quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A Viagem de Meu Pai

A Viagem de Meu Pai (Floride, França, 2015) – Nota 7,5
Direção – Philippe Le Guay
Elenco – Jean Rochefort, Sandrine Kiberlain, Laurent Lucas, Anamaria Marinca, Clement Metayer.

Claude Lherminier (Jean Rochefort) é um industrial aposentado que vive numa belíssima casa de campo e que sofre com demência em fase inicial. Para mantê-lo em casa, sua filha Carole (Sandrine Kiberlain) está sempre à procura de uma empregada que consiga entender a situação e que não desista do trabalho. Conforme a doença avança, fica mais difícil tomar conta do pai, além da situação interferir diretamente nas relações pessoais de Carole. 

Com o avanço da medicina e a expectativa de vida cada vez mais longa, a quantidade de pessoas idosas também aumenta e por consequência as doenças degenerativas que são incuráveis se tornam mais comuns e visíveis para sociedade. 

Nos últimos anos o cinema vem explorando este tema em vários filmes, algumas vezes focando apenas na parte do sofrimento e em outras criando histórias duras, porém sem apelar para o melodrama. Este sensível “A Viagem do Meu Pai” segue a segunda linha, mostrando as dificuldades enfrentadas pelo protagonista e sua filha de um modo sóbrio. 

A proposta do roteiro é detalhar a fase inicial deste tipo de doença, quando a pessoa começa a confundir nomes, datas e locais, variando de conversas normais para situações em que passa a agir como criança. 

O ponto interessante do filme é intercalar o avanço da doença com a sequência de uma viagem de avião para Miami, local que o protagonista tem obsessão por causa de uma filha que se mudou da França para lá. O problema é que a filha faleceu e o homem não se lembra do ocorrido. 

O destaque do elenco fica para o veteraníssimo Jean Rochefort (“O Marido da Cabeleireira”), que entrega uma sensível e belíssima interpretação do alto dos seus oitenta e cinco anos de idade. 

Para quem conhece ou convive com alguma pessoa que sofre de demência, com certeza vai entender as situações enfrentadas por pai e filha.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Força Chape

A paixão que tenho por cinema é do mesmo tamanho da paixão pelo Palmeiras. Este sentimento pelo clube foi passado pelo meu pai que nos deixou em julho último após sofrer por alguns anos com uma terrível doença.

A tristeza pela passagem do meu pai foi confortada por saber que ele não sofreria mais. Como diz a linguagem popular, ele acabou descansando.

Tenho quarenta e cinco anos de idade e desde os oito frequento estádios e acompanho o Palmeiras. Vou em praticamente todos os jogos em nosso estádio, agora uma belíssima arena.

Domingo passado estive lá e festejei muito o título brasileiro ao lado de amigos que conquistei nestes anos. Por uma coincidência do destino, o adversário era a brava Chapecoense, que hoje infelizmente protagonizou o momento mais triste da história do esporte brasileiro, talvez semelhante a morte de Ayrton Senna. Com certeza, é o momento mais triste do futebol brasileiro, derrota alguma jamais irá doer tanto como esta tragédia.

É difícil imaginar o sofrimento dos familiares dos jogadores, da comissão técnica e dos jornalistas que perderam suas vidas, além é claro da comoção que a cidade de Chapecó enfrenta. Para potencializar ainda mais a tragédia, o clube faria amanhã na Colômbia o jogo mais importante de sua história. Para os envolvidos, seria como uma decisão de mundial. É um destino cruel demais.

E este destino cruel ligou a última partida desta equipe contra o Palmeiras. Nossa torcida com certeza é uma das mais sensibilizadas. As mais de quarenta mil pessoas que assistiram ao jogo na Arena com certeza estão com o coração apertado. É muito difícil lembrar que estivemos perto de várias pessoas que perderiam a vida dois dias depois, mesmo que não existisse outra ligação naquele momento. Além disso, algumas das vítimas trabalharam no Palmeiras. O treinador Caio Júnior, os jogadores Ananias e Josimar, além do comentarista Mário Sérgio que foi jogador nos anos oitenta.

A direção do Palmeiras está tomando a frente para prestar homenagens e ajudar a Chapecoense. É um gesto pequeno que não mudará o sofrimentos dos envolvidos, mas que mostra o mínimo que o ser humano deveria ter: "solidariedade".

Que Deus conforte os familiares.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O Mistério da Viúva Negra & Tentação Perigosa


O Mistério da Viúva Negra (Black Widow, EUA, 1987) – Nota 6,5
Direção – Bob Rafelson
Elenco – Debra Winger, Theresa Russell, Sami Frey, Dennis Hopper, Nicol Williamson, James Hong, Terry O'Quinn, Diane Ladd, D. W. Moffet, Lois Smith, Leo Rossi, Rutanya Alda, Mary Woronov.

Catharine (Theresa Russell) é uma vigarista especializada em casar com homens ricos e assassiná-los para ficar com a herança. Após um destes crimes e uma fuga para o Havaí, Catharine é perseguida pela investigadora Alexandra (Debra Winger). Ao mesmo tempo em que Alexandra de forma disfarçada faz amizade com Catherine, ela também se apaixona por uma empresário (Sami Frey) que é o novo alvo da assassina. 

O diretor Bob Rafelson estava há seis anos sem filmar desde o ótimo “O Destino Bate à sua Porta” e terminou por decepcionar um pouco a crítica e o público com este suspense que em momento algum engrena, nem mesmo no clímax.

O destaques ficam para a sensualidade de Theresa Russell e Debra Winger, duas atrizes que eram musas dos anos oitenta.

Tentação Perigosa (Impulse, EUA, 1990) – Nota 6
Direção – Sondra Locke
Elenco – Theresa Russell, Jeff Fahey, George Dzundza, Alan Rosenburg, Lynne Thigpen, Shawn Elliott.

Lottie Mason (Theresa Russell) é uma detetive que trabalha disfarçada de prostituta nas ruas de Los Angeles. Envolvida com um promotor (Jeff Fahey) com quem trabalha em um caso e ex-amante de um tenente da polícia (George Dzundza), Lottie termina por se enrolar ainda mais quando aceita dinheiro de um desconhecido para fazer um programa. O sujeito termina assassinado por outro desconhecido enquanto ela se escondia no banheiro do quarto de hotel. Ela tenta apagar seus rastros e foge do local com medo de ser descoberta. 

Este razoável longa policial com toques de suspense fez algum sucesso na época do lançamento por causa de dois fatores. A presença da voluptuosa Theresa Russell como protagonista em um papel até certo ponto ousado. O outro fator é a direção de Sondra Locke. O destaque não vai para o talento da diretora, mas por ter sido seu primeiro trabalho após uma barulhenta separação do astro Clint Eastwood, com quem ela viveu por quinze anos e também protagonizou vários filmes. Sua carreira como diretora jamais decolou e a de atriz também terminou por aqui.  

domingo, 27 de novembro de 2016

Traffic (2000 & 2004)



Traffic (Traffic, EUA / Alemanha, 2000) – Nota 8
Direção – Steven Soderbergh
Elenco – Michael Douglas, Catherine Zeta Jones, Benício Del Toro, Don Cheadle, Dennis Quaid, Luis Guzman, Steven Bauer, Erika Christensen, Topher Grace, Jacob Vargas, Clifton Collins Jr, Miguel Ferrer, Amy Irving, Peter Riegert, James Brolin, Benjamin Bratt, Tomas Milian, Albert Finney.

Três histórias principais e diversos personagens tem seus destinos cruzados pelo tráfico. O juiz Robert Wakefield (Michael Douglas) é indicado para ser o líder do governo americano no combate às drogas, sem saber que sua filha (Erika Christensen) está viciada em crack.

Em San Diego, um dupla de agentes do DEA (Don Cheadle e Luis Guzman) trabalha em um caso com o objetivo de prender o traficante Carlos Ayala (Steven Bauer), que é o representante do Cartel de Tijuana nos EUA. Sua fútil esposa Helena (Catherine Zeta Jones) leva uma vida de luxo sem saber de onde vem o dinheiro do marido.

