sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O Contador de Histórias

O Contador de Histórias (Brasil, 2009) – Nota 7
Direção – Luiz Villaça
Elenco – Maria de Medeiros, Paulinho Mendes, Malu Galli, Ju Colombo, Victor Augusto da Silva, Cleiton Santos, Chico Diaz, Denise Fraga, Marco Antonio.

Em 1978, então com apenas seis anos de idade, Roberto Carlos (Marco Antonio) é deixada pela mãe (Ju Colombo) na Febem. A humilde senhora que tinha outros nove filhos, acreditou em uma vergonhosa propaganda do governo que dizia que a Febem era uma escola para as crianças estudarem e aprenderem uma profissão, quando na verdade o local era um depósito de crianças e adolescentes. 

O assustado garoto ao poucos se transforma em rebelde, fugindo dezenas de vezes da Febem e sempre sendo recapturado. Aos treze anos (vivido agora por Paulinho Mendes), Roberto Carlos cruza o caminho da pedagoga francesa Margherit (Maria de Medeiros), que fazia uma pesquisa dentro da Febem e que se interessa pelo situação do garoto. 

Baseado na história real de Roberto Carlos Ramos, que hoje é um dos maiores contadores de histórias do mundo, este longa é daqueles em que a história é mais importante do que a forma como ela é contada. 

O filme tem algumas boas sacadas, como a forma com que o então garoto Roberto imagina as coisas ao seu redor, como a engraçada sequência do assalto ou as cenas em animação, porém este estilo é deixado de lado na segunda parte do filme, que se volta totalmente para o drama. 

Como toda história real transportada para o cinema, o que vemos é uma versão romanceada da realidade, onde algumas escolhas se mostram um pouco forçadas. É difícil acreditar que realmente tenho ocorrido a sequência em que o delinquente Cabelinho de Fogo entra na casa de Margherit, ou ainda, a ingenuidade da pedagoga que também parece fora do normal. Vale destacar que esta ingenuidade não tira os méritos da boa interpretação da portuguesa Maria de Medeiros. 

Outros pontos positivos são as cenas dramáticas que deixam claro o sofrimento pelo qual passou o garoto Roberto e a participação de Malu Galli como a responsável pela Febem, que sabe que tudo está errado naquele local, mas que aceita o sistema e prefere se eximir da responsabilidade e jogar toda culpa nas famílias que abandonam seus filhos. 

Como informação, o longa é narrado pelo próprio Roberto Carlos Ramos, que nos créditos finais aparece contando histórias para crianças.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O Homem Mais Procurado

O Homem Mais Procurado (A Most Wanted Man, Inglaterra / EUA / Alemanha, 2014) – Nota 7,5
Direção – Anton Corbijn
Elenco – Philip Seymour Hoffman, Rachel McAdams, Willem Dafoe, Grigoriy Dobrygin, Robin Wright, Homayoun Ershadi, Nina Hoss, Daniel Bruhl, Rainer Bock, Herbert Gronemeyer, Mehdi Dehbi.

Em Hamburgo, na Alemanha, Gunther Bachmann (Philip Seymour Hoffman) lidera uma unidade especial de espionagem que trabalha de forma extraoficial investigando possíveis ações terroristas. O alvo principal de Bachmann é o professor Abdullah (Homayoun Ershadi), sujeito respeitado como pacifista, porém suspeito de desviar dinheiro de caridade para grupos terroristas. 

Quando um jovem checheno (Grigoriy Dobrygin) ligado a grupos jihadistas entra de forma clandestina no país e recebe ajuda de uma ingênua advogada (Rachel McAdams) com o objetivo de encontrar um banqueiro (Willen Dafoe) com quem seu pai tinha negócios, Bachmann vê a chance de utilizar o rapaz como isca para incriminar Abdullah. 

O diretor holandês Anton Corbijn repete o estilo de “Um Homem Misterioso”, seu trabalho anterior que seguia vida de um assassino de aluguel (George Clooney) que pensava em se aposentar. 

Aqui o ritmo não é tão lento quanto naquele trabalho, mas novamente lembra os filmes de espionagem dos anos sessenta e setenta, em que o foco quase sempre estava em uma trama complexa e em personagens manipuladores. 

O roteiro entrelaça as relações perigosas entre os diversos personagens, como se fosse um jogo de xadrex, onde cada um precisa pensar várias jogadas a frente, sempre com o perigo de ser enganado. 

O grande destaque do elenco é Philip Seymour Hoffman, que faz um sotaque alemão e um personagem ao mesmo tempo manipulador e humanista, que precisa amarrar várias pontas para tentar chegar ao objetivo. 

Com sua morte precoce, Hoffman sequer viu este trabalho ser lançado nos cinemas. Além disso, ele ainda tem participação em duas sequências de “Jogos Vorazes” e tinha protagonizado o piloto da série “Happyish”, onde será substituído por Steve Coogan.   

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Protegendo o Inimigo

Protegendo o Inimigo (Safe House, EUA / África do Sul, 2012) – Nota 7
Direção – Daniel Espinosa
Elenco – Denzel Washington, Ryan Reynolds, Vera Farmiga, Brendan Gleeson, Sam Shepard, Ruben Blades, Nora Arnezeder, Robert Patrick, Liam Cunningham, Joel Kinnaman, Fares Fares.

Matt Weston (Ryan Reynolds) é um novato agente da CIA que trabalha como uma espécie de zelador de um esconderijo clandestino utilizado pela agência na Cidade do Cabo, África do Sul. 

Quando o famoso traidor Tobin Frost (Denzel Washington) se entrega na embaixada americana para fugir de mercenários que o perseguem, os superiores de Weston determinam que ele seja levado ao local para ser interrogado por uma equipe especial. O local aparentemente seguro, é descoberto pelo grupo armado que faz um violento ataque em que apenas Weston e Frost conseguem fugir, mesmo sendo inimigos. 

Mesmo com reviravoltas previsíveis, inclusive sendo fácil para o espectador acostumado com o gênero descobrir quem é o vilão e o personagem de Ryan Reynolds mudando rapidamente de jovem ingênuo para um sujeito durão, este longa cumpre o que promete com muita correria, cenas de ação bem boladas e a sempre carismática presença de Denzel Washington. Ajuda também o bom elenco de apoio que tem Vera Farmiga, Brendan Gleeson e Sam Shepard em papéis importantes. 

Outro acerto do diretor foi explorar bem a locação na África do Sul, com destaque para a sequências de ação no estádio Green Point e a perseguição pelas ruas da Cidade do Cabo, que termina com o personagem de Denzel Washington entrando na embaixada. 

