domingo, 2 de janeiro de 2011

Os Aventureiros do Fogo


Os Aventureiros do Fogo (Firewalker, EUA, 1986) – Nota 5
Direção – J. Lee Thompson
Elenco – Chuck Norris, Louis Gossett Jr, Melody Anderson, Will Sampson, Sonny Landham, John Rhys Davies, Ian Abercrombie.

Uma dupla de aventureiros (Chuck Norris e Louis Gosset Jr) são contratados por uma jovem rica (Melody Anderson) que tem um mapa do tesouro Azteca e precisa de ajuda para chegar ao local onde está escondida a fortuna. Os dois sujeitos aceitam o desafio e iniciam uma aventura pela América Central. 

Este longa foi outra tentativa da produtora Cannon em lucrar no rastro do sucesso de Indiana Jones e errou feio ao escalar o carrancudo Chuck Norris no papel do herói engraçadinho, resultando numa aventura fraca, com poucas cenas de ação e ainda desperdiçando o bom ator Louis Gossett Jr no papel do parceiro do herói. Por sinal, Louis Gossett que ganhou o Oscar de Coadjuvante por “A Força do Destino” em 1983 é um dos atores mais mal aproveitados da história do cinema, porque mesmo após o prêmio continuou a receber apenas papéis em filmes ruins. 

Outro detalhe, o diretor inglês J. Lee Thompson fez bons filmes nos anos sessenta e setenta, como “Os Canhões de Navarone”, “O Ouro de Mackenna” e “Círculo do Medo” refilmado por Scorsese como “Cabo do Medo”, porém a partir dos anos oitenta fez vários filmes para a picareta produtora Cannon, em sua maioria com o veterano Charles Bronson como papel principal. 

sábado, 1 de janeiro de 2011

A Dama de Shangai


A Dama de Shangai (The Lady From Shanghai, EUA, 1948) – Nota 7
Direção – Orson Welles
Elenco – Orson Welles, Rita Hayworth, Everett Sloane, Glenn Anders, Ted de Corsia.

O marinheiro Michael O’Hara (Orson Welles) conhece no Central Park a bela Elsa (Rita Hayworth) e a salva de um assalto. Atraído pela linda mulher, Michael é convidado para trabalhar no iate de seu marido, o advogado Arthur Bannister (Everett Sloane) para um cruzeiro pelo pacífico. A princípio ele não aceita, mas mesmo contrariado acaba embarcando no iate onde viaja também o cínico George Grisby (Glenn Anders) sócio de Arthur e um detetive (Ted de Corsia) disfarçado de mordomo. O triângulo amoroso e a ganância dos personagens levarão a um trágico final. 

O longa tem um trama clássica de filme noir, com uma mulher fatal que atrai um sujeito não muito honesto, o marido rico e outros personagens que não inspiram confiança, porém a montagem é um pouca confusa. Diz a história que Orson Welles queria lançar o filme com a duração de duas horas e meia, porém o estúdio não gostou e o longa acabou lançado com uma hora a menos, o que fica claro em algumas passagens rápidas. Ao que parece, um dos motivos da briga com o estúdio foi porque Welles pediu que a bela Rita Hayworth (sua esposa na época) cortasse o belo cabelo que era comprido e ainda se transformasse em loira, o que para muitos foi a culpa do fracasso de bilheteria.

Mesmo sendo considerado um clássico para muitos críticos, não considero um grande filme, tem boas interpretações mas com uma trama que poderia ser melhor desenvolvida, com destaque para a sequência final do tiroteiro na casa de espelhos. 

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz 2011


Gostaria agradecer a todos que durante estes quase três anos de blog tem participado não só com visitas, mas também com comentários e sugestões.

Durante este tempo também visitei dezenas de blogs onde li sobre os mais variados filmes, descobrindo pérolas e aprendendo sempre um pouco mais sobre cinema.

Que 2011 seja ainda melhor para todos nós, com muita saúde, paz, felicidade, um pouco de dinheiro e muito cinema.

Grande abraço.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A Morte ao Vivo


A Morte ao Vivo (La Mort en Direct, França / Alemanha Ocidental / Inglaterra, 1980) – Nota 7
Direção – Bertrand Tavernier
Elenco – Romy Schneider, Harvey Keitel, Harry Dean Stanton, Max Von Sydow, Therese Liotard, Bernard Wicki.

