou foi a antipatia de grande parte da crítica ao trabalho de Shyamalan, que foi quase chamado de gênio após “O Sexto Sentido” e que vem sendo detonado a cada novo trabalho. As duas situações são exageradas, Shyamalan não é um gênio, mas também não merece as críticas duras, já que ele é um cineasta original numa época em que poucos diretores tem coragem de inovar. 

Infelizmente o público que conheceu esta história apenas no cinema não saberá como termina a saga.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Alta Frequência & Vozes do Além



Alta Frequência (Frequency, EUA, 2000) – Nota 7,5
Direção – Gregory Hoblit
Elenco – Dennis Quaid, Jim Caviezel, Andre Braugher, Elizabeth Mitchell, Noah Emmerich, Shawn Doyle.

John Sullivan (Jim Caviezel) é um policial que sofre por não ter convivido com o pai, o bombeiro Frank (Dennis Quaid), que morreu em um incêndio quando John tinha poucos anos. Quase trinta anos depois da trágica morte, John que mora na mesma casa que fora do pai, encontra um velho rádio amador no porão. Ao ligar o rádio, John consegue contato com uma voz que diz ser de um bombeiro e rapidamente ele liga os fatos e descobre estar falando com o próprio pai. 

Por algum motivo fora do comum, pai e filho conseguem contato pelas ondas do rádio mesmo estando com um distância de trinta anos. O fato faz com que John tente alertar o pai sobre o acidente fatal, porém ele não imagina que evitar o acidente mudará o curso de vários situações, com consequências até nos dias atuais. 

Esta interessante e fantasiosa história prende o espectador com um roteiro bem amarrado, que de início parece ser um drama ao mostrar a aproximação de pai e filho através do rádio e a descoberta de gostos parecidos, mas aos poucos se transforma num thriller. 

Vale destacar as boas atuações de Jim Caviezel e Dennis Quaid, além da direção de Gregory Hoblit, responsável por bons filmes como “Possuídos” e “Um Crime de Mestre” e que começou a carreira na tv dirigindo ótimas séries como “Nova York Contra o Crime” e “Hill Street Blues”.   

Vozes do Além (White Noise, EUA, 2005) – Nota 6
Direção – Geoffrey Sax
Elenco – Michael Keaton, Deborah Kara Unger, Chandra West, Ian McNeice.

O arquiteto Jonathan Rivers (Michael Keaton) está casado e feliz com sua segunda esposa, a escritora Anna (Chandra West), até que um certo dia ela desaparece na beira de um rio, deixando apenas seu carro abandonado. Depois de algum tempo um homem (Ian McNeice) procura Jonathan dizendo que Anna morreu e está tentando se comunicar. A princípio Jonathan não acredita, mas após alguns acontecimentos estranhos, ele resolve procurar o homem e descobre que o sujeito tenta se comunicar com os mortos através de aparelhos eletrônicos. 

Partindo da ideia de que existe um mundo depois da morte e os que lá estão querem se comunicar com o lado de cá, a história trabalha com a técnica que alguns especialistas acreditam ser a melhor forma de comunicação nestes casos, utilizando rádios e tvs mal sintonizadas para tentar captar mensagens do além. 

O longa começa interessante, com suspense e alguns sustos, mas a partir da metade da história o roteiro se torna confuso, misturando mensagens enviadas pelos mortos com outras enviadas por pessoas ainda vivas que estão em perigo, culminando num desfecho frio e pouco convincente.


domingo, 30 de setembro de 2012

Força Policial

Força Policial (Pride and Glory, EUA, 2008) – Nota 7
Direção – Gavin O’Connor
Elenco – Colin Farrell, Edward Norton, Jon Voight, Noah Emmerich, Jennifer Ehle, John Ortiz, Frank Grillo, Shea Whigham, Lake Bell, Carmen Ejogo, Manny Perez, Wayne Duvall, Ramon Rodriguez, Rick Gonzalez.

