sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Nunca Fui Santa

Nunca Fui Santa (Bus Stope, EUA, 1956) – Nota 7
Direção – Joshua Logan
Elenco – Marilyn Monroe, Don Murray, Arthur O’Connell, Betty Field, Hope Lange, Eileen Heckart.

O cowboy Bo (Don Murray) é um sujeito simplório que se apaixona pela cantora de bar Cherie (Marilyn Monroe) e mesmo sem saber nada sobre a vida da jovem, decide pedi-la em casamento. Assustado com o pedido do rapaz, Cherie diz não, porém o insistente caipira não aceita a negativa de forma alguma. 

Preocupada com a situação e ao mesmo tempo acreditando que iria enganar o ingênuo rapaz em virtude do seu passado, Cherie foge em um ônibus para Los Angeles, porém uma nevasca a deixa presa com outros passageiros em uma parada de ônibus, onde o maluco Bo a encontrará novamente.

Esta simpática comédia é considerada por muitos críticos o filme que mostrou que Marilyn Monroe sabia atuar. Seu papel da decadente cantora de bar, com um passado pouco digno, caiu como uma luva para Marilyn. 

O ponto que pode desagradar é a atuação de Don Murray como o cowboy ingênuo ao extremp, que mesmo assim ainda concorrreu ao Oscar de Ator Coadjuvante. É uma comédia com alguns pontos divertidos que vale uma sessão da tarde.    

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Os Especialistas

Os Especialistas (Killer Elite, EUA/ Austrália, 2011) – Nota 8
Direção – Gary McKendry
Elenco – Jason Statham, Clive Owen, Robert De Niro, Dominic Purcell, Aden Young, Yvonne Strahovski, Adewale Akinnuoye Agbaje, Ben Mendelsohn.

O mercenário Danny (Jason Statham) se aposentou da profissão e voltou para Austrália, porém um ano depois é chantageado para um missão. Seu ex-parceiro Hunter (Robert De Niro) foi seqüestrado por um xeique que vive em Mascate, capital de Omã que deseja vingança pela morte de três dos seus filhos. 

A missão de Danny é matar três agentes do serviço secreto inglês fazendo parecer um acidente e gravar a confissão dos sujeitos, para com estas provas em mãos salvar seu amigo Hunter. Danny terá a ajuda de outros dois mercenários (Dominic Purcell e Aden Young), porém sua missão será dificultada por Spike (Clive Owen), um ex-agente que faz serviço sujo para os ingleses e acaba sendo indicado para deter os mercenários. 

Por incrível que pareça, esta trama rocambolesca é baseada numa história real acontecida em 1981 e contada em livro por um ex-soldado inglês. Sendo verdade ou não, a adaptação para o cinema gerou um bom filme, valorizado pelas sequências de ação que incluem perseguições de carros, tiroteios e brigas, ao estilo dos longas de ação dos anos setenta e oitenta, deixando os efeitos especiais de lado (lembrando um pouco a série Bourne). 

Outro ponto interessante é a época em que se passa a história, onde o jogo de espionagem dependia de câmeras fotográficas com filme, telefones comuns, transmissões via rádio e da esperteza de cada agente, sem internet e os gadgets dos dias atuais. 

O roteiro prende a atenção mesmo com diversos personagens, tendo ainda uma trama política ao fundo explicitada quase ao final do longa, que mostra os verdadeiros motivos de toda a situação. 

O público que curte filmes de ação com conteúdo vai adorar este trabalho, principalmente algumas sequências muito bem filmadas, como a perseguição pelos telhados e uma briga entre três personagens, sendo que um deles está amarrado a uma cadeira. 

Finalizando, Jason Statham novamente faz o herói violento de bom coração, que tem um rival a altura no agente bigodudo de Clive Owen, com destaque também para Dominic Purcell (de “Prison Break”) num bom papel e a pequena e importante participação de Robert De Niro.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Crimes de Paixão

Crimes de Paixão (Crimes of Passion, EUA, 1984) – Nota 7
Direção – Ken Russell
Elenco – Kathleen Turner, Anthony Perkins, John Laughlin, Annie Potts, Bruce Davison.