A escritora Katherine Mortenhoe (Romy Schneider) descobre estar sofrendo de uma doença incurável e passa a ser assediada por uma emissora de tv que deseja gravar seus últimos dias de vida. Katharine não aceita, mas a emissora implanta uma câmera minúscula no cérebro de um repórter (Harvey Keitel), que se aproxima da escritora e passa a filmar sua vida sem que ela saiba. 

Esta ficção dirigida pela francês Tavernier (“A Isca”, “Por Volta a Meia-Noite”) é curiosa ao prever, com um pouco de exagero, a onda dos reality shows e como as emissoras de tv começariam a explorar as tragédias e transformá-las em espetáculo. O longa é quase um cult e além do tema vale pelo bom elenco, com a bela Romy Schneider já veterana em um dos seus últimos papéis.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Filmes Produzidos para a TV - Parte I

Filmes produzidos para tv na maioria das vezes eram sinônimo de má qualidade. Nos últimos anos a HBO tem modificado está história, produzindo ótimos longas, seriados e minisséries que em muitos casos não devem nada ao trabalhos de cinema.

Nesta minha postagem cito uma parte dos diversos filmes para tv que assisti, em sua maioria produções fracas.

Os Doze Condenados 2 (The Dirty Dozen: Next Mission, EUA, 1985) – Nota 5,5
Direção – Andrew V. McLaglen
Elenco – Lee Marvin, Ernest Borgnine, Richard Jaeckel, Ken Wahl, Larry Wilcox, Sonny Landham.

Refilmar ou produzir uma sequência para algum clássico não maioria das vezes é um grande erro. Este longa para a tv comprova a tese. A história é idêntica ao original, apenas com a diferença do alvo. No original era uma castelo na França tomado por nazistas, nesta sequência a missão é assassinar a um general nazista dentro da própria Alemanha. Novamente o Major Reisman (Lee Marvin) é convocado para uma missão suicida, treinar doze condenados para a missão e no caso de sucesso, os sobreviventes ganham a liberdade. 

Do original, além de Marvin estão aqui Richard Jaeckel como seu braço direito e Ernest Borgnine como um General. O restante do elenco tem Ken Wahl, que era um ator em ascensão na tv e fez depois o seriado “O Homem da Máfia” e Larry Wilcox, que era famoso pelo seriado “Chips” e depois disso praticamente se aposentou. O longa é o penúltimo da carreira do carrancudo Lee Marvin, que faria ainda “Comando Delta” no ano seguinte. Por incrível que pareça, em 1987 foi produzido outro longa com o mesmo team para a tv, desta vez apenas como Ernest Borgnine do elenco original e com Telly Savalas no lugar de Lee Marvin.

Guerra do Golfo (Before the Storm, EUA, 1991) – Nota 6
Direção – Michael Fresco
Elenco – Linda Purl, Anthony John Denison, John Rhys Davies, Josef Sommer, Jesse Borrego, G. W. Bailey, Dana Gladstone, John Rhys Davies, Shaun Tob, Kasi Lemons, John Slattery, Josef Sommer

A história tem como protagonistas o casal Dylan (Anthony John Denison) e Kate Del Amico (Linda Purl), que trabalham com agentes do governo e são enviados em uma missão secreta para Bagdá, com o intuito de investigar um possível ataque de Sadam Hussein com armas químicas aos países vizinhos. 

O longa foi produzido na mesma época da primeira Guerra do Golfo e utilizou um fato real para criar uma história fictícia de espionagem. Tem algumas cenas interessantes de suspense, mas fica difícil acreditar na pequena Linda Purl como espiã. Este filme fez sucesso na tv americana e gerou ainda uma minissérie com o casal de espiões seguindo numa missão na Rússia, aproveitando também o final da União Soviética. 

Super Máquina 2000 (Knight Rider 2000, EUA, 1991) – Nota 4
Direção – Alan J. Levi
Elenco – David Hasselhoff, Edward Mulhare, Susan Norman, Carmen Argenziano, Mitch Pileggi.

