sábado, 30 de julho de 2016

Memórias Secretas

Memórias Secretas (Remember, Canadá / Alemanha, 2015) – Nota 8
Direção – Atom Egoyan
Elenco – Christopher Plummer, Martin Landau, Bruno Ganz, Jurgen Prochnow, Dean Norris, Henry Czerny.

O alemão Zev Guttman (Christopher Plummer) é um judeu sobrevivente de Auschwitz que vive em um asilo.

Sofrendo de demência e com a morte recente da esposa, Zev é orientado por seu amigo Max (Martin Landau), que entrega uma carta com um plano que deverá ser seguido por ele. Max diz que o plano foi elaborado pelos dois enquanto Zev ainda estava bem de saúde.

Zev abandona o asilo e segue as instruções da carta, tendo como objetivo encontrar um outro alemão chamado Rudy Kurlander. O problema é que existem quatro pessoas com este nome entre os Estados Unidos e o Canadá. 

Este surpreendente drama é com certeza o melhor filme do direto egípcio Atom Egoyan desde o elogiado “O Doce Amanhã” de 1997. As obras de Egoyan geralmente são dramas que focam em personagens marcados pelo passado. Aqui o foco é este, mas diferente de suas obras anteriores que sofrem por não se desenvolverem tão bem quanto as premissas, neste longa, Egoyan cria uma história completa de resgate do passado, em que a memória falha do personagem principal esconde fatos que serão revelados na impactante sequência final. 

A jornada do protagonista é valorizada pela belíssima interpretação do veteraníssimo Christopher Plummer, que do alto dos seus oitenta e seis anos tem a rara oportunidade de segurar um filme praticamente sozinho. Apesar de pequenas, também são importantes as participações de Martin Landau (oitenta e sete anos) e do alemão Bruno Ganz (setenta e quatro anos). 

O resultado é um ótimo drama que merece ser descoberto.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Bombas! - Filmes com Charles Bronson

Charles Bronson foi um dos grandes astros dos anos sessenta, setenta e oitenta. Ele compensava sua falta de talento com uma carismática presença nas telas, tendo marcado sua carreira pelos personagens durões.

No meio dos mais de cinquenta e filmes em que trabalhou, sendo alguns clássicos absolutos como "Os Doze Condenados", "Era Uma Vez no Oeste" e "Sete Homens e um Destino", além do marcante "Desejo de Matar", Bronson também protagonizou algumas bombas, basicamente em duas fases da carreira.

Aqui eu comento de forma rápida cinco filmes fracos que ele estrelou no final do anos sessenta e início do setenta, em sua maioria após seu casamento com a atriz inglesa Jill Ireland, que foi o amor de sua vida e tinha a mesma falta de talento do astro.

A segunda fase ruim foi no final da carreira, quando já estava acomodado e trabalhava sob contrato com a produtora picareta Cannon.

Alguém Atrás da Porta (The Stranger ou Quelqu'un Derrière la Porte, França, 1971) – Nota 5,5
Direção – Nicolas Gessner
Elenco – Charles Bronson, Anthony Perkins, Jill Ireland, Henri Garcin.

Laurence (Anthony Perkins) é um neurocirurgião obcecado por sua pesquisa. Quando descobre que sua bela esposa Frances (Jill Ireland) o está traindo com um jornalista (Henri Garcien), ele decide se vingar de uma forma inusitada. Laurence se aproveita de um paciente (Charles Bronson) que tem distúrbios mentais e sofre de amnésia. Ele leva o desconhecido para sua casa e o faz acreditar que Frances é sua esposa, para desta forma o estranho assassinar o jornalista. Este é com certeza o filme mais bizarro da carreira de Charles Bronson. Um ritmo extremamente arrastado, uma história pra lá de absurda, um afetado Anthony Perkins e Bronson interpretando um desequilibrado resultam numa obra que quase chega a ser cult de tão estranha.

As Armas do Diabo (Guns of Diablo, EUA, 1965) – Nota 5,5
Direção – Boris Sagal
Elenco – Charles Bronson, Susan Oliver, Kurt Russell, Jan Merlin.

Um sujeito que viaja de trem de forma clandestina (Charles Bronson) cruza o caminho de um adolescente órfão (Kurt Russell) e se envolve com uma jovem (Susan Oliver) que é casada com o xerife de uma pequena cidade. Pensando em mudar de vida, o trio se aventura na busca de uma mina de ouro perdida. A curiosidade desta aventura pouco inspirada é a inusitada dupla interpretada pelo então astro mirim Kurt Russell e o ícone Charles Bronson. 

Chino ou Valdez, o Mestiço (Valdez, Il Mezzosangue, Itália / Espanha / França, 1973) – Nota 5
Direção – John Sturges
Elenco – Charles Bronson, Jill Ireland, Marcel Bozzuffi, Vincent Van Patten.

Chino Valdez (Charles Bronson) é um mestiço que vive isolado para evitar conflitos por causa do preconceito. Num certo dia, um jovem fugitivo (Vincent Van Patten) pede abrigo no pequeno rancho de Valdez, que após relutar aceita a presença do garoto e passa a ensiná-lo tudo sobre cavalos. Quando Valdez se envolve com uma jovem (Jill Ireland), o preconceito dos moradores da cidade vem à tona. É um filme extremamente arrastado, que não funciona como drama e nem como western. Com certeza um dos piores da carreira do diretor John Sturges.

Três Horas Para Matar ou O Proscrito e a Dama (From Noon Till Three, EUA, 1976) – Nota 6
Direção – Frank D. Gilroy
Elenco – Charles Bronson, Jill Ireland, Douglas Fowley.

Graham (Charles Bronson) faz parte de uma quadrilha que planeja assaltar um banco. Ele desiste do crime para seduzir a bela Amanda (Jill Ireland), porém seus comparsas seguem o plano que acaba falhando. Graham acaba na cadeia, enquanto Amanda escreve um livro sobre o rápido relacionamento que se transforma em sucesso. Ao sair da prisão, Graham volta para procurar Amanda que mudou completamente de vida. Este western romântico com pitadas de comédia é um pouco melhor que os demais filmes desta postagem, principalmente por causa da inusitada mistura de gêneros. 

Cidade Violenta (Cittá Violenta, Itália / França, 1970) – Nota 5,5
Direção – Sergio Sollima
Elenco – Charles Bronson, Jill Ireland, Telly Savalas, Umberto Orsini.

Jeff (Charles Bronson) é um matador de aluguel que pretende se aposentar e levar a namorada (Jill Ireland) para uma viagem romântica na América Central. O problema é que ele não sabe que está sendo seguido. Após ser traído, ele acaba preso. Quando sai da prisão, Jeff parte em busca de vingança e encontra sua namorada vivendo com o chefe da organização criminosa a qual ele pertencia, Al Weber (Telly Savalas). O desenvolvimento do filme é lento e cansativo, com a melhor sequência senda a de uma perseguição de automóveis pelas ruas estreitas de uma cidade indefinida na América Central. 