Nesta semana o cinema perdeu o veterano diretor inglês Ken Russell, responsável por filmes como "Viagens Alucinantes" e a ópera-rock "Tommy".

Como homenagem, comento um de seus filmes mais polêmicos, o drama "Crimes de Paixão".

Joanna Crane (Kathleen Turner) é uma estilista renomada durante o dia, porém a noite se transforma na prostituta China Blue. Usando um peruca loira, roupas sensuais e uma atitude provocante, China realiza seus desejos neste papel. Sua vida oculta se complica quando um cliente (John Laughlin), que está insatisfeito no casamento, se apaixona por China e descobre seu segredo. Além disso, ela é perseguida por um religioso completamente maluco (Anthony Perkins). 

Sem dúvida, o destaque do filme são as ousadas cenas de sexo simulado que a atriz Kathleen Turner protagoniza sem inibição, situação que muitas estrelas não aceitariam, principalmente se estivessem no auge da fama e da beleza como era o caso dela. 

O roteiro mistura temas polêmicos como sexo, religião, fanatismo e culpa, principalmente nos diálogos entre a prostituta e o personagem de Anthony Perkins, que ficou marcado pelo papel em “Psicose” e passou boa parte da carreira interpretando sujeitos desajustados. O ponto fraco é o canastrão John Laughlin como o sujeito dividido entre a esposa frígida e a prostituta fogosa.

Como curiosidade, a outrora bela Kathleen Turner, hoje está irreconhecível.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O Chamado 1 & 2

O Chamado (The Ring, EUA, 2002) – Nota 7
Direção – Gore Verbinski
Elenco – Naomi Watts, Martin Henderson, David Dorfman, Brian Cox, Jane Alexander, Lindsay Frost, Sara Rue, Shannon Cochran, Amber Tamblyn, Daveigh Chase, Adam Brody.

A jornalista Rachel (Naomi Watts) decide investigar a morte da sobrinha e acaba chegando a uma misteriosa fita de vídeo, a qual quem a assiste acaba morrendo sete dias depois. O suspense começa seu filho (David Dorfman) assiste ao vídeo e deixa Rachel desesperada, precisando descobrir como se livrar da maldição.

Competente suspense dirigido por Gore Verbinski, porém inferior ao original japonês filmado em 1998. Os destaques assim como na versão original, são o clima assustador, o espírito de Samara a ‘garota do poço”, além das sinistras imagens da fita de vídeo.


O Chamado 2 (The Ring Two, EUA, 2005) – Nota 4
Direção – Hideo Nakata
Elenco – Naomi Watts, Simon Baker, David Dorfman, Elizabeth Perkins, Gary Cole, Sissy Spacek, Ryan Merriman, Emily VanCamp, Kelly Overton, Daveigh Chase

Esta desnecessária continuação começa até bem, com um jovem casal (Ryan Merriman e Emily VanCamp) prontos para assistir a fita com a maldição de Samara, mas depois deste prólogo o filme vai por água abaixo. 

Logo em seguida mãe e filho (Naomi Watts, e David Dorfman) que sobreviveram ao primeiro filme (refilmagem americana), descobrem que o fantasma de Samara os encontrou e que deseja possuir o corpo do garoto, ou seja, a base da trama original que é sobre a maldição da fita se transforma numa versão vagabunda de “O Exorcista”, com um roteiro cheio de furos e o desperdício de bons atores como Gary Cole, Elizabeth Perkins e até a ótima Sissy Spacek em papéis secundários sem qualquer sentido. 

Se o primeiro já era inferior ao original japonês, este fica a quilômetros de distância, mesmo tendo na direção o mesmo Hideo Nakata que comandou o filme original.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Caça às Bruxas

Caça às Bruxas (Season of the Witch, EUA, 2011) – Nota 6
Direção – Dominic Sena
Elenco – Nicolas Cage, Ron Perlman, Stephen Campbell Moore, Stephen Graham, Ulrich Thomsen, Claire Foy, Robert Sheehan, Christopher Lee, Brian F. O’Byrne.

