sexta-feira, 30 de abril de 2010

Giuliano Gemma e o Western Spaghetti

O sucesso dos westens americanos foi tão grande no mundo, que gerou na Itália o sub-gênero chamado de "Western Spaghetti". Estes filmes geralmente eram protagonizados por algum ator americano do segundo escalão ou um italiano usando pseudônimo, inclusive pelos diretores e eram exagerados nas interpretações e nas cenas de tiroteio, onde o mocinho disparava uma quantidade enorme de balas e nunca era atingido.

Clint Eastwood em início de carreira, Lee Van Cleef e Eli Wallach foram alguns dos americanos que fizeram fama com estes filmes, mas o grande astro italiano foi Giuliano Gemma. Aqui eu cito quatro filmes estrelados por ele, sendo o principal "O Dólar Furado", primeiro grande sucesso de Gemma.

O Dólar Furado (Un Dollaro Bucato, Itália, 1965) – Nota 7
Direção – Calvin Jackson Padget (Giorgio Ferroni)
Elenco – Giuliano Gemma, Evelyn Stewart.
O soldado Gary (Giuliano Gemma) volta da guerra e resolve ajudar a população da sua cidade para matar o pistoleiro Black Jack, que assassinou várias pessoas no local. Apenas na hora do confronto ele descobrirá que o bandido é seu irmão. Este western spaghetti poderia ser apenas mais, porém se transformou num dos grandes clássicos do gênero. Neste filme Gemma usou ainda o pseudônimo de Montgomery Wood, mas com o sucesso do longa passou adotar seu verdadeiro nome nos trabalhos posteriores. O título do longa se refere a uma cena onde Gemma leva um tiro no coração mas acaba sendo salvo por uma moeda.

O Dia da Ira (Il Giorni Dell’ira, Itália, 1967) – Nota 6,5
Direção – Tonino Valeri
Elenco – Giuliano Gemma, Lee Van Cleef.
O desajeitado Scott (Giuliano Gemma) vive numa pequena cidade do velho oeste não sendo respeitado por ninguém, até que o caçador de recompensas Frank Talby (Lee Van Cleef) chega no local e os dois iniciam uma amizade. Frank está a caça de um foragido e quando sai da cidade para continuar a perseguição, leva Scott como seu aluno para ensiná-lo a se defender. Juntos enfrentarão ainda uma gangue de bandidos. Este é um dos bons faroestes italianos, que fez sucesso principalmente pela química entre o mocinho Gemma e o carrancudo Lee Van Cleef.

Dois Anjos da Pesada (Anche Gli Angeli Mangiano Fagioli, Itália, 1973) – Nota 6
Direção – E. B. Clucher (Enzo Barboni)
Elenco – Giuliano Gemma, Bud Spencer.
O lutador Charlie (Bud Spencer) e o vendedor de sorvetes Sonny (Giuliano Gemma) são amigos e acabam sendo confundidos com os assassinos de um importante gângster. Eles deixam a mentira tomar força e se fazem passar por gângsters também, o que irá gerar muitas confusões e divertidas brigas. O diretor Enzo Barboni foi o responsável por alguns filmes da dupla Bud Spencer e Terence Hill, mas aqui tem o astro Giuliano Gemma no lugar de Hill e cria uma engraçada cópia dos filmes americanos sobre a máfia. Este filme passou nos cinemas com a tradução original do título, chamada “Os Anjos Também Comem Feijão”.

O Último Samurai do Oeste (Il Bianco, Il Giallo, Il Nero, Itália, 1975) – Nota 5
Direção – Sergio Corbucci
Elenco – Giuliano Gemma, Tomas Millian, Eli Wallach.
No velho oeste o honesto advogado Black Jack Gideon (Eli Wallach) é obrigado a se juntar a um charmoso ladrão chamado Stetson (Giuliano Gemma) e ao japonês Sakura (Eli Wallach), para resgatar um pônei sagrado sequestrado por um bando de malfeitores. Enquanto o advogado procura justiça, Stetson pensa em lucrar e Sakura quer o pônei de volta. Esta estranha história que mistura faroeste e Kung Fu, copia em parte o clássico “Três Homens em Conflito”, desde o título original, até a disputa entre os três personagens principais.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Um Dia de Fúria

Um Dia de Fúria (Falling Down, EUA, 1993) – Nota 8,5
Direção – Joel Schumacher
Elenco – Michael Douglas, Robert Duvall, Barbara Hershey, Rachel Ticotin, Tuesday Weld, Frederic Forrest, Michael Paul Chan, Lois Smith, Raymond J. Barry, D. W. Moffett.