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Conspiração e Poder

Conspiração e Poder (Truth, Austrália / EUA, 2015) – Nota 7,5
Direção – James Vanderbilt
Elenco – Cate Blanchett, Robert Redford, Topher Grace, Dennis Quaid, Elisabeth Moss, Bruce Greenwood, Stacy Keach, John Benjamin Hickey, David Lyons, Dermot Mulroney, Rachael Blake, Andrew McFarlane.

Às vésperas das eleições presidenciais americanas em 2004, Mary Mapes (Cate Blanchett), produtora do programa jornalístico “60 Minutos” do canal CBS, investiga o passado militar do então candidato a reeleição George W. Bush. 

Após receber documentos que podem comprovar que Bush teve privilégios durante aquele período em troca de favores bancados por seu pai, Mary recebe a autorização do canal para ir fundo na reportagem, contando inclusive com o apoio do apresentador Dan Rather (Robert Redford), um ícone da tv americana. A reportagem trará consequências drásticas para todos os envolvidos. 

Baseado na história real descrita em livro pela própria Mary Mapes, este longa, além de destrinchar a sujeira por trás dos bastidores da grande mídia e da ligação deste meio com políticos, tem um roteiro que crítica também a transformação que o jornalismo sofreu nas últimas décadas quando começou a misturar noticiário com entretenimento para ganhar audiência e lucrar. 

O fato mudou a forma como as notícias são divulgadas, na maioria das vezes o que prevalece é a versão que não cause prejuízo ao veículo. Quando algum jornalista tenta bater de frente com esta situação, geralmente leva a pior. 

O ponto principal do filme são as informações de bastidores da história, o que resulta numa obra que se apoia nos diálogos. 

Vale ainda destacar a sóbria interpretação da sempre competente Cate Blanchett e a presença do veterano astro Robert Redford, que não brilha, mas passa credibilidade no papel de Dan Rather. 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Broken

Broken (Broken, Inglaterra, 2012) – Nota 7,5
Direção – Rufus Norris
Elenco – Tim Roth, Cillian Murphy, Eloise Laurence, Rory Kinnear, Robert Emms, Bill Milner, Denis Lawson, Zana Marjanovic.

Uma mentira seguida de uma agressão muda a vida de três famílias vizinhas em um subúrbio inglês. 

O advogado Archie (Tim Roth) foi abandonado pela esposa e tenta criar os filhos Skunk (Eloise Lawrence) e Jed (Bill Milner) com a ajuda de uma espécie de babá (Zana Marjanovic), que por seu lado está em um complicado relacionamento com o professor Mike (Cillian Murphy). 

Um casal de idosos sofre para cuidar do filho (Robert Emms) que sofre de problemas psicológicos. E a terceira família é encabeçada pelo revoltado Bob (Rory Kinnear), que tem três filhas adolescentes rebeldes. 

O roteiro coloca a garota Skunk como o elo entre as três famílias. Com a ingenuidade de um criança de sete anos, o olhar de Skunk descobre aos poucos que o mundo está longe de ser um lugar tranquilo, algumas vezes ficando assustada e atônita com as atitudes impensadas das pessoas ao seu redor. 

É uma história triste sobre como as frustrações transformam a vida das pessoas e muitas reagem da pior forma possível. 

O destaque do elenco fica para a espontaneidade da garota Eloise Laurence.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Linha de Frente

Linha de Frente (Homefront, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – Gary Fleder
Elenco – Jason Statham, James Franco, Izabela Vidovic, Winona Ryder, Kate Bosworth, Marcus Hester, Clancy Brown, Omar Benson Miller, Rachelle Lefevre, Frank Grillo, Chuck Zito, Pruitt Taylor Vince.

Após trabalhar infiltrado em uma gangue e ajudar a prender seus integrantes, o agente do DEA Phil Broker (Jason Statham) se aposenta e vai viver com sua filha Maddy (Izabela Vidovic) em uma pequena cidade utilizando uma nova identidade. Broker ficou marcado pela morte do filho do chefão da gangue, que jurou vingança. 

A vida tranquila na nova cidade se complica quando sua filha entra em uma briga com um garoto que é filho de uma viciada (Kate Bosworth) que tem como irmão um traficante de metanfetamina, o violento Gator (James Franco). 

Este razoável longa policial apresenta algumas curiosidades. O roteiro é assinado por Sylvester Stallone, que fez amizade com Jason Statham na franquia “Os Mercenários” e aqui deu de presente o papel de protagonista ao astro inglês. 

Outro ponto interessante é ver James Franco no papel de vilão. O ator que intercala papéis em dramas e comédias malucas, aqui muda o foco da carreira. Ele não chega a lutar como Statham, mas assusta bastante na primeira cena, quando surge na tela para afugentar um grupo de jovens drogados. 

Também não deixa de ser estranho ver a outrora estrela Winona Ryder interpretando uma viciada bagaceira. 

O roteiro tem vários furos e alguns personagens praticamente desaparecem da história, mas mesmo assim a narrativa ágil e as cenas de ação prendem a atenção do espectador fã do gênero.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O Homem Irracional

O Homem Irracional (Irrational Man, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Woody Allen
Elenco – Joaquin Phoenix, Emma Stone, Parker Posey, Jamie Blackley.

Abe Lucas (Joaquin Phoenix) é um professor de filosofia questionador em relação ao mundo e as pessoas, além de estar atormentado por causa de um trauma. 

Ele inicia um novo trabalho em uma universidade em Newport, despertando a curiosidade em alunos e colegas professores. Ao mesmo tempo, Abe se envolve com a professora casada Rita (Parker Posey) e inicia um romance com sua aluna Jill (Emma Stone), que abandona o namorado (Jamie Blackley). Sua forma de encarar o mundo criará uma situação totalmente fora do normal. 

Neste trabalho, Woody Allen vai além do seu estilo habitual, criando uma curiosa e até sinistra reviravolta no roteiro que transforma o drama em um pequeno suspense. Lógico que as obsessões de Allen não são deixadas de lado. Temos o protagonista temperamental (geralmente escritor, roteirista ou professor) que se apaixona por uma garota muito mais jovem, além de adultério, paixão, promessas quebradas, sofrimento e diálogos afiados. 

O trio principal segura muito bem seus papéis, com destaque curioso para a proeminente barriga de Joaquin Phoenix e a boa interpretação de Parker Posey, atriz habitual de produções independentes. 

É um trabalho mediano de Allen para o público em geral, mas com certeza um bom espetáculo para os fãs do diretor.  

sábado, 23 de julho de 2016

Tempo de Decisão

Tempo de Decisão (Kicking and Screaming, EUA, 1995) – Nota 6
Direção – Noah Baumbach
Elenco – Josh Hamilton, Chris Eigeman, Eric Stoltz, Jason Wiles, Carlos Jacott, Olivia d’Abo, Parkey Posey, Cara Buono, Elliott Gould, Noah Baumbach.

Quatro amigos se formam na universidade e passam o ano seguinte perdidos na vida, sem emprego, morando na mesma cidade e frequentando bares e festas de calouros. 

