segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Histórias de Cinema


Os amigos e amigas que visitam sempre o blog estão acostumados a ler resenhas sobre filmes de diversas épocas. Não estou velho (rs), mas há mais de vinte e cinco vou ao cinema, hoje com menos frequência, mas a paixão pelos filmes continua na tv e em dvd.

Nesta postagem contarei algumas pequenas histórias sobre fatos que passei em salas de cinema e como foi a descoberta por esta paixão.

A primeira vez que fui ao cinema foi em 1984 e assisti "Passagem para a Índia", o último filme do grande diretor David Lean, que na época eu tinha a mínima idéia de quem seria. Naquele tempo levar filhos ao cinema não era algo tão comum como nos dias de hoje, onde nos períodos de férias os cinemas são tomados por filmes infantis. No início dos anos oitenta a única opção para as crianças era uma vez ao ano quando "Os Trapalhões" lançavam seu longa e por este motivo eles foram campeões de bilheteria no país durante muitos anos. Lembro que apenas outros dois desenhos animados foram lançados por aqui nos cinemas na época, o primeiro por volta de 1981 foi "Bernardo e Bianca" e depois em 1985 chegou "Fievel - Um Conto Americano", que era uma produção de Spielberg.

Voltando a "Passagem para Índia", a escolha para assistir este drama foi um chute, eu e alguns amigos de escola escolhemos por ter sido um filme indicado ao Oscar. A história foi legal mesmo para alguém de treze anos, apesar de ser um drama que entendi completamente anos depois apenas, mas o que me chamou atenção foi a grande tela e o clima de uma sala de cinema, algo único. Um mundo novo que se abria.

Eu assisti este filme no Cine Ipiranga no centro de SP, a foto da postagem é da grandiosa entrada do cinema que está fechado há vários anos. Quem conhece apenas os Multiplex de shopping e não teve o prazer de um ver um filme numa sala destas, não tem idéia do que perdeu. A tela era enorme e a capacidade em torno de 400 pessoas, além de amplo hall, escadas que lembravam uma grande mansão, era um outro mundo.

Além desta bela sala de cinema, o centro de SP tinha diversas outras com grande capacidade de público, como o Cine Comodoro na Av. São João que era conhecido como Cinerama em virtude da tela gigante, os cines Marabá, Paysandu e o incrível Cine Espacial, onde a sala era redonda com três telas. Em qualquer lugar que a pessoa sentasse, ela veria apenas uma tela. Um formato totalmente diferente.

Outras duas salas magníficas eram o Liberty e o Bristol na Av. Paulista. Estas salas ficavam dentro do Center 3, onde hoje funcionam várias salas do Cinemark, sem o mesmo charme. Na região da Paulista haviam ainda o Cine Paulistano quase na esquina da Brigadeiro Luís Antônio, o Gemini e o Gazeta, onde existiam três salas se hoje foram transformadas em um teatro e no Cine Reserva Cultural.

Passei por várias situações nestes anos. Lembro que nos anos oitenta a censura ainda existia e eu com quatorze anos queria assistir "O Exterminador do Futuro" que tinha censura para dezesseis. Fui sozinho ao antigo Cine Olido, comprei o ingresso e entrei torcendo para que ninguém me parasse.

Na época assisti vários clássicos como "De Volta para o Futuro", "Um Tira da Pesada", "Indiana Jones e o Templo da Perdição", "Rambo", "O Feitiço de Áquila" e vários outros.

Já nos anos noventa tive oportunidade de ver algumas pré-estréias, como o caso de "Cães de Aluguel". Consegui os convites em uma promoção e não tinha menor a idéia do grande filme que assistiria. Quem era Quentini Tarantino? Foi uma grande descoberta.

