sábado, 31 de outubro de 2015

Suburbia

Suburbia (SubUrbia, EUA, 1996) – Nota 7,5
Direção – Richard Linklater
Elenco – Giovanni Ribisi, Steve Zahn, Nicky Katt, Amie Carey, Jayce Bartok, Parker Posey, Dina Spybey, Ajay Naidu.

No subúrbio de Austin no Texas, um grupo de jovens se reúne todas as noites ao lado de uma loja de conveniência para passar o tempo e as vezes discutir com o comerciante Nazeer (Ajay Naidu).

Jeff (Giovanni Ribisi) é um inconformado com a vida suburbana, mas que não sabe como mudar seu caminho. Ele namora Sooze (Amy Carey), que planeja sair da cidade para começar nova vida. O grupo tem ainda a alcoólatra em recuperação Bee (Dina Spybey), o rebelde Tim (Nicki Katt) e o confuso Buff (Steve Zahn). 

Numa determinada noite, o grupo recebe a inesperada visita de Pony (Jayce Bartok), um amigo que se tornou roqueiro famoso. O reencontro desperta emoções como amargura e inveja entre os amigos, que terão uma madrugada inteira para discutir a amizade. 

Apesar de ser um trabalho quase esquecido do ótimo diretor Richard Linklater, este longa é interessante retrato sobre as dificuldades dos jovens em encontrar seu lugar na sociedade e sobre a consequente angústia pessoal. 

Como todos os filmes do diretor, a força do roteiro está no desenvolvimento dos complexos personagens e na enorme quantidade de diálogos. Por outro lado, diferente da maioria dos trabalhos de Linklater, que geralmente escreve seus roteiros, a história aqui foi escrita pelo ator Eric Bogosian, que alguns anos antes havia assinado o roteiro e protagonizado o ótimo “Talk Radio – Verdades que Matam” dirigido por Oliver Stone. 

Para quem gosta de dramas sobre juventude e do estilo de Linklater, este “Suburbia” é uma ótima opção. 

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Love and Mercy

Love and Mercy (Love and Mercy, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – Bill Pohlad
Elenco – John Cusack, Paul Dano, Elizabeth Banks, Paul Giamatti, Erin Darke, Joanna Going, Jake Abel, Graham Rogers, Bill Camp.

No início dos anos sessenta, a banda de rock “The Beach Boys” chegou ao sucesso. Composta pelos três irmãos Wilson, pelo primo Mike Love e por Al Jardine, a banda tem como mente criativa Brian Wilson (Paul Dano), o irmão mais novo da família. 

Considerado um prodígio por tocar piano desde criança, compor e criar arranjos com facilidade, os irmãos e o pai, que foi empresário da banda, se interessam apenas pelas novas músicas que Brian possa criar, sem grandes preocupações com os problemas psicológicos que o jovem apresenta com o passar do tempo. 

Em paralelo, o roteiro avança no tempo e segue Brian (John Cuscak agora) nos anos oitenta, quando ele se apaixona pela vendedora de automóveis Melinda (Elizabeth Banks), mas sua vida está um caos. Ele vive dominado pelo psiquiatra Eugene Landry (Paul Giamatti), que se tornou seu tutor e o trata a base de remédios fortíssimos. 

O músico Brian Wilson é considerado quase um gênio por muitos críticos, ao mesmo tempo em que sua vida beirou o absurdo por vários anos. Estas insanidades provocadas por sua doença e pelas drogas, ao lado de seu talento musical, são os pontos principais do roteiro. 

Para os fãs da banda e de Wilson, as cenas de gravação do álbum “Pet Sounds” são perfeitas ao retratar a obsessão do músico pelos mínimos detalhes. Para o espectador comum, como eu, estes detalhes se mostram cansativos, assim como as várias sequências que mostram as “viagens mentais” do personagem, que parece um zumbi. 

Outro ponto que incomoda é a falta de informação sobre algumas situações. A mãe do personagem é citada, porém não aparece em sequência alguma, assim como suas filhas. Os irmãos e a ex-esposa são quase figurantes. Além disso, não é explicado como o psiquiatra interpretado por Paul Giamatti entrou na vida do músico. 

Apesar das boas atuações de Paul Dano, Elizabeth Wilson e John Cusack, este último após vários papéis ruins nos últimos anos, fica a sensação de um filme que contou uma história picotada e sem emoção alguma.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

As Margens de um Crime

As Margens de um Crime (In the Electric Mist, EUA / França, 2009) – Nota 6,5
Direção – Bertrand Tavernier
Elenco – Tommy Lee Jones, John Goodman, Peter Sarsgaard, Mary Steenburgen, Kelly Macdonald, Justina Machado, Ned Beatty, James Gammon, Pruitt Taylor Vince, Levon Helm, Buddy Guy, Julio Cesar Cedillo, John Sayles, Gary Grubbs.

O corpo de uma garota é encontrado nos pântanos da Louisiana com marcas de tortura. O policial Dave Robicheaux (Tommy Lee Jones) é o encarregado da investigação. Seu suspeito principal é o mafioso Julie Balboni (John Goodman), que alega desconhecer a garota. 

No mesmo dia em que interroga Balboni, Dave cruza o caminho do ator Elrod Sykes (Peter Sarsgaard), que está dirigindo bêbado ao lado da namorada (Kelly Macdonald). Para se safar da prisão, Elrod conta para Dave que encontrou os restos mortais de um desconhecido enquanto estava filmando no pântano. A vítima estava acorrentada, o que faz com Dave acredite que seja o corpo de um caso em que ele foi testemunha quando criança. 

A interessante premissa que coloca em paralelo as investigações dos dois crimes cometidos com quarenta anos de diferença, perde força na direção frouxa do francês Bertrand Tarvernier, responsável por bons filmes como “A Isca” e “Por Volta da Meia-Noite”, mas que falha neste seu único longa americano. 

São vários personagens e situações que parecem não se encaixar, mesmo que no final exista uma explicação para os crimes. A narrativa fria e irregular é outro ponto negativo. 

Os destaques ficam para o sempre competente Tommy Lee Jones, para os belos cenários naturais da Louisiana e as curiosas participações do músico Buddy Guy e do diretor John Sayles.  

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O Último Golpe

O Último Golpe (American Heist, EUA, 2014) – Nota 5,5
Direção – Sarik Andreasyan
Elenco – Hayden Christensen, Adrien Brody, Jordana Brewster, Akon, Tory Kittles, Luis da Silva Jr.

Após cumprir dez anos de prisão por ter assassinado um policial, Frankie (Adrien Brody) procura seu irmão James (Hayden Christensen) com uma estranha proposta de trabalho. Mesmo desconfiado e com raiva do irmão por ter sido condenado a seis meses de cadeia como cúmplice, James aceita conhecer dois sujeitos (Tory Kittles e Akon) que estiveram na prisão com Frankie. Ingenuamente, James acompanha os sujeitos e novamente se torna cúmplice de um crime, sendo obrigado a participar de um golpe ainda mais perigoso. 

A competente parte técnica é pouco para segurar o filme. O roteiro totalmente previsível, os personagens clichês e o final absurdo comprometem o longa por completo. 

As interpretações são ruins, com Hayden Christensen inexpressivo como sempre e até o ótimo Adrien Brody exagerando na composição do malandro que sempre se dá mal. Nem mesmo o interesse romântico entre Christensen e Jordana Brewster funciona. 

O diretor armênio Sarik Andreasyan estreou muito mal em Hollywood.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

O Exterminador do Futuro: Gênesis

O Exterminador do Futuro: Gênesis (Terminator Genisys, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Alan Taylor
Elenco – Arnold Schwarzenegger, Jason Clarke, Emilia Clarke, Jai Courtney, J. K. Simmons, Dayo Okeniyi, Matt Smith, Courtney B. Vance, Byung Hun Lee.

Pegue os quatros roteiros dos filmes anteriores da franquia, jogue em um liquidificador, bata em velocidade alta e o resultado será este acelerado longa. Não que isto seja ruim, o filme em si é eletrizante, tem cenas de ação de primeira, muita correria, perseguições e a trama mais complexa dos cinco filmes, porém ao final de sessão fica a sensação de que já havíamos assistido tudo aquilo nos anteriores. 

