quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Violência Gratuita

Violência Gratuita (Funny Games, Áustria, 1997) – Nota 7,5
Direção – Michael Haneke
Elenco – Susanne Lothar, Ulrich Muhe, Arno Frisch, Frank Giering.

O casal Georg e Anna (Ulrich Muhe e Susanne Lothar) viajam para sua casa de veraneio junto com o filho pré-adolescente. Chegando no local, eles percebem uma atitude estranha do vizinho, que tem dois jovens ao seu lado.

Após algum tempo estes dois jovens (Arno Frisch e Frank Giering) entram na casa e transformam a família em refém, dando início a um jogo de poder e humilhação, utilizando violência física e psicológica para aterrorizar o casal e seu filho. 

O cinema do diretor austríaco Michael Haneke não é para todos, adepto de um ritmo lento e algumas sequências em silêncio, onde a sugestão e os pequenos detalhes são importantíssimos, ele cria um clima quase insuportável, em que a dupla de psicopatas sem motivo algum, inventa jogos doentios com frieza e crueldade. De modo cínico, um deles ainda conversa com a câmera, como que dizendo para o espectador que a tragédia ainda não acabou. 

O próprio Haneke refilmou a história numa versão americana, porém ainda não conferi para poder comparar.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Extermínio 1 e 2


Extermínio (28 Days Later…, Reino Unido, 2002) – Nota 8
Direção – Danny Boyle
Elenco – Cillian Murphy, Naomie Harris, Megan Burns, Christopher Eccleston, Brendan Gleeson, Noah Huntley.

O longa começa com um grupo de ativistas atacando um laboratório e libertando alguns chimpanzés que eram usados como cobaia. O problema é que estes animais estavam infectados com um  vírus chamado Rage, que ao contaminar um humano o transforma num violento zumbi sedento por sangue e carne. 

Após vinte e oito dias do ocorrido, o jovem Jim (Cillian Murphy) acorda do coma e percebe que a cidade de Londres está abandonada. Ele sai pela cidade e encontra um casal (Naomi Harris e Noah Huntley) e descobre que a maioria da população foi infectada pelo vírus e os poucos sobreviventes precisam se esconder. Durante a fuga eles irão se refugiar num apartamento onde um pai (Brendan Gleeson) e a filha (Megan Burns) tentam se proteger. No local, eles ouvem uma transmissão de rádio dizendo para os sobrevivente seguirem para Manchester, onde a princípio seria um local seguro. Este fato faz com que grupo tente atravessar o país buscando a salvação. 

Após ter ficado famoso por “Cova Rasa” e “Trainspotting”, o diretor Danny Boyle fez o também interessante, porém criticado “A Praia” com Leonardo DiCaprio e após isso resolveu voltar as origens e dirigir este ótimo longa de pequeno orçamento, que bebe na fonte dos filmes de zumbis de George Romero. 

A primeira parte que se passa numa Londres abandonada é sensacional, com os personagens tendo de fugir dos infectados pela cidade, lembrando um pouco “A Última Esperança da Terra”, clássico da ficção feito nos anos setenta com Charlton Heston. A parte final do longa foca mais na violência, com ataques assustadores dos zumbis e a entrada em cena de um grupo de soldados do exército. Uma ótima pedida para quem gosta do gênero.

Extermínio 2  (28 Weeks Later, Reino Unido / Espanha, 2007) – Nota 7
Direção – Juan Carlos Fresnadillo
Elenco – Robert Carlyle, Rose Byrne, Jeremy Renner, Harold Perrineau, Catherine McCormack, Idris Elba, Imogen Poots, Mackintosh Muggleton.

Esta sequência do filme de Danny Boyle se passa vinte oito semanas após o vírus Rage ser liberado e aparentemente ter sido controlado pelo exército da Otan. 

O longa tem um prólogo que se passa durante os ataques dos infectados, onde Don (Robert Carlyle) consegue se salvar e deixa para trás sua esposa (Catherine McCormack) que ficou encurralada pelos zumbis.  Quando tudo parece resolvido e as pessoas começam a retornar para a Inglaterra, Don recebe seu casal de filhos que estava de férias na Espanha durante o acontecimento. Os sobreviventes estão reconstruindo o país, que ainda está separado das regiões com milhares de mortos. A curiosidade dos filhos de Don, faz com que eles furem a barreira do exército para buscar algumas coisas na antiga casa e no local encontram ainda viva a mãe, que acaba sendo presa pelos soldados. Uma cientista (Rose Byrne) descobre que a mulher é imune ao vírus, mas ao mesmo tempo pode ser a paciente zero para o início de uma nova crise. 