Tive outras duas histórias confusas de pré-estréias. Fui ver "Vanilla Sky" numa sessão exclusiva sábado pela manhã, porém esqueceram de avisar o responsável pela projeção e com sala lotada não tinha quem colocar o filme para rodar. A sessão atrasou uma hora e meia. Numa outra vez ganhei convites de uma rádio para assistir "8 MM" e num certo momento o filme ficou louco, a história mudou completamente e todos perceberam que havia algo errado. Alguém trocou os rolos do filmes e pulou uma parte, cortando em torno de trinta minutos do filme. O povo reclamou, as luzes se acenderam e foi uma grande bagunça. A única vez que sai do cinema sem ver todo o filme.

Convido todos para contarem suas histórias ligadas ao cinema.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

X-Men Origens - Wolverine


X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine, EUA, 2009) – Nota 7
Direção – Gavin Hood
Elenco – Hugh Jackman, Liev Schreiber, Danny Huston, Ryan Reynolds, Will i Am, Lynn Collins, Kevin Durand, Domini Monaghan, Taylor Kitsch, Daniel Henney, Patrick Stewart.

Este prequel mostra a origem de Wolverine (Hugh Jackman) e Dentes de Sabre (Liev Schreiber), que a história mostra serem irmãos. Tudo começa em 1845 no Canadá, quando o garoto James num ataque de fúria após ser pai ser assassinado, utiliza suas garras para matar o autor do crime, Thomas Logan que na realidade é seu pai verdadeiro. Na fuga ele recebe a companhia de Victor Creed, filho de Logan e por conseqüência seu irmão. A partir daí os irmãos participam de diversas guerras e com seus poderes conseguem se manter jovens. 

Durante a guerra do Vietnã, após um ataque de fúria Victor, os dois são condenados a morte, porém sobrevivem ao fuzilamento e são recrutados pelo Coronel William Stryker (Danny Huston), que os convida para participarem de um grupo de elite do exército, apenas com soldados que tenham poderes. Após algum tempo, James que adotou o sobrenome Logan, se rebela e deixa o grupo, mas após seis anos, volta a ser procurado pelo Coronel porque os antigos soldados do grupo estão sendo assassinados. 

A boa história é inteligente e ajuda na compreensão do surgimento de Wolverine, sua relação com o irmão e o início das experiências do governo com mutantes. As cenas de ação são bem elaboradas e na minha opinião eleva o nível da série após o confuso terceiro filme, que trazia uma quantidade imensa de mutantes e alguns mal desenvolvidos, em virtude do pouco tempo que aparecem em cena. Não chega a ser tão bom quanto o segundo filme, nem mesmo quanto ao original, mas é competente e diverte.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A Marca da Maldade


A Marca da Maldade (Touch of Evil, EUA, 1958) – Nota 8,5
Direção – Orson Welles
Elenco – Charlton Heston, Janet Leigh, Orson Welles, Joseph Calleia, Akim Tamiroff, Joanna Moore, Ray Collins, Dennis Weaver, Valentin de Vargas.

Esta grande obra de Orson Welles começa com um sensacional plano seqüência que mostra o policial mexicano Vargas (Charlton Heston) atravessando a fronteira para os EUA com sua esposa americana Susan (Janet Leigh), ao mesmo tempo em que um carro com uma figura famosa da região passa ao seu lado com um bomba, até que em certo momento ela é detonada. O atentado dá  início a uma investigação que mexerá com figuras poderosas e gente do submundo, além de colocar o preconceito racial como um dos temas principais. 

O honesto policial Vargas será convidado a acompanhar o caso, porém farão de tudo para deixá-lo de mãos atadas em virtude dele ser mexicano, principalmente nas atitudes do Capitão Hank Quinlan (um obeso e soturno Orson Welles) que considera ser intocável em virtude do seu cargo e por este motivo também superior aos mexicanos. A questão é que ao longo da história toda a sujeira que envolvem os personagens virá a tona. 

Sem dúvida uma das grandes obras Welles, que mostra a ambigüidade de seus personagens e até mesmo daqueles que sabendo o mal que estão causando, querem acreditar que estão agindo corretamente. 