Grover (Josh Hamilton) sofre porque a namorada (Olivia d’Abo) foi estudar na Europa, Otis (Carlos Jacott) é inseguro e não tem coragem de mudar de cidade para trabalhar, Max (Chris Eigeman) é um mal humorado que tem um pai rico que banca sua vida, enquanto Skippy (Jason Wiles) escolhe fazer outro curso na universidade. O quinto elemento é Chet (Eric Stoltz), um sujeito mais velho metido a intelectual, que após vários anos continua na universidade fazendo doutorado e que trabalha como bartender. 

Muitos críticos elogiam o trabalho de Noah Baumbach por filmes como “A Lula e a Baleia” e “Margot e o Casamento”, além deste “Tempo de Decisão” que marcou a estreia do diretor. Vejo estes trabalhos como obras pessoais extremamente verborrágicas, que rodam, rodam e não saem do lugar. Os diálogos repletos de referências a filmes e livros ao invés de serem cult ou pop se mostram vazios. Em alguns momentos parece que o diretor tenta copiar o estilo da sitcom “Seinfeld” sem a mesma qualidade no texto. Preciso assistir outros filmes de Baumbach para uma melhor análise, mas por enquanto, após estes três filmes, o vejo apenas como um roteirista pretensioso e um diretor mediano.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Círculo de Fogo

Círculo de Fogo (Pacific Rim, EUA, 2013) – Nota 6
Direção – Guillermo Del Toro
Elenco – Charlie Hunnam, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Charlie Day, Burn Gorman, Max Martini, Robert Kazinsky, Clifton Collins Jr, Ron Perlman, Brad William Henke, Larry Joe Campbell.

Em futuro próximo, monstros gigantes surgem através de uma fenda que se abriu no fundo do mar. As criaturas são batizadas de Kaijus. 

Para enfrentar a terrível ameaça, os humanos desenvolvem robôs gigantes comandados pela atividade cerebral de duplas que sejam "neurocompatíveis" e que saibam lutar. Estes robôs são chamados de Jaegers. 

Após anos de batalhas, cientistas acreditam que os Kaijus se preparam para um ataque final. A última chance dos humanos é atacar a fenda utilizando os quatro robôs que restaram. 

O filme poderia ter o título de “Godzilla vs Transformers” ou “Guillerme Del Toro encarna Michael Bay e Roland Emmerich”. O diretor mexicano é um nerd craque em efeitos especiais e filmes influenciados por quadrinhos e games. Por outro lado, ele também já mostrou talento para escrever histórias nos ótimos “O Labirinto do Fauno” e “A Espinha do Diabo”. 

Aqui, Del Toro acerta no primeiro item e erra feio no segundo. A história é totalmente clichê, os diálogos são uma piada e as interpretações péssimas. Os efeitos especiais são de primeira qualidade, com certeza agradando muito ao público jovem que curte quadrinhos e games. 

Como preferência pessoal, vejo as cenas grandiosas de batalhas como cansativas e barulhentas, parecendo muito mais um game do que cinema. Acredito que o ideal é um meio-termo entre efeitos especiais, roteiro e interpretações. Quando os dois últimos são vistos como secundários, o resultado é igual a este filme, um produto chamativo como marketing e vazio no conteúdo. 

Finalizando, uma sequência deverá ser produzida até 2018.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Mais Forte Que Bombas

Mais Forte Que Bombas (Louder Than Bombs, Noruega / França / Dinamarca / EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Joachim Trier
Elenco – Gabriel Byrne, Jesse Eisenberg, Isabelle Huppert, Devin Druid, Amy Ryan, David Straithairn, Ruby Jerins, Megan Ketch, Rachel Brosnahan.

Quatro anos após a morte da fotógrafa Isabelle (Isabelle Huppert), sua família se prepara para uma exposição de suas fotos e também para um artigo que um jornalista amigo (David Straithairn) escreverá sobre sua vida, inclusive confirmando que o acidente de automóvel que matou Isabelle foi um suicídio. 

A situação traz à tona lembranças, frustrações e segredos que balançam a vida do viúvo Gene (Gabriel Byrne), de seu filho mais velho Jonah (Jesse Eisenberg) e principalmente do caçula, o adolescente Conrad (Devin Druid). 

O diretor dinamarquês Joachim Trier, do elogiado “Oslo, 31 de Agosto”, entrega aqui um drama familiar um tanto frio. Ele intercala duas narrativas. A primeira segue os dias atuais focando na crise de relacionamento entre Conrad e o pai, além das dúvidas de Jonah sobre seu próprio casamento. 

A segunda narrativa destrincha o passado, mostrando como o trabalho de Isabelle influenciou nos problemas familiares. Isabelle era uma fotógrafa que viajava o mundo, deixando marido e filhos em segundo plano, mesmo demonstrando que os amava no pouco tempo em que ficavam juntos. 

A história não é tão forte como o título sugere, na verdade é um drama mediano sobre pessoas que se amam, mas que demonstram dificuldades em se relacionar.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Contra Corrente

Contra Corrente (Undertow, EUA, 2004) – Nota 6
Direção – David Gordon Green
Elenco – Jamie Bell, Josh Lucas, Devon Alan, Dermot Mulroney, Kristen Stewart.

O adolescente Chris (Jamie Bell) e seu irmão Tim (Devon Alan) vivem com o pai John (Dermot Mulroney) na região rural de uma cidade da Georgia. 

Chris é um jovem rebelde que sofre pela falta da mãe e também por ser proibido de namorar Lila (Kristen Stewart), que é controlada pelo pai. 

Quando Deel (Josh Lucas) aparece na casa da família e se apresenta como irmão de John, Chris e Tim descobrem que o sujeito é um tio que estava cumprindo pena. O objetivo de Deel não é fazer as pazes com o irmão, na verdade ele deseja encontrar uma coleção de moedas de ouro deixadas pelo pai e fará de tudo para levar sua parte. 

O diretor David Gordon Green já comandou comédias absurdas como “Segurando as Pontas” e um drama forte com “Joe”. Aqui o resultado é uma mistura bizarra de drama e violência, pontuada por uma trilha sonora de Philip Glass (da trilogia “Koyaanisqatsi”) que lembra os filmes de terror dos anos oitenta. 

A narrativa é irregular, com uma espécie de clímax ocorrendo antes da metade do filme. A partir daí, a história se arrasta por um bom tempo até o inevitável confronto na sequência final. 

Jamie Bell e o garoto Devon Alan tem boas interpretações, enquanto o canastrão Josh Lucas exagera no papel de vilão. 

Finalizando, o filme se diz baseado numa história real, por sinal totalmente maluca se for realmente verdadeira.

domingo, 17 de julho de 2016

45 Anos

45 Anos (45 Years, Inglaterra, 2015) – Nota 7,5
Direção – Andrew Haigh
Elenco – Charlotte Rampling, Tom Courtenay, Geraldine James, Dolly Wells.

Na semana em que estão se preparando para a festa de comemoração de 45 anos de casamento, o casal Kate (Charlotte Rampling) e Geoff (Tom Courtenay) recebe uma notícia que mexe com o relacionamento. 