Quatro policiais são assassinados durante uma batida num apartamento onde aparentemente existia uma negociação de drogas. Mesmo sem saber ao certo o que policiais faziam no local, já que não havia mandado de busca, o chefe de polícia Francis Tierney (Jon Voight) convoca seu filho Ray (Edward Norton) para participar da força tarefa que investigará o caso. 

Ray trabalha na área burocrática da polícia após um caso nebuloso ocorrido anos antes. Mesmo a contragosto, Ray aceita a pressão do pai e volta a ativa. A situação é muito complicada, pois os policiais mortos trabalhavam sob as ordens de seu irmão Francis Jr (Noah Emmerich), na mesma delegacia onde também trabalha o cunhado Jimmy Egan (Colin Farrell). 

A ótima premissa utiliza de forma interessante os clichês da família de policiais que vive para o trabalho e também a lealdade de grupo, seja ela na família ou no departamento de polícia. 

Não demora para o roteiro mostrar quem são os corruptos, o que não atrapalha o desenvolvimento da história, o problema é que na parte final as soluções são frágeis, com uma coincidência exagerada, fatos que não levam em contas a leis e até um clímax onde dois personagens resolvem decidir o destino na porrada, deixando as armas de lado. 

Do bom elenco vale destacar o sempre competente Edward Norton como o policial dividido entre a honestidade e a lealdade. 

O potencial da história com certeza poderiam render um filme melhor.  

sábado, 29 de setembro de 2012

Marnie, Confissões de um Ladra

Marnie, Confissões de uma Ladra (Marnie, EUA, 1964) – Nota 7
Direção – Alfred Hitchcock
Elenco – Sean Connery, Tippi Hedren, Diane Baker, Martin Gabel, Louise Latham, Alan Napier.

Margareth “Marnie” Edgar (Tippi Hedren) é uma jovem que após conseguir empregos por causa de sua beleza, procura ganhar a confiança das pessoas do local para na primeira oportunidade roubar o cofre. Após dar um golpe num contador (Martin Gabel), Marnie muda a cor do cabelo e procura emprego na editora Rutland, sem saber que o proprietário Mark Rutland (Sean Connery) a conhece do trabalho anterior. Ao invés de dispensá-la ou chamar a polícia, Mark a contrata com o objetivo de descobrir porque ela é um ladra e também por estar atraído pela jovem. 

Sendo um dos filmes menores de Hitchcock, produzido numa época pós seus grandes trabalhos, o longa peca pelo ritmo irregular e por um roteiro apenas razoável, que até explora com criatividade um trauma do passado da jovem Marnie, utilizando a cor vermelha como gatilho para uma espécie de síndrome do pânico da personagem e em contrapartida a cor verde aparece em vários objetos de diversas sequências. 

O roteiro falha ainda nos fracos coadjuvantes, inclusive na cunhada do personagem de Connery vivida pela bela Diane Baker, que parece não ter sentido algum sua presença na trama. 

Como curiosidade, a atriz Tippi Hedren que no ano anterior estrelou outro filme de Hitchcock, o superior “Os Pássaros”, aqui mostra que não tinha grande talento, o que foi comprovado no restante de sua carreira que ficou relegada a pequenos papéis. Hoje ela é mais conhecida por ser a mãe de Melanie Griffith, que por sinal também não é lá grande atriz.    

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O Perigoso Adeus & O Último dos Valentões


O Perigoso Adeus (The Long Goodbye, EUA, 1973) – Nota 7,5
Direção – Robert Altman
Elenco – Elliott Gould, Nina Van Pallandt, Sterling Hayden, Mark Rydell, Henry Gibson, David Carradine, Arnold Schwarzenegger.

O detetive particular Philip Marlowe (Elliott Gould) dá carona a um amigo que deseja viajar ao México e quando volta para os Estados Unidos acaba preso como cúmplice do assassinato da esposa deste amigo. Marlowe é liberado sob fiança assim que chega a notícia de que o amigo se suicidou no México. Em seguida, Marlowe é procurado por um mafioso (Mark Rydell) e seu capanga (Schwarzenegger antes da fama) que cobram do detetive uma dívida do falecido amigo. Precisando de dinheiro, Marlowe aceita o caso de uma mulher (Nina Van Pallandt) que deseja bisbilhotar a vida do marido alcoólatra (Sterling Hayden). 