O resultado é uma boa diversão para os fãs do gênero.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Com as Horas Contadas & Morto ao Chegar


Com as Horas Contadas (D.OA., EUA, 1950) – Nota 7,5
Direção – Rudolph Maté
Elenco – Edmond O’Brien, Pamela Britton, Luther Adler, Beverly Garland, Lynn Baggett, William Ching, Neville Brand, Henry Hart.

O contador Frank Bigelow (Edmond O’Brien) tem dúvidas em assumir um relacionamento sério com sua secretária Paula (Pamela Britton). Para aproveitar alguns dias como solteiro, Frank deixa sua pequena cidade para visitar São Francisco. Logo que chega ao hotel, ele faz amizade com um grupo de pessoas que participaram de uma convenção e que estão se divertindo antes de partir. Frank segue com o grupo para um bar, onde flerta com uma bela garota e não percebe quando um desconhecido coloca algo em sua bebida. No dia seguinte, Frank passa mal e descobre ter sido envenenado. Ao saber que tem pouco tempo de vida, ele decide investigar seu próprio assassinato. 

Com uma ótima sequência inicial em que o personagem principal começa andando pela rua e entra na delegacia até chegar a sala dos detetives para contar sua história, este longa é um ótimo exemplar do gênero noir, recheado de personagens de caráter duvidoso. O personagem principal pensa em trair a noiva, as mulheres que passam pela tela são falsas e perigosas, com exceção da noiva e a trama repleta de traições. 

É um filme indicado para quem gosta do gênero. 

Morto ao Chegar (D.O.A., EUA, 1988) – Nota 7
Direção – Annabel Jankel & Rocky Morton
Elenco – Dennis Quaid, Meg Ryan, Daniel Stern, Charlotte Rampling, Jane Kaczmarek, Christopher Neame, Robert Knepper, Brion James, Jack Kehoe, Jay Patterson.

Dexter Cornell (Dennis Quaid) é um professor de literatura que leciona na Universidade de Austin no Texas e que descobre ter apenas 24 horas de vida após ter sido envenenado. Ele procura a polícia para contar sua história, enquanto isso, o espectador vê em flashback os fatos que o levaram até aquela situação. Dexter investigou o próprio envenenamento com a ajuda de uma aluna (Meg Ryan), que é apaixonada por ele, descobrindo que o fato por estar ligado ao suicídio de um aluno que escrevia um livro. 

Este interessante suspense é uma refilmagem do superior “Com as Horas Contadas”, filme B produzido em 1950. 

Na época, Dennis Quaid e Meg Ryan eram casados e vinham do sucesso de “Viagem Insólita”, porém este novo trabalho não teve a mesma repercussão. 

A dupla de diretores Annabel Jankel e Rocky Morton tinham feito sucesso com a série “Max Headrom”, uma das primeiras que utilizou sequências de computação gráfica e se tornou cult por este motivo. Os dois comandaram ainda o fracassado “Super Mario Bros”, longa que encerrou a carreira da dupla. 

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

No Tempo das Diligências

No Tempo das Diligências (Stagecoach, EUA, 1939) – Nota 8
Direção – John Ford
Elenco – John Wayne, Claire Trevor, Andy Devine, John Carradine, Thomas Mitchell, Louise Platt, George Bancroft, Donald Meek, Berton Churchill, Tim Holt.

Uma diligência sai da cidade de Tonto no Arizona, em direção a Lordsburg no Novo México, levando sete passageiros, mais o cocheiro (Andy Devine) e o xerife (George Bancroft). Cada um destes personagens tem um motivo diferente para fazer a perigosa viagem pelo território Apache. 

Temos o médico bêbado (Thomas Mitchell) e a prostituta (Claire Trevor) que foram expulsos da cidade, a dama (Louise Platt) que segue em busca do marido que é soldado, o jogador (John Carradine) que se interessa pela dama, o vendedor de whisky (Donald Meek), o banqueiro (Berton Churchill) fugindo com dinheiro roubado e o pistoleiro Ringo Kid (John Wayne) que procura vingança pela assassinato do pai e do irmão. 

Os conflitos que surgem da convivência destes personagens com caráter e personalidades diversas são um dos pontos altos do filme, inclusive nas sequências dentro da diligência, onde em um espaço pequeno vemos atitudes de arrogância, preconceito, solidariedade e comando, situações comuns nas relações em grupo. 

Uma determinada situação dramática que ocorre dentro do forte dos mexicanos parece deslocada da trama, mas não atrapalha o resultado. Em compensação, a cena clássica da perseguição da diligência pelos índios e o tiroteio final são os dois grandes momentos do filme. 

Os destaques do elenco ficam por conta de um jovem John Wayne como protagonista, do cocheiro covarde vivido por Andy Devine e principalmente o médico bêbado e falastrão interpretado por Thomas Mitchell, este o melhor personagem do filme. 

Mesmo tendo sido produzido numa época antes do auge do western, quando este gênero ainda era tratado como filme B, este longa merece o selo de clássico.   

domingo, 26 de outubro de 2014

VIPs - Histórias Reais de um Mentiroso

VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso (Brasil, 2010) – Nota 7,5
Direção – Marcela Caltabiano
Documentário

No dia em que o povo brasileiro tem a chance de mudar os rumos do país nas urnas, expulsando do poder o partido que saqueou os cofres públicos, escrevo sobre este documentário sobre um dos maiores vigaristas que surgiu na última década. A semelhança não é mera coincidência.

Marcelo Nascimento da Rocha ficou conhecido no Brasil inteiro quando apareceu no programa Amaury Júnior se apresentando como Henrique Constantino, filho do dono da empresa aérea Gol, enganando o apresentador e centenas de pessoas que participavam do Recifolia em um resort na costa pernambucana. A mentira foi descoberta, Marcelo acabou preso e sua história de vida repleta de golpes veio à tona. 

O doc dirigido pela jovem Marcela Caltabiano tem como ponto principal a entrevista com o sujeito que conta com detalhes a inacreditável sequência de golpes que sua mente criou. Vender motos do exército, ser piloto de avião de tráfico, se passar por policial e trabalhar numa delegacia enganando a todos, foram algumas das peripécias do rapaz, que teve como auge o final de semana como o filho falso do dono da Gol. 

Com uma inteligência acima da média e uma ambição maior ainda, Marcelo canalizou seu potencial para enganar o próximo, inclusive a jovem cineasta durante o processo em que negociavam a produção do documentário e o livro sobre seus golpes que foi lançado em seguida. 

Esta negociação rendeu ainda o filme “VIPs” protagonizado por Wagner Moura. O curioso é que Marcelo disse em uma entrevista dada este ano (ela não está no doc) que não gostou do filme, principalmente pela atitude de Wagner Moura, que em momento algum o procurou para falar sobre o personagem e que o ator o teria desrespeitado em entrevista. 

