sábado, 28 de fevereiro de 2015

Longe do Paraíso

Longe do Paraíso (Far from Heaven, EUA / França, 2002) – Nota 7,5
Direção – Todd Haynes
Elenco – Julianne Moore, Dennis Quaid, Dennis Haysbert, Patricia Clarkson, Viola Davis, James Rebhorn, Michael Gaston, Celia Weston.

Anos cinquenta, em um subúrbio de classe alta em Connecticut, Frank (Dennis Quaid) e Cathy (Julianne Moore) parecem formar a família perfeita. Com um casal de filhos, morando em uma bela casa e com Frank trabalhando como executivo em uma grande empresa, tudo parece dentro dos padrões. 

Aos poucos, o espectador percebe que nem tudo está normal. Frank tenta esconder da esposa sua atração por outros homens, mantendo casos esporádicos, até que em um determinado dia, Cathy o procura no escritório da empresa e o encontra nos braços de um amante. 

Tentando manter a aparência de dona de casa perfeita, Cathy decide ajudar Frank a tentar mudar seu comportamento, levando o marido para sessões com um psquiatra. Em paralelo, Cathy faz amizade com o jardineiro negro Raimond (Dennis Haysbert), fato que passa a ser visto pelos vizinhos como um afronta à sociedade. 

O diretor Todd Haynes se baseou no drama dos anos cinquenta “Tudo o Que Céu Permite” de Douglas Sirk para escrever a base deste roteiro. Naquele filme, a rica vivida por Jane Wyman se apaixonava pelo jardineiro interpretado por Rock Hudson. Aqui, Haynes apimentou a trama transformando o personagem do jardineiro em um negro, alterando o preconceito social pelo racial e inserindo o marido homossexual enrustido. 

A trama poderia cair no dramalhão, mas Haynes conduz a história de uma forma sóbria, onde o preconceito aparece nos olhares, em poucas palavras e pequenos gestos. O roteiro de Haynes mostra claramente a hipocrisia da sociedade americana da época, que era extremamente machista, fechando os olhos para as traições do marido e condenando a esposa apenas por suspeitas. 

O longa concorreu a quatro prêmios Oscar, de trilha sonora, fotografia, melhor atriz para a bela interpretação de Julianne Moore e a direção de Todd Haynes.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Inferno na Torre

Inferno na Torre (The Towering Inferno, EUA, 1974) – Nota 8
Direção – John Guillermin
Elenco – Paul Newman, Steve McQueen, William Holden, Faye Dunaway, Robert Vaughn, Fred Astaire, Jennifer Jones, O. J. Simpson, Robert Wagner, Susan Blakely, Richard Chamberlain, Dabney Coleman.

O sucesso de “Aeroporto” em 1970 deu início ao chamado “Cinema Catástrofe”, que rendeu várias produções até 1980, tendo neste “Inferno na Torre” seu melhor e mais famoso filme do gênero. 

O grande nome associado ao gênero foi o do produtor Irwin Allen. Veterano da tv, Allen era famoso por séries como “Túnel do Tempo”, “Viagem ao Fundo do Mar” e “Perdidos no Espaço”. Ele também já havia produzido filmes de ficção B no anos sessenta e percebendo o potencial dos filmes catástrofe, em 1972 comandou o sucesso “O Destino do Poseidon” protagonizado por Gene Hackman e Ernest Borgnine. 

Em seguida, Allen investiu forte em “Inferno na Torre”, escalando um elenco de estrelas encabeçado por Paul Newman e Steve McQueen. Sei que muitos críticos não gostam do filme, mas eu considero um ótimo divertimento, com certeza está na minha lista de favoritos. 

A trama se passa na festa de inauguração de um arranha-céu de 138 andares, que ocorre no último andar do edifício. Na primeira parte, o roteiro faz uma apresentação dos convidados e mostra alguns pequenos dramas. O arquiteto responsável pelo projeto (Paul Newman) tem divergências com o dono do empreendimento (William Holden) por causa da participação do genro ganancioso (Richard Chamberlaind) nas decisões. Entre os convidados, estão a amante do arquiteto (Faye Dunaway), um senador (Robert Vaughn) e um casal de idosos (Fred Astaire e Jennifer Jones). 

Quando começa o incêndio, pessoa alguma percebe, porém assim que fogo se alastra, os convidados ficam desesperados e tentam fugir do local de todas as formas, causando brigas e mortes. O arquiteto tenta acalmar as pessoas e organizar uma forma de saírem do edifício. Enquanto isso, do lado de fora, os bombeiros liderados pelo chefe Mike O’Hallorhan (Steve McQueen) tentam conter o fogo e subir pelas escadas para tentar salvar os convidados. 

Algumas sequências são marcantes, como o cabo de aço que tenta tirar as pessoas do edifício, a cena do elevador panorâmico e a engenhosa solução no clímax do filme. 

É uma ótima diversão para quem gosta do gênero. 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

The Flamingo Kid & A Cidade do Jogo


The Flamingo Kid (The Flamingo Kid, EUA, 1984) – Nota 6
Direção – Garry Marshall
Elenco – Matt Dillon, Richard Crenna, Jessica Walter, Hector Elizondo, Janet Jones, Fisher Stevens, Brian McNamara, John Turturro.

Bronx, 1963, o garoto Jeffrey (Matt Dillon) pretende ir para a universidade, porém antes disso, durante o verão, seu pai (Hector Elizondo) conseguiu para ele um emprego de office boy. Antes de iniciar o trabalho, Jeffrey é convidado por dois amigos para visitar um clube privativo que fica na praia, o Flamingo. Após se divertir durante um dia, Jeffrey recebe a proposta de trabalhar como manobrista no local e aceita. 

Aos poucos, Jeffrey faz amizade com as pessoas do clube e se envolve com a jovem Carla (Janet Jones), que o convida para jantar em sua casa, onde ele conhece o tio da garota, Mr. Brody (Richard Crenna), que é dono de uma concessionária de automóveis e considerado um grande jogador de cartas. Mr. Brody passa a tratar Jeffrey como um pupilo, dando dicas sobre trabalho e a vida, situação que desagrada o pai do garoto, que é um honesto encanador. 

Típico filme sobre adolescentes dos anos oitenta, este longa mistura descobertas da idade, mulheres bonitas de biquíni, um pouco de comédia e uma pitada rasa de drama. 

A curiosidade fica por conta do elenco, com um Matt Dillon ainda bem jovem, o falecido canastrão Richard Crenna e o hoje veteraníssimo Hector Elizondo, ator habitual nos filmes do diretor Garry Marshall. O elenco tem ainda jovens como Fisher Stevens e Brian McNamara, que trabalharam em alguns seriados e uma pequena participação de John Turturro na sequência da corrida de cavalos. 

No geral é uma sessão da tarde sem compromisso.

A Cidade do Jogo (The Big Town, EUA, 1987) – Nota 7
Direção – Ben Bolt
Elenco – Matt Dillon, Diane Lane, Tommy Lee Jones, Bruce Dern, Lee Grant, Suzy Amis, David Marshall Grant, Tom Skerritt, Don Francks, Del Close.

Em meados dos anos cinquenta, J. C. Cullen (Matt Dillon) é um jovem ambicioso com talento para o jogo de dados. Pensando em ganhar muito dinheiro, ele sai de uma pequena cidade em Iowa e segue para Chicago, onde aos poucos se infiltra nos clubes de jogos. 

Logo, Cullen passa a trabalhar para um veterano jogador (Bruce Dern), que ficou cego após ser atacado com ácido por um rival. O garoto começa a namorar a doce Aggie (Suzy Amis), ao mesmo tempo em que se envolve com Lorry (Diane Lane), esposa de George Cole (Tommy Lee Jones), o poderoso dono de uma casa de jogos. 

Rivalidade, traições e ganância são os pontos principais deste drama sobre o mundo da jogatina no submundo de Chicago. 

A trama lembra um pouco o ótimo “A Mesa do Diabo” (“The Cincinnati Kid”), longa de 1965 dirigido por Norman Jewison, que tinha Steve McQueen como um jovem jogador de cartas. Matt Dillon não tem o talento que McQueen tinha e o roteiro aqui é bem inferior ao clássico dos nos sessenta. 

Vale destacar os bons coadjuvantes, como Tommy Lee Jones, Bruce Dern e Tom Skerritt.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Um Santo Vizinho

Um Santo Vizinho (St. Vincent, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Theodore Melfi
Elenco – Bill Murray, Melissa McCarthy, Jaeden Lieberher, Naomi Watts, Chris O’Dowd, Terrene Howard, Kimberly Quinn, Lenny Venito, Dario Barosso, Ann Dowd.

Após se separar do marido, Maggie (Melissa McCarthy) leva o filho Oliver (Jason Lieberher) para morar em uma nova casa. A empresa que faz a mudança causa um acidente danificando o carro do vizinho, o solitário Vincent (Bill Murray). O sujeito que também é mal educado e ranzinza, cobra os danos e deixa claro que não quer contato com os novos vizinhos. 