Um carta endereçada a Geoff informa que o corpo de uma ex-namorada foi encontrado congelado nos Alpes Suíços. Mesmo com o acidente que vitimou a garota tendo ocorrido há mais de cinquenta anos, o fato novo abala Geoff e faz vir à tona alguns segredos. 

Relacionamentos são complicados, por mais que pessoas vivam juntas por décadas, sempre existirão altos e baixos. Este sensível longa aborda o tema de uma forma sóbria, mostrando que mesmo algo ocorrido há muitos anos pode abalar a estrutura de um casamento aparentemente perfeito. 

O roteiro toca em vários temas ligados ao casamento. O casal vive numa bela casa em uma área rural com um cão. Eles não tem filhos, seus alicerces estão fincados na relação a dois, por isso a história da ex-namorada se torna maior do que realmente é. A convivência com amigos que falam de filhos e netos também é algo que incomoda. Além disso, remoer o passado faz com que eles percebam que estão no final da vida e que as chances de mudarem o rumo praticamente inexiste. 

A solidão e a vida pacata do casal é pontuada por uma narrativa sem trilha sonora. As músicas que tocam no decorrer do filme são incidentais, como na cena de dança na sala da casa, no passeio de carro e na festa da parte final. 

É basicamente um filme sobre relacionamentos, vida a dois e terceira idade, com destaque para os sensíveis desempenhos de Charlotte Rampling e Tom Courtenay.

sábado, 16 de julho de 2016

Morte Por Um Ideal

Morte Por Um Ideal (Formosa Betrayed, EUA, 2009) – Nota 7
Direção – Adam Kane
Elenco – James Van Der Beek, Wendy Crewson, John Heard, Will Tiao, Tzi Ma, Leslie Hope, Kenneth Tsang, Chelcie Ross, Sahajak Boonthanakit.

Chicago, 1983. Um conhecido professor universitário de origem chinesa é assassinado. A policial encarregada do caso (Leslie Hope) recebe auxílio de uma dupla de agentes do FBI. 

O veterano Tom Braxton (John Heard) e o jovem Jake Kelly (James Van Der Beek) seguem pistas que o levam a dois suspeitos, que conseguem fugir para Taiwan. O FBI decide enviar Kelly para observar a investigação que será comandada pelo polícia local. No país estranho e sem poder de polícia, Kelly sofre ao ver a repressão sobre o povo de Taiwan e ao perceber que a morte do professor pode estar ligada a interesses do próprio governo. 

Inspirado em uma história real, este longa policial explora uma trama de conspiração política internacional que teria sido acobertada pelos governos de Taiwan e dos Estados Unidos, inclusive com ligações com o famoso caso “Irã Contras” que viria a público em 1986. 

Analisando como cinema, o longa prende a atenção, tem alguns bons momentos de suspense, interessantes locações em Taiwan e um roteiro um pouco confuso. 

É filme indicado para quem gosta de tramas policiais mais voltadas para o drama do que para ação.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Rastros de Justiça

Rastros de Justiça (Five Minutes of Heaven, Inglaterra / Irlanda, 2009) – Nota 7
Direção – Oliver Hirschbiegel
Elenco – Liam Neesom, James Nesbitt, Ana Maria Marinca, Richard Dormer.

Lurgan, interior da Irlanda do Norte, 1975. Quatro jovens protestantes ligados a um grupo que defende a separação do país do Reino Unido, recebem a missão de assassinar um católico. Um dos jovens assassina o sujeito aos olhares de um garoto de nove anos que é irmão da vítima. 

Mais de trinta anos depois, um programa sensacionalista de tv deseja reunir os dois homens para uma conversa sobre o crime e quem sabe uma reconciliação. Alistar (Liam Neesom) é o assassino que cumpriu pena e que vive de palestras sobre sua vida, enquanto Joe (James Nesbitt) é um sujeito comum que carrega o trauma de não ter ajudado o irmão. 

O roteiro de Guy Hibbert (do recente “Decisão de Risco”) lembra o drama “Acerto Final” dirigido por Sean Penn em 1995. Nos dois filmes, um crime marca para sempre a vida do autor e de um familiar da vítima. O primeiro atormentado pelo remorso, enquanto o segundo dedica parte de sua vida em busca de vingança. 

Neste longa dirigido pelo alemão Oliver Hirschbiegel, o roteiro ainda coloca fogo na situação com a questão do programa de tv, onde os produtores se mostram atenciosos, mas no fundo desejam a polêmica para conseguir audiência, além do eterno conflito entre cristãos e protestantes na Irlanda do Norte. 

Apesar de ser irregular e estar bem abaixo do sensacional “A Queda! As Últimas Horas de Hitler”, este trabalho de Hirschbiegel é superior ao fraco “Invasores” que foi detonado por crítica e público. 

A dupla de protagonistas ajuda a manter o interesse na triste história. principalmente o agitado personagem de James Nesbitt.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Carandiru

Carandiru (Brasil, 2003) – Nota 8
Direção – Hector Babenco
Elenco – Luiz Carlos Vasconcelos, Milton Gonçalves, Ivan de Almeida, Ailton Graça, Maria Luisa Mendonça, Aida Lerner, Rodrigo Santoro, Gero Camilo, Lázaro Ramos, Caio Blat, Wagner Moura, Floriano Peixoto, Ricardo Blat, Milhem Cortaz, Antonio Grassi, Sabotage, Rita Cadillac.

Ontem o cinema perdeu o diretor Hector Babenco. Argentino naturalizado brasileiro, Babenco deixou uma carreira com dez longas e um documentário. 

Eu prefiro a primeira fase da carreira, quando entregou filmes com temáticas marginais como “O Rei da Noite”, “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” e “Pixote: A Lei do Mais Fraco”, com estes dois últimos com certeza entrando na lista de melhores da história do cinema brasileiro. Gosto também da complexa adaptação de “Brincando nos Campos do Senhor” e deste polêmico “Carandiru” que comento aqui. 

Apesar das críticas terem sido as mais diversas possíveis, com alguns elogiando bastante e outros odiando o resultado, esta adaptação do livro de Dráuzio Varella é um grande filme, que foca na vida dentro daquele que foi o maior maior presídio da América Latina, o Carandiru, culminando com o massacre ocorrido em 1992. 

Através da narração do médico (Luiz Carlos Vasconcelos) que trabalhou no presídio durante os anos oitenta e noventa, o espectador é apresentado a diversos personagens, suas histórias de vida repletas de violência e sofrimento, além de conhecer as regras de um mundo a parte. 

Passam pela tela um travesti (Rodrigo Santoro), seu namorado (Gero Camilo), um assaltante que tem duas esposas (Ailton Graça), o jovem que assassinou o estuprador da irmã (Caio Blat), o assassino que abraçou a religião (Milhem Cortaz) e um veterano que espera soltura (Milton Gonçalves), além de várias outras figuras. 

