terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

40 Dias e 40 Noites & Ressaca de Amor


40 Dias e 40 Noites (40 Days and 40 Nights, EUA, 2002) – Nota 7
Direção – Michael Lehmann
Elenco – Josh Hartnett, Shannyn Sossamon, Paulo Costanzo, Adam Trese, Vinessa Shaw, Griffin Dunne, Mary Gross, Maggie Gyllenhaal, Emmanuelle Vaugier.

O jovem Matt (Josh Hartnett) é dispensado pela namorada Nicole (Vinessa Shaw) e mesmo aproveitando a vida com diversas garotas, não esquece a ex-namorada. Quando ele descobre que a sua ex-namorada ficou noiva, Matt resolve ficar quarenta dias sem fazer sexo, como um ato de purificação, usando uma interpretação distorcida do jejum de Cristo no deserto após discussões com seu irmão que vai se tornar padre. 

Nesse meio tempo, a simpática Erica (Shannyn Sossamon) aparece na vida de Matt que ficará dividido entre a atração pela jovem e o cumprimento da promessa de abstinência, gerando uma engraçada confusão. 

Comédia ligeira com muitas piadas sobre sexo, porém engraçadas, principalmente a aposta que os amigos de Matt fazem para saber quanto tempo ele irá agüentar. 

No geral é uma boa sessão da tarde. 

Ressaca de Amor (Forgetting Sarah Marshall, EUA, 2008) – Nota 7
Direção – Nicholas Stoller
Elenco – Jason Segel, Mila Kunis, Kristen Bell, Russell Brand, Bill Hader, Liz Cackowski, Jonah Hill, Paul Rudd, Branscombe Richmond, William Baldwin, Jason Bateman, Steve Landsberg.

O compositor Peter Bretter (Jason Segel) é reponsável pela trilha sonora do seriado policial que sua bela namorada Sarah Marshall (Kristen Bell) é a protagonista, porém sua vida vira de ponta de cabeça quando ela o dispensa para viver com o namorado, o roqueiro inglês Aldous Snow (Russell Brand). 

Deprimido, Peter resolve passar alguns dias no Havaí e por azar fica no mesmo hotel em que a ex-namorada se hospeda com seu novo amor. A partir daí muita confusão, com desencontros e cenas de ciúme, principalmente com a entrada em cena da recepcionista do hotel (Mila Kunis de ”That’s 70 Show”) que se interessa por Peter. 

A produção de Judd Apatow carimba as boas piadas do filme, em sua maioria sobre sexo e como sempre tendo no elenco boa parte de sua turma, com Jason Segel estrelando um longa pela primeira vez e assinando o roteiro, além dos engraçados Jonah Hill, Paul Rudd e Bill Hader. 

O resultado final não é tão bom como “Ligeiramente Grávidos” ou “O Virgem de 40 Anos”, mas mesmo assim vale uma boa sessão de risadas.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sargento York

Sargento York (Sergeant York, EUA, 1941) – Nota 7
Direção – Howard Hawks
Elenco – Gary Cooper, Walter Brennan, Joan Leslie, George Tobias, Stanley Ridges, Ward Bond, June Lockhart, Dickie Moore.

Numa pequena cidade do Tennessee, Alvin York (Gary Cooper) mora com a mãe e um casal de irmãos menores, sendo dono de um pequeno pedaço de terra onde tenta cultivar para sobreviver. Ele tem interesse em casar com a bela Gracie Williams (Joan Leslie) e para isso deseja comprar terrar férteis na planície próxima a cidade. 

Após alguns infortúnios, ele acaba se tornando um homem religioso, também com a ajuda de um pastor (Walter Brennan), porém quando explode a Primeira Guerra Mundial, Alvin é convocado e tenta ser dispensado alegando que sua religião o proíbe de matar um inimigo. Mesmo assim ele é obrigado ir para guerra e se torna um herói. 

Baseado no diário de Alvin C. York, herói da Primeira Guerra Mundial, este longa dirigido pelo ótimo Howard Hawks é competente na primeira metade onde mostra a vida de Alvin York no pequeno povoado e sua descoberta da fé. Na segunda parte, apesar de algumas boas cenas de ação, a forma como é mostrado o heroísmo do personagem quase beira o absurdo. 

Fica claro que o filme foi produzido no meio da Segunda Guerra Mundial como uma forma de propaganda militar, assim como outros longas e também a participação ativa de alguns astros de Hollywood junto as tropas americanas. 

