sábado, 2 de outubro de 2010

Eleição


Eleição (Election, EUA, 1999) – Nota 7,5
Direção – Alexander Payne
Elenco – Matthew Broderick, Reese Witherspoon, Chris Klein, Jessica Campbell, Molly Hagan, Mark Harelik, Phil Reeves, Colleen Camp.

Como estamos na véspera da eleições, resolvi escrever sobre este longa de Alexander Payne ("Sideways", "As Confissões de Schmidt"), que lembra e muito a disputa entre os candidatos no Brasil, repleta de alianças, brigas e traições.

A história tem como protagonista o professor Jim McAllister (Matthew Broderick) faz parte do Conselho Estudantil do colégio onde leciona há anos, sendo respeitado pela direção e também pelos alunos. Do outro lado está a ambiciosa Tracy Flick (Reese Whiterspoon) que teve um caso com outro professor e arruinou a carreira do sujeito. Tracy participa de todos os comitês e eventos do colégio, pensando sempre na escola como o início de sua escalada para o poder e naturalmente ela se candidata a Presidência do Conselho Estudantil. 

O correto professor Jim resolve tentar dar uma lição a ambiciosa garota e convence o ex-astro do time de futebol do colégio, Paul Metzler (Chris Klein) para concorrer também ao cargo. Paul que teve de abandonar a carreira em virtude de uma contusão, aceita a disputa e sua popularidade se torna um obstáculo no caminho de Tracy. Para complicar a situação, a irmã de Paul, Tammy (Jessica Campbell) também se candidata com o discurso de que acabará com o Conselho caso seja eleita, porém seu objetivo é apenas se vingar do irmão por ciúmes. Esta confusão atingirá em cheio o professor Jim, que abriu uma verdadeira Caixa de Pandora. 

O roteiro do próprio diretor Payne é uma crítica sobre a ambição humana por poder e como a sede de vitória em uma disputa leva até mesmo pessoas sensatas a atitudes extremas. As interpretações de Broderick e Reese Witherspoon são perfeitas, ele como o sujeito exemplar que é pego fazendo algo errado e ela como a garota mimada e sem escrúpulos. Até mesmo o fraco Chris Klein se sai bem como o candidato manipulado.  

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Trapézio


Trapézio (Trapeze, EUA, 1956) – Nota 7,5
Direção – Carol Reed
Elenco – Burt Lancaster, Tony Curtis, Gina Lollobrigida, Katy Jurado, Thomas Gomez.

Nesta semana triste para o cinema, três pessoas importantes se forma: A atriz Gloria Stuart aos cem anos, conhecido pelas novas gerações por seu papel em "Titanic", o diretor Arthur Penn, sobre quem escrevi na postagem anterior comentando sobre sey filme mais famoso, "Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas" e por fim o galã Tony Curtis, que em sua longa carreira trabalhou em filmes diversos como "Spartacus", "Quanto Mais Quente Melhor", "A Corrida do Século" e este "Trapézio" que comento abaixo.

No filme o trapezista Tino Orsini (Tony Curtis) vem de uma família que viveu no circo, tendo seu pai também sido trapezista. Com o intuito de aprender o famoso Salto Mortal Triplo, Tino viaja à Europa para encontrar outro trapezista, Mike Ribble (Burt Lancaster) especialista no salto, mas que está machucado devido a um acidente em sua apresentação. Tino consegue convencer Mike a criarem uma apresentação em dupla, porém a sedutora Lola (Gina Lollobrigida) deseja participar do número e acaba criando um triângulo amoroso e desencadeando um conflito entre os trapezistas. 

Este filme fez sucesso na época, principalmente pelo clima de romance entre o trio principal que estava no auge da forma e as cenas no trapézio, filmadas com qualidade e suspense, recriando com competência os bastidores do mundo do circo.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Bonnie & Clyde - Uma Rajada de Balas


Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas (Bonnie and Clyde, EUA, 1967) – Nota 10
Direção – Arthur Penn
Elenco – Warren Beatty, Faye Dunaway, Gene Hackman, Estelle Parsons, Michael J. Pollard, Gene Wilder, Denver Pyle, Dub Taylor.