Um ponto polêmico foi a simpatia do roteiro com os presidiários, que é semelhante ao retratado no livro. Em um país como o Brasil, onde o trabalhador honesto sofre com salário miserável, desemprego e violência, é inevitável que este tipo de olhar a favor do presos gere desconforto, mas lógico que isso não justifica o terrível massacre. 

Por sinal, a sequência da lavagem da escada misturando água e sangue é uma das mais fortes do filme, simbolizando o inferno que ocorreu naquele local. 

Considero o filme tão forte como o livro e para finalizar, cito uma frase que um amigo proferiu quando o livro foi publicado: “Em cada parágrafo que leio, parece que sinto o cheiro de mofo das celas”. 

quarta-feira, 13 de julho de 2016

O Clube

O Clube (El Club, Chile, 2015) – Nota 7,5
Direção – Pablo Larrain
Elenco – Alfredo Castro, Antonia Zegers, Roberto Farias, Marcelo Alonso, Jaime Vadell, Alejandro Goic, Alejandro Sieveking.

Um padre pedófilo é enviado para uma casa onde vivem quatro outros padres que a Igreja Católica deseja manter afastados das paróquias. A casa fica num local isolado em uma pequena cidade litorânea do Chile. Uma freira (Antonia Zegers) trabalha como uma espécie de governanta da casa. 

A chegada do padre pedófilo resulta numa tragédia, o que faz com que a Igreja envie outro padre (Alfredo Castro) para analisar a situação e decidir ser a cada deverá ser fechada. 

O diretor Pablo Larrain, do interessante “No”, explora aqui um tema polêmico, a atitude da Igreja Católica em esconder padres acusados de crimes ou que são considerados ameaças para a imagem da instituição. 

A casa é ao mesmo tempo um retiro e uma prisão. Os padres são proibidos de manter contato com as pessoas da cidade e utilizam a governanta como mensageira. A chegada do padre mais jovem, que tem a clara a ideia de fechar a casa, abala a vida de todos, que tomam atitudes drásticas para manter o local. 

O roteiro ainda foca em um personagem triste e patético, que teve a vida destruída por um padre e que se mostra extremamente importante na trama. 

Vale destacar a dolorosa sequência próxima do final com os cães, além de dois espancamentos.

É um filme com um ritmo lento, bonita fotografia e personagens marcados pela vida.

terça-feira, 12 de julho de 2016

100 Code

100 Code (Suécia / Alemanha, 2015)
Criador – Roberto Moresco
Elenco – Michael Nyqvist, Dominic Monaghan, Felice Jankell, Charlotta Jonsson, Danilo Bejarano, Peter Eggers.

Ao perseguir um serial killer pelas ruas de Nova York, o detetive Tommy Conley (Dominic Monaghan de “Lost”) mata seu parceiro por acidente.

Algum tempo depois, crimes semelhantes aos ocorridos em Nova York acontecem em Estocolmo na Suécia, onde jovens loiras são assassinadas em duplas e deixadas em locais diferentes. 

Conley é enviado para trabalhar com a polícia sueca e se torna parceiro do veterano Mikael Eklund (Michael Nyqvist de “Trilogia Millenium”) que comanda um pequeno grupo de detetives. Durante a investigação, eles descobrem que podem estar lidando com mais de um serial killer. 

A primeira temporada com doze episódios apresenta uma premissa instigante, de ligar crimes em dois países distantes e criar o inevitável conflito entre o estilo bruto dos policiais americanos e a investigação detalhada dos nórdicos. 

Não demora para o roteiro abrir o leque com uma pequena reviravolta que aumenta a complexidade da trama, além de algumas subtramas, como o envolvimento da filha de Eklund com um policial mais velho e a atração de Conley por uma bartender, além de conflitos pessoais entre a equipe de investigadores. 

O roteiro explora ainda os traumas que cada personagem carrega e como isso influencia na investigação. 

Em alguns momentos a trama parece se alongar demais, talvez uns dois episódios a menos deixariam a série ainda melhor. 

Uma segunda temporada está sendo planejada. Agora é esperar para conferir.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Trem Noturno Para Lisboa

Trem Noturno Para Lisboa (Night Train to Lisbon, Alemanha / Suíça / Portugal, 2013) – Nota 7
Direção – Bille August
Elenco – Jeremy Irons, Jack Huston, Martina Gedeck, Mélanie Laurent, Tom Courtenay, August Diehl, Bruno Ganz, Lena Olin, Marco D’Almeida, Christopher Lee, Charlotte Rampling, Burghart Klaussner.

Ao cruzar o caminho de um jovem que está prestes a cometer suicídio, o professor Raimund Gregorius (Jeremy Irons) consegue salvá-la. 

Pouco tempo depois, a jovem desaparece e deixa um casaco com o professor, que encontra em um dos bolsos um livro escrito por um português e passagens para Lisboa. Raimund tenta localizar a garota na estação de trem e impulsivamente decide utilizar a passagem. 

Durante o trajeto, ele fica fascinado com o livro e ao chegar em Lisboa, resolve procurar o escritor, dando início a uma jornada de descobrimento dele mesmo e do passado de Portugal. 

A crítica não gostou deste longa baseado em um famoso livro, muito provavelmente por compará-lo com a obra literária, mas isso não quer dizer que o filme seja ruim. 

A trama se divide em duas narrativas. No presente, o professor vivido por Jeremy Irons procura pessoas ligadas ao escritor para saber como era a vida do sujeito. A segunda narrativa detalha o passado do escritor e de seus amigos que participaram da resistência contra a ditadura de Salazar. 

Além da história interessante, os destaques ficam para as locações que exploram a cidade de Lisboa e o elenco internacional.

domingo, 10 de julho de 2016

Amizades Improváveis

Amizades Improváveis (The Fundamentals of Caring, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Rob Burnett
Elenco – Paul Rudd, Craig Thomas, Selena Gomez, Jennifer Ehle, Julia Denton, Megan Ferguson.

Ben (Paul Rudd) é um escritor que está desempregado e que decide fazer um curso de cuidador. Após receber o certificado, ele é enviado para uma entrevista na casa da inglesa Elsa (Jennifer Ehle), que precisa de uma pessoa para cuidar de seu filho adolescente Trevor (Craig Roberts), que sofre de uma doença que atrofia os músculos. 

Trevor vive em uma cadeira de rodas e desconta sua frustração através de piadas mórbidas e pegadinhas com os cuidadores. O que teria tudo para dar errado, se transforma em uma inusitada amizade entre Ben e Trevor. 

Baseado em um livro sobre as dificuldades que cuidadores e pacientes enfrentam, este longa lembra o ótimo francês “Intocáveis”, com a diferença de que aqui a narrativa é mais leve, intercalando pequenos dramas com piadas, além de boa parte da trama ser um simpático road movie. 