Durante as Cruzadas, dois soldados do Vaticano, Behmen (Nicolas Cage) e Felson (Ron Perlman) abandonam a luta após um massacre contra mulheres e crianças. Após vagarem pela Europa, acabam sendo presos em uma cidade assolado pela peste negra. Antes de serem executados, recebem uma proposta do Cardeal (Christopher Lee) que está a beira da morte. Os dois devem levar uma jovem acusada de bruxaria (Clair Foy) para uma local nas montanhas onde monges deverão julgá-la. Os religiosos acreditam que ela trouxe a peste para a cidade. A dupla inicia a perigosa viagem junto com um padre (Stephen Campbell Moore), um soldado (Ulrich Thomsen) e um guia (Stephen Graham).

Apesar de ser outro filme estrelado por Nicolas Cage massacrado pela crítica, nem tudo se perde neste longa que mistura aventura e terror. Os pontos altos são o clima de suspense bem colocado em algumas sequências, principalmente nas cenas da floresta, o ótimo prólogo que deixava a impressão de ser um bom filme e a premissa interessante. 

O problema é que algumas coisas deixam a desejar, como a direção de Dominic Sena, que assim como em “60 Segundos’ e “A Senha: Swordfish”, acerta na parte técnica, mas comanda um desenrolar frouxo da história, utilizando um roteiro que não soube a explorar a boa premissa e personagens interessantes como o guia picareta de Stephen Graham, além de colocar na boca de Ron Perlman algumas falas engraçadinhas que destoam do conteúdo e da época em que a história se passa. 

O resultado é um filme que pode divertir numa sessão despretensiosa sem grandes exigências.

domingo, 27 de novembro de 2011

Red State

Red State (Red State, EUA, 2010) – Nota 7,5
Direção – Kevin Smith
Elenco – Michael Parks, John Goodman, Michael Angarano, Melissa Leo, Stephen Root, Kerry Bishé, Kyle Gallner, Nicholas Braun, Jennifer Schwalbach Smith, Kevin Pollak, Matt Jones.

Numa pequena cidade do meio-oeste americano, três jovens colegiais (Michael Angarano, Kyle Gallner e Nicholas Braun) marcam encontro pela internet com uma mulher que diz querer fazer sexo com três garotos ao mesmo tempo. Os jovens seguem para o afastado Condado de Coopers Dell e pelo caminho batem em um carro estacionado na estrada, antes de encontrar a mulher (Melissa Leo) os esperando na porta de um trailer. O que seria uma diversão, se torna pesadelo quando os jovens são drogados e transformados em prisioneiros na Igreja das Cinco Pontas, liderada pelo pastor Abin Cooper (Michael Parks). 

Esta incursão de Kevin Smith num gênero completamente diferente das comédias que está habituado a dirigir, é uma interessante surpresa. Mesmo que não seja um grande filme, o roteiro de Kevin Smith mexe com temas espinhosos mostrando absurdos de todos os lados, começando com a igreja fundamentalista que prega o extermínio dos homossexuais e outros que sejam considerados pervertidos, passando pela ineficência do xerife local, que por sinal guarda um segredo e chegando aos exageros perpretados pelo FBI para cumprir ordens de algum burocrata do governo que resolve transformar um inimigo religioso em terrorista. 

Mesmo optando pela ação brutal na segunda parte do filme, esta escolha critica atitudes similares do governo americano em situações reais, como o caso da Igreja do Ramo Davidiano em Waco, Texas, quando os agentes do governo massacraram os seguidores do maluco David Koresh, com o detalhe desta atitude ter acontecido antes de 11 de Setembro e da criação do chamado “Ato Patriótico”, que oficializou a desculpa para o governo americano transformar seus inimigos em terroristas. 