Na época do lançamento, Welles brigou com o estúdio que cortou algumas cenas das versão lançada nos cinemas, mas mesmo assim a obra se tornou um clássico.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O Sol da Meia-Noite & Moscou em Nova York


Nos anos oitenta o comunismo ainda existia e parecia forte, como a "Guerra Fria" era uma tema presente, Hollywood não ficou de fora e vários filmes criticando o regime soviético foram produzidos. Aqui eu escrevo sobre dois destes filmes, uma comédia e um drama. 

Sol da Meia-Noite (White Nights, EUA, 1985) – Nota 6,5
Direção – Taylor Hackford
Elenco – Mikhail Baryshnikov, Gregory Hines, Isabella Rossellini, Jerzy Skolimowski, Helen Mirren, Geraldine Page, John Glover, Maryam D’Abo.

O bailarino russo Nikolai Rodchenko (Mikhail Bayshnikov) vive exilado nos EUA, porém durante uma viagem ao Japão onde se apresentaria, seu avião é obrigado a pousar em território soviético em virtude de um emergência, onde ele acaba sendo detido pela KGB, a polícia secreta soviética. O coronel Chaiko (o também diretor polonês Jerzy Skolimowski) envia Rodchenko para a Sibéria, onde terá de conviver com o americano Raymond Greenwood (Gregory Hines), um dançarino amador que fugiu para a União Soviética para não lutar na Guerra do Vietnã e se casou com uma bela russa (Isabella Rossellini). A princípio o relacionamento entre os desertores é confuso, mas aos poucos eles criam uma amizade em virtude do amor à dança, oaa que colocará a vida de ambos em perigo. 

Este longa é claramente uma propaganda contra a União Soviética, produzido numa época pré-Perestroika e utilizando duas figuras famosas que fugiram de seus países, tanto o russo Baryshnikov, quanto o polonês Skolimowski, desertaram e se naturalizaram americanos. Além do talento de Baryshnikov para a dança, outro destaque é também o desempenho do falecido Gregory Hines, especialista em sapateado, que aqui mostra todo seu talento na arte. 

O longa ganhou o Oscar de Melhor Canção com “Say You, Say Me” interpretada por Lionel Ritchie. Não é um grande filme e hoje após o final do comunismo se mostra envelhecido, mas vale para quem gosta de cenas de dança clássica bem coreografadas.

Moscou em Nova York (Moscow on the Hudson, EUA, 1984) – Nota 6
Direção – Paul Mazursky
Elenco – Robin Williams, Maria Conchita Alonso, Cleavant Derricks, Alejandro Rey, Elya Baskin, Paul Mazursky.

O saxofonista russo Vladimir Ivanoff (Robin Williams) viaja à Nova Yok com o Circo de Moscou para uma apresentação. O palhaço Anatoly (Elya Baskin) tem a intenção de fugir e ficar morando nos EUA. O problema é que após planejar a fuga, Anatoly tem uma crise nervosa e não consegue levar o plano até o fim, porém Vladimir acabou desertando no lugar dele com a ajuda de um segurança de uma grande loja de departamentos (Cleavant Derricks). 

A partir daí o roteiro mostra a dificuldade de Vladimir em conseguir a cidadania americana e as diferenças na questão cultural. Ele se envolve com a italiana Lucia (a venezuelana Maria Conchita Alonso), que também sonha em viver legalizada no país. 

O diretor Paul Mazursky mistura drama e comédia para fazer uma crítica ao comunismo soviético, que acabaria poucos anos depois e a dificuldade dos imigrantes ilegais em viver no país. Robin Williams faz um carregado sotaque russo para criar um personagem simpático e praticamente carregar o filme nas costas. 

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O Lutador


O Lutador (The Wrestler, EUA / França, 2008) – Nota 8
Direção – Darren Aronofsky
Elenco – Mickey Rourke, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Mark Margolis, Todd Barry.

