segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A Estrada 47 & For All - O Trampolim da Vitória


A Estrada 47 (Estrada 47, Portugal / Itália / Brasil, 2013) – Nota 6,5
Direção – Vicente Ferraz
Elenco – Daniel de Oliveira, Francisco Gaspar, Júlio Andrade, Thogun, Ivo Canelas, Sergio Rubini, Richard Sammel, Milhem Cortaz.

No final de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, um pelotão de soldados brasileiros está no meio do combate em uma montanha em Monte Castelo na Itália, quando o avanço do inimigo resulta em um ataque de pânico coletivo. Dois soldados morrem, alguns voltam para o posto de comando, enquanto quatro outros fogem montanha abaixo. Após se acalmarem, o tenente Penha (Júlio Andrade), o sargento Laurindo (Thogun) e os soldados Guima (Daniel de Oliveira) e Piauí (Francisco Gaspar) precisam decidir qual caminho tomar. Voltar para a base correndo o perigo de serem acusados de covardia ou seguir em frente e tentar desarmar as minas na Estrada 47 para liberar o caminho para as tropas americanas. Quando entram em cena um desertor italiano (Sergio Rubini) e um oficial alemão (Richard Sammel), o grupo resolve enfrentar o desafio e encontrar a estrada. 

Esta co-produção recheada de atores brasileiros tem como ponto principal a impecável parte técnica, aproveitando dos cenários gelados de uma montanha coberta de neve na Itália. Por mais que a premissa também seja original, acredito que seja a primeira vez que uma produção enfoque a luta dos soldados brasileiros durante a Segunda Guerra, com exceção de alguns documentários, o longa deixa a desejar na lentidão da narrativa e na total falta de emoção. A única cena de ação é um rápido tiroteio contra soldados nazistas. Até mesmo na sequência do desarmamento das minas falta emoção. 

O elenco dá conta do recado, com destaque para Francisco Gaspar como Piauí, o soldado nordestino mal tratado pelo tenente, que cria um laço de amizade com o nazista vivido por Richard Sammel, vilão da série “The Strain”. O personagem assustado de Daniel de Oliveira, que também narra a história, é outro ponto forte do filme. 

A tentativa é válida, a base da história é comum aos filmes de Segunda Guerra, mas infelizmente faltou um diretor com maior afinidade para cenas de ação e agilidade na narrativa.

For All – O Trampolim da Vitória (For All, Brasil, 1997) – Nota 6
Direção – Luiz Carlos Lacerda & Buza Ferraz
Elenco – José Wilker, Betty Faria, Paulo Gorgulho, Caio Junqueira, Erik Svane, Alexandre Lippiani, Luiz Carlos Tourinho, Flávia Bonato, Daniela Gracindo, Edson Celulari, Claudio Mamberti, Buza Ferraz.

Pela sua posição estratégica, a cidade de Natal no Rio Grande do Norte foi escolhida para receber a maior base militar americana na América Latina durante a Segunda Guerra Mundial. Consta que mais de quinze mil soldados passaram pela base, causando curiosidade na população e influenciando os costumes da região. Esta história foi contada nesta comédia leve sobre as relações que foram criadas em brasileiros e americanos. 

São vários personagens que se cruzam em pequenas histórias, tendo como a mais importante a do casal interpretado por José Wilker e Betty Faria. Vale destacar ainda o engraçado Luiz Carlos Tourinho e o canastrão Edson Celulari como um agente nazista. 

Como curiosidade, o “For All” do título se refere as festas que ocorriam entre americanos e brasileiros. Como os segundos não sabiam falar inglês, traduziram o nome das festas para Forró, que de festa se transformou no conhecido gênero musical nordestino. 

Está longe de ser um grande filme, tendo alguns momentos divertidos e outros exagerados, mas é superior em comparação com as comédias atuais. 

O filme foi o grande vencedor do Festival de Gramado em 1997.  

domingo, 30 de agosto de 2015

2012

2012 (2012, EUA, 2009) – Nota 6
Direção – Roland Emmerich
Elenco – John Cusack, Chiwetel Ejiofor, Amanda Peet, Thandie Newton, Oliver Platt, Tom McCarthy, Woody Harrelson, Danny Glover, Liam James, Morgan Lily, Zlatko Buric, Beatrice Rosen, Johann Urb.

O alemão Roland Emmerich já demonstrou ter talento para o gênero ação realizando bons filmes como “Stargate”, “Soldado Universal” e o pouco conhecido “Estação 44 – O Refúgio dos Exterminadores”. Até mesmo “Independence Day” eu considero um filme legal, que fez grande sucesso de bilheteira e ao mesmo tempo foi detonado pelos críticos. O problema é que este sucesso subiu à cabeça do diretor, que achou por bem destruir o mundo nas telas mais algumas vezes, repetindo a fórmula no razoável “Godzilla”, no fraco “O Dia Depois do Amanhã” e neste exagerado “2012”. 

Aqui, Emmerich utiliza como premissa a lenda dos Maias sobre o fim do mundo em 2012, resultando num filme histérico, absurdo e extremamente acelerado, mas que pelo menos prende atenção do espectador que não se importar com o roteiro ruim, as interpretações fracas e todo tipo de clichê possível. 

A trama foca no escritor Jackson Curtis (John Cusack), que após o encontro com um maluco adepto de conspirações (Woody Harrelson, o melhor personagem do filme), descobre que a Terra está prestes a entrar em colapso e que o governo teria construído naves para salvar uma ínfima parte da população. Grande parte da trama segue a correria de Jackson, sua ex-esposa (Amanda Peet), o marido atual dela (Tom McCarthy) e o casal de filhos tentando chegar as naves citadas. 

A segunda narrativa acompanha o geólogo Adrian Helmsley (Chiwetel Ejiofor), o primeiro cientista a ser alertado sobre o problema na crosta terrestre por um outro geólogo indiano. Helmsley se torna conselheiro do Presidente (Danny Glover) e de um assessor arrogante (Oliver Platt). 

É um filme para ser assistido sem ser preocupar com análises ou furos no roteiro, o que vale é tentar se divertir em meio à correria desenfreada e as cenas de ação grandiosas. 

sábado, 29 de agosto de 2015

Mesmo Se Nada Der Certo

Mesmo Se Nada Der Certo (Begin Again, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – John Carney
Elenco – Mark Ruffalo, Keira Knightley, Catherine Keener, James Corden, Hailee Steinfeld, Yasiin Bey “Mos Def”, Adam Levine.

Em Nova York, Dan (Mark Ruffalo) é um produtor musical que passa por uma grande crise pessoal e profissional. Separado da esposa (Catherine Keener) e sem descobrir um novo artista há muito tempo, Dan está entregue à bebida e prestes a perder o emprego. 

A inglesa Gretta (Keira Knightley) deseja voltar para seu país após uma grande desilusão. Em um pequeno bar, um amigo de Gretta, o cantor de rua Steve (James Corden), praticamente obriga a amiga a cantar. Ignorada pelas pessoas do local, Gretta se surpreende ao ser procurada por Dan, que se diz encantando com sua música e que deseja contratá-la. O inusitado encontro se mostrará um divisor de águas na vida dos dois personagens. 

Este simpático longa foca em dois temas principais: mas relações amorosas, familiares e profissionais e nas mudanças do mercado da música atual. A dupla principal precisa enfrentar uma crise pessoal, ao mesmo tempo em que não abre mão de seus princípios, mesmo que isso dificulte a carreira musical que almejam. 

O bom roteiro tem os pés no chão em relação as conturbadas relações pessoais, sem apelar para os clichês comuns ao gênero. 

É interessante também a forma como o roteiro mostra que nos nos dias atuais existem outros caminhos além das gravadoras para quem deseja divulgar suas músicas, inclusive pintando estas empresas como exploradoras. 

Tudo isto é valorizado pela química entre Mark Ruffalo e Keira Knightley. O talentoso ator junto com o charme e beleza de Keira Knigthley se mostram perfeitos para os papéis. É difícil para algum homem resistir ao sorriso de menina da bela atriz inglesa. 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Satanás

Satanás (Satanas, Colômbia / México, 2007) – Nota 7,5
Direção – Andrés Baiz
Elenco – Damian Alcazar, Marcela Mar, Blas Jaramillo, Marcela Valencia, Andrés Parra, Diego Vazquez, Isabel Ganoa.

Eliseo (Damian Alcazar) é um ex-soldado que serviu nos Estados Unidos e voltou para Colômbia onde trabalha como professor particular de inglês. Sujeito solitário e frustrado, Damian não consegue se relacionar com as pessoas e vive em guerra com a velha mãe que divide com ele um apartamento. 

Paola (Marcela Mar) é uma jovem que trabalha como vendedora informal em um mercado na cidade e que para mudar de vida, aceita ajudar dois vigaristas que a usam para atrair homens com o objetivo de dar o famoso golpe do “Boa Noite Cinderella”. 