A terceira história se passa em Tijuana, onde dois policiais mexicanos (Benício Del Toro e Jacob Vargas) se envolvem com o General Salazar (Tomas Milian), que diz lutar contra o tráfico, mas que esconde seus verdadeiros interesses. 

Este complexo painel do tráfico de drogas entre México e Estados Unidos é na minha opinião o melhor filme do diretor Steven Soderbergh. Com uma parte técnica perfeita que utiliza cores de fotografia diferentes para cada história e uma narrativa muito bem intercalada apesar dos vários personagens que passam pela tela, o longa prende a atenção do início ao fim. 

Vale citar que a história é uma versão de uma minissérie inglesa produzida em 1989 com seis episódios.

Traffic (Traffic, EUA, 2004) – Nota 6,5
Direção – Stephen Hopkins & Eric Bross
Elenco – Cliff Curtis, Elias Koteas, Martin Donovan, Mary McCormack, Balthazar Getty, Ritchie Coster, Nelson Lee, Tony Musante, Justin Chatwyn, Eden Roundtree, Brian George.

Vários personagens tem o destino ligado por ações em Seattle e no Afeganistão. Em solo americano, um imigrante checheno (Cliff Curtis) fica obcecado em descobrir o que aconteceu com esposa e filha que viajavam clandestinamente em um navio que naufragou próximo a Seattle.

Na mesma cidade, um jovem recém formado (Balthazar Getty) descobre que o pai (Tony Musante) utiliza sua empresa de importação para fazer negócios com um mafioso chinês (Nelson Lee).

A terceira trama se passa no Afeganistão, onde um agente de CIA (Elias Koteas) aparentemente abandona tudo para se juntar a um contrabandista local (Ritchie Coster) em busca de uma carga de ópio. Enquanto isso, sua esposa (Mary McCormack) sofre para cuidar do filho adolescente (Justin Chatwin). 

Esta minissérie em três episódios de uma hora e meia cada, mistura a premissa do longa “Traffic” de Steven Soderbergh, com o medo que se espalhou nos americanos nos anos seguintes aos atentados de 11 de Setembro.

Assim como o filme de Soderbergh, os personagens aqui tem suas vidas complicadas por causa do tráfico, seja de drogas ou de pessoas. O roteiro tenta fazer uma crítica a esta situação e a facilidade com que este comércio ilegal consegue funcionar.

A narrativa falha por ser muito entrecortada, as histórias são intercaladas com rapidez e as vezes cortadas abruptamente. O final das histórias também é simplista, deixando a sensação de que faltou algo.

sábado, 26 de novembro de 2016

Viagem à Lua de Júpiter

Viagem à Lua de Júpiter (Europa Report, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – Sebastian Cordero
Elenco – Michael Nyqvist, Sharlto Copley, Anamaria Marinca, Christian Camargo, Daniel Wu, Karolina Wydra, Embeth Davidtz, Dan Fogler, Isiah Whitlock Jr.

Uma expedição internacional é enviada para Júpiter após cientistas acreditarem que existe água embaixo do gelo que cobre aquele planeta. O grupo de astronautas é composto por quatro homens e duas mulheres. 

Tudo segue perfeito até metade do caminho, quando por algum problema a nave perde contato com a Terra. Mesmo assim, eles decidem seguir a missão sem imaginar os perigos que poderão enfrentar. 

Produzido com um baixo orçamento, esta competente ficção apresenta a maioria das cenas gravadas dentro do pequeno espaço da nave, criando uma tensão crescente de acordo com a aproximação do destino. 

O diretor equatoriano Sebastian Cordero explora uma narrativa não linear, utilizando imagens das câmeras de segurança da nave, intercaladas com depoimentos dos astronautas e das autoridades que comandavam a missão na Terra. 

A parte técnica também é destaque. Ela é extremamente clean e com interessantes variações de ângulos, além dos depoimentos em close ao estilo documentário. 

É curioso que o filme tenha sido produzido pouco tempo antes do sucesso de “Interestelar” e “Perdido em Marte”, que são melhores e que exploram temas semelhantes. O normal seria este filme ter sido produzido depois, para tentar faturar no rastro do sucesso destes blockbusters.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Enquanto Somos Jovens

Enquanto Somos Jovens (While We're Young, EUA, 2014) – Nota 6,5
Direção – Noah Baumbach
Elenco – Ben Stiller, Naomi Watts, Adam Driver, Amanda Seyfried, Charles Grodin, Matthew Maher, Adam Horovitz, Maria Dizzia.

Josh (Ben Stiller) e Cornelia (Naomi Watts) formam um casal sem filhos na casa dos quarenta anos. Sendo incomodados pelos amigos da mesma faixa etária por não terem filhos, eles terminam por fazer amizade com um casal mais jovem. 

Jamie (Adam Driver) planeja começar a carreira de documentarista, utilizando como exemplo a carreira de Josh. Sua namorada Darby (Amanda Seyfried) vive de fazer sorvete. A princípio, a troca de experiências entre os dois casais é uma fonte de energia para a amizade, até que os defeitos de cada um começam a aparecer. 

O diretor Noah Baumbach é um queridinho da crítica, especialista em pequenos dramas sobre relacionamentos. Pelos trabalhos que assisti, por enquanto tenho a impressão de que suas premissas são mais interessantes do que seus filmes. 

O longa aqui foca nas diferenças entre a geração que está na casa dos quarenta anos, que sonhava com dinheiro e sucesso na juventude e a geração atual que tenta esconder estes mesmos desejos se mostrando politicamente correta, mas que revela a verdadeira face através de atitudes manipuladoras. Para muitos desta nova geração, as amizades somente são interessantes se resultarem em vantagens. 

Mesmo sem grandes atuações, o quarteto principal está perfeito como exemplos das gerações. O filme perde pontos por inserir algumas sequências bobas, como a festa regada a ayahuasca comandada por um xamã picareta e a crise no evento de gala na parte final. Vale destacar ainda a participação do veteraníssimo Charles Grodin como pai da personagem de Naomi Watts. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Truque de Mestre: O 2º Ato

Truque de Mestre: O 2º Ato (Now You See Me 2, EUA / China / Inglaterra / Canadá, 2016) – Nota 6
Direção – Jon M. Chu
Elenco – Jesse Eisenberg, Mark Ruffalo, Woody Harrelson, Dave Franco, Morgan Freeman, Michael Caine, Daniel Radcliffe, Lizzy Caplan, Jay Chou, Sanaa Lathan, David Warshofsky, Tsai Chin.

Um ano após o golpe que quase faliu o empresário Tressler (Michael Caine) e levou para cadeia Thaddeus Bradley (Morgan Freeman), os ilusionistas conhecidos como “Os Quatro Cavaleiros” (Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Dave Franco e Lizzy Caplan, a última substituindo Isla Fisher) retornam com o objetivo de desmascarar o lançamento de um super chip que funcionará como uma espécie de “Big Brother” virtual. 

O que eles não esperavam eram ser manipulados por um desconhecido. Após a surpresa, eles acordam na China onde são obrigados a trabalhar para um milionário (Daniel Radcliffe). 

Filmes com tramas complexas sobre grandes golpes tendem a cair de qualidade em caso de sequência. É muito difícil manter o frescor da trama e dos personagens. É o caso desta franquia. 

Por mais que o foco principal da trama seja o ilusionismo, nesta sequência os truques em grande escala são absurdos, além de serem montados com uma rapidez sem explicação, como por exemplo a sequência final do avião. 

O quarteto principal pouco se destaca desta vez, assim como Michael Caine que surge apenas na metade da trama. Morgan Freeman tem um pouco mais de destaque, apesar da mudança de perspectiva do personagem. Outros coadjuvantes são péssimos, como o vilão interpretado pelo “Harry Potter” Daniel Radcliffe e o ridículo irmão gêmeo do personagem de Woody Harrelson. 