Outro destaque do filme é o elenco, principalmente as grandes interpretações de Michael Parks como o pastor hábil nas palavras e no carisma e Melissa Leo como a seguidora fiel, que aceita todas as palavras do pastor como se viessem de Deus. Uma das melhores sequências é o sermão catártico do personagem de Parks, que cita o tsunami na Tailândia e o furacão Katrina em New Orleans como castigos de Deus as cidades do pecado. 

Como curiosidade, Michael Parks era um ator basicamente de tv, que estava esquecido quando foi redescoberto por Quentin Tarantino e Robert Rodriguez e teve a chance de trabalhar em “Um Drink no Inferno” e “Kill Bill”. 

sábado, 26 de novembro de 2011

Os Novos Centuriões & Os Rapazes do Coro


Os Novos Centuriões (The New Centurions, EUA, 1972) – Nota 7
Direção – Richard Fleischer
Elenco – George C. Scott, Stacy Keach, Jane Alexander, Scott Wilson, Erik Estrada, Rosalind Cash, Clifton James, James B. Sikking.

O policial Roy (Stacy Keach) é um novato idealista que estuda Direito pensando se tornar advogado ou até promotor. Seu parceiro é o veterano Kilvinski (George C. Scott), sujeito que já vivenciou muitas situações dentro da policia e não acredita em ideais. Aos poucos Roy percebe que não tem como dividir seu trabalho com a vida de pessoal, tendo de escolher um caminho. 

Este interessante drama policial é baseado num livro de Joseph Wambaugh, que no ano seguinte levaria suas histórias para tv na série “Police Story”que teve cinco temporadas. Alguns pontos de destaque do filme são o relacionamento inter-racial entre os personagens de Stacy Keach e de Rosalind Cash, além da participação de Erik Estrada antes do sucesso no seriado “ChiPs”  

Os Rapazes do Coro (The Choirboys, EUA, 1977) – Nota 5
Direção – Robert Aldrich
Elenco – Charles Durning, James Woods, Don Stroud, Louis Gossett Jr, Stephen Macht, Tim McIntire, Perry King, Randy Quaid, Clyde Kusatsu, Burt Young, Charles Haid, Robert Webber.

Considerado o pior filme da carreira do grande Robert Aldrich (“Os Doze Condenados”, “Assim Nascem os Heróis”) este longa baseado num livro de Joseph Waumbaugh, mistura comédia e policial,  recheado de sequências bizarras. 

A história segue o dia a dia de vários policiais de um delegacia de Los Angeles, que se metem em situações constrangedoras e participam de reuniões regadas a bebidas, mulheres e lamentações sobre a vida. 

Uma obra diferente e completamente estranha na filmografia de Aldrich. 

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Caindo na Real

Caindo na Real (Reality Bites, EUA, 1994) – Nota 6,5
Direção – Ben Stiller
Elenco – Winona Ryder, Ethan Hawke, Ben Stiller, Janeane Garofalo, Steve Zahn, John Mahoney, Swoosie Kurtz, Joe Don Baker, Renee Zellweger.

Após terminarem a universidade, quatro amigos precisam encarar a vida real e suas dificuldades. Lelaina (Winona Ryder) foi a oradora da turma e está filmando um documentário sobre a vida dos amigos, que são Troy (Ethan Hawke), o único que não se formou e com seu jeito rebelde vive mudando de emprego. Vickie (Janeane Garofalo) se tornou vendedora em uma loja de departamento e o certinho Sammy (Steve Zahn) também procura seu caminho. Por acaso, Lelaina se envolve com o yuppie Michael (Ben Stiller), que pode ajudar a lançar o documentário da jovem, o que causa ciúme em Troy e abala a amizade do grupo. 

Este longa foi a estréia de Ben Stiller na direção e tem uma boa premissa ao retratar as incertezas dos jovens que se formavam nos anos noventa e precisavam enfrentar um mercado de trabalho em mudança, além de seus problemas com relação a amor e família. 

O problema do filme é que o roteiro não se aprofunda nestes temas e acabam focando apenas no triângulo amoroso entre Winona, Hawke e Stiller, deixando de lado os demais personagens a partir da segunda metade do longa. 

