terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O Senhor das Armas


O Senhor das Armas (Lord of War, EUA, 2007) – Nota 7,5
Direção – Andrew Niccol
Elenco – Nicolas Cage, Jared Leto, Bridget Moynahan, Ethan Hawke, Ian Holm, Eammon Walker.

Nicolas Cage é Yuri Orlov, filho de imigrantes ucranianos que vivem em Brighton Beach, Nova Iorque e tem um pequeno restaurante onde ele e o irmão mais novo Vitaly (Jared Leto) trabalham, mas vivem insatisfeitos. Num certo dia, Yuri presencia um mafioso local sendo assassinado e descobre uma forma diferente de ganhar dinheiro, ele começa a traficar armas. 

O filme começa nos anos oitenta quando Yuri inicia o negócio e durante vinte anos ele irá expandir seu negócio se aproveitando de diversos conflitos no planeta, começando com o declínio da União Soviética que despejou um arsenal completo de armas nas mãos de traficantes e terroristas, passando pela Guerra das Balcãs, América Latina e África. 

A história mescla realidade com um narração irônica do próprio personagem de Cage, que conta sua vida desde o início da carreira,  mostrando sua ascensão, o conflito com outro grande traficante de armas (Ian Holm) e sua relação com o sanguinário ditador da Libéria (Eammon Walker), além da perseguição de um agente do FBI (Ethan Hawke), até as consequências do relacionamento com o irmão, os pais e sua esposa (a bela Bridget Moynahan).

Mesmo o personagem principal tentando lavar as mãos, dizendo que apenas vende as armas e não mata ninguém, no fundo percebe-se que ele sabe bem o mal que está fazendo e qual o preço a pagar, o que ele aceita. 

O filme tem uma ótima sequência inicial que mostra desde a fabricação de uma bala, passando por sua comercialização ilegal até chegar a um alvo humano. 

O final mostra porque os governos não fazem força para acabar com os conflitos e deixa bem claro como a indústria da guerra é lucrativa, não interessando quantas vidas serão perdidas neste caminho.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Um Homem Misterioso


Um Homem Misterioso (The American, EUA, 2010) – Nota 7,5
Direção – Anton Corbijn
Elenco – George Clooney, Violante Placido, Thekla Reuten, Johan Leysen, Paolo Bonacelli, Irina Bjorklund.

Numa cabana no meio de um local isolado cheio de neve, um sujeito (George Clooney) parece viver um romance com uma bela mulher (Irina Bjorklund), porém ao passear pelo bosque gelado, ele percebe ter algo errado e rapidamente mata outro homem antes de ser assassinado e em seguida mata ainda a mulher e um parceiro do sujeito morto. 

Após o ocorrido ele foge para Itália e entra em contato com um homem chamado Pavel (Johan Leysen), que o chama de Jack e aí descobrimos que o local anterior era na Suécia. Pavel indica que Jack deve ir para uma pequena cidade e esperar o contato para um próximo trabalho, dizendo ainda para que ele não faça amizades no local. Na pequena cidade Jack encontra Mathilde (Thekla Reuten), que encomenda uma arma especial para ser entregue em alguns dias. Enquanto os dias passam, Jack utiliza o nome de Edward e se envolve com uma prostituta, Clara (Violante Placido) e com o padre da cidade (Paolo Bonacelli), com quem troca curtos e preciosos diálogos. Estes dois personagens são o empurrão para Jack/Edward dizer a Pavel que este seria seu último trabalho antes de se aposentar, porém este tipo de situação para um fora da lei não acontece facilmente. 

O diferencial deste longa dirigido pelo holandês Corbijn (“Control”) é o ritmo lento, quase contemplativo em algumas passagens, ao utilizar muito bem os belíssimos cenários naturais da pequena cidade italiana. O roteiro dá ao espectador apenas informações básicas, não sabemos o nome verdadeiro ou o passado do personagem de Clooney, que ao mesmo tempo é um assassino e um artesão especializado em armas e qual a sua ligação com Pavel, que parece ser uma espécie de intermediário. 

