sábado, 31 de maio de 2014

Galáxia do Terror & O Ataque dos Tomates Assassinos


Galáxia do Terror (Galaxy of Terror, EUA, 1981) – Nota 5
Direção – Bruce D. Clark
Elenco – Edward Albert, Erin Moran, Ray Walston, Bernard Behrens, Zalman King, Robert Englund, Sid Haig, Gracie Zabriskie, Jack Blessing.

No futuro, uma nave de resgate é enviada para um planeta distante em busca de sobreviventes de uma expedição espacial. No estranho planeta, o grupo de resgate encontra uma espécie de pirâmide onde poderiam estar os sobreviventes, porém ao invés disso são obrigados a enfrentar um ameaça alienígena letal que passa a caçá-los um a um.

Esta produção de Roger Corman copia a premissa de “Alien – O Oitavo Passageiro” e por coincidência, lembra também a trama do posterior “Aliens – O Resgate”. Com efeitos especiais paupérrimos e cenas de ação apenas razoáveis, a curiosidade para ver este longa existe apenas pelo elenco recheado de canastrões conhecidos. O veterano Ray Walston, da série clássica “Meu Marciano Favorito”, Gracie Zabriskie, a mãe da Laura Palmer de”Twin Peaks” e especialista em personagens malucas, Sid Haig, figura habitual nos filmes de terror de Rob Zombie e Robert Englund, o eterno Freddy Krueger, além de Zalman King, que ficaria famoso como o roteirista de “Nove e Meia Semanas de Amor” e diretor de “Orquídea Selvagem”.

O Ataque dos Tomates Assassinos (Attack of the Killer Tomatoes!, EUA, 1978) – Nota 2
Direção – John De Bello
Elenco – David Miller, George Wilson, Sharon Taylor, Rock Pearce.

Quando os tomates começam a atacar os humanos, o governo americano cria um grupo com oficiais do exército e cientistas para enfrentar a ameaça. O responsável por liderar o grupo é Mason Dixon (o gordinho David Miller), que terá a disposição estranhos agentes, como um especialista em disfarces, um mergulhador e uma ginasta alemã. 

A trama absurda é apenas uma premissa para cenas ridículas, na sua maioria sem graça alguma. Pouca coisa se salva, talvez as cenas na minúscula sala de reuniões com várias pessoas apertadas e a sequência em que um sujeito se disfarça de Hitler, porém é pouco para salvar o filme. O longa se tornou cult pelo título que é tão absurdo como a história, mas é necessário o espectador comprar a ideia para encontrar algo interessante nesta obra. 

Como informação, o longa teve três sequências, todas comandadas por John De Bello, inclusive com a participação de um novato George Clooney em “A Volta dos Tomates Assassinos” de 1988, mas não tive a coragem de encarar estas bombas.   

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Ghost - Do Outro Lado da Vida

Ghost – Do Outro Lado da Vida (Ghost, EUA, 1990) – Nota 7,5
Direção – Jerry Zucker
Elenco – Patrick Swayze, Demi Moore, Whoopi Goldberg, Tony Goldwyn, Rick Aviles.

O casal Sam (Patrick Swayze) e Molly (Demi Moore) vive feliz em seu apartamento em Manhattan. Quando Sam descobre que no banco onde trabalha alguém está desviando dinheiro, sua suspeita recai sobre o colega Carl (Tony Goldwyn), que a princípio se mostra com vontade de ajudá-lo a investigar o golpe. Sam diz que pretende verificar sozinho e vai para casa onde encontra a esposa e sai novamente para jantar. Após saírem de um restaurante, um desconhecido (Rick Aviles) ataca o casal e assassina Sam com um tiro. 

No momento da morte, o espírito de Sam sai do corpo e fica numa espécie de limbo, onde pode ver e ouvir a todos, mas pessoa alguma o vê. O espírito desesperado tenta se aproximar da esposa sem sucesso e acaba descobrindo que ela pode ser o próximo alvo do assassino que foi contratado por Carl. Sem saber o que fazer, por acaso o espírito de Sam encontra a vidente picareta Oda Mae Brown (Whoopi Goldberg), que finge ouvir os mortos, mas que descobre ser capaz de se comunicar com Sam, se transformando no elo entre o espírito e sua esposa Molly. 