Há dois dias o cinema perdeu o diretor Arthur Penn, que durante quase cinquenta anos de carreira deixou em torno de vinte filmes, além de diversos trabalhos na tv, onde ele começou no anos cinquenta. Como homenagem estou escrevendo sobre filme mais famoso, o clássico "Bonnie & Clyde", longa feito na época mais fértil de sua carreira, que começou em 1962 com "O Milagre de Anne Sullivan", passando por "Mickey One" com Warren Beatty, o grande "Caçada Humana" que reuniu Marlon Brando, Robert Redford, Jane Fonda e Robert Duvall entre outros, chegando neste clássico e finalizando em 1970 com o faroeste "O Pequeno Grande Homem" com Dustin Hoffman. 

A história de "Bonnie & Clyde" se passa nos anos trinta, durante a Depressão Americana, onde o jovem casal Clyde (Warren Beatty) e Bonnie (Faye Dunaway) viaja pelo interior dos EUA cometendo assaltos, no início como uma aventura e depois de um tempo se tornando algo sério e violento, principalmente após se juntarem ao irmão de Clyde, o violento Buck (Gene Hackman) e sua assustada esposa Blanche (Estelle Parsons). No bando ainda está o estranho jovem C. W. (Michael J. Pollard). Esta violenta saga terminará em tragédia. 

O diretor Penn acertou em cheio ao filmar a versão de uma história real e na escolha do elenco, onde os cinco principais nomes concorrem ao Oscar e Estelle Parsons venceu como atriz coadjuvante. O filme concorreu ao total de dez prêmios Oscar e venceu ainda o de Melhor Fotografia. Como curiosidade, a pequena participação do comediante Gene Wilder marcou sua estréia no cinema.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Nem Tudo é o que Parece


Nem Tudo é o que Parece (Layer Cake, Inglaterra, 2004) – Nota 7,5
Direção – Matthew Vaughn
Elenco – Daniel Craig, Colm Meaney, George Harris, Michael Gambon, Kenneth Cranham, Sienna Miller, Dexter Fletcher, Steve John Shepherd, Jason Flemyng, Sally Hawkins, Marcel Iures.

Um sujeito que se veste bem e age como um homem de negócios, mas que na realidade é um traficante e ninguém sabe seu nome (Daniel Craig), acredita que possa se aposentar logo e curtir o dinheiro que ganhou sem se preocupar com os criminosos. O problema é que o chefão para quem ele presta serviços (Kenneth Cranham) praticamente o obriga a aceitar duas últimas missões: Encontrar a filha viciada de outro chefão (Michael Gambon) e ainda negociar como intermediário um grande carregamento de ecstasy. Estes trabalhos serão extremamente complicados, em virtude de diversos outros personagens envolvidos que desejam lucrar. 

O diretor Matthew Vaughn foi o produtor de Guy Ritchie nos ótimos “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” e “Snatch – Porcos e Diamantes” e aqui seguiu a mesma fórmula para estrear na direção. Ele criou uma história violenta misturada com humor negro e um grande número de personagens do submundo, alguns que chegam até a serem engraçados. Vaughn está confirmando seu talento, ele fez em seguida o elogiado “Stardust – O Mistério da Estrela” que ainda preciso conferir e este ano o ótimo “Kick-Ass – Quebrando Tudo”.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O Tiro Que Não Saiu Pela Culatra


O Tiro Que Não Saiu Pela Culatra (Parenthood, EUA, 1989) – Nota 7
Direção - Ron Howard
Elenco – Steve Martin, Mary Steenburgen, Rick Moranis, Dianne Wiest, Jason Robards, Tom Hulce, Harley Jane Kozaz, Martha Plimpton, Keanu Reeves, Joaquin Phoenix, Eileen Ryan, Dennis Dugan, Clint Howard.

Apesar deste filme ter uma das piores traduções de títulos para o português da história (o original significa “Paternidade”), o resultado é uma simpática mistura de drama com comédia, que se não vai fundo no tema, tenta ao menos mostrar as alegrias e dificuldades de se criar um filho. 

O filme mostra a família Buckman, tendo como centro Gil (Steve Martin no auge da carreira) que é casado com Karen (Mary Steenburgen) com quem tem três filhos e ele deixando claro desde o início que não gostou do modo como seu pai (Jason Robards) o criou, com isso tendo como meta ser o melhor pai possível, porém irá descobrir que isso não é nada fácil. O restante da família é formado pelas irmãs de Gil, a professora Susan (Harley Jane Cozak) casada com o autoritário Nathan (Rick Moranis), a divorciada Helen (Diane Wiest) que sofre para criar e se relacionar com seu casal de filhos e por fim o complicado irmão mais novo Larry (Tom Hulce). 

