sábado, 31 de dezembro de 2011

Dia 17 - Brasileirão

Cidade de Deus (Brasil, 2002) – Nota 10
Direção – Fernando Meirelles
Elenco – Alexandre Rodrigues, Leandro Firmino da Hora, Matheus Nachtergaele, Seu Jorge, Phellippe Haagensen, Johnathan Haagensen, Douglas Silva, Graziela Moretto, Alice Braga, Gero Camilo.

O cinema brasileiro passou por fases complicadas com poucos filmes de qualidade como nos anos noventa ou durante os anos setenta em que as chamadas pornochanchadas dominavam o mercado, por este motivo são relativamente poucos os grandes filmes brasileiros. Posso citar como exemplo de qualidade filmes como “O Assalto ao Trem Pagador”, “Central do Brasil’ e os dois “Tropa de Elite”, porém vejo “Cidade de Deus” com o grande marco do nosso cinema. 

O longa é baseado num livro de Paulo Lins que mostra o crescimento da favela Cidade de Deus no Rio de Janeiro durante o período de 1960 a 1980 e diversos personagens (alguns reais) ligados ao crime. A história começa no início dos anos sessenta mostrando alguns bandidos que eram vistos como heróis por parte dos moradores, principalmente as crianças que ao crescer se tornariam líderes do tráfico no local. 

O ponto alto da história se passa nos anos setenta, quando a favela já cresceu muito e o tráfico é dominado pelo violento Zé Pequeno (Leandro Firmino da Hora) em parceria com Bené (Phellippe Haagensen). Zé Pequeno tem como inimigo Sandro Cenoura (Matheus Nachtergaele), porém Bené tenta manter a paz entre eles. A siuação explode quando Bené é assassinado e entra em cena Mané Galinha (Seu Jorge) que fora humilhado por Zé Pequeno e decide se vingar, tornando a favela um verdadeiro campo de guerra. No meio desta guerra vive Buscapé (Alexandre Rodrigues), que descobre a fotografia e percebe que este trabalho pode levá-lo a uma vida melhor, longe da violência. 

Os personagens são riquíssimos e muito bem explorados pelo ótimo roteiro de Bráulio Mantovani, apoiados numa sensacional montagem de Daniel Rezende e na fotografia de César Charlone, todos indicados merecidamente ao Oscar, além da direção de Meirelles. 

O filme abriu as portas de Hollywood ao diretor Fernando Meirelles, que em seguida faria dois ótimos filmes, os dramas “O Jardineiro Fiel” e “Ensaio Sobre a Cegueira”.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Dia 16 - Melhor Durão Que No Fundo É Coração Mole

Menina de Ouro (Million Dollar Baby, EUA, 2004) – Nota 10 Direção: Clint Eastwood
Elenco: Clint Eastwood, Hilary Swank, Morgan Freeman, Jay Baruchel, Mike Colter, Lucia Rijker, Brian F. O'Byrne, Anthony Mackie, Margo Martindale, Riki Lindhome, Michael Peña, Benito Martinez, Ned Eisenberg.

Clint Eastwood passou praticamente toda sua carreira de ator interpretando personagens durões, algumas vezes que matam bandidos sem piedade, mas sempre com a preocupação de justiça, nem que ela seja a da oeste americano ou a justiça pelas próprias mãos de Dirty Harry.

Seu melhor personagem que além de durão mostra ter um coração mole é sem dúvida o treinador de boxe Frankie Dunn que ele interpreta em "Menina de Ouro". Sua atuação ao lado de Morgan Freeman e de uma sensacional Hilary Swank são inesquecíveis.

Quem quiser ler um texto mais elaborado sobre o filme, visite minha postagem no link Menina de Ouro.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Dia 15 - Melhor Horizonte (Fotografia Inesquecível)

Além da Linha Vermelha (The Thin Red Line, EUA, 1998) – Nota 8
Direção – Terrence Malick
Elenco – Sean Penn, Nick Nolte, Jim Caviezel, Ben Chaplin, Elias Koteas, Adrien Brody, Woody Harrelson, Jared Leto, John Cusack, John Travolta, George Clooney, Kirk Acevedo, Nick Stahl, John C. Reilly, Don Harvey, John Savage, Miranda Otto, Thomas Jane, Mark Boone Junior, Arie Verveen.

Este peculiar drama de guerra dirigido por Terrence Malick foi o merecido vencedor do Oscar de Fotografia, uma obra-prima de John Toll. 