O elenco recheado de atores europeus e o cenário do velho continente, além das cenas de ação simples sem efeitos especiais, lembram filmes do gênero dos anos sessenta e setenta, onde atores como Michael Caine e Charles Bronson interpretavam o sujeito misterioso com passado nebuloso.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal


Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull, EUA, 2008) – Nota 8
Direção – Steven Spielberg
Elenco – Harrison Ford, Cate Blanchett, Karen Allen, Shia Labeouf, Ray Winstone, John Hurt, Jim Broadbent.

Demorou até demais para que Steven Spielberg, Harrison Ford e George Lucas resolvessem continuar a saga de Indiana Jones, exatamente dezenove anos separam este de “A Última Cruzada” e provavelmente aí esteja o problema, apesar do resultado final ser bem legal e acima da média das produções do gênero atuais, o tempo de espera quebrou o ritmo e o encanto de grande parte do público com o personagem. 

Aqui Indiana (Harrison Ford) é procurado pelo garoto Mutt (Shia Labeouf), que disse estar preocupado com seu amigo, o professor Oxley (John Hurt), também amigo de Indiana, que foi procurar a cidade perdida de Eldorado na Amazônia, após achar a Caveira de Cristal do título e acabou seqüestrado, assim como a mãe do garoto, Marion (Karen Allen) uma antiga namorada de Indiana. Seguindo as instruções do professor, ele pede ajuda a Indiana para que este o acompanhe na procura de sua mãe e do próprio professor. 

Se o filme anterior se passava na década de trinta e Indiana enfrentava os nazistas, aqui a história se passa em 1957 e os inimigos da época eram os russos, no filme sendo liderados por Irina Spalko (Cate Blanchett brincando de vilã) e como a diferença de tempo entre os filmes é grande, o roteiro traz boas piadas sobre o envelhecimento de Indiana e mesmo assim ele ainda participa de várias cenas de ação, logicamente que a maioria acabou sendo feita por dublês. 

Como escrevi no início, o problema maior é o tempo que o personagem ficou hibernando, com certeza um Harrison Ford um pouco mais novo e com o personagem ainda fresco na mente dos fãs, o resultado poderia ser ainda melhor, mas mesmo assim Indiana é sempre Indiana e o filme vale cada centavo do ingresso. Além disso, quem sabe a franquia não continue em breve com Shia Labeouf como herdeiro do herói? É esperar para ver.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Agora ou Nunca


Agora ou Nunca (All or Nothing, Inglaterra / França, 2002) – Nota 7,5
Direção – Mike Leigh
Elenco – Timothy Spall, Lesley Manville, James Corden, Alison Garland, Ruth Sheen, Sally Hawkins, Helen Coker, Daniel Mays.

Esta interessante e realista história tem como personagens alguns moradores de um condomínio de classe baixa em Londres. 

A história foca principalmente na família de Phil (Timothy Spall), um motorista de taxi de meia-idade, frustrado com sua vida, tanto pelo emprego onde ganha pouco, como pelo frio relacionamento com a esposa Penny (Lesley Manville), que trabalha como caixa em um supermercado e parece não suportar mais a família. O casal tem dois filhos obesos, a garota (Alison Garland) vive deprimida e trabalha como faxineira em um asilo, já o filho (James Corden) não tem ocupação e desconta seu ódio nas discussões com a mãe. Um acontecimento triste fará com os personagens mostrem seus verdadeiros sentimentos. 

O roteiro traz ainda dois pólos secundários, o primeiro com uma mãe solteira (Ruth Sheen) que tenta criar a filha rebelde que está apaixonada por um cafajeste e o segundo sobre um complicado casal que não dá a mínima atenção a filha (a ótima Sally Hawkins), que se mostra irresponsável e vive praticamente sozinha. 

O resultado é um sensível drama urbano, que mostra como a difícil luta diária pelo sustento e as frustrações acumuladas na vida podem afastar as pessoas, mesmo que elas se amem e que apenas uma tragédia ou algum fato importante faz com que eles repensem a situação. 

Não é um grande filme, mas tem uma história para se pensar com carinho e ver como um sorriso e a alegria nas pequenas coisas podem fazer bem a alma e ao coração.   