O final do doc mostra Marcelo sendo preso novamente, porém na entrevista deste ano, ele já estava cumprindo o restante da pena em liberdade, trabalhando como consultor e dando palestras. Agora é esperar para conferir se ele realmente mudou ou se vai ceder à tentação de um novo golpe.

sábado, 25 de outubro de 2014

Hillsborough

Hillsborough (Hillsborough, Inglaterra, 2014) – Nota 8
Direção – Daniel Gordon
Documentário

Em 15 de abril de 1989, o estádio Hillsborough em Sheffield seria o palco da semifinal da Copa da Inglaterra entre Liverpool e Nothingham Forest. O que era para ser um grande jogo, se transformou na maior tragédia da história do futebol inglês. Noventa e seis pessoas morreram esmagadas no alambrado que separava a geral do gramado atrás de um dos gols. 

Este documentário mostra com detalhes os erros da polícia na organização da entrada dos torcedores. O velho estádio tinha uma entrada que desembocava no local da tragédia, com um agravante de que o pequeno espaço tinha ainda grades aos lados, fato que fez com que centenas de pessoas ficassem sem ter por onde escapar. 

A tragédia é relatada por sobreviventes, por familiares das vítimas, por policiais e principalmente pelo escritor Phil Scraton, que dedicou anos pesquisando o caso e escreveu um livro provando que além da polícia errar na organização, os comandantes obrigaram os policiais a alterar seus relatórios para culpar os torcedores, quando na realidade estes foram vítimas. 

Um dos grandes absurdos foi a ordem do oficial responsável pela partida que autorizou abrirem os portões mesmo com o estádio superlotado, fato que aumentou a tragédia e que até hoje a polícia se nega a aceitar a culpa. 

Os tristes e emocionados depoimentos dos envolvidos são tão chocantes quanto as cenas reais da tragédia. 

A tragédia resultou também em profundas mudanças nos estádios ingleses, que foram reformados, tiveram suas capacidades diminuídas e foram obrigados a se adequar a um conjunto de regras. 

Se muitas destas mudanças melhoram os estádios, por outro lado o preço do ingresso aumentou e afastou os torcedores da classe baixa, fato semelhante ao que estamos vivendo no Brasil atualmente com a construção das arenas. 

O doc faz parte da sensacional série “30 for 30” da ESPN.   

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Alucinações do Passado

Alucinações do Passado (Jacob’s Ladder, EUA, 1990) – Nota 7,5
Direção – Adrian Lyne
Elenco – Tim Robbins, Elizabeth Peña, Danny Aiello, Matt Craven, Pruitt Taylor Vince, Jason Alexander, Patricia Kalember, Eriq LaSalle, Ving Rhames, Macaulay Culkin, Brian Tarantina, S. Epatha Merkerson.

Ao lado de Alan Parker e dos irmãos Ridley e Tony Scott, o diretor inglês Adrian Lyne faz parte de uma geração que migrou com sucesso da publicidade para o cinema. O capricho estético de seus trabalhos, aliado aos temas polêmicos ligados ao sexo, geralmente se sobrepõem ao conteúdo das obras. Filmes como “Nove e Meia Semanas de Amor”, “Atração Fatal” e “Proposta Indecente” ficaram marcados pela polêmica sexual, diferente deste esquecido “Alucinações do Passado”, que se mostra seu trabalho mais complexo. 

Aqui, Lyne consegue unir perfeitamente uma trama aparentemente confusa, com um visual assustador. É um filme impossível de ser enquadrado em um gênero, na realidade são três tramas ou narrativas que convergem para um final surpreendente. A história começa com Jacob (Tim Robbins) sendo resgatado ferido durante a Guerra do Vietnã. A segunda narrativa mostra o sujeito nos dias atuais vivendo em um apartamento simples com a namorada Jezebel (Elizabeth Peña) e sofrendo com alucinações, onde figuras estranhas o estão perseguindo. A sequência das alucinações no metrô é um dos grandes momentos do longa. A terceira via da trama volta ao passado de Jacob, quando ele estava casado com outra mulher e tinha uma filho, que faleceria e seria o estopim para a separação do casal. 

Durante boa parte do longa o espectador imagina que as alucinações de Jacob são consequência do trauma da guerra e da perda do filho, ao mesmo tempo em que o personagem acredita ter sido cobaia de alguma experiência do exército. 

Está longe de ser um filme comum, sua complexidade, o título original ligado a uma passagem da bíblia e os nomes bíblicos de vários personagens (Jacob, Jezebel, Sarah e Gabriel) fizeram muitos fãs da série “Lost” acreditar que ela tenha sido influenciada em parte por este longa. 

Como curiosidade, o filho de Tim Robbins no filme (Gabe de Gabriel) é interpretado por Macaulay Culkin, que ficaria famoso no mesmo ano com “Esqueceram de Mim”. 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O Início do Fim

O Início do Fim (Fat Man and Little Boy, EUA, 1989) – Nota 7,5
Direção – Roland Joffe
Elenco – Paul Newman, Dwight Schultz, John Cusack, Laura Dern, Bonnie Bedelia, John C. McGinley, Natasha Richardson, Ron Frazier.

Em 1943, o general Leslie Groves (Paul Newman) é indicado pelo governo americano para comandar um experimento ultrassecreto chamado de “Projeto Manhattan”, que teria como objetivo desenvolver a bomba atômica em um local isolado no Novo México. 

Para liderar a parte técnica do projeto, Groves convence o cientista Robert Oppenheimer (Dwight Schultz) e a partir daí monta uma equipe para desenvolver os artefatos, que dois anos depois seriam utilizados nos ataques a Hiroshima e Nagasaki. 

O diretor Roland Joffé era famoso por filmes fortes baseados em histórias reais, como “A Missão”, que mostrava o trabalho dos jesuítas para catequizar os índios durante a conquista da América e “Os Gritos do Silêncio” que focava o genocídio no Camboja. Este “O Início do Fim” tinha como objetivo mostrar além da criação da bomba atômica, também o caráter e a vida pessoal dos envolvidos no projeto, principalmente Groves e Oppenheimer.

O roteiro disseca situações reais, como os embates entre estes dois personagens, o dilema moral que cresce quando fica claro que as bombas seriam utilizadas como arma de guerra, os problemas pessoais como o caso de Oppenheimer com uma jovem comunista (Natasha Richardson) e o jovem cientista (John Cusack) que sofre os terríveis efeitos pelo trabalho com radiação. Consta que o personagem de Cusack é um mix de algumas pessoas que participaram do projeto e se tornaram vítimas do perigoso trabalho. 