Fica até complicado comentar a trama repleta de idas e vindas no tempo. Basicamente, a história começa em 2029 quando os rebeldes liderados por John Connor (Jason Clark) estão prestes a derrotar a Skynet, porém para a vitória ser decisiva, será necessário que Kyle Reese (Jai Courtney) volte no tempo até 1984 para encontrar Sarah Connor (Emilia Clark). Ao chegar em 1984, Reese descobre que o mundo citado por John Connor é bem diferente do que ele realmente encontra. 

As várias sequências inspiradas nos filmes anteriores podem ser consideradas homenagens, como também podem ser vistas como reciclagem de ideias e falta de novidades. 

Para os mais jovens acostumados com franquias e que não assistiram no cinema os dois primeiros filmes, este novo longa agradará bastante, mas no meu caso, que assisti ao original no cinema quando era adolescente, saindo de olhos arregalados após a sessão, esta sequência pouco acrescenta. 

Finalizando, o destaque fica para o veterano Schwarzenegger como o envelhecido exterminador T-800. Apesar do vários sucessos que teve no cinema, este é o papel pelo qual ele será lembrado eternamente. 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Aventuras Antigas - Resenhas Rápidas

Tesouro de Matecumbe (Treasure of Matecumbe, EUA, 1976) – Nota 7
Direção – Vincent McEveety
Elenco – Robert Foxworth, Joan Hacket, Peter Ustinov, Vic Morrow, Johnny Doran, Billy Attmore.

No Kentucky, após a Guerra Civil Americana, dois garotos (Johnny Doran e Billy Attmore) conseguem o mapa de um tesouro que estaria enterrado na ilha de Matecumbe na Flórida. Os dois iniciam uma perigosa viagem em busca do tesouro. Pelo caminho, eles cruzam com uma noiva (Joan Hacket) que fugiu do casamento e um vigarista (Robert Foxworth), que se juntam a eles na corrida pelo tesouro. Eles terão ainda de enfrentar índios hostis, uma estranha seita e um bandido (Vic Morrow) que também está atrás do tesouro. Esta divertida e inofensiva aventura da Disney foi reprisada dezenas de vezes na antiga Sessão da Tarde dos anos oitenta.

Goldie e o Pugilista (Goldie and the Boxer, EUA, 1979) – Nota 7
Direção – David Miller
Elenco – O. J. Simpson, Melissa Michaelsen, Vincent Gardenia, Phil Silvers.

Joe (O. J. Simpson) é um soldado que após sair do exército se tornar sparring de um pugilista. Quando o pugilista morre, Joe se vê obrigado a cuidar da filha do sujeito, a garota Goldie (Melissa Michaelsen), ao mesmo tempo em que decide seguir a carreira de lutador. Este longa produzido para tv é outro clássico da Sessão da Tarde, que lembra um pouco o ótimo “O Campeão” de Franco Zeffirelli, que foi lançado no mesmo ano e fez muito mais sucesso. O longa rendeu uma continuação em 1981.

Robinson Crusoé ou Sexta-Feira (Man Friday, Inglaterra / EUA, 1975) – Nota 6
Direção – Jack Gold
Elenco – Peter O’Toole, Richard Roundtree.

Após sobreviver a um naufrágio, o inglês Robinson Crusoé (Peter O’Toole) se vê preso em uma remota ilha do Pacífico. Sua solidão é quebrada quando encontra um nativo (Richard Roundtree), que é batizado por ele como Sexta-Feira. Aos poucos, os dois homens criam uma amizade, porém a soberba de Crusoé, que acredita ser superior e tenta impor seus costumes e religião, cria um conflito entre os dois sujeitos. O filme até consegue transmitir um pouco da complexidade do relacionamento entre os personagens, porém sofre pelo ritmo irregular que deixa o longa um pouco cansativo.

A Grande Aventura (Olly, Olly, Oxen Free, EUA, 1978) – Nota 5
Direção – Richard A. Colla
Elenco – Katharine Hepburn, Kevin McKenzie, Dennis Dimster.

Dois garotos (Kevin McKenzie e Dennis Dimster) são acolhidos por uma excêntrica senhora (Katharine Hepburn), que é dona de um ferro velho e que planeja construir um balão para viajar pelo céu no dia em que seu falecido marido faria aniversário. É mais uma aventura totalmente inofensiva, produzida para as crianças ao estilo dos filmes da Disney das anos setenta. A curiosidade é a presença da veterana estrela Katharine Hepburn como protagonista. 

O Lobo do Mar (The Sea Wolf, EUA, 1993) – Nota 4
Direção – Gary McDonald
Elenco – Stacy Keach, Jaason Simmons, Alejandra Cruz, Stephen Davies, Mako.

Durante uma investigação marítima, o ambientalista Humphrey (Jaason Simmons) é atirado ao mar por tripulantes de um navio. Ele acaba resgatado por outro navio chamado “O Fantasma”. Jovem educado, Humphrey é obrigado a lidar com o complexo capitão Larsen (Stacy Keach), sujeito durão acostumado com a vida no mar. O famoso livro de Jack London já rendeu várias adaptações para o cinema, inclusive um clássico de 1941 com Edward G. Robinson. Esta versão para a TV é provavelmente a pior de todas.

domingo, 25 de outubro de 2015

Mama

Mama (Mama, Canadá / Espanha, 2013) – Nota 6
Direção – Andy Muschietti
Elenco – Jessica Chastain, Nikolaj Coster Waldau, Megan Charpentier, Isabelle Nélisse, Daniel Kash.

Após um surto psicótico, o executivo Jeffrey (Nikolaj Coster Waldau) assassina seus sócios, volta para casa e mata sua ex-esposa. Ele foge de carro por uma estrada coberta de neve carregando as duas filhas de três e um ano. O carro desliza e sai da pista. Jeffrey tenta se esconder com as filhas em uma cabana na floresta, mas acaba sendo atacado por uma estranha entidade. 

Cinco anos depois, o irmão de Jeffrey, Luke (Nikolaj Coster Waldau novamente) continua procurando o irmão e as sobrinhas. Por incrível que pareça, dois caçadores encontram as meninas vivendo como animais na mesma cabana. Luke e sua namorada Annabel (Jessica Chastain) assumem a criação das meninas com a ajuda de um psiquiatra (Daniel Kash), sem saber que a entidade fantasma seguirá as crianças até  nova casa. 

Este longa produzido por Guillermo Del Toro é baseado num curta dirigido pelo mesmo Andy Muschietti, que reescreveu o roteiro resultando num terror apenas mediano. O roteiro não apresenta surpresas e falha em algumas soluções, colocando personagens em situações forçadas, como procurar respostas na floresta durante a noite. 

Talvez por já ter assistido filmes demais de terror, as cenas de suspense não me assustaram, nem mesmo as sequências dos ataques da entidade. Eu esperava mais, por isso a decepção.

sábado, 24 de outubro de 2015

Dois Dias, Uma Noite

Dois Dias, Uma Noite (Deux Jours, Une Nuit, Bélgica / França / Itália, 2014) – Nota 8
Direção – Jean Pierre & Luc Dardenne
Elenco – Marion Cotillard, Fabrizio Rongione, Catherine Salée, Baptiste Sornin, Pili Groyne.

Sandra (Marion Cotillard) está prestes a voltar ao trabalho em uma pequena fábrica após estar afastada por depressão, quando recebe a notícia de que o dono da empresa fez uma votação com os dezesseis funcionários e apenas dois aceitaram desistir do bônus anual para manter Sandra empregada. Os demais funcionários votaram para receber o bônus, mesmo sabendo que Sandra seria demitida. 

Com ajuda da amiga Juliette (Catherine Salée), Sandra consegue que seja feita uma nova votação com a presença dela. Apoiada pelo marido Manu (Fabrizio Rongione), ela terá um final de semana para visitar os colegas de trabalho e convencê-los a desistir do bônus. 

Os irmãos belgas Dardenne são especialistas em filmes críticos sobre o ser humano e a realidade atual. Aqui, a crítica é voltada para a ganância, seja ela dos empresários que lavam as mãos com as consequências de uma demissão e também de muitos trabalhadores que encaram o mercado como uma selva onde cada um defende seu lado sem pensar no próximo. Esta luta por dinheiro fica exacerbada num momento de crise, situação que os países europeus passam há alguns anos e que os irmãos Dardenne utilizam como inspiração. 