O interessante é que toda a trama gira em torno das relações entre pais e filhos, avós e netos e entre os casais, sempre com temas relacionados a paternidade e como isso influência na vida de cada um.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Batman


Batman (Batman, EUA, 1989) – Nota 8
Direção – Tim Burton
Elenco – Jack Nicholson, Michael Keaton, Kim Basinger, Robert Wuhl, Billy Dee Williams, Pat Hingle, Michael Gough, Lee Wallace, Jerry Hall, Tracey Walter.

Quando criança, o milionário Bruce Wayne (Michael Keaton) viu seus pais serem assassinados pelo bandido Jack Napier (Jack Nicholson). Após o trauma, Bruce jurou proteger a cidade de Gotham City e fazer justiça a qualquer preço, com isso quando adulto acabou criando o personagem Batman. Vários anos depois, o assassino Napier está ligado ao chefão do crime Carl Grissom (Jack Palance) e durante um trabalho para o sujeito, Napier cai num tonel onde um produto químico o deixa desfigurado e com um sorriso permanente no rosto. Isto faz com que Napier se transforme no Coringa e comece a aterrorizar a cidade. 

O público de hoje que está acostumado aos Blockbusters e a seus esquemas milionários de marketing, deve creditar este fato ao filme “Batman”. A Warner resolveu jogar pesado e investiu uma fortuna na época em propagandas, com uma campanha que começou quase uma ano antes através de revistas, trailers no cinema e na TV (lembre-se que na época não existia internet, pelo menos como ela é hoje), contratou o cantor Prince que lançou um disco completo com canções sobre filme que complementam a ótima trilha sonora de Danny Elfman. 

Quando surgiram as primeiras informações do filme, muita gente, inclusive a crítica, não gostou da indicação de Michael Keaton como Batman, mas o diretor Tim Burton bateu o pé e conseguiu manter seu ator preferido na época no papel principal, isto porque um ano antes a dupla fez grande sucesso com a ótima comédia “Os Fantasmas se Divertem”. A Warner para não deixar o peso na mão dos dois apenas, contratou o figurão Jack Nicholson e ofereceu como cachê uma parte dos lucros da bilheteria, o que encheu o bolso do veterano ator. 

Hoje muitos podem não gostar deste filme, principalmente comparando com os longas de Christopher Nolan que são superiores, mas não se deve deixar de lado a importância do trabalho de Tim Burton e também a qualidade, tendo uma história bem contada, um vilão de primeira, uma bela mocinha (Kim Basinger no auge) e até um Michael Keaton competente como Batman. Por sinal, a continuação “Batman – O Retorno” é tão bom quanto este e tem ainda uma clima mais adulto.

domingo, 26 de setembro de 2010

Operação Dragão


Operação Dragão (Enter the Dragon, Hong Kong / EUA, 1973) – Nota 8
Direção – Robert Clouse
Elenco – Bruce Lee, John Saxon, Jim Kelly, Ahna Capri, Bolo Yeung, Shih Kien.

Após sua irmã ser assassinada por Han (Shih Kien), um traficante de ópio e de mulheres, Lee (Bruce Lee) busca vingança e para isso se infiltra no submundo para participar de um torneio de vida ou morte na fortaleza do chefão. Neste torneio participarão diversos sujeitos de todos os tipos e raças, como o americano Roper (John Saxon), o negro Willians (Jim Kelly) e o grandalhão chinês Bolo (Bolo Yeung). 

Este filme transfomou Bruce Lee em astro mundial, mesmo ele tendo falecido apenas alguns após o lançamento do longa. Antes disso Lee era conhecido por interpretar o personagem Kato no seriado “Besouro Verde” e por outros três filmes produzidos em Hong Kong, “O Dragão Chinês”, “A Fúria do Dragão” e “O Vôo do Dragão”. Estes filmes acabaram virando cult após sua morte, que elevou e muito a fama do astro. O longa tem uma história hoje bastante copiada (“O Grande Dragão Branco” com Van Damme é um destes filhotes), mas na época era novidade, o que chamou atenção do público, juntamente com as lutas muito bem filmadas e a habilidade de Bruce Lee. 