Quando David Hassellhoff voltou a fazer sucesso com a série “Baywatch”, os produtores tentaram apostar num retorno do ator ao personagem de Michael Knight do seriado de sucesso “A Super Máquina”. Neste telefilme Knight (Hasselhoff) é chamado de volta ao trabalho para tentar desvendar uma série de crimes, que ocorrem mesmo com a proibição das armas e com o congelamento literal dos bandidos que são capturados. Este longa é praticamente um episódio em longa duração e vale apenas para os fãs da série.

Mortal Fear – A Fórmula da Morte (Mortal Fear, EUA, 1994) – Nota 5
Direção – Larry Shaw
Elenco – Joanna Kerns, Gregory Harrison, Max Gail, Tobin Bell, Katherine LaNasa, Robert Englund, Rebecca Schull.

Baseado num livro de Robin Cook, a história tem como protagonista a Dra. Jennifer Kessler (Joanna Kerns), uma cientista que trabalha com pesquisa avançada em um hospital. Quando alguns pacientes idosos começam a morrer sem explicação, ela começa a investigar e descobre uma conspiração por trás das mortes. O longa não se aprofunda no tema polêmico e tem como curiosidade o elenco, que conta com dois ícones do terror como médicos coadjuvantes, o ‘Freddy Krueger” Robert Englund e o “Jigsaw” Tobin Bell. 

Projeto Nuclear (Critical Assembly, EUA, 2003) – Nota 5
Direção – Eric Laneuville
Elenco – Katherine Heigl, Kerr Smith, Michael Beach, J. August Richards, Jeff Roop.

Na renomada Universidade de Stanford em São Francisco, a estudante de física Aizy Hayward (Katherine Heigl) é considerada acima da média e praticamente tem um emprego garantido em uma grande corporação, porém seu desejo é desenvolver pesquisas, o que ela descobre ser impossível na empresa que deseja contratá-la. Na dúvida entre um emprego burocrático com dinheiro garantido e a vontade de fazer a diferença, ela é abordada por um estudante de ciências políticas e ativista contra as armas nucleares, Bobby Damon (Kerr Smith). O que a princípio parece ser um flerte, se transforma numa proposta quando ele e mais dois amigos querem que ela os ajude a construir uma bomba atômica para assustar as autoridades e a opinião pública, sem a intenção de detoná-la, apenas para conseguir que sua causa ganhe apoio. O grupo resolve iniciar o projeto, porém a situação acaba saindo do controle e uma tragédia fica prestes a ocorrer. 

A história é até interessante, apesar de absurda e poderia render um bom filme, porém esta produção para tv tem um roteiro muito fraco que deixa o filme com cara de episódio de seriado, onde tudo se resolve facilmente.

Terror no Shopping Center (Terror in the Mall, EUA / Alemanha, 1998) – Nota 5
Direção – Norberto Barba
Elenco – Rob Estes, Shannon Sturges, David Soul, Kai Wiesinger, Angeline Ball.

Durante uma inundação numa pequena cidade americana, um grupo de pessoas fica presa em shopping center e entre eles está um perigoso fugitivo. Ao mesmo tempo que o grupo luta para sobreviver, precisará descobrir quem é o criminoso. Apesar da trama cheia de clichês e da limitação deste tipo de produção para a tv, o longa tem boas cenas de ação e algum suspense. O ator principal Rob Estes, vinha do razoável sucesso da série policial “Silk Stalkings” e tentava se manter como astro de tv. Depois desse trabalho ele continua até hoje trabalhando em diversos seriados.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A Questão Humana


A Questão Humana (La Question Humaine, França, 2007) – Nota 7
Direção – Nicolas Klotz
Elenco – Mathieu Amalric, Michael Lonsdale, Edith Scob, Lou Castel, Jean Pierre Kalfon, Valérie Dréville, Laetitia Spigarelli, Delphine Chuillot.

Simon Kessler (Mathieu Amalric) é um psicólogo especialista em recursos humanos contratado por uma multinacional alemã chamada “Farb” para criar mecanismos e minimizar os problemas de uma reestruturação de pessoal, traduzindo, demitir centenas de pessoas e criar dinâmicas para manter motivados os executivos, com o objetivo de aumentar a produtividade da empresa. 

