segunda-feira, 14 de março de 2011

Sem Saída & Treze Dias Que Abalaram o Mundo


Nesta postagem escrevo sobre dois filmes que tem a Guerra Fria como um dos pontos em comum e marcam a parceria entre o astro Kevin Costner e o diretor australiano Roger Donaldson, que comandou bons filmes como "A Fuga" com Alec Baldwin e Kim Basinger, "O Novato" com Al Pacino e Colin Farrell e o recente "Efeito Dominó" com Jason Statham.

Sem Saída (No Way Out, EUA, 1987) – Nota 7,5
Direção – Roger Donaldson
Elenco – Kevin Costner, Gene Hackman, Sean Young, Will Patton, George Dzundza, Howard Duff, Iman, Fred Dalton Thompson, Leon Russom, Marshall Bell.

O oficial da marinha Tom Farrell (Kevin Costner) tem um caso com a bela Susan Atwell (Sean Young), que por outro lado também é amante do Secretário de Defesa Americano David Brice (Gene Hackman). Por acaso, Farrell testemunha Bruce matando Susan por acidente e este sabe que alguém viu seu crime, mas como é um sujeito poderoso, ele mesmo indica Farrell para investigar o caso com o intuito de manipular a situação, mas não tem a mínima idéia de que a testemunha do crime é o próprio investigador. 

Este suspense com roteiro inteligente e um final surpreendente, tem uma ótima disputa de interpretações entre Costner e Hackman, em papéis onde cada um esconde um segredo que se casa perfeitamente com a história, que ainda mistura o jogo de espionagem da Guerra Fria na investigação. Destaque também para o sempre carrancudo Will Patton e a bela Sean Young no auge da carreira e da beleza.

Treze Dias Que Abalaram o Mundo (Thirteen Days, EUA, 2000) – Nota 7,5        
Direção – Roger Donaldson
Elenco – Kevin Costner, Bruce Greenwood, Steven Culp, Dylan Baker, Bill Smitrovich, Kevin Conway, Ed Lauter, James Karen, Lucinda Jenney, Tim Kelleher, Len Cariou, Elya Baskin, John Aylward, Michael Gaston, Charles Esten.

Em outubro de 1962, um avião americano fotografa em Cuba um local onde estão sendo montadas plataformas que poderão ser usadas para lançamento de algum artefato nuclear. Rapidamente a notícia chega até o Presidente Kennedy (Bruce Greenwood) e a crise está instalada. Kennedy não quer passar a mensagem de fraqueza, mas também não pretende atacar os soviéticos antes de saber realmente o que está acontecendo. Pressionado pelos militares para se preparar para a guerra, Kennedy tem em seu assessor Kenny O’Donnell (Kevin Costner) a voz da razão, que faz de tudo para evitar um desastre mundial. 

Este bom suspense baseado em fato real, mostra como o mundo esteve perto de um colapso nuclear na época, dando ênfase aos bastidores da Casa Branca, onde intermináveis discussões e reuniões evitaram a tragédia. Destaque para Kevin Costner num papel que lembra um pouco seu trabalho em “JFK” e o eterno coadjuvante Bruce Greenwood dando conta do recado no papel de Kennedy. Um bom drama histórico que com certeza será apreciado por quem gosta do tema.

domingo, 13 de março de 2011

O Mundo Segundo Garp


O Mundo Segundo Garp (The World According Garp, EUA, 1982) – Nota 7
Direção – George Roy Hill
Elenco – Robin Williams, Mary Beth Hurt, Glenn Close, John Lithgow, Hume Cronyn, Jessica Tandy, Swoosie Kurtz.

Nos anos quarenta, a jovem Jenny Fields (Glenn Close) deseja ter um filho, mas não quer casar. Ela resolve engravidar de um soldado ferido que está internado num hospital militar durante a guerra e diz a todos apenas que o nome do sujeito é Garp, batizando seu filho com o mesmo nome. 

Nos anos sessenta, Jenny é uma famosa líder feminista e seu filho Garp (Robin Williams) é um escritor. Garp que sempre viveu à sombra da mãe, é obrigado a ter sua vida revelada em um livro escrito por Jenny, que conta todos os detalhes de sua vida e do seu filho, inclusive o preconceito que teve de enfrentar por ser mãe solteira. Garp a princípio fica desconfortável, mas quando ele faz amizade com a transexual Roberta (John Lithgow), ele vê semelhanças no problemas desta e de sua mãe. 

Este interessante e diferente drama baseado num livro de John Irving, toca em temas polêmicos para mostrar as mudanças na sociedade americana entre os anos quarenta e o liberais anos sessenta, colocando o personagem de Robin Williams como um espectador e participante deste processo complicado. 