Os destaques são a química entre Winona Ryder e Ethan Hawke e a ótima trilha sonora com músicas de sucesso da época. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A Última Noite

A Última Noite (25th Hour, EUA, 2002) – Nota 7,5
Direção – Spike Lee
Elenco – Edward Norton, Philip Seymour Hoffman, Barry Pepper, Rosario Dawson, Anna Paquin, Brian Cox.

O traficante Monty Brogan (Edward Norton) foi condenado a sete anos de cadeia e tem apenas um dia para aproveitar e reavaliar sua vida, antes de se apresentar na prisão para cumprir a pena. 

Nesta jornada, Monty tenta aparar arestas de sua vida, como o relacionamento com o pai (Brian Cox) um bombeiro aposentado hoje dono de um pub, que não se conforma com a escolha do filho e a dúvida se foi sua namorada (Rosario Dawson) quem o delatou para o polícia. Além disso, seus dois melhores amigos, Frank (Barry Pepper) e Jacob (Philip Seymour Hoffman) tentam dar uma feliz noite de despedida ao amigo. 

Este longa foi o primeiro filmado nas ruas de Nova York após os atentados de 11 de Setembro, com Spike Lee utilizando o cenário natural da cidade, inclusive o Marco Zero do World Trade Center, para contar uma história triste de reflexão sobre erros cometidos. 

Além do clima melancólico e a direção segura de Lee, outro ponto de destaque é a atuação do elenco, principalmente o trio, com Edward Norton criando um personagem que acaba aceitando ter de pagar pelos erros, Barry Pepper como o yuppie que pensa apenas em diversão e Philip Seymour Hoffman como o sujeito preocupado com a situação do amigo. 

Uma cena que chama a atenção é quando o personagem de Norton tem um monólogo na frente de um espelho e após uma explosão de ódio, aceita que ele é único culpado pela própria situação. 

Um trabalho de Spike Lee um pouco diferente de sua filmografia normal, mas que vale a sessão.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

E Estrelando Pancho Villa

E Estrelando Pancho Villa (And Starring Pancho Villa as Himself, EUA, 2003) – Nota 7,5
Direção – Bruce Beresford
Elenco – Antonio Banderas, Eion Bailey, Alan Arkin, Jim Broadbent, Matt Day, Michael McKean, Colm Feore, Alexa Davalos, Anthony Stewart Head, Kyle Chandler, Saul Rubinek, Pedro Armendariz Jr, Damian Alcazar.

Em 1914, o revolucionário mexicano Pancho Villa (Antonio Banderas) passava por dificuldades financeiras para conseguir armas e continuar lutando contra o governo mexicano. Sabendo de sua popularidade nos Estados Unidos, ele oferece os direitos de filmagem de sua vida e da revolução para quem pagar 25 mil dólares em outro e mais 20% do lucro. 

O famoso produtor D. W. Griffith (Colm Feore) envia o jovem Frank Thaye (Eion Bailey) para negociar os direitos. A princípio decide-se filmar as batalhas entre revolucionários e soldados do governo, porém pela dificuldade em captar boas cenas, Villa aceita encenar as cenas de batalha utilizando seus homens como atores, desde que fosse enviada uma equipe de filmagem com um diretor profissional. 

Esta história maluca é baseada em fato real que resultou no filme “The Life of General Villa” de 1914. O produtor D. W. Griffith responsável pelo clássico “O Nascimento de uma Nação” também de 1914, era um dos magnatas do cinema à época e bancou toda a aventura. 

A produção de 2003 é da HBO, que gastou 30 milhões de dólares no filme, transformando no maior orçamento da história dos filmes para tv até aquele ano. 

O filme é interessante, mistura boas cenas de ação, com uma história inusitada, com pitadas de comédia e um pouco de crítica social. 

Tem ainda como destaque a interpretação de Antonio Banderas, que lhe valeu uma indicação ao Globo de Ouro. Banderas cria um Pancho Villa que luta pelo seu povo, mas acredita ser uma estrela, aproveitando bem a chance de ficar ainda mais famoso ao protagonizar o filme.   