Outro detalhe que incomoda é a idade Gary Cooper, na época ele tinha quarenta anos e interpretava um jovem que deveria estar na casa dos vinte. Funciona como diversão, mas não pode ser levado a sério. 

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A Cor de um Crime

A Cor de um Crime (Freedomland, EUA, 2006) – Nota 7,5
Direção – Joe Roth
Elenco – Samuel L. Jackson, Julianne Moore, Edie Falco, Ron Eldard, William Forsythe, Aunjanue Ellies, Anthony Mackie, LaTanya Richardson Jackson, Clarke Peters, Peter Friedman, Domenick Lombardozzi, Aasif Mandvi, Philip Bosco, Fly Williams III, Portia.

Nova Jersey, 1999, nos arredores de um conjunto residencial de classe baixa, onde a maioria dos moradores é de origem negra, Brenda Martin (Julianne Moore) alega que seu carro fora roubado por um jovem negro e que seu filho de seis anos estaria dormindo no banco traseiro. 

Com as mãos ensangüentadas e confusa, Brenda confirma a história para o detetive Lorenzo Council (Samuel L. Jackson), sujeito que conhece todos os moradores, sendo uma espécie de protetor do local. A situação fica ainda mais complicada, porque Brenda tem um irmão policial, o valentão Danny Martin (Ron Eldard), que vê o caso como algo pessoal e consegue fazer com que seu chefe crie um cerco no local, proibindo os moradores de entrar e sair enquanto a criança não for encontrada, revoltando a população e podendo causar um sério conflito racial. 

O longa é baseado numa história real e tem uma interessante premissa, que cria suspense em relação ao desaparecimento da criança, dúvida sobre a veracidade da história contada pela personagem de Julianne Moore e o iminente conflito racial, porém o desenrolar da trama é irregular, principalmente a parte final, deixando a impressão de que o resultado poderia ser melhor, mesmo que o filme esteja longe de ser ruim, graças também aos bons de desempenhos de Samuel L. Jackson e Julianne Moore.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

The Cooler - Quebrando a Banca

The Cooler – Quebrando a Banca (The Cooler, EUA, 2003) – Nota 6,5
Direção – Wayne Kramer
Elenco – William H. Macy, Maria Bello, Alec Baldwin, Shawn Hatosy, Ron Livingston, Paul Sorvino, Estella Warren, Arthur J. Nascarella, Joey Fatone, M. C. Gainey, Ellen Greene, Tony Longo.

Las Vegas é com certeza um dos melhores locais para filmes sobre personagens solitários e derrotados, sendo nesse clima que somos apresentados a Bernie Lootz (William H. Macy), um sujeito solitário que trabalha como “cooler”, não sei se isto realmente existe, mas ele é o famoso “pé-frio” e por onde passa acaba com a sorte de todos. 

Em virtude deste “dom”, ele é pago pelo dono do cassino e espécie de gerente de mafiosos Shelly (Alex Baldwin), sujeito manipulador e violento. As coisas começam a mudar quando o azarado Bernie se envolve com a garçonete Natalie (Maria Bello) e parece que sua sorte nasceu, o que não agrada ao patrão. 

Este drama com tema estranho é no fundo um filme sobre personagens solitários que começam a perceber que o mundo está mudando e cada vez mais eles tem menos importância, ficando bem claro no personagem de Shelly, que acaba sendo pressionado pela máfia a aceitar um novo administrador no cassino (Ron Livingston) e principalmente a do veterano cantor Buddy (Paul Sorvino), que sentindo estar no fim da carreira, se afunda nas drogas. 

O roteiro não consegue dar um final realista e entrega o destino dos personagens e do filme nas mãos da sorte, assim como a vida de Bernie.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Bombas - Terror Vagabundo - Anos Oitenta

O sucesso de filmes como "Poltergeist", "A Hora do Pesadelo" e "A Hora do Espanto" abriram caminho para uma explosão na produção de filmes de terror nos anos oitenta, rendendo grandes longas e também muitos filmes ruins.

Neste postagem cito algumas bombas do gênero produzidas na época.


Mutante (Night Shadows, EUA, 1984) – Nota 4
Direção – John Bud Cardos
Elenco – Wings Hauser, Bo Hopkins, Jody Medford, Lee Montgomery.

Dois irmãos em férias (Wings Hauser e Lee Montgomery) chegam a uma pequena cidade e começam a ser atacados por pessoas que agem como zumbis após terem sido contaminadas pela água, em virtude de uma indústria química ter despejado resíduos tóxicos em um rio. 

