terça-feira, 31 de agosto de 2010

O Verão de Sam


O Verão de Sam (Summer of Sam, EUA, 1999) – Nota 7,5
Direção – Spike Lee
Elenco – John Leguizamo, Mira Sorvino, Adrien Brody, Jennifer Sposito, Michael Rispoli, Saverio Guerra, Brian Tarantina, Bebe Neuwirth, Patti LuPone, Mike Starr, Anthony LaPaglia, Roger Guenveur Smith, Ben Gazzara, Arhur J. Nascarella, John Savage, Michael Badalucco, Spike Lee, Michael Imperioli.

Este interessante longa que mistura um fato real com personagens fictícios foi dirigido por Spike Lee e se passa no verão de 1977 em Nova Iorque, quando a população estava aterrorizada com os crimes cometidos pelo assassino conhecido com “O Filho de Sam” (vivido por Michael Badalucco). O sujeito tinha como alvo casais que namoravam em carros, que eram assassinados com tiros à queima roupa. 

No meio desta loucura, a história foca num grupo de pessoas que vive no Brooklin, principalmente o casal Vinny (John Leguizamo) e Dionna (Mira Sorvino). Ele é um cabelereiro que traí a jovem com várias mulheres, mas acredita ser pecado fazer sexo com a própria esposa, o que deixa a pobre Dionna sentindo-se culpada. O melhor amigo de Vinnie é Richie (Adrien Brody), jovem de origem italiana que aderiu ao movimento punk e por isso passa a ser deixado de lado por antigos amigos. Richie se envolve com a promíscua Ruby (Jennifer Sposito) e acaba aceito por ela mesmo trabalhando como michê em uma casa de shows gay. 

O medo causado pelos crimes do “Filho de Sam” influenciará ainda mais a vida destes personagens, principalmente após uma dupla de policiais (Anthony LaPaglia e Roger Guenveur Smith) pedir ajuda ao mafioso local, Luigi (o veterano Ben Gazzara) para caçar o assassino. Luigi oferece uma recompensa pela captura, o que faz com o pequeno traficante Joey T (Michael Rispoli) e seus amigos criem uma lista de possíveis suspeitos e passem a vigiá-los, dando início a uma maluca caçada. 

Todos os ingredientes que Spike Lee costuma inserir em seus filmes estão aqui, a questão do preconceito, com descendentes de italianos que vêem o punk de Adrien Brody como uma aberração e também contra as mulheres, tratadas como objeto. Temos ainda a locação em Nova Iorque, além de utilizar o calor da época como quase um personagem, assim como ele fez no ótimo “Faça a Coisa Certa”. 

O filme é curioso ao mostrar duas famosas casas de show extremamente famosas na época e que recebiam públicos completamente opostos, o santuário punk de shows CBGB e o Estúdio 54, local onde os descolados fãs da Disco se reuniam para curtir a noite. 

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Nossa Vida Não Cabe Num Opala


Nossa Vida Não Cabe Num Opala (Brasil, 2008) – Nota 5,5
Direção – Reinaldo Pinheiro
Elenco – Leonardo Medeiros, Milhem Cortaz, Jonas Bloch, Maria Manoella, Gabriel Pinheiro, Paulo César Peréio, Maria Luisa Mendonça, Marília Pêra, Dercy Gonçalves.

Após a morte do pai (Paulo César Peréio), seus quatros filhos percebem como é frágil a estrutura daquela família. O filho mais velho Monk (Leonardo Medeiros) é um ex-boxeador frustrado, que tem alguma instrução porém vive extremamente amargurado e ganha a vida como ladrão de carros agindo com outro irmão, Lupa (Milhem Cortaz), este por sinal é desasjustado, ignorante e roubar carros é sua única habilidade. O terceiro elo da família é Magali (Maria Manoella), que trabalha tocando teclados em uma decadente churrascaria sempre sendo assediada pelo pilantra Gomes (Jonas Bloch), dono do desmanche de carros onde os irmãos levam os automóveis roubados para abaterem da dívida deixada pelo pai. Gomes também é agenciador de lutas de boxe clandestinadas. A família se completa com Slide (Gabriel Pinheiro), um adolescente skatista que sem saber o que fazer da vida, se divide entre tentar seguir a carreira dos irmãos, roubando carros ou lutando boxe e ainda tem o sonho de encontrar a mãe que os abandonou. 