Esta continuação não dava pinta de ser interessante, porém o roteiro é inteligente ao criar uma história verossímil, o elenco é bom, que tem ainda Jeremy Renner de “Guerra ao Terror” e Harold Perrineau de “Lost” como soldados, além da boa direção do espanhol Fresnadillo. As cenas de ação são competentes, o clima de apocalipse persiste e o final ainda abre caminho para mais uma continuação.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Bombas - Filmes com Dolph Lundgreen

Com sua participação em "Os Mercenários", o sueco Dolph Lundgreen voltou aos cinemas, após vários anos interpretando heróis de ação em filmes lançados direto em DVD. Com uma carreira longa que começou em meados dos anos oitenta e tendo conquistado algum fama por seu papel em "Rocky IV", Dolph protagonizou inclusive duas adaptações que prometiam algo mais, primeiro interpretando He-Man em "Mestres do Universo" e depois "O Justiceiro", porém os dois longas foram fracassos que comentarei em outras postagens. Hoje escrevo sobre quatro produções B em que ele foi o astro.

Red Scorpion (Red Scorpion, EUA, 1989) – Nota 4
Direção – Joseph Zito
Elenco – Dolph Lundgreen, M. Emmet Walsh, Al White, Carmen Argenziano, Brion James, T. P. McKenna.

Um agente soviético (Dolpg Lundgreen) é enviado para um país africano com a missão de matar um líder guerrilheiro (Al White). Ela conta apenas com a ajuda de um veterano agente americano (M. Emmet Walsh). Depois do fracasso de “Mestres do Universo”, Lundgreen resolve apostar neste filme de ação B, mas o resultado foi bem ruim. Ficaria difícil esperar algo do diretor de “Braddock” e “Invasão aos EUA’, estrelados por Chuck Norris.

O Grande Anjo Negro (Dark Angel, EUA, 1990) – Nota 6
Direção  Craig R. Baxley
Elenco – Dolph Lundgreen, Brian Benben, Betsy Brantley, Matthias Hues.

O detetive Jack Caine (Dolph Lundgreen) tem seu parceiro assassinado numa missão de combate ao tráfico, o estranho é a desconhecida arma usada pelo assassino. Como o caso é incomum, Jack terá de trabalhar com o agente do FBI Larry Smith (Brian Benben) e juntos descobrirão que o assassino na verdade é um alienígena. Este misto de policial com ficção chega até a ser interessante nas competentes cenas de ação e na curiosa arma do assassino, que parece um CD, sendo que na época um CD era algo raro, o normal eram discos de vinil e fitas VHS. Da lista que estou postando, com certeza é o melhor filme.

Força Vermelha (Cover Up, Inglaterra / Israel, 1991) – Nota 5
Direção – Manny Cotto
Elenco – Dolph Lundgreen, Louis Gossett Jr, Lisa Berkley, John Finn.

O jornalista Mike Anderson (Dolph Lundgreen) é enviado para investigar um ataque a uma base militar americana em Israel. No local ele acaba descobrindo segredos que colocam sua vida em risco. É o início para resolver a questão na base da pancadaria. No final é apenas uma filme de ação com uma história fraca. A curiosidade é o bom ator Louis Gosset Jr, Oscar de Coadjuvante pelo filme “A Força do Destino”, mas que na sequência da carreira ficou relegado a papéis pequenos, quase sempre em filmes sem expressão.

Comando Vermelho (Command Performance, EUA, 2009) – Nota 5,5
Direção – Dolph Lundgreen
Elenco – Dolph Lundgreen, Melissa Smith, Hristo Shopov, Dave Legeno, James Chalke, Zahary Baharov.