A história se passa durante a 2º Guerra Mundial na Ilha de Guadalcanal no Pacífico, quando a Companhia C do exército tem a missão de tomar o local que está nas mãos dos japoneses. O roteiro segue vários personagens, principalmente o soldado Witt (Jim Caviezel) que tentou desertar, o sargento Welsh (Sean Penn) que capturou Witt, o general Tall (Nick Nolte) que pensa apenas em derrotar os japoneses, não se preocupando com seus próprios soldados, o que causa um conflito com o capitão Staros (Elias Koteas). 

A duração de quase três horas dá a oportunidade para a câmera de Malick captar as mais belas imagens possíveis da ilha, seja no campo de batalha ou da natureza. Uma das mais belas tomadas mostra um enorme campo repleto de capim ao vento, onde o espectador parece sentir o vento gelado saindo da tela. 

Não é um filme para todos os gostos, a lentidão da narrativa, os diálogos entre os soldados e as diversas cenas contemplativas são belíssimas, mas é preciso ter paciência para curtir. O filme chegou a ter cinco horas após o primeiro corte e na corte final vários atores como Gary Oldman, Jason Patric, Martin Sheen, Mickey Rourke e Billy Bob Thornton tiveram seus papéis excluídos. 

A curiosidade é que Malick estava há vinte anos sem filmar, o que criou um grande expectativa na crítica e no público.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Dia 14 - Batendo Papo (Melhor Diálogo)

John Travolta e Samuel L. Jackson
"Royale with Chase"

O roteiro de Pulp Fiction é repleto de deliciosos diálogos criados por Quentin Tarantino e Roger Avary sobre os mais diferentes assuntos misturados a cultura pop.

Eu poderia citar vários diálogos deste filme, como a conversa de Travolta e Uma Thurman na lanchonete estilo anos cinquenta. a sequência inicial onde Tim Roth e Amanda Plummer trocam palavras meladas antes de praticar um violento assalto, além de praticamente todos os diálogos entre John Travolta e Samuel L. Jackson. Seja Jackson recitando a bíblia antes de matar algum sujeito, a discussão dentro do carro que acaba com a morte de um pobre coitado no banco traseiro ou ainda a história sobre Antwan, o samoano conhecido como Tony Rocky Horror.

Apesar destas ótimas cenas, o diálogo sobre a vida do personagem de Travolta na França e as diferenças culturais com os Estados Unidos, principalmente os lanches de McDonalds, é impagável. Por isso escolho a conversa sobre o Royale with Cheese.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Dia 13 - Maior Roubada Cinematográfica

A Reconquista (Battlefield Earth: A Saga of ther Year 3000, EUA, 2000) – Nota 2
Direção – Roger Christian
Elenco – John Travolta, Barry Pepper, Forest Whitaker, Kim Coates, Richard Tyson, Sabine Karsenti, Kelly Preston.

Muitas astros já se envolveram em projetos furados que naufragaram nas bilheterias e foram massacrados pelos críticos. Destes filmes, o que mais me chamou atenção pela falta de qualidade foi "A Reconquista", uma completa bomba estrelada por John Travolta.

Por ser baseado no livro de L. Ron Hubbard, o criador da Cientologia, religião a qual John Travolta é adepto (assim como outros famosos como Tom Cruise), o astro resolveu bancar a adaptação da história para o cinema. 

A trama se passa no ano 3000 quando a Terra é dominada po alienígenas gigantes liderados por Terl (o próprio Travolta) e os humanos vivem como escravos, até que Johnny (Barry Pepper) se torna uma espécie de salvador e comanda os humanos em uma revolta para derrubar os invasores. 

Rídicula ficção que erra em praticamente tudo, desde o elenco que parece perdido, inclusive o ótimo ator Forest Whitaker e principalmente Barry Pepper como o herói, passando pela história sem pé nem cabeça, pelas cenas filmadas com truques de câmera para mostrar os alienígenas como superiores em tamanho aos humanos e por fim o visual dos invasores, que usam dreadlocks como cantores de reagge. 

O resultado é muito dinheiro jogado na lata do lixo e um desperdício de tempo para quem teve coragem de assistir.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Dia 12 - Melhor Ano da História do Cinema

Escolher o melhor ano da história do cinema é outro tópico muito complicado. Primeiro pensei em grandes clássicos e separei pelo ano de produção. No final listei um grande quantidade de filmes que foram produzidos nos mais diversos anos.