Padre Ernesto (Blas Jaramillo) sofre quando uma fiel mata seus próprios filhos para “libertá-los” da pobreza e questiona sua vocação também por sentir-se atraído por uma jovem que trabalha em sua igreja. 

Focando em três personagens complexos, que tentam enfrentar seus próprios demônios, este forte drama colombiano é baseado numa trágica história real. 

Os acontecimentos na vida dos três protagonistas se desenrolam misturando frustrações, preconceito, sexo e violência, inclusive com uma polêmica cena de estupro. 

O filme pode ser considerado uma ótima surpresa que merece ser descoberta.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Velozes & Furiosos 7

Velozes & Furiosos 7 (Furious Seven, EUA / Japão, 2015) – Nota 6
Direção – James Wan
Elenco – Vin Diesel, Paul Walker, Jason Statham, Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, Tyrese Gibson, Chris “Ludacris” Bridges, Dwayne Johnson, Kurt Russell, Lucas Black, Nathalie Emmanuel, Elsa Pataki, Toni Jaa, Djimon Hounsou, Sung Kang, Noel Guglielmi, Ronda Rousey.

Tentando levar uma vida normal, a turma de Dom Toretto (Vin Diesel) e Brian O’Conner (Pau Walker) é obrigada a volta para ativa quanto o mercenário inglês Deckard Shaw (Jason Statham) surge em busca de vingança pela quase morte de seu irmão no filme anterior. 

Transformados em alvos por Deckard, Dom e seus amigos aceitam trabalhar para um figurão que comanda operações secretas do governo americano, sujeito que se autodenomina Sr. Ninguém (Kurt Russell). Dom, Brian e seus amigos seguem o rastro de outro mercenário (Djimon Hounsou), que sequestrou um hacker que desenvolveu um dispositivo capaz de localizar qualquer pessoa no mundo. Localizando o artefato, eles poderão encontrar e matar Deckard. 

Apesar de continuar fazendo sucesso, na minha opinião, a série já esgotou a fórmula e cada vez mais tenta atrair o público com tramas mirabolantes e cenas de ação absurdas. É uma pena, como comentei na postagem do filme anterior, o auge da série foi a ótima parte cinco, que incorporou novos elementos à trama, misturando uma boa história com cenas de ação competentes. 

A partir do filme passado, o exagero se tornou o ponto principal da série, chegando aqui ao cúmulo da horrorosa sequência do carro atravessando dois arranha-céus. 

A morte de Paul Walker seria outro fator para encerrar as coisas por aqui, mas ao que parece um novo episódio já está em pré-produção e com um boato de que Cody Walker, irmão mais novo de Paul Walker, pode fazer o papel que era do irmão falecido.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Projeto Almanaque

Projeto Almanaque (Projetc Almanac, EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Dean Israelite
Elenco – Jonny Weston, Sofia Black D’Elia, Sam Lerner, Allen Evangelista, Virginia Gardner, Amy Landecker.

David Raskin (Jonny Weston) é um especialista em tecnologia que está no último ano de colégio e que recebe a notícia de que foi aceito no famoso Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT. O problema é que ele conseguiu apenas uma bola de cinco mil dólares, sendo necessário mais quarenta mil para pagar o curso. 

Pensando em criar um novo projeto para tentar uma bolsa integral, David decide mexer nas coisas antigas de seu pai, um inventor que faleceu cedo em um acidente de carro. Para sua surpresa, David encontra escondido um projeto de uma máquina para viajar no tempo, além de uma filmadora com as imagens que colocam o David atual em sua própria festa de sete anos de idade. Com ajuda de dois amigos (Sam Lerner e Allen Evangelista) e da irmã (Virginia Gardner), David decide construir a máquina, sem imaginar os efeitos colaterais de viajar no tempo e alterar o passado. 

A trama não apresenta novidades em relação aos filmes de viagens no tempo, todos os clichês surgem. Temos a ânsia por mudar acontecimentos do passado, a ganância em conseguir dinheiro e as consequências alterando o presente, mas isso acaba não atrapalhando. 

O filme compensa a previsibilidade com uma narrativa envolvente, com uma boa química entre os personagens e a escolha de filmar tudo pela câmera utilizada pelos próprios personagens, situação comum em filmes de terror e suspense atuais. 

A primeira parte é a mais interessante ao abordar de forma criativa as tentativas do grupo de jovens em criar a máquina, inclusive com efeitos especiais simples e competentes. A parte final é voltada mais para o clichê de como fazer as coisas voltarem ao normal após o passado ter sido alterado de uma forma drástica. 

O resultado é um divertido passatempo sem compromisso. 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

A Vida em Motéis

A Vida em Motéis (The Motel Life, EUA, 2012) – Nota 6,5
Direção – Alan & Gabriel Polsky
Elenco – Emile Hirsch, Stephen Dorff, Dakota Fanning, Kris Kristofferson, Joshua Leonard, Noah Harpster.

Os irmãos Frank (Emile Hirsch) e Jerry Lee (Stephen Dorff) ficaram órfãos ainda criança e sofreram para se manter juntos, vivendo sempre em quartos de motéis. Quando Jerry Lee se envolve em um acidente de automóvel e decide fugir para não ser preso, a vida dos irmãos fica ainda mais complicada. Em paralelo, Frank sofre por ter abandonado a namorada Annie (Dakota Fanning). 

Esta produção independente tem algumas ideias interessantes, principalmente a de revelar aos poucos a história dos irmãos utilizando pequenos flashbacks. 

Outro ponto interessante é situar a trama em 1990, sendo que o ano jamais é citado, o espectador fica sabendo apenas pela inserção na trama da famosa luta de boxe que marcou a primeira derrota da carreira de Mike Tyson, quando foi nocauteado pelo inexpressivo James “Buster” Douglas. 

Também é uma ótima sacada as animações que surgem na tela para ilustrar as histórias de aventura e sexo que Frank inventa para entreter o irmão e a namorada. 

É basicamente um filme sobre pessoas sofredoras, que tentam seguir em frente, mesmo sendo sempre obrigadas a enfrentar novos problemas.  

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Cazuza - O Tempo Não Para & Garrincha - Estrela Solitária


Cazuza – O Tempo Não Para (Brasil, 2004) – Nota 6
Direção – Sandra Werneck & Walter Carvalho  
Elenco – Daniel de Oliveira, Marieta Severo, Reginaldo Faria, Emílio de Melo, Andréa Beltrão, Cadu Fávero, Débora Falabella, André Gonçalves, Leandra Leal.

A dupla de diretores Sandra Werneck e Walter Carvalho claramente tinha como um dos objetivos fazer um filme sobre a vida do polêmico cantor Cazuza para agradar ao público em geral, amenizando algumas situações e aumentando a intensidade do drama nos momentos finais da vida do personagem. 

O longa é baseado no livro escrito pela mãe de Cazuza (Marieta Severo no filme) e por este motivo sendo a visão de alguém que amava o protagonista, diferente do que seria uma obra escrita por um jornalista independente. 

A história começa quando Cazuza ainda bem jovem participa de uma peça no famoso Circo Voador, passa pela entrada e o sucesso na banda “Barão Vermelho”, até a descoberta da doença e os últimos anos de vida na carreira solo. 

Não sou daqueles que consideram Cazuza um gênio ou algo parecido, respeito sua obra, realmente ele fez músicas interessante, algumas com parceiros, mas o que o transformou em mito foi a coragem de assumir a doença e a homossexualidade numa época em que ainda era muito difícil este tipo de atitude. 

Como citei no início, o filme é apenas correto, com o roteiro seguindo os pontos principais da carreira em paralelo com algumas situações da vida pessoal, em que até mesmo os relacionamentos e os problemas com as drogas são mostrados de forma leve, para não chocar o público comum. 

O grande destaque fica para a caracterização de Daniel de Oliveira, que com perfeição recriou os gestos e os maneirismos do cantor. Se fosse um filme de Hollywood sobre a biografia de algum personagem americano, o ator teria grande chance de ser indicado ao Oscar. 

Garrincha – Estrela Solitária (Brasil, 2003) – Nota 4
Direção – Milton Alencar Jr
Elenco – André Gonçalves, Taís Araújo, Ana Couto, Alexandre Schumacher, Henrique Pires, Tatiana Merino, Marília Pêra, Jece Valadão, Chico Diaz, Romeu Evaristo, Eduardo Silva, Robert Rodrigues.

Nos anos noventa, o jornalista Ruy Castro escreveu a biografia de Mané Garrincha, um dos maiores ícones da história do futebol brasileiro e ao mesmo tempo uma figura controversa. O livro rendeu um processo impetrado pelas filhas e também por uma ex-companheira de Garrincha que rolou durante anos na justiça. Este péssimo filme é baseado no livro citado. 

O equívoco começa com o elenco encabeçado por André Gonçalves e Taís Araújo. A interpretação de André Gonçalves é uma das piores já vistas no cinema brasileiro. Sua composição beira o ridículo nos momentos em que o personagem está bêbado e nas cenas durante o carnaval quando um letárgico Garrincha desfila em uma escola de samba. Taís Araújo também cria uma exagerada Elza Soares, ao estilo das interpretações novelescas. 