Baseado num livro de Raymond Chandler, o diretor Robert Altman faz aqui uma homenagem aos filmes noir, porém com a cara do cinema realista dos anos setenta. O protagonista vivido por Elliott Gould é cínico e sofre em várias situações, um verdadeiro anti-herói. 

Como curiosidade, temos a citada participação de Schwarzenegger quando ainda era um desconhecido e de David Carradine, famoso na época pela seriado “Kung Fu”, que faz uma ponta como o companheiro de cela de Elliott Gould. 

O Último dos Valentões (Farewell, My Love, EUA, 1975) – Nota 6,5
Direção – Dick Richards
Elenco – Robert Mitchum, Charlotte Rampling, John Ireland, Sylvia Miles, Anthony Zerbe, Harry Dean Stanton, Jack O’Halloran, Joe Spinell, Sylvester Stallone.

O detetive Philip Marlowe (Robert Mitchum) é contratado pelo ex-presidiário Moose Malloy (Jack O’Halloran) para encontrar sua amada Velma. O problema é que Velma desapareceu há seis anos e durante a investigação, Marlowe se envolve com a jovem esposa (Charlotte Rampling) de um juiz, além de precisar lidar com uma dupla de policiais (John Ireland e Harry Dean Stanton) que investigam vários assassinatos ligados a Moose Malloy. 

O longa segue uma trama ao estilo noir, adaptando um livro de Raymond Chandler que tem como protagonista o detetive Philip Marlowe, que foi interpretado por Humphrey Bogart no clássico “A Beira do Abismo”. Aqui a interpretação de Robert Mitchum é competente, ele cria com perfeição o detetive cínico que conhece o submundo, porém o filme hoje parece um pouco envelhecido, tanto pelas cenas de ação, apenas algumas trocas de tiros, quanto pela trama um pouco confusa, mas que mesmo assim fará o espectador mais atento não demorar para descobrir o desfecho. 

Como informação, temos a pequena participação de Stallone pouco tempo antes de ficar famoso com “Rocky – Um Lutador”, além disso Mitchum voltaria ao papel de Marlowe três anos depois em “A Arte de Matar”.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O Banheiro do Papa

O Banheiro do Papa (El Baño Del Papa, França / Brasil / Uruguai, 2007) – Nota 8
Direção – César Charlone
Elenco – César Trancoso, Virginia Mendez, Virginia Ruiz, Mario Silva, Nelson Lence.

Em 1988, a pequena cidade de Melo na divisa do Uruguai com o Brasil vive a expectativa da visita do Papa João Paulo II. A população extremamente pobre vê na visita uma oportunidade de lucrar e quem sabe sair da miséria. A maioria das pessoas pretende montar barracas de comida esperando milhares de visitantes, principalmente brasileiros, numa esperança fomentada pela imprensa uruguaia. 

Um dos moradores do local é Beto (César Trancoso), que sobrevive atravessando diariamente a fronteira para o Brasil de bicicleta, onde compra mercadorias para revender ao mercadinhos de Melo. O problema é que o seu trabalho é considerado contrabando, fazendo com que ele e outros sujeitos tenham de fugir dos soldados que patrulham a fronteira viajando através de campos e pastos. Diferente do restante da população, a ideia de Beto é construir um banheiro, já que imagina uma quantidade grande de pessoas consumindo comidas e bebidas, sem ter banheiros públicos para utilizarem. O problema é que Beto precisa de dinheiro para construir o banheiro e para conseguir é necessário aumentar o número de viagens clandestinas. 

Este longa que tem Fernando Meirelles como um dos produtores, é uma pequena pérola baseada numa triste história real, que ficará marcada para sempre na memória do povo simples da cidade de Melo. 

O personagem principal é um sujeito que não se conforma com a pobreza de sua família e tenta de tudo para mudar sua vida, porém também é uma pessoa cheia de defeitos, que coloca o dinheiro e suas vontades acima de todos, inclusive da doce esposa Carmen (Virginia Mendez) e da filha Silvia (Virginia Ruiz) que sonha em ser radialista. 