Este filme de baixo orçamento tem apenas como curiosidade o elenco, que tem Wings Hauser, ator que foi vilão em diversos filmes como “A História de um Soldado” e hoje é mais conhecido como o pai de Cole Hauser e o veterano Bo Hopkins, que trabalhou em filmes famosos como “O Expresso da Meia Noite”. 

O diretor John Bud Cardos é uma espécie de faz tudo no cinema, tendo trabalhado em muitas produções na área técnica e as vezes se aventurando na direção em bombas como esta.

Escapes – Fronteira da Imaginação (Escapes, EUA, 1986) – Nota 5,5
Direção – David Steensland
Elenco – Vincent Price, Todd Fulton, Jerry Grisham.

Dirigido, produzido e roteirizado pelo desconhecido David Steensland, este filme é quase uma homenagem a antiga série “Além da Imaginação”. Lançado direto em vídeo na época, se tornou um destes filmes cults que os curiosos fãs de terror encontravam no fundo das locadoras. 

O nome e o rosto de Vincent Price na capa eram apenas um chamariz, ele aparecia apenas no início da história como um carteiro que entregava uma misteriosa fita de vídeo para um jovem (Todd Fulton). Curioso por não saber quem enviou a fita, o rapaz resolve assistir e encontra cinco histórias curtas de suspense e terror. As histórias são simples e pouco assustam, mas a idéia é interessante e a realização totalmente B dá algum charme ao filme.

O Portão (The Gate, EUA, 1987) – Nota 4
Direção – Tibor Takacs
Elenco – Stephen Dorff, Louis Tripp, Christa Denton, Kelly Rowan, Jennifer Irwin.

Uma árvore é cortada no quintal do garoto Glen (Stephen Dorff) e no dia seguinte abre-se um estranho buraco e através das músicas de um disco de rock satânico, ele e seu amigo Terry (Louis Tripp) descobrem que ali é um portal para o inferno e que as criaturas esperam dois sacríficos humanos e um animal para invadirem a Terra. Os dois, junto com a irmã de Glen, Alexandra (Christa Denton) terão de lutar para impedir a tragédia. 

Esta história maluca é o ponto de partida para este terror de baixo orçamento com efeitos especiais primitivos, que tem como única atração a presença de Stephen Dorff ainda muito garoto no papel principal. 

O filme teve uma seqüência em 1990 também dirigida pelo húngaro Tibor Takacs e com apenas Louis Tripp de volta ao elenco.

O Beijo Mortal (The Kiss, Canadá / EUA, 1988) – Nota 5,5
Direção – Pen Densham
Elenco – Joanna Pacula, Meredith Salenger, Mimi Kuzyk, Nicholas Kilbertus, Shawn Levy, Jan Rubes.

Felice (Joanna Pacula) reaparece após vinte cinco anos e se aproxima de sua sobrinha Amy (Meredith Salenger). Com a volta da tia, assassinatos violentos começam a ocorrer ao redor da família. Como Felice não explica ao certo onde estave todo este tempo, Amy começa acreditar que sua tia trouxe alguma maldição. 

O ingês Pen Densham tem em seu currículo diversos trabalhos como produtor e roteirista, tendo nesta aventura na direção pouco sucesso. O filme tem até um clima interessante, mortes violentas e a beleza sedutora de Joanna Pacula, porém o roteiro é previsível e o resto do elenco é fraco, inclusive a na época jovem Meredith Salenger, que havia estrelado a aventura da Disney “Viagem Clandestina”, mas que não conseguu emplacar na carreira adulta.  

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A Era do Rádio

A Era do Rádio (Radio Days, EUA, 1987) – Nota 7,5
Direção – Woody Allen
Elenco – Seth Green, Mia Farrow, Dianne Wiest, Julie Kavner, Michael Tucker, Julie Kurnitz, Wallace Shawn, Josh Mostel, Danny Aiello, Jeff Daniels, Robert Joy, Richard Portnow, Tony Roberts, Diane Keaton, Kenneth Mars, Larry David, Todd Field, William H. Macy.

No início dos anos quarenta, o garoto Joe (Seth Green) vive com sua família de origem judia que tem como única diversão o rádio. A mãe (Julie Kavner) é uma dona de casa e o pai (Michael Tucker) tenta esconder do filho que trabalha como taxista, situação que por sinal rende uma cena engraçada quando o garoto descobre a verdade. 

A família é grande e vive toda na mesma casa, tendo um casal de tios, os avós e a tia solteirona (Dianne Wiest) que sempre escolhe o cara errado para namorar. 