Um problema na escola com Oliver e o desencontro com Maggie, faz com que o garoto fique algumas horas na casa de Vincent aguardando a chegada da mãe. O estranho solitário e o garoto franzino e inteligente, acabam criando um laço de amizade, que mudará a vida dos dois. 

O roteiro escrito pelo próprio diretor Theodore Melfi não apresenta surpresas, ele segue o estilo das histórias sobre mudanças de vida consequências de uma nova amizade, além de apresentar personagens considerados perdedores. Temos o velho solitário que não consegue superar traumas, o garoto que precisa aprender a se defender, a mãe gordinha divorciada e até a prostituta imigrante (Naomi Watts). A simpatia destes personagens faz o espectador entrar no clima da história, valorizada pela química entre Bill Murray e o garoto Jaeden Lieberher. Por sinal, o papel de Murray é perfeito para seu estilo de interpretação. 

Sensível e agradável, este filme pode ser considerado uma boa sessão da tarde. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Operação Sombra: Jack Ryan

Operação Sombra: Jack Ryan (Jack Ryan: Shadow Recruit, EUA / Rússia, 2014) – Nota 7
Direção – Kenneth Branagh
Elenco – Chris Pine, Kevin Costner, Keira Knightley, Kenneth Branagh, Lenn Kudrjawizki, Alec Utgoff, Peter Andesson, Nonso Anozie, Colm Feore, Gemma Chan.

Em 2001, Jack Ryan (Chris Pine) é um jovem estudante de economia que fica estarrecido com os atentados de 11 de Setembro e decide abandonar a universidade para se alistar no exército. Após ser ferido com gravidade em um ataque no Iraque, Jack é enviado para um centro de recuperação onde é visitado pelo agente Thomas Harper (Kevin Costner), que o convida para trabalhar na CIA. Jack aceita, retorna os estudos e tem como objetivo conseguir um emprego em Wall Street, para ter acesso a dados de movimentações bancárias internacionais e assim descobrir possíveis financiamentos de ataques terroristas. 

Dez anos depois, Jack percebe uma enorme movimentação de dinheiro feita por uma corporação russa comandada por Viktor Cherevin (Kenneth Branagh). Para investigar o que está por trás dos negócios do magnata russo, Jack e Harper seguem para Moscou e descobrem que um novo ataque terrorista está prestes a acontecer. 

Este é o quinto filme do personagem Jack Ryan criado pelo escritor Tom Clancy, sendo que Chris Pine é o quarto ator a interpretar o herói. Antes disso, Alec Baldwin, Harrison Ford em dois filmes e Ben Affleck encarnaram o agente da CIA. Esta novo longa é um recomeço do personagem no cinema, que mostra um inexperiente Ryan em sua primeira missão como agente de campo. 

O filme é correto, tem uma primeira parte morna, com apenas uma boa sequência de ação na luta entre Ryan e o grandalhão interpretado por Nonso Anozie. O filme esquenta na segunda metade, com algumas boas sequências de suspense e a correria habitual, inclusive com uma perseguição automobilística. 

Quanto ao elenco, Chris Pine é apenas razoável, não vejo grande talento ou mesmo carisma no ator. O veterano Kevin Costner está bem como o mentor do agente e a bela Keira Knightley se mostra uma personagem dispensável, tendo sido inserida na trama apenas para ser o obrigatório par romântico do protagonista.

No geral é um filme correto, que prende a atenção, diverte, mas não apresenta surpresa alguma.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Seriados Antigos (Anos 80 e 90)

Projeto Alf (Project: ALF, EUA, 1996)
Direção – Dick Lowry
Elenco – Miguel Ferrer, Martin Sheen, Ray Walston, Ed Begley Jr, William O’Leary.

O divertido seriado “Alf – O Eteimoso” durou quatro temporadas (1986 a 1990) agradando crianças e adultos através de um humor simples e um personagem principal carismático. Este telefilme produzido seis anos após o final da série se mostra fraco e com uma trama equivocada. O seriado terminou com Alf voltando para seu planeta. Este longa começa com ele sendo capturado por militares durante a viagem de volta para casa. Detido em uma unidade militar secreta, Alf tem ajuda de dois médicos para fugir. O grande barato da série era o relacionamento de Alf com a família Tanner e as confusões que ele aprontava com vizinhos e outros personagens. Infelizmente isto se perdeu totalmente neste longa. 

Curto Circuito (Misfits of Ciencie, EUA, 1985)
Direção – Dean Zanetos
Elenco – Dean Paul Martin, Kevin Peter Hall, Mark Thomas Miller, Courteney Cox, Mickey Jones, Jennifer Holmes, Max Wright, Diane Cary.

Um grupo de jovens com poderes especiais é reunido em um instituto de ciências para algumas experiências. Quando eles descobrem que serão tratados como cobaias, decidem fugir e passam a ser perseguidos.  O divertido episódio piloto fez sucesso no Brasil, porém a série durou apenas uma temporada. Hoje, a premissa de jovens com super poderes é comum em vários seriados, mas na época era noviddade. As curiosidades da série estão no elenco, que tinha Courteney Cox ainda bem jovem interpretando uma garota com poderes telecinéticos e o falecido gigante Kevin Peter Hall, que seria o predador dois anos depois, interpretava um cientista que tinha o poder de ficar minúsculo. O elenco tinha ainda um jovem roqueiro (Mark Thomas Miller) que soltava raios pelas mãos e o homem gelado (Mickey Jones), que apareceu apenas no piloto e que vivia dentro de um carro de sorvete. 

Viajantes do Tempo (Voyagers, EUA, 1982)
Direção – Winrich Kolbe
Elenco – Jon Erik Hexum, Meeno Peluce, Susan Barnes, Ed Begley Jr.

Phineas Bogg (John Erik Hexum) era um pirata que foi escolhido por um povo conhecido como “Voyagers” para viajar no tempo e reparar erros históricos. Phineas utiliza um relógio como máquina do tempo, que quando tem uma luz vermelha piscando, mostra que algo precisa ser corrigido. Um defeito no relógio leva Phineas para 1982, onde ele encontra o garoto Jeffrey (Meeno Peluce). Um acidente faz com que Phineas salve Jeffrey, mas seja obrigado a levar o garoto em suas viagens pelo tempo. A ótima premissa rendeu um bom filme piloto e os episódios fizeram sucesso por aqui, mas a série foi cancelada ao fim da primeira temporada. A nota trágica é que o ator John Erik Hexum faleceu em 1984 num estranho acidente com uma arma. Algumas notícias citavam suicídio e outras um acidente, fato que jamais foi totalmente explicado.

M. A. N. T. I. S. (M. A. N. T. I. S., EUA, 1994)
Direção – Eric Laneuville
Elenco – Carl Lumbly, Roger Rees, Bobby Hosea, Gina Torres, Steve James.

O cientista Miles Hawkins (Carl Lumbly) tem uma bela carreira e uma família perfeita. Durante um tumulto, Hawkins é atingido por um dísparo de um policial e fica paraplégico. Hawkins trabalhava no desenvolvimento de uma espécie de armadura que funcionaria acoplada ao cérebro da pessoa que a utilizasse. Ele decide se tornar a cobaia do próprio experimento e descobre que a armadura funciona. Ele consegue voltar a andar, ganhando força e agilidade. Apelidado de Mantis (louva-deus), pelo capacete parecer com o inseto, Hawkins utiliza a armadura para se tornar uma espécie de vigilante combatendo bandidos. É mais uma série com premissa interessante, que tinha Sam Raimi como produtor, mas que sobreviveu por apenas uma temporada.

A Volta dos Gatões (The Dukes of Hazzard: Reunion, EUA, 1997)
Direção – Lewis Teague
Elenco – John Schneider, Tom Wopat, Catherine Bach, Denver Pyle, James Best, Ben Jones, Stella Stevens.

O seriado “Os Gatões” (The Dukes Of Hazzard) fez grande sucesso rendendo sete temporadas, de 1979 a 1985. A trama se passava na pequena cidade de Hazzard, na Georgia, onde os primos Luke (Tom Wopat) e Bo (John Schneider) se metiam em confusões com o xerife Roscoe (James Best), que era dominado pelo chefão da cidade Boss Hogg (Sorrel Booke). O elenco tinha ainda a prima gostosa Daisy (Catherine Bach) e o Tio Jesse (Denver Pyle). A inspiração da série veio do sucesso de “Agarra-me se Puderes” com Burt Reynolds, longa que mostrou o potencial de audiência do público do sul dos Estados Unidos. Este telefilme mostra a reunião dos primos após alguns anos, que voltam para Hazzard com o objetivo de ajudar o Tio Jesse, que está sendo pressionado por uma empresária (Stella Stevens) para vender sua fazenda. O filme resgata as ótimas cenas de perseguição de carros, que eram o ponto principal da série, junto com o carro cor de laranja dos primos batizado de General Lee. A série ainda rendeu outro telefilme com o elenco original em 2000 e uma versão para o cinema com outro elenco em 2005. 