Num dia quente no meio de um terrível engarrafamento, o desempregado William Foster (Michael Douglas) abandona seu carro e resolve ir a casa da ex-esposa (Barbara Hershey) para ver a filha. A questão é o sujeito resolveu enfrentar todos os problemas do dia a dia sem medo e questionar coisas que parecem normais, mas que na realidade são grandes absurdos a que nos acostumamos. Isso irá gerar diversos conflitos que chamará a atenção da polícia, com o detetive Prendegarst (Robert Duvall) em seu último dia de trabalho tentando descobrir quem é o homem que surtou, ao mesmo tempo que precisa cuidar da esposa depressiva (Tuesday Weld).

Mesmo sendo difícil enquadrar este longa num gênero, no fundo ele é um drama extremamente inteligente ao mostrar a loucura que vivemos nas grandes cidades já há algum tempo, pois o filme já tem dezessete anos.

O personagem de Michael Douglas é o protótipo do perdedor, um sujeito de meia idade que perdeu o emprego burocrático de vários anos, não conseguiu manter a família e tem horário marcado para ver o filha, sendo triste até na aparência, vestindo camisa branca, calça social, grandes óculos e cabelo escovinha. A sua revolta nesta dia é violenta mas podemos compreender os motivos. As situações que ele passa com certeza irritariam qualquer um e mostram como as relações humanas estão cada vez mais complicadas, em virtude de dinheiro, preconceito e regras absurdas. Tenho certeza que todos já passaram por alguma das situações que ele enfrenta, como o dono de mercearia mal educado, que vê as pessoas como inimigas ou o atendente de fast food passivo-agressivo, que trata o cliente como idiota com um sorriso no rosto.

Percebo que principalmente na cultura americana a pressão para que a pessoa seja uma “vencedora” (bom emprego, esposa bonita, dinheiro, etc) vem desde a infância e isso ajuda a entender porque as vezes alguma pessoa com problemas psicológicos surta e ataca ex-companheiros de trabalho, principalmente os chefes ou casos mais extremos como o massacre de Columbine . Infelizmente esta cultura está cada mais forte aqui no Brasil, é só analisar o aumento da violência entre jovens.

No final, este filme é uma crítica profunda ao sistema em que vivemos.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Não Tenho Troco

Não Tenho Troco (Quick Change, EUA, 1990) – Nota 7,5
Direção – Bill Murray & Howard Franklin
Elenco – Bill Murray, Geena Davis, Randy Quaid, Jason Robards, Phillip Bosco, Phil Hartman, Kurtwood Smith, Jack Gilpin, Jamey Sheridan, Tony Shalhoub, Stanley Tucci, Victor Argo.

Um sujeito vestido de palhaço (Bill Murray) entra em um banco e anuncia um assalto. Ele faz várias pessoas de refém e durante a negociação com o polícia faz exigências absurdas para despistar e espertamente consegue escapar junto com seus dois parceiros (Geena Davis e Randy Quaid). Este é o início de um trama simples e extremamente engraçada, principalmente pelas confusões que o trio terá de enfrentar durante a fuga, que mostrará ser mais difícil atravessar a cidade para chegar ao aeroporto do que roubar o banco.

Lembrei deste filme depois de ler a triste notícia de que o atror Randy Quaid foi preso junto com sua esposa após deixar de pagar a conta num hotel onde se hospedava. Este ator que ficou marcado por papéis em comédia, geralmente fazendo o sujeito meio bobalhão, poucas vezes teve chance de trabalhar em drama, mas mostrou que poderia ter sido melhor aproveitado quando fez pequenos papéis em “Brokeback Montauin” e “O Expresso da Meia-Noite”. Espero que consigra resolver seus problemas e retomar a carreira.

Como curiosidade, este filme é a única experiência de Bill Murray na direção.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Sexy Beast

Sexy Beast (Sexy Beast, Inglaterra, 2001) – Nota 6,5
Direção – Jonathan Glazer
Elenco – Ray Winstone, Ben Kingsley, Ian McShane, Amanda Redman, James Fox, Cavan Kendall, Julianne White, Álvaro Monje.