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Jogos Mortais V, VI e Final


Jogos Mortais V (Saw V, EUA, 2008) – Nota 5,5
Direção – David Hackl
Elenco – Tobin Bell, Costas Mandylor, Scott Patterson, Betsy Russell, Mark Rolstom, Julie Benz, Meagan Good, Greg Bryk.

Jigsaw (Tobin Bell) morreu, mas deixou como discípulo o policial Hoffman (Costas Mandylor), que ao final do longa anterior forjou a salvamento de um menina para se transformar em herói. Ele não contava que o agente Strahm (Scott Patterson) também conseguisse se salvar das armadilhas de Jigsaw. Em recuperação, o agente Strahn é afastado do caso, mas desconfiado resolve investigar por conta própria e descobre que Hoffman pode ser o parceiro oculto de Jigsaw. Em paralelo, um outro grupo de cinco pessoas que não se conhecem, mas tem alguma ligação entre si, acorda preso dentro de um local repleto de armadilhas mortais. 

Comparado aos filmes anteriores, este é o mais fraco. Tem um roteiro ruim, onde até mesmo a reviravolta final não traz supresas. O elenco é o mais fraco também, principalmente por deixar grande parte das cenas com o canastrão Costas Mandylor. Até mesmo a criatividades das mortes parece estar acabando. Como ponto interessante, as cenas que explicam a ligação de Jigsaw com o policial Hoffman e o carisma sinistro do próprio Jigsaw.

Jogos Mortais VI (Saw VI, Canadá / EUA /  Inglaterra / Austrália, 2009) – Nota 6
Direção – Kevin Greutert
Elenco – Tobin Bell, Costas Mandylor, Mark Rolston, Betsy Russell, Shawnee Smith, Peter Outerbrige, Athena Karkanis, Samantha Lemole, George Newbern.

O policial Hoffman (Costas Mandylor) acredita estar chegando ao fim a missão que Jigsaw (Tobin Bell) deixou para ele após morrer. Porém Jigsaw deixou também uma caixa com instruções pa sua mulher Jill (Betsy Russell). Além disso, o chefe de polícia Erickson (Mark Rolston) investiga os crimes de Jigsaw e acredita que exista um cúmplice. Em paralelo, o executivo William Easton (Peter Outerbdrige) é a nova vítima dos jogos macabros de Jigsaw, tendo de passar por alguns desafios para tentar salvar algumas pessoas, entre elas sua esposa e filho. 

Esta continuação é um pouco melhor que a parte V, tendo um roteiro mais interessante (apesar dos absurdos) e criatividade nos jogos que o personagem do executivo precisa enfrentar. O filme também tem duas sequências que estão entre as mais sangrentas de toda a série, a angustiante disputa inicial entre um homem e uma mulher e a sequência final dentro de uma jaula.  

Jogos Mortais – O Final (Saw 3D, EUA, 2010) – Nota 5
Direção – Kevin Greutert
Elenco – Tobin Bell, Costas Mandylor, Betsy Russell, Cary Elwes, Sean Patrick Flanery, Chad Donella, Gina Holden.

O policial Hoffman (Costas Mandylor) conseguiu sobreviver a armadilha de Jill (Betsy Russell), a esposa de Jigsaw (Tobin Bell) e passa a persegui-la, além de ter ainda uma missão a completar. O alvo é o escritor Bobby Dagen (Sean Patrick Flanery) que escreveu um livro sobre como escapou das armadilhas de Jigsaw e está lucrando com o fato, porém sua história é uma grande mentira. 

Alardeado pelos produtores que seria o capítulo final, este longa é na minha opinião o pior da série. Ele tem uma sequência inicial sem ligação alguma com a história, para em seguida o roteiro criar uma verdadeira salada russa com direito a uma sessão de terapia entre os sobreviventes de Jigsaw e a inclusão totalmente sem sentido de um personagem policial da corregedoria que seria rival de Hoffman. 