Como curiosidade, o ator Dwight Schultz era conhecido por um papel de maluco no seriado “Esquadrão Classe A” e foi considerada uma surpresa sua escolha para interpretar Oppenheimer. Mesmo tendo um bom desempenho, a carreira de Schultz no cinema não deu decolou, hoje seu trabalho é voltado para pequenas participações em séries e dublagem de animações e games.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Seis Graus de Separação

Seis Graus de Separação (Six Degrees of Separation, EUA, 1993) – Nota 7
Direção – Fred Schepisi
Elenco – Stockard Channing, Will Smith, Donald Sutherland, Ian McKellen, Mary Beth Hurt, Bruce Davison, Richard Masur, Anthony Michael Hall, Heather Graham, Eric Thal, Anthony Rapp, J. J. Abrams.

O casal Ouisa (Stockard Channing) e Flan (Donald Sutherland) são negociantes de artes que estão recebendo em sua casa um possível investidor (Ian McKellen), quando um jovem negro (Will Smith) bate na porta pedindo socorro. Ele mostra um pequeno ferimento de faca no abdômen, que diz ter sido consequência de um assalto que acabara de sofrer no Central Park. O jovem diz ainda se chamar Paul e ser filho do famoso ator e diretor Sidney Poitier. Extremamente educado e inteligente, o jovem rapidamente é acolhido pelo casal, sem saber que na verdade ele é um golpista. 

Baseado numa peça de teatro, este drama dirigido pelo australiano Fred Schepisi (“Roxanne”, “Um Grito no Escuro”) é uma crítica mordaz a vida da classe alta de Nova York, mostrando os adultos como fúteis e arrogantes e os jovens como verdadeiros idiotas. 

A narrativa lenta se apoia nos diálogos recheados com citações a até piadas sobre o estilo de vida dos ricos de Nova York, o que dificulta a ligação com o espectador comum com a trama. 

Os destaques ficam por conta do elenco, com um bom desempenho do sempre competente Donald Sutherland, com a ótima Stockard Channing concorrendo ao Oscar de Melhor Atriz e um surpreendente Will Smith, ainda bem jovem e na época com experiência apenas na série “The Fresh Prince of Be-Air”, tendo aqui um grande desempenho que lhe abriu as portas do cinema. 

Como curiosidade, o título é inspirado na teoria de que no mundo são necessários no máximo seis laços de amizade para que duas pessoas quaisquer estejam ligadas, fato que é citado pela personagem de Stockard Channing. 

Como informação, a peça de teatro que deu origem ao filme é baseada em um fato real que se tornou piada entre os ricos de Nova York.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Padre & Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros


Padre (Priest, EUA, 2011) – Nota 5,5
Direção – Scott Stewart
Elenco – Paul Bettany, Karl Urban, Cam Gigandet, Maggie Q, Lily Collins, Brad Dourif, Stephen Moyer, Christopher Plummer, Alan Dale, Madchen Amick.

Num futuro pós-apocalíptico, as cidades estão sob o domínio da Igreja, que comanda com mão de ferro após ter vencido a guerra contra os vampiros. A Igreja treinou padres guerreiros que derrotaram os vampiros e acredita que estes não mais existem. Tudo muda quando um padre (Paul Bettany) é avisado por um xerife (Cam Gigandet) que sua sobrinha fora raptada por vampiros em um local no interior. O padre tenta liberação para buscar a sobrinha, porém é negada pelo Monsenhor (Christopher Plummer). Assim ele decide romper com a Igreja e parte em busca da garota com a ajuda do xerife. 

Baseado em um mangá, esta ficção tem uma premissa interessante ao criar um guerra entre padres e vampiros, porém pouco se salva no desenvolvimento da trama. O roteiro e os diálogos são repletos de clichês, sendo os mais previsíveis possíveis. As cenas de ação que poderiam ajudar, também não são grande coisa, pelo menos para o meu gosto. Estas sequências são exageradas, seguindo o estilo “videogame” comum a muitos longas de ficção atuais. 

O final dá margem a uma continuação, porém não acredito que saia do papel.  

Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros (Abraham Lincoln: Vampire Hunter, EUA, 2012) – Nota 6
Direção – Timur Bekmambetov
Elenco – Benjamin Walker, Dominic Cooper, Anthony Mackie, Mary Elizabeth Winstead, Rufus Sewell, Marton Csokas, Jimmi Simpson.

No início do século XIX, o futuro presidente americano Abraham Lincoln é um garoto que vê sua mãe ser assassinada por um traficante de escravos (Marton Csokas). Uma década depois, Lincoln (interpretado por Benjamin Walker) ainda planeja se vingar da morte da mãe, sem saber que seu alvo é na verdade um vampiro. O inexperiente Lincoln acaba salvo por Henry Sturges (Dominic Cooper), que se apresenta como um caçador de vampiros e se torna uma espécie de mentor para o jovem. Henry treina Lincoln para enfrentar os vampiros, com a condição de que ele espere o momento certo para a vingança. 

Baseado em uma graphic novel, este longa também tem uma interessante premissa ao transformar o mito Abraham Lincoln em herói de ação e fazer um paralelo com a história americana ao mostrar os escravagistas do sul como vampiros. 

A primeira hora prende a atenção com o desenvolvimento do personagem de Lincoln e seu namoro como Mary Todd (Mary Elizabeth Winstead), porém na segunda parte o roteiro desanda na confusa passagem de tempo, quando a história pula vinte ou trinta anos sem explicação e nas cenas de ação exageradas, principalmente o absurdo climax. 

Nesta segunda parte vem à tona o estilo histriônico do diretor russo Timur Bekmambetov, responsável por filmes exagerados como “Guardiões da Noite” e “Guardiões do Dia”.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Mudança de Hábito

Mudança de Hábito (Sister Act, EUA, 1992) – Nota 6
Direção – Emile Ardolino
Elenco – Whoopi Goldberg, Maggie Smith, Harvey Keitel, Bill Nunn, Lori Petty, Kathy Najimi, Wemdy Makkena, Richard Portnow.

Deloris (Whoopi Goldberg) trabalha como cantora em um casino em Las Vegas e namora o chefão do local, o violento Vince LaRocca (Harvey Keitel). Quando por acaso Deloris testemunha Vince assassinando um sujeito, ela foge e pede ajuda à polícia antes de ser assassinada também. 

Para manter Deloris a salvo antes de levar Vince a julgamento, o FBI decide escondê-la em um convento, mesmo a contragosto da madre superiora (Maggie Smith), que aceita com uma condição: Deloris terá de agir como freira e não revelar sua verdadeira identidade para as outras freiras. Lógico que a agitada e desbocada cantora arrumará diversas confusões no local. 