O roteiro também é ruim, a maioria das sequências dão ênfase as lendas criadas sobre a vida do jogador, como seu apetite sexual e as frases de efeito inventadas por jornalistas. 

A conturbada vida de Garrincha (alcoolismo, analfabetismo, as amantes, a esposa e as filhas abandonadas) tinha tudo para render um grande filme nas mãos de um diretor competente e um roteiro bem escrito, diferente desta bomba que merece ser esquecida.

domingo, 23 de agosto de 2015

Imperador

Imperador (Emperor, Japão / EUA, 2012) – Nota 6,5
Direção – Peter Webber
Elenco – Matthew Fox, Tommy Lee Jones, Eriko Hatsune, Masayoshi Haneda, Toshiyuki Nishida, Colin Moy.

No final da Segunda Guerra Mundial, em agosto de 1945, após a rendição do Japão, o governo americano envia o General Douglas MacArthur (Tommy Lee Jones) para comandar a reconstrução do país e ao mesmo tempo julgar os japoneses considerados criminosos de guerra. 

Seu braço-direito é o General Bonner Fellers (Matthew Fox), que recebe a missão de investigar o envolvimento do Imperador Japonês na guerra e fazer um relatório considerando se o homem deve ser julgado ou inocentado. 

A investigação de Fellers esbarra nos complicados costumes dos japoneses, que dificilmente são diretos em seus depoimentos e que demonstram atitudes diferentes dos ocidentais em relação a honra e lealdade. Para complicar, Fellers tenta localizar um antigo amor, a japonesa Aya (Eriko Hatsune), com quem ele se relacionou antes da guerra e foi obrigado a deixá-la no Japão com o início do conflito mundial. 

Baseado em um livro que descreve a história real por trás da retomada das relações entre Japão e Estados Unidos, focando nos generais Fellers e MacArthur, este longa se mostra bem produzido, com interpretações competentes, porém com uma narrativa fria que faz com que o espectador pouco se envolva na trama. Basicamente, falta emoção, até mesmo nas cenas em flashback entre Fellers e Aya. 

No final, fica a impressão de que estamos vendo uma aula sobre os bastidores da história e nada mais.

sábado, 22 de agosto de 2015

Bloodline

Bloodline (Bloodline, EUA, 2015)
Criadores - Glenn Kessler, Todd A. Kessler & Daniel Zelman
Elenco - Kyle Chandler, Ben Mendelsohn, Linda Cardellini, Norbert Leo Butz, Sissy Spacek, Sam Shepard, Jacinda Barrett, Jamie McShane, Enrique Murciono, Chloe Sevigny, Glenn Morshower, Katie Finneran.

Em Florida Keys, a família Rayburn é proprietária de uma tradicional pousada à beira a mar. Após décadas vivendo e trabalhando no local, o casal Robert (Sam Shepard) e Sally (Sissy Spacek) será homenageado pela prefeitura.

O casal tem três filhos que vivem próximos. John (Kyle Chandler) é um respeitado policial, casado com Diana (Jacinda Barrett), com quem tem um casal de filhos e que está sempre pronto para resolver os problemas da família. Kevin (Norbert Leo Butz) é o irmão do meio, dono de um pequeno estaleiro e que tem um temperamento forte. Ele é casado com Belle (Katie Finneran). A caçula é a advogada Meg (Linda Cardellini), que trabalha para os pais na pousada e está noiva do policial Marco (Enrique Murciano).

O que seria uma festa para a aparente família feliz, se transforma em preocupação quando o filho mais velho Danny (Ben Mendelsohn) retorna para casa. Considerado a ovelha negra da família e carregando um trauma que envolve os pais e os irmãos, Danny será o gatilho para desenterrar segredos, mentiras e criar um verdadeiro caos na família.

Esta ótima série de dez episódios produzida pelo Netflix surpreende por utilizar um tema batido como o drama familiar e misturar com uma violenta trama policial, resultando numa história de crescente tensão. Os cinco primeiros episódios focam nos conflitos familiares leves, com um narrativa lenta, onde aos poucos vamos conhecendo a fundo os personagens. Nos cinco últimos episódios a tensão aumenta e a violência explode,

Os produtores acertaram ao apresentar pílulas de situações futuras intercaladas com flashbacks, sem exagerar nos detalhes. Por sinal, a narração em off do personagem principal interpretado por Kyle Chandler deixa o espectador curioso até o complexo episódio final.

O ótimo elenco é outro ponto positivo da série. Kyle Chandler (das séries "Early Edition" e "Friday Night Lights") está perfeito como o irmão certinho que esconde seus sentimentos, o desconhecido Norbert Leo Butz acerta ao interpretar o irmão inseguro e de pavio curto, além da sempre ótima Sissy Spacek como a mãe que foge dos conflitos.

O grande destaque fica para o australiano Ben Mendelsohn como o complexo Danny. Como uma carreira quase toda voltada para vilões secundários, o ator tem aqui seu melhor papel. Ele cria um Danny calculista, que planeja cada passo de forma meticulosa, sempre se alimentando da mágoa que carrega da família.

Como opinião pessoal, acredito que a série seria perfeita para uma história fechada, porém os produtores deixaram algumas pontas em aberto para uma segunda temporada. Um destes ganchos eu vejo como um clichê. Fica a dúvida se a série conseguirá manter o ótimo nível.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Parada

Parada (Parada, Sérvia / Eslovênia / Croácia / França / Macedônia / Inglaterra, 2011) – Nota 7
Direção – Srdjan Dragojevic
Elenco – Nikola Kojo, Milos Samolov, Hristina Popovic, Goran Jevtic.

Em Belgrado, capital da Sérvia, Mirko (Goran Jevtic) está tentando organizar uma Parada do Orgulho Gay, porém tem de enfrentar vários obstáculos por causa da cultura machista do país. Ele e seus amigos são atacados durante a coletiva de imprensa, com a promessa de que serão espancados caso o evento realmente aconteça. A última tentativa de um evento assim, ocorreu dez anos antes e terminou em pancadaria. 

Sem apoio da polícia, que não tem interesse em defender as pessoas que irão na Parada, o namorado de Mirko, o gordinho veterinário Radmilo (Milos Samolov), contrata Limun (Nikola Rojo) para fazer a segurança do evento. Limun é um veterano mercenário da Guerra das Balcãs, que hoje tem uma academia de judô. Como está precisando de dinheiro para se casar com a perua Biserka (Hristina Popovic), ele aceita a proposta, mesmo com seus companheiros se negando a trabalhar na Parada. Limun se junta a Radmilo para viajar aos países vizinhos da antiga Iugoslávia e convocar alguns amigos do tempo de guerra para montar uma equipe de segurança. 

Misturando denúncia social, preconceito, violência e toques de comédia, o diretor Srdjan Dragojevic criou uma interessante história sobre amizade e tolerância. O roteiro enfoca também os conflitos ainda abertos entre os povos dos Balcãs, principalmente em relação aos apelidos ofensivos que são utilizados para designar cada uma das etnias, além de mostrar a violência sem sentido dos neonazistas, grupos que ainda são comuns no leste europeu. 

A narrativa é um pouco estranha e algumas sequências de comédia são exageradas, mas isto não tira a força da história.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O Ano Mais Violento

O Ano Mais Violento (A Most Violent Year, EUA / Emirados Árabes Unidos, 2014) – Nota 7
Direção – J. C. Chandor
Elenco – Oscar Isaac, Jessica Chastain, David Oyelowo, Albert Brooks, Alessandro Nivola, Peter Gerety, Glenn Fleshler, Jerry Adler, Elyes Gabel, Catalina Sandino Moreno, Elizabeth Marvel, Robert Clohessy.

Nova York, 1981. Abel Morales (Oscar Isaac) é um imigrante que enriqueceu após se casar com Ana (Jessica Chastain) e comprar a empresa distribuidora de combustível do pai da noiva, que hoje está preso. 

Tentando expandir sua empresa de uma forma honesta, Abel negocia com um judeu ortodoxo (Jerry Adler) a compra de um enorme terreno repleto de tanques de combustível, porém, ao mesmo tempo, precisa lidar com um promotor ambicioso (David Oyelowo), que investiga sua empresa e com os sucessivos roubos de seus caminhões carregados de combustível. 

Em seu terceiro trabalho, o diretor e roteirista J. C. Chandor entrega um filme melhor que o irritante “Até o Fim” e inferior ao marcante “Margin Call”. A premissa do roteiro de Chandor faz um paralelo entre a Nova York do início do anos oitenta, que sofria com altos índices de criminalidade, com os problemas enfrentados pelo empresário vivido por Oscar Isaac, que precisa lutar contra os assaltantes que visam sua empresa, a pressão das autoridades e a “violência psicológica” do mundo dos grandes negócios. Por mais que o personagem principal tente demonstrar integridade, fica quase impossível mantê-la em uma situação tão complicada, principalmente com ele sendo uma pessoa ambiciosa. 