Nos anos oitenta, Randy “The Ram” Robinson (Mickey Rourke) era um famoso astro da luta livre e hoje vinte anos depois, ainda luta para ganhar a vida, porém vive sozinho, sofre para pagar o aluguel e toma aos montes esteróides para manter os músculos e analgésicos para suportar a dor após tantos anos de esforço. 

Mesmo veterano, Randy vai ao extremo na lutas com o objetivo de animar o público, porém após um violento combate, ele tem um ataque cardíaco e quase morre. Alertado pelos médicos que se voltar a lutar poderá morrer, Randy tenta resolver sua vida fora dos ringues, primeiro tentando iniciar um romance com a stripper Cassidy (Marisa Tomei), depois arrumando um emprego num supermercado e por último procurando se reaproximar da filha (Evan Rachel Wood), a quem ele abandonou anos atrás, mas logo perceberá que a vida comum pode ser mais difícil que dentro dos ringues. 

O bom diretor Darren Aronofsky volta a acertar a mão após o confuso “A Fonte” e entrega um longa que lembra os dramas dirigidos por Clint Eastwood, onde um personagem veterano e castigado pela vida tenta se reerguer, valorizado ainda mais pela grande interpretação de Mickey Rourke.  

Por sinal, Rourke está perfeito em todos os sentidos, desde o remorso na fala ao tentar se reaproximar da filha, passando pelos ataques de raiva e até por seu rosto deformado após diversas cirurgias plásticas feitas na vida real, que acabaram por dar realismo ao rosto de um lutador calejado. Além disso, Rourke apresenta uma ótima forma nas cenas de luta, principalmente para um sujeito com tantos problemas como ele e que na época já estava com cinqüenta e seis anos. 

Para finalizar, outro destaque deste belo drama é a forma de Marisa Tomei, perfeita tanto na interpretação como na forma física demonstrada em cenas ousadas, que muitas atrizes recusariam.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A Grande Noite


A Grande Noite (Big Night, EUA, 1996) – Nota 7,5
Direção – Campbell Scott & Stanley Tucci
Elenco – Stanley Tucci, Tony Shalhoub, Minnie Driver, Ian Holm, Isabella Rossellini, Campbell Scott, Marc Anthony, Liev Schreiber, Allison Janney, Christine Tucci, Larry Block,  Caroline Aaron.

Nos anos cinquenta os irmãos Primo (Tony Shalhoub) e Secondo (Stanley Tucci) são italianos que foram para América em busca do sonho de ter o próprio restaurante. Eles conseguem abrir o restaurante, porém com poucos freqüentadores e dívidas, o sonho parece estar se transformando num pesadelo. Até que Pascal (Ian Holm), dono de um restaurante de sucesso, promete levar ao estabelecimento dos irmãos um famoso cantor da época, para uma “Grande Noite”. 

O longa mostra as diferenças entre os irmãos, enquanto Primo é o chef especialista em pratos requintados da cozinha italiana, Secondo é a voz da razão, que tenta persuadir o irmão a criar pratos mais simples, o que atrairia mais clientes ao local e consequentemente dinheiro. Esta disputa entre a arte e o capitalismo é apenas uma das pitadas deste sensível filme que tem na comida um dos personagens mais importantes. 

A direção a quatro mãos dos atores Campbell Scott e Stanley Tucci é competente, ajudada e muito pela bela interpretação de Tony Shalhoub, anos antes de ficar famoso com a série “Monk”. 

Filme obrigatório para os fãs de comida italiana e de uma sensível história sobre um sonho.


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O Som do Coração


O Som do Coração (August Rush, EUA, 2007) – Nota 7
Direção – Kirsten Sheridan
Elenco – Freddie Highmore, Keri Russell, Jonathan Rhys Meyers, Terrence Howard, Robin Williams, William Sadler, Marian Seldes, Mykelti Williamson, Leon Thomas III, Alex O’Loughlin, Ronald Guttman.