Quando o presidente da Rússia (Hristo Shopov) leva suas duas filhas pré-aolescentes para verem a estrela pop americana Venus (Melissa Smith) em um show numa arena em Moscou, seus seguranças são surpreendidos por um grupo terrorista liderado por Oleg Kazov (Dave Legeno), que pretende se vingar da morte de seu pai, um oficial que se matou na época da transição do comunismo para o capitalismo no país. Após os terroristas dominarem a situação, apenas um agente de segurança (Zahary Baharov) e  Joe (Dolph Lundgreen), o bateirista da banda que abriu o show, conseguem escapar e se tornam a única chance de sobrevivência para o presidente e os reféns. Este história absurda tem até boas cenas de ação e uma produção bem cuidada, porém o roteiro coloca frases ridículas na boca de Lundgreen, que por sinal sabe apenas lutar, sua interpretação é péssima.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O Pianista

O Pianista (The Pianist, França / Polônia / Alemanha / Reino Unido, 2002) – Nota 10
Direção – Roman Polanski
Elenco – Adrien Brody, Emilia Fox, Frank Finlay, Ed Stoppard, Thomas Kretschmann, Maureen Lipman, Jessica Kate Meyer, Julia Rayner.

Este drama baseado na autobiografia do pianista polonês Wladyslaw “Wlad” Szpilman (Adrien Brody) é com certeza o melhor de filme Roman Polanski nos últimos trinta anos. 

A história começa em 1939 quando Wlad era pianista da rádio de Varsóvia e a cidade começa a ser atacada pelos alemães. A princípio, a família judia de Wlad (pai, mãe, irmão e duas irmãs) pensam em abandonar a cidade, porém ao saber que Inglaterra e França declararam guerra à Alemanha, resolvem ficar, sendo este um grande erro. Daí em diante o espectador passa a ser testemunha de toda a tragédia que se abateu sobre os judeus daquele país e a saga de Wlad para sobreviver até o final da guerra. É uma história dolorosa, tendo um personagem real como protagonista, que sobreviveu graças a sua inteligência, a ajuda de várias pessoas, inclusive de um nazista e muita sorte também. 

O papel principal é interpretado com talento por Adrien Brody, que aparece em quase todas as cenas e cria um personagem extremamente humano, que passou por diversas privações, mas sempre manteve sua dignidade e o amor pela música. 

Para finalizar, a produção é de primeira ao retratar toda a transformação de Varsóvia, com a construção do muro que criava o gueto dos judeus, passando pelas batalhas e os bombardeios na cidade e terminando ao mostrar toda a destruição deixada pela da guerra.  

domingo, 10 de outubro de 2010

Brother - A Máfia Japonesa Yakuza em Los Angeles


Brother – A Máfia Japonesa Yakuza em Los Angeles (Brother, Japão, 2000) – Nota 7
Direção – Takeshi Kitano
Elenco – Takeshi Kitano, Omar Epps, Claude Maki, Masaya Katô, Susumu Terajima, Ryo Ishibashi, James Shigeta, Tatyana Ali, Lombardo Boyar.

No Japão, o matador Aniki Yamamoto (Takeshi Kitano) precisa decidir seu destino quando sua gangue é derrotada e um novo chefão da Yakuza exige fidelidade. Não aceitando, Yamamoto vai para os EUA encontrar o irmão (Claude Maki),  o qual ele imagina estar estudando, porém o jovem se uniu a outros pequenos deliquentes, entre eles Denny (Omar Epps) para vender drogas. Percebendo que pode expandir os negócios, Yamamoto toma a frente do pequeno grupo e começa a matar os concorrentes para dominar a região, porém o crescimento do negócio faz com que apareçam outros inimigos e aumente ainda mais a violência na disputa pelo lucro. 

Interessante e violento drama que mistura as rígidas regras da Yakuza, a máfia japonesa, com os métodos dos traficantes americanos, mostrando que este mercado funciona como uma empresa, com a diferença que para vencer a concorrência é necessário matá-la, literalmente. 

Os pontos fortes são os roteiro e as cenas realistas dirigidas com talento por Takeshi Kitano, que tem outros bons filmes como “Sonatine” e ficou conhecido no ocidente quando trabalhou em “Furyo – Em Nome da Honra”. 

sábado, 9 de outubro de 2010

Más Companhias


Más Companhias (The Chumscrubber, EUA / Alemanha, 2005) – Nota 7
Direção – Arie Posin
Elenco – Jamie Bell, Camilla Belle, Justin Chatwin, Glenn Close, Ralph Fiennes, Rita Wilson, William Fichtner, Allison Janney, Carrie Anne Moss, Caroline Goodall, John Heard, Lauren Holly, Jason Isaacs, Lou Taylor Pucci, Thomas Curtis, Rory Culkin.