Este despretensioso longa resultou num inesperado sucesso de bilheteria e alavancou as carreiras de Demi Moore Patrick Swayze e Whhopi Goldberg. Ninguém acreditaria que um drama com elementos de sobrenatural dirigido por Jerry Zucker poderia fazer sucesso, já que Zucker era um diretor de comédias escrachadas que tinha feito carreira junto com o irmão David e com o amigo Jim Abrahams. Juntos eles comandaram sucessos como “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu”, “Top Secret” e “Corra que a Polícia Vem Aí”. 

Alguns pontos foram fundamentais para a grande aceitação do público. A história de amor embalada por um trilha sonora marcante, a química entre Swayze e Moore, além da sensacional atuação de Whoopi Goldberg, que consegue fazer o público rir em várias sequências e se emocionar na parte final. O papel rendeu um merecido Oscar de Atriz Coadjuvante para Goldberg. O roteiro original de Bruce Joel Rubin também ganhou o prêmio. Vale destacar também o estranho e já falecido Vincent Schiavelli como o atormentado fantasma do metrô.    

quinta-feira, 29 de maio de 2014

A Princesa Prometida

A Princesa Prometida (The Princess Bride, EUA, 1987) – Nota 8
Direção – Rob Reiner
Elenco – Cary Elwes, Robin Wright, Chris Sarandon, Mandy Patinkin, Andre The Giant, Fred Savage, Peter Falk, Christopher Guest, Billy Crystal, Carol Kane, Wallace Shawn, Mel Smith.

Uma simpático idoso (Peter Falk, o eterno detetive Columbo) visita seu netinho (Fred Savage, o Kevin Arnold do seriado “Anos Incríveis”) que está na cama doente. Para alegrar o garoto, o avô decide contar uma história de amor passada em um reino de fantasia. No reino, a bela princesa Buttercup (Robin Wright, antes de casar com Sean Penn) se apaixona pelo camponês Wesley (Cary Elwes), que para ser aceito pela família da princesa, decide viajar pelo mundo em busca de riqueza e assim voltar e casar com a amada. Não demora para chegar a noticia de que Wesley fora assassinado por um famoso pirata chamado Roberts. 

Triste por perder o amado,  a princesa aceita por obrigação se casar com o príncipe Humperdinck (Chris Sarandon), que por seu lado deseja unir os dois reinos para se tornar rei. Antes do casamento, a princesa é sequestrada por três estranhos: um espadachim (Mandy Patinkin), um sujeito forte (o falecido lutador Andre The Giant) e um especialista em enigmas (o baixinho Wallace Shawn), que não querem que os reinos sejam anexados pelo maquiavélico Humperdinck. Para surpresa da princesa, Wesley reaparece e corre para salvar a princesa dos sequestradores e também para não deixá-la se casar com Humperdinck. 

Praticamente esquecido, este longa de Rob Reiner foi seu trabalho seguinte ao hoje clássico adolescente “Conta Comigo” e comprovando que estava na melhor fase de sua carreira como diretor, entregou esta fábula que mistura história de amor, cenas de ação, drama e até comédia agradando a adultos e crianças. Muito da qualidade do filme está no roteiro de William Goldman, autor do livro original e roteirista de longas como “Butch Cassidy” e “Todos os Homens do Presidente”. 

Vale destacar também o elenco, que tem personagens diferentes e interessantes, como o espadachim falador vivido pelo ótimo Mandy Patinkin e a narração de Peter Falk, sem contar ainda a pequena participação de Billy Crystal, que voltaria a trabalhar com Rob Reiner em seu próximo filme, o também divertido “Harry & Sally – Feitos um Para o Outro”. 

O resultado é uma sessão da tarde acima da média.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Jogo Duro

Jogo Duro (Brasil, 1985) – Nota 7
Direção – Ugo Giorgetti
Elenco – Cininha de Paula, Jesse James, Cacá Carvalho, Antônio Fagundes, Paulo Betti, Eliane Giardini.

Em uma enorme casa abandonada no bairro do Pacaembu em São Paulo, alguns personagens à beira da marginalidade se cruzam. Uma mãe (Cininha de Paula) e sua filha adolescente são incentivadas pelo vigia da rua (Cacá Carvalho) a se abrigarem na casa vazia. As duas não tem lugar para morar e a mãe tem um caso com o próprio vigia. Dentro da casa, mãe e filha descobrem que um outro sujeito (Jesse James) vive no local como uma espécie de zelador pago por um corretor de imóveis picareta (Antonio Fagundes), que deseja alugar ou vender a casa como se fosse uma mansão. A convivência forçada cria um complicado triângulo amoroso entre vigia, mãe e zelador. 