Decidi escolher um ano em que a quantidade de bons e ótimos filmes fosse grande, mesmo que não tenham tantos clássicos inesquecíveis. Depois desta análise, cheguei a conclusão de que o melhor ano (opinião pessoal) foi 1995.

Listei 25 bons filmes no ano.

Seven - Brad Pitt e Morgan Freeman caçando Kevin Spacey

Cassino - Robert DeNiro, Sharon Stone, Joe Pesci e Martin Scorsese no mundo dos gângsters

Os Suspeitos - Grande elenco, roteiro sensacional e Keyser Soze

Coração Valente - Mel Gibson contra os tiranos ingleses

O Ódio - O preconceito e a violência contra os imigrantes na França

Os Doze Macacos - Bruce Willis, Terry Gilliam e um amalucado Brad Pitt

Antes do Amanhecer - Julie Delpy, Ethan Hawke e Richard Linklater numa poética história de amor

As Pontes de Madison - O amor impossível entre Clint Eastwood e Meryl Streep

Fogo Contra Fogo - DeNiro, Pacino, Val Kilmer e Jon Voight sobre a batuta de Michael Mann

Razão e Sensibilidade - Emma Thompson e Kate Winslet lutando pelos seus desejos na Inglaterra Vitoriana

Cidadão X - Stephen Rea, Donald Sutherland e Max Von Sydow caçando um assassino em série na antiga União Soviética

Kids - Larry Clark mostrando ao mundo uma juventude sem limites no sexo e nas drogas

Despedida em Las Vegas - Nicolas Cage e Elisabeth Shue no fundo do poço

Dead Man - Johnny Depp e Jim Jarmusch num filme sobre a discriminação contra os índios

Duro de Matar - A Vingança - O melhor roteiro e vilão (Jeremy Irons) da série de filmes com John McClaine (Bruce Willis)

Eclipse Total - Kathy Bates e Jennifer Jason Leigh escondendo um terrível segredo

Carlota Joaquina - Carla Camurati desmistificando a família real portuguesa

Mr. Holland - Adorável Professor - Grande lição com Richard Dreyfuss

Nixon - Polêmica biografia de Oliver Stone com grande interpretação de Anthony Hopkins

O Quatrilho - Troca de casais ao estilo antigo

O Outro Lado da Nobreza - Divertida comédia sobre os costumes da aristocracia inglesa

Os Bad Boys - Will Smith e Martin Lawrence detonando Los Angeles

Os Últimos Passos de um Homem - Susan Sarandon tentando salvar a alma de Sean Penn

Rápida e Mortal - O velho oeste aos olhos de Sam Raimi, com Sharon Stone, Leonardo DiCaprio, Russell Crowe e Gene Hackman

Toy Story - Viva os brinquedos

domingo, 25 de dezembro de 2011

Dia 11 - Melhor Drama

A Lista de Schindler (Schindler’s List, EUA, 1993) – Nota 10
Direção – Steven Spielberg
Elenco – Liam Neeson, Ben Kingsley, Ralph Fiennes, Caroline Goodall, Jonathan Sagall, Embeth Davidtz.

Poderia citar diversos filmes como melhor drama. Lembrei de “Cidadão Kane”, “Asas do Desejo”, “A Felicidade Não se Compra” e “O Pianista”, entre outros, porém ficarei com “A Lista de Schindler”. 

O longa conta a história do empresário alemão Oskar Schindler (Liam Neeson) que em 1939 após a Alemanha invadir a Polônia, compra uma fábrica falida na Cracóvia e contrata trabalhadores judeus para fornecer produtos aos nazistas. A princípio sua idéia é lucrar pagando quase nada de salário aos judeus, porém ao contratar o judeu Itzhak Stern (Ben Kingsley) para gerenciar o local, percebe que precisará ajudar os trabalhadores para evitar que sejam assassinados pelos nazistas. 

Tendo boa relação com os nazistas, Schindler e Stern conseguem subornar vários oficiais e ainda manter um certa relação com o sanguinário Amon Goeth (Ralph Fiennes), sujeito desequilibrado responsável por manter a ordem na cidade. 

O filme concorreu a doze prêmios Oscar e venceu sete, de Melhor Filme, Diretor, Trilha Sonora com John Williams, parceiro habitual de Speilberg, Direção de Arte, Edição, Fotografia com o polonês Janusz Kaminski e Roteiro Adaptado pelo também diretor Steven Zaillian. 