O longa tem um ritmo pausado, característica dos trabalhos de Chandor e boas interpretações do casal principal, mas fica aquém do potencial da premissa. 

No final, a impressão é de que a história rodou, rodou e voltou ao mesmo lugar do início. 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A Farra da Lei Rouanet


Vivemos em um país capitalista, local onde deveria prevalecer a livre iniciativa para todo tipo de projeto que estiver dentro da lei. Como exemplo, se você que está lendo este texto quiser abrir um uma pequena cafeteria na sua rua, terá de investir um bom dinheiro e seguir uma lista enorme de regras para legalização deste comércio. O máximo de "ajuda" que você poderá conseguir será um empréstimo bancário, que para ser aprovado será necessário enfrentar uma burocracia enorme, com pagamento de taxas absurdas e juros extorsivos.

Diferente da quase totalidade da população que sofre quando precisa de dinheiro, a elite da classe artística tem a seu dispor a chamada "Lei Rouanet", que foi criada em 1991 como uma incentivo à cultura e que se transformou numa forma de patrocínio governamental. Resumindo grosseiramente em relação ao cinema, o produtor  apresenta seu projeto para o Ministério da Cultura, que sendo aprovado receberá a autorização para captação de um determinado valor para produzir a obra. O produtor geralmente já tem empresas que serão parceiras, o problema é que o dinheiro utilizado será o do povo, verbas que deveriam ser destinadas a obras e serviços essenciais. A empresa "parceira" não gasta um tostão, o governo libera parte do dinheiro que esta empresa pagou em impostos e o destina para bancar o filme. Um detalhe, a empresa parceira ainda deduz este valor no Imposto de Renda do ano seguinte. Este procedimento banca a  produção de peças de teatro, turnês de bandas, show de cantores e até blogs de artistas.

Não esqueça que grande parte destas produções tem como parceiros empresas estatais como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e a famosa Petrobrás, o que deixa a situação ainda mais absurda. O governo libera a captação e as próprias empresas estatais destinam seus impostos para o projeto. E o cachorro correndo atrás do próprio rabo.

Quem quiser sabre um pouco mais sobre esta lei e os valores destinados para estas "produções culturais" nos últimos anos, visite este link no Canal do Otário,

Toda esta explicação é uma crítica a forma como vejo esta lei. Hoje mesmo li uma notícia em que duas produtoras receberam a aprovação para captação de dez milhões de reais para transformar um livro de Chico Buarque em filme, tendo o filho do cantor, Lula Buarque como diretor. A notícia está neste link .

Não vou sequer entrar no mérito dos grupos que conseguem estas aprovações, geralmente ligados a pessoas influentes, a questão vai mais além. Cinema ou qualquer outro tipo de arte deve ser um projeto privado, produzido com dinheiro de empresas ou pessoas físicas, sejam como doações ou para participação nos lucros da obra, A arte privada jamais pode ser bancada com dinheiro público, mesmo entendendo a importância da cultura. O dinheiro público deve ser utilizado em serviços essenciais, no caso da cultura, o caminho correto seriam nas escolas públicas incentivando os alunos a participarem de projetos.

Finalizando, até que ponto pode ser considerada cultura para o povo as comédias besteirol comuns ao cinema brasileiro, a turnê de uma banda de axé ou de um cantor de funk ou ainda uma peça de teatro que cobra um ingresso de R$ 80,00?

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O Mistério de God's Pocket

O Mistério de God’s Pocket (God’s Pocket, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – John Slattery
Elenco – Philip Seymour Hoffman, Christina Hendricks, Richard Jenkins, John Turturro, Eddie Marsan, Domenick Lombardozzi, Peter Gerety, Joyce Van Patten, Caleb Landry Jones, Molly Price, Lenny Venito, Glenn Fleshler.

No início do filme, o jornalista Richard Shellburn (Richard Jenkins) descreve God’s Pocket como um local onde vivem pessoas desonestas, ignorantes e trabalhadoras. Ao longo de uma hora e meia, o espectador será apresentado a vários personagens que comprovarão a tese do jornalista, inclusive com as próprias atitudes do sujeito. 

A trama gira em torno de Mickey Scarpato (Philip Seymour Hoffman), que é casado com a indiferente Jeanie (Christina Hendricks), mãe maluco chamado Leon (Caleb Landry Jones). Quando Leon arruma uma confusão na empresa onde trabalha e termina sendo assassinado, o fato dá início a uma série de mentiras e conflitos. 

É uma história que mistura drama, melancolia e humor negro, baseada principalmente na falta de caráter dos personagens. O protagonista Mickey e seu amigo Bird (John Turturro) são ladrões e apostadores, temos ainda um agente funerário temperamental (Eddie Marsan), o balconista de bar mal educado (Peter Gerety) e o mafioso violento (Domenick Lombardozzi), sem contar o jornalista beberrão (Richard Jenkins). 

É um filme pequeno, com boas interpretações e uma trama curiosa que ficará marcado por ser um dos últimos trabalhos do grande Philip Seymour Hoffman.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Filmes Policiais Produzidos Para TV - Resenhas Rápidas

The China Lake Murders (The China Lake Murders, EUA, 1990) – Nota 5,5
Direção – Alan Metzger
Elenco – Tom Skerritt, Michael Parks, Nancy Everhard, Bill McKinney.

Nas estradas ao redor da pequena cidade de China Lake, um policial em uma moto (Michael Parks) aborda viajantes solitários para matá-los. O psicopata, que é policial em uma cidade grande, deixa as vítimas mortas dentro do porta-malas e ainda se aproxima e faz amizade com o xerife Sam Brody (Tom Skerritt), que não imagina que o sujeito é um serial killer. A premissa é interessante, mas infelizmente o desenrolar da trama é irregular, com vários tempos mortos. Não existe uma investigação ou suspense, tudo é praticamente jogado na tela, até o previsível final.

O Assassinato de Randy Webster (The Killing of Randy Webster, EUA, 1981) – Nota 6,5
Direção – Sam Wanamaker
Elenco – Hal Holbrook, Dixie Carter, James Whitmore Jr, Jennifer Jason Leigh, Nancy Malone, Gary McCleery, Sean Penn, Anthony Edwards, Chris Mulkey, Barry Corbin, Anne Ramsey.

Baseado em uma história real, este longa mostra a luta de um casal (Hal Holbrook e Dixie Carter) em busca da verdade sobre a morte do filho adolescente Randy (Gary McCleery). O garoto rebelde saiu de casa e foi para Houston, onde roubou uma van e terminou morto em um aparente confronto com policiais. Os pais não acreditam na versão oficial da polícia e iniciam uma investigação que esbarra na falta de vontade das autoridades e nas falhas do sistema de justiça americano. É um interessante drama sobre o lado obscuro da polícia e da justiça.

Tiras ou Ladrões (Cops and Robbers ou Good Cops, Bad Cops, EUA, 1990) – Nota 6,5
Direção – Paul Wendkos
Elenco – Ray Sharkey, Steve Railsback, James Keach, Edward Asner, George Kennedy.

O policial Gerry Clemente (Ray Sharkey) planeja com dois colegas de trabalho (Steve Railsback e James Keach) um assalto a banco, acreditando que jamais seriam suspeitos por serem policiais. Após o assalto, um veterano detetive (Edward Asner), começa a desconfiar que o crime pode ser ter sido feito por policiais. Este interessante longa é baseado em uma história real e tem um bom ritmo, além de uma trama que prende a atenção, alternando investigação e suspense. O elenco recheado de canastrões conhecidos dá conta do recado. Como informação, Ray Sharkey teve alguns bons papéis nos anos oitenta, inclusive na série “O Homem da Máfia”, mas faleceu cedo em 1993.

Armas da Violência (The Right of the People, EUA, 1986) – Nota 6,5
Direção – Jeffrey Bloom
Elenco – Michael Ontkean, Jane Kaczmarek, Billy Dee Williams, John Randolph, M. Emmet Walsh.

Após a filha ser assassinada durante um assalto a uma lanchonete em uma pequena cidade, o pai (Michael Ontkean), inicia uma cruzada para aprovar um lei autorizando que todos os cidadãos possam portar uma arma. O tema sobre a direito da população portar armas é extremamente atual em nosso país e há trinta anos foi o foco principal deste longa que discutia os vários pontos de vista sobre o assunto. É um interessante drama que aborda também o sofrimento daqueles que perdem um ente querido de forma violenta.

Terra Sem Lei (Marshall Law, EUA, 1996) – Nota 4
Direção – Stephen Cornwell
Elenco – Jimmy Smits, James LeGros, Kristy Swanson, Vonte Sweet, Scott Plank.