O garoto Evan Taylor (Freddie Highmore de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”) vive num orfanato com a esperança de encontrar seus pais. O garoto diz que se comunica com os país cada vez que ouve uma música. Num certo dia, após conversar com um assistente social (Terrence Howard) que lhe dá seu telefone caso Evan precise, o garoto resolve fugir do orfanato e ir em busca de seus pais em Nova York. Evan pensa em pedir ajuda ao assistente, mas uma desencontro faz com que ele se perca e acabe encontrando refúgio num velho teatro onde vivem garotos que tocam pelas ruas e são explorados por Wizard (Robin Williams). Em paralelo, é mostrado o que aconteceu com seus pais (Keri Russell e Jonathan Rhys Meyers), que também foram separados pelo destino e vivem angustiados sentindo que falta algo em suas vidas. 

O roteiro do também diretor Nick Castle (“O Último Guerreiro das Estrelas”, “O Garoto que Podia Voar”) é uma fábula que usa a música como ponto de união de três vidas. A personagem de Keri Russell é uma estrela da música clássica, Jonathan Rhys Meyers vocalista de uma banda de rock e garoto Freddie Highmore sabe que a música é sua salvação e aos poucos descobre seu incrível talento. 

O ponto negativo é a direção da irlandesa Sheridan, que utiliza cortes abruptos, lembrando filmes feitos para a TV, algumas vezes deixando a impressão de que pulou alguma cena ou passagem. Outro questão é o desperdício do bom Terrence Howard, que aparece pouco e praticamente acaba esquecido ao final da trama. É o tipo de história que nas mãos de um Tim Burton renderia algo bem mais interessante, como por exemplo “Peixe Grande” e “Edward Mãos de Tesoura”.  

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Desafiando o Assassino


Desafiando o Assassino (Mr. Majestyk, EUA, 1974) – Nota 7
Direção – Richard Fleischer
Elenco – Charles Bronson, Al Lettieri, Linda Cristal, Lee Purcell, Paul Koslo, Alejandro Rey.

O ex-combatente do Vietnã Vince Majestyk (Charles Bronson) vive com sua namorada Nancy (Linda Cristal) numa fazenda onde planta melancias. Majestyk prefere contratar mexicanos para a colheita, o que desagrada um agenciador de trabalhadores, Bobby Kopas (Paul Koslo) que entra em conflito com o fazendeiro e por sua amizade com alguns policiais corruptos, acaba conseguindo que prendam Majestyk. Na cadeia, Majestyk tenta atrapalhar a fuga de um assassino da Máfia, Frank Renda (Al Lettieri) e por este motivo acaba sendo libertado. Como o assassino consegue fugir, logo ele voltará com seu bando pronto se vingar. 

Este longa faz parte da safra de bons filmes que Bronson estrelou durante a década de setenta, sendo os principais “Assassino a Preço Fixo”, “O Telefone”, “Cinco Dias de Conspiração” e “Desejo de Matar”, quase sempre interpretando o herói durão de poucas palavras. 

Muitos lembram de Charles Bronson apenas pelos filmes de ação ruins estrelados nos anos oitenta, com o astro já em final de carreira, mas sua filmografia antes disso é interessante pelos filmes citados e ainda pelos clássicos em que trabalhou quase sempre como coadjuvante, como “Fugindo do Inferno”, “Sete Homens e um Destino” e “Os Doze Condenados”. 

O longa “Desafiando o Assassino” tem como destaque a direção de Richard Fleischer, que fez clássicos como “20.000 Léguas Submarinas” e “Tora! Tora! Tora!”, além de uma cena curiosa onde o vilão destrói uma colheita inteira de melancias com uma rajada de balas.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Regras da Vida


Regras da Vida (The Cider House Rules, EUA, 1999) – Nota 7,5
Direção – Lasse Hallstrom
Elenco – Tobey Maguire, Charlize Theron, Michael Caine, Delroy Lindo, Paul Rudd, Jane Alexander, Kathy Baker, Erykah Badu, Kieran Culkin, Kate Nelligan, Heavy D, K. Todd Freeman, Paz de la Huerta, J. K. Simmons, Evan Parke.

