Nesta postagem contarei algumas pequenas histórias sobre fatos que passei em salas de cinema e como foi a descoberta por esta paixão.
A primeira vez que fui ao cinema foi em 1984 e assisti "Passagem para a Índia", o último filme do grande diretor David Lean, que na época eu tinha a mínima idéia de quem seria. Naquele tempo levar filhos ao cinema não era algo tão comum como nos dias de hoje, onde nos períodos de férias os cinemas são tomados por filmes infantis. No início dos anos oitenta a única opção para as crianças era uma vez ao ano quando "Os Trapalhões" lançavam seu longa e por este motivo eles foram campeões de bilheteria no país durante muitos anos. Lembro que apenas outros dois desenhos animados foram lançados por aqui nos cinemas na época, o primeiro por volta de 1981 foi "Bernardo e Bianca" e depois em 1985 chegou "Fievel - Um Conto Americano", que era uma produção de Spielberg.
Voltando a "Passagem para Índia", a escolha para assistir este drama foi um chute, eu e alguns amigos de escola escolhemos por ter sido um filme indicado ao Oscar. A história foi legal mesmo para alguém de treze anos, apesar de ser um drama que entendi completamente anos depois apenas, mas o que me chamou atenção foi a grande tela e o clima de uma sala de cinema, algo único. Um mundo novo que se abria.
Eu assisti este filme no Cine Ipiranga no centro de SP, a foto da postagem é da grandiosa entrada do cinema que está fechado há vários anos. Quem conhece apenas os Multiplex de shopping e não teve o prazer de um ver um filme numa sala destas, não tem idéia do que perdeu. A tela era enorme e a capacidade em torno de 400 pessoas, além de amplo hall, escadas que lembravam uma grande mansão, era um outro mundo.
Além desta bela sala de cinema, o centro de SP tinha diversas outras com grande capacidade de público, como o Cine Comodoro na Av. São João que era conhecido como Cinerama em virtude da tela gigante, os cines Marabá, Paysandu e o incrível Cine Espacial, onde a sala era redonda com três telas. Em qualquer lugar que a pessoa sentasse, ela veria apenas uma tela. Um formato totalmente diferente.
Outras duas salas magníficas eram o Liberty e o Bristol na Av. Paulista. Estas salas ficavam dentro do Center 3, onde hoje funcionam várias salas do Cinemark, sem o mesmo charme. Na região da Paulista haviam ainda o Cine Paulistano quase na esquina da Brigadeiro Luís Antônio, o Gemini e o Gazeta, onde existiam três salas se hoje foram transformadas em um teatro e no Cine Reserva Cultural.
Passei por várias situações nestes anos. Lembro que nos anos oitenta a censura ainda existia e eu com quatorze anos queria assistir "O Exterminador do Futuro" que tinha censura para dezesseis. Fui sozinho ao antigo Cine Olido, comprei o ingresso e entrei torcendo para que ninguém me parasse.
Na época assisti vários clássicos como "De Volta para o Futuro", "Um Tira da Pesada", "Indiana Jones e o Templo da Perdição", "Rambo", "O Feitiço de Áquila" e vários outros.
Já nos anos noventa tive oportunidade de ver algumas pré-estréias, como o caso de "Cães de Aluguel". Consegui os convites em uma promoção e não tinha menor a idéia do grande filme que assistiria. Quem era Quentini Tarantino? Foi uma grande descoberta.
Tive outras duas histórias confusas de pré-estréias. Fui ver "Vanilla Sky" numa sessão exclusiva sábado pela manhã, porém esqueceram de avisar o responsável pela projeção e com sala lotada não tinha quem colocar o filme para rodar. A sessão atrasou uma hora e meia. Numa outra vez ganhei convites de uma rádio para assistir "8 MM" e num certo momento o filme ficou louco, a história mudou completamente e todos perceberam que havia algo errado. Alguém trocou os rolos do filmes e pulou uma parte, cortando em torno de trinta minutos do filme. O povo reclamou, as luzes se acenderam e foi uma grande bagunça. A única vez que sai do cinema sem ver todo o filme.
Convido todos para contarem suas histórias ligadas ao cinema.