A promissora história baseada numa peça teatral de Mário Bortolotto, acaba não correspondendo em virtude de um roteiro confuso que desperdiça o talentoso elenco e ainda inclui a estranha personagem de Maria Luisa Mendonça que nada acrescenta a história. É uma pena, poderia ter um resultado muito melhor.

domingo, 29 de agosto de 2010

O Homem que Perdeu a Hora & Meu Reino Por um Leitão


Na década de setenta o grupo inglês Monty Pyton apareceu para o mundo com um seriado para TV chamando "Monty Python's Flying Circus", onde criavam quadros e personagens malucos num típico humor inglês, politicamente incorreto até a medula. O sucesso fez com que o grupo transportasse seu humor para o cinema. Em breve comentarei sobre filmes do grupo, como "A Vida de Brian" e "O Sentido da Vida".

No início dos anos oitenta o grupo se separou e os integrante seguiram para carreira solo. A dupla Terry Gilliam e Terry Jones, este o único americano do grupo, seguiram a carreira de direção em cinema, com Terry Gilliam dispensando apresentações após grandes filmes. Eric Idle seguiu fazendo papéis pequenos em comédias e teve papel fixo no seriado "Suddenly Susan" ao lado de Brooke Shields. O único do grupo já falecido é Graham Chapman, que após o fim do Monty Python fez pouco coisa até sua morte em oitenta e nove. 

Agora nesta postagem eu cito duas comédias estreladas pelos outros dois atores do grupo: Michael Palin e John Cleese. Após o final do grupo, a dupla atuou junto no ótimo "Um Peixe Chamado Wanda" e em "Ferocidade Máxima", além de diversos outros trabalhos, John Cleese com certeza é o mais conhecido, tendo até substituído o personagem "Q" em 007. Já Michael Palin na última década deixou o cinema de lado e se especializou em apresentar e produzir documentários para a TV inglesa.

O Homem que Perdeu a Hora (Clockwise, Inglaterra, 1986) – Nota 6
Direção – Christopher Morahan
Elenco – John Cleese, Penelope Wilton, Alison Steadman, Stephen Moore.

O diretor de colégio Brian Stimpson (John Cleese) é obcecado por horários, sendo motivo de piada dos alunos. No dia em que ele será o palestrante de um congresso de diretores de escola, acaba errando o percurso e passará por um série de situações constrangedoras e até engraçadas para tentar chegar no local no horário. O filme tira um sarro da pontualidade britânica e deixa o bom comediante John Cleese dar um show no papel do sujeito certinho que tem de enfrentar o dia mais complicado de sua vida.

Meu Reino por um Leitão (A Private Function, Inglaterra, 1984) – Nota 6
Direção – Malcolm Mowbray
Elenco – Michael Palin, Maggie Smith, Liz Smith, Denholm Elliott, Richard Griffiths, Bill Paterson, Alison Steadman, Pete Postlethwaite.

O longa se passa num pequeno povoado da Inglaterra logo após o final da Segunda Guerra, quando o país ainda passava por um racionamento de comida. Os habitantes do local está engordando um leitão para ser o prato principal de uma festa, mas quando o bicho é roubado começa a loucura para descobrir quem é o culpado e vários moradores passam a ser suspeitos. Comédia com o típico humor inglês, que tem ponto forte no seu elenco, com ex-Monty Python Michael Palin como um marido submisso dominado pela esposa vivida por Maggie Smith, além de outros bons atores como Richard Griffiths e o falecido Denholm Elliott. 


sábado, 28 de agosto de 2010

A Múmia: Tumba do Imperador Dragão


A Múmia: Tumba do Imperador Dragão (The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor, EUA / China / Alemanha, 2008) – Nota 6
Direção – Rob Cohen
Elenco – Brendan Fraser, Jet Li, Maria Bello, John Hannah, Michelle Yeoh, Luke Ford, Isabella Leong, Anthony Wong Chau Sang, Russell Wong, Liam Cunningham, David Calder.