Missão Secreta (Once a Thief, Canadá, 1996)
Direção – John Woo
Elenco – Ivan Sergei, Sandrine Holt, Nicholas Lea, Robert Ito, Michael Wong.

No mesmo ano em que comandou o ótimo “A Outra Face”, John Woo emprestou seu talento neste curioso piloto de uma série policial que não decolou, rendendo apenas uma temporada. Com as limitações das produções de tv, John Woo foi obrigado a diminuir a violência, dando ênfase também a um triângulo amoroso. A trama começa em Hong Kong com o casal de ladrões Li Ann (Sandrine Holt) e Marc (Ivan Sergei) fugindo da máfia chinesa. Li Ann escapa, mas Marc acaba preso por uma organização secreta, que deseja recrutá-lo como agente. Algum tempo depois, Marc é enviado para o Canadá para encontrar Li Ann, que fica surrpesa ao vê-lo, pois ela já está vivendo com outro ladrão, Victor (Nicholas Lea). Após alguns desencontros, os três ladrões se tornam agentes e recebem a missão de eliminar um antigo companheiro de crime que vive em Hong Kong. O nome de John Woo neste telefilme é mais como uma grife, longe da qualidade dos seus trabalhos para o cinema.

Stingray (Stingray, EUA, 1985)
Direção – Richard A. Colla
Elenco – Nick Mancuso, Susan Blakely, Gregory Sierra, Lee Richardson.

Inspirado no sucesso de “A Super Máquina”, o roteirista e produtor Stephen J. Cannell criou esta série sobre um ex-agente secreto (Nick Mancuso), que viajava de cidade em cidade dirigindo um Corvette Stingray e ajudando pessoas em perigo. Ele não pedia dinheiro, a pessoa que era ajudada ficava devendo um favor, que mais tarde ele poderia cobrar das mais variadas formas. A premissa era legal e o personagem principal misterioso, porém a série durou apenas uma temporada. 

The Flash (The Flash, EUA, 1990)
Direção – Robert Iscove
Elenco – John Wesley Shipp, Amanda Pays, Alex Desert, Paula Marshall, Tim Thomerson, M. Emmet Walsh, Robert Hooks.

Após um acidente com produtos químicos, o cientista Barry Allen (John Wesley Shipp) descobre que se transformou no homem mais rápido do mundo. Sem saber como controlar este poder, Barry pede ajuda a cientista Tina McGee (Amanda Pays). Após a morte de seu irmão, Barry decide se transformar em um vingador caçando bandidos, para isso desenvolve uma roupa especial. Esta divertida série de ficção foi cancelada prematuramente após a primeira temporada. Mesmo com o ator John Wesley Shipp sendo um canastrão, os episódios eram recheados de ação, os efeitos especiais eram bons para época e até mesmo os vilões eram interessantes. Atualmente uma nova versão da série está no ar, mas não tive oportunidade de conferir. 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Jesus de Montreal

Jesus de Montreal (Jésus de Montréal, Canadá / França, 1989) – Nota 7
Direção – Denys Arcand
Elenco – Lothaire Bluteau, Catherine Wilkening, Johanne Marie Tremblay, Remy Girard, Robert Lepage, Gilles Peletier.

Daniel (Lothaire Bluteau) é um talentoso e desconhecido ator que é contratado por um padre (Gilles Peletier) para atualizar uma peça sobre a vida e o calvário de Jesus Cristo. A peça, que é encenada há mais de quarenta anos nos jardins de uma enorme igreja em Montreal, tem o texto alterado por Daniel, que convida dois atores e duas atrizes para completarem o elenco. O grupo cria um forte laço de amizade resultando em uma belíssima peça. Para surpresa dos atores, o padre e seus superiores não gostam da modernização da peça e tentam proibir as apresentações. 

O roteiro do diretor canadense Denys Arcand (“O Declínio do Império Americano” e “As Invasões Bárbaras”) faz um paralelo entre os dogmas que a Igreja Católica tenta passar para seus seguidores e a falta de moral e ética do mundo atual, situação esta exemplificada na sequência da seleção de atores para o comercial. 

A peça escrita pelo personagem de Daniel humaniza Jesus Cristo, o que faz com que o padre a veja como um perigo para a Igreja. O padre é um modelo de hipocrisia, ele tem uma amante e confessa que não abandona o sacerdócio para não perder as regalias que tem direito dentro da Igreja. Em outro diálogo, o padre diz a Daniel que as pessoas não querem a verdade, mas sim ouvir que Jesus e Deus amam a todos, mesmo que ele próprio não acredite nisto. A parte final é quase surreal, se mostrando como uma parábola da ressurreição de Cristo. 

Não é um filme para todos os públicos, parte das sequências são as encenações da peça, além disso, o estilo de Denys Arcand é recheado de diálogos, tem um ritmo lento e uma curiosa trilha sonora instrumental.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Aposta Máxima

Aposta Máxima (Runner Runner, EUA, 2013) – Nota 5,5
Direção – Brad Furman
Elenco – Justin Timberlake, Ben Affleck, Gemma Arterton, Anthony Mackie, Michael Esper, Oliver, Cooper, Christian George, Yul Vazquez, John Heard, Bob Gunton, James Molina, Louis Lombardi, Vincent Laresca.

O ambicioso Richie Furst (Justin Timberlake) é um aluno da Universidade de Princeton. que para pagar seus estudos trabalha como uma espécie de agenciador de apostas virtual, cooptando jovens alunos a participarem de jogos em um determinado site de apostas online. Quando o reitor (Bob Gunton) ameaça o expulsar da universidade caso ele continue com o esquema, Richie decide apostar suas economias no próprio site e acaba perdendo tudo. 

Com auxílio de um amigo hacker, Richie descobre que fora roubado pelo site. Ousado, ele decide viajar até a Costa Rica para tentar encontrar o dono do site, Ivan Block (Ben Affleck), que saiu dos Estados Unidos por estar sendo investigado. Para surpresa de Richie, Block o recebe e lhe oferece um emprego, prometendo muito dinheiro pelo trabalho. Ele aceita, sem imaginar que está entrando num jogo que pode custar caro em todos os sentidos. 

Com propagandas espalhadas por diversos sites na internet, chamadas nos canais de tv a cabo e até mesmo patrocinando uniformes de equipes de futebol, os sites de apostas online se multiplicaram nos últimos anos, rendendo milhões a grupos desconhecidos que comandam este mercado. 

O tema tinha tudo para render um ótimo filme, porém o roteiro repleto de clichês e os personagens caricatos resultaram numa pequena bomba. As interpretações da dupla de protagonistas também não ajudam. Justin Timberlake até funcionou como coadjuvante em filmes como “A Rede Social” e “Alpha Dog”, mas falta talento para ser protagonista. Enquanto isso, Ben Affleck mostra novamente seu lado canastrão como o vilão. 

Para piorar, as reviravoltas da trama são confusas e exageradas, transformando a parte final numa correria onde se tudo se resolve rapidamente e de forma inverossímil. O diretor Brad Furman foi muito mais feliz no drama policial “O Poder e a Lei”, mas falhou feio aqui. 

Como curiosidade, a trama sobre ambição e corrupção, lembra o melhor “O Primeiro Milhão” protagonizado por Giovanni Ribisi, produzido em 2000 e que se passava em uma corretora de valores em Wall Street. Naquele filme, o mesmo Ben Affleck tinha uma ponta como um corretor milionário sem escrúpulos.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Boyhood: Da Infância à Juventude

Boyhood – Da Infância à Juventude (Boyhood, EUA, 2014) – Nota 8
Direção – Richard Linklater
Elenco – Ethan Hawke, Patricia Arquette, Ellar Coltrane, Lorelei Linklater, Libby Villari, Marco Perella, Brad Hawkins.

Mais do que filme, este trabalho de Richard Linklater é uma interessante experiência cinematográfica que demorou doze anos para ser filmada. A ideia inteligente e ao mesmo tempo simples de seguir a vida de uma família durante doze anos, focando principalmente no crescimento e desenvolvimento pessoal do garoto Mason (Ellar Coltrane), rendeu um ótimo filme. 

Tudo começa quando Mason tem seis anos, sua irmã Samantha (Lorelei Linkalert, filha do diretor na vida real) oito e seus pais estão separados há dois anos. As crianças vivem com a mãe (Patricia Arquette) e ficam felizes quando o pai (Ethan Hawke) volta a morar na mesma cidade e passa conviver com eles durante os finais de semana. A história segue por doze anos, até Mason completar dezoito e entrar na universidade. 

Não esperem grandes traumas, dramas ou reviravoltas, o objetivo do roteiro de Linklater é mostrar pequenas situações do dia a dia, como descobertas, frustrações, alegrias e escolhas que pessoas comuns enfrentam todos os dias. 