Um dos pontos altos é a mistura de atores profissionais com pessoas comuns da cidade, que tem marcados no rosto a vida difícil num local sem perspectivas de melhora. 

O roteiro também faz críticas aos políticos, a Igreja Católica e principalmente a mídia, mostrada na figura alienada e ao mesmo tempo canalha de um repórter que mente descaradamente, fazendo o povo acreditar que aquela será a chance de mudar de vida e que ao final ainda fala em milagre, quando na realidade as pessoas tiveram de arcar com um prejuízo terrível para quem já vivia com pouco. 

Como curiosidade, o longa marca a estreia na direção do uruguaio César Charlone, responsável pela fotografia dos filmes de Fernando Meirelles, como “Cidade de Deus”, “O Jardineiro Fiel” e “Ensaio Sobre a Cegueira”.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Capitão América: O Primeiro Vingador


Capitão América: O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger, EUA, 2011) – Nota 6
Direção – Joe Johnston
Elenco – Chris Evans, Tommy Lee Jones, Hayley Atwell, Hugo Weaving, Sebastian Stan, Stanley Tucci, Dominic Cooper, Toby Jones, Bruno Ricci, Neal McDonough, Derek Luke, Richard Armitage.Kenneth Choi, JJ Feild, Samuel L. Jackson. 

Durante a Segunda Guerra Mundial, o jovem Steve Rogers (Chris Evans) tenta se alistar como voluntário por várias vezes, mas sempre acaba dispensado em virtude de seu físico extremamente frágil. A situação muda quando numa de suas tentativas, ele cruza com o Dr. Erskine (Stanley Tucci), que aprova sua convocação vendo no garoto um possível candidato para seu experimento. Ao mesmo tempo, o oficial nazista Johann Schmidt cria uma dissidência do exército alemão chamada Hydra, com o intuito de vencer a guerra através da ciência, utilizando ele mesmo como cobaia. 

O “Capitão América” foi o último personagem da Marvel levado para o cinemas antes de “Os Vingadores” e a expectativa dos fãs era grande. Estes fãs gostaram do filme, porém para um espectador leigo como eu, o roteiro abusa dos clichês e se torna dececpcionante. 

A história tem várias situações mal explicadas, como a escolha do jovem raquítico pelo cientista e outras apressadas como a invasão do esconderijo dos Hydra pelo exército americano, que acontece após um diálogo extremamente infantil entre o Capitão América e o coronel interpretado por Tommy Lee Jones. Os diálogos fracos são outro ponto negativo, assim como a presença da personagem de Hayley Atwell, que se explica apenas como interesse romântico do protagonista, sem contar que o carisma de Chris Evans é zero.

A parte técnica segue o padrão de qualidade dos filmes Marvel, com cenas de ação bem feitas, apesar do excesso de utilização de CGI e o destaque para o primeiro terço do filme, quando o personagem de Chris Evans é transformado num sujeito mirrado, sequências que utilizam a mesma técnica apresentada em “O Curioso Caso de Benjamin Button”. 

O resultado é um filme de ação que agrada boa parte do público atual, mas decepciona quem esperava uma história melhor elaborada com diálogos criativos.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

4:44 Último Dia na Terra

4:44 Último Dia na Terra (4:44 Last Day on Earth, EUA, 2011) – Nota 5,5
Direção – Abel Ferrara
Elenco – Willem Dafoe, Shanyn Leigh, Paul Hipp, Natasha Lyonne, Anita Pallenberg, Dierdra McDowell, Paz de La Huerta.

A camaza de ozônio foi destruída e os cientistas declaram que a Terra entrará em colapso as 4:44hs de um determinado dia. Na última noite antes do fim do mundo, o casal Cisco (Willem Dafoe) e Skye (Shanyn Leigh) vive em Nova York e procura se despedir de amigos e familiares. Cisco conversa com amigos pelo celular, através da internet e até mesmo visita seu antigo fornecedor de drogas. Enquanto isso, Skye que é pintora, tenta finalizar sua última obra e se despedir da mãe (Anita Pallenberg) através do Skype. 