Esta despretensiosa comédia se tornou um grande sucesso de bilheteria graças ao desempenho de Whoopi Goldberg, que com seu jeito espontâneo fez o espectador dar algumas boas risadas. Whoopi estava no melhor momento da carreira, logo após ter se transformado em estrela por seu papel em Ghost. 

O filme em si é não é grande coisa, a trama é fraca, repleta de clichês e o final forçado, o que vale é a interpretação de Whioopi. 

O sucesso gerou uma inevitável sequência, sem o mesmo sucesso. 

domingo, 19 de outubro de 2014

Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis, EUA / Inglaterra / França, 2013) – Nota 8
Direção – Joel & Ethan Cohen
Elenco – Oscar Isaac, Carey Mulligan, Justin Timberlake, John Goodman, Garrett Hedlund, Ethan Phillips, Robin Bartlett, Max Casella, Jerry Grayson, Jeanine Serralles, Adam Driver, Stark Sands, F. Murray Abraham.

Nova York, inverno de 1961, Llewyn Davis (Oscar Isaac) é um cantor de música folk que não sabe qual caminho seguir após a morte do amigo com quem fazia dupla. Sua vida está um caos, ele não tem dinheiro, toda noite procura a casa de alguma pessoa conhecida para dormir e sua carreira está estagnada. 

A proposta dos irmãos Cohen aqui foi mostrar a vida de um talentoso perdedor, do sujeito que poderia ter uma bela carreira, mas que se torna vítima do destino, em seguida se perde completamente em decisões equivocadas e na falta de coragem para assumir responsabilidades. 

A trajetória do cantor é contada através da relação com diversos personagens que cruzam seu caminho. Temos o casal de cantores Jean e Jim (Carey Mulligan e Justin Timberlake), os intelectuais pais de seu parceiro morto (Ethan Phillips e Robin Bartlett), sua irmã dona de casa (Jeanine Serralles), o canalha dono da casa de shows (Max Casella) e o empresário picareta (Jerry Grayson). 

Entre todos os coadjuvantes, o destaque fica por conta de John Goodman, que interpreta um veterano e arrogante músico de jazz, que está no fundo do poço, mas que ainda faz de tudo para se mostrar superior. 

Com participações em vários filmes dos irmãos Cohen, coloco John Goodman ao lado de Bill Murray como dois comediantes que conseguiram se reinventar na carreira através de personagens que misturam comédia com melancolia, fazendo rir da própria tristeza e das frustrações. 

Por sinal, para amenizar a melancolia da trama, o toque de comédia dado pelos irmãos Cohen é fundamental para criar um filme agradável, sem exageros. 

Estou longe de ser especialista em música folk, posso citar apenas Bob Dylan e Joan Baez, mas reconheço que a trilha sonora aqui é sensacional, a melancolia das canções interpretadas pelo próprio Oscar Isaac se casa perfeitamente com a trama. 

A interpretação de Oscar Isaac é outro grande acerto, ele que também é cantor é já interpretou papel semelhante em “10 Anos de Pura Amizade”, tem aqui seu melhor trabalho na carreira até agora. 

Como curiosidade, os irmãos Cohen utilizaram livremente o clássico “A Odisséia” de Homero como premissa do divertido “E Aí Meu Irmão, Cadê Você?” e aqui a jornada de Llewyn Davis novamente tem o clássico como referência, inclusive  no nome do gato que tem papel importante na trama. O bichano é batizado de Ulisses, mesmo nome do herói de “A Odisséia”.

sábado, 18 de outubro de 2014

À Procura

À Procura (The Captive, Canadá, 2014) – Nota 7
Direção – Atom Egoyan
Elenco – Ryan Reynolds, Scott Speedman, Rosario Dawson, Mireille Enos, Kevin Durand, Alexia Fast, Bruce Greenwood, Peyton Kennedy.

Em Niagara Falls no Canadá, Matthew (Ryan Reynolds) estaciona sua caminhonete para comprar uma torta em uma lanchonete na beira da estrada, deixando sua filha Cass (Peyton Kennedy) no banco traseiro. Ele demora menos de cinco minutos no estabelecimento e quando retorna percebe que Cass desapareceu. 

Matthew procura a polícia e se torna suspeito aos olhos do detetive Jeffrey (Scott Speedman), enquanto a detetive Nicole (Rosario Dawson) se mostra apreensiva com a situação. Ao mesmo tempo, sua esposa Tina (Mireille Enos) o culpa pelo sumiço da filha. Apenas oito anos depois, a dupla de detetives descobre uma pista do paradeiro de Cass, fato que dá nova esperança ao casal, que mesmo ainda vivendo junto, se distanciaram por causa da culpa e do sofrimento. 

Os filmes do diretor Atom Egoyan (“Exótica”, “A Verdade Nua”) geralmente apresentam uma narrativa fria, com personagens que sofrem com segredos, tragédias ou situações mal resolvidas. É o caso de “À Procura”, que começa de forma instigante, apresentando o desaparecimento da criança e posteriormente criando idas e vindas na trama para o espectador entender o que realmente aconteceu. 

O diretor acerta também em não esconder o vilão e ao desenvolver a crise no casamento dos pais da criança em paralelo com o envolvimento romântico entre os detetives, porém algumas situações do roteiro deixam a desejar. 

A citada frieza da narrativa também incomoda, em alguns momentos a trama parece não sair do lugar e em outros alguns personagens somem por muito tempo da tela. 

O resultado é um filme mediano, sem grandes cenas de ação ou suspense, que se apoia no drama para manter o interesse do espectador.

Como informação, a trama é livremente baseada numa história real ocorrida no Canadá.

domingo, 12 de outubro de 2014

No Limite do Amanhã

No Limite do Amanhã (Edge of Tomorrow, EUA / Austrália, 2014) – Nota 8
Direção – Doug Liman
Elenco – Tom Cruise, Emily Blunt, Brendan Gleeson, Bill Paxton, Noah Taylor, Jonas Armstrong, Tony Way, Kick Gurry, Franz Dameh, Dragomir Mrsic, Charlote Riley.

De uma forma engraçadinha, o filme pode ser definido como uma mistura de “Feitiço do Tempo” com “Guerra dos Mundos”. O que pode parecer bizarro, resulta num interessante filme de ação, com efeitos especiais de primeira e uma história bem bolada, mesmo com pequenos furos no roteiro e um final duvidoso. 

A trama começa como o oficial Cage (Tom Cruise) chegando em Londres, onde uma espécie de coalizão mundial se prepara para uma ofensiva contra os invasores alienígenas que tomaram grande parte da Europa. No local, Cage encontra o General Brigham (Brendan Gleeson), que o surpreende informando que sua a missão é registrar o ataque da coalização ao vivo, o que ele não aceita. 