A química entre Paul Rudd e Craig Thomas é outro ponto alto. A participação da cantora Selena Gomez também não compromete. Apenas a sequência perto do final no “poço mais fundo do mundo” é um pouco exagerada, tentando forçar uma espécie de redenção do protagonista. 

sábado, 9 de julho de 2016

As Consequências do Amor

As Consequências do Amor (Le Conseguenze Dell'Amore, Itália, 2004) – Nota 7,5
Direção – Paolo Sorrentino
Elenco – Toni Servillo, Olivia Magnani, Adriano Giannini, Antonio Ballerio, Gianna Paola Scafiddi, Nino D’Agata.

Titta di Girolamo (Toni Servillo) é um sujeito de meia-idade reservado e de poucas palavras. Ele vive há anos em um hotel na Suíça e ninguém sabe exatamente o que ele faz da vida. 

A situação muda quando a bela Sofia (Olivia Magnani), que é funcionária do hotel, o questiona porque ele não responde sequer um bom dia. A partir daí, Titta sente-se atraído pela jovem e decide tomar atitudes que mudarão completamente sua vida. 

Este foi o primeiro longa que chamou atenção da crítica internacional para o trabalho do diretor italiano Paolo Sorrentino (“A Grande Beleza” e “Juventude”). O longa tem o estilo do diretor, com poucos diálogos, um protagonista que comenta sua própria vida off e um ritmo lento, quase contemplativo. 

O roteiro também é engenhoso, desvendando aos poucos a vida secreta e o passado do protagonista, que como em vários filmes do diretor, é interpretado por Toni Servillo. 

É um filme indicado para os fãs do trabalho de Sorrentino ou para quem gosta de obras com ritmo diferente das produções americanas.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Billions

Billions (Billions, EUA, 2016)
Criadores - Brian Koppelman, David Levien & Andrew Ross Sorkin
Elenco - Paul Giamatti, Damian Lewis, Maggie Siff, Malin Akerman, Toby Leonard Moore, David Costabile, Condola Rashad, Terry Kinney, Jeffrey DeMunn, Rob Morrow.

Chuck Rhoades (Paul Giamatti) é o ambicioso procurador de justiça de uma região de Nova York. Bob Axelrod (Damian Lewis) é um bilionário que fez fortuna no mercado financeiro. Entre eles está Wendy Rhoades (Maggie Siff), que é esposa de Chuck e ao mesmo tempo trabalha na empresa de Axelrod.

Uma informação sobre a utilização de informações privilegiadas do mercado por parte de Axelrod, dá início a uma batalha judicial e principalmente de egos entre o bilionário e o procurador.

Os doze episódios da primeira temporada exploram em detalhes os bastidores sujos da política e do mundo financeiro de Wall Street.

Como se fosse um jogo de xadrez, o roteiro investe em reviravoltas, conspirações, subornos e traições dos dois lados, lembrando um pouco a série "Damages", que fez sucesso há poucos anos.

É uma série onde não existem heróis, desde o primeiro episódio fica claro que naquele mundo todos escondem segredos, agem de acordo com seus interesses e não se preocupam em deixarem vítimas pelo caminho.

Este é o primeiro trabalho do ótimo Paul Giamatti como protagonista de uma série de tv. Especialista em papéis de sujeitos patéticos, aqui Giamatti dá uma guinada na carreira ao interpretar um personagem duro que não mede esforços para alcançar seu objetivo. Assim como o procurador, o personagem de Damian Lewis é forte e manipulador, sendo o outro lado da moeda na disputa de egos.

Vale destacar ainda a força das personagens femininas. Além de Maggie Siff que fica no meio da batalha, temos a esposa ambiciosa do bilionário interpretada por Malin Akerman.

Os vários diálogos sobre mercado financeiro e justiça pode não agradar a todos. É uma série indicada principalmente para quem gosta destes temas.

Finalizando, a segunda temporada deverá produzida em 2017.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

A Bruxa

A Bruxa (The VVitch: A New-England Folktale, EUA / Inglaterra / Canadá / Brasil, 2015) – Nota 7
Direção – Robert Eggers
Elenco – Anya Taylor Joy, Ralph Ineson, Kate Dickie, Harvey Scrimshaw, Ellie Grainger, Lucas Dawson.

Colônia de New England, ano de 1630. Por desavenças religiosas, William (Ralph Ineson) decide abandonar a vila onde vive levando sua família para morar em uma fazenda na floresta. 

Algum tempo depois, a filha mais velha Thomasin (Anya Taylor Joy) se descuida e seu irmão que ainda é bebê desaparece. Acreditando que a criança foi levada por um lobo, William tenta retomar a vida, enquanto a mãe Katherine (Kate Dickie) entra em depressão e culpa Thomasin. O casal tem ainda o filho pré-adolescente Caleb (Harvey Scrimshaw) e um casal de gêmeos pequenos. 

A crise causada pelo sumiço do bebê aumenta com uma praga que destrói a plantação, transformando a vida da família em um verdadeiro inferno. 

Como diz o título original, este filme é baseado em contos folclóricos e lendas que eram comuns na região de New England durante a colonização americana. Os colonos ingleses, também conhecidos como peregrinos, eram religiosos radicais que creditavam as alegrias a Deus e todos os infortúnios ao Diabo, geralmente acusando alguma pessoa de ser bruxa ou ter feito um pacto com o tinhoso. 

Neste contexto, o roteiro escrito pelo diretor Robert Eggers explora também a hipocrisia das pessoas que se declaram religiosas, mas que durante uma crise faz vir à tona acusações e conflitos, mesmo entre entes da mesma família. 

Quando lançado nos cinemas brasileiros, os distribuidores erraram ao tentar vender para o publico o filme como um terror repleto de sustos, quando na realidade o longa é um drama com pitadas de violência que utiliza o tema da bruxaria como um gatilho para a tragédia. 

Na minha opinião, o final bizarro é uma alegoria sobre a religião obsessiva transformada em loucura. 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Um Homem Contra Wall Street

Um Homem Contra Wall Street (Assault on the Walll Street ou Bailout: The Age of Greed, EUA, 2013) – Nota 6
Direção – Uwe Boll
Elenco – Dominic Purcell, Erin Karpluk, Edward Furlong, John Heard, Keith David, Michael Paré, Lochlyn Munro, Eric Roberts.

No auge da crise do sistema financeiro americano, Jim Baxford (Dominic Purcell) está atolado em dívidas causadas pela doença de sua esposa Rosie (Erin Karpluk). Mesmo estando quase curada, o plano de saúde alega que não irá cobrir os procedimentos finais do tratamento. 

Para pagar a conta, Jim decide resgatar sua aplicação e descobre que o fundo onde seu corretor investiu o dinheiro está bloqueado pelo governo por suspeita de fraude. As dívidas se transformam em uma bola de neve e sua vida afunda em todos os sentidos. A única opção de Jim é a vingança. 

O diretor e produtor alemão Uwe Boll é uma espécie de Roger Corman moderno, não por investir em dezenas de filmes, mas por explorar longas de ação, suspense e terror de baixo orçamento, utilizando canastrões conhecidos e tramas de filmes B. 

O roteiro aqui é até interessante, Boll faz uma crítica feroz ao sistema financeiro americano que desabou com a crise de 2008, porém exagera na dose de tragédias que ocorrem na vida da protagonista, para com isso criar o espírito de vingança no sujeito. 