Neste sequência tardia da franquia, o casal Rick O’Connell (Brendan Fraser) e Evelyn (Maria Bello substituindo Rachel Weisz) estão aposentados e seu filho Alex (Luke Ford) se tornou explorador após abandonar a universidade sem avisar o casal. Alex descobre em Shangai um exército de soldados, além do imperador, todos em terracota, porém ele não imaginava que seu mentor (David Calder) tinha feito um acordo com oficiais chineses para que com a ajuda de um amuleto que casal O’Connell carrega, trazer à vida o imperador (Jet Li) e seu exército. 

Novamente a franquia tem boas cenas de ação, mas fica a impressão de que já vimos este filme, além de Brendan Fraser parecer cansado para o papel e Maria Bello não estar a altura de Rachel Weizs. Outro ponto negativo é o roteiro que desperdiça Jet Li, que aparece no início e depois apenas na parte final do longa. 

Vale apenas como uma sessão da tarde despretensiosa.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Meu Pé Esquerdo


Meu Pé Esquerdo (My Left Foot: The Story of Christy Brown, Irlanda / Inglaterra, 1989) – Nota 8
Direção – Jim Sheridan
Elenco – Daniel Day Lewis, Brenda Fricker, Ray MacNally, Hugh O’Conor, Fiona Shaw, Ruth McCabe, Alison Whelan, Cyril Cusack.

Christy Brown (Hugh O’Conor) nasce numa família pobre na Irlanda com paralisia cerebral, podendo movimentar apenas o pé esquerdo. Quando adulto (vivido agora por Daniel Day Lewis), após enfrentar diversos obstáculos, entre eles o preconceito de muitos, inclusive a rejeição do pai (Ray MacNally), ele descobre a pintura e também se transforma em escritor. 

O longa é baseado na história real de Christy Brown, um exemplo de superação aqui interpretado magistralmente por Daniel Day Lewis que ganhou o Oscar de Melhor Ator e tendo ainda a bela intepretação de Brenda Fricker como sua mãe, a única pessoa que acreditava na superação de Christy. Brenda também venceu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. 

Esta foi a estréia na direção do irlandês Sheridan, que faria ainda dois filmes com Daniel Day Lewis, o drama político “Em Nome do Pai” e “O Lutador”.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Os Mercenários


Os Mercenários (The Expendables, EUA, 2010) – Nota 8
Direção – Sylvester Stallone
Elenco – Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgreen, Eric Roberts, Randy Couture, Steve Austin, David Zayas, Giselle Itié, Charisma Carpentes, Terry Crews, Gary Daniels, Mickey Rourke, Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger.

Alucinante. Esta é a palavra para descrever a viagem de Stallone e seus companheiros a um filme de ação com toda a roupagem dos anos oitenta. Esqueçam roteiro, atuações e lógica e divirtam-se com diversos tiroteios, mortes e lutas. 

A história é simples, um grupo de mercenários liderados por Barney Ross (Stallone) é contratado por um sujeito, Mr. Church (Bruce Willis) para invadir uma ilha no Pacíficio e assassinar o ditador local (David Zayas). 

A idéia de Stallone em unir diversos astros gênero foi uma tacada de mestre, no elenco principal temos nomes como Jason Stathan e Jet Li a seu lado, além do Dolph Lundgreen, Mickey Rourke e outros astros de filmes B de ação, como Eric Roberts, Steve Austin e Gary Daniels em papéis de coadjuvante. 

Outro detalhe curioso e sensacional para os fãs do gênero, é a rápida cena em que Stallone, Willis e Schwarzenegger discutem quem vai aceitar a missão de matar o ditador e soltam frases engraçadas de duplo sentido em relação a carreira de cada um. 