Simon consegue os resultados que a empresa esperava e ganha a confiança do vice-diretor (Jean Pierre Kalfon), que o convida para um trabalho especial: Analisar discretamente o comportamento do diretor geral, Mathias Just (Michael Lonsdale), que dizem estar tendo um comportamente estranho, com atitudes fora do normal, além de parecer sofrer de depressão. 

Simon aceita o desafio e recebe inclusive um lista com data e horário das chamadas atitudes estranhas de Mathias. Para se aproximar do diretor, Simon alega estar planejando criar uma orquestra de funcionários e como Mathias fora participante de um quarteto musical na empresa anos atrás, usa este fato para se aproximar do homem. 

O que a princípio parece ser apenas uma análise pessoal, se transforma em algo  muito mais profundo quando Mathias mostra todo seu amor e ao mesmo tempo ódio pela música, conta um pouco de sua infância e entrega a Simon algumas cartas anônimas que ele recebeu falando sobre seu pai. Estas descobertas afetam profundamente Simon, que mostra um postura profissional séria, mas em sua vida particular sofre com o amor complicado por um cantora e um caso com uma colega de trabalho, além de presenciarmos uma sequência numa festa rave onde ele coloca para fora toda a sua angústia. 

Não é um filme para todos, o ritmo é lento e em alguns momentos as cenas são pontuadas apenas por músicas, tendo como ponto forte a história que faz um paralelo cruel e infelizmente verdadeiro sobre as semelhanças entre o mundo corporativo atual e o nazismo, que utilizam a exclusão dos diferentes para mostrar a força de sua política, não se importando com o fator humano. Isto fica claro na bela sequência final, onde o personagem Arie Neumann (Lou Castel) conta uma passagem de sua vida a Simon e fica claro o porquê de tudo o que aconteceu no filme. 

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Operação França


Operação França (The French Connection, EUA, 1971) – Nota 9
Direção – William Friedkin
Elenco – Gene Hackman, Fernando Rey, Roy Scheider, Tony LoBianco, Marcel Bozzuffi, Frederic de Pasquale.

A dupla de policiais Jimmy “Popeye” Doyle (Gene Hackman) e Buddy Russo (Roy Scheider) investiga em Nova Iorque a ligação do bandido Sal Boca (Tony Lo Bianco) com um grande carregamento de drogas que está para chegar ao país. Trabalhando com uma escuta e seguindo o sujeito pela cidade, eles descobrem que Sal está negociando com um desconhecido francês (Fernando Rey), mas precisam ir a fundo para saber quando e como será feita a negociação. 

Este é um dos filmes que mudaram o gênero policial nos anos setenta, filmado em grande parte nas ruas de Nova Iorque, o diretor William Friedkin se baseou numa operação real para criar sequências realistas de perseguição, tanto as feitas a pé pelos policiais, num jogo de gato e rato com os bandidos, quanto pela sensacional sequência que começa com o personagem de Gene Hackman sendo alvo de um atirador (Marcel Bozzuffi) que falha, em seguida Hackman o persegue por dentro de um edifício, seguindo de volta para a rua até uma estação de trem onde o bandido acredita ter escapado. Porém a partir deste momento segue provavelmente a mais realista perseguição da história do cinema, enquanto Hackman toma o carro de um civil e sai como um maluco dirigindo pela cidade, seguindo o trem onde o atirador toma o operador como refém para tentar escapar. 

Um ponto interessante é a caracterização dos personagens, enquanto o policial de Gene Hackman é um sujeito durão, grosso e até racista, o traficante de Fernando Rey é educado e inteligente, quase um intelectual. 

O longa foi merecidamente premiado com cinco prêmios Oscar, entre eles Filme, Direção e Ator para Gene Hackman, tendo gerado um sequência inferior mas ainda assim competente em 1975, com John Frankenheimer na direção e com Gene Hackman e Fernando Rey retornado aos papéis principais. Existe ainda um telefilme de 1986 com personagem Popeye Doyle interpretado por Ed O’Neill. 

domingo, 26 de dezembro de 2010

O Homem das Cavernas


O Homem das Cavernas (Caveman, EUA, 1981) – Nota 6
Direção – Carl Gottlieb
Elenco – Ringo Starr, Dennis Quaid, Shelley Long, Jack Gilford, Barbara Bach.