Apesar de Hollywood ser pródiga em esticar franquias, acredito que esta dificilmente terá uma nova sequência.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Ameaça Terrorista

Ameaça Terrorista (Unthinkable, EUA, 2010) – Nota 7
Direção – Gregor Jordan
Elenco – Samuel L. Jackson, Carrie Anne Moss, Michael Sheen, Stephen Root, Lora Kojovic, Martin Donovan, Gil Bellows, Benito Martinez, Vincent Laresca, Holmes Osborne, Brandon Routh, Michael Rose.

Um cidadão americano convertido ao islamismo (Michael Sheen) posta um vídeo ameaçando explodir três bombas atômicas em locais diferentes do país. Pouco tempo depois ele é preso, mas se nega a informar onde estão escondidas as bombas, que conforme sua ameaça, estão programadas para explodir em três dias. 

O governo americano entrega o problema ao exército, que decide utilizar um negociador clandestino conhecido como H (Samuel L. Jackson) para pressionar o terrorista. Os métodos violentos do sujeito entram em choque com a equipe da CIA comandada pela agente Helen Brody (Carrie Anne Moss). Com o passar dos dias e a resistência do terrorista em entregar os locais das bombas, os negociadores precisam decidir entre arriscar a vida de milhões ou tomar medidas drásticas que ferem o limite moral. 

É um filme que precisa ser analisado em dois aspectos. Para um crítico conservador, o roteiro será visto pelas várias falhas, como por exemplo o mal desenvolvimento dos coadjuvantes e algumas decisões inverossímeis em se tratando de uma situação extremamente delicada. 

Por outro lado, as discussões entre o trio de personagens principais e as cenas de tortura resultam numa crescente tensão da narrativa que deixa o espectador em dúvida sobre a veracidade das bombas até a parte final. 

A história ainda coloca em discussão a questão do uso da tortura em casos extremos. Até onde uma autoridade poderia ir para arrancar a verdade de um terrorista e impedir um atentado? Algumas sequências são assustadoras. 

É um filme muito mais interessante pela discussão do tema e a tensão, do que pela qualidade do roteiro.  

terça-feira, 22 de novembro de 2016

A Primeira Página & Amigos, Amigos, Negócios a Parte


A Primeira Página (The Front Page, EUA, 1974) – Nota 7,5
Direção – Billy Wilder
Elenco – Jack Lemmon, Walter Matthau, Susan Sarandon, Vincent Gardenia, David Wayne, Austin Pendleton, Allen Garfield, Charles Durning, Herb Edelman, Harold Gould, Dick O’Neill.

Chicago, 1929. Hildy Johnson (Jack Lemmon) é o principal repórter de um tabloide comandado por Walter Burns (Walter Matthau). Na véspera do enforcamento de um sujeito que matou um policial, Hildy pede demissão do emprego para se casar com uma jovem (Susan Sarandon). Desesperado por perder seu melhor funcionário no dia em que mais precisava dele, Burns tenta de tudo para mudar a decisão de Hildy.

Mesmo sem ter a mesma qualidade de outros trabalhos, o diretor Billy Wilder ainda consegue fazer o espectador rir em algumas sequências nesta comédia que é uma crítica a atuação da imprensa e das autoridades. A imprensa é retratada como mentirosa e manipuladora, fato que Wilder já havia abordado no ótimo e sério “A Montanha dos Sete Abutres”.

Os diálogos rápidos e repletos de ironia eram marcas registradas de Wilder, aqui valorizados pelo ótimo elenco. Walter Matthau está impagável como o editor canalha e Jack Lemmon perfeito como o repórter que se considera uma celebridade. Entre os coadjuvantes, o destaque fica para o xerife medroso e mentiroso vivido por Vincent Gardenia e o estranho condenado interpretado por Austin Pendleton. Por outro lado, uma ainda jovem Susan Sarandon funciona apenas como enfeite feminino na trama.

Amigos, Amigos, Negócios a Parte (Buddy Buddy, EUA, 1981) – Nota 6,5
Direção – Billy Wilder
Elenco – Jack Lemmon, Walter Matthau, Paula Prentiss, Klaus Kinski, Dana Elcar, Michael Ensign.

Trabucco (Walter Matthau) é um assassino profissional contratado para matar três testemunhas de um caso de corrupção. Ele consegue eliminar duas pessoas, porém o terceiro alvo é o mais complicado por causa da ação das autoridades, que escondem o sujeito e colocam dezenas de policiais em frente ao edifício do tribunal. Para dificultar ainda mais seu trabalho, Trabucco cruza o caminho do temperamental Victor Clooney (Jack Lemmon), que ameaça cometer suicídio caso sua esposa não aceite uma reconciliação. 

Este longa foi o último trabalho como diretor do grande Billy Wilder. Mesmo inferior a seus filmes anteriores, a história ainda apresenta alguns momentos engraçados, principalmente na relação entre Lemmon e Matthau. A ingenuidade do personagem de Lemmon é o contraponto ao mal humor e a ironia de Matthau. 

Um ponto que na época deve ter sido mais engraçado do que hoje, são as sequências em que entra em cena o médico picareta especialista em sexualidade interpretado pelo maluco Klaus Kinski. 

O filme vale como curiosidade e também para os fãs de Billy Wilder.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

The Night Of

The Night Of (The Night Of, EUA, 2016) – Nota 8
Direção – Steve Zaillian
Elenco – John Turturro, Riz Ahmed, Michael Kenneth Williams, Bill Camp, Peyman Moaadi, Poorna Jagannathan, Jeannie Berlin, Sofia Black D’Elia, Glenne Headley.

Nasir Khan (Riz Ahmed) é um jovem universitário filho de imigrantes paquistaneses que vivem em Nova York. Numa certa noite, Nasir decide pegar o táxi do pai sem avisá-lo, para ir a uma festa em Manhattan. Ele se perde na cidade e estaciona o carro. 

Por acaso, uma jovem (Sofia Black D’Elia) entra na automóvel. Nasir sente-se atraído pela garota e mesmo sem conhecer a cidade, decide levá-la como passageira. Após algumas horas juntos, a jovem o convida para ir em sua casa. Eles bebem, usam drogas e transam. Nasir desmaia e ao acordar encontra a jovem assassinada com diversas facadas. É o inicio de um terrível pesadelo em sua vida. 

Nesta minissérie produzida pelo HBO em oito episódios, o diretor e roteirista Steve Zaillian (vencedor do Oscar de Roteiro Adaptado por “A Lista de Schindler”) detalha o desenrolar completo de um processo penal, desde o crime até julgamento.

A saga enfrentada pelo personagem de Riz Ahmed disseca um sistema que na teoria busca a justiça, mas que na verdade é um emaranhado de situações, procedimentos e pessoas, cada qual defendendo seus próprios interesses. A justiça é apenas um detalhe em meio a estes interesses. 

É interessante a forma como o roteiro mostra os efeitos colaterais do crime, principalmente como afeta a vida da família de Nasir, que sofre a cada triste novidade que precisa enfrentar, como o trato com a polícia, com os advogados, a visita na cadeia, a rejeição dos amigos e assim por diante. 

É complexo também o desenvolvimento dos personagens, principalmente o protagonista, que aos poucos vai modificando seu comportamento de acordo com o ambiente que precisa encarar. 

Entre os demais personagens, os destaques ficam para o advogado de porta de cadeia interpretado por John Turturro, que sofre de uma violenta alergia, o detetive prestes a se aposentar vivido por Bill Camp e o chefão da cadeia de Michael Kenneth Williams, ator que mais uma vez interpreta um presidiário. 

domingo, 20 de novembro de 2016

Um Fim de Semana Diferente & Pais e Filhas


Um Fim de Semana Diferente (The Confirmation, Canadá, 2016) – Nota 7
Direção – Bob Nelson
Elenco – Clive Owen, Jaeden Lieberher, Maria Bello, Robertr Forster, Tim Blake Nelson, Matthew Modine, Patton Oswalt, Stephen Tobolowsky, Spencer Drever, Michael Eklund, Ryan Robbins.