O resultado mostra que mesmo um gênero explorado a exaustão pode render filmes interessantes e que além disso Stallone nasceu para ser astro de ação, depois de ter experimentado outros gêneros e quebrado a cara na maioria da vezes, fica claro que aqui é a sua praia. 

O filme acaba sendo quase uma homenagem ao gênero e seus astros, pois praticamente todos os atores principais participam de alguma luta individual durante o longa. 

Finalizando, a química entre Stallone e Jason Statham rende bons diálogos e a participação da brasileira Giselle Itié  também não compromete e quem sabe pode abrir um caminho para ela em Hollywood.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ishtar


Ishtar (Ishtar, EUA, 1987) – Nota 4
Direção – Elaine May
Elenco – Warren Beatty, Dustin Hoffman, Isabelle Adjani, Charles Grodin, Tess Harper, Carol Kane, Jack Weston.

Uma dupla de músicos fracassados (Warren Beatty e Dustin Hoffman) é convidada para uma temporada de shows no pequeno e fictício país de Ishtar na África. Autores de músicas ridículas, eles terão de entreter soldados americanos que estão naquele local. Chegando lá eles se envolvem com uma guerrilheira (Isabelle Adjani) que pretende derrubar o ditador local e ao mesmo tempo um agente da CIA (Charles Grodin) deseja utiliza a dupla como isca para seus planos.

 Esta superprodução foi um dos maiores fracassos de crítica e bilheteria dos anos oitenta, na época foram gastos 55 milhões de dólares e com arrecadação de apenas 7 milhões nas bilheterias. O tamanho do fracasso é enorme pelos envolvidos no projetos, a dupla principal estava no auge na época, mesmo estando há quatro ou cinco anos sem filmar, os dois vinham de sucessos. Warren Beatty havia acertado na comédia “O Céu Pode Esperar” (também dirigida por Elaine May) e o drama “Reds” que ele mesmo dirigiu, já Dustin Hoffman havia trabalhado em “Kramer vs Kramer” e “Tootsie”. 

O fracasso é merecido, o filme não se decide entre espionagem e comédia, desperdiçando ainda a bela e talentosa Isabelle Adjani, que também vinha do sucesso “Subway” de Luc Besson e o comediante Charles Grodin, que fez bons papéis nos anos setenta. 

Vale apenas como exemplo de como não ser fazer um filme.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A Estrada


A Estrada (The Road, EUA, 2009) – Nota 7
Direção – John Hillcoat
Elenco – Viggo Mortensen, Kodi Smit McPhee, Robert Duvall, Charlize Theron, Guy Pearce, Molly Parker, Michael Kenneth Willians, Garrett Dillahunt.

Num mundo pós-apocalíptico, pai e filho (Viggo Mortensen e Kodi Smit McPhee) viajam pelas estradas em direção a costa, no sul do país, em busca de encontrar outros sobreviventes e fugir do frio. Durante a viagem eles precisam se defender de gangues que praticam o canibalismo, além de desconfiar de qualquer pessoa que apareça pelo caminho. Ao mesmo tempo o espectador é apresentando ao passado através das lembranças e da narração do pai, começando no dia do ataque nuclear quando sua esposa (Charlize Theron) ainda estava grávida, passando pelo desespero desta e culminando no início da jornada de pai e filho. 

Apesar das cenas violentas e do tema canibalismo, o filme é na realidade um drama forte, que se apóia na relação de amor entre pai e filho, mostrando como o pai tenta fazer de tudo para manter o garoto vivo e o ensina a como sobreviver num mundo como aquele. 

Fica a impressão de que os acontecimentos do filme são o que mais próximo chegaria perto da realidade caso acontecesse um conflito nuclear, com uma sensação de destruição e falta de esperança durante todo o longa. 

Além da boa interpretação de Viggo, vale destacar a pequena mais importante participação de Robert Duvall como um idoso sobrevivente debaixo de muita maquiagam, mas com diálogos extremamente interessantes e emotivos. 