Mesmo não sendo um cineasta badalado, considero Uog Giorgetti um grande diretor. Sua especialidade é contar pequenas histórias sobre o cotidiano de pessoas comuns, sempre tendo como cenário a cidade de São Paulo, local que explora inclusive na criação dos personagens que identificamos rapidamente com alguém que conhecemos ou que pelo menos vemos pelas ruas no dia a dia. 

Este longa foi sua estreia como diretor, até então ele tinha uma vasta carreira na publicidade e decidiu arriscar a sorte no cinema, por sinal numa época em que a produção nacional estava em baixa. 

Todos os seus filmes se passam em algum bairro de São Paulo. O edifício de “Sábado” fica no Centro, a mansão de “Festa” nos Jardins e a casa de “O Príncipe” na Vila Madalena. Aqui a trama se passa no Pacaembu, bairro considerado aristocrático, que nos anos oitenta começava a passar por mudanças. A elite que vivia nas grandes mansões começava a se mudar para outros bairros ou para condomínios que estavam sendo construídos na região, resultando em casarões abandonados como o que é mostrado no longa. 

Para muitos, estas mudanças tinham como um dos motivos os jogos de futebol no estádio que fica num vale no centro do bairro e que sempre atraiu o povão que gosta de futebol, fato indesejado pela elite paulistana. Hoje a região ainda tem casas enormes, porém muitas delas se transformaram em empresas de serviços. 

Um dos destaques do filme é a atuação de Jesse James, ator que começou trabalhando em produções da chamada “Boca do Lixo” nos anos setenta e que depois seria operador de câmera em canais de TV, inclusive seu último emprego antes de falecer em um acidente de automóvel foi nesta função na ESPN Brasil. Jesse James não era exatamente um ator, sua interpretação é tosca, porém o personagem exagerado e metido a malandro é perfeito para a proposta do filme.  

sábado, 24 de maio de 2014

Eu Vi o Diabo

Eu Vi o Diabo (Akmareul Boatda, Coréia do Sul, 2010) – Nota 8
Direção – Kim Jee Woon
Elenco – Byung Hun Lee, Min Sik Choi, In Seo Kim, Seung Ah Yoon, Chun Ho Jin.

Uma jovem está parada num local isolado com o pneu do carro furado falando ao celular com o noivo Kim Soo Hyeon (Byung Hun Lee) enquanto espera o guincho. Uma van escolar se aproxima e o motorista, Kyung Chul (Min Sik Choi) desce do veículo e diz que pretende ajudá-la. A garota educadamente não aceita e o sujeito parece ir embora, mas retorna e a ataca violentamente. Dias depois a garota é encontrada desmembrada na beira de um rio. Seu noivo que é agente do serviço de inteligência da Coréia, jura vingança e decide investigar por conta própria, dando início a uma violenta caçada, transformando o predador Kyung Chul em vítima. 

Nos últimos dez anos o cinema brasileiro cresceu bastante tanto em qualidade como em quantidade de produções, porém na minha opinião os dois países que mais evoluíram nesta arte foram a Argentina e a Coréia do Sul. Os longas argentinos dispensam apresentações, são diversas produções de alto nível, pelo menos metade protagonizadas pelo astro Ricardo Darin. Enquanto o cinema argentino produz obras que atingem facilmente boa parte dos cinéfilos, as produções coreanas apresentam histórias fortes, muitas vezes tendo a vingança de algum personagem como premissa e quase sempre recheadas de violência. 

Dos filmes coreanos que assisti, este “Eu Vi o Diabo” é com certeza o mais violento. O jogo de gato e rato entre o agente e o psicopata é pontuado por várias cenas de sadismo, violência sexual e sangue para todos os lados. Mas diferente das produções estilo slasher onde o sangue jorrando é o ponto principal, aqui a violência é apenas um dos pilares da trama, que tem um roteiro que inclui ainda situações e personagens importantes como a caçada da polícia, a família da vítima e um outro psicopata que surge na parte final da trama. 