A saga da personagem Sandra poderia resultar num melodrama, mas segue um caminho diferente. Na verdade o que ocorre é uma busca não só para manter o emprego, mas também para descobrir a si mesma. 

O destaque do elenco fica para mais uma grande interpretação de Marion Cotillard, que a cada encontro com um colega durante o filme altera o humor da esperança para catástrofe e da euforia para a tristeza profunda. 

Como informação, os irmãos Dardenne não utilizam trilha sonora, com exceção de algumas músicas incidentais.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Fear The Walking Dead

Fear The Walking Dead (EUA, 2015)
Criadores - Dave Erickson & Robert Kirkman
Elenco - Kim Dickens, Cliff Curtis, Frank Dillane, Alicia Debnam Carey, Mercedes Mason, Lorenzo James Henrie, Ruben Blades, Elizabeth Rodriguez, Patricia Reyes Spindola.

O sucesso da sensacional série "The Walking Dead" gerou este curioso spin-off que transporta a ação do oeste americano para a Califórnia, especificamente em Los Angeles.

A proposta aqui é mostrar o início da crise que transformou o mundo em um caos. Vemos os primeiros ataques de zumbis, situações que deixam as pessoas comuns perplexas e as autoridades perdidas.

Nos seis episódios da primeira temporada, a trama foca em algumas pessoas que giram ao redor do professor Travis Manawa (Cliff Curtis), que abandonou esposa (Elizabeth Rodriguez) e filho adolescente (Lorenzo James Henrie) para morar com Madison (Kim Dickens), que tem um casal de filhos. A adolescente Alicia (Alicia Debnan Carey) e o viciado Nick (Frank Dillane),

Quando a crise aumenta e o exército entra em ação para tentar conter os zumbis, entram em cena o barbeiro Daniel (Ruben Blades), sua esposa (Patricia Reyes Spindola) e a filha Ofelia (Mercedes Mason), que se unem com as famílias de Travis.

Esta primeira temporada serviu também como uma espécie de apresentação dos personagens, com os episódios iniciais focando mais nos dramas pessoais. As cenas de ação e violência surgem aos poucos, tendo seu clímax no episódio final.

Ao mesmo tempo em que a série despertou a curiosidade dos fãs do original e por isso aumentou a chance de sucesso, por outro lado, a exigência será grande para manter o alto nível em relação a história, o desenvolvimento dos personagens e as sequências de ação.

Por enquanto a série se mostra no meio termo, tem potencial para crescer, mas necessita melhorar alguns detalhes. O primeiro ponto é o suspense que precisa aumentar a voltagem, os dramas pessoais devem ser apenas um complemento na trama. Algo que também ainda não emplacou foi a empatia com os personagens, que parecem distantes do público.

É apenas um chute, mas se a série fizer sucesso, acredito que em algum momento possa ocorrer um crossover com a original.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A Esquiva

A Esquiva (L’Esquive, França, 2003) – Nota 7
Direção – Abdellatif Kechiche
Elenco – Osman Elkharraz, Sara Forestier, Sabrina Ouazani, Nanou Benhamou, Hafet Ben Ahmend, Aurélie Ganito.

Em um conjunto habitacional de classe baixa em Paris, um grupo de adolescentes descendentes de imigrantes discute sobre relacionamentos, enfrentam os problemas da idade e o preconceito da polícia. 

A trama tem como protagonista o tímido Krimo (Osman Elkharraz), que vive uma crise no relacionamento com Magali (Aurélie Ganito), por estar apaixonado pela extrovertida Lydia (Sara Forestier), que o considera apenas um amigo. 

A paixão faz com que Krimo comece a agir diferente com os amigos e tome uma ousada atitude. Ele aceita interpretar o papel do par romântico de Lydia em uma peça teatral de época no colégio, mesmo sem ter talento algum para atuar. 

Dez anos antes de ficar famoso mundialmente com o polêmico “Azul é a Cor Mais Quente”, o diretor tunisiano Abdellatif Kechiche retratou aqui o mundo adolescente dos filhos de imigrantes de uma forma sensível e realista, mostrando que os sonhos e desejos destes jovens são iguais aos de qualquer jovem francês. 

A questão do preconceito fica em segundo plano, sendo mostrada apenas em uma repugnante sequência de abordagem policial. A escolha do diretor foi enfatizar a vida comum. 

Infelizmente, o filme perde pontos por ser extremamente verborrágico. As duas horas de duração parecem demorar mais por conta deste exagero. 

Do elenco, apenas Sarah Forestier e Sabrina Ouazani conseguiram fazer carreira. O protagonista Osman Elkharraz é inexpressivo, provavelmente esta falta de talento foi o motivo da escolha do diretor, pois o personagem Krimo demonstra uma incrível dificuldade em se expressar. 

É um longa interessante para quem gosta do tema.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Que Horas Ela Volta?

Que Horas Ela Volta? (Brasil, 2015) – Nota 8
Direção – Anna Muylaert
Elenco – Regina Casé, Camila Márdila, Michel Joelsas, Karine Teles, Lourenço Mutarelli, Helena Albergaria, Luís Miranda, Theo Werneck.

Há alguns anos trabalhei em uma empresa onde a relação entre funcionários e chefia era péssima. O clima era o pior possível, mas mesmo assim, várias pessoas estavam trabalhando há quatro, cinco, seis anos no local, sempre reclamando pelos cantos, mas nunca assumindo uma posição. Fiquei em torno de um ano na empresa e na primeira chance pedi demissão. 

Neste local, trabalhei com um rapaz simples, morador da periferia, que repetia uma frase que resume bem este ótimo filme nacional: “A gente abraça o que sistema oferece”. Vejo esta frase como o cúmulo da resignação. Como se dissesse, “sobrevivo com esta droga de emprego, mas tenho medo de perdê-lo porque minha vida pode piorar”. 

A história da empregada doméstica Val (Regina Casé) é basicamente isso. Ela mora em um quartinho nos fundos da mansão de uma família rica no bairro do Morumbi em São Paulo e segue uma rotina de preparar café da manhã, almoço e jantar, limpar a casa e lavar a roupa, até voltar para o quartinho a noite. 

Ela cuida do filho do casal, o adolescente Fabinho (Michael Joelsas) como se fosse seu próprio filho. A dona da casa é a fútil Bárbara (Karine Teles), que ao mesmo tempo em diz que Val é da família, a trata como se fosse um objeto qualquer em várias situações. O marido Carlos (Lourenço Mutarelli) é um sujeito sem personalidade ou ambição, que vaga pela casa como um zumbi. O relacionamento de Val com a família de patrões vira de ponta de cabeça quando sua filha Jéssica (Camila Márdila) chega do nordeste para prestar vestibular e passa a questionar as atitudes de todos na casa. 

Como hoje vivemos em um país onde o vitimismo está na moda, muitos consideram o filme uma luta entre o capitalista opressor e o pobre oprimido. Eu vejo de forma diferente, a relação entre Val e os patrões é semelhante a toda relação de trabalho, que mesmo quando aparentemente existe uma ligação por afinidade ou por tempo de convivência, no fundo é uma situação frágil mantida pelo dinheiro. Em um momento de crise ou em que um dos lados passa a entender que não precisa mais do outro ou ainda quando deseja algo a mais, a relação acaba. 

Esta complexa teia que mistura relações pessoais com trabalho é o ponto principal deste filme, que toca ainda na questão do medo da mudança e na ambição de ter o controle sobre a própria vida, situação enfatizada na personagem da jovem filha de Val. 

Finalizando, não gosto da figura de Regina Casé, seu programa de tv é uma das várias porcarias que a tv aberta empurra goela abaixo do espectador, mas procurei deixar isso de lado para aproveitar este ótimo drama.   

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Vendetta

Vendetta (Vendetta, Inglaterra, 2013) – Nota 6,5
Direção – Stephen Reynolds
Elenco – Danny Dyer, Roxanne McKee, Vincent Regan, Alistair Petrie, Michael Ryan, Emma Samms, Tony Denham.