Num subúrbio americano, Dean (Jamie Bell) é um adolescente que encontra seu único amigo enforcado no quarto. Este é apenas o início da história que mostrará um mundo sem valores, com jovens sem rumo e pais completamente ausentes, todos preocupados apenas consigo mesmo. 

São diversos personagens que se cruzam em situações absurdas e ao mesmo tempo críticas ao modo de vida atual. O garoto Dean é viciado em comprimidos prescritos pelo próprio pai (William Fichtner), psiquiatra que pensa apenas em ficar famoso com seu livro, enquanto sua esposa (Allison Janney) é um dona de casa alienada e frustrada e o filho mais novo (Rory Culkin) passa todo o filme jogando vídeogame. Além disso alguns jovens que desejam apenas conseguir os comprimidos que o suicida deixou em sua casa, seqüestram um garoto para chantagear Dean, fato que não é percebido sequer pela mãe do menino (Rita Wilson), que pensa apenas no casamento com o prefeito (Ralph Fiennes), um sujeito com atitudes estranhas, as quais teremos uma explicação perto do final. 

Temos ainda uma mãe (Carrie Anne Moss) que gosta de garotos, um casal totalmente idiota (Jason Isaacs e Caroline Goodall) e a mãe do menino suicida (Glenn Close), que após passar quase todo o filme perdida, consegue encarar a realidade apenas no final quando tem uma cena com Dean, esta por sinal parece ser a cena mais normal de todo longa. 

A história lembra em parte o melhor “Alpha Dog”, mas mesmo não sendo para todos os gostos, acaba cumprindo o papel de crítica. Como curiosidade, o Chumscrubber do título é o nome do jogo de videogame que aparece diversas vezes no longa.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Minhas Idéias Assassinas


Minhas Idéias Assassinas (A Shock to the System, EUA, 1990) – Nota 6,5
Direção – Jan Egleson
Elenco – Michael Caine, Elizabeth McGovern, Peter Riegert, Swoosie Kurtz, Will Patton, Jenny Wright, Barbara Baxley, Haviland Morris, Zack Grenier.

O executivo Graham Marshall (Michael Caine) aguarda uma promoção há algum tempo e quando descobre que foi passado para trás fica extremamente irritado. Seu ódio vem à tona quando numa estação, ele empurra um mendigo nos trilhas do trem e ninguém percebe. Este fato faz Graham perceber que pode eliminar seus concorrentes e não ser pego, dando início a pequenos assassinatos, inclusive montando um plano para matar sua esposa (Swoosie Kurtz). 

O roteiro utiliza o humor negro para criticar o mundo corporativo, onde a experiência muitas vezes não vale nada e pessoas são descartadas em virtude da idade ou do valor do salário. 

Em 2005 o diretor grego Costa Gavras dirigiu “O Corte”, filme que ainda não assisti, mas que pela sinopse lembra em parte este outro longo pouco conhecido hoje em dia.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Vício Frenético


Vício Frenético (The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans, EUA, 2009) – Nota 7
Direção – Werner Herzog
Elenco – Nicolas Cage, Eva Mendes, Val Kilmer, Fairuza Balk, Xzibit, Shawn Hatosi, Jennifer Coolidge, Tom Bower, Vondie Curtis Hall, Brad Dourif, Denzel Whitaker, Irma P. Hall, Michael Shannon.

O policial Terence McDonagh (Nicolas Cage) fere a coluna no resgate de um presidiário que iria se afogar durante o Furacão Katrina em New Orleans. Tendo de tomar remédios para suportar a dor, ele acaba ficando viciado, utilizando inclusive outros tipos de drogas. Sua vida se complica quando uma famíla é assassinada por traficantes e sua equipe precisa prender os responsáveis, sendo que ao mesmo tempo Terence está envolvido com a prostituta Frankie (Eva Mendes) e deve muito dinheiro em apostas para o agenciador Ned (Brad Dourif). 