Em uma pequena cidade, Walt (Clive Owen) é um pai divorciado que passa por uma crise financeira e luta para não voltar a beber. Durante um final de semana, Walt se torna o responsável por cuidar do filho Anthony (Jaeden Lieberher), enquanto sua ex-esposa (Maria Bello) viajará com o novo marido. O roubo de uma caixa de ferramentas é o estopim para pai e filho iniciarem uma espécie de investigação que fortalecerá a relação entre eles.

O roteiro explora com simpatia o clichê do pai irresponsável que tenta se regenerar, mesmo arrastando o filho para um fim de semana com algumas confusões. O que transforma o longa em algo interessante são a relação entre pai e filho e as interpretações da dupla principal. Clive Owen varia entre momentos patéticos, alguns sérios e outros engraçados, enquanto o garotinho Jaeden Lieberher vive um personagem parecido com seu trabalho em “Um Santo Vizinho”, demonstrando a mesma espontaneidade e simpatia, principalmente nas cenas envolvendo a igreja e os dogmas religiosos.

É um filme pequeno, com cara de independente e que deixa uma boa sensação ao final.

Pais e Filhas (Fathers & Daughters, Itália / EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Gabriele Muccino
Elenco – Russell Crowe, Amanda Seyfried, Aaron Paul, Kylie Rogers, Diane Kruger, Bruce Greenwood, Quvenzhané Wallis, Janet McTeer, Jane Fonda, Octavia Spencer.

Nova York, 1988. Uma discussão dentro de um carro causa um acidente fatal. O escritor Jake Davis (Russell Crowe) perde a esposa Carolyn (Janet McTeer), precisa lidar com as sequelas do acidente, além de ficar sozinho com a filha de cinco anos Katie (Kylie Rogers). Jake passa a sofrer de perda de controle do corpo que resulta em convulsões. A partir daí, a trama se divide em uma segunda narrativa que acompanha a adulta Katie (Amanda Seyfried) nos dias atuais. Ela está se formando em psicologia e ajudando crianças com problemas, mas por outro lado, ela mesma sofre com a dificuldade em criar laços afetivos.  

O diretor italiano Gabriele Muccino é especialista em dramas lacrimosos que exploram relacionamentos familiares complicados, doenças e problemas financeiros. Todos estes quesitos são encontrados neste longa, porém sem a mesma força de “À Procura da Felicidade”, seu melhor trabalho até o momento. 

A primeira narrativa que foca na infância da garota Katie e os problemas que seu pai enfrenta são a parte mais interessante do roteiro. Apesar das cenas em que o protagonista tem “ataques” serem estranhas, a força da relação entre pai e filha é muito bem conduzida, assim como a química entre Russell Crowe e a surpreendente garotinha Kylie Rogers. A narrativa que segue os problemas temperamentais da personagem de Amanda Seyfried não chega a convencer. 

No geral é um drama mediano, que prende a atenção, mas que logo é esquecido.

sábado, 19 de novembro de 2016

Movimentos Noturnos

Movimentos Noturnos (Night Moves, EUA, 2013) – Nota 6
Direção – Kelly Reichardt
Elenco – Jesse Eisenberg, Dakota Fanning, Peter Sarsgaard, Alia Shawkat, Logan Miller, Kai Lennox, Katherine Waterston, James LeGros.

Os jovens Josh (Jesse Eisenberg) e Dena (Dakota Fanning) se unem a Harmon (Peter Sarsgaad) com o objetivo de explodir uma represa como protesto ecológico, sem imaginar as consequências do ato. 

O roteiro explora um fio de história sobre o tema atual do ecoterrorismo e praticamente não explica as motivações dos envolvidos. Na teoria seria defender a natureza e chamar a atenção das pessoas para os problemas que afetam o planeta, porém o ato de destruir em nome da natureza é absurdo e totalmente vazio. 

Com o desenrolar da trama, descobrimos que Josh trabalha em uma fazenda de orgânicos, Dena é dona de uma espécie de SPA naturalista e Harmon é um veterano ativista que inclusive cumpriu pena na cadeia. 

Fica difícil entender se a diretora tentou fazer uma crítica ao ecoterrorismo, defender a natureza ou simplesmente entregar um drama.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O Chacal & Caça ao Terrorista


O Chacal (The Jackal, EUA / Inglaterra / França / Alemanha / Japão, 1997) – Nota 7,5
Direção – Michael Caton Jones
Elenco – Bruce Willis, Richard Gere, Sidney Poitier, Diane Venora, Tess Harper, J. K. Simmons, Mathilda May, Jack Black, Richard Lineback, David Hayman.

Uma ação do FBI em conjunto com a polícia russa resulta na morte de um mafioso daquele país. O irmão do morto (David Hayman) contrata um assassino conhecido como Chacal (Bruce Willis) para matar o chefão do FBI Carter Preston (Sidney Poitier). A proteção a Preston se torna quase impossível, pois ninguém conhece o rosto do Chacal. A única pessoa que já viu o assassino e que pode ajudar o FBI é um detento ligado ao IRA, o Exército Republicano Irlandês. Com muito custo, o FBI convence Declan Mulqueen (Richard Gere) a ajudar na caçada e tentar chegar ao Chacal antes dele cumprir sua missão. 

O longa é inspirado no clássico “O Dia do Chacal” de Fred Zinnemann, porém com muitas alterações na trama. Esta comparação atrapalhou bastante o longa na época do lançamento. Os críticos detonaram o filme, que por sinal não é ruim. O jogo de gato e rato entre FBI e assassino prende a atenção e tem bons momentos de ação. Até mesmo o canastrão Bruce Willis convence como o gélido assassino. 

Como informação, este foi o último trabalho para o cinema do grande Sidney Poitier, que depois trabalharia apenas em quatro telefilmes. Poitier está vivo e com quase oitenta e nove anos.

Caça ao Terrorista (The Assignment, Canadá, 1997) – Nota 7
Direção – Christian Duguay
Elenco – Aidan Quinn, Donald Sutherland, Ben Kingsley, Liliana Komorowska, Vlasta Vrana, Claudia Ferri.

Jerusalém, 1986. O tenente da marinha americana Anibal Ramirez (Aidan Quinn) é capturado pelo serviço secreto israelense, o Mossad, sendo confundido com o terrorista Carlos, o Chacal. Após provar sua identidade, a semelhança com o criminoso chama a atenção de um veterano agente da CIA (Donald Sutherland), que o recruta para uma missão. O objetivo é fazer Ramirez se passar pelo Chacal e assim se aproximar da KGB, como uma espécie de isca para atrair o verdadeiro terrorista. 

O roteiro utiliza um personagem real, Carlos, o Chacal, para criar uma trama fictícia de espionagem que rende alguns bons momentos e apresenta coadjuvantes competentes como Donald Sutherland e Ben Kingsley, este último como um agente do Mossad que treina o protagonista para a missão. 

O verdadeiro Chacal ficou conhecido por atentados terroristas nos anos setenta e desde meados dos anos noventa cumpre prisão perpétua na França.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Port of Call

Port of Call (Daap Hyut Cam Mui, Hong Kong, 2016) – Nota 7
Direção – Philip Yung
Elenco – Aaron Kwok, Jessie Li, Michael Ning, Patrick Tam, Elaine Jin, Maggie Siu.

Jiamei (Jessie Li) é uma jovem de dezesseis anos que termina assassinada. Ting (Michael Ning) é o rapaz que se entrega a polícia e confessa o crime. O detetive Chong (Aaron Kwok) é o responsável por investigar o caso. 

Fica difícil escrever mais sobre as idas e vindas do roteiro escrito pelo diretor Philip Yung. A narrativa é um verdadeiro quebra-cabeças que o espectador precisa montar para tentar entender as motivações de cada personagem, principal vítima e assassino. 

Pode-se adiantar que Jiamei sonhava em ser modelo e por este motivo fez escolhas erradas, enquanto Ting carregava traumas e tinha um gênio explosivo. 

É um filme lento e estranho, até mesmo para os padrões asiáticos, além de se mostrar ousado numa sequência próxima ao final que beira o gore. 