O roteiro de Woddy Allen (que também faz a narração) é em parte autobiográfico, porém mistura a vida em família com acontecimentos com personagens do rádio, principalmente a aspirante a atriz Sally White (Mia Farrow), que luta para conseguir sua grande chance. 

O longa é também uma grande homenagem de Allen ao rádio, que era o grande veículo de comunicação até o início dos anos cinqüenta quando a televisão começou a tomar o seu lugar

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Grimm

Grimm (Grimm, EUA, 2011/2012)
Criadores - Stephen Carpenter, David Greenwalt e Jim Kouf
Elenco - David Giuntoli, Russell Hornsby, Bitsie Tulloch, Silas Weir Mitchell, Sasha Roiz, Reggie Lee, Kate Burton.

Após assistir seis episódios desta nova série, tive a certeza de que uma interessante premissa foi desperdiçada.

A série transporta diversos contos de fadas para os dias atuais transformando-os em histórias policiais.

O protagonista é o detetive Nick Burkhardt (David Giuntoli) que logo no primeiro episódio recebe a visita de uma tia distante (Kate Burton), que conta ao rapaz que eles pertencem a família Grimm, que por gerações enfrentam monstros que vivem disfarçados de humanos. Logo Nick se vê envolvido na investigação de crimes com a participação destes monstros, que se dividem em raças com aparências diferentes, que só ele consegue ver.

Nick trabalha com seu parceiro Hank (Russel Hornsby) e vive com a namorada Juliette (Bitsie Tulloch), porém eles não sabem a verdade. Para completar, o chefe de Nick, Capitão Renard (Sasha Roiz) sabe que Nick é um Grimm e esconde um segredo que o público ainda não sabe se o fará vilão ou aliado do protagonista.

Infelizmente as tramas dos episódios são repletas de clichês, todos os crimes tem participação dos monstros e a namorada de Nick ainda  é veterinária. A tentativa de manter alguns segredos é pífia, já que o elenco é muito fraco. O protagonista David Giuntoli é inexpressivo e os coadjuvantes não tem carisma algum, com a exceção de Monroe, um do monstros que faz de tudo para manter seu lado selvagem em controle e por acaso faz amizade com o detetive. Este personagem tem as melhores falas, misturando ironia com pitadas de comédia, sendo interpretado por Silas Weir Mitchell, um eterno coadjuvante de filmes e séries policiais como "24 Horas" e "Prison Break", quase sempre sempre vivendo algum vilão sem importância e aqui tem depois de muito tempo um papel interessante, que pode lhe abrir portas para algum trabalho maior.

David Greenwalt, um dos criadores da série, foi também responsável por trabalhos como "Buffy" e "Angel", o que explica esta nova série seguir o estilo de "monstro da semana", com um pouco de ação e praticamente nada de conteúdo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Val Kilmer & Cuba Gooding Jr

Após assistir um filme vagabundo chamado "Invasor de Mentes" estrelado por Cuba Gooding Jr e Val Kilmer, resolvi escrever este post sobre a dupla.

Os dois são talentosos, já provaram isso em vários trabalhos. Cuba Gooding Jr chegou a vencer o Oscar de Ator Coadjuvante por "Jerry Maguire" e teve outro bons papéis em "Os Donos da Rua" e "Melhor é Impossível". Val Kilmer praticamente incorporou Jim Morrison em "The Doors" e o ator pornô John Holmes no pouco visto "Crimes em Wonderland", além de bons papéis em "Ases Indomáveis" e "Fogo Contra Fogo", porém nos últimos anos as escolhas da dupla foram péssimas na maioria da vezes.

Nesta postagem comento quatro filmes que apenas ajudaram a manchar a carreira destes atores.

Invasor de Mentes (Hardwired, EUA / Canadá, 2009) – Nota 5 

Direção – Ernie Barbarash
Elenco – Cuba Gooding Jr, Val Kilmer, Michael Ironside, Tatiana Maslany, Eric Breker, Juan Riedinger.

Num futuro próximo, os governos decretaram falência e as grandes corporações dominaram o mundo (não muito diferente dos dias atuais). Quando Luke Gibson (Cuba Gooding Jr) sofre um acidente de automóvel e sua esposa morre, uma corporação chamada Hope paga as despesas no hospital e utiliza Gibson como cobaia. Eles implantam um chip na cabeça de Gibson que faz com que ele tenha visões de propagandas, que apenas desaparecem se ele comprar os produtos anunciados em sua mente. Junte-se a isso que ele perdeu a memória. Durante suas visões Gibson acaba sendo procurado por um grupo rebelde que luta contra a corporação Hope e que precisa de sua ajuda. 