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A Noite das Brincadeiras Mortais & Eu Vi o Que Você Fez e Eu Sei Quem Você É


Fred Walton foi um dos vários diretores que surgiram nos anos oitenta e tentaram fazer carreira com filmes de suspense e terror. Não sendo dos piores, ele dirigiu alguns filmes curiosos como "O Mistério do Rosário Negro" com Donald Sutherland, tendo estreado com o suspense "Quando um Estranho Chama", que foi refilmado em 2006. Aqui eu cito dois outros filmes deste diretor, inclusive um que também foi refilmado em 2008, chamado "A Noite das Brincadeiras Mortais" e não duvido que "Eu Vi o Que Você Fez e Eu Sei Quem Você É" também não ganhe uma nova versão. Ele longa fez sucesso no mercado de vídeo na época.


A Noite das Brincadeiras Mortais (April Fool’s Day, EUA, 1986) – Nota 6
Direção – Fred Walton
Elenco – Deborah Foreman, Griffin O’Neal, Clayton Rohner, Thomas F. Wilson, Deborah Goodrich, Ken Olandt, Leah King Pinsent, Amy Steel.

Um grupo de amigos vai passar um final de semana numa casa de férias em uma ilha, mas o quera para se uma festa se transforma em horror quando mortes estranhas começam a acontecer e ninguém sabe quem é o responsável. 

O longa segue a linha do sucesso da série “Sexta-Feira 13” e constrói interessantes cenas de mortes, porém muda um pouco o foco em relação ao clássico citado, principalmente por uma curiosa reviravolta do roteiro ao final do longa. 

Outro ponto interessante é o elenco cheio eternos coadjuvantes, como Griffin O’Neal filho do astro Ryan O’Neal, as belas Deborah Foreman e Deborah Goodrich que fizeram vários filmes pequenos nos anos oitenta e Thomas F. Wilson, o Biff da trilogia “De Volta Para o Futuro”. 

Vale como diversão descompromissada e para comparar com a versão de 2008. 

Eu Vi o Que Você Fez e Eu Sei Quem Você É (I Saw What You Did, EUA, 1988) – Nota 6
Direção – Fred Walton
Elenco – Shawnee Smith, Tammy Lauren, Candace Cameron, Robert Carradine, David Carradine.

Duas garotas (Shawnee Smith e Tammy Lauren) resolvem passar trotes por telefone para diversos números aleatórios e dizer para quem atende ”Eu Vi o que Você Fez e Eu Sei Quem Você É”,  para assustar a pessoa e depois darem risadas. Uma destas ligações é atendida pelo psicopata Adrian Lancer (Robert Carradine), que acabara de assassinar sua família e responde assustado a frase das jovens, que também ficam curiosas em saber quem atendeu. Elas voltam a ligar e o sujeito acreditando serem testemunhas do crime, faz de tudo para descobrir quem são as garotas com o intuito de matá-las também. 

Este filme feito para a TV começa com uma premissa interessante e diferente, porém com um desenrolar apenas razoável e um final previsível. Como curiosidade, temos Shawnee Smith da série “Jogos Mortais” como protagonista ainda bem jovem.


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Bombas - Piores Filmes com Adam Sandler

Começo esclarecendo que considero Adam Sandler um comediante talentoso e até um bom ator. Gosto de comédias leves como "Afinado no Amor" e "Como Se Fosse a Primeira Vez", onde ele fez par com Drew Barrymore e de seu trabalho no diferente "Embrigado de Amor" de Paul Thomas Anderson, mas reconheço que muitos dos seus filmes são ruins, inclusive ele brinca com esse fato interpretando um comediante famoso em "Tá Rindo do Quê? ao lado de Seth Rogen.

Nesta lista cito os piores filmes de Sandler que assisti, não estou considerando tranqueiras como "Zohan" e "Little Nick", longas que não tive coragem de encarar.


Um Maluco no Golfe  (Happy Gilmore, EUA, 1996) – Nota 5,5
Direção – Dennis Dugan
Elenco – Adam Sandler, Christopher McDonald, Julie Bowen, Frances Bay, Carl Wheathers, Allen Covert, Richard Kiel, Dennis Dugan, Joe Flaherty, Kevin Nealon, Ben Stiller.

Happy Gilmore (Adam Sandler) é um jogador de hockey, mas por um acaso e para conseguir dinheiro e manter a casa da avó (Frances Bay), ele se torna golfista. Utilizando métodos estranhos, para não dizer estúpidos, além de roupas exageradas, ele se torna sensação do esporte e desperta a ira de outro jogador, Shooter McGavin (o canastrão Christopher McDonald). 