Milhões de anos antes de Cristo, quando os homens ainda viviam em cavernas, Atouk (Ringo Starr) é expulso de um grupo e junto com o amigo Lar (Dennis Quaid), monta uma novo grupo com pessoas estranhas, a jovem Tala (Shelley Long), o idoso cego Gog (Jack Gilford) e outras figuras como um anão e até um casal de homossexuais. Juntos enfrentarão dinossauros e outros animais pré-históricos, além de entrar em conflito com o outro grupo, pois Atouk deseja a esposa do líder, a bela Lana (Barbara Bach). 

O longa é uma grande gozação em cima da pré-história, onde vemos traições, brigas, vinganças e tudo mais o que ser humano ainda faz nos dias de hoje. Os animais pré-históricos lembram os monstros de séries japonesas como “Ultraman”, onde as lutas são mais engraçadas do que assustadoras. 

Outro detalhe é a precária produção, onde praticamente todas cenas foram filmadas em local aberto, provavelmente em algum deserto americano e ainda perto do final aparecem algumas absurdas cenas no meio de uma região congelada. Em outras cenas engraçadas, os personagens descobrem como usar o fogo, assar animais e até criar armas. 

É curioso ver o ex-Beatles Ringo Starr no papel principal, que tem ainda sua esposa Barbara Bach no elenco, atriz conhecida por participações em filmes B, como “A Ilha dos Homens Peixes”. O elenco tem ainda Dennis Quaid e Shelley Long bem jovens. 

No mesmo ano o francês Jean Jacques Annaud (“O Nome da Rosa”) dirigiu “A Guerra do Fogo”, um filme sobre a pré-história com questões parecidas, porém filmado de modo extremamente sério. 

sábado, 25 de dezembro de 2010

The Drew Carey Show & Whoose Line is it Anyway?

The Drew Carey Show (EUA, 1995 a 2004)
Elenco - Drew Carey, Diedrich Bader, Ryan Stiles, Christa Miller, Kathy Kinney, Craig Ferguson.

Whoose Line is it Anyway? (EUA, 1998 a 2006)
Elenco - Drew Carey, Ryan Stiles, Colin Mochrie, Wayne Brady.

Quando "The Drew Carey Show" estreou em 1995, os sitcoms estavam em alta. Com o grande sucesso de "Cheers" com Ted Danson nos anos oitenta, muitas séries cômicas surgiram e algumas seguiram o sucesso, como "Seinfeld", "Friends", "The Larry Sanders Show" e "Frasier", um filhote direto de "Cheers", já que o ator Kelsey Grammer trouxe o personagem para o novo programa.

Na esteira destes sucessos, surgiu provavelmente o sitcom mais bagaceiro na questão politicamente incorreta,  o "The Drew Carey Show". O seriado tinha como personagem principal o próprio Drew Carey, que interpretava um funcionário do RH de uma loja de departamentos e diariamente entrava em conflito com a gordinha perua e boca suja Mimi Bobeck (Kathy Kinney) e ainda tinha de lidar com o maluco gerente inglês Nigel Wick (Craig Ferguson). Drew conviva também com dois amigos malucos, o entregador Oswald (Diedrich Bader) e o desocupado Lewis (Ryan Stiler), além da bela Kate (Christa Miller), que durante a série se relacionou com Oswald e depois com Drew.

As histórias eram as mais malucas possíveis, como se fossem episódios de "Seinfeld" sem a ironia dos diálogos, indo direto para as piadas exageradas e algumas cenas voltadas para o pastelão. Um dos fatores do sucesso da série foi o elenco que se manteve por quase todas as nove temporadas, apenas com a saída de Christa Miller que foi trabalhar em "Scrubs" e acabou substituída por Cynthia Watros de "Lost" nas duas últimas temporadas.

O sucesso do seriado abriu as portas para Drew Carey, que emplacou um segundo programa em paralelo, a comédia de improvisos "Whoose Line is it Anyway?". O show era uma cópia de um programa que fez sua sucesso na Inglaterra, onde quatro comediantes participavam de jogos de improviso com participação do público, o que hoje é comum aqui no Brasil com programas como "É Tudo Improviso", "Quinta Categoria" da MTV e ainda a peça de teatro "Jogando no Quintal".