Glenn Close e John Lithgow concorreram ao Oscar de Atriz e Ator Coadjuvante.

sábado, 12 de março de 2011

Bombas - Filmes de Ficção B

Voltando a sessão Bombas, cito cinco filmes de ficção que pouco acrescentam em qualidade ao gênero. São dois filmes baseados em histórias em quadrinhos que se mostraram totalmente equivocados, dois outros que tentaram seguir o estilo "Mad Max" e por último um estranho longa protagonizado pelo comediante Jerry Lewis.


Flash Gordon (Flash Gordon, EUA/Inglaterra, 1980) – Nota 5
Direção – Mike Hodges
Elenco – Sam Jones, Melody Anderson, Max Von Sydow, Topol, Ornella Muti, Timothy Dalton, Brian Blessed, Mariangela Melato.

Ming (Max Von Sydow) é o imperador do planeta Mongo e tem a intenção de destruir a Terra. Por aqui, o jogador de futebol americano conhecido como Flash Gordon (Sam Jones) e sua namorada Dale Arden (Melody Anderson) sofrem um acidente de avião em virtude de um ataque de Ming e acabam se unindo ao Dr. Zarkov (o israelense Topol) para embarcar num foguete rumo a Mongo, com o intuito de impedir o imperador Ming de alcançar seu objetivo. 

Esta adaptação dos quadrinhos de Alex Raymond fez muito barulho na época, com direito a álbum do grupo Queen dedicado ao filme e diversas quinquilharias de marketing, como álbum de figurinhas, porém como cinema deixa muita a desejar. A escolha do canastrão Sam Jones como protagonista foi um erro, além dos cenários coloridos e exagerados e as demais atuações bem caricatas. Não sei como ainda algum produtor não comprou os direitos para uma nova versão.

Trapalhões do Futuro (Slapstick (Of Another Kind), EUA, 1982) – Nota 2
Direção – Steven Paul
Elenco – Jerry Lewis, Madeline Kahn, Marty Feldman, Pat Morita, Samuel Fuller, Jim Backus, Merv Griffin.

Um casal (Jerry Lewis e Madeline Kahn) dão a luz a gêmeos (interpretados por eles mesmos), que separados são totalmente estúpidos e juntos demonstram uma grande inteligência. Na realidade, os filhos são ETs gerados sem o casal saiba. Fica difícil falar algo mais sobre este estranho filme baseado num livro de Kurt Vonnegut Jr e que é em tese a última comédia estrelada por Jerry Lewis, se é que este filme pode ser chamado de comédia. Depois disso Lewis fez poucos papéis, geralmente pequenas participações em dramas e séries de tv.  

Cherry 2000 (Cherry 2000, EUA, 1987) – Nota 5,5
Direção – Steve DeJarnatt
Elenco – Melanie Griffith, David Andrews, Ben Johnson, Brion James, Pamela Gidley, Marshall Bell, Laurence Fishburne, Harry Carey Jr.

No futuro os homens podem comprar esposas-robôs, idênticas as mulheres e que cumprem todas as funções. Sam (David Andrews) é casado com uma esposa modelo Cherry 2000 (a linda Pamela Gidley) e quando esta apresenta um defeito, o sujeito descobre que o modelo está fora de linha e para conseguir peças de reposição terá de atravessar um território perigoso até chegar ao depósito. Por ironia do destino, Sam contrata como guia uma mulher de verdade (Melanie Griffith), que é forte, corajosa e não fica nada a dever aos homens. Aos poucos Sam descobrirá que uma mulher de verdade pode ser mais interessante. 

Este longa se tornou cult pelas entrelinhas do roteiro, que faz um paralelo com o que acontece em muitos casamentos, que após algum tempo o marido encontra defeitos na esposa (e vice-versa) e sai a procura de outra mulher, que lhe proporciona novas aventuras. O filme em si é razoável, segue a linha de “Mad Max” ao mostrar um mundo futurista violento e destruido, tem algumas cenas de ação e interpretações fracas. Como curiosidade, entre os coadjuvantes está Laurence Fishburne, quando ainda assinava como Larry Fishburne.

Crepúsculo de Aço (Steel Dawn, EUA, 1987) – Nota 4
Direção – Lance Hool
Elenco – Patrick Swayze, Lisa Niemi, Christopher Neame, Brett Hool, Anthony Zerbe, Brion James, Arnold Vosloo.

Num futuro pós-apocalíptico, o solitário guerreiro Nomad (Patrick Swayze) viaja pelas estradas apenas pensando em sobreviver, até que encontra um grupo de colonos que está sendo atacado por um gangue que deseja roubar a água que eles possuem. Nomad se junta aos colonos para lutar pela sobrevivência. Esta produção extremamente pobre, falha ao tentar copiar o sucesso da série “Mad Max”. Esta foi umas grandes roubadas da carreira de Patrick Swayze, que aqui divide o fracasso com sua esposa Lisa Niemi.