O longa é um refilmagem de uma obra de mesmo título dirigida por Abel Ferrara em 1992 e com Harvey Keitel no papel principal. O curioso é que Herzog e Ferrara são diretores de personalidade forte, retratando isso em seus filmes, sendo que uma refilmagem não é algo comum na carreira dos dois e talvez por isso o longa tenha resultado numa troca de farpas pela imprensa. De um lado Herzog dizia que faria uma nova versão do filme sem mesmo ter visto o original e do outro Ferrara bradava que seria um absurdo refilmar sua obra. Eu ainda não assisti ao filme de Ferrara, mas por tudo que li, a nova versão de Herzog copia apenas o título e o policial protagonista viciado em drogas, no restante parece ser bem diferente. 

O resultado é no mínimo interessante, valorizado pela performance de Cage como o policial que vai do céu ao inferno em pouco tempo e a cada novo passo parece se afundar ainda mais, além do estranho andar que ele criou para o personagem, mostrando bem o problema físico que afundou sua vida e carreira. Acredito que o papel do parceiro nervoso de Cage, vivido por Val Kilmer, poderia ser melhor aproveitado, além disso o filme perde pontos na parte final da trama que parece um pouco forçada, mesmo com uma cena final que pode gerar uma interpretação dupla.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sinédoque, Nova York


Sinédoque, Nova York (Synecdoche, New York, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Charlie Kaufman
Elenco – Philip Seymour Hoffman, Samantha Morton, Michelle Williams, Catherine Keener, Hope Davis, Tom Noonan, Jennifer Jason Leigh, Emily Watson, Dianne Wiest, Sadie Goldstein.

O criativo roteirista Charlie Kaufman estreou na direção com este longa complicado, que somente poderia ter saído da mente do sujeito que escreveu “Quero Ser John Malkovich” e “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”.

A história aqui se passa durante grande parte da vida do diretor teatral Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman arrebentando mais uma vez), começando quando sua esposa (Catherine Keener) o abandona e leva sua filha (Sadie Goldstein) para longe. Confuso com a situação, Caden se divide entre a caixa da bilheteria do teatro, Hazel (Samantha Morton) e a atriz principal de sua peça, Claire (Michelle Williams). 

Quando Caden ganha um prêmio pelo trabalho, resolve aplicar o dinheiro ganho para criar a montagem teatral definitiva, uma peça sobre sua vida. O problema é que o roteiro da peça é escrito dia após dia, citando tudo o que acontece em sua vida, com ensaios intermináveis e atores sendo contratados para interpretar pessoas que cercam Caden, sem que nunca a peça seja finalizada para apresentação. Esse processo levará anos, com os cenários cada vez maiores, criando uma réplica de Nova York. O resultado é um mundo onde realidade e encenação se misturam para contar a vida de Caden, que num certo momento ele próprio se confunde entre o real e o imaginário. 

É um filme para se prestar atenção nos pequenos detalhes e entender a jornada de um sujeito que pensou em encontrar a perfeição na sua vida através da peça de teatro, mas ficou preso a seus erros e acertos sem conseguir chegar no que procurava. 

A sequência final é magnífica e ao mesmo tempo triste e verdadeira.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Deu a Louca no Mundo & Tá Todo Mundo Louco



Deu a Louca no Mundo (It’s a Mad Mad Mad Mad World, EUA, 1963) – Nota 8,5
Direção – Stanley Kramer
Elenco – Spencer Tracy, Milton Berle, Sid Caesar, Buddy Hackett, Ethel Merman, Mickey Rooney, Dick Shawn, Phil Silvers, Terry Thomas, Jonathan Winters, Peter Falk, Buster Keaton, Don Knotts, Carl Reiner, Jimmy Durante, Os Três Patetas.

Após um acidente numa rodovia, diversos carros param para ajudar o motorista (Jimmy Durante) que ainda está vivo. O sujeito antes de morrer diz que deixou escondida uma fortuna num determinado local embaixo de um grande W. Este é o início de uma louca corrida atrás da fortuna, a princípio apenas alguns motoristas e suas famílias, mas no desenrolar do filme diversos outros personagens vão descobrindo a história e se envolvendo na disputa. Seguindo a todos, está o policial C. G. Culpeper (Spencer Tracy) que também deseja chegar ao dinheiro. 