Cage é na verdade um publicitário especialista em fazer propaganda para o exército, que jamais foi treinado para ser soldado. Sua negativa faz com que Brigham mande prendê-lo. Cage tente fugir e acaba dominado por soldados. Ele acorda em uma base militar, descobrindo que foi tratado como desertor e que será enviado ao combate como um soldado normal. 

O desespero de Cage aumenta quando um determinado fato durante a batalha, faz com que volte para o início do dia, acordando na base militar e vivendo uma espécie de looping eterno naquele fatídico dia. 

Desde “A Identidade Bourne” de 2002, que o bom diretor Doug Liman não acertava um grande filme. Mesmo com as falhas citadas, a diversão é garantida pela narrativa ágil e a trama que prende a atenção. 

É um filme pipoca para se divertir sem exigir muito. 

sábado, 11 de outubro de 2014

Sombras do Mal

Sombras do Mal (Night and the City, Inglaterra, 1950) – Nota 8
Direção – Jules Dassin
Elenco – Richard Widmark, Gene Tierney, Googie Withers, Hugh Marlowe, Francis L. Sullivan, Herbert Lom, Stanislaus Zbyszko, Mike Mazurki.

Em Londres, Harry Fabian (Richard Widmark) é um pequeno golpista que trabalha enviando clientes para a boate do casal Helen (Googie Withers) e Philip Nosseross (Francis L. Sullivan), mesmo local onde sua namorada Mary (Gene Tierney) se apresenta cantando. 

Fabian sonha em se tornar empresário, sempre se mostrando empolgado com oportunidades que apenas ele vê e que invariavelmente se transformam em frustração, além do prejuízo financeiro. 

Sem saber o que é desistir, Fabian acredita ter descoberto um pote de ouro quando presencia a briga entre o empresário de luta-livre Kristo (Herbert Lom) e seu pai Gregorius (Stanislaus Zbyszko), este um famoso lutador aposentado. Fabian se aproxima do velho Gregorius e consegue seu apoio para promover lutas, dando início a uma perigosa disputa com Kristo. 

Praticamente esquecido, este clássico noir ambientado no submundo de Londres foge dos clichês do gênero, deixando de utilizar detetives, policiais e mulheres fatais, para colocar como protagonista um golpista cego de ambição e até ingênuo em alguns momentos. 

Este personagem é valorizado pela interpretação de Richard Widmark, ator que ficou marcado por personagens durões e que no mesmo ano protagonizou outro clássico esquecido, o ótimo “Pânico nas Ruas”

Aqui vale destacar ainda o talento do diretor Jules Dassin, que tinha preferência por filmar em locações e que explora bem a cidade de Londres, inclusive os locais decadentes. Dassin era americano, mas preferiu sair do país quando foi pressionado pelo “Macartismo” para delatar os supostos comunistas em Hollywood. Ele continuou sua carreira na Eupora e não mais voltou aos Estados Unidos. 

Uma nova versão da história foi produzida em 1992 com Robert De Niro e Jessica Lange nos papéis principais, porém com resultado inferior.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Santo Marcos

Santo Marcos (Brasil, 2013)
Direção – Thiago Di Fiore, Fabio Di Fiore & Adolfo Rosenthal
Documentário

Numa época em que praticamente todos os jogadores de futebol citam a palavra “profissionalismo” como desculpa para trocarem de times ou quebrarem contratos quando recebem propostas de um salário maior, o goleiro Marcos se notabilizou por fazer uma carreira de quase vinte dentro do Palmeiras, dizendo não para propostas milionárias e assim se tornando ídolo eterno do clube. 

Como ele mesmo disse várias vezes, em um determinado momento da carreira ele deixou de ser profissional para se tornar um torcedor dentro do campo. Sua paixão pelo clube e a retribuição dos torcedores foram o combustível para enfrentar como poucos uma sequência de contusões que atrapalharam sua carreira, que poderia ter sido ainda mais vencedora. 

Este documentário detalha toda a vida do jogador, desde o inicio no interior de SP, passando pelos grandes momentos no Palmeiras e na Seleção Brasileira, até a famosa “Procissão para São Marcos”, que a torcida organizou no início de 2012 antes do jogo contra o Ajax da Holanda. Mais de cinco mil torcedores saíram do estádio Palestra Itália e foram a pé até o Pacaembu como homenagem ao jogador, que havia anunciado o final da carreira alguns dias antes. 

O doc apresenta depoimentos de jogadores, treinadores, dirigentes, jornalistas e amigos que contam histórias divertidas da convivência com Marcos. 

O ponto alto são as defesas do goleiro, principalmente na Libertadores de 1999 e o pênalti defendido contra nosso inimigo em 2000. 

Como doc o resultado é apenas correto, mas o conteúdo vale como ouro para torcida palmeirense.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Interlúdio

Interlúdio (Notorius, EUA, 1946) – Nota 7,5
Direção – Alfred Hitchcock
Elenco – Cary Grant, Ingrid Bergman, Claude Rains, Louis Calhern, Leopoldine Konstantin, Reinhold Schunzel.

Quando seu pai é condenado a vinte de anos de prisão por ter sido espião para a Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, a bela Alicia Huberman (Ingrid Bergman) se torna alvo do serviço secreto americano, que envia o agente Devlin (Cary Grant) para fazer uma proposta. 

Devlin convence Alicia a trabalhar para o governo, tendo como primeira missão viajar para o Rio de Janeiro e se aproximar de um velho conhecido de seu pai, o milionário Alex Sebastian (Claude Rains), sujeito que participa de um grupo que trama algo contra os americanos. 

Não demora para Devlin e Alicia se apaixonarem, porém quando seu chefe (Louis Calhern) informa que o objetivo da missão é infiltrar Alicia na casa de Sebastian, as coisas se complicam, pois o sujeito também é apaixonado por ela. 

Em razão da magnífica carreira de Hitchcock, o patamar de comparação entre seus filmes é sempre o maior possível, por isso não colocaria este longa entres seus melhores trabalhos, mesmo sendo interessante. 

O longa tem vários pontos positivos, como a química entre Cary Grant e a belíssima Ingrid Bergman, reforçada pelos diálogos fortes para época, repletos de conotações sexuais, a bela fotografia do Rio de Janeiro, mesmo com as cenas com Grant e Bergman tendo sido filmadas em estúdio, além da criatividade de Hitch em filmar por ângulos inusitados. A sequência com as chaves, o beijo do lado de fora da adega e a tontura que a personagem de Bergman sofre são alguns exemplos do talento do diretor. 

O filme falha na questão do suspense, falta emoção nos momentos importantes, até mesmo na sequência final. 