O ex-policial Jack Coleman (Jimmy Smits) vive nas colinas próximas a Los Angeles ao lado da esposa Lilly (Kristy Swanson). Quando um terremoto atinge a cidade, muitas pessoas fogem para as colinas, entre elas o psicopata Cougar (James LeGros) e seus capangas, que ao encontrar a propriedade de Jack, decidem se esconder no local. O ex-policial é obrigado a enfrentar os bandidos para salvar sua vida e da esposa, mesmo tendo o auxílio apenas de um entregador de pizza (Vonte Sweet). A premissa maluca já revela que o espectador não precisa de mais informações para passar longe desta bomba. Por causa destas escolhas ruins, a carreira de Jimmy Smits jamais decolou após abandonar a série “Nova York Contra o Crime - N.Y.P.D Blue”.

domingo, 16 de agosto de 2015

O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus

O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus (The Imaginarium of Doctor Parnassus, Inglaterra / Canadá / França. 2009) – Nota 7
Direção – Terry Gilliam
Elenco – Christopher Plummer, Heath Ledger, Andrew Garfield, Lily Cole, Verne Troyer, Tom Waits, Johnny Depp, Jude Law, Colin Farrell, Peter Stormare.

Uma trupe mambembe liderada pelo Dr. Parnassus (Christopher Plummer) faz shows pelas ruas de Londres. Parnassus é um monge de mil anos, que tem como companheiros a filha Valentina (Lily Cole), o jovem Anton (Andrew Garfield) e o anão Percy (Verne Troyer). 

O velho monge tem o poder de “abrir a mente” através de uma passagem em um espelho que leva as pessoas ao seu mundo dos sonhos, porém ele mesmo vive angustiado, descontando a tristeza na bebida, por ter uma dívida com o diabo (um impagável Tom Waits), que está prestes a cobrá-la. 

Em meio a tudo isso, a trupe de Parnassus salva um homem (Heath Ledger) que foi enforcado, mas ainda estava pendurado vivo. Parnassus acredita que a presença do enforcado seja um aviso que irá ajudá-lo a vencer o diabo. 

Criativo, maluco e azarado são os adjetivos perfeitos para definir o diretor Terry Gilliam. Autor de grandes filmes como “Os Doze Macacos” e “As Aventuras do Barão Munchausen”, além dos trabalhos com o grupo Monty Python, Gilliam várias vezes teve problemas com produtores por causa do seu estilo. 

Além disso, Gilliam tem no currículo uma das filmagens mais azaradas de todos os tempos, o inacabado filme sobre Dom Quixote. No final dos anos noventa, a produção foi cancelada após o set de filmagem ter sido destruído por uma tempestade e o protagonista Jean Rochefort ser obrigado a fazer uma cirurgia que o impossibilitaria de voltar andar a cavalo. Todos estes eventos estão retratados no documentário “Perdido em La Mancha”, que a princípio seria o making off do filme que jamais foi concluído. 

Este “O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus” entra para a lista dos filmes azarados por causa da morte de Heath Ledger, que havia filmado apenas as cenas no mundo real. A criatividade de Gilliam no roteiro, fez com que o ator fosse substituído por três (Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell) nas sequências que se passam na imaginação do Dr. Parnassus. A decisão de Gilliam salvou o filme de um desastre, mesmo que o resultado seja apenas interessante. 

Como em todos os seus trabalhos, a parte técnica é sensacional, mas em contrapartida, apesar da trama ser original e ter um bom ritmo, o desenvolvimento tem falhas. 

É um filme indicado para o espectador que gosta de experiências diferentes e principalmente para os que curtem os trabalhos de Gilliam.

sábado, 15 de agosto de 2015

Aconteceu Perto da Sua Casa

Aconteceu Perto da Sua Casa (C'est Arrivé Près de Chez Vous, Bélgica, 1992) – Nota 7,5
Direção – Rémy Belvaux, André Bonzel & Benoit Poelvoorde
Elenco – Benoit Poelvoorde, Rémy Belvaux.

Antes dos falsos documentários se tornarem moda, esta produção belga filmada em preto e branco investiu no gênero de forma chocante. 

O protagonista é o assassino, psicopata e ladrão Benoit (Benoit Poelvoorde), que está tendo sua vida e seu “trabalho” acompanhado por uma equipe de filmagem. 

O modus operandi do sujeito é roubar e assassinar pessoas que não podem se defender e como ele mesmo cita, são pessoas consideradas descartáveis pela sociedade. Seus alvos são idosos e pessoas comuns, pois ele acredita que roubar os ricos chamaria a atenção. 

O assassino é um sujeito egocêntrico que fala sobre artes, corrupção, pessoas e até demonstra carinho com sua mãe e os avós, em contraste com outros momentos em que a frieza e sadismo vem à tona.

É um filme cru, recheado de humor negro e que incômoda pela violência. 

Vale destacar a ótima e assustadora interpretação de Benoit Poelvoorde.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Operação Kickbox & O Rei dos Kickboxers


Operação Kickbox (Best of Best, EUA, 1989) – Nota 6,5
Direção – Robert Radler
Elenco – Eric Roberts, James Earl Jones, Sally Kirkland, Phillipe Rhee, Chris Penn, John P. Ryan, John Dye, Simon Rhee, Louise Fletcher.

A equipe americana de Tae Kwon Do se prepara para o mundial a ser disputado em Las Vegas. Liderados pelo treinador Couzo (James Earl Jones), o grupo de atletas precisa superar seus dramas pessoais para enfrentar o maior rival, a equipe coreana. Os dois principais lutadores são o veterano Alex Grady (Eric Roberts), que tenta se recuperar de uma contusão e o jovem oriental Tommy Lee (Phillippe Rhee), que lutará sob a pressão da lembrança da morte do irmão em um campeonato anterior durante um combate com um lutador coreano. 

Esqueça as interpretações, a proposta aqui é a ação. O espectador é jogado em meio a um violento torneio, onde o físico e o psicológico dos personagens são postos à prova a cada combate. Não se pode levar a sério ao ver James Earl Jones como treinador de luta marcial e atores como Eric Roberts e Chris Penn como lutadores, mas isso pouco importa perante os violentos e emocionantes combates. 

O filme fez sucesso no mercado de vídeo e teve três continuações, todas protagonizadas por Phillipe Rhee, este sim um especialista em artes marciais. Como curiosidade, Phillippe Rhee e seu irmão na vida real Simon Rhee, são oponentes em uma das lutas deste filme.   

O Rei dos Kickboxers (The King of the Kickboxers, Hong Kong / EUA, 1990) – Nota 6
Direção – Lucas Lowe
Elenco – Loren Avedon, Billy Blanks, Richard Jaeckel, Don Stroud, Sherrie Rosie, Keith Cooke.

O policial Jake Donahue (Loren Avedon) jura vingança ao descobrir que seu irmão foi assassinado durante uma filmagem clandestina em Hong Kong. O assassino é o lutador Khan (Billy Blanks), famoso por vender seus filmes no mercado negro, geralmente mostrando algum outro lutador sendo morto durante um combate. Para enfrentar Khan, Jake segue para Hong Kong e pede ajuda a outro lutador, Prang (Keith Cooke), que já enfrentou Khan e sobreviveu. 

Quando “O Grande Dragão Branco” se tornou um surpreendente sucesso e lançou o nome de Jean Claude Van Damme ao estrelado, vários outros atores/lutadores tentaram a mesma sorte no cinema. 

O californiano Loren Avedon foi um destes. Primeiro protagonizando os péssimos “Retroceder Nunca, Render-se Jamais II e III” e depois este curioso “O Rei dos Kickboxers”, que não fez sucesso nos cinemas, mas foi um dos filmes mais alugados no início dos anos noventa. 

Não foi o suficiente para Avedon se tornar astro, mas pelo menos seu nome ficou marcado no gênero. 

O filme é apenas razoável, as interpretações são ruins e as cenas de ação em Hong Kong competentes, como o esperado combate final entre Avedon e Billy Blanks. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

True Detective - 2º Temporada


True Detective (True Detective, EUA, 2014/2015)
Criador - Nic Pizzolato
Elenco - Colin Farrell, Rachel McAdams, Vince Vaughn, Taylor Kitsch, Kelly Reilly, David Morse, Ritchie Coster, W. Earl Brown, Christopher James Baker, Abigail Spencer, Lolita Davidovich.

A nova moda de produzir seriados com temporadas que apresentam histórias fechadas e elencos diferentes é uma interessante opção para sair da mesmice. Muitas vezes, um seriado tem uma ótima primeira temporada, praticamente obrigando os produtores a bancarem uma sequência que nem sempre mantém a qualidade. Um destes exemplos é "Heroes", que teve uma belíssima primeira temporada com um trama que parecia ser fechada, mas que com o sucesso resultou em outras duas temporadas terríveis.

A primeira temporada de "True Detective" foi sensacional. Com uma ótima trama de investigação e personagens marcantes interpretados por Matthew McConaughey e Woody Harrelson, a série pode ser considerada uma das melhores de todos os tempos.

Nesta segunda temporada, a trama é ainda mais complexa e a qualidade inferior, mesmo passando longe de ser ruim. O trama tem como premissa a morte do tesoureiro de uma pequena cidade próxima a Los Angeles chamada Vinci. O corpo do sujeito é encontrado pelo policial rodoviário Paul Woodrugh (Taylor Kitsch) na beira de uma estrada com marcas de tortura. 