Chega a ser surpreendente sua indicação para o Oscar de Filme Estrangeiro como representante de Hong Kong. Dificilmente ele estará entre os finalistas.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Invocação do Mal 2

Invocação do Mal 2 (The Conjuring 2, Candá / EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – James Wan
Elenco – Patrick Wilson, Vera Farmiga, Frances O‘Connor, Madison Wolfe, Simon McBurney, Lauren Esposito, Benjamin Haigh, Patrick McAuley, Franka Potente.

Após um prólogo em que a paranormal Lorraine Warren (Vera Farmiga) e seu marido Ed (Patrick Wilson) participam de uma investigação sobre o conhecido caso de possessão em Amityville e em seguida decidem parar com o trabalho por algum tempo, a trama segue para Londres em 1977. 

Num bairro de subúrbio, a divorciada Peggy Hogdson (Frances O’Connor) luta para criar quatro filhos, sendo duas adolescentes e dois garotos menores. O inferno na vida da família começa quando a filha chamada Janet (Madison Wolfe) passa a sofrer com pesadelos e ataques de sonambulismo, seguidos de visões de um velho fantasma. O casal Warren é chamado e aceita voltar à ativa para ajudar a família. 

Assim como o filme original, esta sequência é baseada em um história real registrada pelas fotografias exibidas nos créditos finais. Mesmo o filme exagerando nos sustos, as fotos mostram que a situação real foi extremamente fora do normal, deixando em dúvida até mesmo os céticos sobre fenômenos sobrenaturais. 

O diretor James Wan novamente cria sequências assustadoras e um clima desespero que toma conta da família, confirmando seu talento como especialista no gênero. Mesmo sendo um pouco inferior ao original, este longa é uma ótima opção para que gosta de terror. 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

O Bom Vizinho

O Bom Vizinho (The Good Neighbor, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Kasra Farahani
Elenco – James Caan, Logan Miller, Keir Gilchrist, Laura Innes, Edwin Hodge, Anne Dudek, Tamlyn Tomita.

Em um típico subúrbio americano, o rebelde Ethan (Logan Miller) e o nerd Sean (Keir Gilchrist) montam uma verdadeira central de monitoramento no quarto do primeiro para espionar a vida de um vizinho, o solitário idoso Harold Grainey (James Caan). 

Eles invadem a casa do homem quando este sai para fazer compras e instalam câmeras em todos dormitórios, com exceção do porão que está trancado. Eles instalam também gadgets para comandar as luzes, o aparelho de som e até a porta. O objetivo da “experiência” dos garotos é assustar o idoso, considerado ranzinza pela vizinhança e analisar suas reações. 

Explorando o estilo atual de filmar utilizando câmeras de vigilância e outras nas mãos dos personagens, o diretor estreante Kasra Farahani entrega um bom longa que apresenta interessantes situações nas entrelinhas. A mais comum é a questão da tecnologia ao alcance da pessoa comum, que com um pouco de “estudo” pode utilizá-la da forma que desejar, inclusive para o mal. 

Outro ponto importante é a falta de empatia das pessoas em relação ao outro. A análise dos garotos sobre o caráter do idoso é rasa, ela leva em conta apenas a casca do sujeito, sem imaginar porque ele se tornou daquele jeito e por quais sofrimentos ele passou. Esta situação é valorizada pela interpretação do veterano James Caan. O espectador descobre realmente quem é o protagonista através de flashbacks sobre sua vida. 

É um filme interessante, que faz pensar.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Nos Bastidores da Notícia

Nos Bastidores da Notícia (Broadcast News, EUA, 1987) – Nota 7
Direção – James L. Brooks
Elenco – William Hurt, Albert Brooks, Holly Hunter, Jack Nicholson, Robert Prosky, Lois Chiles, Joan Cusack, Christian Clemenson.

Jane (Holly Hunter) é uma produtora de tv que trabalha em um programa de notícias. Aaron (Albert Brooks) é o repórter investigativo. Os dois são muito amigos e acreditam no jornalismo com seriedade. 

Quando o canal contrata Tom (William Hurt) para ser o âncora do jornal local em Washington, tudo muda na relação entre os dois. Apesar de ter experiência como apresentador de tv, Tom sequer é jornalista. Ele mesmo confessa que conseguiu o emprego e a carreira por causa da apresentação pessoal. A atração que Jane passa a sentir por Tom, se transforma em uma batalha entre seus princípios e seu coração. 

Este longa foi lançado na época com grande expectativa, pois seria o primeiro trabalho de James L. Brooks após o grande sucesso de “Laços de Ternura”, que marcou sua estreia como diretor. O resultado acaba ficando no meio do caminho entre um drama romântico e uma crítica as mudanças que o jornalismo começava a enfrentar na época. 

O diferencial no triângulo entre os protagonistas são as neuroses que cada personagem carrega, valorizadas pelas boas interpretações. Na minha opinião, o ponto mais interessante é a forma como o jornalismo estava se transformando em entretenimento, colocando a notícia como detalhe e focando nos dramas rasos e nas aparências. O personagem de William Hurt personificava uma nova era que transformaria o jornalista puro em algo coadjuvante. 

Na parte final, o roteiro ainda faz uma crítica sobre como o ser humano é descartável no mercado de trabalho, outro fato que começava a virar rotina nos anos oitenta e que hoje infelizmente é algo comum. 

É um filme mais interessante pelas entrelinhas do roteiro do que como cinema.

domingo, 13 de novembro de 2016

Entrevista com o Vampiro & Um Drink no Inferno


Entrevista Com o Vampiro (Interview Whit the Vampire: The Vampire Chronicles, EUA, 1994) – Nota 7,5
Direção – Neil Jordan
Elenco – Tom Cruise, Brad Pitt, Kirsten Dunst, Antonio Banderas, Stephen Rea, Christian Slater, Thandie Newton.

New Orleans, 1994. Um repórter (Christian Slater) consegue uma entrevista com um enigmático sujeito chamado Louis (Brad Pitt), que diz ter mais de duzentos anos e ser um vampiro. A princípio ouvindo a história com incredulidade, aos poucos o jornalista percebe que tudo pode ser verdade.

A trama volta para a mesma New Orleans no século XVIII, quanto o então jovem Louis é atacado pelo vampiro Lestat (Brad Pitt). A vida eterna de um vampiro que Lestat acredita ser um presente, Louis vê como uma maldição.

A relação dos dois fica mais complicada quando Lestat transforma a garotinha Claudia (Kirsten Dunst). Com o passar do tempo, Louis e Claudia se unem contra Lestat e chegam a fugir para Paris, onde encontram Armand (Antonio Banderas), que seria o vampiro mais velho do mundo.

O livro de Anne Rice que deu origem ao filme era um best seller que os fãs clamavam pela adaptação ao cinema. Os produtores claramente visaram o público feminino ao escalar o trio Cruise/Pitt/Banderas, o que resultou em um grande sucesso de bilheteria.

Apesar de ser um belíssimo filme na questão técnica, principalmente cenários, figurino e reconstituição de época, além do clima soturno pontuado pelo trilha sonora de Elliot Goldenthal, a história não me agrada totalmente. Eu prefiro filmes de vampiros voltados para o terror puro, diferente deste que é praticamente um drama. Como citei anteriormente, vejo como um longa produzido para os fãs da obra literária e para o público feminino da época.

Um Drink no Inferno (From Dusk Till Dawn, EUA, 1996) – Nota 7,5
Direção – Robert Rodriguez
Elenco – George Clooney, Quentin Tarantino, Harvey Keitel, Juliette Lewis, Cheech Marin, Salma Hayek, Fred Williamson, Tom Savini, Danny Trejo, Ernest Liu, Michael Parks, John Saxon

Os irmãos Seth (George Clooney) e Richard Gecko (Quentin Tarantino) assaltam um banco em Abilene, deixam um rastro de mortes e fogem em direção ao México. No meio do caminho, sequestram um ex-pastor (Harvey Keitel) e seu casal de filhos (Juliette Lewis e Ernest Liu). A noite, decidem fazer uma nova parada em um bar de beira de estrada onde a dupla encontraria um outro parceiro (Cheech Marin). O que eles não imaginam é que o bar está repleto de vampiros que precisam se alimentar a noite. 