Não existe uma marcação do tempo, o espectador percebe as mudanças no desenvolvimento das feições e do corpo dos personagens, nos cabelos diferentes, nas roupas e nos coadjuvantes que parecem importantes num certo período e que desaparecem na sequência seguinte. 

Os lapsos de tempo na narrativa podem parecer estranhos, porém a proposta é semelhante ao que acontece na vida real, principalmente nas rápidas mudanças da adolescência. Um grande amigo aos treze anos, pode não ter importância alguma aos quinze, ou uma paixão aos dezesseis, pode durar poucos meses e ser esquecida rapidamente. 

Mesmo com o foco principal no personagem de Ellar Coltrane, as mudanças também são percebidas na irmã interpretada por Lorelei Linklater e nos pais, que passam por outros relacionamentos, acertam, erram e sofrem como pessoas normais. 

Como informação, o processo de filmagem era feito em torno de três ou quatro dias por ano, com as cenas sendo filmadas em sequência e posteriormente montadas em 2014, resultando nesta interessante obra.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Caçada Humana

Caçada Humana (The Chase, EUA, 1966) - Nota 9
Direção – Arthur Penn
Elenco – Marlon Brando, Robert Redford, Jane Fonda, Angie Dickinson, Robert Duvall, James Fox, Janice Rule, E. G. Marshall, Martha Hyer, Miriam Hopkins, Jocelyn Brando, Richard Bradford.

Na sequência inicial, vemos dois homens com roupas de presidiário fugindo, sendo perseguidos por policiais e cães. Quando chegam à estrada, um deles mata um motorista e rouba seu carro, deixando para trás Bubby Reeves (Robert Redford). A notícia da fuga chega ao xerife Calder (Marlon Brando), sujeito honesto, porém tripudiado pelos moradores da cidade que o consideram puxa-saco do milionário Val Rogers (E. G. Marshall). 

Para complicar ainda mais a situação, o filho de Val, Jake (James Fox) tem um caso com a mulher do fugitivo Bubber, a bela Anna (Jane Fonda). O fato faz com que Val envie seus capangas para caçar Bubber, enquanto Calder fica entre a cruz e a espada. Se ficar quieto sua reputação ficará ainda pior, mas se fazer valer a lei, entrará em confronto com o poderoso milionário. 

Analisando apenas como cinema, é difícil entender como um grande filme como este foi crucificado pela crítica quando lançado, mas por outro lado, o conteúdo repleto de traições, adultérios, violência e preconceito era muito pesado para época. 

Mesmo fracassando nas bilheterias, o trabalho do diretor Arthur Penn chamou a atenção do astro Warren Beatty, com quem havia trabalhado em “Mickey One” no ano anterior e por este motivo foi o escolhido para comandar “Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas”, longa que mudaria os parâmetros da violência e da censura no cinema americano. 

Além do roteiro, neste “Caçada Humana” é necessário destacar o ótimo elenco, que além dos nomes citados, tem ainda Robert Duvall como um covarde e Angie Dickinson como a esposa do personagem de Brando, que o pressiona para matar o fugitivo interpretado por Redford. 

Hoje quase esquecido, este ótimo drama merece uma revisita. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Jack Reacher: O Último Tiro

Jack Reacher: O Último Tiro (Jack Reacher, EUA, 2012) – Nota 7
Direção – Christopher McQuarrie
Elenco – Tom Cruise, Rosamund Pike, Richard Jenkins, David Oyelowo, Robert Duvall, Werner Herzog, Jai Courtney, Vladimir Sizov, Joseph Sikora, Alexia Fast.

Um atirador dispara vários tiros de um estacionamento matando cinco pessoas que estavam em um parque. Um sujeito é preso (Joseph Sikora), mas ao invés de confessar, pede que chamem um tal de Jack Reacher (Tom Cruise). Reacher é um ex-investigador do exército que abandonou tudo e hoje vive como um fantasma. 

Reacher vê na tv o sujeito que foi preso, o reconhece e decide se apresentar aos promotores (Richard Jenkins e David Oyelowo). Ao descobrir que o suspeito fora espancado na prisão e está em coma, Reacher a princípio pensar em ir embora, mas acaba convencido pela defensora pública (Rosamund Pike) a ficar e investigar o que realmente ocorreu. 

Esta segunda incursão do roteirista Christopher McQuarrie na direção (a primeira foi o interessante “À Sangue Frio” em 2000) começa de forma instigante. A forma como ocorrem os assassinatos do início demostram que existe uma trama complexa, que infelizmente perde a força conforme a história avança, muito pelo roteiro previsível recheado de clichês e os personagens coadjuvantes ruins. 

Mesmo escolhas interessantes como a de colocar o diretor alemão Werner Herzog no elenco e a participação de Robert Duvall como um excêntrico personagem não funcionam. Por sinal, o personagem de Duvall tem um bom diálogo com Cruise, mas a sequência em que ele ajuda o astro se mostra inverossímil. 

O longa ganha pontos com as boas cenas de ação, inclusive uma interessante perseguição de automóveis, pelo ritmo ágil da narrativa e pela competente primeira parte, mas no geral fica aquém do que poderia render.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O Predestinado

O Predestinado (Predestionation, Austrália, 2014) – Nota 8
Direção – Michael & Peter Spierig
Elenco – Ethan Hawke, Sarah Snook, Noah Taylor.

Um desconhecido está tentando desarmar uma bomba quando é atacado por outro desconhecido e termina por ter o rosto todo queimado. O espectador não vê o rosto dos envolvidos. Na sequência, o sujeito que se queimou acorda em um hospital, onde é tratado por um determinado período, até que se recupera, porém seu rosto está totalmente modificado por causa das cirurgias de reconstrução. 

Em seguida, descobrimos que o sujeito (Ethan Hawke) é um tipo de agente que trabalha para uma estranha organização. Na sequência, ele está disfarçado como barman com o objetivo de localizar um terrorista. Um enigmático sujeito (Sarah Snook) chega ao balcão, os dois iniciam uma curiosa conversa e o homem aceita contar sua vida, confessando que nasceu mulher, mas teve de se transformar em homem. É o início de um dos filmes mais intrigantes dos últimos anos. 

É uma trama extremamente complexa, com um roteiro que mesmo dando pistas sobre o que realmente está ocorrendo, não deixa de ser surpreendente. É o tipo de filme que não vale a pena falar mais sobre a trama, o espectador é quem precisa ter a atenção redobrada para captar todos os detalhes. 

Quando um filme deixa o espectador pensando após a sessão, aguçando sua curiosidade para entender mais sobre a trama, com certeza ele atingiu um nível de qualidade acima da média. Para quem gosta de gastar os neurônios com uma ótima trama, este longa é imperdível. 

Como informação, os irmãos Spierig e o astro Ethan Hawke, trabalharam juntos em “2019 – O Ano da Extinção”, longa de 2009 que eu ainda não conferi, mas que já está na minha lista.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Zona de Risco

Zona de Risco (Gongdong Gyeongbi Guyeok JSA, Coreia do Sul, 2000) – Nota 8
Direção – Chan Wook Park
Elenco – Yeong Ae Lee, Byung Hun Lee, Kang Ho Song, Tae Woo Kim, Ha Kyun Shin, Christoph Hofrichter, Herbert Ulrich.

Na fronteira entre as duas Coreias, um tiroteio deixa dois soldados norte-coreanos mortos, um ferido (Kang Ho Song) e outro soldado sul-coreano também ferido (Byung Hun Lee). O governo da Coreia do Sul alega que seu soldado fora sequestrado e reagiu matando dois inimigos. Enquanto isso, as autoridades da Coreia do Norte acusam que o inimigo invadiu seu território e deliberadamente atacou os três soldados. 

Para tratar o caso com imparcialidade e chegar a um consenso, os governos coreanos aceitam que a Suíça e a Suécia façam a intermediação do conflito, enviando a oficial Jean (Yeong Ae Lee) para interrogar os sobreviventes. A jovem que tem a nacionalidade suíça, sendo filha de mãe suíça e pai coreano, fala a língua do pai, mas jamais havia visitado o país. Logo, a jovem oficial percebe que as versões dos soldados sobreviventes tem várias inconsistências e que os dois governos não tem interesse algum em descobrir a verdade. 

Este belíssimo drama foi o primeiro trabalho do diretor Chan Wook Park (“Old Boy”) a chamar atenção da critica internacional. A primeira parte é instigante, deixando a impressão de que seria um filme de pura investigação policial, porém antes da metade, Park passa a inserir flashbacks com pistas do que realmente ocorreu entre os soldados. Num determinado momento, a trama deixa de lado a investigação e se joga totalmente nos acontecimentos da fronteira, até retornar à investigação e chegar ao contundente final. Park já demonstrava aqui seu talento na narrativa ao amarrar muito bem as idas e vindas da trama, que aos poucos montam um perfeito quebra-cabeças. 