Este longa é o primeiro que Sandler fez com o diretor Dennis Dugan e não é diferente da maioria, com poucas piadas engraçadas e muitos absurdos. 

O Rei da Água (The Waterboy, EUA, 1998) – Nota 4
Direção – Frank Coraci
Elenco – Adam Sandler, Kathy Bates, Fairuza Balk, Henry Winkler, Jerry Reed, Rob Schneider, Larry Gilliard Jr, Clint Howard, Allen Covert.

Bobby Boucher (Adam Sandler) é um sujeito bobalhão e trabalha como “O Garoto da Água” para um time de futebol americano. Ele é protegido pela mãe (Kathy Bates), porém mal tratado por todo o time e principalmente pelo técnico (Jerry Reed), que após uma confusão expulsa Bobby do time. Querendo ajudar, Bobby aceita trabalhar de graça para um time rival e por acaso acaba sendo descoberto por seu talento para derrubar adversários, o que faz com o técnico (Henry Winkler) deste novo time o contrate para jogar, iniciando uma sequência de vitórias até o inevitável confronto com o time que o expulsou. 

Por incrível que pareça este longa que é um dos piores da carreira de Sandler fez sucesso nos EUA e elevou ainda mais seu cartaz como astro. O filme é americano demais, recheado de piadas estúpidas sobre futebol americano e um personagem estranho, que somente poderia ter saído da cabeça de Sandler.

O Paizão (Big Daddy, EUA, 1999) – Nota 6
Direção – Dennis Dugan
Elenco – Adam Sandler, Joey Lauren Adams, Rob Schneider, Jon Stewart, Cole & Dylan Sprouse, Leslie Mann, Josh Mostel, Joseph Bologna, Steve Buscemi, Kristy Swanson.

Aos 32 anos, Sonny Coufax (Adam Sandler) vive como um adolescente, não tem emprego fixo e enrola a namorada (Kristy Swanson). Quando seu melhor amigo e colega de quarto, Kevin (Jon Stewart) descobre ser pai de um garoto, Sonny para ajudá-lo resolve cuidar do menino e o usa como filho para impressonar a namorada, porém a manobra dá errado e ela o abandona. Tendo de cuidar do garoto, a princípio ele quer devolvê-lo, depois se apega e por último terá de lutar para não perde-lo. 

Dos piores filmes de Sandler este até que é razoável, apesar da história clichê e das piadas escatológicas, muitos podem gostar da relação que se cria entre Sandler e o menino, além de ter no elenco a simpática Joey Lauren Adams como interesse amoroso e Rob Schneider interpretando um estranho entregador de comida chinesa.

A Herança de Mr. Deeds (Mr. Deeds, EUA, 2002) – Nota 5
Direção – Steven Brill
Elenco – Adam Sandler, Winona Ryder, John Turturro, Peter Gallagher, Allen Covert, Jared Harris, Erick Avary, Peter Dante, Conchata Ferrell, Harve Presnell, John McEnroe, Steve Buscemi, Rob Schneider.

Longfellow Deeds (Adam Sandler) vive numa pequena cidade onde é dono de uma pizzaria, até que num certo dia recebe a visita de dois executivos informando que um tio distante deixou uma fortuna como herança para ele. Deeds aceita a herança e parte para rececer a herança na cidade grande, onde irá conhecer todas as posses deixadas pelo tio. Ao mesmo tempo, uma repórter sensacionalista (Winona Ryder) se aproxima de Dedds para investigar sua vida, mas acaba se apaixonando pelo sujeito. Lógico que Deeds terá de lutar contra outro sujeito que deseja a herança (Peter Gallagher) usando seu jeito humilde. 

Este filme entra na lista de refilmagens desnecessárias e até absurdas, o original “O Galante Mr. Deeds” de 1936 com Gary Cooper no papel principal, é um dos clássicos da carreira do grande diretor Frank Capra e dispensa qualquer tipo de nova versão. Podemos até aceitar que Sandler esteja bem, mais contido que em alguns filmes, porém são poucas piadas aproveitáveis, além dos péssimos papeis de Winona Ryder e de John Turturro pagando mico como mordomo.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Foi Apenas um Sonho


Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, EUA / Inglaterra, 2008) – Nota 8
Direção – Sam Mendes
Elenco – Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Kathy Bates, Michael Shannon, Kathryn Hahn, David Harbour, Dylan Baker, Zoe Kazan, Jay O. Sanders, Richard Easton, Max Baker, Max Casella.