Além disso, os produtores trouxeram de volta o personagem de Cary Elwes, um dos protagonistas do filme original e ainda deixaram um gancho para mais um filme. O boato é que os produtores do original, James Wan e Leigh Whannell (que também foi ator no original) desejam produzir mais um filme para encerrar a série de verdade. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Chaga de Fogo

Chaga de Fogo (Detective Story, EUA, 1951) – Nota 8
Direção – William Wyler
Elenco – Kirk Douglas, Eleanor Parker, William Bendix, Cathy O'Donnell, Craig Hill, George Macready, Joseph Wiseman, Lee Grant, Gerald Mohr.

Este drama policial se passa durante um dia inteiro em uma delegacia. O personagem principal é o detetive durão James McLeod (Kirk Douglas), que carrega o ódio contra seu pai que fora uma bandido e por este motivo é impiedoso com as pessoas que praticaram algum crime, não interessando a gravidade. 

Neste dia várias situações chegam a delegacia, em sua maioria pequenos delitos, porém o assunto principal é a obsessão de McLeod em prender um médico (George Macready) que é acusado de ter provocado a morte de várias jovens grávidas. A situação é ainda mais complicada por causa de um segredo do passado entre o médico e a esposa de McLeod, a bela Mary (Eleanor Parker). 

Seguindo o estilo noir, o grande diretor William Wyler acerta em cheio na história de segredos e traumas do passado que influenciam o presente dos personagens, tendo com ponto principal a interpretação de Kirk Douglas. 

Um ótimo filme que em alguns momentos lembra um teatro filmado no melhor sentido do estilo e em outros parece um documentário policial. 

domingo, 20 de novembro de 2011

O Portal do Paraíso

O Portal do Paraíso (Heaven’s Gate, EUA, 1980) – Nota 8
Direção – Michael Cimino
Elenco – Kris Kristofferson, Christopher Walken, Isabelle Hupert, John Hurt, Sam Waterston, Jeff Bridges, Brad Dourif, Richard Masur, Terry O’Quinn, Joseph Cotten, Geoffrey Lewis, Mickey Rourke, Paul Koslo, Robin Bartlett, Tom Noonan.

Este grandioso filme de Michael Cimino está entre as obras mais malditas da história do cinema. A história das filmagens e a vida de Cimino são uma verdadeira novela. Para comentar todos os fatos, precisarei me alongar um pouco no texto.

Tudo começou no início de 1979 quando o trabalho anterior de Cimino, “O Franco Atirador” foi o grande vencedor do Oscar e a crítica especializada o transformou quase em gênio. Com todas as portas de Hollywood abertas, Cimino assinou um contrato com a United Artists para filmar “O Portal do Paraíso”. O que Cimino acreditava ser o filme de sua vida, resultou num fracasso monumental e levou a United Artists a falência, companhia que renasceria dois anos depois ao ser comprada pela MGM. 

O longa começa em 1870 mostrando uma suntuosa formatura em Harvard, onde os amigos James Averill (Kris Kristofferson) e Billy Irvine (John Hurt) comemoram o início de uma nova vida. Esta sequência inicial tem cerca de vinte minutos e utiliza centenas de figurantes, começando num espécie de desfile na rua, passando pelo discurso do Reverendo (o veterano Joseph Cotten) e finalizando com uma valsa nos jardins da universidade. 

Em seguida o filme pula vinte anos e mostra os protagonistas em situação bem diferente, vivendo no Estado do Wyoming. Averill é o xerife do pequeno Condado de Johnson, onde a maioria dos moradores são imigrantes eslavos, enquanto Billy se tornou alcoólatra e faz parte da Associação dos Criadores de Gado, onde o líder chamado Canton (Sam Waterston) tem o apoio do governo para destruir o Condado e matar os imigrantes, alegando que estes roubam seus rebanhos. 

No meio desta luta de classes está Nate Champion (Christopher Walken), descendente de imigrantes que trabalha para a Associação oprimindo seus semelhantes. Em paralelo, Averill e Nate disputam o amor da prostituta Ella (a francesa Isabelle Huppert). 