A ideia das propagandas diretas no cérebro tenta ser uma crítica ao consumismo atual, mostrando até onde poderia chegar a ganância das corporações, porém o resultado se torna absurdo em virtude do péssimo roteiro, que faz desaparecer personagens como a irmã de Gibson e deixa o filme com cara de piloto de seriado vagabundo, inclusive deixando um gancho forte para um continuação, que espero não seja produzida. Para completar, Val Kilmer faz um vilão que lembra um cientista louco, totalmente caricato. É por estas escolhas que a carreira Cuba Gooding Jr não decolou depois dos Oscar de coadjuvante por “Jerry Maguire”.

Acerto de Contas (Wrong Turn at Tahoe, EUA, 2009) – Nota 5,5
Direção – Franck Khalfoun
Elenco – Cuba Gooding Jr, Miguel Ferrer, Harvey Keitel, Mike Starr, Alex Meneses, Leonor Varela, Michael Tighe, Noel Gugliemi, Johnny Messner, Louis Mandylor.

Joshua (Cuba Gooding Jr) é o braço direito do mafioso Vincent (Miguel Ferrer). Quando Joshua e seu parceiro Mickey (Johnny Messner) recebem a informação de que um traficante deseja matar Vincent, a dupla avisa o chefe que resolve pegar o sujeito de supresa, dando início a um espiral de violência e vingança.

O diretor Khalfoun é mais um dos que tentam beber na fonte do estilo Tarantino, misturando um roteiro cheio de violência com personagens que são ao mesmo tempo sérios mas que adoram diálogos engraçadinhos, o que não funciona. A história tem até uma reviravolta curiosa depois da metade, porém os personagens caricaturais, entre eles o mafioso feito por Miguel Ferrer e a falta de carisma e até identidade do personagem de Cuba Gooding, junto com o final que pretende ser sério mas se mostra idiota, tornam o filme um policial fraco. 

O Assassino do Presidente (Blind Horizon, EUA, 2003) – Nota 6
Direção – Michael Haussman
Elenco – Val Kilmer, Neve Campbell, Sam Shepard, Noble Willingham, Amy Smart, Gil Bellows. Giancarlo Esposito, Charles Ortiz, Leo Fitzpatrick, Faye Dunaway.

Um sujeito (Val Kilmer) é encontrado no deserto após ser baleado e sobrevive. No hospital ele acorda com amnésia e não consegue responder as perguntas do xerife Jack Kolb (Sam Shepard). Intrigado, o xerife ao investigar a situação encontra a jovem Chloe (Neve Campbell) que diz ser noiva do desconhecido e que ele se chama Frank. Aos poucos Frank vai tendo flashes do sua vida que indicam que o presidente americano sofrerá um atentado, mas sem provas ninguém acredita sua história. A partir daí figuras estranhas aparecerão na pequena cidade e fica claro que há algo de verdade nas visões de Frank. 

O elenco é o melhor do filme, Val Kilmer não compromete, Sam Shepard também interpreta bem o policial caipira, mas extremamente esperto e a veterana estrela Faye Dunaway faz um pequeno papel. Apesar deste bom elenco, o filme é repleto de clichês e fica fácil para qualquer cinéfilo que goste do gênero, descobrir grande parte do mistério rapidamente.

Dinheiro Sujo (Run for the Money ou Hard Cash, EUA / Aruba, 2002) – Nota 5
Direção – Peter Antoniejevic
Elenco – Christian Slater, Val Kilmer, Sara Downing, Vincent Laresca, Balthazar Getty, Bokeem Woodbine, Daryl Hannah, Rod Rowland, William Forsythe, Verne Troyer, Peter Jason.

Appos fugir da prisão, Taylor (Christian Slater) reune antigos parceiros para roubar o jóquei clube. O roubo acontece, porém o bando descobre que as notas foram marcadas por um agente corrupto do FBI (Val Kilmer), que seqüestra a filha de Taylor, obrigando o grupo a assaltar o um cassino. 

O diretor sérvio Peter (Predrag) Antonijevic tenta misturar violência com algumas cenas engraçadas e erra feio. O roteiro meia-boca abusa dos clichês e as interpretações no piloto automático de Slater e Val Kilmer ajudam a piorar ainda mais o resultado. 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Monty Python ao Vivo no Hollywood Bowl

Monty Python ao Vivo no Hollywood Bowl (Monty Python Live at Hollywood Bowl, EUA, 1982) – Nota 8
Direção – Terry Hughes & Ian MacNaughton
Elenco – John Cleese, Graham Chapman, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin, Terry Gilliam, Neil Innes, Carol Cleveland.

