domingo, 15 de agosto de 2010

Planos Quase Perfeitos


Planos Quase Perfeitos (Best Laid Plans, EUA, 1999) – Nota 7
Direção – Mike Barber
Elenco – Reese Witherspoon, Alessandro Nivola, Josh Brolin, Rocky Carroll, Terrence Howard, James Marsh.

Interessante suspense que começa com dois amigos de faculdade se reencontrando após alguns anos na pequena cidade de Tropico, ao que parece um local próximo ao deserto. Durante a conversa percebemos que Nick (Alessandro Nivola) é o que se formou e ficou na pequena cidade sem muito futuro e Bryce (Josh Brolin) é um professor que voltou por um tempo em virtude do seu trabalho. A amizade fica estranha quando no meio da madrugada Bryce liga desperado para o amigo Nick pedindo ajuda. Quando Nick chega ao local, Bryce conta que levou para casa um garota (Reese Witherspoo), transou com ela estando totalmente bêbado e depois ela o acusou de estupro. Este fato dá início a um jogo de mentiras, traições e reviravoltas, que será mostrado em flashback com um desfecho até certo ponto surpreendente. 

O filme é uma boa diversão, com um elenco de bons nomes, principalmente Reese Witherspoon que na época estava em ascensão, mas mesmo assim deixa a impressão que poderia ser melhor na mão de um diretor mais experiente.  

sábado, 14 de agosto de 2010

007 Contra Chantagem Atômica


007 Contra a Chantagem Atômica (Thunderball, Inglaterra, 1965) – Nota 7,5
Direção – Terence Young
Elenco – Sean Connery, Adolfo Celi, Claudine Auger, Luciana Paluzzi, Lois Maxwell, Bernard Lee, Desmond Llewellyn, Rik Van Nutter.

Nesta quarta aventura de James Bond no cinema, o personagem de Sean Connery precisa recuperar duas bombas nucleares roubadas pela Spectre, organização criminosa que tem como organizador deste roubo o vilão Emilio Largo (Adolfo Celi), que pretende detonar os artefatos contra os EUA ou a Inglaterra. Bond vai da França as Bahamas para tentar deter o vilão. 

Na minha opinião todos os filmes de Connery como James Bond são bons, exceto “Goldfinger” que é ótimo e para muitos o melhor de toda a série. Esta história foi refilmada em 1983 com Connery de volta ao papel em “Nunca Mais Outra Vez”, longa que não é considerado oficial da série, por não ter sido produzido  por Albert e Barbara Brocoli. 

A curiosidade aqui é ter como vilão o italiano Adolfo Celi, que trabalhou no Brasil nos anos cinqüenta na produtora Vera Cruz e dirigiu clássicos como “Caiçara” e “Tico-Tico no Fubá”. 

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Encarnação do Demônio


Encarnação do Demônio (Brasil, 2008) – Nota 8
Direção – José Mojica Marins
Elenco – José Mojica Marins, Jece Valadão, Adriano Stuart, Milhem Cortaz, Rui Resende, José Celso Martinez Correa, Cristina Aché, Helena Ignez, Débora Muniz, Thaís Simi, Giulio Lopes, Luís Melo.

Após décadas na prisão, o agente funerário Josefel Zanatas, o Zé do Caixão, é solto e com ajuda do corcunda Bruno (Rui Resende) e alguns outros seguidores, volta a procurar a mulher perfeita para gerar seu filho. Ele irá se interessar por Maíra (Thais Simi), mas suas duas tias ciganas farão de tudo para atrapalhar os planos de Zé do Caixão. Além disso ele se instala em uma favela e acaba entrando em conflito com bandidos do local e com a polícia, principalmente após atacar o Capitão Oswaldo (Adriano Stuart) lider de um esquadrão da morte. Ao mesmo tempo outro policial, o Capitão Miro (o falecido Jece Valadão) que tem contas a acertar com Zé do Caixão, se une ao Padre Eugênio (Milham Cortaz), que também deseja se vingar do assassino de seu pai. 