Nos anos cinquenta, Frank (Leonardo DiCaprio) e April (Kate Winslet) se conhecem ainda jovens e logo se casam. Após alguns anos, já com dois filhos, o casal passa por uma séria crise. Frank está descontente com o emprego de vendedor em uma empresa onde seu pai trabalhou por vinte anos, enquanto April tentou ser atriz mas fracassou. Para tentar salvar o casamento, April convence Frank a se mudar para Paris, local que ele conheceu durante a 2º Guerra e que dizia ser especial quando o casal ainda namorava. Os planos são vistos como um erro pelos amigos do casal e além disso algumas novas situações irão atrapalhar o sonho. 

A nova reunião do par central de “Titanic” e ainda de Kathy Bates que também trabalhou no longa de James Cameron, é uma visão triste e verdadeira dos problemas enfrentados pelos casais na década de cinqüenta nos EUA, onde machismo, preconceitos e as aparências eram mais importantes que o sentimento de cada um. 

O diretor Sam Mendes assim como no ótimo “Beleza Americana”, critica a classe média e seus dogmas da época. Ele mostra o primeiro encontro do casal em clima de romance e rapidamente pula alguns anos para a vida de casado e com menos de quinze minutos de filme vemos uma terrível discussão, onde fica claro que existe muita coisa errada naquele relacionamento. 

Com o desenrolar da história percebe-se toda a insatisfação da personagem de Kate Winslet, que tinha muitos sonhos, sendo que em parte alimentados pelo personagem de Leonardo DiCaprio, que com o passar do tempo e o nascimento dos filhos, mostra a frustração com o emprego, mas ao mesmo tempo pensa na comodidade e segurança da vida que leva, mesmo que isso ajude a arruinar seu casamento. 

É interessante perceber que os coadjuvantes também passam por problemas parecidos, a diferença é o silêncio, como do casal amigo vivido por Davir Harbour e Kathryn Hahn, ele apaixonado pela personagem de Kate Winslet, mas que precisa viver com a esposa dona de casa, que mostra felicidade porém é amargurada por dentro e que ainda precisa cuidar de quatro filhos pequenos que praticamente ignoram o pai. 

Outro ponto interessante é a personagem de Kathy Bates, que tenta viver num conto de fadas com o marido, mas precisa conviver com o filho que é tratado como louco por dizer tudo que pensa, sendo interpretado pelo ótimo Michael Shannon, personagem que pode ser considerado o mais lúcido deste ótimo e triste longa.    

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A Vida em Preto e Branco


A Vida em Preto e Branco (Pleasantville, EUA, 1998) – Nota 8
Direção – Gary Ross
Elenco – Tobey Maguire, Reese Witherspoon, William H. Macy, Joan Allen, Jeff Daniels, J. T. Walsh, Don Knotts, Marley Shelton, Jane Kaczmarek, Paul Walker, Giuseppe Andrews, Marissa Ribisi.

O jovem David (Tobey Maguire) é grande fã do antigo seriado em preto e branco “Pleasantville”, que se passa numa cidadezinha americana dos anos cinqüenta e todos os personagens vivem em famílias perfeitas, o verdadeiro sonho americano. No dia em que haverá um maratona de episódios na TV, David briga com sua irmã gêmea Jennifer (Reese Witherspoon) pela controle remoto, que acaba sendo destruído. Do nada aparece um homem (o veterano e já falecido comediante Don Knotts) na porta da casa dos irmãos com um novo controle remoto. Os irmãos aceitam o objeto, mas quando ligam a TV, num passe de mágica são levados para dentro do seriado. Tendo de conviver com pessoas que vivem uma rotina de valores completamente diferentes dos atuais, suas atitudes modificam o comportamento de todos, despertando desejos desconhecidos, insatisfações e até o preconceito. 