Este divertido e escrachado filme de terror é uma parceria maluca entre Robert Rodriguez e Quentin Tarantino. Os exageros visuais de Rodriguez se unem ao talento de Tarantino para criar personagens e escrever diálogos. É basicamente um filme de terror B elevado a última potência de violência. 

Apesar dos diretores terem deixado de lado o projeto em seguida, o sucesso do longa gerou duas sequências lançadas diretamente em dvd. Rodriguez retomou a historia numa recente série de tv que já está na terceira temporada. 

sábado, 12 de novembro de 2016

Cem Anos de Perdão

Cem Anos de Perdão (Cien Años de Perdón, Espanha / Argentina / França, 2016) – Nota 8
Direção – Daniel Calparsoro
Elenco – Luis Tosar, Rodrigo De la Serna, Raul Arévalo, José Coronado, Patricia Vico, Joaquin Furriel, Luciana Caceres, Marian Alvarez, Luis Callejo.

Uma quadrilha invade um banco no centro de Valência na Espanha. Liderados por Uruguaio (o argentino Rodrigo De la Serna) e Gallego (o espanhol Luis Tosar), o grupo parece não ter pressa para fugir do local. 

Eles obrigam a gerente (Patricia Vico) a abrir o cofre e em seguida violam uma a uma as caixas de valores dos clientes. Não demora para a polícia cercar o prédio e o espectador descobrir que os ladrões tem um plano especial para escapar. 

O grande acerto deste longa é o competente roteiro que explora a clássica trama de roubo a banco de uma forma inteligente, apresentando surpresas e criando reviravoltas que envolvem segredos entre os ladrões, a gerente do banco e várias autoridades que temem por provas de corrupção que estão escondidas na agência. Até mesmo a forte chuva que é mostrada no inicio do filme e que castiga a cidade no dia do assalto, acaba por ter vital importância na história. 

Para quem gosta do gênero, o longa é uma ótima opção. 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Sala Verde

Sala Verde (Green Room, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Jeremy Saulnier
Elenco – Anton Yelchin, Imogen Poots, Joe Cole, Patrick Stewart, Alia Shawkat, Callum Turner, David W. Thompson, Mark Webber, Macon Blair.

Um banda de punk rock (Anton Yelchin, Joe Cole, Alia Shawkat e Callum Turner) é entrevistada por um jovem punk para uma rádio universitária. Precisando de dinheiro, a banda aceita o convite do rapaz para tocarem em uma região rural de Portland, para um público de skinheads. 

Após o final do show, um dos integrantes se torna testemunha de um crime. Eles terminam barrados pelos seguranças e presos em uma sala enquanto o dono do estabelecimento (Patrick Stewart) e a polícia não chegarem ao local. É o início de uma noite de terror. 

Misturando trama policial, suspense e até sequências que beiram o gore, este violento longa é uma surpresa insana concebida pelo desconhecido diretor e roteirista Jeremy Saulnier. O estilo e o formato é de filme B, com cenas escuras dentro do decadente bar e algumas na floresta ao redor. 

O filme perde alguns pontos pelo roteiro confuso, que não explica direito o porquê do crime inicial e também toda a preparação dos vilões para atacar e culpar os jovens. 

Vale destacar o falecido Anton Yelchin em um dos seus últimos trabalhos e o “Dr. Xavier” Patrick Stewart como o chefão dos skinheads. 

É um longa indicado para quem gosta de obras violentas.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Operações Especiais

Operações Especiais (Brasil, 2015) – Nota 6,5
Direção – Tomás Portella
Elenco – Cleo Pires, Marcos Caruso, Fabricio Boliveira, Thiago Martins, Fabiula Nascimento, Fábio Lago, Antonio Tabet.

Após presenciar um assalto no hotel onde trabalha, a bela Francis (Cleo Pires) decide prestar concurso para a polícia civil. Ela é aprovada e inicia no cargo em um serviço administrativo. 

Para sua surpresa, ela é convocada para participar de um grupo especial que terá a missão de capturar criminosos foragidos que estão aterrorizando uma pequena cidade no interior do Rio de Janeiro. 

Sem experiência alguma em campo e tendo de enfrentar o preconceito dos policiais que não acreditam que ela possa aguentar o trabalho, Francis precisará provar o contrário. 

Apesar do roteiro ser um pouco confuso em relação a trama de corrupção, não apresentar surpresas e explorar o clichê da questão da superação de obstáculos pela protagonista, o filme ganha pontos pelas tensas cenas de ação. 

A sequência da perseguição de carros na beira do córrego ao lado da favela, a invasão do apartamento e o tiroteio na parte final são bem filmados e passam toda a sensação de medo da protagonista. 

Mesmo não sendo fácil acreditar na belíssima Cleo Pires como policial, ela dá conta do recado. Destaque ainda para o ótimo Marcos Caruso como o delegado experiente e honesto e Fabricio Boliveira no papel do policial que se torna amigo da protagonista. 

É um filme razoável, nada mais do que isso.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Independence Day (1996 & 2016)


Independence Day (Independence Day, EUA, 1996) – Nota 7
Direção – Roland Emmerich
Elenco – Bill Pullman, Will Smith, Jeff Goldblum, Mary MacDonnell, Robert Loggia, Margaret Colin, Judd Hirsch, Adam Baldwin, Randy Quaid, Harvey Fierstein, James Rebhorn, Brent Spiner , James Duval, Harry Connick Jr, Lisa Jakub.

Um gigantesco objeto entra na órbita da Terra. Os sinais de tv sofrem uma grande interferência e o operador de um canal, David Levinson (Jeff Goldblum), capta um estranho sinal vindo do espaço. Ele tenta avisar o governo sem sucesso. Ao mesmo tempo, o presidente americano (Bill Pullman) está em reunião com a alta cúpula para analisar o que seria o objeto não identificado. A força aérea fica de prontidão, com destaque para o Capitão Hiller (Will Smith). As respostas não demoram a aparecer. Logo, naves alienígenas iniciam um ataque. 

Com uma enorme campanha de marketing e ótimas cenas de ação, este blockbuster se tornou um sucesso mundial utilizando o melhor que os efeitos especiais podiam oferecer na época. As grandiosas cenas de destruição de monumentos mundiais e as batalhas aéreas eram os grandes destaques, sendo o primeiro filme em que o diretor alemão Roland Emmerich mostrou seu gosto pelo exagero. 

O roteiro escrito por ele também exagera no patriotismo, incluindo o clichê das salva de palmas dos coadjuvantes e um discurso inflamado do presidente. Algumas piadas idiotas são inseridas nos diálogos, principalmente a cargo de Will Smith e do veterano Judd Hirsch, que interpreta o pai do personagem de Jeff Goldblum, mas ainda em um nível menor dos que os trabalhos posteriores do diretor. 

O resultado é um competente blockbuster.

Independence Day: O Ressurgimento (Independence Day: Resurgence, EUA, 2016) – Nota 5
Direção – Roland Emmerich
Elenco – Liam Hemsworth, Jeff Goldblum, Bill Pullman, Jessie T. Usher, Maika Monroe, Judd Hirsch, Sela Word, William Fichtner, Brent Spiner, Patrick St. Espirit, Vivica A. Fox, Angelababy, Charlotte Gainsbourg, Deobia Oparei, Nicolas Wright, Travis Topem, Chin Han, Robert Loggia.

Vinte anos após o mundo vencer a batalha contra os invasores alienígenas, os governos construíram uma base avançada na lua. Mesmo com esta precaução, uma nave alienígena ainda maior que a antiga chega à Terra causando destruição. A única chance de salvar o planeta é descobrir o ponto fraco para destruir a nave. Um grupo de pilotos é encarregado de enfrentar a ameaça. 

Nos vinte anos que separam o original desta sequência, Roland Emmerich deixou de ser visto como um diretor criativo, vide “Stargate” e o pouco conhecido “Estação 44”, para se transformar em um operário criador de blockbusters vazios. 

