terça-feira, 10 de março de 2015

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman: Or (The Unexpected Virtue of Ignorance), EUA, 2014) – Nota 8
Direção – Alejandro Gonzalez Iñarritu
Elenco – Michael Keaton, Emma Stone, Edward Norton, Naomi Watts, Zack Galifianakis, Andrea Riseborough, Amy Ryan, Lindsay Duncan.

Apesar de ser um ótimo filme, chega a surpreendente a vitória no Oscar, principalmente pela trama que é uma crítica ferina ao cinema, ao teatro e a todos aqueles que trabalham ao redor deste mundo, como críticos, jornalistas e agentes. 

O personagem principal é o veterano e decadente ator Riggan (Michael Keaton), que foi famoso vinte anos antes quando protagonizou três filmes sobre um “Homem-Pássaro” (o Birdman do título). Tentando recuperar o sucesso, ele investe tudo em uma peça de teatro baseada num livro de Raymond Carver. Na verdade, Riggan deseja não somente recuperar o prestígio, mas também provar para si mesmo que sua vida não é um fracasso. Sua esposa (Amy Ryan) o abandonou, ele jamais deu atenção para filha (Emma Stone) que tem problemas com as drogas e trata sua amante (Andrea Riseborough) com indiferença. 

O roteiro segue os bastidores malucos da montagem da peça, recheados de problemas causados pelos atores e pelo próprio Riggan. Além de Riggan e a amante, a peça tem um ator arrogante (Edward Norton) e uma atriz insegura (Naomi Watts), sem contar o agente (Zack Galifianakis) que tenta colocar ordem na loucura. 

Os dramas criados pelos personagens são exagerados, sendo uma curiosa forma de mostrar o ridículo das atitudes baseadas em inveja, ciúme e medo, assim como as “viagens” de Riggan, que conversa sozinho com seu alter-ego Birdman e imagina conseguir voar e mover objetos apenas com o pensamento, situação que resulta em algumas das melhores sequências do filme. 

Um dos pontos que ajudaram para a vitória no Oscar foram os vários e longos planos-sequência, com personagens se cruzando pelos bastidores do teatro, num magistral trabalho de câmera e de direção de atores. 

Na minha opinião, outro grande acerto foi a escolha de Michael Keaton para o papel principal. A carreira de Keaton tem semelhanças com a vida do personagem Riggan. Para quem não conhece a história, Keaton surgiu no início dos anos oitenta como comediante e assim estrelou diversos filmes do gênero como “Os Trapaceiros da Loto” e “Fábrica de Loucuras”. 

Em 1988, após ser elogiado pelo trabalho em “Os Fantasmas se Divertem” de Tim Burton, o diretor o escalou para viver Batman no ano seguinte. Sua escolha foi polêmica, mas Keaton deu conta do recado e protagonizou também a sequência. Infelizmente, a continuação da carreira Keaton sofreu com altos e baixos, até o renascimento com este novo filme. 

Como curiosidade, o poster de Birdman que aparece no camarim do personagem de Keaton é muito parecido com o Batman que ele protagonizou e que até então tinha sido o ponto alto de carreira. 

O resultado é um filme diferente, com uma criativa visão dos bastidores do teatro e de tudo que cerca a vida dos atores.

6 comentários:

Gustavo H. Razera disse...

Um grande salto em estética e temática para Iñárritu. Elenco esplêndido!

Kahlil Appel disse...

Um dos melhores filmes de 2014, uma boa escolha por parte do Oscar.

http://filme-do-dia.blogspot.com.br/

Marcelo Keiser disse...

Achei esse filme fantástico! Não vi todos os indicados do Oscar, mas dentre os quais vi, sabia desde o primeiro momento que os principais prêmios já tinham dono. "Birdman" é fantástico em sua proposta, ao aliar estética e substância num mesmo produto. Parabéns Iñárritu.

abraço

Hugo disse...

Gustavo - É um trabalho sensacional de direção.

Kahlil - Com certeza.

Marcelo - O filme é ótimo, mas pelo tema e as críticas ao mundo das artes, a vitória no Oscar chega a surpreender um pouco.

Abraço

Amanda Aouad disse...

Gosto muito do resultado do filme, de todos os oito indicados a melhor filme do Oscar, era meu preferido. E Michael Keaton dá mesmo conta do recado.

bjs

Hugo disse...

Amanda - A direção de atores e os planos-sequência são fantásticos.

Bjos