O roteiro do diretor Gary Ross é uma fábula sensível e curiosa, que mostra como o ser humano é complexo e sua dificuldade em aceitar qualquer tipo de mudança o afeta. O filme mostra vários exemplos, como a diferença entre o namorar nos anos cinqüenta e a liberdade sexual de hoje, a frustração na personagem de Joan Allen quando percebe que sua vida se resume a cuidar da casa, filhos e marido ou ainda a descoberta artística do personagem de Jeff Daniels. 

O roteiro toca ainda no preconceito, a partir do momento em o preto e branco da cidade vai se colorindo e como cada personagem ganha cor após descobrir o que tem escondido dentro de si, isso gera o preconceito daqueles que estão reprimidos, neste exemplo uma parábola ao racismo nos EUA dos anos cinqüenta. 

É um longa que merece ser visto por todos motivos citados e ainda pela bela fotografia em preto e branco e pelo colorido final da história.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A Montanha dos Sete Abutres

A Montanha dos Sete Abutres (Ace in the Hole, EUA, 1951) – Nota 8
Direção – Billy Wilder
Elenco – Kirk Douglas, Jan Sterling, Robert Arthur, Porter Hall, Frank Cady, Richard Benedict.

O repórter Charles Tatum (Kirk Douglas) é um sujeito ambicioso e por este motivo foi despedido de diversos empregos, sendo obrigado a trabalhar num pequeno jornal na cidade de Albuquerque no Novo México. Num dia qualquer, ele é enviado com um auxiliar, Herbie (Robert Arthur) para cobrir um festival de caça as cascavéis, porém no meio do caminho eles se deparam com a história de um sujeito, Leo Minosa (Richard Benedict) que está preso numa mina, local que são ruínas indígenas, a “Montanha dos Sete Abutres” do título e Tatum vê neste fato a chance de ficar famoso e conseguir emprego num grande jornal.

O que a princípio seria um resgate que demoraria um dia, se transforma num circo quando Tatum manipula a situação, primeiro faz um grande alarde sobre o acidente, o que atraí muitas pessoas, inclusive de fora da cidade, depois faz acertos com o xerife para ter acesso exclusivo ao local e com o responsável pelo resgate, alegando que a situação deveria demorar um semana para que toda a cidade lucre e por último com a esposa de Leo, a dona da lanchonete Lorraine (Jan Sterling), que se passa pela esposa desesperada quando na verdade estava quase se separando do marido. Toda esta situação não terminará bem.

Apesar do filme ter quase sessenta anos, hoje ele é mais atual do que na época. A manipulação da notícia sempre existiu, mas a transformação desta em espetáculo era exceção nos anos cinqüenta e hoje infelizmente é fato normal. Este filme deveria ser obrigatório para os cursos de jornalismo para mostrar que a função do jornalista é divulgar a notícia e não criar o fato ou manipular a história.

Na época o longa foi um fracasso, mas com o passar dos anos se tornou quase um clássico, tanto pela polêmica da história, quanto pela ótima direção do grande Billy Wilder e pela interpretação perfeita de Kirk Douglas.

A história é baseada num fato real acontecido na década de vinte nos EUA.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Missão Impossível III


Missão Impossível III (Mission: Impossible III, EUA / Alemanha, 2006) – Nota 7,5
Direção – J. J. Abrams
Elenco – Tom Cruise, Philip Seymour Hoffman, Ving Rhames, Billy Crudup, Michelle Monaghan, Jonathan Rhys Meyers, Maggie Q, Simon Pegg, Keri Russell, Eddie Marsan, Laurence Fishburne, Bahar Soomekh, Greg Grunberg.

O longa começa com o agente Ethan Hunt (Tom Cruise) sendo torturado por Owen Davian (Philip Seymour Hoffman), que tem ainda em seu poder a noiva de Ethan, Julia (Michelle Monaghan). A partir daí a história é contada em flashback, começando na festa de noivado de Ethan e Julia quando John Musgrave (Billy Crudup), chefe de Ethan, informe que sua pupila Lindsey (Keri Russell) fora seqüestrado por Davian. Etham que hoje apenas treina novos agentes, resolve voltar a ativa para tentar salvar a jovem e reúne um novo time, tendo como veterano apenas Luther Stickwell (Ving Rhames). A questão é que a noiva não sabe da profissão de Ethan e além disso ele se deixará influenciar pelos sentimentos, o que irá atrapalhar a missão. 