Ao presenciar uma jovem sendo assaltada por quatro mascarados, George Vickers (Tony Denham) desce de seu carro e ataca um dos bandidos, que cai morto após uma pancada na cabeça. Com o barulho da polícia chegando, os três outros meliantes fogem jurando vingança. Não demora para os sujeitos localizarem a casa de George e o matarem junto com sua esposa de forma cruel. 

O crime faz com que Jimmy Vickers (Danny Dyer), filho do casal, volte para Londres e descubra como ocorreu a tragédia. Jimmy é um soldado das forças especiais inglesas que estava servindo no Afeganistão. Percebendo a falta de interesse da polícia em resolver o caso, Jimmy decide fazer justiça com as próprias mãos. 

O filme segue a linha do clássico “Desejo de Matar”, com a diferença de que o personagem de Charles Bronson era um sujeito comum que se transformava em vigilante e aqui Danny Dyer é um soldado que utiliza seu treinamento para exterminar os bandidos. 

O longa ganha pontos pelo clima de desesperança, com muitas cenas noturnas e uma estranha trilha sonora que se casa perfeitamente com a violência. Por sinal, as sequências das mortes são criativas, todas com toques de sadismo. 

Como informação, o ator Danny Dyer foi protagonista do interessante drama sobre hooligans “Violência Máxima (The Football Factory)” e também o apresentador do documentário “The Real Football Factory”, trabalho em que rodou a Europa e a América do Sul vivenciando o violento mundo das torcidas organizadas de futebol.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Anjo de Vidro

Anjo de Vidro (Noel, EUA / Canadá, 2004) – Nota 6,5
Direção – Chazz Palminteri
Elenco – Susan Sarandon, Paul Walker, Penelope Cruz, Alan Arkin, Marcus Thomas, Sonny Marinelli, Daniel Sunjata, Chaz Palminteri, John Doman, Robin Williams, Carmen Ejogo.

Em Nova York, na véspera do Natal, alguns personagens precisam enfrentar seus problemas e também a tristeza em relação à data comemorativa. 

A divorciada Rose (Susan Sarandon) tem um ótimo emprego, porém é uma solitária que todos os dias visita no hospital a mãe que está internada e que sofre de Alzheimer. O contato com um desconhecido mudará sua vida. 

O policial Mike (Paul Walker) está prestes a perder a noiva Nina (Penelope Cruz) por causa do ciúme excessivo. Para complicar ainda mais a vida de Mike, um estranho (Alan Arkin) se aproxima e decide contar um inusitado segredo.  

Jules (Marcus Thomas) tenta reviver o único Natal em que foi feliz. Quando adolescente, ele foi atendido em um pronto socorro e participou de uma festa com os funcionários. 

O roteiro utiliza como premissa a questão da tristeza que se abate sobre muitas pessoas no Natal, data em que todos são pressionados para demonstrar felicidade, porém sentimentos como solidão e abandono também se tornam exacerbados. 

As três histórias focam em personagens que não tem alegria alguma com o Natal, mas que podem ter a chance de mudar a própria vida através de acontecimentos inesperados. 

Especialista em papéis de mafiosos e durões, o ator Chazz Palminteri estreou aqui como diretor e demonstrou sensibilidade para conduzir as três histórias. Das três tramas, a do rapaz do hospital é a mais fraca. As outras duas são interessantes e valorizadas pelo quarteto Susan Sarandon, Alan Arkin, Paul Walker e Penelope Cruz. 

domingo, 18 de outubro de 2015

Reino Animal

Reino Animal (Animal Kingdom, Austrália, 2010) – Nota 8
Direção – David Michod
Elenco – Ben Mendelsohn, Joel Edgerton, James Frecheville, Guy Pearce, Jacki Weaver, Sullivan Stapleton, Luke Ford, Mirrah Faulkes, Laura Wheelright.

Em Melbourne na Austrália, os irmãos Cody são conhecidos da polícia pelos seus crimes. Baz (Joel Edgerton) e Pope (Ben Mendelsohn) são ladrões de bancos, Craig (Sullivan Stapleton) é traficante e o caçula Darren (Luke Ford) uma espécie de auxiliar dos irmãos. Pope está jurado de morte pelo esquadrão de policiais especializados em roubos, um grupo que também age fora da lei. 

Neste contexto, surge o jovem Joshua (James Frecheville), sobrinho dos Cody e filho de uma irmã viciada que se afastou da família. Quando a mulher morre, o tímido e solitário Joshua procura a família e aparentemente é bem recebido pelos tios e pela avó Smurf (Jacki Weaver). Quando a polícia fecha o cerco sobre a família, Joshua descobre que se envolveu em uma situação que pode não ter saída. 

Este ótimo drama policial e familiar venceu o Prêmio do Júri no Festival Sundance de 2010 e abriu as portas de Hollywood para o diretor, que faria “The Rover – A Caçada” e para os atores Ben Mendelsohn (série “Bloodline”), Joel Edgerton (“Êxodo: Deuses e Reis”) e Sullivan Stapleton (série “Blindspot”). 

O grande acerto do diretor foi dar ênfase ao complicado relacionamento da família através do tímido olhar do personagem Joshua, que por sinal narra a história. O longa tem algumas cenas violentas inseridas na trama e principalmente muita violência psicológica. 

Todo o elenco está bem, mas os destaques ficam para o assustador Pope interpretado por Ben Mendelsohn e para a ardilosa vovó Smurf vivida por Jackie Weaver, personagem manipuladora e com uma ligação quase incestuosa com os filhos. 

O roteiro é livremente baseado na história real de uma família de criminosos australianos que se envolveram em um caso de repercussão nacional nos anos noventa.

sábado, 17 de outubro de 2015

Jogo de Risco

Jogo de Risco (Foolproof, Canadá, 2003) – Nota 7
Direção – William Phillips
Elenco – Ryan Reynolds, Kristin Booth, Joris Jarsky, David Suchet, David Hewlett.

Kevin (Ryan Reynolds) é funcionário de uma empresa de seguros que nas horas de folga se junta a bela Sam (Kristin Booth) e a Rob (Joris Jarsky) num plano para roubar diamantes do cofre de outra empresa. Um erro de Sam faz com que os planos caiam nas mãos de um famoso ladrão profissional, Leo Gillette (David Suchet), que rouba os diamantes primeiro. 

Para deixar tudo mais complicado, Gillette chantageia o trio utilizando as cópias dos planos, ameaçando entregá-los para a polícia. Gillette deseja que eles montem outro plano ainda mais ousado, desta vez para invadir um cofre de segurança máxima. 

Este desconhecido suspense canadense se mostra uma agradável surpresa para os fãs do gênero. Com uma trama muito bem amarrada, repleta de reviravoltas e com toques de humor, o longa prende a atenção do início ao fim, sem apelar para cenas de ação mirabolantes. 

O ponto alto é o detalhamento de cada jogada dos ladrões, que criam seus movimentos como se fosse um jogo de xadrez, sempre imaginando a reação dos envolvidos e as próximas jogadas. 

É um daqueles filmes em que o cinéfilo espera pouca coisa, mas ao final da sessão está satisfeito. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Hackers - Piratas de Computador & A Rede


Hackers – Piratas de Computador (Hackers, EUA, 1995) – Nota 6
Direção – Iain Softley
Elenco – Jonny Lee Miller, Angelina Jolie, Jesse Bradford, Matthew Lillard, Laurence Mason, Renoly Santiago, Fisher Stevens, Alberta Watson, Lorraine Bracco, Wendell Pierce, Michael Gaston, Marc Anthony, Penn Jillette.

Aos onze anos de idade, o hacker mirim Dade conseguiu derrubar o sistema de Wall Street, causando um grande prejuízo financeiro para os investidores, sendo condenado pela justiça a não utilizar computadores até os dezoito anos. Ao atingir a idade, Dade (Jonny Lee Miller) entra para universidade e reinicia sua carreira de hacker. Logo, ele faz amizade com outros jovens especialistas em invadir sistemas e se envolve com a bela Kate (Angelina Jolie). Quando um hacker novato (Jesse Bradford) invade o sistema de uma grande companhia e descobre uma possível fraude, o grupo de jovens se torna alvo de um especialista em segurança apelidado de “A Peste” (Fisher Stevens). 