O diabo do título o espectador conhece logo no início do filme, mas a grande sacada do roteiro e fazer com que os papéis do policial e do psicopata se tornem muito parecidos a partir da metade da história. 

Por sinal, é necessário destacar as grandes atuações da dupla principal, com o jovem Byung Hun Lee muito bem como o sujeito frio e obcecado por vingança e Min Sik Choi sensacional como o psicopata, confirmando seu talento num papel ainda melhor do que seu trabalho no famoso “Old Boy”. 

O resultado é um ótimo longa, mas não indicaria para o espectador comum e muito menos para quem não gosta de filmes violentos.    

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Filmes Antigos com Carros e Motos

Perseguições e corridas com carros e motos sempre foram exploradas pelo cinema, seja em filmes independentes ou grandes produções.

Nesta postagem comento seis filmes antigos em que a velocidade é um dos pontos principais.



Agarra-me se Puderes (Smokey and the Bandit, EUA, 1977) - Nota 7,5
Direção – Hal Needham
Elenco – Burt Reynolds, Sally Field, Jerry Reed, Jackie Gleason, Mike Henry, Paul Williams, Pat McCormick.

Bandit (Bur Reynolds) e seu parceiro Snowball (Jerry Reed) são contratados por dois picaretas (Pat McCormick e Paul Williams) para transportarem 400 caixas de cerveja de forma ilegal do Texas para Georgia. No meio do caminho, Bandit resolve dar carona para Carrie (Sally Field), que está fugindo do casamento com o bobalhão Junior (Mike Henry). O problema é que Junior é filho de um xerife da região (Jackie Gleason), que decide a todo custo capturar a nora fugitiva, inclusive utilizando todos os policiais que estão sob seu comando. 

Clássico B dos anos setenta, este longa foi um dos maiores sucessos da carreira do astro Burt Reynolds, parte pelo seu carisma irônico somado a química com uma espevitada Sally Field, mas principalmente pelas diversas sequências de perseguições de automóveis e as dezenas de veículos policiais destruídos. 

O diretor Hal Neddham era dublê e aqui estreava comandando o filme certo para sua experiência. O restante da carreira de Needham seguiu o mesmo estilo, inclusive com outros trabalhos com Reynolds, com maior destaque para a comédia “Quem Não Corre, Voa”.

Desta Vez te Agarro (Smokey and the Bandit II, EUA, 1980) – Nota 6
Direção – Hal Needham
Elenco – Burt Reynolds, Sally Field, Jerry Reed, Jackie Gleason, Dom DeLuise, Paul Williams, Pat McCormick, David Huddleston, Mike Henry.

O grande sucesso do filme anterior, principalmente no sul dos Estados Unidos, gerou esta inevitável sequência que segue o mesmo estilo do original. Desta vez Bandit (Burt Reynolds), sua namorada Carrie (Sally Field) e Snowball (Jerry Reed) tem a missão de transportar um elefante da Flórida até o Texas, novamente sendo perseguidos pelo xerife (Jackie Gleason) e seus policiais. A novidade é a presença de Dom DeLuise como um médico beberrão que pega carona com os contrabandistas na viagem repleta de perseguições. É divertido para quem deseja ver dezenas de batidas de automóveis.

The Wraith – A Aparição (The Wraith, EUA, 1986) – Nota 7
Direção – Mike Marvin
Elenco – Charlie Sheen, Nick Cassavetes, Sherilyn Fenn, Randy Quaid.

Uma pequena cidade do Arizona é aterrorizada pela gangue de Packard (Nick Cassavetes). Após um desentendimento, Packard mata um garoto que estaria flertando com a bela Keri (Sherilyn Fenn), jovem por quem o assassino tem interesse. Pouco tempo depois, surge na estrada que corta a cidade um estranho automóvel negro que passa a perseguir a gangue de Packard, ao mesmo tempo em que o jovem Jake (Charlie Sheen) também chega ao local com sua potente motocicleta. Jake se aproxima de Keri e se torna alvo de Packard, criando uma situação que terminará em violência. 

Clássico B do cinema do adolescente dos anos oitenta, este longa mistura ação, violência e ficção pontuada por uma trilha sonora de rock pesado e um interessante visual que explora as estradas americanas. 