Double Dragon (Double Dragon, EUA, 1994) – Nota 4
Direção – James Yukich
Elenco – Robert Patrick, Mark Dacascos, Scott Wolf, Julia Nickson, Alyssa Milano, Nils Allen Stewart.

Em 2007 (na época era o futuro) Los Angeles é destruída por um terremoto. Como conseqüência, a cidade está tomada por gangues e as autoridades tentam modificar a situação alterando o nome da cidade para New Angeles. No meio desta bagunça, dois irmãos (Scott Wolf e Mark Dacascos) tem a missão de guardar metade de um medalhão chinês que dará poder a quem o tiver por inteiro. Os dois jovens são especialistas em artes marciais e terão de usar isso para se defender de Kogo Shuko (Robert Patrick), que tem a outra metade do medalhão e deseja conseguir todo o poder do artefato. 

O longa é uma adaptação do famoso game e como a maioria dos similares produzidos até então é uma grande furada, desde a escolha do elenco, que tem o galã teen Scott Wolf tentando mostrar que saber lutar e Robert Patrick como o vilão do topete dourado, passando pelo roteiro e as cenas de ação fracas. No mesmo ano os fãs de videogame ainda tiveram de enfrentar o péssimo “Street Fighter” estrelado por Van Damme.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Muito Além do Jardim


Muito Além do Jardim (Being There, EUA, 1979) – Nota 8
Direção – Hal Ashby
Elenco – Peter Sellers, Shirley MacLaine, Melvyn Douglas, Jack Warden, Richard Basehart, David Clennon.

Chance (Peter Sellers) por toda a vida trabalhou como jardineiro e teve como única diversão a tv. Quando seu patrão morre e Chance fica sozinho no mundo, ele que é totalmente ingênuo acaba sendo atropelado por um milionário (Melvyn Douglas) que se torna seu amigo. Sem nunca ter estudado ou tido uma vida normal, Chance apenas repete frases que ouviu na tv e se torna uma espécie de guru para o milionário, que chega a apresentá-lo ao presidente americano (Jack Warden). Ao mesmo tempo, a esposa do milionário (Shirley MacLaine) que vive frustrada, se apaixona pela pureza e simplicidade de Chance. 

Este longa é baseado no livro “O Vidiota” de Jerzy Kosinski e mistura drama, comédia e crítica social, colocando como protagonista um sujeito que representa a pureza perdida da humanidade e ao mesmo tempo mostra facilidade com que as pessoas podem ser influenciada. 

A caracterização de Peter Sellers é perfeita, inclusive nas cenas em que ele fica em silêncio e as pessoas a sua volta vêem aquele gesto como uma resposta inteligente. 

Também é um dos melhores trabalhos do falecido diretor Hal Ashby (“Ensina-me a Viver” e “Amargo Regresso”). 

Um filme para refletir sobre como é fácil influenciar as pessoas.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Glória Feita de Sangue


Glória Feita de Sangue (Paths of Glory, EUA, 1957) – Nota 8,5
Direção – Stanley Kubrick
Elenco – Kirk Douglas, Ralph Meeker, Adolph Menjou, George Macready, Wayne Morris, Richard Anderson, Joseph Turkel, Timothy Carey.

Em 1916 durante a 1º Guerra Mundial, o exército francês cerca uma colina dominada por alemães, porém não tem homens suficientes para tomá-la. Como a luta se estende por muito tempo, o alto comando do exército francês na figura do General Broulard (Adolph Menjou) indica o General Mireau (George Macready) a uma promoção, porém para ela se concretizar, Mireau precisa tomar a colina em dois dias. A princípio Mireau diz ser impossível a façanha, mas quando percebe que sua carreira depende disso, muda de opinião e aceita o desafio. 

Entusiasmado, ele passa a ordem para o Coronel Dax (Kirk Douglas), que mesmo contrariado é obrigado a aceitar a ordem. O próprio Dax comandará os homens na missão suicida, que falhará. Se sentindo traído, o General Mireau exige que três soldados sejam indicados para a corte marcial por covardia, como exemplo para os soldados que não morreram e fugiram da batalha, dando início a uma disputa com o Coronel Dax, que tentará defender seus homens a todo custo. 

Esta obra de Kubrick é um dos melhores filmes já feitos contra a estupidez da guerra e a hipocrisia do ser humano, com um roteiro que mostra o que o ser humano tem de pior, onde quem tem poder coloca suas ambições pessoais acima de tudo e de todos, como vemos muitas vezes no dia a dia, porém aqui com o agravante de matar para satisfazer seu ego. 