Este retorno de José Mojica Marins ao personagem Zé do Caixão visa fechar a trilogia iniciada nos anos sessenta, com os clássicos “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” e “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” e que demorou todos estes anos para ser completada em virtude de vários motivos: A censura pesada na época, depois problemas financeiros, principalmente a dificuldade para conseguir um produtor nos anos oitenta e por último a paralisação da produção nacional na Era Collor. Após a retomada do cinema em meados dos anos noventa, os produtores continuaram a ignorar o talento de Mojica e apenas depois do sucesso do documentário “Maldito” de André Barcinski, que contava a vida de José Mojica Marins, ele conseguiu alguém para financiar outro longa. 

Para quem conhece e gosta do cinema de Mojica e do gênero terror, com certeza verá o melhor filme da trilogia, que conta com coadjuvantes de primeira, um bom roteiro que fecha bem a história de Zé do Caixão e a produção que propiciou boas condições para Mojica criar seu mundo de terror recheado de cenas violentas e muito sangue. Espero que o talento de Mojica seja explorado para novos filmes de terror, um gênero onde ele é o grande mestre no cinema nacional.    

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Tá Rindo do Quê?


Tá Rindo do Quê? (Funny People, EUA, 2009) – Nota 6
Direção – Judd Apatow
Elenco – Adam Sandler, Seth Rogen, Leslie Mann, Eric Bana, Jonah Hill, Jason Schwartzman, Aubrey Plaza, Andy Dick, Charles Fleischer, Paul Reiser, Norm MacDonald, Sarah Silverman, Eminem, Ray Romano

Misturar drama com comédia é uma tarefa complicada, são gêneros distintos, quase opostos e na maioria das vezes o resultado fica no meio termo, como é o caso deste filme. 

O personagem principal é o comediante George Simmons (Adam Sandler), sujeito que começou no stand-up e se tornou astro de filmes idiotas (lembra muito a carreira do próprio Sandler). Tendo muito dinheiro e fama, George aproveita a vida com festas e mulheres, porém quando descobre que tem um doença que pode ser fatal, começa a relembrar sua vida e percebe que está sozinho no mundo. Quando resolve voltar a se apresentar no stand-up, sem contar a ninguém sobre sua doença, George se aproxima do comediante amador Ira Wright (Seth Rogen) e o contrata para ser seu secretário e uma espécie de pupilo. A partir daí o relacionamento profissional / amizade entre os dois terão altos e baixos, principalmente  pela obsessão de George em reviver o romance com Laura (Leslie Mann), a ex-noiva que o abandonou por causa de suas traições. 

O roteiro tem pontos interessantes, como as participações de diversos comediantes em pequenas passagens, como Paul Reiser, Norm MacDonald e Andy Dick, a crise que o personagem de Sandler passa ao perceber que fez muitas escolhas erradas e que pode morrer logo, além de alguns diálogos engraçados, principalmente quando aparecem os amigos do personagem de Seth Rogen, vividos pelo gordinho Jonah Hill (figura carimbada nos filmes de Apatow) e Jason Schwartzman, porém a parte final quando estoura a crise entre Sandler, Rogen, a ex-noiva vivida por Leslie Mann e seu marido, o péssimo Eric Bana, o filme desanda e se torna até moralista na solução do drama. Uma pena, porque Apatow na direção, com Sandler e Rogen nos papéis principais, poderíamos ter assistido a uma comédia de primeira. 

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Refém de uma Vida

Refém de uma Vida (The Clearing, EUA / Alemanha, 2004) – Nota 6,5
Direção – Pieter Jan Brugge
Elenco – Robert Redford, Helen Mirren, Willem Dafoe, Alessandro Nivola, Matt Craven, Melissa Sagemiller, Wendy Crewson, Larry Pine, Diana Scarwid.

O executivo de sucesso Wayne Hayes (Robert Redford) parece levar a vida perfeita ao lado da esposa Eileen (Helen Mirren), até que numa manhã é sequestrado pelo estranho Arnold Mack (Willem Dafoe), que o leva para uma floresta dizendo que está cumprindo uma missão em troca de dinheiro. Enquanto isso a esposa de Wayne com seu casal de filhos se desespera e tem a ajuda de um agente do FBI (Matt Craven). 

A premissa é muito boa e a primeira meia-hora dá impressão que existe muita coisa escondida por trás das aparências, mas aos poucos vamos descobrindo que a motivação do seqüestro é algo até certo ponto simples. 