O ex-gângster Gail (Ray Winstone) deixou a vida de crimes para trás e se mudou com a esposa Deedee (Amanda Redman) para a Espanha, junto com outro ex-companheiro de crimes e a esposa. Sua nova vida perde a tranquilidade quando ele recebe a visita do violento Don Logan (Ben Kingsley) que faz de tudo para levá-lo de volta a Londres para um último trabalho. A princípio Don tenta convencer o ex-amigo na conversa, mas aos poucos o papo se transforma em ameaça, deixando a impressão de que Gail nçao tem saída, a não ser aceitar a proposta.

A história é simples, mas o filme ganha força nas interpretações de Ray Winstone e de um sinistro Ben Kingsley, que inclusive foi indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante por este papel.

Consta que Kingsley disse ter se baseado no seu avô para criar o personagem e se isto for verdade é provável que até hoje ele tenha pesadelos com o sujeito.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A Marca da Pantera

A Marca da Pantera (Cat People, EUA, 1982) – Nota 7,5
Direção – Paul Schrader
Elenco – Nastassja Kinski, Malcolm McDowell, John Heard, Annette O’Toole, Ruby Dee, Ed Begley Jr, Scott Paulin, John Larroquette.

Após vários anos, a bela jovem Irena (Nastassja Kinski) reencontra seu irmão Paul (Malcolm McDowell) e descobre que os dois fazem parte de uma raça que se transforma em pantera quando fazem sexo e matam seus parceiros. O estranho Paul deseja a irmã e diz que ela só poderá ter relações com ele, assim como seus pais que também eram irmãos. Irena é virgem e está apaixonado pelo diretor do zoológico Oliver (John Heard), mas tem medo de consumar seu amor e matar o namorado.

Este misto de suspense e terror tem um clima sensual estranho, principalmente pelo contraste entre a beleza de Kinski e o personagem assustador de McDowell.

O longa é uma refilmagem do clássico de suspense dos anos quarenta “Sangue de Pantera”, dirigido com muito mais sugestão do que terror por Jacques Tourneur.

domingo, 25 de abril de 2010

Terra de Ninguém

Terra de Ninguém (No Man’s Land, Bélgica, 2001) – Nota 8
Direção – Danis Tanovic
Elenco – Branko Djuric, Rene Bitorajac, Filip Sovagovic, Georgis Siatidis, Simon Callow, Katrin Cartlidge.

Durante a Guerra dos Balcãs dois soldados, o bósnio Ciki (Branko Djuric) e o sérvio Nino (Rene Bitorajac) ficam presos na mesma trincheira no meio do campo de batalha juntos com outro soldado bósnio dado como morto, Cera (Filip Sovagovic), que acorda deitado sobre uma mina terrestre, não podendo se mexer para não explodir o local. Os soldados chamam a atenção de seus grupos para tentar se salvarem e conseguem que um tanque das tropas de ONU venha ao local, mas a resolução do problema não será nada fácil.

Este drama de guerra vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro de 2001 toca em temas como a intolerância entre os povos em virtude da etnia e da religião. Sobre esta guerra por exemplo, o filme mostra os dois soldados discutindo sobre quem começou o conflito e eles nunca chegam a um acordo, a única verdade que eles acreditam é que o outro é o inimigo. Neste caso o pior ainda é que bósnios, sérvios, croatas, macedônios, eslovênios e montenegrinos viveram décadas sob o mesmo governo ditador e muitos esperavam apenas o momento da explosão de uma guerra para poder matar seu vizinho.

Outro detalhe do filme é a total ineficiência das tropas da ONU, também mostrada em outros filmes como “Hotel Ruanda”, não por culpa dos soldados, mas sim dos comandantes que colocam a política acima do ser humano, além da influência dos países ricos que se importam apenas com o valor que irão lucrar.

sábado, 24 de abril de 2010

Detroit Rock City

Detroit Rock City (Detroit Rock City, EUA, 1999) – Nota 7
Direção – Adam Rifkin
Elenco – Edward Furlong, Sam Huntington, James DeBello, Giuseppe Andrews, Melanie Linskey, Natasha Lyonne, Lin Shaye, Shannon Tweed, Emmanuelle Chriqui.

Em 1978 quatro adolescentes (Edward Furlong, Sam Huntington, James DeBello e Giuseppe Andrews) vivem em Cleveland e são fãs obcecados pela banda Kiss, inclusive tendo um banda cover dos ídolos chamada Mistery. Quando o sonho dos quatro garotos de ver um show ao vivo do Kiss em Detroit está para se realizar, após eles terem ganho quatro ingressos num concurso de uma rádio, a mãe religiosa (Lyn Shaye) de um deles descobre e por achar que o Kiss era coisa do diabo, queima os ingressos. Mesmo assim os quatro decidem viajar até Detroit e encontrar alguma forma de assistir ao show, este é o início de um engraçado road movie com um trilha sonora repleta de sucessos do Kiss e do rock da época.