O sucesso deste filme praticamente criou um novo gênero, “os filmes de Kung Fu” e uma avalanche de produções filmadas em Hong Kong foram lançadas no mundo inteiro, criando novos astros como Jackie Chan, Sammo Hung e Yuen Biao. 

sábado, 25 de setembro de 2010

Paranoid Park


Paranoid Park (Paranoid Park, EUA, 2007) – Nota 6,5
Direção – Gus Van Sant
Elenco – Gabe Nevins, Daniel Liu, Taylor Momsen, Jake Miller, Lauren McKinney.

O diretor Gus Van Sant é talentoso, porém tem uma carreira de altos e baixos, tendo acertado em filmes como “Gênio Indomável” e “Garotos de Programa” e errado feio em “Até as Vaqueiras Ficam Tristes” e na refilmagem de “Psicose”. 

Aqui ele fica no meio termo, lembrando um pouco o estilo documental que usou em “Elefante”, o diretor conta a história do adolescente Alex (Gabe Nevins), que anda o dia inteiro com um skate embaixo dos braços, utilizando este apenas para se enturmar, tanto na escola como para visitar um parque da cidade repleto de skatistas, apelidado de “Paranoid Park”. Neste local todos vão para curtir, andar de skate e alguns ainda complementam a diversão viajando clandestinamente nos trens de carga que passam ao lado do local. Numa dessas aventuras acontece um acidente que deixará vários skatistas como suspeitos. 

Montado de forma não linear, utilizando mais as imagens dos que as palavras para descrever a história, Van Sant nos leva ao mundo atual onde muitos adolescentes vivem como zumbis, sem objetivo na vida, querendo apenas curtir e os adultos também sem saber como lidar com estes jovens, gerando atos inconseqüentes e até tragédias, como a história contada aqui. 

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Minha Adorável Lavanderia


Minha Adorável Lavanderia (My Beautiful Laundrette, Reino Unido, 1985) – Nota 7
Direção – Stephen Frears
Elenco – Saeed Jaffrey, Roshan Seth, Daniel Day Lewis, Gordon Warnecke, Shirley Anne Field.

Num bairro de pobre de Londres, o jovem paquistanês Omar Ali (Gordon Warnecke) é encarregado de tomar conta da lavanderia do tio.  Para reformar o local, ele pede dinheiro emprestado para um traficante e convida o amigo inglês Johnny (Daniel Day Lewis) para ajudá-lo no estabelecimento, porém acontece o inesperado, os dois jovens se apaixonam. Este é o início de um dilema para Omar, que  precisará enfrentar sua tradicional família ao assumir ser homossexual, além da questão étnica e da dívida. 

O roteiro mostra com sensibilidade e inteligência a questão do personagem de Omar ser paquistanês, mas ao mesmo não ter ligação alguma com a tradição do seu país, tendo apenas a aparência, o que acaba sendo utilizado para ser discriminado por se homossexual tanto na sua comunidade, quando entre os ingleses. 

Temos ainda Daniel Day Lewis no seu primeiro papel de destaque no cinema e Stephen Frears dirigindo seu segundo longa, após ter feito no ano anterior o ótimo “The Hit – O Traidor”. 

O filme é baseado num livro de Hanif Kureishi que concorreu ao Oscar pelo roteiro.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Bombas - Comédias com Stallone

Nos anos oitenta Sylvester Stallone chegou ao topo da fama no gênero ação, mas por três vezes tentou abrir o leque da carreira atuando em comédias e acabou quebrando a cara.

Abaixo eu comento estes três filmes protagonizados pelo eterno "Rocky Balboa".

Rhinestone, um Brilho na Noite (Rhinestone, EUA, 1984) – Nota 3
Direção – Bob Clark
Elenco – Sylvester Stallone, Dolly Parton, Richard Farnsworth, Ron Leibman, Tim Thomerson.

Após o sucesso de “Rocky III” e de “Rambo – Programado Para Matar”, Stallone fez sua primeira tentativa de emplacar em outro gênero e escolheu esta comédia musical. A história é basicamente sobre a cantora Jake (a estrela country Dolly Parton) que tenta transformar o taxista Nick (Sylvester Stallone) em cantor. O Rhinestone do título é o local onde a cantora se apresenta. O resultado deixa claro que a escolha foi péssima. O filme foi praticamente apagado da biografia de Stallone.  

Minha Filha Quer Casar (Oscar, EUA, 1991) – Nota 5
Direção – John Landis
Elenco – Sylvester Stallone, Ornella Muti, Peter Riegert, Vincent Spano, Marisa Tomei, Tim Curry, Don Ameche, Kirk Douglas, Kurtwood Smith, Yvonne De Carlo, Richard Romanus, Art LaFleur, William Atherton, Linda Gray, Martin Ferrero, Harry Shearer, Joe Travolta, Marshall Bell, Joe Dante.