O elenco dá conta do recado, Redford e Helen Mirren estão competentes como sempre e Willem Dafoe que as vezes exagera no papel de vilão, aqui está contido. 

É uma pena que uma história com potencial e um bom elenco tenham sido mal aproveitados, resultando num filme apenas morno, quase sem emoção.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Eclipse Mortal & A Batalha de Riddick


Eclipse Mortal (Pitch Black, EUA, 2000) – Nota 8
Direção – David Twohy
Elenco – Vin Diesel, Radha Mitchell, Cole Hauser, Keith David, Rhiana Griffith.

No futuro durante uma viagem interplanetária, uma nave sofre um acidente e os seis sobreviventes, entre eles o prisioneiro Riddick (Vin Diesel) caem num planeta desconhecido habitado por monstros carnívoros que atacam apenas a noite, em virtude de não suportarem a claridade. 

Com esta históra clássica de ficção B, que lembra a série “Aliens”, o diretor David Twohy (dos legais “A Invasão” e “Submersos”) cria uma diversão de primeira com muita criatividade, sem necessidade de um grande orçamento e apresenta Vin Diesel em seu primeiro papel principal, por sinal interpretando um ótimo personagem.

A Batalha de Riddick (The Chronicles of Riddick, EUA, 2004) – Nota 7
Direção – David Twohy
Elenco – Vin Diesel, Colm Feore, Thandie Newton, Judi Dench, Karl Urban, Alexa Davalos, Linus Roache, Yorick Van Wageningen, Nick Chinlund, Keith David.

Esta continuação do ótimo “Eclipse Mortal” mostra o fugitivo Riddick (Vin Diesel) tentando escapar de mercenários que querem receber a recompensa por sua captura e ao mesmo tempo a galáxia está sendo dominada pelos Necromongers, liderados por Lord Marshal (Colm Feore) que promove um misto de lavagem cerebral com lobotomia para conseguir seguidores e Riddick pode ser o único capaz de derrotar o sujeito. 

O que “Eclipse Mortal” tinha de originalidade e cara de filme B no melhor sentido, este mesmo tendo um orçamento bem maior não conseguiu superar, apesar do elenco que tem a grande Judi Dench, o resultado é uma ficção correta, com boas cenas de ação e que se apóia no carisma de Vin Diesel, mas nada além disso.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Meu Ódio Será Sua Herança


Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch, EUA, 1969) – Nota 8,5
Direção – Sam Peckinpah
Elenco – William Holden, Ernest Borgnine, Robert Ryan, Edmond O’Brien, Warren Oates, Jaime Sanches, Ben Johnson, Emilio Fernandez, Bo Hopkins, L. Q. Jones.

Em 1913 durante a Revolução Mexicana, uma quadrilha de bandidos veteranos liderados Pike (William Holden) tentam assaltar um escritório da ferrovia numa pequena cidade do Texas e são emboscados pelo caçador de recompensas Deke (Robert Ryan) e seus homens. Apesar de algumas baixas, a quadrilha escapa e vai para o México, porém chegando numa pequena vila onde nasceu um dos integrantes do bando (Jaime Sanches), eles descobrem que a população local está sendo oprimida por um general corrupto chamado Mapache (Emilio Fernandez). Mesmo perseguidos pelos caçadores de recompensa, a quadrilha de veteranos resolve ajudar a população e entra em conflito com o general, resultando num último e sanguinário tiroteio. 

Este longa foi produzido quando o gênero western não estava mais no auge e a história também se passa numa época em que o velho oeste estava acabando, com os cavalos sendo substituídos pela ferrovia e os velhos caubóis se tornando obsoletos. 

Para tentar dar algo diferente ao gênero, Sam Peckinpah filmou os sangrentos tiroteios em câmera lenta, inovando e aumentando a intensidade da violência, criando um estilo que é copiado por John Woo, Robert Rodriguez e diversos outros diretores atuais. Além disso, Peckinpah utilizou um elenco de astros veteranos para interpretar os ultrapassados bandidos. Grande filme, como vários da carreira de Sam Peckinpah.

sábado, 7 de agosto de 2010

O Monstro do Mar Revolto


O Monstro do Mar Revolto (It Came from Beneath the Sea, EUA, 1955) – Nota 6
Direção – Robert Gordon
Elenco – Kenneth Tobey, Faith Domergue, Donald Curtis, Ian Keith.