Um anos antes do último filme no cinema, que seria “O Sentido da Vida”, o grupo Monty Python se reuniu para uma histórica apresentação ao vivo no Hollywood Bowl em Los Angeles. 

Neste show o grupo apresenta vários dos seus quadros famosos do programa de tv “Monty Python’s Flying Circus” que foi ao na Inglaterra de 1969 a 1974, quando partiram para o cinema. Os quadros misturam o típico humor inglês com uma grande pitada de anarquia e deboche, com destaque para a canção do lenhador, o programa de perguntas estrelado por comunistas famosos, os juízes gays e a canção do 69 que abre o espetáculo. 

Os quadros ainda são entrecortados por animações e sem a censura da tv, o grupo solta a língua sem pudor. 

Após “O Sentido da Vida” o grupo se separou, com John Cleese, Michael Palin, Eric Idle e Graham Chapman trabalhando como atores em diversos filmes e Terry Jones e Terry Gilliam seguindo a carreira de diretores, com Gilliam sendo o mais bem sucedido. 

Graham Chapman faleceu em 1989 e o restante do grupo ainda continua na ativa.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Amém

Amém (Amen., França / Alemanha / Romênia, 2002) – Nota 8
Direção – Costa Gavras
Elenco – Ulrich Tukur, Mathieu Kassovitz, Ulrich Muhe, Michel Duchaussoy, Ion Caramitru, Sebastian Koch, Marcel Iures, Friedrich Von Thun.

Durante a 2º Guerra Mundial, o químico e oficial da S. S. Kurt Gerstein (Ulrich Tukur) trabalha no departamento de higienização responsável pela purificação da água que os soldados levam para a guerra. Mesmo fazendo parte do exército nazista, Gerstein é um católico praticante que não compactua com a maioria das atitudes do partido. 

Quando ele é “convidado” por um oficial superior (Ulrich Muhe) a conhecer um campo de concentração na Polônia, Gerstein fica chocado ao descobrir que os judeus estão sendo assassinados nas câmaras de gás e para piorar a situação, ele é obrigado a utilizar seus conhecimentos químicos para participar da chamada “Solução Final”. Mesmo sozinho, Gerstein resolve fazer o que for possível para atrapalhar as execuções. 

Ele procura também um representante do Vaticano na Alemanha para contar o que viu, com o intuito da informação chegar ao Papa, mas acaba sendo praticamente expulso pelo Cardeal, porém um jovem padre jesuíta (Mathieu Kassovitz) acredita em sua história e decide tomar partido na luta para mostrar ao mundo o que os nazistas estavam fazendo. 

Este drama de guerra baseado numa história real, é mais um ótimo filme do diretor grego Costa Gavras (“Missing – O Desaparecido”, “Estado de Sítio”), especialista em escancarar a hipocrisia das instituições, dos governos e neste caso da Igreja Católica em relação aos crimes nazistas. 

Aqui sobram críticas para todos os lados, para a burguesia alemã que fechou os olhos para a perseguição contra os judeus, para o governo americano que não teve interesse algum em tentar resolver a situação, já que tinha como prioridade vencer a guerra a qualquer custo e principalmente para a Igreja Católica, que além de se calar, ainda negociou com os nazistas e ajudou seus oficiais a fugirem da Europa após a guerra. 

O filme gerou muita polêmica na época, principalmente na Europa, em razão do tema espinhoso e do cartaz que colocava a palavra amém no centro de uma suástica. 

Como curiosidade, em 2006 os atores Ulrich Tukur, Ulrich Muher e Sebastian Koch protagonizaram o ótimo drama sobre a polícia secreta da Alemanha Oriental chamado “A Vida dos Outros”.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Vício Frenético (1992)

Vício Frenético (Bad Lieutenant, EUA, 1992) – Nota 8
Direção – Abel Ferrara
Elenco – Harvey Keitel, Victor Argo, Paul Calderon, Leonard Thomas.

Um tenente de polícia (Harvey Keitel) tem esposa, filhos pequenos e uma boa carreira, porém é viciado em drogas. Logo nas primeiras cenas vemos ele deixar os filhos no colégio e em seguida cheirar cocaína antes de ir para o trabalho. Além das drogas, ele é viciado em apostas e mesmo devendo um valor alto para um bookmaker, continua apostando, brincando com a própria sorte. Em paralelo, ele tenta capturar os estupradores de um freira. 