No programa americano Drew Carey era o apresentador e três atores eram fixos: O grandalhão Ryan Stiles, parceiro de Carey no outro show, era um dos comediantes, o escocês Colin Mochrie geralmente fazia os personagens femininos e o showman Wayne Brady era especialista nas paródias musicais. Em cada programa um convidado completava o time de participantes, com algumas figuras carimbadas como Charles Esten, Greg Proops e Brad Sherwood. O charme do show aumentava com o quatro participante era um astro, como Robin Williams, Whoopi Goldberg e Kathy Griffin, que algumas vezes se mostravam seu talento no improviso.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Férias Frustradas

O comediante Chevy Chase surgiu no programa "Saturday Night Live" no meio de um geração talentosa que tinha Steve Martin, John Belushi, Eddie Murphy e Dan Aykoryd. Todos migraram para o cinema na segunda metade dos anos setenta e se firmaram como astros da comédia nos anos oitenta.

Hoje destaco a série de filmes "Férias Frustradas" que Chevy Chase estrelou junto com atriz Beverly D'Angelo e que fez sucesso nos anos oitenta, além de uma continuação tardia nos final dos anos noventa.

Como curiosidade, os três primeiros que destaco aqui, foram roteirizados pelo saudoso John Hughes, mestre da comédia na época que escreveu e dirigiu clássicos como "A Garota de Rosa Shocking", "Clube dos Cinco" e "Curtindo a Vida Adoidado".

Férias Frustradas (Vacation, EUA, 1983) – Nota 6,5
Direção – Harold Ramis
Elenco – Chevy Chase, Beverly D’Angelo, Anthony Michael Hall, Dana Barron, Imogene Coca, Randy Quaid, James Keach, John Candy, Frank McRae, Jane Krakowski, Miriam Flynn.

Clark Griswold (Chevy Chase) junta sua família e pega a estrada em direção a um parque de diversões do outro lado do país. Sua esposa Ellen (Beverly D’Angelo) entra no clima, mas assim que Clark erra o caminho, começam as confusões. O casal de filhos não se bica, a adolescente Audrey (Dana Barron) e o garoto Rusty (Anthony Michael Hall, que se tornaria astro após estrelar “O Clube dos Cinco”) brigam o tempo todo. 

A viagem tem diversas cenas engraçadas, como a velha tia sendo carregada amarrada no teto do automóvel e a pequena participação de John Candy como um guarda do parque do diversões. É uma sessão da tarde descompromissada, que fez muita gente rir nos anos oitenta.

Férias Frustradas II (European Vacation, EUA, 1985) – Nota 5
Direção – Amy Heckerling
Elenco – Chevy Chase, Beverly D’Angelo, Jason Lively, John Astin, Dana Hill, Eric Idle, Robbie Coltrane, Paul Bartel.

Com o sucesso do filme original, os produtores correram para uma sequência das aventuras da família Griswold, porém com algumas mudanças. O diretor Harold Ramis que trabalhou como ator no sucesso de “Os Caça-Fantasmas” no ano anterior, pulou fora da direção, que ficou a cargo de Amy Heckerling. O elenco também perdeu Anthony Michael Hall que interpretava o filho do casal e entre as duas produções ficou famoso, seguindo para outros projetos, assim como a filha interpretada pela desconhecida Dana Barron foi substituida. 

Desta vez Clark (Chevy Chase), sua esposa Ellen (Beverly D’Angelo) e o casal de filhos (os fracos Jason Lively e Dana Hill) ganham um concurso na tv e o prêmio é uma viagem para Europa. Assim como no original, a família se envolverá em diversas confusões, principalmente na Inglaterra e com piadas até sobre a família real, mas sem a mesma graça que o filme anterior. 

Férias Frustradas de Natal (Christmas Vacation, EUA, 1989) – Nota 7
Direção – Jeremiah Chechik
Elenco – Chevy Chase, Beverly D'Angelo, Juliette Lewis, Johnny Galecki, Randy Quaid, William Hickey, John Randolph, Diane Ladd, E. G. Marshall, Doris Roberts, Miriam Flynn, William Hickey, Mae Questel, Sam McMurray.