O General Mireau exige a execução dos próprios soldados para manter sua carreira e faz com que subordinados escolham os soldados, que são tratados como descartáveis, sendo que estas escolhas ainda seguem para o lado pessoal, diferente do Coronel Dax que tenta encontrar uma forma de manter a vida de seus soldados, mas a cada passo percebe que sua luta é única e sem apoio algum. 

O julgamento de cartas marcadas, a reação de cada soldado condenado, além da presença de um padre na cadeia, são um soco no estômago do espectador, que é obrigado a engolir uma injustiça e sentir a angustia da espera pela execução. 

O elenco é ótimo, principalmente Kirk Douglas no papel do Coronel que luta pela vitória do país e procura justiça num local onde a hierarquia vale mais que a vida.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Monster - Desejo Assassino


Monster – Desejo Assassino (Monster, EUA / Alemanha, 2003) – Nota 7,5
Direção – Patty Jenkins
Elenco – Charlize Theron, Christina Ricci, Bruce Dern, Lee Tergesen, Annie Corley, Pruitt Taylor Vince, Marc Macaulay, Scott Wilson.

No final dos anos oitenta, a prostituta Aileen Wuornos (Charlize Theron) conhece em um bar a jovem Selby (Christina Ricci) e as duas iniciam um romance. Num programa com um sujeito, Aileen é violentada e agredida, porém ao se defender mata o agressor. Aileen resolve fugir para outra cidade com Selby, mas não conta a ela o que ocorreu, apenas cria planos para largar a vida de prostituta. O problema é que ela nunca trabalhou e tem um temperamento complicado, o que tira suas chances de uma nova vida. Sem opções, Aileen volta a se prostituir para sustentar Selby, que praticamente é uma menina, porém a cada novo encontro mata o cliente para roubar, dando início a uma série de assassinatos. 

O longa é baseado numa história real e tem como seu principal trunfo a interpretação de Charlize Theron, que ganhou diversos prêmios merecidamente, entre eles o Oscar. A transformação da bela Charlize numa prostituta decadente e masculinizada é fantástica, seu jeito de falar e suas atitudes no papel assustam. Uma cena específica em que ela aparece apenas de roupas íntimas, mostra a transformação de seu corpo (não sei se foi truque de câmera ou maquiagem), onde vemos uma barriga proeminente,  além da pele e dos cabelos extremamente mal tratados. Sua personagem quase repugnante é perfeita para a violenta e decadente história desta serial killer que morreu executada em 2002, um ano antes do lançamento do filme.

terça-feira, 8 de março de 2011

Calendário da Morte & Te Amarei Até Te Matar


Nos anos oitenta o ator Kevin Kline ficou conhecido após trabalhos em bons filmes como "O Reencontro" e "Silverado", ficando famoso quando venceu o Oscar de Ator Coadjuvante pela comédia "Um Peixe Chamado Wanda", onde interpretava um personagem cínico e picareta. Provavelmente pelo sucesso do filme  e do papel, Kevin Kline acabou estrelando estes dois longas que cito nesta postagem e quebrou a cara. Os dois longas fracassaram merecidamente.

Calendário da Morte (The January Man, EUA, 1989) – Nota 6
Direção – Pat O’Connor
Elenco – Kevin Kline, Susan Sarandon, Mary Elizabeth Mastrantonio, Danny Aiello, Rod Steiger, Harvey Keitel, Alan Rickman, Faye Grant, Kenneth Welsh, Bill  Cobbs.

O bombeiro Nick Starkey (Kevin Kline) é chamado de volta para trabalhar na polícia pelo prefeito, com a missão de encontrar um serial killer que assassinou várias mulheres solteiras. O problema é que Nick se afastou da polícia após ser acusado de receber propina e seu retorno não é visto com bom olhos pelo capitão Alcoa (Danny Aiello) e pelo comissário Frank Starkey (Harvey Keitel) que é seu irmão. Nick é odiado pelo irmão também por ter ser aproximado da esposa do sujeito, sua cunhada Christine (Susan Sarandon). Os métodos não ortodoxos de Nick e a falta de respeito pelos oficiais, são outros detalhes que dificultarão sua volta à polícia. 

Esta mistura de comédia e policial, mesmo tendo o roteiro assinado por John Patrick Shanley, vencedor do Oscar dois anos antes por “Feitiço da Lua”, não se decide qual o caminho a seguir. Como comédia desperta poucas risadas e como policial lembra um episódio de série de tv. Uma pena, o resultado é o desperdício do bom elenco.