Recomendo está simpática para comédia principalmente para todos que gostam de rock, que com certeza irão se divertir com as piadas e as confusões que os garotos se metem para conseguir realizar o sonho de ver o Kiss ao vivo.

Como curiosidade, o título do filme é o mesmo de umas músicas mais famosas do Kiss.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Meu Nome é Radio

Meu Nome é Radio (Radio, EUA, 2003) – Nota 7
Direção – Michael Tollin
Elenco – Cuba Gooding Jr, Ed Harris, Alfre Woodard, S. Epatha Merkerson, Brent Sexton, Chris Mulkey, Debra Mulkey, Debra Winger, Sarah Drew.

Este sensível drama conta a história real da amizade criada nos anos setenta entre um treinador de futebol americano (Ed Harris) e um jovem com problemas mentais chamado Radio (Cuba Gooding Jr). Tudo começa quando o treinador percebe que todos os dias aquele jovem passa ao lado do campo e fica assistindo ao treino, porém quando alguém se aproxima ele foge, até que um dia o treinador consegue se aproximar do jovem e inicia uma relação quase de pai e filho.

O filme fala principalmente sobre exclusão, sendo que o personagem do treinador irá sofrer por ter “adotado” o garoto, tendo problemas em casa e principalmente no colégio, mas o resultado final é uma grande lição de vida.

Não é um grande filme, mas vale pela mensagem e pela sensível história de amizade.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Linha de Passe

Linha de Passe (Brasil, 2008) – Nota 8
Direção – Walter Salles & Daniela Thomas
Elenco – Sandra Corveloni, João Baldasserini, Vinicius de Oliveira, José Geraldo Rodrigues, Kaique Jesus Santos.

Este bom drama social conta a história de Cleuza (Sandra Corveloni) e seus quatro filhos. Viúva, morando em um bairro pobre da periferira de São Paulo e tendo de trabalhar como doméstica, precisa enfrentar além dos obstáculos do dia a dia, a falta de dinheiro, a difícil relação com os filhos e uma nova gravidez.

Cada filho também precisa enfrentar seus problemas e as dificuldades da vida em relação ao trabalho e aos relacionamentos. Denis (João Baldasserini) é motoboy, solteiro, mas tem uma filha que precisa ajudar a sustentar e como ganha pouco fica tentado a entrar para o crime. Dario (Vinicius de Oliveira, o garoto de “Central do Brasil”) tenta há muito tempo ser jogador de futebol, mas como acabou de completar dezoito anos, vê seu sonho cada vez mais distante. Dinho (José Geraldo Rodrigues) é o evangélico, que após uma adolescência difícil se entregou a religião e resolveu mudar o rumo de sua vida, tentando ser diferente do que realmente é. O filho mais novo é Reginaldo (Kaique Jesus Santos), único dos irmãos que tem a pele negra, sendo fruto de um relacionamento da mãe com um motorista de ônibus. Em virtude do silêncio da mãe sobre quem é seu pai, Reginaldo vive obcecado em encontrá-lo, com isso viaja de ônibus todos os dias na esperança reconhecer seu pai e ser aceito por ele.

Este emaranhado de pequenas histórias dentro da mesma família é conduzido com sensibilidade e realismo pela dupla Walter Salles/Daniela Thomas, que mostra com clareza a vida de uma família pobre e quase sem perspectivas de futuro numa metrópole como São Paulo. Todo o elenco está bem, mas na minha opinião a grande surpresa é o garoto Kaique Jesus Santos que consegue passar todo o sentimento de abandono, mesmo tendo uma família ele sente que não pertence a ela, além da obsessão em encontrar o pai.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A Maldição do Lago

A Maldição do Lago (Strandsvakaren, Suécia, 2004) – Nota 7,5
Direção – Mikael Hafstrom
Elenco – Rebecka Hemse, Jesper Salen, Jenny Ulving, Peter Eggers, Daniel Larsson, Rebecca Ferguson, Anders Ekborg.