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Conta Comigo


Conta Comigo (Stand By Me, EUA, 1986) – Nota 8
Direção – Rob Reiner
Elenco – Will Wheaton, River Phoenix, Corey Feldman, Jerry O'Connell, Richard Dreyfuss, Kiefer Sutherland, Casey Siemaszko, John Cusack, Bradley Gregg, Marshall Bell, Frances Lee McCain.

Hoje o ator River Phoenix faria quarenta anos se estivesse vivo. Extremamente talentoso, quem sabe poderia ser até melhor que o irmão Joaquin, River fez poucos mas ótimos papéis na curta carreira, chegando até a concorrer ao Oscar de Ator Coadjuvante pelo "O Preço de um Passado". Como lembrança resolvi escrever sobre este ótimo filme, repleto de jovens atores que ficariam conhecidos. 

O escritor Gordie Lachance (Richard Dreyfuss) relembra uma incrível passagem de sua vida, quando aos treze anos em 1959, ele (vivido por Will Wheaton) junto com seus amigos Chris (River Phoenix), Teddy (Corey Feldman) e Vern (Jerry O’Connell) vivem numa pequena cidade do Oregon e resolvem sair pela floresta para procurar um garoto que havia sumido há alguns dias, indo se deparar com diversos desafios que colocarão a prova sentimentos como amizade, medo e lealdade. 

Este ótimo filme é baseado num livro parcialmente autobiográfico de Stephen King, na época já chamado de mestre do terror e ao mesmo tempo acusado pela crítica de não saber escrever sobre outro gênero. Aqui ele mostra talento e sensibilidade para contar um ritual de passagem de quatro garotos, no caso o pequeno Gordie seria o próprio King em sua infância. 

Outro grande destaque é o elenco, o quarteto principal fez fama quando jovem. Além de Phoneix que se foi, hoje Jerry O’Connell, que emagreceu bem, continua participando de filmes no cinema, enquanto o protagonista Will Wheaton trabalha com pequenos em séries de TV,  além de dublagens e Corey Feldman que era o mais famoso na época, se recuperou das drogas mas não conseguiu retomar a carreira. O destaque hoje são dos coadjuvantes na época, Kiefer Sutherland que faz o vilão e John Cusackque faz  um garoto de seu bando. Resumindo, é um belo e sensível filme que merece ser conhecido pela nova geração.

domingo, 22 de agosto de 2010

Hanami - Cerejeiras em Flor


Hanami – Cerejeiras em Flor (Kirschbluten – Hanami, Alemanha / França, 2008) – Nota 8
Direção – Doris Dorrie
Elenco – Elmar Wepper, Hannelore Elsner, Aya Irizuki, Maximilian Bruckner, Nadja Uhl, Birgit Minichmayr, Felix Eitner, Floriane Daniel.

Numa pequena cidade da Alemanha, a dona de casa Trudi (Hannelore Elsner) recebe a notícia dos médicos de que seu marido Rudi (Elmar Wepper) tem uma doença incurável e pouco tempo de vida. Um dos médicos sugere que ela leve o marido para uma viagem. Totalmente perdida, Trudi esconde o diagnóstico do marido e o convence a viajar para Berlim e visitar os filhos, porém sua idéia é tirar o pacato Rudi da cidade e ir mais longe para realizar um sonho, visitar o Monte Fuji no Japão. Mas como um bom drama, as coisas não acontecerão como o esperado. 

Este drama diferente, que se divide em sua locação, com metade do longa na Alemanha e a parte final no Japão, mostra com sensibilidade quando o final da vida se aproxima e as pessoas percebem tudo que deixaram de realizar para trabalhar e criar os filhos, que como vemos no filme, muitas vezes vêem os pais como um problema. O único e pequeno deslize é que o filme se alonga em algumas passagens muito lentas e desnecessárias, principalmente a parte final no Japão, mas tem como outro positivo mostrar a diferença da vida na Alemanha e no Japão.

sábado, 21 de agosto de 2010

60 Segundos (1974 e 2000)


60 Segundos (Gone in 60 Seconds, EUA, 1974) – Nota 7
Direção – H. B. Halicki
Elenco – H. B. Halicki, Marion Busia, Jerry Daugirda, James McIntire, George Cole, Ronald Halicki.