Como informação, este foi o primeiro filme de Charlie Sheen como protagonista, tendo sido lançado no mesmo ano em que ele ficou famoso com “Platoon”, onde dividia a tela com Willem Dafoe e Tom Berenger. 

As Máquinas Quentes (Little Fauss and Big Halsy, EUA, 1970) – Nota 6,5
Direção – Sidney J. Furie
Elenco – Robert Redford, Michael J. Pollard, Lauren Hutton, Noah Beery Jr.

Durante um corrida de motos no deserto, o jovem Little Fauss (Michael J. Pollard) faz amizade com o corredor profissional Halsy (Robert Redford), um talentoso motociclista que está impedido de correr profissionalmente desde que foi pego competindo após beber. Para burlar a suspensão, Halsy faz uma proposta para Fauss. Eles trocariam de identidade e Fauss seria seu mecânico. A princípio a troca funciona e os dois fazem sucesso nas corridas, até que surge a bela Rita (Lauren Hutton) que acaba se envolvendo com Halsy e magoando Fauss que decide se afastar. 

Com uma história clássica de amizade abalada por causa de uma mulher, intercalada com interessantes cenas de corridas de motos, este longa é um despretensioso divertimento que tem a curiosidade de apresentar uma dupla de protagonistas totalmente oposta, com o então galã Robert Redford e o estranho Michael J. Pollard. 

Dragster (Heart Like a Wheel, EUA, 1983) – Nota 7
Direção – Jonathan Kaplan
Elenco – Bonnie Bedelia, Beau Bridges, Leo Rossi, Hoyt Axton, Anthony Edwards, Paul Bartel.

Shirley Muldowney (Bonnie Bedelia) foi influenciada pelo pai (Hoyt Axton) e cresceu apaixonada por carros. Já adulta e casada com Jack (Leo Rossi), ela inicia sua carreira nas corridas de dragster, mas preciso enfrentar o machismo da associação que não aceita mulheres competindo. A obstinação de Shirley a faz entrar em conflito com o próprio marido e mais tarde com o chefe de sua equipe, Connie (Beau Bridges), que também se torna seu amante. 

Baseado na história real da primeira mulher que conseguiu licença para competir com carros de forma profissional nos Estados Unidos, este esquecido trabalho do diretor Jonathan Kaplan (“Acusados” com Jodie Foster e “As Barreiras do Amor” com Michelle Pfeiffer) é um interessante drama sobre uma personagem forte, que enfrentou o preconceito sem medo. 

As cenas de disputa de dragster também são destaque. Para quem não sabe, corridas de dragster são disputas de carros especiais em uma reta. Dois carros se alinham em paralelo e vence aquele que chegar primeiro ao final da reta.  

O Carro – A Máquina do Diabo (The Car, EUA, 1977) – Nota 6,5
Direção – Elliot Silverstein
Elenco – James Brolin, Kathleen Lloyd, John Marley, R. G. Armstrong, John Rubinstein.

Numa pequena cidade americana, surge um carro negro com vidros escuros que passa a atacar quem cruza seu caminho. Logo a polícia da cidade está atrás do veículo, porém é impossível ver quem é o motorista. 

Este curioso suspense segue fórmula semelhante a “Encurralado” de Spielberg, ao colocar um carro como vilão (no longa de Spielberg era uma caminhão), escondendo o motorista e deixando no ar que o carro era algo maligno. 

O diretor Elliot Silverstein (“Dívida de Sangue”, “Um Homem Chamado Cavalo”) consegue manter o clima de suspense até o final, mesmo com um roteiro extremamente simples.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Apenas Deus Perdoa

Apenas Deus Perdoa (Only God Forgives, Dinamarca / França / Tailândia / EUA / Suécia, 2013) – Nota 4
Direção – Nicolas Winding Refn
Elenco – Ryan Gosling, Kristin Scott Thomas, Vithaya Pansringarm, Gordon Brown, Yayaying Rhatha Phongam, Tom Burke.

Em Bangcoc na Tailândia, os irmãos Julian (Ryan Gosling) e Billy (Tom Burk) são donos de um academia de kickboxing que é apenas fachada para o verdadeiro negócio que é o tráfico de drogas. Billy é um psicopata que após um surto mata uma jovem prostituta e em seguida acaba assassinado pelo pai da garota que é apoiado pela polícia, principalmente por um violento oficial (Vithaya Pansringarm) que usa uma espada. 