Na segunda tentativa, Stallone contratou o consagrado John Landis para dirigir esta comédia. Mesmo sendo um mestre do gênero (“O Clube dos Cafajestes”, “Trocando as Bolas”) e recheando o elenco de rostos conhecidos, Landis não conseguiu acertar o alvo. A história gira em torno do mafioso Angelo “Snaps” Provolone (Stallone) que no leito de morte do pai (o veterano Kirk Douglas), promete deixar o crime e seguir uma vida honesta. Na tentativa de comprar um banco, Angelo esbarra nas pretensões de seu contador (Vincent Spano), que arma uma confusão alegando que deseja se casar com sua filha (Marisa Tomei), mas o que na realidade é um grande golpe. Além disso sua filha diz estar grávida de um certo Oscar, sujeito que nunca aparece. O filme tente ser engraçado através de mentiras e desencontros, mas acaba se perdendo no roteiro confuso e em muitas piadas sem graça.

Pare! Senão Mamãe Atira (Stop! Or My Mom Will Shoot, EUA, 1992) – Nota 4
Direção –  Roger Spottiswoode
Elenco – Sylvester Stallone, Estelle Getty, Jobeth Williams, Roger Rees, Martin Ferrero, Gailard Sartain, Ving Rhames.

Nesta terceira incursão de Stallone ao gênero, ele faz o papel do detetive Joe Bromowski, que rompeu o namoro com sua chefe (Jobeth Williams) e por este motivo sua mãe (Estelle Getty) resolve passar algum tempo com o filho. O problema é que a velhinha resolve se meter em tudo, inclusive participando das investigações policiais do filho, a quem ela trata como se fosse um bebê. O resultado é um filme sem graça, com cenas bizarras e algumas até constrangedoras, fazendo com que Stallone percebesse que deveria ficar longe das comédias. A única curiosidade é a participação de Estelle Getty, que era conhecida por aqui pelo seriado “As Super Gatas”.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Cidade Fantasma


Cidade Fantasma (City of Ghosts, EUA, 2002) – Nota 6,5
Direção – Matt Dillon
Elenco – Matt Dillon, James Caan, Natasha McElhone, Stellan Skarsgard, Gerard Depardieu, Sereyvuth Kem, Rose Byrne, Shawn Andrews.

Após um furacão destruir diversas casas em uma cidade, o vendedor de seguros Jimmy (Matt Dillon) é interrogado pelo FBI em virtude de sua empresa ter dado um golpe nos segurados daquele local. Jimmy explica que não conhece o dono da empresa, diz conversar com ele apenas por telefone sem saber como encontrar o sujeito. Liberado pelo FBI mas ainda sendo suspeito, Jimmy resolve ir atrás de Marvin (James Caan), o verdadeiro mentor do golpe que está vivendo no Cambodja. Ele encontra na Tailândia outro participante do esquema, Kaspar (Stellan Skarsgard) e juntos vão ao encontro de Marvin no Cambodja. Chegando lá eles descobrem que Marvin está negociando a construção de um cassino com um ex-general do Khmer Vemelho e ao mesmo tempo está sendo perseguido por antigos sócios de origem russa. 

Este emaranhado de situações marca a estréia do ator Matt Dillon na direção, que tem seu trabalho dificultado pelo confuso roteiro que tem até uma pequena reviravolta perto do final. Os pontos fortes são o bom elenco internacional e as belas paisagens do sudeste asiático que contrastam com a pobreza do local. 

Como informação, o Khmer Vermelho era o Partido Comunista do país que tomou o poder nos anos setenta com o ditador Pol Pot no comando. Esta ditadura foi o responsável pela morte de quase cinco milhões de pessoas naquele país.  

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Billy Elliot


Billy Elliot (Billy Elliot, Reino Unido / França, 2000) – Nota 8
Direção – Stephen Daldry
Elenco – Jamie Bell, Julie Walters, Gary Lewis, Jamie Draven, Stuart Wells.