Nos últimos anos várias produções abordaram o fim do mundo como tema, na maioria dos casos mostrando o caos e o desespero que toma conta da população. Neste filme o polêmico diretor Abel Ferrara inverte o foco, sua escolha é mostrar os sentimentos, a angústia de pessoas que tentam enfrentar a situação sem desespero e que no fundo tem a esperança de que a tragédia não se consumará. 

A ideia é interessante, porém a realização peca pela narrativa lenta e o roteiro que faz uma crítica rasa a destruição do meio ambiente pelo homem, parecendo não ir para lugar algum, assim como os depoimentos vazios de vários gurus que aparecem filosofando para explicar o fim do mundo em reportagens de tv dentro do longa. 

Mesmo com uma boa interpretação de Willem Dafoe, o filme decepciona, assim como a direção de Ferrara, provavelmente em seu trabalho mais fraco.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

360

360 (360, Áustria / Brasil / França / Inglaterra / Irlanda do Norte, 2011) – Nota 8
Direção – Fernando Meirelles
Elenco – Jude Law, Rachel Weisz, Anthony Hopkins, Ben Foster, Maria Flor, Marianne Jean Baptiste, Lucia Siposová, Gabriela Marcinkova, Jamel Debbouze, Juliano Cazarré, Moritz Bleibtreu, Peter Morgan, Johannes Krisch, Dinara Krukarova, Vladimir Vdovichenkov, Mark Ivanir.

O roteirista Peter Morgan (“A Rainha”, “Frost/Nixon”) se baseou na peça “A Ronda” de Arthur Schnitzler, para criar uma ciranda de amores, traições e decisões com personagens de vários países que se cruzam pela Europa e Estados Unidos. 

A trama tem como ponto principal os momentos em que temos de fazer uma escolha importante que poderá mudar nosso destino, situação explicitada nas narrações inicial e final, quando uma personagem cita algo como a “bifurcação da vida”. 

A galeria de personagens tem duas irmãs eslovacas (Lucia Siposová e Gabriela Marcinkova), sendo uma delas prostituta de luxo, temos o casal inglês em crise (Jude Law e Rachel Weisz), o velho pai (Anthony Hopkins) procurando a filha que sumiu há anos, o estuprador (Ben Foster) que após ser libertado da prisão tenta conter seus desejos, dois casais em momento de separação (Dinara Krukarova e Vladimir Vdovichenkov e os brasileiros Juliano Cazarré e Maria Flor) e o francês de origem muçulmana (Jamel Debbouze) dividido entre um amor proibido e a sua religião. 

Esta gama de personagens tem suas histórias cruzadas num momento crucial da vida de cada um, até mesmo em situações onde a atitude de um determinado personagem praticamente sela o destino de outro, mesmo que o primeiro não imagine as consequências de seu ato. 

Apesar das críticas não terem sido tão boas em comparação com seus trabalhos anteriores, o filme de Fernando Meirelles é competente, tem uma narrativa simples, agradável e multicultural, que lembra em parte “Babel”  de Alejandro Gonzalez Iñarrritu, com a diferença de ser menos pesado e mais sensível em suas pequenas histórias.

domingo, 23 de setembro de 2012

Filmes Policiais Antigos Pouco Conhecidos

Panic in the City (Panic in the City, EUA, 1968) – Nota 6
Direção – Eddie Davis
Elenco – Howard Duff, Linda Cristal, Stephen McNally, Nehemiah Persoff, Anne Jeffreys, Oscar Beregi, Dennis Hopper.

Um homem desmaia na rua e ao ser levado para um hospital morre. Os médicos atestam que o sujeito faleceu por causa de radiação. Um agente do governo (Howard Duff) é enviado para investigar o caso e descobre com a ajuda de uma cientista (Linda Cristal), que a radiação pode ter ocorrido em virtude do manuseio de um artefato nuclear. O fato dá início a uma corrida contra o tempo para descobrir onde poderá estar a bomba. 