Numa pequena cidade do Maine, o médico Wilbur Larch (Michael Caine) é o responsável por um orfanato, onde diversas crianças esperam a chance de serem adotadas. Carinhoso com todas as crianças, o Dr. Larch criou quase como filho o jovem Homer Wells (Tobey Maguire) e o ensinou a profissão de médico. Mesmo estando feliz no lugar, Homer tem vontade de conhecer o mundo e a chance aparece quando um casal vai ao orfanato para o médico ministrar um aborto na jovem. 

O casal é formardo pelo piloto da aeronáutica Wally (Paul  Rudd) e a bela Candy (Charlize Theron), que fazem amizade com o jovem e o levam para outra cidade, onde este aceita trabalhar na fazenda da mãe de Wally para colher maçãs. Como a história se passa nos anos quarenta, no meio da 2º Guerra Mundial, Wally acaba tendo de voltar para batalha e deixa sua noiva Candy, que por sua vez se apaixona por Homer. 

Este longa é o típico drama clássico, que além do triângulo amoroso, é sensível ao mostrar a tristeza das crianças abandonadas pelos pais e ainda conta uma história paralela onde o personagem de Tobey Maguire se envolve com os problemas de pai (Delroy Lindo) e filha (a cantora Erykah Badu) que trabalham como coletores de maçã. 

O roteiro é inteligente ao colocar em debate a questão do aborto com a história ambientada numa época em que era um tabu ainda maior e deixa ainda uma mensagem onde pequenas mentiras podem ser usadas para o bem. 

Um filme sensível, assim como a maioria dos trabalhos da carreira do diretor Hallstrom (“Chocolate” e “Sempre ao Seu Lado”).

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Diário de um Skin


Diário de um Skin (Diario de un Skin, Espanha, 2005) – Nota 7
Direção – Jacobo Rispa
Elenco – Tristan Ulloa, Juana Acosta, Pedro Casablanc, Gines Garcia Millan, Fernando Cayo.

Em Madrid, o jornalista Antonio Salas (Tristan Ulloa) é especialista em reportagens investigativas e após ter filmado disfarçado um encontro com dois traficantes de crianças, seu parceiro de trabalho é espancado brutalmente por um grupo de neonazistas e morre. Os assassinos ainda levam as fitas com a filmagem do encontro. Inconformado, Antonio resolve se infiltrar no grupo neonazista, tendo ajuda apenas de um policial (Gines Garcia Millan) para descobrir os assassinos do amigo. Aos poucos Antonio vai ganhando a confiança dos líderes do grupo e descobre que estes tem ligações também com o tráfico de mulheres e crianças. 

Este longa produzido para tv espanhola é baseado no livro do jornalista que usa o pseudônimo de Antonio Salas, que conseguiu se infiltrar entre os neonazistas e hoje vive escondido, mantendo a identidade em segredo. 

O filme é interessante e o tema polêmico, mostrando como estes extremistas estão infiltrados nas torcidas de futebol e mesmo pregando ódio aos estrangeiros e outras minorias, lucra com a prostituição. 

O ponto que deixa dúvidas sobre a total veracidade da história é a rapidez com que o protagonista consegue ser aceito e chegar próximo aos líderes, no filme este tempo são de apenas dois meses, mas isso não diminui a força da denúncia.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O Psicólogo


O Psicólogo (Shrink, EUA, 2009) – Nota 6,5
Direção – Jonas Pate
Elenco – Kevin Spacey, Mark Webber, Keke Palmer, Saffron Burrows, Robin Williams, Jack Huston, Pell James, Dallas Roberts, Jesse Plemons, Robert Loggia, Clayton Rohner.