Esta é a versão original do “60 Segundos” estrelado por Nicolas Cage em 2000. O longa foi uma realização pessoal de H. B. “Toby” Halicki, um sujeito apaixonado por carros, que começou do nada e montou uma vasta coleção de automóveis. Para alimentar sua paixão, ele escreveu, produziu, dirigiu e estrelou este longa sobre um agente de seguros, Maindrian Pace, que conhecendo tudo sobre o mercado de seguros, monta um esquema de roubo de carros com sua quadrilha. Os carros procurados são apenas os que estão segurados e após um contrato com um receptador, seu grupo precisa roubar cinquenta em três dias. 

Para tentar esconder a trama, a quadrilha batiza com um nome de mulher cada carro e especialmente um Mustang que é chamado de Eleanor, que será o astro principal de uma incrível perseguição de mais de quarenta e cinco minutos, que destrói uma quantidade enorme de carros, da polícia em sua maioria e passa por uma quantidade enorme de lugares. Esta perseguição fez com que o filme se tornasse cult. Halicki ainda faria outros dois filmes sobre carros nos anos oitenta e acabaria falecendo num acidente de automóvel, quando filmava um outro longa em 1989. 


60 Segundos (Gone in Sixty Seconds, EUA, 2000) – Nota 6
Direção – Dominic Sena
Elenco – Nicolas Cage, Angelina Jolie, Giovanni Ribisi, Delroy Lindo, Robert Duvall, Scott Caan, Chi McBride, Vinnie Jones, Christopher Eccleston, James Duval, Will Patton, Timothy Olyphant, Grace Zabriskie, Francês Fisher, Arye Gross, T. J. Cross.

Esta refilmagem do clássico B de 1974 tem como destaque o elenco recheado de gente famosa e os carros que fazem a alegria dos fanáticos por automóveis. O roteiro muda um pouco em relação ao original, aqui o ladrão de carros aposentado Memphis Raines (Nicolas Cage) precisa voltar a ativa para salvar a vida do irmão Kip (Giovanni Ribisi), que tem uma dívida com um mafioso. A missão de Memphis será roubar 50 carros de luxo em uma noite (no original eram três dias). Para isso ele recruta velhos conhecidos, entre eles a ex-namorada (Angelina Jolie), um veterano restaurador de carros (Robert Duvall) e outros amigos do gênero. 

A principal diferença em relação ao original é que aqui a trama mostra o lado pessoal, o sujeito que resolve roubar para ajudar o irmão, enquanto no original o objetivo era o lucro. Os dois filmes se equivalem em boa parte da trama, inclusive no quesito do carro mais desejado, o Mustang apelidado de “Eleanor”, mas o original ganhar na inacreditável sequência de quarenta e cinco minutos seguidos de perseguição, pelo que eu conheço de cinema é um feito único. 


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Meu Pai, uma Lição de Vida

Meu Pai, uma Lição de Vida (Dad, EUA, 1989) – Nota 7
Direção – Gary David Goldberg
Elenco – Jack Lemmon, Ted Danson, Olympia Dukakis, Kathy Baker, Kevin Spacey, Ethan Hawke, Zakes Mokae, J. T. Walsh.

O casal de idosos Jake (Jack Lemmon) e Bette (Olympia Dukakis) sofre um abalo quando ela tem um problema no coração e vai parar no hospital. A situação faz com que o filho John (Ted Danson), um executivo que pensa apenas em trabalho, tenha de voltar para casa e cuidar do pai, que não sabe viver sozinho. O relacionamento do dois era distante,  mas aos poucos eles vão redescobrindo a amizade, até a recuperação da mãe, que ao voltar para casa mostra sua personalidade dominadora, que não deixa o marido viver. Um outro problema de saúde, fará com que todos mudem seu pensamento e suas atitudes, mostrando que sempre há tempo para mudanças.