Além de inteligente, o roteiro também questiona o absurdo que é a divisão da Coreia em dois países, separando pessoas da mesma nacionalidade, as transformando em inimigos por causa de política e poder. Ver a fronteira dividida por uma pequena ponte e a chamada “área desmilitarizada” demarcada por uma risca de tinta no chão, chega a ser surreal. 

Vale destacar ainda o elenco, em especial o trio principal, que estão em os melhores atores do cinema coreano. A bela Yeon Ae Lee voltou a trabalhar com Park em “Lady Vingança”, Byung Hun Lee foi o protagonista do ótimo “Eu Vi o Diabo” e Kang Ho Song se tornou o ator coreano mais conhecido internacionalmente após trabalhar em vários filmes como “Mr. Vingança” do próprio Park, os ótimos “Memórias de um Assassino” e “O Hospedeiro”, além do curioso “Expresso do Amanhã”.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

CBGB

CBGB (CBGB, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – Randall Miller
Elenco – Alan Rickman, Donal Logue, Ashley Greene, Freddy Rodriguez, Justin Bartha, Malin Akerman, Richard de Klerk, Estelle Harris, Rupert Grint, Taylor Hawkins, Ryan Hurst, Ahna O’Reilly, Joel David Moore, Stana Katic, Mickey Summer, Bradley Whitford, Josh Zuckerman.

Em 1973, Hilly Kristal (Alan Rickman) tinha quarenta e dois anos, um divórcio, dois filhos e já havia levado dois bares à falência. Sujeito teimoso, Hilly decidiu abrir um novo bar utilizando dinheiro emprestado pela mãe (a impagável Estelle Harris). 

Ao lado do amigo Merv (Donal Logue), Hilly aluga um espaço em um decadente bairro de Nova York e abre o “CBGB”, que a princípio seria um local para apresentações de bandas de “Country, Bluegrass e Blues”. O que tinha tudo para ser outro fracasso, tem seu destino modificado quando a então desconhecida banda “Television” toca no local e logo em seguida é elogiada por um famoso crítico musical. A partir daí, o CBGB é procurado por bandas inciantes que sonham em fazer sucesso, transformando o local em um verdadeiro “Templo do Punk Rock”. 

Apesar de ter sido massacrado pela crítica americana, este longa mistura a história real do CBGB com fatos ficcionais de uma forma extremamente leve e divertida. Os pontos altos são a ótima triha sonora, os engraçados diálogos e principalmente as caracterizações dos personagens. 

Quem gosta de rock vai ser divertir ao ver retratado na tela figuras como os malucos dos “Dead Boys”, os “Ramones”, “The Police”, “Talking Heads”, “Blondie”, Lou Reed e Iggy Pop. A caracterização mais impressionante é a da atriz Mickey Summer, filha do roqueiro Sting, que ficou muito parecida com a cantora Patty Smith. O próprio Hilly Kristal interpretado por Alan Rickman é impagável, com seu jeito estranho, teimoso e sempre com o cachorro Jonathan ao seu lado. 

O roteiro brinca ainda com diversas referências ligadas ao Punk Rock, como a piada sobre as botas, a história do banheiro nojento do CBGB, a criação da revista “Punk”, entre outras situações e personagens ligados ao mundo do rock. 

Outro ponto positivo são as várias sequências destacadas como se fossem quadrinhos, utilizando desenhos famosos que foram publicados na revista “Punk”. 

O CBGB funcionou de 1973 até 2006, tendo contabilizado em torno de cinquenta mil bandas que se apresentaram no local. 

O verdadeiro Hilly Kristal faleceu em 2007, mas antes disso em 2002, foi homenageado pela banda Talking Heads quando esta foi incluída no Rock and Roll Hall of Fame.  

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A Gente Não Somos Inútil


A Gente Não Somos Inútil (Brasil, 2014) – Nota 7,5
Direção – Gilles Sonsino
Documentário

Com trinta anos de carreira, a banda Ultraje a Rigor ganhou como homenagem este documentário que foca o auge do rock nacional nos anos oitenta. 

A banda surgiu no início daquela década, tendo como cabeças o vocalista Roger e o baterista Leospa. A primeira formação tinha ainda o guitarrista Edgard Scandurra, que após dois anos seguiria carreira com o Ira e o baixista Silvio, que ficaria pouco tempo na banda. Quando o Ultraje explodiu em 1983, o baixo estava com Maurício e logo depois Edgard deu lugar a Carlinhos. 

O sucesso da banda começou com “A Gente Somos Inútil”, um verdadeiro hino do rock nacional, com uma letra recheada de críticas ao povo e ao país, que infelizmente até hoje se mostram atuais. Em seguida a banda emplacou “Mim Quer Tocar” e se tornou uma febre quando lançou o disco “Nós Vamos Invadir Sua Praia”. Este disco pode ser considerado um fenômeno, pois as doze músicas tocaram nas rádios com sucesso. 

O documentário conta com detalhes esta sequência de fatos, através de depoimentos de Roger, Leospa, dos membros atuais da banda e de pessoas ligadas ao rock nacional, como o músico Maurício Pereira, Paulo Miklos dos Titãs e o produtor Pena Schmidt. 

Para quem vê hoje em dia o Ultraje apenas como uma banda de programa de tv, precisa saber que o sucesso que eles alcançaram nos anos oitenta foi totalmente merecido, além de ter sido um dos fatores que abriram caminho para diversos conjuntos de rock terem espaço na mídia. 

As novas gerações acostumadas com a massificação musical de tranqueiras como funk, sertanejo universitário e axé, não imaginam como o rock nacional foi importante para a geração que cresceu nos anos oitenta.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A Aldeia do Amaldiçoados, A Estirpe dos Malditos & A Cidade dos Amaldiçoados


A Aldeia dos Amaldiçoados (Village of the Damned, Inglaterra, 1960) – Nota 7,5
Direção – Wolf Rilla
Elenco – George Sanders, Barbara Shelley, Martin Stephens, Michael Gwynn, Laurence Naismith.

Num determinado momento, todos os habitantes de uma cidade do interior da Inglaterra desmaiam. Um oficial do exército (Michael Gwynn) perde o contato pelo telefone com seu amigo, professor Zellaby (George Sanders) e decide visitar a vila para saber o que ocorreu. Após a surpresa inicial e a chegada do exército, as pessoas acordam sem saber o que aconteceu. 

As investigações não levam a lugar algum, até que pouco tempo depois, todas as mulheres da cidade descobrem que estão grávidas, inclusive algumas que dizem não ter tido relações. Várias crianças nascem no mesmo dia, se desenvolvem rapidamente, mostram uma inteligência incomum, tem uma aparência semelhante, são loiras de olhos claros e agem de modo estranho liderados pelo garoto David (Martin Stephens). 

Este clássico do cinema de ficção B tem uma interessantíssima premissa, um desenvolvimento da trama um pouco apressado, muito provavelmente pelo baixo orçamento e a boa sacada de fazer o espectador criar sua própria teoria sobre o porquê dos acontecimentos. 

O final é forte e politicamente incorreto, o que aumenta a qualidade do longa.

A Estirpe dos Malditos (Children of the Damned, Inglaterra, 1963) – Nota 6,5
Direção – Anton M. Leader
Elenco – Ian Hendry, Alan Badel, Barbara Ferris, Alfred Burke, Sheila Allen, Clive Powell.

Em Londres, o governo inglês deseja reunir seis crianças de diferentes nacionalidades com inteligência acima da média, para serem estudadas por cientistas. As crianças estão nas embaixadas de seus respectivos países, que também desejam mantê-las sob custódia, com medo delas ser tornarem ameaças ajudando seus inimigos a desenvolverem armas. 

Com o poder de ler a mente das pessoas, as crianças se rebelam e fogem, se escondendo em uma igreja abandonada. A situação divide opiniões, principalmente de dois estudiosos. Enquanto o psiquiatra Tom (Ian Hendry) acredita que pode resolver a situação em paz, o doutor David Neville (Alan Badel) vê como única saída destruir as poderosas crianças. 

O longa original cita que acontecimentos semelhantes aos desmaios das pessoas da vila, aconteceram em outros lugares do mundo. Esta sequência mostra estas crianças que teriam nascido em consequência do fenômeno e como seus poderes foram vistos como uma ameaça pelos governos. 

O filme não tem o mesmo clima do original, o foco aqui é o cerco da igreja feito pelo exército e a crise entre os cientistas. É curioso notar que a os dois cientistas moram juntos, conversam como um casal, mostrando claramente uma relação homossexual, que por causa da época, jamais é citada no roteiro. 

É um filme que vale como curiosidade para quem assistiu ao original.    

A Cidade dos Amaldiçoados (Village of the Damned, EUA, 1995) – Nota 6
Direção – John Carpenter
Elenco – Christopher Reeve, Kirstie Alley, Linda Koslowzky, Michael Paré, Meredith Salenger, Mark Hamill, Peter Jason, Thomas Dekker.