Com cara e premissa de filme B dos anos cinquenta, o longa tem um bom início, mas se perde no desenvolvimento, inclusive no romance forçado entre o agente e a cientista. Como curiosidade, vale destacar a pequena presença de Dennis Hopper um ano antes do clássico “Sem Destino”.

Chandler (Chandler, EUA, 1971) – Nota 4,5
Direção – Paul Magwood
Elenco – Warren Oates, Leslie Caron, Alex Dreier, Mitchell Ryan, Gordon Pinsent, Charles McGraw, Gloria Grahame, Scatman Crothers, Royal Dano.

O detetive particular Chandler (Warren Oates) é contratado pela promotoria para encontrar e proteger a francesa Katherine (Leslie Caron), uma testemunha importante de um caso que envolve poderosos. A escolha do detetive ocorre porque a mulher é procurada também por assassinos e por policiais corruptos. 

O roteiro que tenta fazer suspense explicando pouco sobre o verdadeiro motivo do caso, acaba confundindo o espectador, além disso, as cenas de ação são poucas e fracas. Consta que o diretor Magwood entrou em conflito com a produtora MGM e o filme foi montado a sua revelia, inclusive se tornando o único trabalho do sujeito como diretor de cinema.  

Harry O (Harry O, EUA, 1973) – Nota 7
Direção – Jerry Thorpe
Elenco – David Janssen, Martin Sheen, Margot Kidder, Will Geer, Marianna Hill, Sal Mineo, Kathleen Lloyd.

O detetive particular Harry “O” Orwell (David Janssen) é um ex-policial que se aposentou após ser baleado. Ele vive numa casa de praia onde é procurado por Harlan Garrison (Martin Sheen), um sujeito que pertencia ao bando que atirou em Harry anos antes. Harlan deseja contratar o detetive para encontrar um casal foragido (Sal Mineo e Kathleen Lloyd), sendo que o sujeito foi quem atirou em Harry. Ele aceita o caso e se envolve numa trama que envolve violência e tráfico de drogas. 

Este telefilme foi produzido como o piloto de uma série, porém acabou não indo ao ar e a série foi cancelada. Um ano depois (1974), o produtor Jerry Thorpe conseguiu ressuscitar a ideia e a série foi ao ar por duas temporadas, com este longa sendo exibido como um episódio especial. O destaque é o protagonista vivido por David Janssen, famoso pela série “O Fugitivo” nos anos sessenta e que morreu cedo aos quarenta e oito anos em 1980. 

A Cruz dos Executores (Gli Esecutori, Itália, 1976) – Nota 6
Direção – Maurizio Lucidi
Elenco – Roger Moore, Stacy Keach, Ivo Garrani, Franco Fantasia.

Uma paróquia em San Francisco recebe uma enorme cruz vinda da Sicília, porém o padre (Ivo Garrani) descobre que o artefato foi utilizado para transportar heroína. A cruz foi enviada por um mafioso (Franco Fantasia) que era amigo de infância do padre, porém o bandido diz não saber quem escondeu as drogas. Para investigar o caso e acalmar outras famílias mafiosas que se sentiram ofendidas por alguém utilizar uma cruz em um crime, o mafioso pede ajuda a seu sobrinho, um advogado inglês (Roger Moore) que por seu lado levará um amigo (Stacy Keach), que é piloto de corridas. A questão é que dupla verá no fato a chance de lucrar descobrindo onde está o valioso carregamento de heroína. 

Esta produção segue a cartilha de vários filmes italianos da época, investindo em um ou dois astros como protagonistas e copiando as produções de Hollywood. A trama deste lembra o clássico “Operação França”, inclusive com cenas nos Estados Unidos e na Sicília (naquele filme era em Marselha), porém a qualidade é bem inferior. O resultado é razoável, tem algumas boas perseguições de carros e muita violência, misturadas com momentos de lentidão durante a investigação da dupla. 