O longa é praticamente perfeito na parte técnica, com um roteiro que mescla com qualidade drama e violência, tudo isso valorizado pelo ótimo elenco. Neeson está competente como Schindler, Ben Kingsley dispensa comentários e Ralph Fiennes assustador como oficial nazista de coração gelado.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Dia 10 - Guilty Pleasure

Afinado no Amor (The Wedding Singer, EUA, 1998) – Nota 7,5
Direção – Frank Coraci
Elenco – Adam Sandler, Drew Barrymore, Christine Taylor, Allen Covert, Angela Featherstone, Billy Idol, Matthew Glave, Steve Buscemi, Jon Lovitz, Alexis Arquette.

Considero Adam Sandler um bom ator, seu grande problema está na escolha dos papéis. Geralmente ele se envolve em comédias idiotas, mas as vezes acerta em filmes diferentes como “Reine Sobre Mim” e “Embriagado de Amor”. Dentres suas comédias, esta “Afinado no Amor” é uma deliciosa besteira que fica ainda mais agradável para quem viveu nos anos oitenta. 

O protagonista da trama é o cantor Robbie Hart (Sandler), que enquanto não consegue uma carreira, faz apresentações em casamentos. Durante um destes eventos, Robbie faz amizade com a doce garçonete Julia (Drew Barrymore), que namora o arrogante Glenn (Matthew Glave). Robbie está noivo de Linda (Angela Featherstone) com quem se casará na semana seguinte, porém ele não imagina que sua amada lhe deixará no altar. 

O roteiro segue o estilo dos filmes de desencontros amorosos, porém o diferencial aparece nas piadas sobre os costumes dos anos oitenta. Sandler aparece com um corte de cabelo típico da época, além de vestir blazers com ombreiras e outros adereços engraçados. As garotas parecem saídas de algum clip antigo da Madonna e o personagem de Matthew Glave é o exagero em pessoa, usando roupas coloridas e sendo alvo de um piada onde é comparado com o personsagem de Don Johnson em “Miami Vice”, uma das grandes séries dos anos oitenta que abusava dos exageros da moda. 

Outro ponto positivo é a trilha sonora repleta de músicas dos anos oitenta, tendo um pequena participação de Bily Idol e uma sequência de abertura engraçadíssima, com Sandler cantando “You Spin Me 'Round” do andrógino grupo “Dead or Alive” no momento do casamento em que todos os parentes e convidados se soltam. 

Finalizando, não posso deixar de citar a estranha interpretação do personagem de Alexis Arquette para o sucesso “Karma Chameleon” do grupo “Culture Club”. Ele canta está música várias vezes no filme em todos os casamentos, chegando a assustar os convidados.  

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Dia 9 - Filme Mais Romântico

Casablanca (Casablanca, EUA, 1942) - Nota 10
Direção – Michael Curtiz
Elenco – Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Paul Henreid, Claude Rains, Sidney Greenstreet, Peter Lorre, Conrad Veidt.

A história do amor proibido entre o dono de um bar na África e uma aristocrática dama casada, se transformou em um dos maiores filmes de todos tempos, tanto pela suspense da trama, como pela difícil decisão do casal na sequência final.

A trama se passa durante a 2º Guerra Mundial, em Casablanca no Marrocos, onde nazistas, aliados e espiões se cruzam no ponto de fuga dos europeus para os EUA. Nesta cidade, Rick Blaine (Bogart) é dono de um café que mantém as aparências tratando bem um capitão nazista (Claude Rains), mas ao se apaixonar por Ilsa (Ingrid Bergman) que é casada com o líder da resistência Victor Laszlo (Paul Henreid), precisa decidir de qual lado ficar.

Outro ponto positivo é o ótimo elenco, com uma bela química entre o casal principal, além de coadjuvantes competentes como Paul Henreid e principalmente Claude Rains como o irônico e ardiloso oficial nazista

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Dia 8 - Filme Cebola (Mais Triste de Todos)

O Campeão (The Champ, EUA, 1979) - Nota 8
Direção – Franco Zeffirelli
Elenco – Jon Voight, Faye Dunaway, Ricky Schroeder, Jack Warden, Arthur Hill, Elisha Cook Jr, Dana Elcar.