O diretor Stanley Kramer fez uma grande homenagem ao gênero, reunindo uma enorme quantidade de comediantes nesta história simples com situações hilariantes. Além dos atores principais, o longa tem pequenas participações do grande Buster Keaton, de um jovem Peter Falk antes de ficar famoso como “Columbo” e principalmente dos Três Patetas interpretando bombeiros na sequência final. É um daqueles filmes para assistir com um largo sorriso no rosto. 



Tá Todo Mundo Louco (Rat Race, EUA, 2001) – Nota 6
Direção – Jerry Zucker
Elenco – Rowan Atkinson, Whoopi Goldberg, Cuba Gooding Jr, Lanei Chapman, Jon Lovitz, Kathy Najimy, Breckin Meyer, John Cleese, Amy Smart, Seth Green, Vince Vieluf, Dave Thomas, Wayne Knight, Paul Rodriguez, Dean Cain, Kathy Bates.

Este longa é uma nova versão da comédia de 1963, com a história um pouco modificada. Aqui o milionário Donald Sinclair (John Cleese) reúne diversas pessoas em seu cassino e as convida para participarem de uma corrida ao ouro. Os participantes terão de sair de Las Vegas e viajar até o Novo México onde uma fortuna está escondida em um cofre. 

O grupo de concorrentes está repleto de comediantes famosos como Whoopi Goldberg, o “Mr. Bean” Rowan Atkison, Cuba Gooding, John Lovitz, entre diversos outros, mas mesmo assim copiando a fórmula do clássico citado, o longa é irregular e com poucas piadas realmente engraçadas. É uma pena, pelo ótimo elenco e o outrora talentoso diretor Jerry Zucker (“Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu” e “Top Secret -  Super Confidencial”).

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Anticristo


Anticristo (Antichrist, Dinamarca / Alemanha / França / Suécia / Itália / Polônia, 2009) – Nota 4
Direção – Lars Von Trier
Elenco – Willem Dafoe, Charlotte Gainsbourg.

Um casal (Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg) sofrem uma terrível perda, o pequeno filho pula da janela do apartamento onde vivem enquanto o casal faz sexo e não percebe a situação. Após a tragédia, a mulher que é escritora entra em depressão, enquanto o marido psicanalista tenta ajudá-la. No meio deste processo, o casal resolve se mudar para uma cabana no meio da floresta de um local chamado Eden, mas ao invés de melhorar a situação, esta mudança leva a esposa a insanidade total, terminando em outra tragédia. 

Antes deste, assisti apenas a outros dois filmes de Lars Von Trier, o polêmico “Os Idiotas”, produzido na época do “Movimento Dogma” criado por ele e outros cineastas escandinavos e posteriormente o musical “Dançando no Escuro”. Apesar de serem filmes que fogem do lugar comum, foram obras interessantes, diferente deste “Anticristo” feito especificamente para chocar, exarcebando o lado marqueteiro de Von Trier, que começou ainda no “Movimento Dogma”. 

O cinema já mostrou várias vezes as conseqüências de uma perda, seja filho, companheiro ou pais, tema com o qual Von Trier inicia bem o longa, mesmo sendo lento em excesso, mas ao levar os personagens para a floresta, ele transforma aquela relação em um filme de terror sádico e exagerado, com cenas desnecessárias criadas para chocar o público. Uma pena, pois a sinistra trilha sonora é inquietante e os enquadramentos de cenas e o visual são de um cineasta talentoso, mas que prefere ser reconhecido pela polêmica.  

domingo, 3 de outubro de 2010

Minha Mãe é uma Sereira


Minha Mãe é uma Sereia (Mermaids, EUA, 1990) – Nota 7
Direção – Richard Benjamin
Elenco – Cher, Bob Hoskins, Winona Ryder, Christina Ricci, Michael Schoeffling.

Nos anos sessenta, Rachel Flex (Cher) é uma mãe solteira de duas filhas, a jovem Charlotte (Winona Ryder) e a pré-adolescente Kate (Christina Ricci). Com uma personalidade expansiva e complicada, Rachel sempre muda de cidade quando seus relacionamentos não dão certo, tendo de enfrentar as críticas de Charlotte, que ao contrário do comportamenteo da mãe, deseja se tornar freira. Já a pequena Kate é esperta e perspicaz, entendendo melhor o que se passa com a mãe do que a irmã. O moralismo da irmã balança quando ela conhece Joe (Michael Schoeffling), ficando dividida entre a vontade de ser freira e o desejo que jovem desperta nela. 