Pânico na Multidão (Two-Minute Warning, EUA, 1976) – Nota 6,5
Direção – Larry Peerce
Elenco – Charlton Heston, John Cassavetes, Martin Balsam, Beau Bridges, Gena Rowlands, David Janssen, Jack Klugman, Marilyn Hassett, Walter Pidgeon, Mitchell Ryan, Brock Peters, Andy Sidaris.

Durante a final do Superbowl no Coliseu de Los Angeles, um homem se esconde em uma das torres e com rifle espera o momento exato para agir. Visto pelas câmeras de TV, a polícia e a SWAT são acionadas e armam um esquema para pegar o possível terrorista, sem que a multidão presente ao estádio perceba o que pode acontecer. 

História interessante, mas desenvolvida de modo arrastado, com o diretor tentando criar suspense durante a primeira hora, onde pouco acontece. Seguindo a linha dos filmes catástrofes da época, ele usa este tempo para nos apresentar a diversos personagens e seus pequenos dramas, porém sem profundidade alguma, para na meia hora final mostrar a ação. Surpreendentemente o diretor cria cenas assustadoras de uma multidão apavorada. O elenco de famosos trabalha no piloto automático, Heston, Cassavetes e Balsam não comprometem, mas não fazem nada de excepcional. Podemos deixar como destaque apenas Beau Bridges como o pai falido que tenta agradar esposa e filhos levando-os ao estádio.

Poder de Fogo (Firepower, EUA, 1979) – Nota 7
Direção – Michael Winner
Elenco – Sophia Loren, James Coburn, O. J. Simpson, Eli Wallach, Anthony Franciosa, George Grizzard, Vincent Gardenia, George Touliatos, Victor Mature, Billy Barty.

A CIA contrata um mercernário (James Coburn) para um missão clandestina: Capturar um milionário que desapareceu há muitos anos e hoje uma pista aponta para o Caribe, onde o sujeito estaria vivendo com outro nome. Para completar a missão, o mercenário leva um parceiro (O. J. Simpson) e pelo caminho cruza com a bela Adele (Sophia Loren), que também deseja encontrar o milionário, porém com o objetivo de vingança. 

Repleto de cenas de ação, com várias explosões e tiroteios, este interessante longa que tem ainda um elenco cheio de nomes famosos à época, falha apenas no roteiro um pouco confuso. A curiosidade fica por conta da escolha do elenco, consta que o diretor Michael Winner queria Charles Bronson para o papel principal, para repetir a parceria de sucesso de “Assassino a Preço Fixo” e “Desejo de Matar”. Os produtores concordaram, porém Bronson exigiu que sua esposa, a atriz inglesa Jill Ireland fosse contratanda para ser a protagonista ao seu lado, o que foi negado, já que o papel estava prometido a estrela italiana Sophia Loren. Sem acordo, os produtores contrataram James Coburn para o papel principal. 

Agência de Assassinos (Agency, EUA, 1980) – Nota 5,5
Direção – George Kaczender
Elenco – Robert Mitchum, Lee Majors, Valerie Perrine, Alexandra Stewart, Saul Rubinek, George Touliatos.

Um milionário (Robert Mitchum) compra uma agência de publicidade e rapidamente passa a substituir os funcionários por pessoas de sua confiança. O problema é que estas pessoas parecem não entender nada de publicidade. Um dos funcionários antigos (Saul Rubinek) descobre que a verdadeira intenção do milionário é inserir mensagens subliminares nas propagandas de tv, com o objetivo de favorecer políticos e corporações. O sujeito conta o fato para um amigo (Lee Majors) e os dois passam a ser perseguidos por assassinos. 

A boa premissa utiliza um tema que na época era praticamente desconhecido do grande público, a questão das mensagens subliminares, porém o resultado não passa de um filme morno, com coadjuvantes fracos, lembrando uma produção de tv. Mesmo sendo lançada como uma produção americana, o longa foi filmado no Canadá e no fundo era uma tentativa de emplacar no cinema o astro de tv Lee Majors (da série de sucesso “O Homem de Seis Milhões de Dólares”), mas nem mesmo a presença de Robert Mitchum salvou o filme. Majors continuou sua carreira basicamente como ator de tv.