O longa é um drama familiar que comove no final, mas chega a ter partes engraçadas no desenrolar da história, tendo como ponto alto a atuação de Jack Lemmon e dos bons coadjuvantes, entre eles Ted Danson, que era famoso pelo seriado de TV “Cheers” e tentava vencer no cinema, antes havia trabalhado no sucesso “Três Solteirões e um Bebê”, mas nunca conseguiu chegar a ser um grande astro.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Noites Calmas


Noites Calmas (A Midnight Clear, EUA, 1992) – Nota 7,5
Direção – Keith Gordon
Elenco – Ethan Hawke, Peter Berg, Kevin Dillon, Arye Gross, Gary Sinise, Frank Whaley, John C. McGinley.

Em 1944 durante a Segunda Guerra, um grupo de seis soldados é designado para montarem guarda em um chalé abandonado no meio da floresta debaixo de neve. O mais velho é Vance Wilkins (Gary Sinise), chamado de mãe pelos companheiros, todos jovens e inexperientes. Enquanto passam frio e sofrem de tédio e também de medo com a possível chegada do inimigo, acabamos por conhecer a personalidade de cada um e quando os alemães aparecem, o espectador e também os soldados americanos descobrem que seus inimigos sofrem tanto quanto eles e que nem todos eram nazistas. 

Lembrei deste diferente drama de guerra ao ver que o ator Kevin Dillon faz 45 anos hoje e junto com outros jovens na época, como Ethan Hawke o mais famoso do grupo, Frank Wahlley que junto com Dillon trabalhou em “The Doors” e o hoje diretor Peter Berg, estrelaram este drama antibélico, sensível e triste ao mesmo tempo, que confirmou o talento do também jovem na época Keith Gordon, que era conhecido como ator por ter participado de filmes famosos como “Vestida Para Matar” e “Christine – O Carro Assassino”. Gordon havia dirigido quatro anos antes, o também sensível “ A Guerra do Chocolate”. 

Quanto a Kevin Dillon, ele chegou ao cinema na cola do irmão mais velho e mais famoso, Matt Dillon e durante os anos oitenta teve outros papéis interessantes em “Platoon” e “A Bolha Assassina”, mas nos noventa ficou relegado a papéis pequenos, até que se achou novamente no seriado “Entourage”. 

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Conduta de Risco


Conduta de Risco (Michael Clayton, EUA, 2007) – Nota 7,5
Direção – Tony Gilroy
Elenco – George Clooney, Tom Wilkinson, Tilda Swinton, Sydney Pollack, Michael O’Keefe, Ken Howard, Robert Prescott, Terry Serpico, Sean Cullen, David Zayas.

Numa grande firma de advocacia, o ex-promotor público Michael Clayton (George Clooney) é o chamado “faxineiro”, tendo como função limpar a sujeira dos grandes clientes que se meteram em encrenca.  Sua missão atual é resolver o problema causado pelo advogado Arthur Edens (Tom Wilkinson), seu amigo, que durante uma audiência num caso envolvendo uma grande corporação, ele tem um ataque de consciência e quase um colapso, tira a roupa e tenta sabotar o processo, passando para o lado das vítimas. 

Tentando entender o que aconteceu com o amigo, Michael percebe o que se tornou sua vida e começa a se questionar, porém afundado em dívidas de jogos e num negócio falido por culpa do irmão, ele tem muito a perder se resolver seguir a o lado da integridade. 

Interessante drama que mostra como as corporações agem e ainda são defendidas pelas grandes firmas de advocacia, num jogo de milhões que não liga a mínima para nada nem para ninguém, onde apenas dinheiro e o poder interessam.

O longa concorreu a vários Prêmios Oscar (Direção, Ator com Clooney, Ator Coajudvante com Wilkinson) mas venceu apenas com Tilda Swinton como Melhor Atriz Coadjuvante.