Um tradicional colégio nos arredores de Estocolmo na Suécia está prestes a completar 100 anos e uma aluna, Sara (Rebecka Hemse) está pesquisando para escrever sobre uma história que ocorreu no local há muitos anos. A história diz que o caseiro do colégio assassinou três jovens e se suicidou num lago, porém o corpo deste nunca foi encontrado. Este acontecimento parece estar ligado ao recente suicídio de outra aluna que pulou de uma torre no local na frente de muitos estudantes. A pesquisa de Sara irá descobrir fatos que foram encobertos pela direção da escola, em virtude do envolvimento de um aluno de uma família tradicional. Ao mesmo o pai da garota suicida que está preso em um sanatório, foge e pode estar à procura de vingança.

O roteiro deixa algumas pontas mal resolvidas, porém o clima de suspense dentro do colégio prende a atenção e as cenas de perseguição e mortes são bem filmadas. A história lembra filmes como os da série “Pânico” e mostra que o diretor Hafstrom apesar de beber na fonte dos filmes americanos, tem estilo próprio. Por sinal uma curiosidade sobre Hafstrom, ele dirigiu o razoável suspense “1408” em Hollywood, mas seu grande filme foi feito antes, em 2003 ele dirigiu “Raízes do Mal” (“Ondskan”), também tendo um colégio como cenário e mostrando situações que também aparecem aqui, como a discriminação entre alunos de classes sociais distintas, misturada com a falta de sensibilidade de quem comanda o colégio, o que gera revolta e violência entre os alunos. Nos dois filmes fiquei com a impressão de que Hafstrom passou por estas situações nos colégios onde estudou e resolveu criticar este sistema em seus filmes.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Frost/Nixon

Frost/Nixon (Frost/Nixon, França / EUA / Inglaterra, 2008) – Nota 8
Direção – Ron Howard
Elenco – Frank Langella, Michael Sheen, Kevin Bacon, Sam Rockwell, Matthew Macfadyen, Oliver Platt, Rebecca Hall, Toby Jones.

Logo em seguida a renúncia do Presidente Americano Richard Nixon (Frank Langella) em 1974, o apresentador inglês David Frost (Michael Sheen) tem a idéia de conseguir uma entrevista e fazer Nixon confessar seus crimes na TV. Depois de sua idéia ser recusada por todas as grandes redes de TV, Frost ao lado de alguns amigos resolve bancar o projeto e paga uma pequena fortuna a Nixon para conseguir marcar a entrevista Porém apenas após três anos, já em 1977 a entrevista acontecerá.

Durante quatro dias são gravados quatro programas que mudarão a vida dos dois envolvidos. Os dois tem idéias diferentes quanto a entrevista e no desenrolar da mesma acabam sendo surpreendidos. Enquanto Frost que era um apresentador de talk show acreditava que seria fácil usar sua experiência para fazer Nixon falar tudo e com isso conseguiria a fama que tanto almejava, seu adversário era uma raposa ainda mais esperta, que tinha o objetivo de volta a vida política e usaria esta entrevista para limpar seu nome.

Nos três primeiros dias de gravação Nixon conseguiu o que queria, ele engoliu Frost com respostas longas e evasivas, tentando se mostrar sereno e articulado, porém um estranho fato e o possível fracasso, fez com que Frost mudasse a estratégia no último dia para tentar arrancar de Nixon a confissão.

O filme é baseado numa peça que conta a história deste embate que colocou milhões de americanos na frente da TV para ver o que o ex-presidente tinha a dizer e por sinal este foi último grande momento da carreira pública de Nixon.

O fato mostrado aqui é muito mais importante para os americanos que para o resto do mundo, mas o longa merece ser visto pelas grandes interpretações de Frank Langella e Michael Sheen, como sujeitos bem diferentes que acabaram ligados pelo destino e por alguns outros fatores como dinheiro, poder e fama, numa entrevista que virou história.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O Cavaleiro Solitário & A Marca da Forca



O grande Clint Eastwood tem uma magnífica carreira e alguns dos seus grandes filmes foram westerns. Ele inclusive iniciou sua carreira na tv americana trabalhando no seriado "Rawhide" e depois ficou famoso com a "Trilógia dos Dólares" de Sergio Leone.

Nesta postagem eu cito dois westerns menores estrelados por ele, um ainda nos anos sessenta e outro nos anos oitenta, este também dirigido por Eastwood.

O Cavaleiro Solitário (Pale Rider, EUA, 1985) – Nota 7
Direção – Clint Eastwood
Elenco – Clint Eastwood, Michael Moriarty, Carrie Snodgress, Chris Penn, Richard Dysart, Richard Kiel, Sydney Penny, Charles Hallahan.