Este longa foi um dos primeiros a abordar o mundo dos hackers numa época em que os computadores pessoais estavam começando a se popularizar. O ótimo timing do lançamento aguçou a curiosidade do público, mas infelizmente o desenrolar da história deixou a desejar. A trama é previsível, segue a cartilha dos filmes sobre conspiração, além de faltar emoção, até mesmo nas cenas de suspense que são apenas razoáveis. 

Hoje, o filme vale como curiosidade para ver uma jovem Angelina Jolie, que na época era namorada de Jonny Lee Miller, com que se casou no seguinte. Após a separação, a carreira de Angelina decolou, enquanto Jonny Lee Miller penou por muitos anos com papéis ruins, até se encontrar como o protagonista da série “Elementary”.

A Rede (The Net, EUA, 1995) – Nota 6,5
Direção – Irwin Winkler
Elenco – Sandra Bullock, Jeremy Northam, Dennis Miller, Diane Baker, Ken Howard.

Angela Bennett (Sandra Bullock) é uma analista de sistemas que trabalha testando a segurança de novos programas e de redes. Estressada com o solitário trabalho, Angela decide tirar férias viajando para o México. Pouco tempo antes de viajar, ela recebe um estranho disquete de outro analista. Angela leva o disquete na viagem e resolve verificar o conteúdo na praia, enquanto trabalha em frente ao mar. No mesmo local, ela é abordada por um executivo (Jeremy Northam), que também está de férias e utilizando seu notebook na praia. O flerte inicial esconde as verdadeiras intenções do sujeito, que transforma a vida de Angela em um inferno. 

Este é outro longa que foi produzido com o objetivo lucrar com o popularização dos computadores na época e assim como em “Hackers”, o resultado fica aquém do esperado. Algumas ideias aqui são um pouco mais interessantes, como a crítica, mesmo que rasa, sobre as pessoas que preferem a vida virtual ao mundo real, assim como a questão da invasão de privacidade, situação que cresceu assustadoramente nos últimos anos. 

O filme em si é previsível, com falhas no roteiro, um pouco de correria e algumas boas cenas de ação e suspense. 

Este foi também o primeiro filme de Sandra Bullock como protagonista após o sucesso de "Velocidade Máxima". Em paralelo, foi lançado “Enquanto Você Dormia”, que fez muito mais sucesso. 

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Missão Impossível: Nação Secreta

Missão Impossível: Nação Secreta (Mission: Impossible – Rogue Nation, EUA / Hong Kong / China, 2015) – Nota 8
Direção – Christopher McQuarrie
Elenco – Tom Cruise, Jeremy Renner, Simon Pegg, Rebecca Ferguson, Ving Rhames, Alec Baldwin, Sean Harris, Simon McBurney.

Após os acontecimentos do filme anterior, que deixaram um rastro de destruição por alguns países, o chefão da CIA (Alex Baldwin) consegue convencer o gabinete de segurança nacional em fechar o IMF e por consequência tirar o apoio ao agente Ethan Hunt (Tom Cruise) e sua equipe. 

Ao mesmo tempo, Hunt descobre que uma organização fantasma denominada “Sindicato” está preparando uma grande ação terrorista. Mesmo sendo procurado pela CIA, Hunt decide seguir na caça aos terroristas, em especial ao líder (Sean Harris), um assassino frio que está sempre a um passo frente da investigação. 

O diretor e roteirista Christopher McQuarrie entrega aqui o melhor filme da série desde o original comandado por Brian DePalma. A complexa e bem amarrada trama passa por locais como Viena e Casablanca, a parte técnica é extremamente apurada e as cenas de ação eletrizantes. As sequências do cofre submarino e da parede falsa são de uma incrível criatividade. 

Vale destacar ainda os coadjuvantes. O inglês Simon Pegg demonstra uma ótima química com o astro Tom Cruise, sendo ao mesmo tempo o alívio cômico e parte importante da trama. A sueca Rebecca Ferguson interpreta com competência a agente dupla, que deixa o espectador em dúvida sobre seus objetivos até perto do final. E para completar, o também inglês Sean Harris está assustador como o assassino frio e calculista. 

Este novo filme mostra que a franquia é uma exceção, ao chegar no quinto longa elevando a qualidade e deixando as portas as abertas para mais uma sequência.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Ninho de Cobras

Ninho de Cobras (The Enemy Within, EUA, 1994) – Nota 6
Direção – Jonathan Darby      
Elenco – Forest Whitaker, Sam Waterston, Jason Robards, Dana Delany, Josef Sommer, George Dzundza, Isabel Glasser.

O presidente americano William Foster (Sam Waterston) é um pacifista a favor do desarmamento que assina uma lei cortando verbas do exército. O fato irrita o general Lloyd (Jason Robards), que planeja um golpe para derrubar o presidente. Desconfiado das manobras do general, outro militar, o coronel Mac Casey (Forest Whitaker) descobre a conspiração, mas precisa correr contra o tempo para conseguir provas e impedir o golpe. 

O longa é uma refilmagem para a tv do clássico “Sete Dias em Maio” de John Frankenheimer, que tinha Burt Lancaster, Kirk Douglas e Fredric March nos papéis principais. Não assisti ainda ao original, mas com certeza esta segunda versão é mais fraca. Falta emoção e suspense na correria do personagem de Forest Whitaker. 

Mesmo com o bom trio principal, as limitações de um filme para a tv são claras. Além disso, o diretor sem muito talento desperdiça o ótimo argumento.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

O Grande Herói

O Grande Herói (Lone Survivor, EUA, 2013) – Nota 7
Direção – Peter Berg
Elenco – Mark Wahlberg, Taylor Kitsch, Emile Hirsch, Ben Foster, Eric Bana, Yousuf Azami, Ali Suliman, Alexander Ludwig, Jerry Ferrara.

Durante a invasão americana ao Afeganistão, um grupo de soldados de elite é enviado a uma região remota onde está escondido um perigoso líder do Talibã.

Marcus Lutrell (Mark Wahlberg), Murphy (Taylor Kitsch), Dietz (Emile Hirsch) e Axe (Ben Foster) tem a missão de mapear o local para um possível ataque, porém um inusitado encontro nas montanhas muda completamente a história, transformando os quatro soldados em alvos dos terroristas. 

Baseado em um livro autobiográfico de Marcus Lutrell, este longa exalta os soldados americanos e a chamada “luta pela liberdade”, mesmo que na verdade os interesses dos EUA fossem outros. 

Sempre fico com um pé atrás em relação a veracidade da história mostrada na tela nestes filmes biográficos.

A questão aqui é curiosa. Ao mesmo tempo em que a trama mostra um outro lado do conflito que ainda não havia sido abordado pelo cinema, fica um pouco heroico demais as atitudes dos soldados e principalmente de um personagem específico que surge na parte final da trama. 

Deixando isso de lado, vale destacar a narrativa envolvente e as boas cenas de ação que exploram com competência os cenários montanhosos.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Terremoto - A Falha de San Andreas & Terremoto


Terremoto – A Falha de San Andreas (San Andreas, EUA / Austrália / Canadá, 2015) – Nota 6
Direção – Brad Peyton
Elenco – Dwayne Johnson, Carla Gugino, Alexandra Daddario, Ioan Gruffud, Paul Giamatti, Archie Panjabi, Hugo Johnstone Burt, Art Parkinson, Will Yun Lee, Kylie Minogue.

Três narrativas paralelas relatam as consequências de um gigantesco terremoto na Califórnia. O cientista Lawrence (Paul Giamatti) e seu parceiro Kim (Will Yun Lee) estão em uma barragem testando uma nova fórmula que aparentemente consegue prever abalos sísmicos, quando um violento terremoto atinge o local. Após a situação se acalmar, os cálculos de Lawrence indicam que um terremoto ainda maior está por vir, que afetará todo o Estado da Califórnia. 

Após o primeiro abalo, o piloto de resgate Ray (Dwayne Johnson) segue com seu helicóptero para salvar sua ex-esposa Emma (Carla Gugino) que estava almoçando em um arranha-céu. A terceira narrativa segue os passos da jovem Blake (Alexandra Daddario), filha de Ray e Emma, que estava na empresa do padrasto (Ioan Gruffud) durante o terremoto e que recebe a ajuda de dois irmãos ingleses (Hugo Johnstone Burt e Art Parkinson). 