O sujeito estava sendo procurado por Frank Semyon (Vince Vaughn), um criminoso que tenta legalizar seus negócios através de um grande investimento em uma obra pública. O dinheiro de Frank estava com o homem e desapareceu após seu assassinato.

O crime coloca três órgãos diferentes do governo em conflito por causa da investigação, obrigando três policiais a trabalharem juntos e agirem de acordo com os interesses de seus superiores. O grupo de investigação é formado por Woodrugh, que briga na justiça com uma celebridade que o acusa de violência e que terá de seguir ordens do FBI. O segundo elemento é o detetive Ray Velcoro (Colin Farrell), que trabalha na corrupta polícia de Vinci, ao mesmo tempo em que presta serviços para Frank Semyon, O terceiro elo é a detetive Ani Bezzerides (Rachel McAdams), uma policial solitária que é mal vista pelo departamento de polícia de Los Angeles.

É basicamente uma trama sobre corrupção, violência e traições, que aborda o submundo das negociatas políticas e tem como protagonistas três policiais complicados que precisam enfrentar também seus demônios particulares.

A série não tem o mesmo nível da primeira temporada, mas mesmo assim é um espetáculo de qualidade, indicado para os fãs de séries policiais.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Lapso do Tempo

Lapso do Tempo (Time Lapse, EUA, 2014) – Nota 6
Direção – Bradley King
Elenco – Danielle Panabaker, Matt O’Leary, George Finn, John Rhys Davies, Amin Joseph, Jason Spisak, Sharon Maughan, David Figlioli.

Os namorados Callie (Danielle Panabaker) e Finn (Matt O’Leary), moram juntos com o amigo Jasper (George Finn) em um condomínio de casas. Quando o vizinho (John Rhys Davies) desaparece por alguns dias, eles decidem verificar o que ocorreu e descobrem que o sujeito está morto dentro do seu próprio depósito.

Os amigos encontram também uma estranha máquina na casa do sujeito e uma parede repleta de fotos da sala da casa deles mesmos. Ao ligarem a máquina, ela começa a funcionar e solta uma fotografia mostrando os jovens em sua sala no dia seguinte as oito horas da noite. Acreditando ser uma máquina que registra o futuro, eles decidem esconder a morte do velho cientista e utilizar as previsões para lucrar com apostas, sem imaginar as consequências.

A premissa de saber o futuro geralmente se desenrola com os personagens tentando alterar os acontecimentos. Aqui a situação se inverte, os personagens acreditam em manter o futuro igual para alcançar seus objetivos. Os personagens se tornam prisioneiros da foto do amanhã, se vendo obrigados a criarem o mesmo cenário da imagem captada pela máquina.

O filme prende a atenção, mas infelizmente falha no desenrolar da trama que apresenta alguns furos, além das interpretações ruins e a produção precária que lembra os filmes feitos para tv.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

O Apostador

O Apostador (The Gambler, EUA, 2014) – Nota 6
Direção – Rupert Wyatt
Elenco – Mark Wahlberg, John Goodman, Brie Larson, Jessica Lange, Michael Kenneth Williams, Alvin Ing, George Kennedy, Andre Braugher, Domenick Lombardozzi, Richard Schiff.

Jim Bennett (Mark Wahlberg) é um professor universitário de literatura viciado em jogos de azar. Com um comportamento autodestrutivo, Jim torrou nas mesas de vinte e um e na roleta uma verdadeira fortuna herdada de sua família. 

Devendo muito dinheiro para dois chefões de quadrilhas (Michael Kenneth Williams e Alvin Ing), Jim tem sete dias para conseguir o dinheiro e salvar sua vida. Neste meio tempo, ele se envolve com uma aluna tímida e extremamente inteligente (Brie Larson). 

O diretor inglês Rupert Wyatt, que comandou o ótimo “Planeta dos Macacos: A Origem”, escorrega feio neste longa pretensioso que tenta copiar o estilo dos filmes dos anos setenta sobre o submundo da jogatina e dos apostadores. 

O personagem de Wahlberg se veste e utiliza um estranho corte de cabelo típico dos anos setenta, que lembra o Warren Beatty de filmes como “A Trama” e “Ladrão que Rouba Ladrão”. 

Infelizmente, a homenagem aos anos setenta é pouco para salvar a narrativa arrastada e a história que parece não sair do lugar. 

Vale destacar a ótima trilha sonora, quase toda incidental e a interpretação de John Goodman como um gângster que gosta de filosofar e ameaçar. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Entre Quatro Paredes

Entre Quatro Paredes (In the Bedroom, EUA, 2001) – Nota 7,5
Direção – Todd Field
Elenco – Sissy Spacek, Tom Wilkinson, Nick Stahl, Marisa Tomei, William Mapother, William Wise, Celia Weston, Karen Allen.

Na cidade de Camden, no Maine, a família Fowler leva uma vida tranquila. Matt (Tom Wilkinson) é médico e sua esposa Ruth (Sissy Spacek) é a professora de música do coral da cidade.

Quando o filho Frank (Nick Stahl) se envolve com Natalie (Marisa Tomei), uma mulher mais velha, separada e com dois filhos pequenos, os problemas começam a surgir. 

Frank fica em dúvida entre ir para a universidade ou ficar na pequena cidade para não se afastar da namorada e as crianças, ao mesmo tempo em que o ex-marido de Natalie, o violento Richard (William Mapother) deseja reatar a relação. 

Todd Field era um ator coadjuvante sem destaque que havia dirigido apenas alguns curtas quando enfrentou o desafio de estrear na direção de um longa com este doloroso drama. A história pesada, que poderia cair no melodrama, resulta num filme extremamente sensível sobre as dores e as consequências de uma perda. 

Com um ritmo lento, quase contemplativo em algumas passagens e ótimas atuações que renderam merecidas indicações aos Oscar para Tom Wilkinson, Sissy Spacek e Marisa Tomei, além de indicações para Melhor Filme e Roteiro Adaptado, o filme foi uma grata surpresa, assim como o trabalho de Field. 

Ele voltaria a direção com “Pecados Íntimos” em 2006, outro competente drama sobre temas pesados como traição e pedofilia. 

Infelizmente são os dois únicos trabalhos de Todd Field na direção até o momento.

domingo, 9 de agosto de 2015

Os Olhos da Cidade São Meus

Os Olhos da Cidade São Meus (Angustia, Espanha, 1987) – Nota 6,5
Direção – Bigas Luna
Elenco – Zelda Rubinstein, Michael Lerner, Talia Paul, Ángel Jové, Clara Pastor.

O cineasta catalão Bigas Luna, falecido em 2013, ficou marcado por filmes com teor erótico como “As Idades de Lulu” e “Ovos de Ouro”, porém deixou uma estranha e assustadora contribuição para o gênero terror com este “Os Olhos da Cidade São Meus”. 

A trama tem como protagonista o auxiliar de optometrista John (Michael Lerner), um sujeito tímido e passivo que perde o emprego após a reclamação de uma paciente. Vivendo sob a sombra da mãe (Zelda Rubinstein, a anã sensitiva de “Poltergeist”), John é dominado pela terrível senhora que utiliza a hipnose para fazer o filho sair pela cidade e matar pessoas para arrancar os olhos e trazê-los para uma sinistra coleção. 

Até este ponto, o filme seria apenas um terror com uma trama doentia, porém na metade da história, o roteiro escrito pelo diretor apresenta uma surpresa que mistura ficção e realidade, deixando o longa ainda mais assustador. 

O clima estranho, as cenas de violência e o estilo da narrativa imposta por Bigas Luna, não são do tipo que agrada ao público comum. O filme foi premiado em algumas festivais, se tornou cult e é indicado apenas para o cinéfilo que gosta de experiências estranhas. 

sábado, 8 de agosto de 2015

Questão de Tempo

Questão de Tempo (About Time, Inglaterra, 2013) – Nota 7,5
Direção – Richard Curtis
Elenco – Domhanll Gleeson, Rachel McAdams, Bill Nighy, Lydia Wilson, Lindsay Duncan, Richard Cordery, Joshua McGuire, Tom Hollander, Margot Robbie, Will Merrick, Vanessa Kirby.

Na véspera de ir para a universidade em Londres, Tim (Domhnall Gleeson) se assusta com uma revelação feita pelo pai (Bill Nighy). Tim descobre que todos os homens da família tem o poder de viajar para o passado. Pessoa alguma sabe do segredo, nem mesmo sua mãe (Lindsay Duncan). 

A partir daquele dia, sempre que faz alguma coisa que dá errado, Tim começa a utilizar o poder para voltar no tempo e corrigir o erro. Quando Tim conhece a bela Mary (Rachel McAdams), tem certeza que é a mulher de sua vida. Ele decide se aproveitar do dom para fazer o relacionamento dar certo. 