Num cidade do velho oeste um banqueiro (Richard Dysart) tenta expulsar garimpeiros de suas terras, que acabam sendo defendidos por um estranho que por usar um crucifixo começa a ser chamado de “O Pregador” (Clint Eastwood). Bom faroeste, com Eastwood novamente interpretando o justiceiro sem nome, numa tentativa de reviver um gênero que estava em baixa no anos oitenta. O filme não fez grande sucesso, mas Eastwood não desistiu e em 1992 chegou ao auge com o hoje clássico “Os Imperdoáveis”.

A Marca da Forca (Hang ‘Em High, EUA, 1968) – Nota 7
Direção – Ted Post
Elenco – Clint Eastwood, Inger Stevens, Ed Begley, Pat Hingle, Ben Johnson, Charles McGraw, James MacArthur, Bruce Dern, Dennis Hopper, L. Q. Jones.

O solitário Jed Cooper (Clint Eastwood) é confundido com um assassino e acaba sendo enforcado por um grupo de vigilantes liderado pelo Capitão Wilson (Ed Begley), sem julgamento algum. Porém eles não perceberam que Jed estava vivo quando foi deixado. Com a ajuda de um xerife (Ben Johnson) que o encontra, Jed é levado para a cidade e após se recuperar sai a caça de seus agressores.

Este foi o primeiro faroeste americano protagonizado por Clint Eastwood, que vinha do sucesso da “Trilogia dos Dólares” de Sergio Leone e novamente interpretou um sujeito solitário, aqui em busca de vingança. Um nota triste sobre o elenco é que a bela atriz Inger Stevens se suicidou aos trinta cinco anos, apenas dois anos após este filme.

domingo, 18 de abril de 2010

O Defensor - Protegendo o Inimigo

O Defensor – Protegendo o Inimigo (The Defender, EUA, 2004) – Nota 7
Direção – Dolph Lundgreen
Elenco – Dolph Lundgreen, Jerry Springer, Shakara Ledard, Thomas Lockyer, Caroline Lee Johnson, Gerald Kyd.

O ex-soldado Lance Rockford (Dolph Lundgreen) é hoje líder dos seguranças da Casa Branca e sua equipe acaba sendo encarregada de escoltar a Secretária de Estado, Mrs. Jones (Caroline Lee Johnson) num encontro secreto em um hotel no interior da Romênia. A príncípio o local do encontro é conhecido apenas pela sua equipe, pelo presidente americano (Jerry Springer) e o alto escalão do governo, mas como segredos existem para serem contados, um grupo de mercenários tenta invadir o hotel para matar a Secretaria de Estado e seu convidado secreto.

Lógico que não é um grande filme, mas me surpreendi com a boa direção do brutamontes Dolph Lundgreen, que cria ótimas cenas de ação com grande quantidade de tiroteios e lutas bem filmadas, utiliza um roteiro que se não é um primor, segue a cartilha dos filmes de ação e amarra bem as pontas no final. Além disto é curioso ver o apresentador Jerry Springer (o Ratinho da TV americana) no papel o Presidente dos EUA.

Para quem procura um filme de ação simples e direto, este é uma boa pedida.

sábado, 17 de abril de 2010

Maratona da Morte

Maratona da Morte (Marathon Man, EUA, 1976) – Nota 7,5
Direção – John Schlesinger
Elenco – Dustin Hoffman, Laurence Olivier, Roy Scheider, William Devane, Marthe Keller, Fritz Weaver. Richard Bright.

O estudante de história e também corredor Thomas “Babe” Levy (Dustin Hoffman leva sua vida tranquilamente até a chegada de seu irmão Henry (Roy Scheider), que é um espião mas nunca contou nada sobre seu trabalho para o irmão caçula. A visita de Henry tem ligação com um esquema de tráfico internacional de diamantes liderado pelo dentista alemão Christian Szell (Laurence Olivier), um criminoso nazista que vive escondido utilizando um nome falso. Por causa da investigação do irmão, Babe acaba se transformando em alvo nesta trama e ainda terá de lidar com uma misteriosa mulher (Marthe Keller).

Este bom thriller fez sucesso na época e deixou uma cena clássica, com o personagem de Hoffman sendo torturado por Laurence Olivier num cadeira de dentista, com este perguntando seguidamente “It’s Safe? “ (“É Seguro?’) e Hoffman não tendo a mínima idéia do que responder.

Além do ótimo elenco, outro destaque é a direção do inglês John Schlesinger, que fez também o clássico “Perdidos na Noite” e o drama político “A Traição do Falcão”.