É natal e Clark Griswold (Chevy Chase) planeja receber seus parentes para comemoração em grande estilo. Ele instala milhares de lâmpadas na casa, prepara uma ceia farta e pensa em todos os detalhes, porém como sempre acontece, o que Clark planeja acaba se transformando em confusão. A grande família é cheia de figuras, como o primo interpretado por Randy Quaid e o estranho tio vivido pela falecido William Hickey. 

É difícil isso acontecer, mas este terceiro filme é o mais engraçado da série, mesmo muda o foco da história. Os outros longas eram road movies e este se passa praticamente todo em casa, tirando sarro das reuniões familiares e valorizado pelo bom elenco de veteranos que interpretam os parentes. Do original, apenas Chase e Bervely D’Angelo como a esposa seguem firme e pela terceira vez o casal de filhos é interpretados por outros atores, aqui pela polêmica Juliette Lewis e por Johnny Galecki. O longa ainda gerou uma continuação tardia em 1997, com o título “Férias Frustradas em Las Vegas”.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Quinta-Feira Violenta


Quinta-Feira Violenta (Thursday, EUA, 1998) – Nota 6,5
Direção – Skip Woods
Elenco – Thomas Jane, Aaron Eckhart, Paulina Porizkova, James LeGros, Paula Marshall, Michael Jeter, Glenn Plummer, Mickey Rourke, Gary Dourden.

Casey (Thomas Jane) vive em Houston no Texas com sua esposa Christine (Paula Marshall) num subúrbio de classe alta, porém sua aparente vida tranquila se transforma numa quinta-feira quando recebe a visita de Nick (Aaron Eckhart), um ex-parceiro com quem traficava drogas. Tendo deixado os erros no passado, Casey aceita deixar o amigo na casa apenas um dia após este dizer que irá viajar para França e se casar. Lógico que a história é outra, na verdade Nick trouxe uma mala recheada de heroína após enganar outros parceiros e até mesmo a polícia, que virão atrás do sujeito e de Casey para reaver o produto. 

Este é o único filme até hoje dirigido pelo roteirista Skip Woods (“X-Men Origens” e “Esquadrão Classe A”), que tenta com menos pretensão seguir o estilo criado em “Pulp Fiction”, com uma história envolvendo drogas, diálogos engraçadinhos e muito sangue, além dos personagens diferentes, mas o resultado não passa do razoável.

Como curiosiodade, existe a pequena participação de Mickey Rourke como um policial corrupto, numa época em que o ator estava em baixa na carreira.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O Substituto 1 & 2



O Substituto (The Substitute, EUA, 1996) – Nota 6,5
Direção – Robert Mandel
Elenco – Tom Berenger, Ernie Hudson, Diane Venora, Glenn Plummer, William Forsythe, Marc Anthony, Raymond Cruz, Cliff DeYoung, Luis Guzman, Rodney A. Grant, Richard Brooks.

O mercenário Jonathan Shale (Tom Berenger) após uma missão em Cuba volta para Miami com o objetivo de encontrar sua namorada, a professora Jane (Diane Venora). Após o reencontro, a professora que trabalha numa escola num perigoso bairro, entra em conflito com um aluno que trafica drogas (Marc Anthony) é acaba sendo espancada. Jonathan resolve se infiltrar na escola como professor substituto para investigar o ocorrido e descobre que o local está tomado por uma gangue de traficantes, o que faz com que ele reúna seu grupo de mercenários para resolver o problema. 

A absurda história fica interessante se analisada como filme de ação, deixando de lado que grande parte destas sequências se passem na escola. O elenco de rostos conhecidos é um ponto a favor e as cenas de ação bem filmadas. O filme teve sequências inferiores feitas para a TV, todas estreladas por Treat Williams.

O Substituto 2 (The Substitute 2: Schools Out, EUA, 1998) – Nota 4
Direção – Steven Pearl
Elenco – Treat Williams, B. D. Wong, Susan May Pratt, Angel David, Michael Michele, Larry Gilliard Jr, Edoardo Ballerini, Daryl Edwards, Eugene Byrd, Christopher Cousins.