Um submarino liderado pelo Comandante Matthews (Kenneth Tobey) é atacado por uma criatura desconhecida, mas consegue escapar levando um pedaço do animal grudado no motor. Este tecido é analisado por cientistas (Faith Domergue e Donald Curtis) que acreditam ser um de um polvo, porém os oficiais da marinha e exército não acreditam na história. Tudo muda quando o polvo gigante aparece na baía de São Francisco atacando navios e tudo o que estiver pela frente. 

Este longa é um clássico da ficção B dos anos cinqüenta, que diverte nas cenas em que aparece o polvo gigante, sendo este um trabalho do grande Ray Harryhausen, que criou centenas de criaturas para o gênero, desdes os anos cinqüenta até “Fúria de Titãs” em 1981. 

Outra curiosidade é a presença de Kenneth Tobey, que está imortalizado no gênero por ter protagonizado outro clássico, “O Monstro do Ártico” de 1951. Tobey que faleceu em 2002, trabalhou em mais de cem filmes além de diversas aparições em seriados de TV. 

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Stop-Loss: A Lei da Guerra


Stop-Loss: A Lei da Guerra (Stop-Loss, EUA, 2008) – Nota 6,5
Direção – Kimberly Peirce
Elenco – Ryan Phillippe, Channing Tatum, Joseph Gordon Levitt, Abbie Cornish, Timothy Olyphant, Linda Emond, Ciaram Hinds, Rob Brown, Josef Sommer, Victor Rasuk.

Após cumprir seu último turno no exército, os Sargentos Brandon King (Ryan Phillippe) e Steve Shriver (Channing Tatum) voltam para casa numa pequena cidade do Texas e são recebidos como heróis. Enquanto Steve ainda está indeciso em seguir no exército, Brandon quer apenas retomar a vida normal, mas é surpreendido com a notícia de que terá de voltar para o Iraque em virtude do chamado “Stop-Loss”, algo como “Tempo Estendido” que muitos soldados são obrigados a cumprir à revelia, enquanto o presidente alega que o pais está em guerra. Revoltado, Brandon se nega a voltar e inicia uma batalha contra tudo e todos. Enquanto isso, um terceiro soldado amigo da dupla, Tommy (Joseph Gordon Levitt), também volta mas terá de se reapresentar para cumprir o resto do tempo, porém ele apresenta problemas psicológicos, brigando com a esposa e se entregando a bebida. 

Apesar do roteiro não se aprofundar no tema, o filme tenta mostrar como milhares de jovens foram enganados pelo governo americano com a história de construir uma carreira no exército para lutar contra o terrorismo, utilizando os ataques de 11 de Setembro como motivação patriótica e que descobriram o inferno em que entraram apenas quando chegaram ao Afeganistão e ao Iraque. As consequências físicas e psicológicos são semelhantes ao que aconteceu com os soldados americanos que combateram no Vietnã e com certeza ninguém volta ileso de uma guerra.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Calígula


Calígula (Caligula, Itália / EUA, 1979) – Nota 5
Direção – Tinto Brass
Elenco – Malcom McDowell, Teresa Ann Savoy, Helen Mirren, Peter O'Toole, John Gielgud, John Steiner, Paolo Bonacelli.

Este é um dos filmes mais polêmicos da história do cinema. O longa conta a história do imperador romano Caligula (Malcolm McDowell), um tirano sanguinário que criou um reinado de sexo e violência. Ele se casa com uma prostituta (Helen Mirren) e ao mesmo tempo mantém um caso com sua irmã (Teresa Ann Savoy). A loucura do imperador cria situações absurdas, como quando nomeia seu cavalo como ministro e em um banquete quando obriga as mulheres e filhas do senadores de Roma a se prostituirem. 

Além das polêmicas cenas de sexo e violência, a história em torno da filmagem do longa é tão complicada quanto o resultado final. Tudo começou quando Bob Guccione, dono da revista Penthouse, teve a idéia de produzir o longa baseado num roteiro do famoso escritor Gore Vidal e contratou o diretor italiano Tinto Brass, sujeito especialista em filmes eróticos que exploravam nudez e sexo encenado, na maioria das vezes com personagens estranhos que não agradariam os fãs do cinema pornô. 