Com uma história superior ao filme anterior, as boas cenas de ação e o elenco competente, principalmente o vilão de Philip Seymour Hoffman, o resultado é um bom longa de ação e suspense, valorizado ainda mais pela direção e o roteiro de J. J. Abrams, que mostra aqui ter talento para seguir sua carreira no cinema, além do seriado “Lost”.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Prêmio Dardos

Agradeço ao amigo Dan do blog A Falha de Obi-Wan pela indicação do meu blog ao Prêmio Dardos.


As regras são as seguintes:

1. Exibir a imagem do selo no seu blog
2. Linkar o blog pelo qual recebeu a indicação.
3. Escolher outros blogs para receber o Prêmio Dardos
4. Avisar aos escolhidos.

Blogs indicados:

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O Marido Era o Culpado (Sabotagem) & O Agente Secreto



Nesta postagem escrevo sobre dois filmes baseados no mesmo livro de Joseph Conrad, a primeira versão dirigida por Hitchcock nos anos trinta, ainda na fase inglesa do diretor e a segunda produzida nos anos noventa, sessenta anos depois.

O Marido Era o Culpado ou Sabotagem (Sabotage, Inglaterra, 1936) – Nota 7
Direção – Alfred Hithcock
Elenco – Sylvia Sidney, Oskar Homolka, John Loder, Desmond Tester.

Em Londres ocorre um blecaute causado pelo Sr. Verloc (Osakar Homolka), dono de um cinema e casado com a jovem Sylvia (Sylvia Sidney). O acontecimento tinha como objetivo levar terror a cidade, porém não causa o efeito desejado e um grupo de homens para quem Sr. Verloc trabalha, somente pagará o prometido pelo trabalho após outro ataque que dê resultado. Desta vez o objetivo é detonar uma bomba na famosa Picadilly Circus. A situação é complexa por que um agente da Scotland Yard, o Sargento Ted Spencer (John Loder) trabalha disfarçado de vendedor ao lado do cinema e usa a esposa do Sr. Verloc para vigiar o suspeito. 

Este filme ainda da fase inglesa de Hitchcock é uma obra menor, mas mesmo assim seu talento para criar suspense está aqui, principalmente na ótima sequência em que o irmão de Sylvia, o garoto Stevie (Desmond Tester) atravessa a cidade de Londres com dois rolos de filme e um bomba dentro de um pacote, com o garoto não tendo a mínima idéia de que está sendo usado pelo cunhado para entregar o artefato explosivo. As novas gerações com certeza acharão o filme lento e cansativo em algumas passagens, mas vale como curiosidade para o cinéfilo que gosta de raridades. 

Como curiosidade, na tv a cabo o longa ganhou o título de “Sabotagem”. Não confundir com outro longa de Hithcock produzido nos EUA em 1942 e chamado “Sabotador”, título original “Saboteur”.

O Agente Secreto (The Secret Agent, Inglaterra, 1996) – Nota 7
Direção – Christopher Hampton
Elenco – Bob Hoskins, Patricia Arquette, Gerard Depardieu, Robin Williams, Jim Broadbent, Christian Bale, Eddie Izzard, Julian Wadham, Peter Vaughan.

Em 1880 na cidade de Londres, a jovem Winnie (Patricia Arquette) se casa com um homem mais velho, o Sr. Verloc (Bob Hoskins) pensando em garantir seu futuro e o do irmão mais novo Stevie (Christian Bale) que tem problemas mentais, porém ela não imagina que o sujeito faz parte de uma organização terrorista que planeja um atentado na cidade, além disso o Sr. Verloc pensa em utilizar o jovem cunhado no ataque. 

Este adaptação do livro de Joseph Conrad  é bem diferente da versão de Hitchcock, mas no geral os filmes se equivalem na qualidade. O público atual com certeza gostará mais desta versão, pela ritmo mais ágil e principalmente pelo elenco, que tem ainda nomes como Depardieu, Jim Broadbent e Robin Williams como o professor especialista em montar bombas. 