A trama é muito mais uma história de amor do que um suspense. 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O Lobo Atrás da Porta

O Lobo Atrás da Porta (Brasil, 2013) – Nota 8
Direção – Fernando Coimbra
Elenco – Leandra Leal, Milhem Cortaz, Fabiula Nascimento, Juliano Cazarré, Paulo Tiefenthaler, Thalita Carauta, Tamara Taxman, Emiliano Queiroz, Isabelle Ribas.

No subúrbio carioca, ao buscar a filha na escola, Sylvia (Fabiula Nascimento) descobre que a menina foi levada por outra pessoa que se apresentou como sua amiga. Ao procurar a polícia, Sylvia é questionada pelo delegado (Juliano Cazarré) sobre detalhes de sua vida e casamento, para logo em seguida chegar o marido Bernardo (Milhem Cortaz) acusando sua amante Rosa (Leandra Leal) de ter sequestrado a criança para se vingar dele. Rosa é levada à delegacia para responder a acusação e a princípio nega o envolvimento no desaparecimento da criança. A partir daí, o espectador verá em flashbacks as versões dos três personagens sobre acontecimentos relativos ao triângulo amoroso que podem ter causado o sequestro. 

Este drama policial é baseado livremente numa história real ocorrida nos anos sessenta, que não vale a pena contar mais detalhes para não estragar as surpresas, principalmente a assustadora cena final. 

O filme marca a promissora estréia do diretor Fernando Coimbra em um longa, que além de amarrar muito bem o roteiro, acerta também ao explorar o subúrbio do Rio de Janeiro como cenário, sem apelar para o clichê da violência ou das favelas. A lente do diretor se vira para os bairros com casas simples, as pessoas comuns e o trem como símbolo principal da região. 

O elenco também merece destaque, tendo bons desempenhos de Milhem Cortaz e Fabiula Nascimento como o casal em crise, de Juliano Cazarré como o delegado e principalmente de Leandra Leal, que cria uma personagem cheia de nuances, que em boa parte do filme deixa o espectador na dúvida sobre seu caráter. 

É muito bom quando algum diretor brasileiro foge do lugar comum das comédias rasteiras e se arrisca em uma trama mais complexa.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Caçada Mortal

Caçada Mortal (A Walk Among the Tombstones, EUA, 2014) – Nota 7,5
Direção – Scott Frank
Elenco – Liam Neesom, Dan Stevens, Brian “Astro” Bradley, David Harbour, Adam David Thompson, Eric Nelsen, Olafur Darri Olafsson.

Matt Scudder (Liam Neesom) é um policial aposentado que agora trabalha como investigador particular. Em uma noite, ele é procurado por um sujeito (Eric Nelsen) que o conheceu na reunião do AA. O rapaz o leva para encontrar seu irmão (Dan Stevens), um traficante que teve a esposa sequestrada e morta, com o detalhe macabro de que os bandidos receberam o dinheiro do resgate e mesmo assim mataram a mulher. A princípio Matt não quer aceitar o caso, mas acaba sendo convencido pelo traficante e assim dá início a uma investigação que o levará a outros sequestros que terminaram da mesma forma. 

Diferente dos últimos trabalhos de Liam Neesom voltados mais para ação, este longa foca na trama investigativa prendendo a atenção do espectador. O ritmo da narrativa é cadenciado e a história vai sendo amarrada as poucos, através de um roteiro que não apela para os exageros. 

O filme é baseado em um livro e se passa em 1999, quando a internet ainda estava se popularizando e muito se falava no “Bug do Milênio” ou “Y2K”, fato que não se concretizou e que é citado durante o desenrolar da trama. 

Além de Neesom novamente interpretando o sujeito durão e solitário, vale destacar a presença do garoto Brian “Astro” Bradley que se torna seu parceiro por acaso. 

É um bom filme indicado para que gosta de tramas de investigação.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Zumbilândia

Zumbilândia (Zombieland, EUA, 2009) – Nota 7,5
Direção – Ruben Fleischer
Elenco – Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Emma Stone, Abigail Breslin, Amber Heard, Bill Murray.

Um hambúrguer contaminado dá início a um apocalipse zumbi. Em pouco tempo, quase toda a população é dizimada. O jovem estudante Columbus (Jesse Eisenberg) sobreviveu graças a sua covardia e uma lista de regras criadas por ele mesmo para escapar dos ataques dos zumbis. 

Tentando voltar para casa, Columbus cruza o caminho de Tallahasse (Woody Harrelson), um verdadeiro exterminador de zumbis, de quem se torna parceiro de viagem. No caminho, eles encontram duas irmãs (Emma Stone e Abigail Breslin), que pretendem chegar até um parque de diversões em Los Angeles. 

O sucesso de bilheteria desta comédia que tira um sarro dos filmes de zumbis se deve a alguns fatores, como a química entre o nerd vivido por Jesse Eisenberg e o falastrão de Woody Harrelson, as divertidas cenas de ação, com destaque para a sequência final no parque de diversões, a hilária participação de Bill Murray e a narração de Eisenberg. 

Vale destacar também o roteiro que não apela para piadas idiotas, preferindo inserir situações e diálogos que brincam com o próprio cinema. São bem legais as citações a filmes, atores e lugares em Hollywood. 

Circula pela internet a notícia de que uma sequência com o mesmo elenco será produzida. 

domingo, 5 de outubro de 2014

O Tiro

O Tiro (A Single Shot, Inglaterra / EUA / Canadá, 2013) – Nota 6,5
Direção – David M. Rosenthal
Elenco – Sam Rockwell, Jeffrey Wright, Kelly Reilly, William H. Macy, Jason Isaacs, Joe Anderson, Ted Levine, Ophelia Lovibond, Amy Sloan, W. Earl Brown.

John Moon (Sam Rockwell) vive em uma casa simples na área rural de uma pequena cidade. Numa certa manhã, ele acorda e sai para caçar, porém acaba alvejando uma jovem por acidente. Ele decide esconder o corpo e ao procurar um local encontra uma caixa cheia de dinheiro. John vê no dinheiro a chance de reconquistar a esposa (Kelly Reilly), que levou se filho pequeno e está pedindo divórcio. O que John não contava é que seria perseguido por desconhecidos que desejam reaver a fortuna. 

O início do filme é instigante, são pouco de mais de treze minutos desde o personagem de Sam Rockwell acordando, passando pela morte da garota, a localização do dinheiro e o corpo sendo escondido, até o momento em que ele recebe uma ligação e o espectador começa a conhecer a vida do sujeito. 

Não chega a ser um filme ruim, porém o restante do longa decepciona em parte, não pela trama, mas muito pelo diretor que aparentemente quis impor um estilo que resultou numa narrativa irregular, arrastada em alguns momentos. Por exemplo, a sequência final que seria como uma confissão de remorso, se torna exagerada. 