O diretor Abel Ferrara é uma espécie de Martin Scorsese independente, que não tem pudor em misturar nos seus filmes sexo, drogas, violência e religião. Neste trabalho específico, ele cria um roteiro (junto com os atores Victor Argo, Paul Calderon e Zoe Lund) que mostra a descida ao inferno de um personagem dominado pelo vício, valorizado pela visceral interpretação de Harvey Keitel, que se entrega totalmente ao personagem. 

Outro ponto interessante é a decisão tomada pelo personagem de Keitel em relação aos criminosos, algo totalmente diferente do que seria o comum neste tipo de filme. 

Como curiosidade, em um Festival de Cannes dos anos noventa, Abel Ferrara deu uma entrevista para Rubens Ewald Filho totalmente drogado. Ele estava descabelado, ria sem parar e não conseguia completar um raciocínio sequer. Os seus próprios demônios talvez possam explicar a temática realista dos seus filmes e os personagens marginais que neles habitam. 

Finalizando, o diretor alemão Werner refilmou o longa em 2009 alegando que não assistiu ao filme de Ferrara e mudou quase toda a trama. Abel Ferrara não gostou de ver seu filme ligado a esta refilmagem e os dois diretores que são polêmicos, trocaram farpas pela imprensa na época.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A Trilogia das Cores de Krzysztof Kieslowski


O diretor polonês Krzysztof Kieslowski ficou famoso com a série "Decálogo" (foram dez filmes de uma hora baseados no Dez Mandamentos) produzida para a tv de seu país, que posteriormente se transformou em dois ótimos longas, "Não Amarás" e "Não Matarás", que já comentei no blog. Quem quiser saber um pouco mais, visite o link abaixo:

http://cinema-filmeseseriados.blogspot.com/2011/10/nao-amaras-nao-mataras.html

Seu trabalho mais famoso internacionalmente foi esta trilogia que faz uma homenagem as cores da bandeira da França, contando três histórias sensíveis protagonizadas por três belas atrizes francesas.

A Liberdade é Azul (Trois Couleurs: Bleu, França / Polônia /Suiça, 1993) – Nota 8
Direção – Krzysztof Kieslowski
Elenco – Juliette Binoche, Benoit Regent, Florence Pernel, Charlotte Very.

Num acidente automobilístico, Julie (Juliette Binoche) perde o marido e a filha. Desiludida com a vida, Julie tenta deixar tudo para trás, a casa, os amigos, mas durante este processo ela encontra fotos do marido com uma mulher e desconfia que ele a estava traindo. 

O marido era um compositor famoso que pouco antes de morrer trabalhava numa peça musical que seria tocada em diversas capitais da Europa, como um hino de unificação, mas pela dor que sente, Julie tenta destruir a obra inacabada, o que não será fácil, assim como a triste e dolorosa liberdade que surge em sua vida. 

O primeiro filme da “Trilogia da Cores” de Kieslowski é um drama de poucos diálogos, com a bela e ótima atriz Juliette Binoche interpretando uma mulher que procura superar a tragédia da perda e ainda uma traição, tentando se distanciar das pessoas, mas percebe que isso é quase impossível.

A Igualdade é Branca (Trois Couleurs: Bialy, França / Polônia / Suiça, 1994) – Nota 8
Direção – Krzysztof Kieslowski
Elenco – Zbigniew Zamachowski, Julie Delpy, Janusz Gajos, Jerzy Stuhr, Juliette Binoche.

A segunda parte da Trilogia das Cores do diretor Kieslowski, conta a história do polonês Karol (Zbigniew Zamachowski) que após conhecer e se casar com a bela francesa Dominique (Julie Delpy) vai morar em Paris e não consegue consumar o casamento. Abandonado pela esposa, ele passa a viver nas ruas da cidade e acaba sendo ajudado por outro polonês, Mikolay (Janusz Gajos), para voltar ao seu país. De volta à Polônia, ele traça um plano meticuloso para se vingar da ex-esposa. 

Kieslowski mostra aqui todo seu talento para contar uma história de amor que se transforma em ódio e volta ser amor, mas sem um final feliz normal. A história é contada de modo peculiar, onde a igualdade de direitos é usada como combustível de vingança pelo personagem de Zamachowski.

A Fraternidade é Vermelha (Trois Couleurs: Rouge, França / Suiça / Polônia, 1994) – Nota 8
Direção – Krzysztof Kieslowski
Elenco – Irene Jacob, Jean Louis Trintignant, Frederique Feder, Jean Pierre Lorit, Samuel Le Bihan, Zbigniew Zamachowski, Julie Delpy, Benoit Regent, Juliette Binoche.