Chega a ser inacreditável a ruindade dos diálogos nesta sequência. Os jovens personagens soltam piadas idiotas em vários momentos. Jeff Goldblum tenta dar alguma dignidade a seu personagem, enquanto o ex-presidente de Bill Pullman se transforma de um idoso confuso em herói, como se fosse um milagre.

No máximo, a geração que curte games poderá achar legal as cenas de ação. Ao resto do público, resta fugir desta bomba. 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

American Crime Story - The People v. O. J. Simpson

American Crime Story – The People v. O. J. Simpson (American Crime Story – The People v. O. J. Simpson, EUA, 2016) – Nota 9
Direção – Ryan Murphy, Anthony Hemingway & John Singleton
Elenco – Sarah Paulson, John Travolta, Cuba Gooding Jr, Sterling K. Brown, Courtney B. Vance, David Schwimmer, Kenneth Choi, Bruce Greenwood, Nathan Lane, Rob Morrow, Dale Godboldo, Jordana Brewster, Chris Bauer, Michael McGrady, Steven Pasquale, Christian Clemenson.

Los Angeles, 12 de Junho de 1994. Um vizinho encontra um rastro de sangue que leva a um casal que foi brutalmente assassinado a facadas. Os detetives são chamados e identificam as vítimas como Nicole Brown Simpson e Ron Goldman. Nicole é ex-esposa do aposentado astro de futebol americano e ator de cinema O. J. Simpson (Cuba Gooding Jr). 

Ao seguirem para casa de Simpson, que fica a poucos metros do local, os detetives descobrem que na mesma noite ele viajou rapidamente para Chicago. As pistas colhidas pelos detetives apontam para Simpson. A partir daí, a mídia transforma o caso em um verdadeiro circo. 

Esta famosa história real contada em formato de minissérie com dez episódios detalha todos os acontecimentos desde o crime até o veredito. Para quem não conhece a história ou sabe pouco sobre ela, O. J. Simpson era um sujeito pobre que se tornou ícone do esporte e posteriormente uma celebridade. Quando ocorreu o crime em 1994, apesar da repercussão ser grande também por aqui, a internet ainda estava em seus primórdios, assim a fonte principal das notícias era a tv, que pouco detalhava a situação. 

Além de dissecar a história, esta minissérie apresenta um ótimo desenvolvimento de personagens, mostrando em detalhes as motivações, ambições e fraquezas de cada um, principalmente a verdadeira batalha travada entre os advogados, que incluem acusações de racismo, preconceito, segredos informados para imprensa e todo tipo de jogada para vencer o julgamento. 

De um lado a promotoria comandada pela ambiciosa Marcia Clark (Sarah Paulson), que sofre por estar passando por um processo de disputa de filhos com o ex-marido e que não se sente à vontade ao ser “julgada” pela mídia. Seu braço direito é Chris Darden (Sterling K. Brown), um negro que fica pressionado por estar processando outro negro. 

Do outro lado, para defender Simpson, um grupo de advogados egocêntricos não mede esforços para inocentar o cliente, mesmo usando subterfúgios e táticas sujas. Robert Shapiro (John Travolta), Johnny Cochran (Courtney B. Vance), F. Lee Bailey (Nathan Lane), Alan Dershowitz (Evan Handler) e Robert Kardashian (David Schwimmer), este último o único amigo de Simpson que fica a seu lado durante o processo. 

Uma informação curiosa que descobri ao assistir a minissérie é sobre Robert Kardashian. Hoje falecido, ele era um empresário de origem armênia e pai das irmãs Kardashian, que hoje são celebridades polêmicas. Aqui, elas eram ainda crianças e se mostravam empolgadas com o pai aparecendo na tv, que por seu lado tentava em vão durante uma sequência na lanchonete explicar que o importante é o caráter e não a fama. 

É uma história tão sensacional e repleta de reviravoltas que parece ficção assinada por um roteirista criativo, deixando ainda claro que a justiça americana está longe de ser “justa”, muitas vezes o que vale é o talento e os recursos que os advogados possuem para contar sua história e criar a chamada “Dúvida Razoável (Reasonable Doubt)” no juri.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Regresso do Mal

Regresso do Mal (Pay the Ghost, Canadá, 2015) – Nota 5,5
Direção – Uli Edel
Elenco – Nicolas Cage, Sarah Wayne Callies, Veronica Ferres, Lyriq Bent, Jack Fulton.

Nova York, noite de Halloween. O professor Mike Lawford (Nicolas Cage) chega em casa atrasado após um dia corrido de trabalho e encontra a esposa Kristen (Sarah Wayne Callies) voltando após levar o filho do casal, o garoto Charlie (Jack Fulton), para pegar doces. 

A pedido do filho, Mike aceita passear mais um pouco em uma espécie de carnaval que ocorre em uma rua próxima. No local, o garoto começa a ter visões de uma estranha figura e acaba desaparecendo sem deixar vestígios. A situação destroça o casamento e cria em Mike uma obsessão em localizar o filho. 

É inacreditável a capacidade de Nicolas Cage em escolher roteiros ruins. Nos últimos anos, para dois bons trabalhos como “Joe” e “Kick-Ass”, existem pelo menos outros dez filmes fracos. Este que comento aqui é um amontoado de clichês. Temos a lenda sobre um espírito que quer vingança, o garotinho alvo do espírito, as aparições em flashes no escuro, o policial perdido na trama e até uma vidente que surge em uma breve sequência. O resultado é um verdadeiro desperdício de tempo do espectador.

domingo, 6 de novembro de 2016

Desencanto

Desencanto (Brief Encounter, Inglaterra, 1945) – Nota 8
Direção – David Lean
Elenco – Celia Johnson, Trevor Howard, Stanley Holloway, Joyce Carey, Cyril Raymond.

Laura (Celia Johnson) é uma mulher casada que vive numa bela casa em uma pequena cidade da Inglaterra. Todas as quintas-feiras ela segue de trem até uma cidade maior para fazer compras e ir ao cinema. 

Em um destes passeios, no momento de voltar, ela cruza o caminho do médico Alec (Trevor Howard) enquanto aguarda o trem no café da estação. O encontro casual se repete na semana seguinte, despertando um inesperado amor proibido, já que Alec também é casado. 

O grande diretor inglês David Lean ("A Ponte do Rio Kwai" e "Passagem Para a Índia") consegue criar um grande filme de forma extremamente simples. É uma história de amor aparentemente comum, mas que o diretor transforma numa relação de culpa e remorso que corrói os dois personagens, principalmente a mulher. 

Por sinal, um dos acertos de Lean é detalhar a relação pelos olhos da mulher, que narra seus sentimentos e angústias para o espectador, pois como ela mesma diz, não tem amigas confiáveis com quem possa compartilhar seu segredo e muito menos contar para o marido. 

A atuação de Celia Johnson é o destaque. Ela foi uma atriz que dedicou praticamente toda carreira para filmes e séries na tv inglesa. 

sábado, 5 de novembro de 2016

Capitão Fantástico

Capitão Fantástico (Captain Fantastic, EUA, 2016) – Nota 8
Direção – Matt Ross
Elenco – Viggo Mortensen, George MacKay, Samantha Isler, Annalise Basso, Nicholas Hamilton, Shree Crooks, Charlie Shotwell, Frank Langella, Ann Dowd, Kathryn Hann, Steve Zahn, Missi Pyle, Erin Moriarty.

Ben (Viggo Mortensen) cria seis filhos em uma casa no meio da floresta. Sendo ao mesmo tempo pai, professor e treinador dos filhos, Ben os ensina a viver com o que a natureza lhes oferece. 

Este estilo de vida sofre uma reviravolta quando ele recebe a notícia de que sua esposa cometeu suicídio. Ela estava internada em um hospital psiquiátrico para tratamento por ser bipolar. 

O sogro (Frank Langella) culpa Ben pelo problema da filha e o proíbe de ir ao funeral. Mesmo assim, a pressão dos filhos que desejam ser despedir da mãe é mais forte e Ben decide levá-los para participarem da cerimônia. 