O ponto alto do filme é a simpatia do trio principal de atrizes, onde as ainda jovens Winona Ryder e Christina Ricci já demonstravam que tinha talento e ainda contando com uma boa ajuda do sempre competente Bob Hoskins. A história é um misto de drama e comédia sobre uma época onde existiam vários tabus (ser mãe solteira, virgindade) mostrados de forma simples e realista.  

sábado, 2 de outubro de 2010

Eleição


Eleição (Election, EUA, 1999) – Nota 7,5
Direção – Alexander Payne
Elenco – Matthew Broderick, Reese Witherspoon, Chris Klein, Jessica Campbell, Molly Hagan, Mark Harelik, Phil Reeves, Colleen Camp.

Como estamos na véspera da eleições, resolvi escrever sobre este longa de Alexander Payne ("Sideways", "As Confissões de Schmidt"), que lembra e muito a disputa entre os candidatos no Brasil, repleta de alianças, brigas e traições.

A história tem como protagonista o professor Jim McAllister (Matthew Broderick) faz parte do Conselho Estudantil do colégio onde leciona há anos, sendo respeitado pela direção e também pelos alunos. Do outro lado está a ambiciosa Tracy Flick (Reese Whiterspoon) que teve um caso com outro professor e arruinou a carreira do sujeito. Tracy participa de todos os comitês e eventos do colégio, pensando sempre na escola como o início de sua escalada para o poder e naturalmente ela se candidata a Presidência do Conselho Estudantil. 

O correto professor Jim resolve tentar dar uma lição a ambiciosa garota e convence o ex-astro do time de futebol do colégio, Paul Metzler (Chris Klein) para concorrer também ao cargo. Paul que teve de abandonar a carreira em virtude de uma contusão, aceita a disputa e sua popularidade se torna um obstáculo no caminho de Tracy. Para complicar a situação, a irmã de Paul, Tammy (Jessica Campbell) também se candidata com o discurso de que acabará com o Conselho caso seja eleita, porém seu objetivo é apenas se vingar do irmão por ciúmes. Esta confusão atingirá em cheio o professor Jim, que abriu uma verdadeira Caixa de Pandora. 

O roteiro do próprio diretor Payne é uma crítica sobre a ambição humana por poder e como a sede de vitória em uma disputa leva até mesmo pessoas sensatas a atitudes extremas. As interpretações de Broderick e Reese Witherspoon são perfeitas, ele como o sujeito exemplar que é pego fazendo algo errado e ela como a garota mimada e sem escrúpulos. Até mesmo o fraco Chris Klein se sai bem como o candidato manipulado.  

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Trapézio


Trapézio (Trapeze, EUA, 1956) – Nota 7,5
Direção – Carol Reed
Elenco – Burt Lancaster, Tony Curtis, Gina Lollobrigida, Katy Jurado, Thomas Gomez.

Nesta semana triste para o cinema, três pessoas importantes se forma: A atriz Gloria Stuart aos cem anos, conhecido pelas novas gerações por seu papel em "Titanic", o diretor Arthur Penn, sobre quem escrevi na postagem anterior comentando sobre sey filme mais famoso, "Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas" e por fim o galã Tony Curtis, que em sua longa carreira trabalhou em filmes diversos como "Spartacus", "Quanto Mais Quente Melhor", "A Corrida do Século" e este "Trapézio" que comento abaixo.

No filme o trapezista Tino Orsini (Tony Curtis) vem de uma família que viveu no circo, tendo seu pai também sido trapezista. Com o intuito de aprender o famoso Salto Mortal Triplo, Tino viaja à Europa para encontrar outro trapezista, Mike Ribble (Burt Lancaster) especialista no salto, mas que está machucado devido a um acidente em sua apresentação. Tino consegue convencer Mike a criarem uma apresentação em dupla, porém a sedutora Lola (Gina Lollobrigida) deseja participar do número e acaba criando um triângulo amoroso e desencadeando um conflito entre os trapezistas. 

Este filme fez sucesso na época, principalmente pelo clima de romance entre o trio principal que estava no auge da forma e as cenas no trapézio, filmadas com qualidade e suspense, recriando com competência os bastidores do mundo do circo.