O diretor e roteirista Richard Curtis utiliza como premissa a viagem no tempo, para criar uma história de amor universal, tanto o amor entre em casal, como o fraternal e entre pai e filho. 

Esqueça os filmes em que o protagonista volta ao passado para ganhar dinheiro, matar um inimigo ou salvar a vida de alguém, aqui o foco é corrigir pequenos erros. A única sequência em que o protagonista tenta mudar algo mais complexo, o resultado é assustador. 

A simpatia do casal principal, com a simplicidade de Domhnall Gleeson e a beleza de Rachel McAdams, junto com a sensível interpretação do veterano Bill Nighy, são outros pontos altos deste competente filme sobre o amor. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Quatro Filmes Antigos Desconhecidos

Nesta postagem, comento quatro filmes bem diferentes entre si e que são praticamente desconhecidos pelo público atual.

Não são grandes filmes, podem ser considerados apenas curiosidades cinematográficas.

Tilt (Tilt, EUA, 1979) – Nota 5,5
Direção – Rudy Durand
Elenco – Brooke Shields, Ken Marshall, Charles Durning, Geoffey Lewis, John Crawford, Don Stark, Lorenzo Lamas.

A adolescente Tilt (Brooke Shields) é craque em máquinas de pinball (fliperama no Brasil). Ao conhecer o músico Neil (Ken Marshall), que sonha em ter uma carreira de cantor, os dois decidem viajar pelo país quebrando recordes nas máquinas de fliperama e ganhando dinheiro com apostas. A chance de ganhar ainda mais, surge quando o casal encontra o veterano jogador conhecido como “A Baleia” (Charles Durning), antigo inimigo de Neil. 

No final dos anos setenta e início dos oitenta, as máquinas de fliperama eram os games do momento. Os adolescentes gastavam fortunas em fichas para tentar bater os recordes das máquinas. 

Este envelhecido longa aproveitava do sucesso destas máquinas e da beleza de uma jovem Brooke Shields, que havia despontado em “Pretty Baby – Menina Bonita” no ano anterior, para tentar lucrar. O máximo que o filme conseguiu foi se tornar uma espécie de cult durante o auge do vhs e nada mais. 

Como informação, Ken Marshall era uma aposta que protagonizou a ficção “Krull” e a minissérie “Marco Polo – Viagens e Descobertas”, mas não conseguiu se firmar na carreira.

Nacionalidade Americana ou Férias Para a Morte (Born American, EUA / Finlândia, 1986) ­– Nota 5
Direção – Renny Harlin
Elenco – Mike Norris, Steve Durhan, David Coburn, Thalmus Rasulala, Albert Salmi.

Três estudantes americanos (Mike Norris, Steve Durhan e David Coburn) estão passando férias na Finlândia, quando por brincadeira, decidem atravessar a fronteira com a União Soviética. Recebidos à bala pelos soldados soviéticos, os três garotos são presos e torturados, restando como única salvação a tentativa de uma fuga. 

Este drama misturado com ação é uma produção B que marcou a estreia na direção do finlandês Renny Harlin (“Duro de Matar 2”, “Risco Total”), que seria notado apenas no trabalho seguinte, o terror “Duro de Prender”, que lhe abriu as portas de Hollywood. 

Apesar de ser ruim, o filme tem outras curiosidades. O elenco é composto por filhos de famosos. Mike Norris é filho do astro Chuck Norris e David Coburn filho do falecido James Coburn. O filme também foi proibido na União Soviética por mostrar a truculência da polícia local e por se considerado uma propaganda americana contra o comunismo. 

Johnny Destino (Destiny Turns on the Radio, EUA, 1995) – Nota 5
Direção – Jack Baran
Elenco – Dylan McDermott, Nancy Travis, James LeGros, Quentin Tarantino, James Belushi, Tracey Walter, Janet Carroll, David Cross, Richard Edson, Bobcat Goldthwaith, Lisa Jane Persky, Sarah Trigger.

Após sair da cadeia, Julian Goddard (Dylan McDermott) segue pela estrada a caminho de Las Vegas. Pedindo carona, ele é acolhido por Johnny Destiny (Quentin Tarantino), sujeito estranho e falador. Julian pretende reconquistar a namorada (Nancy Travis) e o dinheiro fruto de um assalto que o levou para a prisão. Em sua busca, Julian cruzará com figuras esquisitas, típicas de Las Vegas. 

Produzido com intenção de ser cult, com uma narrativa lenta e um roteiro confuso que inclui até mesmo toques de fantasia, este longa chamou atenção na época do lançamento pela presença de Quentin Tarantino como ator. Ele, que havia se tornado astro com “Pupl Fiction”, pouco ajudou na qualidade deste equivocado longa. 

Urbania – A Vida na Cidade (Urbania, EUA, 2000) – Nota 6
Direção – John Shear
Elenco – Dan Futterman, Matt Keeslar, Josh Hamilton, Paige Turco, Gabriel Olds, Alan Cumming, Lothaire Bluteau, Barbara Sukowa, Bill Sage, Megan Dodds.

Durante um final de semana em Nova York, o melancólico Charlie (Dan Futterman) vaga pela cidade cruzando com diversos personagens estranhos. Um desabrigado que dorme no seu edifício, um amigo que está muito doente, o casal de vizinhos que transa aos berros e um jovem que ele leva para casa para um noite de sexo sem compromisso são alguns deles. 

O roteiro também foca na violência das grandes cidades e nas chamadas lendas urbanas. Surge o sujeito que teve o rim roubado após um encontro, o rato dentro do cachorro quente, o bebê esquecido em cima do automóvel, entre outras situações bizarras. 

O resultado é uma jornada do protagonista em busca de algo que nem ele mesmo sabe o que é.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Separados Pelo Sangue

Separados Pelo Sangue (Shotgun Stories, EUA, 2007) – Nota 7,5
Direção – Jeff Nichols
Elenco – Michael Shannon, Douglas Ligon, Barlow Jacobs, Michael Abbot Jr,  Travis Smith, Lynnsee Provence, David Rhodes, Glenda Pannell.

Numa decadente cidade do Arkansas, os irmãos Son (Michael Shannon), Kid (Barlow Jacobs) e Boy (Douglas Ligon), levam uma vida simples, sem grandes perspectivas. Os dois primeiros trabalham com pesca em um rio da região, enquanto o terceiro é professor de basquete no colégio da cidade. 

Quando são avisados pela rancorosa mãe, que o pai deles faleceu, Son decide ir ao funeral e fazer um pequeno discurso mostrando toda mágoa que os irmãos sentem do sujeito, por terem sido abandonados por ele ainda crianças. Os quatro filhos da família atual do pai ficam revoltados com as palavras de Son, dando início a um trágico conflito entre os meio-irmãos. 

O diretor e roteirista Jeff Nichols, que é natural do Arkansas, estreou no cinema com este competente drama. A narrativa com estilo cru, o ritmo pausado, a utilização de músicas de forma incidental, aqui através de um rádio de carro com defeito e diversas sequências ao ar livre, são detalhes que ele repetiria nos trabalhos seguintes. 

O soturno drama “O Abrigo”. que se passa em Ohio, também protagonizado por Michael Shannon e o ótimo “Amor Bandido” com Matthew McConaughey, que novamente tem o Arkansas como cenário, mostram que o diretor que tem talento para o gênero, além de um estilo original. 

Este “Separados Pelo Sangue” é um filme sobre mágoas, ódio, orgulho, violência e também sobre a vida, mostrada pela perspectiva de personagens simples.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A Vida Secreta de Walter Mitty

A Vida Secreta de Walter Mitty (The Secret Life of Walter Mitty, EUA, 2013) – Nota 7
Direção – Ben Stiller
Elenco – Ben Stiller, Kristen Wiig, Shirley McLaine, Sean Penn, Adam Scott, Adrian Martinez, Kathryn Hahn, Olafur Darri Olafsson, Patton Oswalt.

Walter Mitty (Ben Stiller) é o responsável pelos negativos das fotografias publicadas na revista Life. Quando a revista é vendida e um diretor de transição (Adam Scott) inicia o processo de demissões e de transformar a revista impressa em publicação digital, Walter se torna alvo do arrogante sujeito. 

Tímido e sonhador, Walter imagina grandes aventuras, porém leva uma vida simples, sem emoção, até mesmo com dificuldades para se aproximar de Cheryl (Kristen Wiig), uma colega de trabalho por quem sente atração. 

Quando o negativo de uma foto que estamparia a capa da última edição desaparece, Walter se vê obrigado a procurar o fotógrafo aventureiro Sean O’Connell (Sean Penn), responsável pela tal foto. A necessidade faz com que Walter decida enfrentar aventuras de verdade. 

A carreira de Ben Stiller como diretor não é das melhores. Seu melhor trabalho é o divertido “Trovão Tropical”, uma espécie de paródia e homenagem aos filmes de ação de Hollywood. Aqui, neste último longa, a premissa é ainda melhor, os problemas estão em algumas escolhas de Stiller. 