Vale destacar a boa interpretação de Sam Rockwell como o sujeito perdido na vida e o sempre competente William H. Macy como um impagável advogado corrupto. 

sábado, 4 de outubro de 2014

Meu Cachorro Skip & Resgate Abaixo de Zero


Meu Cachorro Skip (My Dog Skip, EUA, 2000) – Nota 8
Direção – Jay Russell
Elenco – Frankie Muniz, Kevin Bacon, Diane Lane, Luke Wilson, Caitlin Wachs.

Em 1942, numa pequena cidade do Mississipi, Willie Morris (Frank Muniz) é um garoto solitário que tem como único amigo o vizinho Dink (Luke Wilson), um atleta famoso no colégio que está prestes a ir para a guerra. Seu pai Jack (Kevin Bacon) é um sujeito durão, veterano da guerra, enquanto sua mãe é a dona de casa Ellen (Diane Lane), que percebendo a solidão do filho, resolve dar de presente um cãozinho, o pequeno Skip. Logo, garoto e cão criam uma forte ligação que marcará para sempre a vida de Willie. 

Baseado em um livro autobiográfico de Willie Morris, este longa é um sensível drama que faz até o sujeito de coração mais duro chorar. É impossível não se emocionar com a história e com a interpretação do garoto Frankie Muniz.

No mesmo ano, Franklie Muniz seria escolhido para ser o protagonista da divertida série “Malcom in the Middle”, uma espécie de “Os Simpsons” de carne e osso, que como curiosidade, tinha Bryan Cranston de “Breaking Bad” como o confuso e engraçado pai de Malcolm.

Resgate Abaixo de Zero (Eight Below, EUA, 2006) – Nota 7,5
Direção – Frank Marshall
Elenco – Paul Walker, Bruce Greenwood, Moon Bloodgood, Jason Biggs, Wendy Crewson, Gerard Plunkett, August Schellenberg.

Jerry Shepard (Paul Walker) trabalha como guia de exploradores em uma estação de pesquisa na Antártida, tendo como parceiros oito cães que ele considera como sua família. Quando o cientista Davis McClaren (Bruce Greenwood) chega ao local para procurar um meteorito que caiu em uma perigosa região, Jerry e seus cães são designados para guiar o sujeito. Após enfrentarem uma forte nevasca, Jerry, Davis e todos trabalhadores da estação são obrigados a abandonar o local rapidamente, deixando os cães para trás. Jerry não se conforma com a situação e fará de tudo para voltar e resgatar os animais. 

Está produção típica dos estúdios Disney é baseada num fato real e destinada principalmente as pessoas que gostam de animais, especificamente cães. 

As cenas de ação são bem filmadas, algumas até violentas, como a sequência com o leopardo-foca, o visual gelado é muito bem captado e as “interpretações” dos cães são ótimas. 

É um filme divertido, inclusive para os adultos, com ação e emoção na medida certa ao estilo sessão da tarde.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Amargo Pesadelo

Amargo Pesadelo (Deliverance, EUA, 1972) - Nota 9
Direção – John Boorman
Elenco – Burt Reynolds, Jon Voight, Ronny Cox, Ned Beatty, James Dickey, Bill McKinney.

Quatro amigos executivos (Burt Reynolds, Jon Voight, Ronny Cox e Ned Beatty) decidem descer as corredeiras de um rio na região da Georgia antes que ele seja inundado por uma represa. A aventura cheia de adrenalina na descida do perigoso rio se transforma em pesadelo quando surge um bando de caipiras da montanha, que subjugam os amigos com violência e humilhação. 

Este clássico absoluto dos anos setenta ficou marcado pela forma cru e violenta com que o diretor inglês John Boorman conduziu a trama. 

O roteiro baseado em um livro de James Dickey, que inclusive tem um pequeno papel no longa, foca no confronto entre civilização e barbárie, jogando quatro sujeitos comuns em meio ao violento mundo dos homens das montanhas, que se vingam de forma cruel da “invasão” dos homens da cidade. 

Pelo menos três sequências estão entre as melhores da história do cinema. A sequência da descida do rio, o sensacional duelo de banjos entre o personagem de Roony Cox e um garoto com deficiência mental e a angustiante cena do estupro. 

Os quatro atores que interpretam os executivos tem ótimos desempenhos, sendo que para muitos críticos, a interpretação do astro Burt Reynolds é a melhor de sua carreira. Para Ned Beatty sobrou uma das cenas mais cruéis da história do cinema. 

Com mais de oitenta anos e ainda na ativa, John Boorman fez outros ótimos filmes como “Esperança e Glória”, “Excalibur”, “Inferno no Pacífico” e “À Queima Roupa”.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A Outra Vida de Richard Kemp

A Outra Vida de Richard Kemp (L'autre Vie de Richard Kemp, França, 2013) – Nota 7,5
Direção – Germinal Alvarez
Elenco – Jean Hugues Anglade, Mélanie Thierry, Philippe Berodot, Jean Henri Compere.

Durante sua corrida matinal, Helene (Mélanie Thierry) encontra o corpo de uma jovem na margem de um rio ao lado de uma ponte. A polícia é chamada e o comissário Richard Kemp (Jean Hugues Anglade) se assusta ao perceber sinais no corpo da jovem assassinada que lembram crimes que ele investigou vinte anos antes. Ao mesmo tempo, Richard se aproxima de Helene, por quem sente atração. 

Na mesma noite, ao voltar para casa, Richard passa pela ponte e vê um furgão parado. Ele desce para verificar e acaba sendo jogado no rio por alguém que surge de repente. Richard sobrevive, porém ao voltar para ponte percebe que seu carro desapareceu. Logo, ele descobre que de alguma forma voltou para 1989, na época em que ocorreram os crimes que o atormentam. Mesmo sem poder procurar ajuda dos amigos, que na realidade o conhecem vinte anos mais jovem, Richard acredita ter a chance de salvar as vítimas e prender o criminoso que nunca foi encontrado. 

Todos os filmes que enfocam viagens no tempo apresentam algumas falhas no roteiro, sendo quase impossível amarrar todas as pontas. O diferencial neste tipo de longa está na forma como o tema é inserido na trama. Por este motivo, este longa francês se torna interessante pela narrativa, que mistura a viagem no tempo com uma investigação policial, sem apelar para cenas explosivas ou efeitos especiais, prendendo a atenção do espectador na busca de respostas. 

A proposta do diretor também é não explicar tudo, ele prefere deixar pistas para o espectador analisar e tirar suas próprias conclusões. 

O destaque do elenco é o veterano Jean Hugues Anglade, famoso por filmes como “Subway”, “Nikita” e “A Rainha Margot”, que aqui interpreta o policial experiente que tem uma segunda chance de corrigir erros do passado.