É um filme curioso, uma produção B com uma narrativa correta, atuações ruins e cenas de ação duvidosas. 

terça-feira, 5 de julho de 2016

Se Deus Vier Que Venha Armado

Se Deus Vier Que Venha Armado (Brasil, 2014) – Nota 6,5
Direção – Luis Dantas
Elenco – Vinícius de Oliveira, Sara Antunes, Ariclenes Barroso, Leonardo Santiago, Clayton Mariano, Giulio Lopes, André Franco.

Josué (Vinícius de Oliveira) recebe o benefício da saída temporária da prisão para o final de semana do Dia das Mães, mesmo com sua mãe adotiva já tendo falecido. 

Ao mesmo tempo em que retorna para a casa do pai e do irmão na violenta periferia de São Paulo para visitá-los, Josué precisa cumprir uma missão para o comando criminoso que domina o presídio.

Durante os dois dias, a presença de Josué afetará a vida do irmão (Clayton Mariano), do amigo Palito (Ariclenes Barroso), de uma jovem atriz (Sara Antunes) e de um policial novato (Leonardo Santiago). 

O roteiro escrito pelo diretor Luis Dantas em parceria com Beatriz Gonçalves utiliza clichês dos filmes brasileiros que abordam a violência na periferia para contar uma história até interessante. 

Temos o pai alcoólatra, o irmão evangélico, o policial corrupto, o policial honesto, o cagueta, a jovem fascinada pelo mundo marginal e assim por diante. 

Algumas soluções são simplistas e previsíveis, como a perseguição no motel e sequência final que se mostra ao mesmo tempo violenta e ingênua. 

Vale destacar a atuação de Vinícius de Oliveira, que evoluiu bastante como ator, mas que ainda precisa encarar personagens diferentes do jovem malandro.   

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Bem-Vindo a Sarajevo

Bem-Vindo a Sarajevo (Welcome to Sarajevo, Inglaterra / EUA, 1997) – Nota 7,5
Direção – Michael Winterbottom
Elenco – Stephen Dillane, Woody Harrelson, Marisa Tomei, Emira Nusevic, Kerry Fox, Goran Visnijc, James Nesbitt, Emily Lloyd, Juliet Aubrey.

Início dos anos noventa, durante a Guerra das Balcãs, jornalistas do mundo inteiro estão cobrindo o conflito em Sarajevo, na então Iugoslávia. 

Com a cidade tomada pelo exército, além das milícias que caçam bósnios, croatas e muçulmanos, o jornalista inglês Michael Henderson (Stephen Dillane) se comove ao encontrar um orfanato com dezenas de crianças sendo cuidadas de forma precária apenas por uma mulher. Ao lado de sua equipe, Michael investe em matérias para forçar a ONU a salvar as crianças, ao mesmo tempo em que cria um laço emotivo com um menina de nove anos. 

Baseado numa história real retratada em livro pelo jornalista Michael Nicholson, que conta sua própria experiência, este drama dirigido por Michael Winterbotton (“9 Canções” e “O Preço da Coragem”) apresenta um estilo documental, inclusive utilizando cenas reais do conflito. 

Além da história do protagonista, o  roteiro foca também em outros personagens, como o jornalista americano descolado (Woody Harrelson), a ativista (Marisa Tomei) que tenta negociar a saída das crianças do país e um sérvio (Goran Visnijc) que luta para sobreviver em meio a violência e o caos que se instalou na cidade. 

Vemos ainda pequenos detalhes, como a falta de alimentos e de itens de higiene pessoal, o mercado negro que se cria como se fosse um presídio, em que cigarros e bebidas se transformam em moeda, além da total desesperança da população. 

Não chega a ser um grande filme, mas a reconstituição de parte da tragédia que assolou aquela região é triste e realista.  

domingo, 3 de julho de 2016

Destino Especial & Starman - O Homem das Estrelas

Destino Especial (Midnight Special, EUA / Grécia, 2016) – Nota 7
Direção – Jeff Nichols
Elenco – Michael Shannon, Joel Edgerton, Kirsten Dunst, Jaeden Lieberher, Adam Driver, Sam Shepard, Bill Camp, Scott Haze, Paul Sparks, David Jensen.

Roy (Michael Shannon) e Lucas (Joel Edgerton) estão fugindo levando o garoto Alton (Jaeden Liberher) em direção a um local desconhecido. Alton é filho de Roy, mas estava sob os cuidados de um pastor (Sam Shepard) que comanda uma comunidade religiosa em um rancho. O garoto tem poderes especiais que o transformaram em alvo do FBI que pretende estudá-lo e do próprio pastor que acredita que o menino é um salvador enviado por Deus. 

O diretor e roteirista Jeff Nichols é especialista em dramas focados em personagens fortes e tramas sobre perseguição e paranoia. Aqui, Nichols mistura estes detalhes em uma trama de ficção científica, que lembra os filmes B do gênero dos anos oitenta. A sinistra trilha sonora, as estradas isoladas do oeste americano e os mistérios da história que são desvendados aos poucos, além é claro da paranoia, são semelhantes aos trabalhos de John Carpentes, por isso estou postando esta resenha ao lado de “Starman – O Homem das Estrelas”. 

Apesar de manter o interesse do espectador durante todo o filme, este “Destino Especial” é um pouco inferior aos trabalhos anteriores do diretor. O elenco todo está bem, com destaque maior para Michael Shannon, ator que é parceiro habitual do diretor Jeff Nichols e que a cada novo trabalho comprova seu talento. 

Starman – O Homem das Estrelas (Starman, EUA, 1984) – Nota 7,5
Direção – John Carpenter
Elenco – Jeff Bridges, Karen Allen, Charles Martin Smith, Richard Jaeckel.

Uma nave alienígena é abatida por caças ao entrar no espaço aéreo americano. O piloto sobrevive e toma a forma de um homem recentemente falecido (Jeff Bridges). Com o objetivo de chegar até o deserto de Nevada para encontrar uma nave que irá resgatá-lo, o alienígena recebe a ajuda da viúva (Karen Allen), que após se assustar com o “retorno” do marido, descobre a verdadeira identidade do corpo que está a sua frente. A partir daí, eles precisam fugir do exército que pretende capturar o intruso. 

O grande diretor John Carpenter estava no auge da carreira quando decidiu investir nesta ficção com pitadas de romance, bem diferente dos violentos filmes de terror e suspense que o consagraram. 

O resultado é interessante, principalmente pela química entre Jeff Bridges e Karen Allen, além da própria história que apresenta nas entrelinhas uma mensagem de paz. 

sábado, 2 de julho de 2016

A Leste de Bucareste

A Leste de Bucareste (A Forst Sau n-a Fost? Romênia, 2006) – Nota 7,5
Direção – Corneliu Porumbiou
Elenco – Teodor Corban, Ion Sapdaru, Mircea Andreescu.