O terço inicial do filme é bem interessante ao enfocar principalmente os sonhos do personagem principal, que sempre imagina ser um grande aventureiro. A segunda parte peca pelo exagero, quando joga o tímido Walter em meio a aventuras pesadas, transformando o sujeito quase em um super herói. A parte final volta para mais próximo da realidade e principalmente da sensibilidade inicial. Esta irregularidade faz o filme perder pontos. 

Vale destacar as simpáticas interpretações do protagonista, de Kristen Wiig, além das boas participações de alguns coadjuvantes. Patton Oswalt como o atendente de telemarketing, o grandalhão Olafur Darri Olafsson como o piloto bêbado e um filosófico Sean Penn como o fotógrafo, são pontos altos do filme. 

O resultado é um filme simpático sobre como enfrentar a vida e suas mudanças, mesmo ficando a sensação de que poderia ser melhor.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Lucy

Lucy (Lucy, França, 2014) – Nota 6,5
Direção – Luc Besson
Elenco – Scarlett Johansson, Morgan Freeman, Min Sik Choi, Amr Waked, Julian Rhind Tutt, Pilou Asbaek, Analeigh Tipton.

Em Taiwan, Lucy (Scarlett Johansson) é praticamente jogada no meio de uma negociação de drogas pelo namorado picareta. Sequestrada por uma organização de coreanos liderada por Mr. Jang (Min Sik Choi, do original “Old Boy”), Lucy tem um pacote de uma nova droga inserido em seu corpo para ser transportado para Europa. 

Antes de viajar, ela sofre uma agressão de um dos traficantes, o que faz com que o pacote estoure dentro dela e a droga se misture com seu organismo. A consequência é a mais maluca possível, a droga ativa o cérebro de Lucy, que passa a trabalhar cada vez com maior potencial, até chegar a um inacreditável cem por cento. 

Esqueça qualquer lógica e tente se divertir com uma das tramas mais absurdas dos últimos anos. O roteiro do próprio Luc Besson brinca com vários gêneros. Gângster policial, ficção, suspense e aventura se juntam na mesma panela recheada de correrias, tiroteios e muito sangue, além de uma cena com vários bandidos de terno preto ao estilo Agente Smith de “Matrix”. 

Algumas ideias são interessantes, como o pensamento de fazer com que todo conhecimento seja passado adiante e a questão sobre a importância do tempo, que pelo roteiro, seria apenas uma ilusão de ótica. 

Vale destacar também a participação de Morgan Freeman como o cientista que tem uma ousada teoria sobre a capacidade de utilização do cérebro. 

Nas mãos de outro diretor como Christopher Nolan por exemplo, a trama poderia render um grande filme. 

Como o foco de Besson é a diversão sem compromisso ou profundidade, este “Lucy” resulta apenas num filme agitado e esquecível. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Crimes em Primeiro Grau & O Diabo Veste Azul


Crimes em Primeiro Grau (High Crimes, EUA, 2002) – Nota 6,5
Direção – Carl Franklin
Elenco – Ashley Judd, Morgan Freeman, Jim Caviezel, Adam Scott, Amanda Peet, Bruce Davison, Tom Bower, Michael Gaston, Juan Carlos Hernandez, Emilio Rivero, Jude Ciccolella.

A advogada Claire Kubik (Ashley Judd) leva uma vida tranquila ao lado do marido Tom (Jim Caviezel), que trabalha como empreiteiro. Numa certa noite, sua casa é invadida e o ladrão foge. O fato deixa Tom extremamente preocupado, porém algo pior está para ocorrer. Pouco tempo depois, durante um passeio do casal, Tom é preso por agentes do FBI. Claire descobre que Tom na verdade é um militar que desertou e trocou de nome após uma operação secreta em que civis foram assassinados. Tom alega inocência em relação ao crime, mas confessa sua verdadeira identidade. Para tentar salvar o marido da prisão, Claire contrata Charles Grimes (Morgan Freeman), um advogado militar que está aposentado, mas que aceita retornar ao trabalho para defender o sujeito. 

A premissa do sujeito que esconde seu passado já foi explorada várias vezes no cinema, o que por si só tornaria o filme previsível. O roteiro até tenta criar suspense soltando pistas para deixar o espectador em dúvida sobre a culpa do sujeito durante o desenrolar da trama, porém o final decepciona. 

É um filme que prende a atenção, mas que falha por não apresentar nada de diferente em relação a obras similares. 

O Diabo Veste Azul (Devil In a Blue Dress, EUA, 1995) – Nota 6,5
Direção – Carl Franklin
Elenco – Denzel Washington, Tom Sizemore, Jennifer Beals, Don Cheadle, Maury Chaykin, Terry Kinney, Albert Hall.

Los Angeles, 1948. Ezekiel “Easy” Rawlins (Denzel Washington) é um veterano da Segunda Guerra que está em busca de trabalho. No bar de um amigo, Easy é apresentado a DeWitt Albright (Tom Sizemore), que trabalha para Todd Carter (Terry Kinney), futuro candidato a prefeito. DeWitt está procurando Daphne Monet (Jennifer Beals), que é noiva de Carter e que aparentemente está escondida no meio da comunidade negra da cidade. Como DeWitt é branco, ele acredita que o negro Easy teria maior facilidade em investigar. Easy aceita o trabalho, sem imaginar que está sendo envolvendo em uma perigosa trama que envolve policiais, criminosos e políticos corruptos. 

A trama de estilo de noir apresenta uma boa premissa, inclusive explorando o preconceito racial e criando uma competente reconstituição de época nos figurinos. O problema é a narrativa fria e irregular, com alguns momentos mortos. 

Além do habitual carisma de Denzel Washington, vale destacar a estrela de “Flashdance” Jennifer Beals como mulher fatal, em um dos seus poucos papéis de destaque na carreira, apesar dos muitos trabalhos que fez.

domingo, 2 de agosto de 2015

Hércules

Hércules (Hercules, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Brett Ratner
Elenco – Dwayne Johnson, Ian McShane, John Hurt, Rufus Sewell, Aksel Hennie, Ingrid Bolso Berdal, Reece Ritchie, Joseph Fiennes, Tobias Santelmann, Peter Mullan, Rebecca Ferguson, Joe Anderson.

Na Grécia Antiga, a lenda de Hércules (Dwayne Johnson) o descrevia como um imortal, filho de Zeus com uma humana e que completou doze trabalhos matando feras míticas. 

Neste contexto, Hércules e seus companheiros são procurados por uma princesa (Rebecca Ferguson) que deseja contratá-los para defender o reino de seu pai, Lord Cotys (John Hurt), que está sendo atacado pelo exército de Rhesus (Tobias Santelmann). Hércules aceita o trabalho, sem imaginar que a verdade sobre o conflito é bem diferente da versão que lhe foi contada. 

A proposta do filme de Brettt Ratner foi humanizar o mito, transformando o personagem em um guerreiro mercenário de carne e osso. A escolha foi acertada, assim como filmar as cenas de algumas batalhas com dublês no mano a mano, ao estilo dos filmes antigos do gênero. Estas cenas de batalhas são o ponto alto do filme. Rattner dá uma escorregada apenas na sequência final, quando exagera na dose do CGI. 

Vale destacar ainda Dwayne Johnson à vontade como o herói e o veterano Ian McShane como um misto de guerreiro e oráculo, além de ser o narrador da história. 

Eu esperava uma aventura vazia, mas tive uma surpresa agradável. Mesmo não sendo uma grande obra, o filme é competente ao que se propõe e diverte sem ferir a inteligência do espectador.

sábado, 1 de agosto de 2015

Frankenstein: Entre Anjos e Demônios

Frankenstein: Entre Anjos e Demônios (I, Frankenstein, Austrália / EUA, 2014) – Nota 5,5
Direção – Stuart Beattie
Elenco – Aaron Eckhart, Bill Nighy, Yvonne Strahovski, Miranda Otto, Jai Courtney, Socratis Otto, Aden Young.

Após se arrepender ter criado um monstro (Aaron Eckhart), o Dr. Victor Frankenstein (Aden Young) tenta destruí-lo sem sucesso. O monstro se vinga assassinando a esposa do criador, que também morre ao persegui-lo por uma região inóspita e gelada. 

Ao enterrar seu criador, o monstro é atacado por demônios e salvo por gárgulas, que na realidade são anjos. A líder dos gárgulas, Leonore (Miranda Otto), convida o monstro a se juntar a eles na luta contra os demônios, o que ele não aceita.  Duzentos anos depois, no mundo atual, o monstro ainda vive e se torna alvo de Naberius (Bill Nighy), que comanda os demônios e que deseja descobrir a fórmula para ressuscitar os mortos. 

Esta modernização da história clássica de Frankenstein se perde em meio a um roteiro fraco e ao excesso de CGI. A trama é apenas um detalhe para uma explosão de efeitos especiais. É o tipo de filme em que falta vida, tudo parece falso e os personagens são caricatos. É difícil gostar de um filme em que os efeitos especiais são o único destaque.