Numa pequena cidade da Inglaterra onde o principal trabalho é nas minas de carvão, o garoto Billy Elliott (Jamie Bell) é obrigado pelo pai (Gary Lewis) a treinar boxe. Sem talento algum para o esporte, seu desejo é dançar e aprender balé nas aulas de Mrs. Wilkinson (Julie Walters), que utiliza o subsolo do ginásio de boxe para ensinar garotas. Billy começa a treinar escondido e logo demonstra talento, mas para realizar seu sonho terá de enfrentar o preconceito e os ânimos exaltados do pai e do irmão, que naquele exato momento participam de uma greve dos mineradores. 

A história é contada com sensibilidade pelo diretor Stephen Daldry na sua estréia no cinema e tem na interpretação de Jamie Bell o grande trunfo para o sucesso do filme. Sua perfomance como dançarino é sensacional, além da ótima interpretação de um personagem que tem um sonho, mas que parece impossível ser realizado no meio onde vive. Destaque também para a ótima Julie Walters, como a professora que mesmo frustrada com a vida, percebe o talento do garoto e tenta ajudá-lo a realizar o sonho. 

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Nosso Lar


Nosso Lar (Brasil, 2010) – Nota 7
Direção – Wagner de Assis
Elenco – Renato Prieto, Fernando Alves Pinto, Rosane Mulholland, Inez Viana, Rodrigo dos Santos, Werner Schunemann, Clemente Viscaíno, Helena Varvaki, Aracy Cardoso, Selma Egrei, Othon Bastos, Ana Rosa, Paulo Goulart, Lu Grimaldi, Chica Xavier.

Este longa pode ser considerado uma superprodução brasileira, que teve um orçamento de vinte milhões de reais e já está lucrando nas bilheterias em virtude do grande sucesso de público. 

A história é baseada no livro “Nosso Lar” que Chico Xavier psicografou e que conta a vida após a morte de André Luiz (Renato Prieto), um médico que ao falecer descobre que está preso num local escuro e cheio de sofrimento chamado Umbral, que fica entre o Céu e a Terra, uma espécie de purgatório. Após algum tempo ele é levado para o “Nosso Lar”, onde descobrirá a bondade das almas que lá vivem e aos poucos perceberá os erros que cometeu na Terra e como poderá ter uma vida plena naquele local. 

O filme é competente ao mostrar a base da doutrina espírita, que seria a caridade e o respeito ao próximo, tem uma bela produção, graças a ótima equipe técnica que tem ainda o músico Phillip Glass (responsável por “Koyaanisqatsi”) como autor da trilha sonora. 

O roteiro é razoável, ele segue um esquema para mostrar didáticamente a transformação de André Luiz e todo o processo de vida no Nosso Lar, além disso alguns personagens aparecem rapidamente na trama, sem um desenvolvimento, com o conselheiro vivido por Paulo Goulart, além de na minha opinião a interpretação do ator principal Renato Prieto ser um pouco teatral, exagerada na formalidade. 

No geral o filme cumpre seu papel de ensinar um pouco da doutrina espírita para quem não a conhece e em alguns momentos emociona, principalmente na visita de André Luiz a sua família alguns anos após sua morte.

domingo, 19 de setembro de 2010

1900


1900 (Novecento, Itália / França / Alemanha, 1975) – Nota 8
Direção – Bernardo Bertolucci
Elenco – Robert De Niro, Gerard Depardieu, Donald Sutherland, Burt Lancaster, Dominique Sanda, Stefania Sandrelli, Sterling Hayden, Alida Valli.

No dia 1º de janeiro de 1900 nascem Alfredo (Robert DeNiro), filho de um latifundiário e Olmo (Gerard Depardieu), filho bastardo de camponeses. Apesar da diferença social, eles se tornam amigos, até que explode a 1º Guerra Mundial e Olmo se alista para lutar, enquanto Alfredo fica nas terras do seu pai. Quando Olmo volta da guerra eles se afastam, porque Alfredo contrata um capataz (Donald Sutherland) violento e adepto do fascismo e Olmo se torna um seguidor do socialismo, que luta para melhorar a vida dos camponeses. A luta social seguirá até o final da 2º Guerra Mundial em 1945, quando tudo mudará na Itália destruída pela guerra. 

O ótimo diretor e roteirista Bernardo Bertolucci conta através da vida dos dois amigos as mudanças políticas e sociais na Itália na primeira metade do século passado, muito em razão das duas guerras que abalaram a Europa. 

É um filme longo, mas para quem gosta de drama histórico é uma boa pedida, apenas que em virtude do elenco internacional existem versões em inglês e em italiano, neste segundo caso com os diálogos dublados.