Guccione soltou vinte milhões de dólares para a produção e contratou astros ingleses como Malcolm McDowell, Helen Mirren, Peter O’Toole (que faz Tiberius) e John Gielgud (o Senador Nerva) para os papéis principais, tendo em mente um longa que chamasse a atenção do mesmo público que comprava sua revista, misturando atores talentosos com pornografia. Porém assim que Tinto Brass montou o filme, Guccione odiou o resultado porque não haviam cenas de sexo explícito e as modelos contratadas por ele para serem figurantes praticamente não eram notadas. Enfurecido, ele despediu Tinto e Gore Vidal e resolveu montar sozinho o longa, filmando e incluindo diversas cenas de sexo explícito com suas modelos.  O resultado é a versão de duas horas e meia que a crítica odiou e que deixa o filme longo, confuso e cansativo. 

Existem diversas versões do filme que foram lançadas em alguns países, mas a que chegou ao Brasil foi esta montagem de Guccione. Corre um boato de que Tinto Brass pretende editar uma nova versão do longa para lançar em 3D, se for verdade, quem sabe não apareça uma versão mais enxuta e talvez melhor do que esta.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Estranhos no Paraíso


Estranhos no Paraíso (Stranger Than Paradise, EUA, 1984) – Nota 7,5
Direção – Jim Jarmusch
Elenco – John Lurie, Eszter Balint, Richard Edson, Cecillia Stark.

A estréia de Jim Jarmusch na direção de um longa foi com este “Estranhos no Paraíso”, onde ele conta a história de Willie (John Lurie), que rejeita sua origem húngara mas terá de hospedar por alguns dias sua prima Eva (Eszter Balint), que vem de Budapeste para morar com sua tia Lotte (Cecillia Stark). Ele é obrigado a aceitar a companhia da garota, mas aos poucos vai conhecendo e se apegando a prima, que acaba indo morar com a tia em Cleveland. Depois de algum tempo, Willie sente saudades da prima mas não aceita a situação, mesmo assim convence o amigo Eddie (Richard Edson) a visitar a garota em Cleveland. 

Aqui Jarmusch já mostrava seu estilo, filmando em preto e branco, com pequenas tomadas seguidas de cortes que mudam totalmente as cenas e diálogos de pessoas comuns que vivem a margem da sociedade. Em seus filmes Jarmusch consegue passar toda a complexidade do ser humano, que muitas vezes deixa de expressar seus sentimentos e com isso acaba causando confusões e desencontros.  

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Kick-Ass - Quebrando Tudo


Kick-Ass – Quebrando Tudo (Kick-Ass, EUA, 2010) – Nota 8
Direção – Matthew Vaughn
Elenco – Aaron Johnson, Christopher Mintz Plasse, Mark Strong, Nicolas Cage, Chloe Moretz, Lyndsy Fonseca, Michael Rispoli, Xander Berkeley, Stu “Large “ Riley, Dexter Fletcher, Jason Flemyng, Corey Johnson, Garrett M. Brown, Elizabeth McGovern, Craig Ferguson, Sophie Wu, Evan Peters, Clark Duke.

O adolescente Dave Lizewski (Aaron Johnson) é fã de histórias em quadrinhos e um dia pergunta para seus amigos: “Com tantos fãs de histórias em quadrinhos no mundo, porque ninguém resolve se vestir como tal e lutar contra os bandidos?”. Um dos amigos responde que o sujeito apanharia muito e isso realmente acontece quando Dave resolve comprar uma fantasia de super-herói e sair pelas ruas para agir como tal. Dave vai apanhar muito e sentir na pele que não é nada fácil a vida de herói. 

O engraçado é que  após apanhar feio, ele consegue salvar um sujeito que estava sendo espancado por três homens, tem sua briga filmada e se torna sucesso na internet, sendo conhecido como Kick-Ass. Isso faz com que um ex-policial obcecado por vingança, Damon Macready (Nicolas Cage) e sua pequena filha Mindy (Chloe Moretz) se transformem também em heróis para destruir o bando de Frank D’Amico (Mark Strong), sujeito responsável pela tragédia na vida de Damon. O bandidão Frank tem um filho que deseja participar de seus negócios, Chris (Christopher Mintz Plasse, o McLovin de “Superbad”) que para ajudar o pai se veste como outro herói. 