Num violento bairro de Nova Iorque, o professor Randahl Thomasson (Christopher Cousins) é assassinado por jovens que pertencem a uma gangue chamada “A Irmandade” e deixa sozinha a filha Anya (Susan May Pratt). No funeral do professor, reaparece seu irmão Karl (Treat Williams), um mercenário que resolve se passar por professor substituto na escola do irmão para descobrir quem foram os assassinos. 

Se o roteiro do original era absurdo, este aqui é uma piada, começando pelo professor assassinado que anteriormente era mercenário assim como o irmão, passando pelas péssimas cenas de ação e pelo vilão, outro ex-combatente que hoje é professor e montou dentro da própria escola um desmanche de carros. Mesmo sendo muito ruim, ainda foram produzidas outras duas sequências com Treat Williams repetindo o personagem.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Um Parto de Viagem

Um Parto de Viagem (Due Date, EUA, 2010) – Nota 7
Direção – Todd Phillips
Elenco – Robert Downey Jr Zach Galifianakis, Michelle Monaghan, Jamie Foxx, Juliette Lewis, RZA, Marco Rodriguez, Jon Cryer, Charlie Sheen.

O arquiteto Peter Highman (Robert Downey Jr) cruza na entrada do aeroporto com o estranho Ethan Tremblay (Zach Galifianakis) e acabam trocando de malas por engano. A dupla volta a se encontrar dentro do avião e por uma confusão os dois acabam expulsos do vôo. Sem cartões ou dinheiro que ficaram em sua carteira no avião, Peter é obrigado a aceitar a carona de Ethan para voltar a Los Angeles a tempo de acompanhar o nascimento de seu filho, dando início a uma maluca viagem atravessando os EUA.

Aproveitando o sucesso de “Se Beber, Não Case”, o diretor Todd Phillips se uniu novamente a Zach Galiafiankis para criar este engraçado road movie que faz piada sobre drogas, terrorismo, morte e paternidade, tendo ainda a ótima ajuda de Robert Downey Jr, que entra no clima como o sujeito esquentado que se mete em confusões e apanha para valer em algumas cenas.

A história lembra muito o clássico do anos oitenta dirigido por John Hughes chamado “Antes Só do que Mal Acompanhado”, onde Steve Martin e John Candy atravessavam os EUA se metendo em diversas confusões.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia


Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (Bring Me the Head of Alfredo Garcia, EUA / México, 1974) – Nota 8
Direção – Sam Peckinpah
Elenco – Warren Oates, Isela Vega, Robert Webber, Gig Young, Helmut Dantine, Emilio Fernandez, Kris Kristofferson.

No México, um chefão do crime (Emilio Fernandez) descobre que a filha está grávida de um certo Alfredo Garcia, um dos seus capangas. Para se vingar, ele pagará um milhão para quem trazer a cabeça do sujeito. A caçada atrai uma dupla de mercenários americanos (Robert Webber e Gig Young) que durante a busca ao foragido encontram numa boate mexicana o músico Bennie (Warren Oates), que conhece Alfredo e percebe que pode lucrar com a situação. Bennie resolve investigar por conta própria e descobre que Alfredo passou alguns dias com a prostituta Elita (Isela Vega), que também é sua amante. Ao confrontar Elita, ela conta que Alfredo morreu em um acidente de carro num povoado. O esperto Bennie negocia o assassinato de Alfredo com os mercenários que escondem o verdadeiro valor da recompensa e dizem que pagarão mil dólares pela cabeça de Alfredo. Bennie aceita o acordo, esconde que Alfredo já está morto e junto com Elita sai em busca da cabeça do sujeito pensando ser um trabalho fácil, porém outros também estão atrás da recompensa, o que dará início a uma sequência de violência, mortes e vingança. 

A carreira do grande diretor Sam Peckinpah é marcada por ótimos filmes repletos de violência, na sua maioria com personagens marginais. Este longa é um clássico que se tornou cult por vários fatores: A violência filmada em câmera lenta, marca registrada do diretor e copiada a exaustão nos dias de hoje, um personagem principal desonesto e apaixonado por uma prostituta, vivido por falecido Warren Oates, que quase sempre foi vilão no cinema, além de ser um filme sujo, que mostra muito sangue, poeira e cortiços da Cidade do México, sem contar a cabeça de Alfredo Garcia dentro de um saco repleto de moscas, que é carregada pelo protagonista por quase metade do filme.