Henry Carter (Kevin Spacey) é o “Psiquiatra das Estrelas” em Hollywood, porém sua vida está um caos. Após o suicídio da esposa, Henry entre em depressão e fuma maconha o dia todo. A situação é complicada porque ele precisa atender diversos pacientes diariamente, como um agente de atores famosos (Dallas Roberts), uma atriz em crise com o marido (Saffron Burrows), um homem casado (Robin Williams) que ama a esposa mas pensa em sexo com outras mulheres o dia inteiro e um amigo (Mark Webber). Quando seu pai (Robert Loggia) que também é psiquiatra passa o caso de uma adolescente (Keke Palmer) que sofre após o suídicio da mãe, ele percebe que pode curar sua dor ajudando a garota. 

O roteiro brinca criando personagens que são os esteriótipos de Hollywood, tanto os famosos que se envolvem com drogas e casamentos furados, como aqueles desejam alcançar o sucesso, como o roteirista sem idéias e a jovem que deseja ser cineasta. Apesar dos personagens serem simpáticos, a história fica presa neste esquema e não decola. O melhor do filme é a interpretação de Spacey e o resultado geral apenas mediano. 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Igual a Tudo na Vida


Igual a Tudo na Vida (Anything Else, EUA, 2003) – Nota 6,5
Direção – Woody Allen
Elenco – Woody Allen, Jason Biggs, Christina Ricci, Danny DeVito, Stockard Channing, KaDee Strickland, Jimmy Fallon, Fisher Stevens, Adrian Grenier, Erica Leerhsen, William Hill.

Jerry Falk (Jason Biggs) escreve piadas para comediantes que atuam em stand-up e tem a intenção de se tornar escritor sério. Conversando direto com a câmera, ele conta sua vida desde o momento em que estava para se casar com Brooke (KaDee Strickland) e a abandona ao se apaixonar pela instável Amanda (Christina Ricci), com quem acaba indo morar. 

Sendo um sujeito inseguro, ele somente percebe como sua vida está travada em virtude de suas relações quando conhece o falastrão David Dobel (Woody Allen). Dobel é um professor que também escreve piadas para comediantes e tem teorias malucas sobre tudo, mas que acaba abrindo os olhos de David, que é traído por Amanda, se trata com um psicólogo que não fala nada e tem ainda um agente (Danny DeVito) que não o ajuda na carreira. 

Como em todos os seus filmes, o ponto forte são os diálogos, principalmente aqueles em participa o próprio personagem de Woody Allen que dispara teorias e frase engraçadas, porém o que atrapalha são os personagens chatos interpretados por Jason Biggs e Christina Ricci, mesmo que bem interpretados. Fica difícil simpatizar com o palerma Jerry, quando vemos facilmente tudo que está errado na vida do rapaz e ele fecha os olhos. O detalhe é que Jason Biggs foi a escolha certa para o sujeito panaca.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A Mosca - 1958, 1986 & 1989



A Mosca da Cabeça Branca (The Fly, EUA, 1958) – Nota 7
Direção – Kurt Neumann
Elenco – David Hedison, Patricia Owens, Vincent Price, Herbert Marshall, Kathleen Freeman.

A história começa com Helene (Patricia Owens) avisando seu cunhado François (Vincent Price) que seu marido Andre (David Hedison) se matou. A partir daí conheceremos a história em flashback, começando com os irmãos François e Andre trabalhando como cientistas numa máquina de teletransporte sem muito sucesso. Num certo momento Andre resolve ser a cobaia, mas quando entra na máquina uma mosca o acompanha. O experimento dá certo em parte, pois o matéria de Andre e da mosca se misturam, com o sujeito ficando com a cabeça e um braço da mosca. A única chance de reverter a situação é André encontrar a mosca que ficou com parte do seu corpo e voltar os dois para máquina. 

Este longa de pequeno orçamento e efeitos especiais precários, ganhou status de cult com o tempo, principalmente após a refilmagem de David Croneneberg. O destaque além da insólita história vai também para o elenco, que tem o grande Vincent Price e o astro do seriado “Viagem ao Fundo Mar” David Hedison, que aqui em início de carreira assina como Al Hedison.

A Mosca (The Fly, EUA, 1986) – Nota 7,5
Direção – David Cronenberg
Elenco – Jeff Goldblum, Geena Davis, John Getz.