Te Amarei Até Te Matar (I Love You to Death, EUA, 1990) – Nota 6
Direção – Lawrence Kasdan
Elenco – Kevin Kline, Tracey Ullman, Joan Plowright, River Phoenix, William Hurt, Keanu Reeves, Victoria Jackson, Phoebe Cates, James Gammon, Jack Kehler, Heather Graham.

Joey Boca (Kevin Kline) é um mulherengo dono de uma pizzaria e casado com Rosalie (Tracey Ullman), que confia cegamente no marido. Quando ela descobre que Joey tem caso com várias mulheres, Rosalie junto com sua mãe (Joan Plowright, impagável como uma megera) envenenam o sujeito que mesmo assim não morre. A dupla então pede ajuda a Devo (o falecido River Phoenix) que é apaixonado por Rosalie para terminar o serviço, o que ele acaba não tendo coragem. Como última solução, elas contratam uma dupla de assassinos (William Hurt e Keanu Reeves), que na verdade são dois hippies drogados que não sabem matar uma mosca. 

O roteiro é todo voltado para o humor negro, um dos gêneros mais complicados do cinema, onde qualquer erro pode deixar o resultado exagerado ou sem graça, o que infelizmente acontece aqui. A dupla Lawrence Kasdan e Kevin Kline já haviam trabalhados juntos com sucesso no drama “O Reencontro” e no western “Silverado”, porém aqui o resultado é equivocado. 

Mesmo com alguns bons personagens como a dupla de drogados e a velha senhora de Joan Plowright, a história não se sustenta e as risadas são poucas. A escolha da comediante Tracey Ullman para o papel da esposa de Kevin Kline foi baseada no sucesso da série de tv que ela estrelava na época e que os produtores acreditavam que seu público da tv ajudasse o longa fazer sucesso, o que não ocorreu.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Família Soprano


Família Soprano (The Sopranos, EUA, 1999 à 2007)
Criador - David Chase
Elenco - James Gandolfini, Edie Falco, Lorraine Bracco, Michael Imperioli, Jamie Lynn Sigler, Robert Iler, Dominic Chianese, Tony Sirio, Steve Van Zandt, Aida Turturro, Drea de Matteo, Steve R. Schirripa, John Ventimiglia, Sharon Angelo, Frank Vincent, Vincent Pastore, Maureen Van Zandt, Nancy Marchand, Jerry Adler, Joe Pantoliano, Katherine Narducci, David Proval, Peter Bogadnovich, Steve Buscemi, Annabella Sciorra, Cara Buono, Lillo Brancato, Peter Riegert, John Heard, Michael Rispoli, Robert Patrick, Tim Daly, Julianna Margulies, Robert Loggia, Gregory Allan Williams, Paul Mazursky, Paul Schulze, Vincent Curatola, Federico Castelluccio.

Quando o canal HBO lançou "Família Soprano", muitos acreditavam ser uma série que focaria na comédia, assim como o filme "A Máfia no Divã" com Robert DeNiro que tinha uma premissa semelhante, porém os espectadores tiveram uma surpresa agradável e acompanharam as seis temporadas de uma série que marcou a tv. Junto com outras premiadas séries como "Oz - A Vida é uma Prisão" e "À Sete Palmos" lançadas naquela época, a HBO elevou o padrão de qualidade das séries de tv,

A história tem como protagonista o mafioso Tony Soprano (James Gandolfini), que é casado com Carmela (Edie Falco) e tem um casal de filhos adolescentes, Meadow (Jamie Lynn Sigler) e A. J. (Robert Iler). Nas duas primeiras temporada Tony tem ainda de cuidar da mãe dominadora e manipuladora (Nancy Marchand), além de precisar ser forte para aguentar os problemas dentro da máfia, onde ele é o terceiro no comando, abaixo de Jack Aprile (Michael Rispole) que está doente e morre ainda na primeira temporada e de seu tio Corrado "Junior" Soprano (Dominic Chianese), que assume a organização em seguida.

Por causa de todos estes problemas, Tony começa ter crises de "Síndrome do Pânico" e mesmo com sua condição de mafioso, acaba sendo obrigado a se tratar com uma psiquiatra, a Dra. Jennifer Melfi (Lorraine Bracco), com quem ele criará uma relação de amor e ódio durante as temporadas e terá diálogos impagáveis.

Estes detalhes são apenas o ponto de partida de uma saga repleta de personagens riquíssimos, inclusive os diversos coadjuvantes e uma história que mistura praticamente todos os temas. Amor, paixão, sexo, violência, lealdade, traição, drama familiar, racismo, corrupção e até humor negro neste verdadeiro caldeirão organizado pelo magnífico roteiro do criador David Chase.