Esta mistura de personagens, protagonizada por um herói que apanha para valer, muita violência recheada de humor negro são alguns dos ingredientes deste bom longa, que tira sarro dos clichês de filmes com super-heróis, fazendo referência a sucessos como “Homem-Aranha”, “Batman”, “Matrix” e a violência dos filmes de John Woo e Quentin Tarantino. O elenco está muito engraçado, com Nicolas Cage num papel curioso e principalmente a garotinha Chloe Moretz como uma pequena assassina, uma miniatura de Uma Thurman em “Kill Bill”. Uma ótima surpresa que merece ser vista.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Séries Preferidas

Vejo todos os dias os blogueiros elaborando listas de séries preferidas, algo que ainda não havia feito, então resolví elaborar uma com dez séries. Durante a escolha minha lista ficou muito grande e com a dificuldade em escolher apenas dez, usei dois critérios: Procurei selecionar séries em que eu assisti boa parte dos episódios, podendo analisar a qualidade de mais do que apenas uma temporada e ainda aquelas em que o nível das histórias tenham se mantido regulares durante todas as temporadas. Por isso descartei algumas séries que gostei mas que não preencherem estes requisitos. Algumas séries tiveram altos e baixos, geralmente começando bem e piorando depois de um tempo, como "Heroes", "The Sopranos" e "Chicago Hope", outras que depois de um tempo suas histórias ficaram repetitivas, como "Criminal Minds" e "Cold Case", aquelas que apesar de interessantes tiveram poucos episódios, como "Jericho" e "Surface" e por útilmo outras que não consegui acompanhar mas os poucos episódios que assisti gostei muito, como "Prison Break", "24 Horas" e "Frasier", além de "Breaking Bad" que estou acompanhando atualmente.

1º - The Shield - A trama que durou seis temporadas sobre um grupo de policiais corruptos liderados pelo ótimo ator Michael Chiklis que agiam num violento bairro de Los Angeles é nada menos do que sensacional. Uma história continua e sólida, repleta de violência e corrupção com um desfecho trágico é a minha série favorita.

2 - Seinfeld - A série sobre "O Nada" com certeza não agradou a todos, seu humor peculiar e politicamente incorreto é extremamente crítico e engraçado para quem acompanhar vários episódios e entender o porquê das atitudes imaturas e tresloucadas do quarteto principal. Diálogos brilhantes e personagens carismáticos são o ponto principal da série.

3 - Os Três Patetas - Eles foram os gênios do humor pastelão. Pancadas, dedo no olho, brigas e correrias fizeram vários gerações dar gargalhadas e até hoje é impossível assistir algum episódio sem dar risadas.

4 - Hill Street Blues - Poucas pessoas hoje conhecem esta série, mas ela é a responsável pelo sucesso das séries policiais atuais. Exibido no final dos anos setenta até a primeira metade dos oitenta, foi a primeira a mostrar o dia a dia de uma delegacia de polícia no meio de um bairro pobre e violento de Nova Iorque. Ruas sujas, crimes, policiais corruptos e politicagem eram os ingredientes desta ótimo série, que passou por aqui na  tv aberta como "Chumbo Grosso" nos anos oitenta. Eu conheci a série nos anos noventa quando o Canal Sony passava todos os dias no final da noite.

5 - Arquivo X - A química entre Mulder e Scully, as histórias que misturavam ficção, terror, suspense, conspirações do governo, ETs  e personagens estranhos, eram os pontos altos deste grande seriado. A série caiu um pouco nas últimas temporadas, mas mesmo assim se manteve interessante e obrigatória para os fãs do gênero.

6 - Os Simpsons - Politicamente incorreta até a medula, uma galeria sensacional de personagens e roteiros brilhantes garantem os mais de vinte anos de sucesso desta série. É incrível a capacidade em colocar diversos temas e citações no mesmo episódio. Sem contar os magníficos episódios especiais de "Halloween".