Numa pequena cidade americana, o dr. Alan Chafee (Christopher Reeve) viaja num determinado dia, escapando do estranho fenômeno que ocorre. Todos os moradores do local desmaiam e ficam desacordados por seis horas. O governo entra em cena, enviando o exército e a dra. Susan Verner (Kirstie Alley), porém as pessoas acordam aparentemente sem problemas. 

Pouco tempo depois, dez mulheres descobrem que estão grávidas e ficam extremamente assustadas. Com medo de que as mulheres decidam abortar, a dra. Verner oferece um pacote de ajuda para todas, em troca de autorização para estudo e acompanhamento das crianças que irão nascem. A princípio as mães não aceitam a proposta, mas algo sobrenatural faz com elas mudem de ideia. 

Quando as crianças nascem, uma delas morre e a dra Verner leva o corpo para análise. Passando algum tempo, as crianças crescem e formam pares, exceto o pequeno David (Thomas Dekker), que aparentemente seria o par do bebê que nasceu morto. Mostrando uma inteligência excepcional, aos poucos as crianças passam a dominar a cidade, assustando os moradores. 

John Carpenter é um dos meus diretores favoritos, porém esta refilmagem do clássico B de 1960 é um dos seus trabalhos mais fracos, ao lado do equivocado “Memórias de um Homem Invisível”. 

A primeira parte é interessante, principalmente para quem não assistiu ao original. O suspense dos desmaios da população, a falta de explicação da situação e a atitude canalha do governo representado pela personagem de Kirstie Alley, deixam o espectador curioso, porém a partir do momento em que a trama se volta para a conspiração das crianças, o filme perde força. 

O líder das crianças interpretado por Thomas Dekker assusta com sua inexpressividade, assim como o olhar gelado das outras crianças, porém as cenas de suspense não passam emoção alguma, além da tosca sequência da autópsia. 

Como curiosidade, vemos Mark Hamill, o eterno Luke Skywalker como um reverendo que tenta enfrentar as crianças e Linda Koslowzky, a bonita sra. Paul “Crocodilo Dundee” Hogan, como a mãe do sinistro David. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Garotas Selvagens

Garotas Selvagens (Wild Things, EUA, 1998) – Nota 7,5
Direção – John McNaughton
Elenco – Kevin Bacon, Matt Dillon, Neve Campbell, Denise Richards, Theresa Russell, Bill Murray, Daphne Rubin Vega, Robert Wagner.

Sam Lombardo (Matt Dillon) é o conselheiro escolar de um colégio no sul da Flórida. Respeitado pelos colegas e querido pelos alunos, Sam tem sua vida virada de ponta cabeça quando a aluna Kelly Van Ryan (Denise Richards), que pertence a uma poderosa família da cidade, o acusa de estupro. 

Surpreso com a acusação, Sam alega inocência, porém não demora para outra aluna, a rebelde Suzie Toller (Neve Campbell) dizer que também foi estuprada por ele. Para complicar ainda mais o caso, Sam esconde que teve um affair com a mãe de Kelly, a perua Sandra (Theresa Russell).  A investigação policial fica a cargo do detetive Ray Duquette (Kevin Bacon), que desconfia ter algo de errado com as acusações. Este é apenas o início de uma trama repleta de reviravoltas, mentiras e traições. 

O diretor John McNaughton surgiu para o cinema com o violento “Henry – Retrato de um Assassino” em 1986, deixando uma ótima expectativa em relação a sua carreira, que infelizmente não se confirmou. 

Este “Garotas Selvagens” foi lançado como um suspense, porém o roteiro mistura trama policial, drama e muito erotismo. Este último item chama atenção no clima e em várias sequências, principalmente na cena quente da piscina entre Neve Campbell e Denise Richards. 

As várias reviravoltas da trama são exageradas, mas ao mesmo tempo prendem a atenção do espectador, que ficará em dúvida sobre a verdadeira história até o final. É um filme em que personagem algum é inocente. 

Além das garotas voluptuosas, inclusive a veterana Theresa Russell, vale destacar a participação de Bill Murray como um estranho advogado. 

Mesmo com reviravoltas exageradas e um elenco canastrão, este “Garotas Selvagens” é o melhor trabalho de John McNaughton depois de “Henry”. 

Como informação, o longa teve ainda três sequências lançadas diretamente em DVD. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Do Outro Lado da Lei

Do Outro Lado da Lei (El Bonaerense, Argentina / Chile / França / Holanda, 2002) – Nota 7,5
Direção – Pablo Trapero
Elenco – Jorge Roman, Mimi Ardú, Dario Levy, Victor Hugo Carrizo, Hugo Anganuzzi.

Zapa (Jorge Roman) é um serralheiro/chaveiro que vive numa pequena cidade do interior da Argentina. Pessoa extremamente simples e levando uma vida sem perspectivas, Zapa é obrigado por seu chefe a abrir de forma ilegal o cofre de uma farmácia. No dia seguinte, seu chefe foge e Zapa acaba preso, porém por interferência de seu tio, ele é libertado e enviado para Buenos Aires onde terá emprego garantido na polícia. 

Mesmo com uma enorme dificuldade para tarefas como manejar uma arma ou entender as patentes policiais, Zapa é aceito e se torna protegido do delegado Gallo (Dario Levy), que vê no pobre coitado alguém para seguir ordens sem questionar. Logo, Zapa se envolve no esquema de corrupção do local, cobrando propinas e fazendo vistas grossas aos abusos cometidos pelos colegas, ao mesmo tempo em que tenta se acertar com uma nova namorada (Mimi Ardú). 

Produzido numa época em que a Argentina passava por uma terrível crise econômica, que por consequência resultou num aumento do desemprego, da pobreza e da corrupção, este longa de Pablo Trapero é um retrato da situação caótica que vivia o país. 

A câmera de Trapero mostra uma Buenos Aires suja, com moradores de rua, serviços públicos que não funcionam e uma polícia corrupta e abandonada. As viaturas não funcionam, as armas são compradas de forma ilegal e os policiais se mostram inaptos e despreparados. 

Em algumas sequências o personagem principal se torna um espectador do absurdo, como na cena em que ele vê de dentro da delegacia uma dupla de policiais abordando dois sujeitos bêbados em uma moto, numa situação que termina em tragédia. 

É um filme cru, daqueles que nos faz perder a esperança de viver em um mundo mais justo e honesto.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Homicide: Life on the Street

Homicide: Life on the Street (Homicide: Life on the Street, EUA, 1993 a 1999)
Criador - Paul Atanasio,
Produtores - David Simon, Tom Fontana e Barry Levinson

Elenco - Andre Braugher, Richard Belzer, Clark Johnson, Yaphett Kotto, Kyle Secor, Melissa Leo, Reed Diamond, Peter Gerety, Tony Lewis, Isabella Hoffmann, Jon Seda, Callie Thorne, Max Perlich, Zeljko Ivanek, Daniel Baldwin, Ned Beatty, Michelle Forbes, Jon Polito, Lee Tergesen.

Os seriados policiais sempre seguiram o mesmo princípio de crime-investigação-solução, porém a narrativa, a forma e as ferramentas de investigação, além do estilo dos personagens, foram sendo atualizados de acordo com a passagem do tempo e as mudanças de costumes.

Nos anos setenta, o foco dos seriados policiais estavam nos detetives particulares. Séries como "Baretta", "Kojak", "Columbo" e até "Magnum" durante os anos oitenta, fizeram grande sucesso. A mudança começou em 1981, quando surgiu "Hill Street Blues", que deixava de lado a ideia de um personagem sozinho investigando criminosos, para mostrar o dia a dia de uma delegacia de polícia num violento bairro de Nova York. A série tinha mais de dez personagens fixos, todos com importância nas tramas e que enfrentavam problemas no trabalho e na vida pessoal.

Este estilo de mostrar os policiais como pessoas comuns, subiu um degrau a mais na qualidade quando "Nova York Contra o Crime" ("NYPD Blue") se tornou um estrondoso sucesso no início dos anos noventa. A série trazia personagens fortes, enfrentando os problemas de uma Nova York revitalizada, com histórias muito próximas da realidade e uma narrativa cinematográfica, deixando um pouco de lado a linguagem televisiva.

No mesmo ano, em 1993, foi lançada "Homicide: Life on the Street", que na minha opinião, ficava no meio do caminho entre a seriedade de "Nova York Contra o Crime" e o estilo rústico de "Hill Street Blues".

A série tinha como protagonistas os detetives do departamento de homicídios da decadente cidade de Baltimore. Também não existia um personagem principal, todos tinham o mesmo peso na divisão dos episódios, mas lógico que alguns personagens se destacavam.

O personagem mais marcante era Frank Pembleton (Andre Braugher), um detetive negro, inteligente e arrogante, que tratava ótimos diálogos com seu parceiro Tim Bayliss (Kyle Secor), um sujeito metódico. Vale destacar ainda o veterano Yaphett Kotto como o tenente Al Giardello e o então comediante Richard Belzer como o paranoico John Munch, além de Melissa Leo, que ficaria conhecida no cinema após protagonizar o drama "Rio Congelado".