Todos os ingredientes de filmes sobre a máfia estão aqui, mas ao mostrar os problemas pessoais de cada personagem, o criador leva o espectador a ver os mafiosos como pessoas comuns, que por determinados motivos entraram naquela organização e precisam esconder suas fraquezas da qualquer forma, nem mesmo que seja usando a violência, pois caso contrário a vítima pode ser ele mesmo.

Um detalhe significativo na história é a desmistificação do mundo dos mafiosos, aqui vemos a vida destes sujeitos em família e enfrentando problemas do dia a dia. A questão da lealdade e honra tão citado nos filmes do gênero, é mostrada nesta série apenas como algo utilizado para quem tem poder punir os subalternos e quando alguém importante ou parente dos comandantes quebra esta corrente, tudo é feito para salvar o sujeito.

Um dos pilares do sucesso da série foi a importância dada aos coadjuvantes, tanto em tempo de participação nos epísódios, quanto na qualidade das interpretações. Além dos personagens principais citados, temos muitos outros marcantes, como os sujeitos violentos quase psicopatas Ralph (Joe Pantoliano), Richie Aprile (David Proval) e Paulie Gualtieri (Tony Sirico), o drogado Christopher Moltisanti (Michael Imperioli) sobrinho de Tony Soprano e sua namorada Adriana (Drea de Matteo), o primo Tony B (Steve Buscemi), o dono da boate Bada Bing, Silvio (o músico Steve Van Zandt), a complicada irmã de Tony (Aida Turturro), entre outros.

São tantas histórias que ligam estes personagens durante as seis temporadas, que fica difícil escrever sobre os acontecimentos, vale apenas ressaltar como resumo que as duas primeiras temporadas focam muito no problema psicológico de Tony, na questão familiar e de sucessão entre os mafiosos, com episódios repletos de violência. As duas temporadas seguintes colocam outros temas na mesa, como as atitudes que Tony já como chefe da família mafiosa precisa tomar para se manter no topo, as maquinações com políticos, empresários e famílias mafiosas rivais, para manter a paz e aumentar os lucros do negócio ilícito. Por final, as duas últimas temporadas deixam a ação um pouco de lado ao mostrar os problemas de Tony com sua esposa, o crescimento dos filhos e o FBI tentando prendê-lo sem sucesso. Toda esta história resulta numa cena final que pode ser interpretada de mais uma forma, deixando para imaginação do espectador.

Finalizando, a série teve pequenas participações famosas, como dos diretores Paul Mazursky e Peter Bogadnovich, da linda Annabella Sciorra como uma amante de Tony, Julianna Margullies e Robert Patrick, além de ter reunido um quantidade impressionante de atores ítalo-americanos.

domingo, 6 de março de 2011

Conduta Ilegal


Conduta Ilegal (ZigZag, EUA, 2002) – Nota 6
Direção – David S. Goyer
Elenco – John Leguizamo, Sam Jones III, Wesley Snipes, Oliver Platt, Natasha Lyonne, Luke Goss, Sherman Augustus, Abraham Benrubi.

O jovem ZigZag (Sam Jones III) tem quinze anos e um desenvolvimento mental comprometido, porém tem grande facilidade com números. Ele vive num bairro pobre com o violento pai (Wesley Snipes) e trabalha na lanchonete do mal humorado Toad (Oliver Platt), sendo mal tratado nos dois locais. 

Seu único amigo é Singer (John Leguizamo), que trata o jovem como irmão e tenta protegê-lo das coisas ruins do bairro, porém a ingenuidade do garoto faz com que ele participe de um roubo do cofre de Toad, utilizando sua facilidade em decorar números. Quando Singer descobre, tenta ajudar o garoto a devolver o dinheiro para que ele não seja preso e não fique marcado para morrer pelos outros que participaram do roubo, o que não será fácil.

O longa é um drama mediano com toques de policial, que mostra como ponto principal uma família desestruturada vivendo num bairro violento, onde as más companhias estão sempre por perto e as conseqüências disso na vida de um garoto que necessita de atenção especial.

sábado, 5 de março de 2011

O Estado das Coisas


O Estado das Coisas (Der Stand der Dinge, Alemanha Ocidental / Portugal / EUA, 1982) – Nota 6
Direção – Wim Wenders
Elenco – Patrick Bauchau, Isabelle Weingarten, Samuel Fuller, Allen Garfield, Roger Corman.