Dezesseis anos após a revolução que derrubou o ditador romeno Ceausescu e colocou fim ao comunismo no país, um jornalista (Teodor Corban), responsável por um pequeno canal de tv em um cidade do interior, decide fazer um programa para debater o tema. 

Ele convida um professor (Ion Sapdaru) conhecido por suas bebedeiras e um velho aposentado (Mircea Andreescu), que devem comentar se houve uma revolução na pequena cidade ou se os habitantes apenas esperaram tudo acabar para comemorar. Assim que o professor conta sua versão sobre o que ocorreu no dia da revolução, vários telespectadores ligam para o programa e cada um deles conta uma história diferente, sempre defendendo seu lado.

Este interessante drama com pitadas de comédia marcou a estreia no cinema do diretor Corneliu Porumbiou (“Polícia, Adjetivo” e o recente “O Tesouro”), que com uma agradável narrativa mostra como a mesma história é vista de formas diferentes por cada pessoa. Além disso, a mudança que os países comunistas sofreram, fizeram com que muitas pessoas que eram ligadas ao antigo regime tentassem reescrever seu passado. 

É curioso ver como a vida nestas pequenas cidades parece ter parado no tempo. Carros velhos, prédios baixos e ruas mal cuidadas ainda são comuns em muitas cidades da antiga Cortina de Ferro. 

Para quem gosta de história e tem curiosidade por filmes que se passam em locais diferentes, este longa é uma boa opção. 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Bud Spencer & Terence Hill

Carlo Pedersoli e Mario Girotti formaram uma das duplas mais famosas do cinema nos anos setenta. Com as alcunhas de Bud Spencer e Terence Hill, estes italianos divertiram plateias no mundo inteiro em mais de quinze filmes

Nesta semana, o cinema se despediu de Bud Spencer, que estava com oitenta e oito anos.

Para os cinéfilos que viveram os anos setenta e oitenta, os filmes da dupla fazem parte da memória afetiva ao lado de Jerry Lewis, Os Trapalhões, Os Três Patetas e os vários longas sobre máquinas voadoras e corridas malucas.

Nesta postagem comento quatro filmes da dupla e um solo de Terence Hill.

Trinity é o Meu Nome (Lo Chiamavano Trinita, Itália, 1970) – Nota 7,5
Direção – E. B. Clucher (Enzo Barboni)
Elenco – Terence Hill, Bud Spencer, Farley Granger.

O pistoleiro Trinity (Terence Hill) vaga pelo deserto com seu cavalo arrastando uma cama índia (uma espécie de padiola). Ao chegar em uma pequena cidade, encontra seu irmão Bambino (Bud Spencer) que diz ser o xerife. Surpreso com a notícia, por saber que o irmão também é um fora da lei, Trinity descobre que o irmão tomou o cargo após a morte do verdadeiro xerife. Mesmo se odiando, os irmãos são obrigados a se unir para enfrentar um violento fazendeiro (Farley Granger de “Festim Diabólico”) que deseja roubar as terras de um grupo de colonos mórmons. 

O grande sucesso de bilheteria se deve a química entre Terence Hill e Bud Spencer, que transformaram a seriedade comum do gênero em uma comédia repleta de socos e tiros. Os personagem são verdadeiros anti-heróis, parecem hippies que vagam sujos e maltrapilhos pelo oeste.

Trinity Ainda é Meu Nome (Continuavano a Chiamarlo Trinita, Itália, 1971) – Nota 7
Direção – E. B. Clucher (Enzo Barboni)
Elenco – Terence Hill, Bud Spencer, Harry Carey Jr, Jessica Dublin.

Após os acontecimentos do filme anterior, os irmãos Trinity (Terence Hill) e Bambino (Bud Spencer) visitam a casa dos pais, antes de partirem para um pequeno povoado onde são confundidos com agentes federais. Aproveitando a situação, a dupla tenta roubar uma fortuna de contrabandistas que agem na região. O estilo é o mesmo do longa anterior, com várias cenas de brigas, piadas e até um envolvimento romântico de Trinity com uma jovem. O longa foi outro sucesso de bilheteria. 

Eu,Você, Ele e os Outros (Non C'e Due Senza Quattro, Itália, 1984) – Nota 6,5
Direção – E. B. Clucher (Enzo Barboni)
Elenco - Bud Spencer, Terence Hill.

Dois sujeitos que não se conhecem são contratados para um serviço fora do comum. Greg (Bud Spencer) e Eliot (Terence Hill) receberão uma grana alta para substituírem dois milionários que estão sendo ameaçados. A incrível semelhança faz com que a dupla se torne alvo dos bandidos. 

Filmado totalmente no Rio de Janeiro, o longa foca na comédia de erros, criando situações engraçadas utilizando a troca de identidades, além das habituais sequências de ação que eram especialidade da dupla de astros. 

Para lançamento do filme e também pela fama que Bud Spencer e Terence Hill tinham no Brasil, eles chegaram a participar do programa dos Trapalhões na época. Como informação pessoal, este foi um dos primeiros filmes que assisti no cinema.

Os Dois Super Tiras em Miami (Miami Supercops, Itália, 1985) – Nota 5,5
Direção – Bruno Corbucci
Elenco – Bud Spencer, Terence Hill, Chief S. B. Seay.

Um agente do FBI (Terence Hill) convida seu parceiro que está aposentado (Bud Spencer) para novamente investigar um crime que ocorreu há sete anos e que eles não conseguiram solucionar. Após surgirem novas pistas, o objetivo é recuperar os vinte milhões que foram roubados. 

O estilo de humor da dupla já demonstrava desgaste neste filme, que sofre pelas piadas fracas e cenas de ação ruins. O filme fracassou e marcou o último trabalho da dupla que chamou atenção do mercado internacional. Eles voltaram a atuar juntos apenas em um filme batizado por aqui como “A Volta de Trinity” em 1994, mas que não tinha ligação alguma com os longas dos anos setenta. A partir daí, eles seguiram carreiras separadas, com Bud Spencer protagonizando a série “Big Man” ou “Extra Large”, que teve temporadas na Itália e nos Estados Unidos, enquanto Terence Hill continua na ativa com a série italiana “Don Matteo”.

Um Osso Duro de Roer (Renegade, Itália, 1987) – Nota 6
Direção – E. B. Clucher (Enzo Barboni)
Elenco – Terence Hill, Ross Hill, Robert Vaughn.

Luke (Terence Hill) é um pistoleiro que viaja pelo oeste americano sem destino certo. Ao chegar em uma cidade e descobrir que um velho amigo está preso, ele recebe uma proposta. Tomar conta da propriedade do sujeito e do filho dele também (Ross Hill), para evitar que suas terras sejam roubadas por um fazendeiro (Robert Vaughn). 

Sem o parceiro Bud Spencer, Terence Hill tentou retomar o estilo dos westerns spaghetti dos anos setenta com este razoável longa. As brigas e os tiroteios ocorrem normalmente, a diferença fica para a difícil relação do protagonista com o garoto, que é interpretado por Ross Hill, filho de Terence Hill na vida real. O filme fez algum sucesso no mercado de vídeo na época.