O roteiro escrito pelo diretor Matt Ross faz o espectador pensar sobre os dois lados da mesma moeda. O que é melhor, levar uma vida comum preso as obrigações do sistema ou abandonar tudo e abraçar a natureza como forma de viver melhor? 

Este conflito é delineado em vários momentos, como quando a família de Ben encontra um casal de tios (Kathryn Hann e Steve Zahn) e seus filhos adolescentes que apresentam o videogame para as crianças, a rápida sequência na lanchonete e o encontro do filho mais velho (George MacKay) com uma garota (Erin Moriarthy). 

A relação entre pais e filhos também faz pensar. Por mais que os pais acreditem que estejam procurando o melhor para os filhos, nem sempre eles desejam a mesma coisa. 

Esta sensível história é valorizada pelas interpretações de todo o elenco, inclusive das crianças, com destaque para Viggo Mortensen, ator mais conhecido por seu trabalho na trilogia “Senhor dos Anéis”, mas que a cada ano se arrisca em filmes que fogem do lugar comum, inclusive produções rodadas fora dos Estados Unidos.

Finalizando, fica a expectativa da sequência da carreira de Matt Ross como diretor, que aqui se mostra extremamente promissora.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Um Sábado Violento

Um Sábado Violento (Violent Saturday, EUA, 1955) – Nota 7,5
Direção – Richard Fleischer
Elenco – Victor Mature, Richard Egan, Stephen McNally. Virginia Leith, Tommy Noonan, Lee Marvin, J. Carrol Naish, Margareth Hayes, Silvia Sidney, Ernest Borgnine, Brad Dexter.

Três sujeitos (Stephen McNally, Lee Marvin e J. Carrol Naish) chegam a uma cidade do Arizona com o objetivo de assaltar o banco local. 

Durante dois dias, eles planejam o assalto analisando detalhes como o horário em que o cofre é aberto pelo gerente e o local que poderão utilizar como esconderijo para trocar de automóvel e fugir. Em paralelo, o roteiro segue a rotina de vários moradores da cidade e os problemas que eles enfrentam, sem imaginar que o assalto mudará a vida de alguns deles. 

O diretor Richard Fleischer era um competente artesão hollywoodiano que comandou filmes marcantes como “20.000 Léguas Submarinas” e “Rumo ao Inferno”. Aqui, ele mostra talento ao amarrar o destino de vários personagens com o assalto.

Temos o sujeito mais rico da cidade (Richard Egan) que sofre com um casamento falido, a jovem enfermeira (Virginia Leith) que desperta paixões, inclusive no inseguro gerente do banco (Tommy Noonan), a religiosa família amish que mora em uma fazenda (o patriarca é Ernest Borgnine) e por fim o supervisor de obras que ama a família (Victor Mature). Aparentemente é uma história simples sobre um assalto, mas que ganha pontos pelo desenvolvimento dos personagens.

Vale destacar ainda a agitada meia-hora final após o crime ser consumado. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

American Buffalo

American Buffalo (American Buffalo, EUA, 1996) – Nota 5,5
Direção – Michael Corrente
Elenco – Dustin Hoffman, Dennis Franz, Sean Nelson.

Em um bairro pobre, Don (Dennis Franz) é dono de uma decadente loja de penhores. O adolescente Bob (Sean Nelson) é uma espécie de protegido que faz pequenos serviços para Don. Teach (Dustin Hoffman) é um desocupado com passado criminoso que gasta o tempo jogando conversa fora na loja. 

Quando Don descobre que vendeu uma moeda rara por um valor baixo sem saber de sua importância, ele arma um plano para invadir a casa do comprador e retomar a moeda para revendê-la a um colecionador. 

Baseado numa peça de David Mamet, que também assina o roteiro, este longa sofre pela história excessivamente teatral, resultando em uma hora e meia de falatório contínuo que parece não chegar a lugar algum. Até mesmo a “surpresa” final passa longe de empolgar. Mamet escreveu roteiros melhores que ele mesmo dirigiu como “O Jogo de Emoções” e “As Coisas Mudam”. 

Mesmo na época do lançamento, com Dustin Hoffman ainda estando em um grande fase da carreira e Dennis Franz no auge da fama ao protagonizar o seriado “Nova York Contra o Crime – NYPD Blue”, o longa foi um merecido fracasso. 

Como curiosidade, após o final da série em 2005, Dennis Franz encerrou a carreira. Na época ele tinha apenas sessenta e um anos. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Um Momento Pode Mudar Tudo

Um Momento Pode Mudar Tudo (You’re Not You, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – George C. Wolfe
Elenco – Hilary Swank, Emmy Rossum, Josh Duhamel, Jason Ritter, Stephanie Beatriz, Julian McMahon, Ali Larter, Andrea Savage, Mike Doyle, Gerald Downey, Loretta Devine, Ermie Hudson, Marcia Gay Harden, Frances Fisher. Ed Begley Jr.

A pianista Kate (Hilary Swank) e o executivo Evan (Josh Duhamel) formam o casal perfeito e apaixonado. Quando Kate descobre que sofre de uma doença degenerativa, tudo muda. 

Mesmo com Evan se dedicando a cuidar da esposa, torna-se necessário contratar uma cuidadora. Kate escolhe a jovem Bec (Emmy Rossum), que não tem experiência no assunto. A espontaneidade da garota chama a atenção de Kate, que aos poucos cria um inusitado laço de amizade. 

O filme é baseado em um best seller e tem muitas semelhanças com o superior drama francês “Intocáveis”. 

Por mais que as atuações de Hilary Swank e Emmy Rossum sejam convincentes, a história explora os clichês do gênero dos filmes sobre doenças. Praticamente tudo que acontece na trama é esperado pelo cinéfilo acostumado com o gênero. 

É um filme correto que com certeza fez e fará muitas pessoas se emocionarem, mas particularmente não consegui criar empatia pelos personagens ou pela história.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi

13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi (13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi, EUA, 2016) – Nota 8
Direção – Michael Bay
Elenco – John Krasinski, James Badge Dale, Pablo Schreiber, David Denman, Dominic Fumusa, Max Martini, David Costabile, Alexia Barlier, Peyman Moaadi, Matt Letscher, Tony Stephens, Demetrius Grosse, David Giuntoli.

Em 2012, após a queda do ditador Muammar Kadafi, o governo americano criou uma base secreta da CIA em Benghazi e outra em Tripoli na Líbia. 

A aliança com um dos grupos paramilitares que lutam no país é utilizada como segurança da base em Benghazi, com o apoio de uma equipe de ex-soldados que trabalha de forma clandestina no país. 

Alguns dias antes do aniversário de 11 de Setembro, a casa do embaixador americano que fica próxima da base é atacada por um grupo rebelde, que em seguida prepara também um ataque ao esconderijo da CIA. 

A história real deste conflito veio à tona junto com a disputa eleitoral americana, pois na época do ataque a Secretária de Defesa era Hilary Clinton, que aparentemente se omitiu da situação, deixando a bomba explodir no colo dos soldados que defendiam a base. 

Deixando de lado a questão política e analisando como cinema de entretenimento, o filme é um dos grandes acertos da carreira do contestado Michael Bay. Muitos críticos viram a cara só de ver o nome do diretor, o que eu não concordo. Bay errou a mão em exageros como “Pearl Harbor” e “Os Bad Boys II”, mas por outro lado, trabalhos como “A Rocha” e o primeiro “Os Bad Boys” são sensacionais como filmes de ação. 

Neste novo trabalho, Bay consegue equilibrar as cenas de ação grandiosas com a trama política, lógico que sem se aprofundar, pois o foco do diretor é o divertimento. Faço uma comparação com o sensacional “Falcão Negro em Perigo”, que por acaso é citado em um diálogo no longa e que por ter sido dirigido por Ridley Scott é considerado um filmaço de ação. 

É um filme indicado para quem não tem preconceitos com nome de diretor e quer apenas duas horas e meia de ação quase ininterrupta.