O diretor alemão Friedrich Munro (Patrick Bauchau) está filmando um longa numa cidade litorânea de Portugal, quando descobre que os rolos de filme acabaram e o produtor desapareceu. Durante alguns dias, ele e equipe de filmagem, além dos atores, ficam à espera da volta do produtor, o que não acontece. O primeiro a deixar o local é o câmera Joe (o também diretor Samuel Fuller), que tem certeza que o filme ficará inacabado e precisa voltas aos EUA para cuidar da esposa que está doente. Em seguida, o diretor resolve viajar para Los Angeles em busca do produtor e descobrir o porquê do seu desaparecimento. 

O filme é uma crítica ao funcionamento do cinema americano, com o diretor alemão Wim Wenders criando um personagem que pode ser considerado seu alter ego e que também homenageia o diretor alemão do cinema mudo F. W. Murnau, que fez o clássico “Nosferatu” nos ano trinta. 

A idéia é interessante, porém hoje a história parece envelhecida, com um primeira parte lenta onde praticamente nada acontece e um sequência final em Los Angeles que tenta ser crítica, mas acaba se tornado decepcionante. O destaque desta parte final é a participação de Allen Garfield interpretando o produtor falastrão.

sexta-feira, 4 de março de 2011

O Preço da Paixão & Mrs. Soffel


Nesta postagem escrevo sobre dois dramas estrelados por Diane Keaton nos anos oitenta. Ela ficou conhecida nos anos setenta por papéis nos dois "O Poderoso Chefão", trabalhou também em diversos filmes de Woody Allen, com quem teve um relacionamento na época e direcionou quase toda sua carreira para apenas dois gêneros: Drama e comédia.

O Preço da Paixão (The Good Mother, EUA, 1988) – Nota 7
Direção – Leonard Nimoy
Elenco – Diane Keaton, Liam Neeson, Jason Robards, Ralph Bellamy, James Naughton, Teresa Wright, Joe Morton, Katey Sagal, Asia Vieira.

Anna Dunlop (Diane Keaton) após sete anos de casamento com Brian (James Naughton), decide se separar e viver apenas com a filha pequena Molly (Asia Vieira). Anna teve uma criação moralista e por isso nunca criou uma relação forte com o marido. Após a separação, ela se envolve com o escultor irlandês Leo (Liam Neeson), com quem descobre o prazer que não conhecia. A situação se complica quando o ex-marido entra na justiça para ter a guarda da filha, alegando que Leo abusou da menina. 

Este drama dirigido pelo “Dr. Spock” Leonard Nimoy, toca em uma tema polêmico, mostrando até que ponto a liberdade sexual de um casal pode ser considerada irresponsável quando uma criança é testemunha. Este tema, mais o da descoberta do prazer por parte de um mulher com mais de quarenta anos, as rusgas ao fim de uma relação e as consequências familiares são discutidas sem se aprofundar, com um pouco de distância. Vale pela sóbria interpretação de Diane Keaton. 

Mrs. Soffel (Mrs. Soffel, EUA, 1984) – Nota 6
Direção – Gillian Armstrong
Elenco – Diane Keaton, Mel Gibson, Matthew Modine, Edward Herrmann, Trini Alvarado, Harley Cross, Terry O’Quinn, Maury Chaykin, Dana Wheeler Nicholson.

No início do século XX, Kate Soffel (Diane Keaton) é a esposa de Warden Peter (Edward Herrmann), diretor de uma penitenciária de segurança máxima. Kate tem o hábito de andar pelo local e ler trechos da bíblia para os detentos. Numa dessas leituras, ela se aproxima dos irmãos Biddle, o charmoso Ed (Mel Gibson) e o caçula Jack (Matthew Modine), que alegam terem sido condenados injustamente à morte por roubo e assassinato. Aos poucos Kate se apaixona por Ed e acaba ajudando na fuga dos irmãos. 

Este drama de época tem como pontos fortes as interpretações de Diane Keaton como a esposa insatisfeita e Mel Gibson como o sujeito que usa o charme para tentar escapar da morte. É um longo um pouco frio, que vale apenas como curiosidade.                                                  


quinta-feira, 3 de março de 2011

Conspiração do Silêncio


Conspiração do Silêncio (Bad Day at Black Rock, EUA, 1955) – Nota 8
Direção – John Sturges
Elenco – Spencer Tracey, Robert Ryan, Anne Francis, Dean Jagger, Walter Brennan, Lee Marvin, Ernest Borgnine, John Ericson, Russell Collins, Walter Sande.

Em 1945, dois meses após o final da Segunda Guerra, John J. Macreedy (Spencer Tracy), um sujeito de apenas um braço, desce do trem na estação da minúscula Black Rock. Como o trem não parava naquela estação há quatro anos, os moradores ficam surpresos e curiosos. Quando Macreedy diz que está procurando o japonês Komoko, algumas pessoas ficam assustadas e chamam Reno Smith (Robert Ryan), espécie de chefão da cidade, que guarda um segredo sobre o desaparecimento de Komoko. Sentindo que o forasteiro possa descobrir o que houve, Reno tenta intimidar o homem utilizando dois capangas (Ernest Borgnine e Lee Marvin), o que levará a um final trágico. 