A história do decadente ex-boxeador Billy (Jon Voight) que leva uma vida difícil cuidando do filho pequeno T. J.(Ricky Schroeder), que foi abandonado pela mãe Annie (Faye Dunaway) tem provavelmente o final mais triste da história do cinema.

A situação piora quando sua ex-esposa Annie reaparece e deseja retomar a guarda do pequeno T. J., que prefere viver com o pai. Precisando de dinheiro para a disputa no tribunal, Billy resolve voltar aos ringues, situação que terminará tragicamente

Infelizmente Schroeder não conseguiu se firmar na carreira quando adulto, tendo como papel mais importante sua participação em três temporadas da série "Nova York Contra o Crime" (NYPD Blue).

Nos últimos anos ele foi coadjuvante em uma temporada da série "Scrubs" e outra de "24 Horas".

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Dia 7 - Comédia Tonta Que Não Prejudica os Neurônios


A comédia pastelão americana dos anos trinta aos cinquenta, era protagonizada por grupos como "Os Três Patetas", "Os Irmãos Marx", "Abbott & Costello" e "O Gordo e o Magro". Começando um pouco antes, Chaplin e Harold Lloyd utilizavam também o humor físico. Os grupos citados foram se acabando no início dos anos sessenta, com o avançar da idade e o falecimento de alguns participantes. Nesta época, o grande nome da comédia era Jerry Lewis, que também fazia o tipo atrapalhado e se baseava no humor físico.

O início da mudança de estilo veio em 1968, quando Mel Brooks que havia criado em parceria com Buck Henry o seriado de sucesso "Agente 86", que parodiava os filmes de espionagem, resolveu levar seu estilo para o cinema e criou o sucesso "Primavera para Hitler". Nos anos seguintes Brooks transformou a paródia em gênero com filmes como "Banzé na Rússia", "Banzé no Oeste" e "O Jovem Frankenstein".

Em 1980, três jovens resolveram dar um passo a frente nas idéias de Brooks. O chamado "Trio ZAZ", Jim Abrahams e os irmãos Jerry e David Zucker criaram "Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu", uma paródia devastadora aos filmes de suspense em avião. O trio ressuscitou a carreira de vários atores veteranos que estavam esquecidos, como Leslie Nielsen, Peter Graves, Lloyd Bridges e Robert Stack.

Ainda nos anos oitenta o trio se separou e cada um partiu para a carreira solo. Nesta postagem cito dois filmes de Jim Abrahams que são filhotes legítimos do estilo que ele ajudou a criar, mas que infelizmente se esgotou e hoje em dia é copiado da pior forma possível por vários diretores picaretas.

Top Gang – Ases Muito Loucos (Hot Shots!, EUA, 1991) – Nota 8
Direção – Jim Abrahams
Elenco – Charlie Sheen, Cary Elwes, Valeria Golino, Jon Cryer, Lloyd Bridges, William O'Leary, Kevin Dunn, Kristy Swanson, Efrem Zimbalist Jr, Bill Irwin, Heidi Sweedberg, Bruce A. Young, Ryan Stiles.

Topper Harley (Charlie Sheen) é um piloto traumatizado que foi afastado de seu posto e resolveu se isolar do mundo. Quando seu antigo comandante (um hilário Lloyd Bridges) solicita seu retorno para uma missão importante, Topper aceita e precisa enfrentar seus medos com a ajuda de um psiquiatra (a bela Valeria Golino). 

O filme é um engraçadíssima paródia de “Top Gun – Ases Indomáveis”, com direito a Charlie Sheen imitando os trejeitos de Tom Cruise naquele filme. Várias cenas se destacam, como a gozação em cima de “Nove e Meia Semanas de Amor”, quando Sheen frita até um ovo na barriga de Valeria Golino. O elenco de apoio também é hilário. Cary Elwes faz o rival de Sheen, Lloyd Bridges é o oficial com placas de metal por todo o corpo e Jon Cryer é um piloto que não enxerga um palmo a frente e usa uma óculos com lentes garrafais. 

O curioso é que Sheen e Cryer voltariam a se encontrar na série de sucesso “Two and Half Man”, sem contar a pequena participação de Ryan Stiles, que também atua na série.

Top Gang 2 – A Missão (Hot Shots! Part Deux, EUA, 1993) – Nota 8
Direção – Jim Abrahams
Elenco – Charlie Sheen, Lloyd Bridges, Valeria Golino, Richard Crenna, Brenda Bakke, Miguel Ferrer, Mitchell Ryan, Andreas Katsulas, Rowan Atkinson.

