sábado, 28 de fevereiro de 2015

Longe do Paraíso

Longe do Paraíso (Far from Heaven, EUA / França, 2002) – Nota 7,5
Direção – Todd Haynes
Elenco – Julianne Moore, Dennis Quaid, Dennis Haysbert, Patricia Clarkson, Viola Davis, James Rebhorn, Michael Gaston, Celia Weston.

Anos cinquenta, em um subúrbio de classe alta em Connecticut, Frank (Dennis Quaid) e Cathy (Julianne Moore) parecem formar a família perfeita. Com um casal de filhos, morando em uma bela casa e com Frank trabalhando como executivo em uma grande empresa, tudo parece dentro dos padrões. 

Aos poucos, o espectador percebe que nem tudo está normal. Frank tenta esconder da esposa sua atração por outros homens, mantendo casos esporádicos, até que em um determinado dia, Cathy o procura no escritório da empresa e o encontra nos braços de um amante. 

Tentando manter a aparência de dona de casa perfeita, Cathy decide ajudar Frank a tentar mudar seu comportamento, levando o marido para sessões com um psquiatra. Em paralelo, Cathy faz amizade com o jardineiro negro Raimond (Dennis Haysbert), fato que passa a ser visto pelos vizinhos como um afronta à sociedade. 

O diretor Todd Haynes se baseou no drama dos anos cinquenta “Tudo o Que Céu Permite” de Douglas Sirk para escrever a base deste roteiro. Naquele filme, a rica vivida por Jane Wyman se apaixonava pelo jardineiro interpretado por Rock Hudson. Aqui, Haynes apimentou a trama transformando o personagem do jardineiro em um negro, alterando o preconceito social pelo racial e inserindo o marido homossexual enrustido. 

A trama poderia cair no dramalhão, mas Haynes conduz a história de uma forma sóbria, onde o preconceito aparece nos olhares, em poucas palavras e pequenos gestos. O roteiro de Haynes mostra claramente a hipocrisia da sociedade americana da época, que era extremamente machista, fechando os olhos para as traições do marido e condenando a esposa apenas por suspeitas. 

O longa concorreu a quatro prêmios Oscar, de trilha sonora, fotografia, melhor atriz para a bela interpretação de Julianne Moore e a direção de Todd Haynes.

2 comentários:

Gustavo H. Razera disse...

Um melodrama clássico em forma, mas atual em conteúdo. Muito bonito e triste.

Hugo disse...

Gustavo - Realmente é uma história triste.

Abraço