A mãe dos irmãos, Crystal (Kristin Scott Thomas), segue para a Tailândia com o objetivo de vingar a morte do filho, porém Julian não deseja sujar suas mãos por causa do irmão assassino. A negativa do filho faz com que Crystal contrate assassinos para o serviço, o que faz explodir uma onda de violência e assassinatos. 

A linha que separa um filme cult de um longa pretensioso é tênue, muitas vezes um diretor talentoso cai nesta armadilha e entrega um trabalho cheio de estilo e ao mesmo totalmente vazio. É o caso desta obra do dinamarquês Nicolas Winding Refn, diretor cultuado pela crítica por causa da trilogia “Pusher” (que eu ainda não assisti) e pelo interessante “Drive”. Poucos se lembram que Refn caiu no mesmo erro do estilo acima da história no confuso “Medo X” de 2003, seu primeiro trabalho internacional que tinha John Turturro no papel principal. 

Este “Apenas Deus Perdoa” tem uma belíssima fotografia e muita violência estilizada, mas peca pela história simplória e sem sentido em várias sequências, além das interpretações exageradas, que se mostram claramente uma escolha do diretor. Os atores parecem engessados, se movimentam como robôs, em muitas cenas olhando para o vazio, num verdadeiro exagero dramático. 

Um longa se torna cult pelas circunstâncias e sempre que um diretor tenta forçar a barra neste sentido acaba quebrando a cara. Este longa é um exemplo claro.  

quarta-feira, 21 de maio de 2014

A Arte do Pensamento Negativo

A Arte do Pensamento Negativo (Kunsten a Tenke Negativt, Noruega, 2006) – Nota 7,5
Direção – Bard Breien
Elenco – Fridtjov Saheim, Kirsti Eline Torhaug, Kjersti Holmen, Henrik Mestad, Marian Saastad Ottesen, Kari Simonsen, Per Schaanning.

Após sofrer um acidente que o deixou paraplégico, Geirr (Fridtjov Saheim) se tornou um sujeito depressivo que passa quase todo o dia assistindo filmes de guerra. Para tentar mudar a atitude do marido, Ingvild (Kirsti Eline Torhaug) convida uma psicóloga (Kjersti Holmen) especialista em lidar com deficientes. A psicóloga aceita visitar o casal que mora numa bela casa no interior da Noruega e leva consigo um grupo de deficientes. Temos a garota que ficou tetraplégica e tenta se mostrar feliz ao lado do marido, uma velha senhora deprimida e um empresário que perdeu tudo, sofreu um derrame e hoje vive numa cadeira de rodas. A falsa sensação de felicidade que a psicóloga tenta passar para o grupo, dissolve-se rapidamente em contato com o agressivo Geirr, transformando o que seria uma sessão de autoajuda, numa verdadeira lavagem de roupa suja. 

Esta sarcástica produção norueguesa, com pouco mais de uma hora de duração, beira o humor negro ao fazer uma crítica aos picaretas que se vestem de psicólogos com o objetivo de lucrar com seus livros e terapias de autoajuda, fazendo com que as pessoas acreditem que apenas o pensamento positivo transformará sua vida. 

Os personagens do grupo de apoio são esteriótipos do consumidor deste tipo de terapia, que ao cruzarem com um sujeito revoltado e realista como Geirr, percebem como tentam enganar a si mesmos. 

Como curiosidade, Geir é fã de Johnny Cash (várias músicas do cantor tocam durante o filme) e do clássico “O Franco Atirador”, tendo um poster de Robert De Niro no quarto, além de protagonizar uma cena extremamente sarcástica inspirada no filme de Michael Cimino. 

O resultado é um filme indicado para quem gosta de histórias críticas e ácidas.

terça-feira, 20 de maio de 2014

O Guia do Mochileiro das Galáxias

O Guia do Mochileiro das Galáxias (The Hitchhiker's Guide to the Galaxy. EUA / Inglaterra, 2005) – Nota 5,5
Direção – Garth Jennings
Elenco – Sam Rockwell, Mos Def, Zooey Deschanel, Martin Freeman, Anna Chancellor, Warwick Davis, Stephen Fry, Alan Rickman, Helen Mirren, John Malkovich, Bill Nighy, Richard Griffiths.