O diretor Christopher Hampton que fez ainda “Carrington – Dias de Paixão” é mais conhecido como roteirista de filmes como “O Segredo de Mary Reilly”, “A Americano Tranquilo” e “Desejo e Reparação”.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Obrigado Por Fumar


Obrigado Por Fumar (Thank You for Smoking, EUA, 2005) – Nota 7,5
Direção – Jason Reitman
Elenco – Aaron Eckhart, Maria Bello, Cameron Bright, J. K. Simmons, Sam Elliott, Katie Holmes, Todd Louiso, William H. Macy, David Koechner, Kim Dickens, Robert Duvall, Adam Brody, Rob Lowe, Dennis Miller.

Nick Naylor (Aaron Eckhart) é um lobista das indústrias de cigarro, tendo como trabalho tentar minimizar os verdadeiros riscos que o fumante corre e para isso participa inclusive de programas de televisão para defender os fumantes e as indústrias. Sendo uma figura conhecida, Nick se torna aliado de um agente de atores (Rob Lowe), que tentará ajudar a promover o cigarro em seus filmes, porém ao mesmo tempo é alvo de um senador (William H. Macy) que deseja se promover combatendo a indústria do tabaco. Nick alega que faz seu trabalho pelo dinheiro e que defende a liberdade de escolha dos fumantes, mas passa a se preocupar quando seu filho (Cameron Bright) começa a questioná-lo sobre o trabalho e quando uma repórter (Katie Holmes) resolve investigar sua vida. 

Antes do sucesso de “Juno”, o diretor Jason Reitman já mostrava aqui que era algo mais do que o filho de Ivan Reitman (“Os Caça Fantasmas”, “Irmãos Gêmeos”) ao entregar um longa com um roteiro cínico e crítico, que cria um personagem carismático que usa sua inteligência e poder de sedução para defender um dos segmentos mais odiados do planeta. 

Ao longo do filme ele cruza com outros personagens que tentam lucrar as custas do cigarro, tanto aqueles que lutam contra, quanto os que defendem esta indústira, mas neste caso sempre as escondidas, deixando Nick dar a cara para bater.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Avatar


Avatar (Avatar, EUA / Inglaterra, 2009) – Nota 8,5
Direção – James Cameron
Elenco – Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi, Joel David Moore, CCH Pounder, Wes Studi, Laz Alonso, Dileep Rao.

No futuro, os humanos construiram uma base no planeta Pandora com o objetivo de explorar as riquezas mineirais do local, o que causa um conflito com os nativos do planeta, os Na’vi. Para tentar criar um elo com os nativos facilitando o contato, um grupo de cientistas liderados pela Dr. Grace Augustine (Sigourney Weaver) criou um avatar (um cópia dos Na’vi controlada pela mente da cientista). Um outro cientista chamado Norm (Joel David Moore) e o fuzileiro naval paraplégico Jake Sully (Sam Worthington) também entram no projeto e para surpresa de todos, o avatar de Jake acaba sendo adotado pela filha do líder Na’vi, a guerreira Neytiri (Zoe Saldana) e  inicia um processo de adaptação à cultura dos nativos, tendo de superar desafios e ganhar a confiança deles. O problema é que o exército liderado pelo Coronel Quaritch (Stephen Lang) não acredita em acordo e deseja expulsar os nativos para conseguir explorar o planeta em busca de lucro. Este será o início de uma guerra onde Jake terá de decidir qual lado defender. 

O diretor James Cameron demorou doze anos após o estrondoso sucesso de “Titanic” para criar esta obra de ficção inovadora que bateu todos os recordes de bilheteria. O fantástico visual faz o espectador acreditar que o planeta é real e suas criaturas, tantos os gigantes humanóides Na’vis, quanto os diversos animais que aparecem na tela são perfeitos. 

Confesso que a onda de filmes que abusam da computação gráfica nem sempre me agradam, gosto de ver pessoas e a recriação destas como em “O Expresso Polar” e “Beowulf” soam falsas para meu gosto, mas aqui em “Avatar” conseguiram chegar o mais próximo possível da realidade, deixando a impressão que os Na’vi realmente existem. 

Outro ponto positivo é o roteiro, mesmo que os diálogos não sejam dos melhores, os vários temas que cercam a história enriquecem o filme. Em grande parte o longa é uma história de amor até certo ponto ingênua, misturada com o sentimento de ser útil e superar as limitações mostrada pelo personagem de Sam Worthington, ainda com toques de religião e finalizando com uma crítica as guerras que visam apenas o lucro. 

Um ótima diversão e mais um grande acerto na carreira de James Cameron.