7 - Law & Order - SVU - Este filhote do original é a melhor série da franquia, voltada quase toda para a investigação policial, tem a dupla formada por Christopher Meloni e Mariska Hargitay com um química incrível. As historias de crime sexuais são ao mesmo tempo tristes e realistas.

8 - Oz - A Vida é uma Prisão - Certamente o seriado mais violento já criado, que só poderia ser uma produção HBO. A vida no presídio experimental é um inferno, a violência entre detentos, guardas e funcionários e algo normal no local. Um seriado para pessoas de estômago forte.

9 - Lost - Dispensa comentários o seriado que trouxe mais perguntas do que "Arquivo X". Na minha lista fica nesta posição pela fraca terceira temporada, mas isso não diminui a força de uma ótima história e um grupo de personagens sensacionais.

10 - Law & Order - É uma outra série que não agrada a todos, principalmente pela segunda parte dos episódios que focam na luta jurídica dos promotores tentando condenar os criminosos e tendo de enfrentar as minúcias da lei e muitas vezes a política. A primeira parte focada na investigação policial é fantástica, ao mostrar como pequenos detalhes podem entregar um criminoso. Depois de vinte temporadas a série continua com roteiros em um nível altíssimo.

domingo, 1 de agosto de 2010

Era Uma Vez na América



Era Uma Vez na America (Once Upon a Time in America, Itália / EUA, 1984) – Nota 9
Direção – Sergio Leone
Elenco – Robert De Niro, James Woods, Elizabeth McGovern, Tuesday Weld, Treat Williams, William Forsythe, Joe Pesci, Burt Young, Danny Aiello, James Hayden, Darlanne Fluegel, Richard Bright, Larry Rap, Richard Foronjy, Robert Harper, James Russo, Jennifer Connelly, Scott Tiler, Rusty Jacobs, Brian Bloom.

Esta grande obra é o ultimo filme da carreira de Sergio Leone, que depois do fracasso do ótimo “Quando Explode a Revolução” ficou treze anos sem filmar. O longa conta a história de quatro amigos de infância que crescem juntos no mundo do crime durante os anos vinte e trinta. 

O filme começa com David “Noodles” Aaronson (Robert DeNiro) já idoso no final dos anos sessenta, voltando para Nova Iorque para rever os lugares em que viveu e as pessoas que conheceu. Ao mesmo tempo somos apresentados ao passado através das lembranças de Noodles, começando desde criança quando ele conheceu Max Bercovicz (James Woods) e junto com Cockeye Sam (William Forsythe) e Patsy Goldberg (James Hayden) se envolveram em pequenos crimes que resultaram numa tragédia que levou Noodles para cadeia, passando pela sua saída da prisão quando os amigos se transformaram em gângsters, até a queda causada por mulheres, brigas e inimigos em comum. Durante as lembranças descobriremos a relação de Noodles com a bela Deborah (Elizabeth McGovern), por quem sempre foi apaixonado mas nunca fora aceito em virtude de ser um bandido. 

As ótimas intepretações, principalmente de DeNiro e Woods, a belíssima reconstituição de época e a sempre ótima trilha sonora de Ennio Morricone, são os pontos altos do filme, por sinal Morricone homenageia o clássico “Era Uma Vez no Oeste” (já homenageado no título) com a gaita que o personagem de William Forsythe toca em boa parte do filme, assim como Charles Bronson fez no original. O elenco de garotos também dá conta do recado, com a curiosidade de ver Jennifer Connelly ainda bem menina fazendo o papel da pequena Deborah. 

Novamente temos um ótimo roteiro, que condensa a história cheia de personagens e fatos em mais de três horas e meia de duração, mesmo assim deixando a impressão de que alguns fatos poderiam ter sido ainda mais explorados, por isso que a primeira versão lançada no cinemas e que tinha apenas pouco mais de duas horas e deixava a história completamente truncada,  levou o filme ao fracasso de público e crítica. O filme foi aclamado quando a versão completa de Leone foi lançada em vídeo, anos depois. Um detalhe, antes de morrer em 1989, Leone planejava um filme sobre a Segunda Guerra e o cerco a Leningrado, infelizmente ele não teve tempo de levar o projeto adiante.