Arthur Dent (Martin Freeman) é dispensado pela bela Tricia (Zooey Deschanel) e descobre que sua casa será demolida para abrir espaço para uma rodovia espacial. Seu melhor amigo, Ford Prefect (Mos Def) decide contar que na verdade é um alienígena e que deseja ajudar Arthur a fugir do planeta que está prestes a ser destruído. 

A princípio eles pegam na carona da nave dos estranhos Vogons, até que conseguem escapar e encontram outra nave, esta comandada pelo excêntrico Zaphod (Sam Rockwell), que deseja descobrir o sentido da vida através de uma tal de Pergunta Fundamental. Para surpresa de Arthur, na mesma nave está Tricia, outra sobrevivente do planeta Terra que fora resgatada. O grupo segue sua aventura no espaço utilizando o Guia do Mochileiro das Galáxias, um livro que pertence a Ford e que contém informações sobre todas as galáxias. 

Não tenho o hábito e nem a paciência para livros de ficção, meu gosto para leitura sempre foi para histórias reais, biografias e fatos históricos. Por este motivo, no meu caso este “O Guia do Mochileiro das Galáxias” se mostra uma ficção confusa e em boa parte sem sentido, com poucas coisas realmente engraçadas. 

Pelo que li sobre o autor Douglas Adams, suas obras (são cinco livros) são uma verdadeira salada russa, com situações desconexas quase impossíveis de serem transportadas para o cinema. Este é outro motivo para o filme ser no mínimo estranho. 

Os destaques ficam por conta do bom ator Mos Def e da beleza de Zooey Deschanel. O ótimo Sam Rockwell desta vez se mostra caricato, enquanto falta carisma para Martin Freeman. 

Sei que existe uma grande legião de fãs do autor e desta obra em especial, mas como leigo no assunto fica difícil apreciar algo tão confuso.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

O Menino do Pijama Listrado & A Menina que Roubava Livros


O Menino do Pijama Listrado (The Boy in the Striped Pyjamas, Inglaterra / EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Mark Herman
Elenco – Asa Butterfield, Vera Farmiga, David Thewlis, Rupert Friend, David Hayman, Amber Beattie, Jack Scanlon, Cara Horgan, Jim Norton.

No início da Segunda Guerra, o garoto Bruno (Asa Butterfield) vive em Berlim numa bela casa com os pais (Vera Farmiga e David Thewlis) e a irmã mais velha (Amber Beattie). O pai, que é oficial da exército nazista, recebe a missão de comandar um campo de concentração no interior do pais. A princípio, a esposa sente orgulho do marido sendo promovido, já Bruno fica triste em abandonar os amigos. A família passa a morar numa enorme casa em local afastado, mesmo assim, Bruno consegue ver da sua janela o campo de concentração, o que pela ingenuidade de sua idade acredita ser uma fazenda onde os fazendeiros usam roupas estranhas que parecem pijamas. 

Numa de suas escapadas de casa, Bruno encontra a cerca de arame farpado que mantém os judeus presos e acaba fazendo amizade com um garotinho (Jack Scanlon), que se esconde naquele local para ficar sozinho e diminuir seu sofrimento. Esta relação fará com que aos poucos Bruno perceba que há algo de errado com a situação, mesmo não entendendo exatamente o que está acontecendo. 

Baseado num livro de sucesso, este longa tem como ponto principal mostrar uma terrível situação como a tragédia dos campos de concentração através do olhar puro de uma criança. Sem os vícios e os preconceitos de um adulto, o personagem do garoto Asa Butterfield (que comprovaria seu talento em “A Invenção de Hugo Cabret”) questiona fatos que são refutados por seu professor (Jim Norton) e pelo pai de forma absurda, cegos pela doutrinação do regime nazista. 

Outro ponto interessante é a reação da mãe interpretada por Vera Farmiga, que enquanto usufrui de sua vida burguesa na cidade se mostra feliz com o trabalho do marido, mas quando se torna testemunha ocular dos crimes que seu par comanda, sua vida desaba. É como se a tragédia não existisse enquanto estivesse longe, algo que provavelmente ocorreu com parte da população alemã, que fechou os olhos por medo ou por omissão. 

O final do longa é um verdadeiro soco no estômago do espectador.

A Menina que Roubava Livros (The Book Thief, EUA / Alemanha, 2013) – Nota 7,5
Direção – Brian Percival
Elenco – Sophie Nélisse, Geoffrey Rush, Emily Watson, Nico Liersh, Ben Schnetzer.