Os filmes catástrofes geralmente são exagerados, porém este nos brinda com algumas das cenas de ação mais absurdas dos últimos anos. O menu é farto, temos o carro pendurado no penhasco com uma garota dentro, o edifício que vai se desmanchando enquanto uma personagem tenta chegar ao topo, o helicóptero fazendo piruetas malucas, entre várias outras insanidades. 

O roteiro é totalmente recheado de clichês, inclusive com a busca do pai pela filha lembrando a trama de “O Dia Depois do Amanhã”, em que Dennis Quaid atravessava o país debaixo do gelo em busca do filho vivido por Jake Gyllenhaal. Por sinal, a destruição mostrada aqui deve ter dado uma inveja danada em Roland Emmerich, pois o filme tem a cara dele. 

Para quem quer se divertir sem compromisso, desligue o cérebro e curta os absurdos.

Terremoto (Earthquake, EUA, 1974) – Nota 6,5
Direção – Mark Robson
Elenco – Charlton Heston, Ava Gardner, George Kennedy, Genevieve Bujold, Lorne Greene, Victoria Principal, Walter Matthau, Richard Roundtree, Lloyd Nolan, Marjoe Gortner, Barry Sullivan, Pedro Armendariz Jr.

O sucesso de “Aeroporto” em 1970 deu início ao chamado “Cinema Catástrofe”, criando um novo gênero que rendeu vários filmes até 1980, sendo praticamente encerrado com “O Dia em Que Mundo Acabou”. O gênero renasceu no final dos anos noventa e até hoje pelo menos um filme por ano neste estilo é produzido. 

Este “Terremoto” segue a narrativa comum ao gênero, cruzando pequenas histórias em torno de uma tragédia. Durante a primeira hora, os personagens são apresentados ao público. O personagem principal é o arquiteto Stuart Graff (Charlton Heston), que vive um casamento em crise com a instável Remy (Ava Gardner) e tem um caso com uma bela jovem (Genevieve Bujold). 

Na segunda trama temos o policial Slade (George Kennedy), que está suspenso por ter usado força excessiva contra um criminoso. O terceiro elo tem o estranho balconista Jody (Marjor Gortner), que é apaixonado por uma jovem do bairro (Victoria Principal) que não tem interesse nele. Quando um terremoto atinge Los Angeles, estes personagens juntos com vários outros, precisam lutar para sobreviver. Neste contexto, surgem os líderes e os heróis, enquanto outros mostram seu pior lado. 

O filme fez sucesso e concorreu a vários prêmios técnicos do Oscar, graças aos efeitos especiais da época e também por ter lançado o sistema de som Sunserround, porém envelheceu mal neste quesito, principalmente pelo exagerado uso de maquetes. 

É um filme que hoje vale apenas como curiosidade.

domingo, 11 de outubro de 2015

Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros

Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (Jurassic World, EUA / China, 2015) – Nota 7,5
Direção – Colin Trevorrow
Elenco – Chris Pratt, Dallas Bryce Howard, Vincent D’Onofrio, Irrfan Khan, Ty Simpkins, Nick Robinson, Jake Johnson, Omar Sy, BD Wong, Judy Greer.

Vinte anos após a tragédia na inauguração do parque dos dinossauros, a ilha Nublar abriga um novo parque temático totalmente moderno, inclusive com novos dinossauros criados em laboratório e um enorme aparato de segurança. O complexo agora é propriedade de um milionário indiano (Irrfan Khan), que tem como braço direito a executiva Claire (Bryce Dallas Howard), que cuida da administração do parque. 

No mesmo final de semana em que os sobrinhos de Claire (Ty Simpkins e Nick Robinson) visitam o parque e o local está lotado, um dinossauro híbrido batizado como Indominus Rex consegue enganar a segurança e escapar da redoma onde era mantido. Para tentar deter o gigantesco predador, o ex-militar Owen (Chris Pratt) entra em conflito com um assessor de segurança, o ganancioso Hoskins (Vincent D’Onofrio), que vê na provável tragédia uma chance lucrar. 

A distância de tempo em relação aos filmes anteriores, a boa história e o elenco totalmente novo ajudaram este longa a não ser comparado com os originais. Foi inteligente também inserir elementos atuais no roteiro, como a questão dos parques temáticos realistas, a busca dos visitantes por adrenalina e por consequência a pressão para a criação de atrações mais “perigosas”, além da procura dos militares pela arma perfeita, aqui através da inusitada ideia do personagem de Vincent D’Onofrio. 

As cenas de ação são competentes, os dinossauros assustadores e a narrativa ágil, o que com certeza agradará aos filmes do gênero. 

Fica ainda um gancho para continuação da franquia, na situação que envolve o personagem de BD Wong, por sinal o único do filme original que retornou aqui.  

sábado, 10 de outubro de 2015

Caráter

Caráter (Karakter, Holanda / Bélgica, 1997) – Nota 8
Direção – Mike van Diem
Elenco – Jan Decleir, Fedja van Huet, Betty Schuurman, Tamar van den Dop, Victor Low, Hans Kesting.

Rotterdam, Holanda, década de vinte. O jovem advogado Jacob Willem Katadreuffe (Fedja van Huet) é preso como suspeito da morte de um magistrado linha dura chamado Dreverhaven (Jan Decleir). Interrogado pelo chefe de polícia, o jovem conta sua história de vida desde o nascimento, para que o homem entenda sua ligação com a vítima. Em flashback, o espectador verá passo a passo os acontecimentos até a fatídica noite. 

Esta fascinante história sobre família, egos, frustrações e sentimentos não correspondidos venceu merecidamente o Oscar de Filme Estrangeiro em 1998, derrotando inclusive o brasileiro “O Que É Isso Companheiro?”. 

O longa tem vários pontos de destaque, começando pela ótima reconstituição de época, tanto no figurino, quanto nas casas e nos móveis, tudo realçado pela fotografia escura explorando as ruas estreitas e o tempo nublado da cidade. 

O ótimo roteiro é valorizado pela interpretação do competente elenco. O jovem Fedja van Huet é ambicioso e orgulhoso, porém tenta manter intacto seu caráter nas atitudes. Sua mãe interpretada por Betty Schuurman é um verdadeiro enigma que esconde todo e qualquer sentimento. O magistrado vivido por Jan Decleir é sinistro. Ele utiliza seu poder para despejar devedores de suas casas e cumprir ordens judiciais, sem jamais demonstrar remorso. A única coisa que ele não consegue possuir se torna uma obsessão, despertando seu eterno ódio. 

Como informação, o veterano Jan Decleir é o protagonista de outra ótima co-produção Holanda/Bélgica chamada “O Caso Alzheimer”. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Faults

Faults (Faults, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Riley Stearns
Elenco – Leland Orser, Mary Elizabeth Winstead, Chris Ellis, Beth Grant, Jon Gries, Lance Reddick.

Na primeira sequência, vemos um sujeito (Leland Orser) fazendo uma refeição no restaurante de um decadente hotel e em seguida brigando com o garçom por causa da conta. Logo descobrimos que o homem é o escritor Ansel Roth, especialista em seitas e cultos e que está no local para ministrar uma palestra. 

Após uma péssima palestra, Ansel é procurado por um casal (Chris Ellis e Beth Grant), que deseja contratá-lo para resgatar a filha (Mary Elizabeth Winstead) que se uniu a uma estranha seita denominada “Faults (Culpas)”. 

Precisando de dinheiro para pagar uma dívida, Ansel aceita o trabalho, sequestra a garota e inicia uma sessão de tratamento com duração de cinco dias em um motel, fato que resultará em consequências inesperadas. 

Esta produção independente bancada pela atriz Mary Elizabeth Winstead e dirigida por seu marido Riley Stearns, que estreia no comando de um longa, tem uma interessante premissa, um desenvolvimento estranho e um surpreendente final. 

Os destaques ficam para os protagonistas, com a bela Mary Elizabeth criando uma enigmática jovem que se revela na sequência final e principalmente para a interpretação do eterno coadjuvante Leland Orser. 

Ator coadjuvante em filmes como “Busca Implacável” e “O Colecionador de Ossos”, além participações em diversas séries, Orser tem aqui seu primeiro papel principal interpretando um complexo personagem que desmorona com o desenrolar da trama. 