Como curiosidade, o personagem John Munch interpretado por Richard Belzer é o recordista em aparições em séries diferentes. Ele apareceu em onze séries, sendo interpretado pelo ator durante vinte anos seguidos. Após o final de "Homicide", Belzer migrou com seu personagem para "Law & Order: SVU" onde atuou como fixo até 2014. John Munch teve ainda participações especiais em "Arquivo X", "Os Simpsons", "Law & Order", "The Beat", "The Wire - A Escuta", "Arrested Development", "Law & Order: Trial by Jury", "30 Rock" e até em "Vila Sésamo".

O sucesso rendeu sete temporadas para "Homicide" e abriu caminho para seus produtores engatarem outras séries de sucesso. Tom Fontana e o diretor Barry Levinson investiram na ótima e violentíssima "Oz - A Vida É uma Prisão", enquanto o escritor e roteirista David Simon criou a também ótima "The Wire - A Escuta", que pode ser considerada uma espécie de sequência de "Homicide", pois também se passa em Baltimore, seguindo a investigação de um desmoralizado grupo de policiais que busca prender grandes traficantes que dominam bairros pobres da cidade.

Como informação, Barry Levinson é nascido em Baltimore e vários de seus filmes, além dos dois seriados citados, tem sua cidade natal como locação.

A série rendeu ainda um telefilme em 2000.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

A Entrega

A Entrega (The Drop, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Michael R. Roskam
Elenco – Tom Hardy, Noomi Rapace, James Gandolfini, Matthias Schoenaerts, John Ortiz, Michael Aronov, Ann Dowd.

No início do filme, ouvimos o barman Bob (Tom Hardy) falando que a Máfia utiliza diariamente diferentes bares para recolher o dinheiro das apostas ilegais. Bob trabalha no bar de seu primo Marv (James Gandolfini), local que na verdade pertence aos mafiosos chechenos e que serve de fachada para a circulação da grana ilegal. 

Quando uma dupla de vagabundos decide assaltar o bar e rouba cinco mil dólares, o fato faz com que os primos sejam pressionados pelos mafiosos para reaver o dinheiro. Em paralelo, Bob resgata um filhote de pitbull que fora espancado e jogado na lata de lixo na casa de Nadia (Noomi Rapace). O pequeno animal faz nascer um laço entre Bob e Nadia, ao mesmo tempo em que surge o maluco Eric Deeds (Matthias Schoenaerts), ex-namorado de Nadia, que reaparece para atormentar a vida de Bob. 

Baseado em um livro de Dennis Lehane (escritor de “Medo da Verdade”, “Ilha do Medo” e “Sobre Meninos e Lobos”), este longa é um pequeno drama sobre pessoas que vivem ao redor da marginalidade, sem grandes sonhos, onde a única perspectiva é manter a melhor relação possível com todos para não enfrentar problemas. 

A trama lembra as obras sobre a Máfia dos anos setenta, focando nas frustrações dos personagens que carregam traumas e escondem esqueletos do passado no armário. 

O destaque do elenco fica por conta de Tom Hardy, que a princípio parece ser um sujeito lento e medroso, mas que mostra a verdadeira face quando necessário. 

A nota triste é que este foi o último trabalho para o cinema do ator James Gandolfini, que faleceu em 2013 e sequer viu o longa ser lançado.  

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Deepwater - A Cidade do Medo

Deepwater – A Cidade do Medo (Deepwater, EUA, 2005) – Nota 5
Direção – David S. Marfield
Elenco – Lucas Black, Peter Coyote, Mia Maestro, Lesley Ann Warren, Xander Berkeley, Jason Cerbone, Michael Ironside, Kristen Bell, Ben Cardinal, Brett Watson.

Após receber alta de um hospital, aparentemente por causa de um acidente, Nat (Lucas Black) segue de carona em direção ao Wyoming com o objetivo de começar uma criação de avestruz. Após uma discussão com um caminhoneiro, Nat rouba um carro e se envolve num acidente em que salva a vida de Herman Finch (Peter Coyote), dono de um decadente motel na pequena cidade de Deepwater. 

Finch oferece um emprego para Nat pintar o motel, prometendo como pagamento um carro usado para o jovem seguir viagem. Nat aceita o acordo, mas logo percebe que Finch está envolvido em negócios estranhos. Para complicar ainda mais a situação, o jovem sente-se atraído por Iris (Mia Maestro), a bela esposa de Finch. 

A princípio, o roteiro parece ser de um filme policial sobre uma cidade corrupta, depois fica a impressão de existir algo sobrenatural e por fim cria uma reviravolta maluca. Junte a isso personagens estranhos, como uma dupla de vendedores de carros, um comerciante com dívidas, um mafioso e até um cassino em território indígena, resultando numa indigesta mistura com várias cenas filmadas em tons de azul para realçar o lago que fica ao lado do motel. 

Como informação, quando garoto, Lucas Black teve papéis importantes em “Na Corda Bamba”, “Loucos do Alabama” e “Arquivo X – O Filme”. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O Abutre

O Abutre (Nightcrawler, EUA, 2014) – Nota 8
Direção – Dan Gilroy
Elenco – Jake Gyllenhaal, Rene Russo, Bill Paxton, Riz Ahmed, Kevin Rahm, Ann Cusack.

Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) é um ladrão que sobrevive com pequenos roubos em Los Angeles e que procura uma chance para ganhar dinheiro. A oportunidade surge quando Louis passa por um acidente de automóvel em uma rodovia e vê dois sujeitos filmando a tragédia. No dia seguinte, ao ver a filmagem em um programa de tv, Louis decide “comprar” um rádio de polícia e uma câmera em uma loja de penhor, dando início a sua carreira de freelancer. 

Com olhar apurado para detalhes e sem escrúpulo algum para filmar pessoas feridas ou invadir cenas de crime, Louis consegue filmar um terrível acidente e vender as imagens para uma produtora de tv, a veterana Nina (Rene Russo, esposa do diretor Dan Gilroy), que vê na ousadia do rapaz a chance de alavancar a audiência. 

O papel da imprensa sensacionalista foi abordado diversas vezes pelo cinema, tendo “A Montanha dos Sete Abutres” com Kirk Douglas como um dos filmes principais, porém este “O Abutre” vai além na discussão, ao mostrar a total falta de limites deste tipo de “jornalista”. 

O roteiro de Dan Gilroy, que faz aqui sua estreia como diretor, não faz julgamentos morais ou éticos, ele prefere utilizar o protagonista como um comunicador da tragédia através das imagens, praticamente um psicopata ganancioso e egocêntrico, focado em resultados e dinheiro. 

A interpretação de Jake Gyllenhaal é perfeita, o sujeito diz ser um autodidata que aprendeu tudo na internet e que despeja suas ideias e objetivos de forma direta, seja na frente do assustado assistente (Riz Ahmed) ou da executiva durona (Rene Russo), sempre finalizando com um maquiavélico sorriso no rosto. 

Por mais que o personagem de Louis Bloom seja o vilão, ele somente se sobressai porque existem pessoas para “consumir” a tragédia, sejam os executivos de tv em busca de audiência e consequente lucro e o publico em geral que se torna cúmplice na exploração da infelicidade alheia. 

Vale destacar ainda a bela fotografia noturna de Los Angeles e a ótima sequência de perseguição na parte final.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Crimes Imaginários & Zebrahead



Crimes Imaginários (Imaginary Crimes, EUA, 1994) – Nota 7
Direção – Anthony Drazan
Elenco – Harvey Keitel, Fairuza Balk, Kelly Lynch, Vincent D’Onofrio, Diane Baker, Chris Penn, Elizabeth Moss, Seymour Cassel, Amber Benson.

Oregon, anos cinquenta, após a morte da esposa (Kelly Lynch), Ray Weiler (Harvei Keitel) ficou sozinho para cuidar das duas filhas. A adolescente Sonya (Fairuza Balk) e a pré-adolescente Greta (Elizabeth Moss) sofrem com a irresponsabilidade do pai. Ray é um sujeito sonhador que sempre investiu em fórmulas mirabolantes para ganhar dinheiro e sempre se deu mal. 

Num determinado momento, pressionado pela falta de dinheiro, Ray se envolve em um esquema fraudulento, ao mesmo tempo em que sofre para lidar com as filhas e principalmente com questionamentos de Sonya. 

Baseado num livro autobiográfico de Sheila Ballantyne, este triste drama narrado pela personagem de Fairuza Balk, deixa o espectador angustiado com o sofrimento enfrentado pelas garotas, consequências dos erros do pai. 

Vale destacar as interpretações de Harvey Keitel, que encarna um personagem complexo e da pequena Elizabeth Moss como a sensível Greta.

Zebrahead (Zebrahead, EUA, 1992) – Nota 6,5
Direção – Anthony Drazan
Elenco – Michael Rapaport, N’Bushe Wright, Ray Sharkey, Deshonn Castle, Ron Johnson, Jon Seda, Kevin Corrigan.