Esta sequência é uma verdadeira metralhadora de piadas que aponta principalmente para “Rambo II – A Missão”, com Charlie Sheen parodiano Stallone ao utilizar o mesmo corte de cabelo e a fita vermelha na testa. Para ajudar na piada, o filme tem até mesmo a participação de Richard Crenna, que interpretava o Coronel Trautman na série Rambo. 

A história começa com Topper Harley (Sheen) que está aposentado, sendo chamado de volta a ativa pelo agora presidente Thomas “Tug” Benson (Lloyd Bridges), seu antigo comandante na marinha, para resgatar um grupo de resgate (é isso mesmo) que foi aprisionado no Iraque. 

Novamente cenas hilárias, com direito a galinhas nas pontas de flechas e Sadam Hussein com peitos e marca de sutiã. É um dos casos em que a continuação é tão boa quanto o original.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Dia 6 - Com o Coração na Boca (Melhor Suspense/Terror)

O Exorcista (The Exorcist, EUA, 1973) – Nota 10
Direção – William Friedkin
Elenco – Ellen Burstyn, Linda Blair, Jason Miller, Max Von Sydow, Lee J. Cobb, Kitty Wynn, Jack MacGowran, William O’Malley.

Os gêneros suspense e terror já renderam grandes filmes, porém "O Exorcista" é algo incomparável no quesito de assustar. Com um ótimo roteiro, personagens marcantes e todo um leque de maldições e lendas por trás da produção, este filme pode ser considerado o melhor do gênero em todos os tempos.

O filme é baseado num livro de William Peter Blatty e conta a história da pré-adolescente Regan (Linda Blair), que começa a ter atitudes estranhas, falar com voz masculinizada e ameaçar a própria mãe, a atriz Chris MacNeill (Ellen Burstyn). De início a mãe acredita que a filha possa ter algum problema médico, mas depois de uma bateria de exames que não detecta problema algum, Chris leva a filha para a um psiquiatra. 

Durante a sessão, Regan ataca violentamente o médico, sem motivo aparente. Desesperada, Chris resolve procurar a igreja e encontra o padre Karras (Jason Miller), que passando por um período de questionamento da fé, não acredita em possessão. No desenrolar da trama, a garota fica ainda mais violenta, o que chama a atenção de um detetive (Lee J. Cobb) e como última esperança, o padre Karras chama um outro padre especialista em exorcismo, o veterano Lankester Merrin (Max Von Sydow). 

Parece incrível, mas quase quarenta anos depois, o filme ainda assusta. As cenas de possessão da garota são violentas e até profanas, a falta de fé do personagem de Jason Miller é posta à prova e a pequena e importante participação de Max Von Sydow é vital para o entendimento do que aconteceu com a garota. 

Algumas cenas são clássicas, como a a conhecida cena do crucifixo, que deixou a Igreja Católica revoltada, a chegada do padre Merrin à casa da garota durante uma sinistra noite, cena que se transformou no cartaz original e o assustador ritual do exorcismo no clímax do longa. 

Como curiosidade, as histórias de acidentes no set de filmagem, algumas mortes de pessoas ligadas a produção e até mesmo a carreira de Linda Blair que não vingou, criaram um clima de maldição sobre o filme e isso ajudou ainda mais a aumentar o culto por este clássico

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Dia 5 - Atriz e Ator Preferidos

Poderia citar uma lista enorme de atrizes e atores de grande talento, mas escolhi apenas três nomes. Ainda tomei a liberdade de citar dois atores, que considero de talento equivalente.

Meryl Streep é praticamente uma unanimidade como sendo uma das maiores atrizes de todos os tempos. Com quase trinta e cinco de carreira, ela é recordista em indicações ao Oscar, foram dezesseis vezes e duas vitórias por "A Escolha de Sofia" e "Kramer vs Kramer", além de vinte e cinco indicações ao Globo de Ouro com sete vitórias.

Seu talento misturado a predileção pelo gênero drama (o preferido da Academia) são os responsáveis por tantas indicações. No início dos anos noventa ela se arriscou em algumas comédias de humor negro que fracassaram, como "Ela é o Diabo" e "A Morte Lhe Cai Bem". Apenas na última década sua escolha de comédias foram acertadas. O sucesso de "Adaptação" e "O Diabo Veste Prado" coroaram a carreira de um atriz talentosa e versátil.