Para quem gosta de filmes independentes e diferentes, este longa é uma boa opção. 

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Jurassic Park III

Jurassic Park III (Jurassic Park III, EUA, 2001) – Nota 7
Direção – Joe Johnston
Elenco – Sam Neill, William H. Macy, Téa Leoni, Alessandro Nivola, Trevor Morgan, Michael Jeter, John Diehl, Bruce A. Young, Laura Dern, Taylor Nichols, Julio Oscar Mechoso.

Um dos sobreviventes do filme original, o Dr. Alan Grant (Sam Neill) continua sua pesquisa sobre dinossauros e por este motivo é procurado por um casal de milionários (William H. Macy e Téa Leoni) que deseja contratá-lo para uma viagem aérea até a ilha dos dinossauros. 

Grant aceita a proposta, porém ao descerem na ilha, ele descobre que as intenções do casal são bem diferentes de um simples passeio. Para deixar tudo mais perigoso, não demora para os integrantes da expedição perceberem que os dinossauros sofreram modificações genéticas durante o tempo em que ficaram isolados no local. 

Por mais que o filme tenha novamente boas sequências de ação e suspense, além de efeitos especiais de qualidade, seria quase impossível o público aceitar uma terceira parte sem Spielberg na direção. O segundo filme fez sucesso de público, mas não de crítica, o que diminuiu ainda mais as chances de sucesso aqui. 

O diretor Joe Johnston também era um nome ligado a filmes infantis como “Querida, Encolhi as Crianças” e “Jumanji”, o que não ajudou muito em promover um longa repleto de violência. 

Vendo hoje, o filme é interessante e prende a atenção, sendo até mesmo superior a várias obras do gênero lançadas atualmente, porém sofrerá eternamente na comparação com o original.   

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Recursos Humanos

Recursos Humanos (Ressources Humaines, França / Inglaterra, 1999) – Nota 8
Direção – Laurent Cantet
Elenco – Jalil Lespert, Jean Claude Vallod, Chantal Barré, Véronique de Pandelaere, Lucien Longueville, Danielle Mélador.

Para terminar o curso universitário, Franck (Jalil Lespert) volta de Paris para sua cidade natal no interior de França para fazer um estágio na indústria onde seu pai (Jean Claude Vallod) trabalha como operário há mais de trinta anos. 

Bem recebido pelo executivo responsável pela indústria (Lucien Longueville), a princípio Franck demonstra motivação ao conhecer o funcionamento da fábrica e a abertura dada pelo sujeito para que ele apresente ideias. 

Os problemas começam quando Franck é jogado no meio de uma negociação entre empresa e sindicalistas sobre a diminuição do tempo de trabalho. Não demora para ele bater de frente com a hipocrisia das atitudes dos executivos, o descontentamento dos operários e a ação de uma sindicalista radical (Danielle Mélador), tudo isto influenciando ainda seu relacionamento com antigos amigos e com a própria família. 

O diretor Laurent Cantet expôs os problemas do sistema educacional francês no ótimo “Entre os Muros da Escola” de 2008, porém nove anos antes ele já havia desnudado as relações trabalhistas entre patrões, sindicatos e empregados de modo brilhante neste longa. 

Cantet se aproveitou da discussão real sobre a diminuição de quarenta para trinta e cinco e horas de trabalho semanais na França para escrever este roteiro colocando como protagonista um jovem extremamente inteligente, porém um pouco ingênuo e totalmente inexperiente. 

O roteiro toca ainda na rivalidade entre os jovens que vivem no interior e os que moram em cidades grandes, as diferenças de pensamento entre os próprios operários e até no conflito de gerações representado pela crise que se instala entre Franck e seu pai. 

O filme foca também na questão da mudança de atitudes das novas gerações em relação ao trabalho. Até meados dos anos noventa, as empresas e os empregados pregavam a estabilidade. Hoje a mudança de empregos é algo comum, sendo quase impossível alguém se manter trinta anos na mesma empresa. 

Apesar de ter sido produzido há dezesseis anos, o filme continua extremamente atual.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Busca Alucinante

Busca Alucinante (Pawn Shop Chronicles, EUA, 2013) – Nota 6
Direção – Wayne Kramer
Elenco – Paul Walker, Matt Dillon, Brendan Fraser, Kevin Rankin, Vincent D’Onofrio, Norman Reedus, Chi McBride, Elijah Wood, DJ Qualls, Pell James, Lukas Haas, Sam Hennings, Ashlee Simpson, Michael Cudlitz, Thomas Jane.

Uma loja de penhores em uma pequena cidade do oeste americano é o ponto de intersecção entre três histórias de humor negro. 

Na primeira história, dois viciados (Paul Walker e Kevin Rankin) planejam roubar um laboratório de metanfetamina. 

A segunda trama tem como protagonista um sujeito em lua de mel (Matt Dillon), que descobre uma pista sobre o paradeiro da antiga esposa que desapareceu e acaba abandonando a noiva atual com a esperança de reencontrar o amor da juventude. 

Na história final, um péssimo imitador de Elvis (Brendan Fraser) causa uma confusão em duas barbearias na cidade antes de tocar em uma feira local, além de ser assediado por um estranho religioso (Sam Hennings). 

Entre os episódios, o dono da loja de penhores (Vincent D’Onofrio) e um desocupado (Chi McBride) jogam conversa fora. 

A premissa de contar pequenas histórias que se cruzam em torno da loja de penhores é interessante, o problema está no nível de qualidade que vai decaindo conforme o filme avança. 

A primeira história é a melhor. Apresenta um humor ácido, com personagens engraçados e um ótimo diálogo sobre a estupidez da teoria da supremacia branca. 

A segunda trama tem um bom ritmo na busca do personagem de Matt Dillon, mas exagera na sequência em que ele descobre o que aconteceu com a esposa. 

A história final faz o filme descer a ladeira. A trama é tão ridícula quanto a interpretação de Brendan Fraser. 

O diretor Wayne Kramer já mostrou ter talento para escrever boas histórias e criatividade nos enquadramentos no surpreendente “No Rastro da Bala”, que tinha Paul Walker como protagonista, porém aqui a diferença de qualidade entre as tramas atrapalha demais o resultado. 

Como curiosidade, tentem descobrir qual o papel de Norman Reedus (o Daryl de “The Walking Dead”), que não mostra o rosto durante o filme. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Poder Além da Vida & Energia Pura


O diretor Victor Salva tem como trabalho mais conhecido o terror "Olhos Famintos", que fez razoável sucesso, inclusive resultando em uma sequência. A carreira de Salva começou com outro filme de terror B chamado "Palhaço Assassino", produzido em 1989 por Roman Coppola (filho de Francis Ford Coppola), que tinha no elenco um ainda desconhecido Sam Rockwell. 

Mais do que o filme, o que chamou a atenção foi a acusação de abuso sexual de um adolescente que participou do filme e que levou o diretor para a cadeia por um ano. Após cumprir a pena, de forma surpreendente Salva conseguiu uma nova chance no cinema e comandou o curioso suspense "Maus Companheiros" que tinha os canastrões Lance Henriksen e Eric Roberts como protagonistas. O filme reabriu de vez as portas do cinema para o diretor.

Nesta postagem comentou dois trabalhos posteriores do diretor, que tem como pontos em comum as histórias sobre superação com toques de fantasia.

Poder Além da Vida (Peaceful Warrior, Alemanha / EUA, 2006) – Nota 5,5
Direção – Victor Salva
Elenco – Scott Mechlowicz, Nick Nolte, Amy Smart, Tim Dekay, Ashton Holmes, Paul Wesley.

Dan Millman (Scott Mechlowicz) é um ginasta da equipe da universidade de Berkeley que treina duro sonhando com a medalha de ouro olímpica. Além das dificuldades do treinamento e da competição com outros ginastas da equipe, com quem tem uma relação complicada, Dan não consegue dormir direito e sofre com pesadelos. Numa certa noite, ele vai até uma simples loja de conveniência em um posto de gasolina e fica surpreendido com uma atitude do velho atendente que gosta de filosofar, a quem ele passa a chamar ironicamente de Socrates (Nick Nolte). A curiosidade com as palavras do sujeito faz Dan voltar várias noites ao local, criando uma estranha relação que influenciará fortemente em suas decisões de vida. 