Em Detroit, Zack (Michael Rapaport) é um jovem branco que segue o estilo de vida do hip-hop e tem como melhor amigo o negro Dee (Deshonn Castle). Quando Zack conhece Nikki (N’Bushe Wright), que é prima de Dee, fica atraído pela garota e logo começam a namorar. O relacionamento interracial é visto pelo amigos brancos de Zack como uma forma de aventura sexual, enquanto os negros próximos a Nikki não se conformam com a jovem namorando um branco. A situação se torna perigosa quando o traficante Nut (Ron Johnson), deseja ficar com Nikki a qualquer custo, fato que cria uma forte tensão racial na vizinhança e no colégio onde os jovens estudam. 

Até hoje os Estados Unidos sofre com a tensão racial, qualquer situação mais forte entre negros e brancos resulta em protestos e até mesmo violência. No início dos anos noventa a situação era ainda mais pesada, principalmente após o “Caso Rodney King” em 1991, um ano antes deste filme. 

Na época, outros filmes como “Faça a Coisa Certa” de Spike Lee, “Boyz'n the Hood - Os Donos da Rua” de John Singleton e “Perigo Para a Sociedade “ dos irmãos Albert e Allen Hughes, exploraram o tema com talento e polêmica. 

Este “Zebrahead” não tem a mesma qualidade dos filmes citados e tenta seguir um caminho diferente, criando uma espécie de “Romeu e Julieta” moderno, que desencadeia o ódio nas pessoas ao redor. 

É um produção em que a história é melhor do que o filme.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Os Abutres Tem Fome

Os Abutres Tem Fome (Two Mules for Sister Sara, EUA, 1970) – Nota 8
Direção – Don Siegel
Elenco – Clint Eastwood, Shirley MacLaine, Manolo Fabregas, Alberto Morin.

México, século XIX, o mercenário Hogan (Clint Eastwood) viaja pelo deserto com o objetivo de roubar uma fortuna guardada em uma fortaleza francesa. No caminho, ele cruza com uma garota que está prestes a ser violentada por quatro bandidos. Hogan mata os sujeitos e salva a jovem, que ao se vestir mostra que é uma freira e diz que se chama Sara. 

Logo, Hogan descobre também que a irmã Sara está sendo procurada pelos soldados franceses, pois sua igreja fica ao lado da fortaleza e ela sabe onde está escondida a fortuna. Os dois personagens aparentemente com objetivos diferentes, se unem para enfrentar a perigosa situação. 

Esta divertida e movimentada produção americana tem os dois pés no western spaghetti italiano. O personagem principal é o anti-herói clássico, semelhante aos papéis que Eastwood interpretou na “trilogia dos dólares” com Sergio Leone. 

A trama mistura muita ação com algumas cenas engraçadas a cargo de Shirley MacLaine, que por sinal esconde um segredo não tão difícil de ser descoberto. 

Os coadjuvantes são sujos, decadentes e desonestos, todos castigados pelo sol escaldante do deserto. 

Como curiosidade, este western foi reprisado a exaustão nos anos oitenta pela TV Record, que toda semana tinha várias sessões no período da noite intercalando westerns e filmes de Kung Fu, além de seriados clássicos como “Bonanza”, “Laredo” e “Os Pioneiros”.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher, EUA, 2014) – Nota 8
Direção – Bennett Miller
Elenco – Steve Carell, Channing Tatum, Mark Ruffalo, Sienna Miller, Vanessa Redgrave, Anthony Michael Hall, Guy Boyd.

Mark Schultz (Channing Tatum) foi campeão olímpico de luta greco-romana em Los Angeles 1984. Estamos em 1987 e Mark leva uma vida simples, com pouco dinheiro e treinando diariamente com o irmão David (Mark Ruffalo), que também ganhou uma medalha de ouro olímpica. 

Num certo dia, Mark recebe a ligação de uma pessoa o convidando para conhecer a casa de John du Pont. Mesmo sem saber quem era o sujeito e o porquê do convite, Mark aceita visitar o local e descobre que John é um milionário que banca uma equipe de luta chamada Foxcatcher. 

Em troca de um ótimo contrato, um local para morar dentro da propriedade do milionário e todas as condições para treinamento, Mark se torna atleta de John, ao mesmo tempo em que David não aceita o convite. O que começa como uma aparente parceria esportiva, se torna uma doentia relação que envolverá dinheiro, poder e ciúme, terminando em tragédia. 

Minha primeira observação é sobre o subtítulo nacional. Não gosto de subtítulos, na maioria das vezes as distribuidoras criam uma frase para chamar a atenção de um determinado público ou acabam por entregar alguma situação importante da trama. A escolha do subtítulo aqui é ridícula. Fica a impressão para os desavisados de que o filme seria sobre uma tragédia envolvendo muitas pessoas ou algo do gênero. 

Deixando de lado esta questão, este ótimo longa de Bennett Miller (do também ótimo “Capote”) é baseado numa estranha história real, focada principalmente em dois personagens com claros problemas pessoais e psicológicos. 

O show fica por conta da interpretação de Steve Carell como o patético John du Pont. Milionário e herdeiro de uma grande empresa química, John jamais conseguiu se livrar das rédeas da mãe (Vanessa Redgrave), que o tratava da mesma forma que os cavalos que ela tanto adorava. O ódio de John pela mãe e pelos cavalos vem à tona na cena da bebedeira. Vale destacar ainda o constrangimento dos lutadores na sequência do treinamento, quando John tenta impressionar sua mãe. 

O Mark Schultz de Channing Tatum é o jovem que mesmo tendo sido campeão olímpico, não conseguiu superar o trauma por ter perdido os pais ainda criança e principalmente o ciúme que sente do irmão David, a quem tenta se desgarrar, não entendendo que o irmão só deseja ajudá-lo. 

Mark Ruffalo cria um ótimo David Schultz, pai de família, calmo e inteligente, que tenta direcionar a vida do irmão e que em determinado ponto se torna uma espécie de mediador entre Mark e John. 

Não é um filme para o espectador comum, a história incomoda, os personagens são complicados e até mesmo as cenas das lutas são apenas passagens na trama, o ponto principal é o embate psicológico. 

Finalizando, o verdadeiro Mark Schultz ficou irritado com algumas situações mostradas no filme, que nas entrelinhas deixam a impressão de ter existido um caso homossexual entre ele e John du Pont, fato que o lutador nega com veemência. 

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Um Peixe Chamado Wanda

Um Peixe Chamado Wanda (A Fish Called Wanda, Inglaterra / EUA, 1988) – Nota 8
Direção – Charles Crichton
Elenco – John Cleese, Jamie Lee Curtis, Kevin Kline, Michael Palin, Maria Aitken, Tom Georgeson.

Em Londres, um grupo de assaltantes liderados por George (Tom Georgeson), executa o roubo de um lote de diamantes em uma famosa joalheria. O grupo é formado pelo gago Ken (Michael Palin), pela sensual e manipuladora Wanda (Jamie Lee Curtis), que é ao mesmo tempo amante de George e do maluco Otto (Kevin Kline), este o último integrante da quadrilha. 

A ganância de Otto e Wanda, faz com que denunciem George para polícia. O sujeito é preso, porém a situação se complica quando eles descobrem que George escondeu os diamantes e a única pessoa que sabe onde eles estão é seu advogado Archibald Leach (John Cleese), até então desconhecido dos demais assaltantes. O fato novo cria uma tensão entre os ladrões, dando início a uma teia de mentiras, alianças e traições em busca da fortuna. 

Esta despretensiosa comédia se tornou um inesperado sucesso de bilheteria, graças ao engenhoso roteiro escrito pelo ator John Cleese e principalmente pela química entre os excêntricos personagens. 

O roteiro mistura o estilo americano de comédia escrachada, incluindo a mulher sensual de Jamie Lee Curtis e o idiota ambicioso de Kevin Kline, com o típico humor inglês estilo Monty Python na ações do advogado aristocrático de John Cleese e do hilariante gago interpretado por Michael Palin, por sinal, dois atores que fizeram parte do sensacional grupo de comédia. 

Todo o elenco está ótimo, mas o único premiado foi Kevin Kline, que venceu o Oscar de Ator Coadjuvante. 

O filme tem algumas curiosidades. A Wanda do título, além de ser o nome da personagem principal, também é o nome que o personagem de Michael Palin batiza seu peixe de estimação, que tem certa importância no desenrolar da trama. 

O nome Archibald Leach, utilizado pelo personagem de John Cleese, era o nome verdadeiro do antigo astro Cary Grant, que acabou desta forma homenageado. 

O diretor Charles Crichton tinha na época setenta e oito anos e estava desde 1965 sem filmar para o cinema, tendo trabalhado durante mais de vinte anos apenas em produções para tv. Este foi seu último trabalho como diretor e com certeza o melhor de sua carreira.