Este pouco conhecido filme de John Sturges ("Sete Homens e um Destino") é competente ao dosar drama, policial e suspense, numa história que prende a atenção e um elenco de primeira. A curta duração (menos de uma hora e meia) casa perfeitamente com o tamanho da cidade, deixando concisa a história que se passa num único dia. 

Como curiosidade, o diretor cria um sequência de luta onde provavelmente pela primeira vez o kung fu tenha sido usado num filme americano com grandes atores.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Xeque-Mate


Xeque-Mate (Lucky Number Slevin, EUA / Alemanha, 2006) – Nota 7,5
Direção – Paul McGuigan
Elenco – Josh Hartnett, Bruce Willis, Lucy Liu, Morgan Freeman, Ben Kingsley, Stanley Tucci, Peter Outerbridge, Mikelti Williamson, Dorian Missick, Danny Aiello, Sam Jaeger.

As coisas andam ruins para Slevin Kelevra (Josh Hartnett). Após ter sua carteira roubada e seu edifício estar condenado, ele ainda encontra a namorada na cama com outro sujeito. Totalmente perdido, ele se hospeda no apartamento de um amigo, Nick Fisher (Sam Jaeger), mas o que era complicado piora quando o assassino profissional Goodkat (Bruce Willis) confunde Slevin com seu amigo Nick, que deve muito dinheiro de apostas ao Chefe (Morgan Freeman). A idéia do Chefe é fazer com que o devedor Nick mate seu rival nos negócios, conhecido como Rabino (Ben Kingsley) para vingar a morte de seu filho. Além de pegar o sujeito errado, acontecerão várias outras reviravoltas e traições na história, até um desfecho surpreendente. 

No início temos a impressão de ser uma filme cheio de rostos famosos, mas com uma história que não irá a lugar algum, porém o desenrolar da trama prende a atenção e o filme se revela com um roteiro bem bolado. 

O elenco dá conta do recado, com Morgan Freeman e Ben Kingsley perfeitos como os mafiosos rivais, Bruce Willis num bom papel como o assassinato frio e até Josh Hartnett está bem como o protagonista. 

Como curiosidade, o diretor McGuigan havia dirigido dois anos antes o interessante drama romântico “Amor à Flor da Pele”, também com Josh Hartnett no papel principal.

terça-feira, 1 de março de 2011

Blade Runner - O Caçador de Andróides


Blade Runner – O Caçador de Andróides (Blade Runner, EUA, 1982) – Nota 8,5
Direção – Ridley Scott
Elenco – Harrison Ford, Sean Young, Rutger Hauer, Edward James Olmos, M. Emmet Walsh, Joanna Cassidy, Daryl Hannah, Brion James, William Sanderson, James Hong, Joe Turkell.

Num futuro próximo, uma grande corporação cria robôs semelhantes aos humanos, conhecidos como replicantes. Este robôs tem força e agilidade superiores aos humanos e são usados como mão de obra escrava em planetas colonizados, porém a presença deles na Terra é proibida, sendo criado uma equipe de policiais para removê-los (matá-los), os Blade Runners. Quando um grupo de replicantes se rebela e foge para Terra, o ex-Blade Runner Rick Deckard (Harrison Ford) é chamado de volta à ativa para resolver a situação. O problema é que além da dificuldade em enfrentá-los, Deckard sente-se atraído por Rachael (Sean Young), uma replicante que acredita ser humana, o que faz com que ele comece a ver os robôs com outra perspectiva, o que ficará claro na clássica cena final entre Deckard e o replicante Roy Batty (Rutger Hauer). 

Este grande filme é baseado num livro de Philip K. Dick (autor também de “O Vingador do Futuro”) e traz interessantes questões filosóficas sobre humanidade e tecnologia. Estas entrelinhas até certo ponto complexas, ajudaram o longa a fracassar no cinema na época do lançamento, sendo descoberto a fundo poucos anos depois com a explosão do VHS e com uma releitura por parte da crítica, o que alçou o longa a um clássico cult e indispensável. 

O filme tem outros destaques, como a direção de Ridley Scott, o belo desenho de produção e a marcante trilha sonora do grego Vangelis. O elenco também é perfeito, com Harrison Ford criando um ex-policial frio que aos poucos descobre sua humanidade, a bela Sean Young em seu melhor papel da carreira, além do temível vilão interpretado pelo holandês Rutger Hauer e o sinistro policial de Edward James Olmos.