Baseado em um livro escrito pelo verdadeiro Dan Millman, este longa é enganador como um livro de autoajuda. A história se diz inspirada em fatos reais, porém claramente utiliza detalhes da vida do escritor para criar uma fábula repleta de frases de efeito e filosofia barata saídas da boca de um personagem inusitado, o veterano interpretado por Nick Nolte. 

A enganação que cito é o sentimento que os livros de autoajuda tentam criar nas pessoas que precisam de uma palavra amiga ou de um conselho e que acabam acreditando ter descoberto a melhor forma de viver por causa de algumas frases genéricas. O filme é a mesma coisa, deixa a impressão de ser bom, mas é totalmente genérico, utilizando este tipo de frase, criando alguns momentos de crise e outros de superação e brincando com o inexplicável, porém de uma forma mais falsa do que uma nota de três reais.  

Energia Pura (Powder, EUA, 1995) – Nota 7
Direção – Victor Salva
Elenco – Mary Steenburgen, Sean Patrick Flanery, Lance Henriksen, Jeff Goldblum, Brandon Smith, Ray Wise.

Numa fazenda na área rural de uma cidade do oeste americano, o xerife Barnum (Lance Henrkisen) encontra o velho proprietário morto e surpreendentemente um jovem (Sean Patrick Flanery) morando no porão da casa. O jovem chamado Jeremy é neto do falecido, que morou por toda vida escondido em seu quarto e em contato com o mundo apenas através dos livros. 

Jeremy é albino, não tem pelos no corpo e foi abandonado pelo pai após nascer por causa da morte da mãe durante o parto. Levado para um orfanato aos cuidados da assistente social Jessie (Mary Steenburgen), a princípio Jeremy sofre preconceito dos outros garotos por causa de sua aparência, porém um estranho dom que envolve eletricidade chama a atenção de um professor (Jeff Goldblum). 

O sensível roteiro escrito pelo próprio diretor Victor Salva mistura drama com pitadas de ficção para contar uma história sobre preconceito. O medo em relação ao diferente é o ponto principal da trama. Os destaques do elenco ficam para Sean Patrick Flanery como o estranho protagonista e para a sempre competente Mary Steenburgen novamente interpretando uma personagem sensível.   

domingo, 4 de outubro de 2015

Missão Impossível: Protocolo Fantasma

Missão Impossível: Protocolo Fantasma (Mission: Impossible – Ghost Protocol, EUA / Emirados Árabes Unidos / República Tcheca, 2011) – Nota 7,5
Direção – Brad Bird
Elenco – Tom Cruise, Paula Patton, Simon Pegg, Jeremy Renner, Michael Nyqvist, Vladimir Mashkov, Samuli Edelman, Ivan Shvedoff, Anil Kapoor, Léa Seydoux, Josh Holloway, Tom Wilkinson, Ving Rhames, Michelle Monaghan.

Utilizando uma identidade falsa e cumprindo pena em uma prisão russa, o agente Ethan Hunt (Tom Cruise) inicia seu plano de fuga com auxílio do hacker Benji (Simon Pegg) e da agente Jane (Paula Patton). 

Após a sensacional fuga, os agentes recebem a missão de roubar documentos secretos sobre o programa nuclear russo que estão guardados dentro do Kremlin, porém são surpreendidos por um terrorista conhecido como Cobalto. 

Como consequência da ação, Hunt e sua equipe são abandonados pelo governo, tendo de agir sozinhos para encontrar o terrorista e também a assassina Sabine Moreau (Léa Seydoux), que está com os códigos para lançamento de misseis nucleares. 

A interessante trama que lembra os filmes de James Bond, tem uma narrativa ágil e as cenas de ação competentes que mantém o nível da série elevado, além do carisma de Tom Cruise no papel principal. 

Algumas sequências de ação são exageradas, principalmente a escalada do arranha-céu em Dubai, mas isso não chega incomodar. A trama passa por Moscou, Dubai e Bombaim, terminando com uma surpresa na sequência em Seattle. 

Vale destacar ainda a boa estreia de Brad Bird na direção de um longa com personagens de carne e aço. Ele que havia dirigido algumas animações de sucesso como “Os Incríveis” e “Ratatouille”. 

É um divertido filme de ação indicado aos fãs do gênero.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O Mundo Perdido - Jurassic Park

O Mundo Perdido: Jurassic Park (The Lost Word: Jurassic Park, EUA, 1997) – Nota 7,5
Direção - Steven Spielberg
Elenco - Jeff Goldblum, Julianne Moore, Vince Vaughn, Pete Postlethwaite, Arliss Howard, Richard Schiff, Vanessa Lee Chester, Peter Stormare, Richard Attenborough, Ariana Richards, Joseph Mazello, Thomas Rosales, Camilla Belle.

Quatro anos após os acontecimentos do primeiro filme, a empresa do milionário John Hammond (Richard Attenborough) está nas mãos de seu ganancioso sobrinho Peter Ludlow (Arliss Howard). Quando Ludlow descobre que alguns dinossauros da experiência do tio ainda vivem em outra ilha, local onde foram mantidos antes de serem enviados ao fracassado zoológico, ele decide liderar uma expedição para capturar os animais e trazê-los para o continente com o objetivo de lucrar. 

Preocupado com a atitude do sobrinho, Hammond também envia uma expedição liderada pela paleontóloga Sarah Harding (Julianne Moore), que leva um fotógrafo do Greenpace (Vince Vaughn) e um auxiliar (Richard Schiff). O último integrante é o Dr. Ian Malcolm (Jeff Goldblum), sobrevivente do filme anterior, que a princípio se nega a integrar a expedição, mas acaba aceitando quando descobre que sua namorada Sarah já foi para o local. 

A duas expedições com objetivos distintos se cruzam na ilha e logo os integrantes percebem que não será fácil saírem vivos dali. 

O estrondoso sucesso do original fez com que o público e o próprio Spielberg pressionasse o escritor Michael Crichton para escrever uma sequência. Seria muito difícil realizar um filme tão bom quanto o original e realmente esta continuação se mostra inferior, mesmo tendo ótimas sequências de ação e efeitos especiais fantásticos. 

O filme perde pontos no roteiro, que lembra um pouco a história clássica de King Kong e cria uma disputa em mocinhos e vilões em meio aos dinossauros, que no primeiro filme eram os grandes astros. 

É divertido, ágil e prende atenção, porém sofre pela comparação com o sensacional original. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Como Era Verde o Meu Vale

Como Era Verde o Meu Vale (How Green Was My Valley, EUA, 1941) – Nota 8,5
Direção – John Ford
Elenco – Roddy McDowall, Walter Pidgeon, Maureen O’Hara, Anna Lee, Donald Crisp, Sara Algood, Barry Fitzgerald.

No início do século passado, em uma vila de mineradores no País de Gales, a família Morgan tenta sobreviver enfrentando as dificuldades do dia a dia. O patriarca Mr. Morgan (Donald Crisp) trabalha com seus cinco filhos na mina da região, sendo explorados pelo dono do local que paga o menor salário possível, além dos perigos que encaram diariamente dentro dos túneis. 

A história da família é narrada pelo filho caçula Huw (Roddy McDowall ainda criança), anos depois dos acontecimentos mostrados aqui, quando ele está pronto para ir embora da vila. 

Além de contar de uma forma extremamente sensível a triste história desta família comum, o roteiro também toca em pontos importantes como o amor proibido entre o pastor vivido por Walter Pidgeon e a jovem interpretada pela belíssima Maureen O’Hara, o fundamentalismo religioso, a divisão entre ricos e pobres e até mesmo o socialismo na questão da greve dos mineradores. 

Todos estes detalhes são muito bem orquestrados pelo mestre John Ford, que era filho de irlandeses e que mesmo sendo lembrado pelos westerns, deixou também ótimos dramas como este longa e “As Vinhas da Ira”. 

O grande destaque do elenco é o então garoto Roddy McDowall, ele mesmo, o Cornelius do clássico “O Planeta dos Macacos” e o medroso caçador de vampiros Peter Vincent de “A Hora do Espanto” original. A ingenuidade do personagem e a espontaneidade da interpretação são comoventes.

É um belíssimo drama sobre a saga de uma família.