quinta-feira, 14 de julho de 2016

Carandiru

Carandiru (Brasil, 2003) – Nota 8
Direção – Hector Babenco
Elenco – Luiz Carlos Vasconcelos, Milton Gonçalves, Ivan de Almeida, Ailton Graça, Maria Luisa Mendonça, Aida Lerner, Rodrigo Santoro, Gero Camilo, Lázaro Ramos, Caio Blat, Wagner Moura, Floriano Peixoto, Ricardo Blat, Milhem Cortaz, Antonio Grassi, Sabotage, Rita Cadillac.

Ontem o cinema perdeu o diretor Hector Babenco. Argentino naturalizado brasileiro, Babenco deixou uma carreira com dez longas e um documentário. 

Eu prefiro a primeira fase da carreira, quando entregou filmes com temáticas marginais como “O Rei da Noite”, “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” e “Pixote: A Lei do Mais Fraco”, com estes dois últimos com certeza entrando na lista de melhores da história do cinema brasileiro. Gosto também da complexa adaptação de “Brincando nos Campos do Senhor” e deste polêmico “Carandiru” que comento aqui. 

Apesar das críticas terem sido as mais diversas possíveis, com alguns elogiando bastante e outros odiando o resultado, esta adaptação do livro de Dráuzio Varella é um grande filme, que foca na vida dentro daquele que foi o maior maior presídio da América Latina, o Carandiru, culminando com o massacre ocorrido em 1992. 

Através da narração do médico (Luiz Carlos Vasconcelos) que trabalhou no presídio durante os anos oitenta e noventa, o espectador é apresentado a diversos personagens, suas histórias de vida repletas de violência e sofrimento, além de conhecer as regras de um mundo a parte. 

Passam pela tela um travesti (Rodrigo Santoro), seu namorado (Gero Camilo), um assaltante que tem duas esposas (Ailton Graça), o jovem que assassinou o estuprador da irmã (Caio Blat), o assassino que abraçou a religião (Milhem Cortaz) e um veterano que espera soltura (Milton Gonçalves), além de várias outras figuras. 

Um ponto polêmico foi a simpatia do roteiro com os presidiários, que é semelhante ao retratado no livro. Em um país como o Brasil, onde o trabalhador honesto sofre com salário miserável, desemprego e violência, é inevitável que este tipo de olhar a favor do presos gere desconforto, mas lógico que isso não justifica o terrível massacre. 

Por sinal, a sequência da lavagem da escada misturando água e sangue é uma das mais fortes do filme, simbolizando o inferno que ocorreu naquele local. 

Considero o filme tão forte como o livro e para finalizar, cito uma frase que um amigo proferiu quando o livro foi publicado: “Em cada parágrafo que leio, parece que sinto o cheiro de mofo das celas”. 

5 comentários:

Pedrita disse...

eu gosto demais do trabalho do babenco e desse filme. gostei muito tb de o beijo da mulher aranha. beijos, pedrita

Liliane de Paula disse...

Uma perda para o cinema.
O filme Carandiru, nunca tive vontade de vê.
Sou daquelas que acha que o massacre matou poucos.

O beijo da mulher aranha, vi o filme e o livro.

Hugo disse...

Pedrita - Sei que a crítica e muitas cinéfilos adoram "O Beijo da Mulher Aranha", mas não está entre os meus favoritos do diretor.

Liliane - O filme é bom analisando como cinema. A história real é extremamente complexa, não existiam inocentes em lado algum do confronto.

Abraço

Gustavo H. Razera disse...

Resumiu perfeitamente numa só palavra: forte.

RIP Babenco.

Cumps.

Amanda Aouad disse...

Homenagem justa, pelo nome que foi o cineasta, mas eu to no time dos que não gosta de Carandiru, rs. Prefiro o Babenco do início. Há bons momentos no filme, mas há também apelações e alguns problemas de ritmo e "maquiagem" da realidade.

bjs