O roteiro do próprio Cimino contém todos os elementos que poderiam transformar o filme num clássico, como uma disputa por amor, a luta de classes e a violência, tendo conseguido ao mesmo tempo criar um filme marcante e pretensioso ao extremo. Deixando de lado as polêmicas com o estouro do orçamento, a construção de grandes cenários no meio do nada e as disputas entre Cimino, a equipe técnica e os produtores, fica claro o talento do diretor na sequência inicial na univesidade, no roteiro crítico recheado de bons diálogos e no violento confronto entre os homens da associação e os imigrantes. 

É um ótimo filme que tinha tudo para ser sensacional se tivesse um montagem mais enxuta, porém o ego de Cimino o fez montar a obra com 216 minutos (mais de três horas e meia de exibição). Esta versão (que eu assisti) foi execrada logo na primeira exibição aos críticos e os produtores remontaram o filme em 149 minutos e o lançaram nos cinemas, o que piorou a situação. Quem assistiu esta versão cortada diz que o filme ficou totalmente confuso, principalmente porque foi montada à revelia de Cimino. 

O fracasso transformou Cimino num maldito, que quando teve novas chances de dirigir foi obrigado a seguir regras rígidas sobre o orçamento, mas mesmo assim fez ainda bons filmes como “O Ano do Dragão” e “Horas de Desespero”, os dois protagonizados por Mickey Rourke. 

Como curiosidade, no final dos anos noventa ele veio ao Brasil com o produtor  Ilya Salkind (do clássico “Superman) com um projeto para filmar um longa sobre o descobrimento do Brasil com o título de “Gonçalo”, que deveria ser lançado em 2000 para comemorar os 500 anos do país, porém o projeto nunca saiu do papel. 

Para finalizar a novela da vida de Cimino, descobri há pouco tempo que após abandonar o cinema (seu último trabalho foi “Na Trilha do Sol”em 1996), ele se tornou escritor, mora em Paris e quase aos setenta anos de idade fez uma operação de mudança de sexo. Realmente uma notícia totalmente maluca para finalizar uma biografia fora do comum.

sábado, 19 de novembro de 2011

Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador

Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador (What’s Eating Gilbert Grape, EUA, 1993) – Nota 7,5
Direção – Lasse Hallstrom
Elenco – Johnny Depp, Leonardo DiCaprio, Juliette Lewis, Laura Harrington, Mary Steenburgen, Darlene Cates, Kevin Tighe, John C. Reilly, Crispin Glover, Mary Kate Schellhart.

Na pequena cidade de Endora, Gilbert Grape (Johnny Depp) trabalha numa mercearia simples e cuida do irmão Arnie (Leonardo DiCaprio) que tem problemas mentais. Os irmãos moram com duas irmãs e a mãe (Darlene Cates) que após o suicídio do marido se entregou a comida, ficou obesa e passa seus dias sentada no sofá. Tendo de ser o homem da casa, Gilbert dedica sua vida a cuidar do irmão e da mãe, até quando a jovem Becky (Juliette Lewis) e sua avó são obrigadas a ficar na cidade alguns dias para consertar o trailer que viajavam. Becky desperta em Glbert sentimentos por uma vida diferente e mostra que ele pode realizar seus sonhos. 

O sueco Lasse Hallstrom capta com sensibilidade a melancólica vida numa pequena cidade americana, onde as perspectivas de mudança são quase nulas e quando algo diferente acontece, mexe com todos os moradores. No filme a chegada de um hipermercado e de uma lanchonete se tornam eventos. Além desta perspectiva, o roteiro ainda mostra as dificuldades de pessoas diferentes, como o garoto deficiente e a mãe obesa e como isso afeta o restante da família. 

Johnny Depp está bem como sempre, mas o destaque é Leonardo DiCaprio, que se transforma em outra pessoa para criar o agitado Arnie. Como curiosidade, Depp e o diretor Hallstrom voltaram a trabalhar juntos no drama “Chocolate”.