O terceiro episódio da “Trilogia das Cores” de Kieslowski se passa em Paris, tendo como protagonista a jovem modelo suíça Valentine (Irene Jacob), que atropela por acidente o cão de um juiz aposentado (Jean Louis Trintignat). Valentine resolve devolver o cão para o juiz e descobre que o ressentido homem ouve clandestinamente as conversas ao telefone dos vizinhos. A relação que começa confusa, aos poucos se torna amizade e revela que as duas pessoas com vidas e idades tão diferentes, podem ter muita coisa em comum.

Fica difícil escolher qual o melhor filme da trilogia, são ao mesmo tempo muito diferentes nos temas e situações e semelhantes na qualidade da direção, do roteiro de Krzysztof Piesiewicz e na fotografia de Zbigniew Preisner. 

O fechamento da trilogia é também o encerramento da carreira de Kieslowski, que chegou a dizer que abandonaria o cinema e por ironia do destino acabou falecendo em 1996. Uma perda irreparável para o cinema.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Mistério da Rua 7

Mistério da Rua 7 (Vanishing on 7th Street, EUA, 2010) – Nota 5
Direção – Brad Anderson
Elenco – Hayden Christensen, John Leguizamo, Thandie Newton, Jacob Latimore, Taylor Groothuis.

Num cinema de shopping em Detroit, o projecionista Paul (John Leguizamo) exibe um filme quando as luzes se apagam e todas as pessoas desaparecem, ficando apenas suas roupas. Ao mesmo tempo, o repórter Luke (Hayden Christensen) acorda em seu apartamento e não encontra ninguém. Luke sai pela cidade e percebe algo que vem da escuridão e faz as pessoas desaparecem. Estes dois personagens se cruzam num bar, onde está escondido o garoto James (Jacob Latimore) e onde também chegará a desesperada enfermeira Rosemary (Thandie Newton). 

Tentando seguir o gênero de filme apocalíptico, o diretor Brad Anderson (dos interessantes “O Operário” e “Próxima Parada Wonderland”) derrapa feio num péssimo roteiro, que mistura vários clichês do gênero. O elenco também é ruim, com personagens caricatos, principalmente os interpretados por Christensen e Thandie Newton, além do ritmo arrastado e a total falta de explicação da trama, que deixa no ar motivos religiosos e punição. 

Um ponto interessante para quem gosta de história também foi pouco aproveitado. O personagem de John Leguizamo cita por duas vezes a história da colônia perdida de Roanoke, um fato que ocorreu na Carolina do Norte durante a colonização americana, quando um grupo de pessoas de um povoado sumiu sem deixar vestígios, deixando apenas a palavra “croatoan” riscada em uma árvore, situação até hoje sem explicação. 

Infelizmente é um filme para passar longe.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Rio Congelado

Rio Congelado (Frozen River, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Courtney Hunt
Elenco – Melissa Leo, Misty Upham, Charlie McDermott, Michael O’Keefe, Mark Boone Junior.

Na gelada divisa entre Estados Unidos e Canadá, Ray (Melissa Leo) precisa encontrar o marido viciado em jogo que sumiu com o dinheiro reservado para pagar a nova casa pré-montada. Ray encontra o carro do marido em frente a um bingo no território indígena dos Mohawks, porém quem está dirigindo é uma jovem índia (Misty Upham). 

Logo as duas entram em conflito, porém como Ray precisa de dinheiro também para sustentar dois filhos, aceita o convite da jovem para atravessar o rio congelado do título e vender o carro para um receptador no Canadá. Chegando lá, Ray descobre que na verdade o trabalho é transportar imigrantes ilegais em troca de dinheiro, o que ela acaba aceitando, começando uma espécie de parceira com a índia. 

O interessante deste filme lento e gelado como a região onde foi filmado, é o roteiro que mostra a vida de algumas pessoas com total falta de perspectivas, quase desesperadas, que aceitam participar de algo ilegal por acreditarem ser a única saída. 

Outro destaque é a interpretação de Melissa Leo, que concorreu ao Oscar naquele ano. O caso de Melissa Leo é curioso, mas não incomum, aconteceu a mesma situação com Thomas Haden Church em 2004 com “Sideways”. Ele estava quase aposentado após trabalhar na série “Cheers” e acabou indicado ao Oscar por este pequeno filme, renascendo na carreira. 

Já Melissa Leo fez pontas em diversos seriados, até se firmar em “Homicide: Life on the Street” nos anos noventa. Quando a série acabou, Melissa se tornou coadjuvante em filmes sem importância, até conseguir este papel que colocou seu nome em evidência e transformou sua carreira.