O cientista Seth Brundle (Jeff Goldblum) testa uma máquina de teletransporte e após algumas falhas, acredita ter finalmente conseguido sucesso e resolve ser a própria cobaia. Ao entrar na máquina, Seth não percebe que uma mosca o acompanhou. A experiência dá certo para alegria do cientista, porém após algum tempo ele percebe mudanças, primeiro aumentam sua agilidade, força e alguns outros sentidos, o que supreende sua namorada, a jornalista Veronica (Geena Davis), o problema começa quando seu corpo apresenta estranhas mutações, cada vez piores e mais assustadores. 

O diretor David Cronenberg especialista em filmes de terror, apresenta aqui uma nova versão para clássico de ficção B “ A Mosca da Cabeça Branca”, trocando a sugestão pela terror explícito, fazendo ainda um paralelo com o lado negro que em tese todo ser humano tem e que necessita de um gatilho para aflorar. Um bom e ao mesmo assustador longa que marcou época.

A Mosca 2 (The Fly II, EUA, 1989) – Nota 5,5
Direção – Chris Wallas
Elenco – Eric Stoltz, Daphne Zuniga, John Getz, Lee Richardson, Harley Cross, Gary Chalk, Marie Lee.

Martin Brundle (Eric Stoltz) é filho do cientista que se transformou em mosca no filme anterior e ao completer cinco anos de idade já tem a aparência de um adulto. Ele herdou a mutação dos genes do pai e se tornou alvo de estudo de cientistas antes que sua transformação seja completa, o que parece ser impossível de reverter. 

Com o sucesso do filme de Cronenberg, ficou claro que um continuação era questão de tempo. As sequências para filmes de sucesso se transformaram em algo comum nos anos oitenta e em muitos casos resultaram em cópias fracas ou até mesmo histórias sem ligação alguma com o original. 

Esta sequência dirigida por Chris Wallas, o responsável pela maquiagem no filme original e em outros longas de terror, tem bons efeitos especiais apenas, com uma história fraca e sem o charme assustador da obra de Cronenberg. 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Zona Verde


Zona Verde (Green Zone, França / EUA / Espanha / Inglaterra, 2010) – Nota 7,5
Direção – Paul Greengrass
Elenco – Matt Damon, Greg Kinnear, Brendan Gleeson, Amy Ryan, Khalid Abdalla, Jason Isaacs, Igal Naor.

Em 2003, logo após a Invasão no Iraque, o oficial Roy Miller (Matt Damon) é encarregado de localizar as armas químicas escondidas por Sadam Hussein e seus generais, porém a cada missão que não chega a lugar algum, ele percebe que algo está errado. Durante uma destas missões, seu grupo é procurado por um iraquiano chamado Freddy (Khalid Abdalla de “O Caçador de Pipas”), que diz ter visto uma reunião do alto comando de Sadam Hussein numa casa perto daquele local. Miller leva alguns homens e descobre que ali estava o general Al Rawi (Igal Naor), um dos líderes mais procurados pelos americanos, porém o sujeito consegue escapar. A questão é que o general é importante demais, todos querem encontrá-lo, um chefão do Pentágono (Greg Kinnear) e um agente da Cia (Brendan Gleeson), deixando claro haver muita sujeira escondida por trás daquela guerra. 

O longa de Paul Grengrass se baseia num livro sobre a “Zona Verde”, um cinturão de segurança criado pelos americanos em Bagdá, onde tudo parecia bem, porém ao redor e no restante do país a violência não poupava ninguém, além da falta de água, comida e eletricidade. 

O diretor novamente faz parceira com Matt Damon, assim como na consagrada série “Bourne” e filmou este longa no seu estilo, com um misto de documentário com câmera na mão e cenas de ação realistas, conseguindo novamente um resultado satisfatório. 

Mesmo sendo uma obra de ficção, o roteiro toca fundo nas mentiras utilizadas pelo governo americano para invadir o Iraque e depois no absurdos erros em nome da democracia.