Atores da mesma geração, Al Pacino e Robert De Niro se tornaram astros no início dos anos setenta e por coincidência no mesmo filme, "O Poderoso Chefão II". Pacino também trabalhou no primeiro filme ao lado de Marlon Brando e James Caan, mas na segunda parte ele foi o dono do show, já que apesar do papel de De Niro ser tão importante quanto, a história era contada em duas épocas em paralelo. De Niro tinha feito no ano anterior "Caminhos Perigosos' com Martin Scorsese, mas foi na saga da família Corleone que teve seu primeiro grande papel.

A dupla consolidou a carreira nos anos setenta e partir daí trabalharam em diversos filmes de sucessos interpretando grandes papéis. De Niro fez "Taxi Driver", "O Franco Atirador", "Touro Indomável", "Os Intocáveis", "Cassino" e "Os Bons Companheiros", grande parte em parceria com Scorsese. Já Pacino trabalhou em "Um Dia de Cão", "Scarface", "Perfume de Mulher" e "O Pagamento Final".

Trabalharam juntos três vezes, sendo que a primeira em "O Poderoso Chefão II" eles não contracenaram. Voltaram a atuar juntos, desta vez como inimigos em "Fogo Contra Fogo" e por último como policiais parceiros em "As Duas Faces da Lei".

domingo, 18 de dezembro de 2011

Dia 4 - Melhor Diretor

Escolher o melhor diretor é algo muito difícil, por este motivo tentei usar como parâmetro toda a carreira dos nomes que pensei, a quantidade de filmes e a importância de suas obras.

Dois nomes atuais podem daqui alguns anos entrarem nesta briga de melhor diretor, são eles Quentin Tarantino e Christopher Nolan. Suas obras são marcantes e originais, a questão é esperar um pouco mais para conferir se eles conseguirão mantém o nível de qualidade.

Estava em dúvida em outros três nomes com carreiras fantásticas. O primeiro foi o grande John Ford, responsável por grandes westerns como "Rastros de Ódio" e "O Homem que Matou o Facínora", além de dramas fortes como "As Vinhas da Ira" e "Como Era Verde o Meu Vale".

O segundo nome lembrado foi de Steven Spielberg, o homem que criou o chamado "Cinema Pipoca" e deu início a era dos Blockbusters com o sucesso de "Tubarão". Spielberg mostrou que seu cinema vai além das aventuras ao dirigir grandes filmes como "A Cor Púrpura" e "A Lista de Schindler".

A terceira lembrança é para Martin Scorsese. Se Coppola elevou os filmes de gângster a clássicos com "O Poderoso Chefão", Scorsese foi além ao mostrar que este mundo da marginalidade podia render grandes histórias com todo o tipo de personagem ligado a máfia e ao crime. Obras como "Os Bons Companheiros" e "Cassino" são exemplos, junto com "Taxi Driver", "Touro Indomável", "Os Infiltrados" e tantos outros filmes mostram o talento deste diretor.

Escolhi Alfred Hitchcock pela regularidade de sua carreira, praticamente todos os seus filmes tem um nível acima da média. Hitchcock criou ainda famosas aparições em seus filmes, com o público ficando a espera para saber em qual cena ele apareceria como figurante. Sua habilidade em criar cenas marcantes, como a vertigem do personagem de James Stewart em "Um Corpo que Cai", o assassinato no chuveiro em "Psicose" e a tentativa de assassinato no concerto em "O Homem que Sabia Demais" são exemplos únicos de talento e criatividade.

O gênero suspense foi seu predileto, com filmes como o citado "Psicose", "Pacto Sinistro" e "Festim Diabólico". Outro tema recorrente em sua filmografia era a do inocente azarado, que acabava sendo acusado e perseguido por algo que não fez. São exemplos obras como "O Homem Errado", "O Homem que Sabia Demais" e Frenesi".

Consta que Hitchcock teve uma criação religiosa muito forte, foi casado uma única vez, mas que utilizava seus desejos reprimidos em personagens e histórias, sendo claro seu fetiche por loiras. Kim Novak, Doris Day, Tippi Hedren e Grace Kelly foram algumas da loiras que trabalharam com o diretor.

Finalizando, uma frase de Hitchcock resume bem seu carreira. Ele disse que "o que me interessa não é a história, mas a forma como ela é contada".