Alemanha, 1938, a garota Liesel Meminger (Sophie Nélisse) vê seu irmão pequeno morrer e sua mãe ser levada pelos nazistas por ser comunista. Liesel é enviada a uma cidade do interior do país onde é adotada pelo casal Hubermann. Hans (Geoffrey Rush) é um sujeito simples e bem humorado, enquanto sua esposa Rosa (Emily Watson) é uma pessoa de temperamento difícil. A adaptação na nova vida no início é complicada, mas melhora quando Liesel faz amizade com o vizinho Rudy (Nico Liersh). 

Aos poucos a garota percebe que existe algo de errado com o apoio de parte da população ao nazismo, principalmente após queimarem centenas de livros em praça pública e quando a perseguição aos judeus aumenta e o jovem Max (Ben Schnetzer) é acolhido pela família Hubermann que o esconde no porão da pequena casa. 

Baseado num famoso livro, este drama tem uma interessante história sobre como viviam os cidadãos comuns na Alemanha durante a Segunda Guerra e como eram obrigados a aceitar a loucura do nazismo com medo de serem perseguidos e até assassinados.

Vale destacar a sensível relação entre as crianças e a atuações dos sempre competentes Geoffrey Rush e Emily Watson,

O roteiro toca outros em temas como família, amizade e perdas, com destaque ainda para a narração que deixa o espectador em dúvida sobre quem é o narrador, que revela sua verdadeira identidade apenas no final.  

domingo, 18 de maio de 2014

Em Serviço

Em Serviço (On the Job, Filipinas, 2013) – Nota 7,5
Direção – Erik Matti
Elenco – Joel Torre, Gerald Anderson, Piolo Pascual, Joey Marquez, Michael De Mesa, Leo Martinez.

Em Manila, capital das Filipinas, o veterano Mario “Tatang” (Joel Torre) e o jovem Daniel (Gerald Anderson) são presidiários que fazem parte de um esquema de corrupção que inclui oficiais do exército e grandes empresários. O serviço da dupla é assassinar alvos específicos, mas como estão presos, contam com a participação de guardas corruptos que os ajudam a sair do presídio de forma ilegal. Após o serviço feito, os dois voltam para cadeia, enquanto isso a polícia fica sem pistas, pois não imaginam que os assassinos já estão presos. 

O esquema aparentemente perfeito falha quando os matadores não conseguem assassinar um sujeito e acabam perseguidos pelo policial Acosta (Joey Marquez) e o detetive Francis Coronel (Piolo Pascual, ator muito parecido com Gael Garcia Bernal). Os dois policiais tem carreiras opostas, Acosta é um sujeito honesto que foi rebaixado por combater a corrupção, enquanto Coronel está subindo na carreira por ser noivo da filha de um político. O complexo caso faz com que os dois tenham trabalhar de juntos para tentar desbaratar a poderosa quadrilha. 

Este produção filipina baseada num fato real que resultou em um grave escândalo de corrupção, é uma agradável surpresa para quem curte o gênero policial.

O diretor Erik Matti é claramente influenciado pelas produções policiais de Hong Kong, criando várias sequências de tiroteios e perseguições pelas ruas e becos de Manila, sem deixar de lado a trama que por si só é interessante. 

Até mesmo o desenvolvimento dos personagens é competente, com destaque para o assassino interpretado por Joel Torre, que precisa lidar com esposa e filha que o desprezam, além de ser considerado descartável pela própria organização para quem presta serviços. 

Para quem gosta do gênero e do estilo, este longa é uma boa diversão.

sábado, 17 de maio de 2014

Substitutos

Substitutos (Surrogates, EUA, 2009) – Nota 6
Direção – Jonathan Mostow
Elenco – Bruce Willis, Radha Mitchell, Rosamund Pike, James Cromwell, Ving Rhames, Boris Kodjoe, James Francis Ginter, Jack Noseworthy, Michael Cudlitz, Devin Ratray.

Em futuro próximo, um cientista (James Cromwell) desenvolveu robôs idênticos aos humanos para substituí-los no dia a dia. A pessoa normal pode ficar deitada em sua casa comandando seu substituto através do pensamento, com seu cérebro ligado direto ao robô. 

Quando o filho do cientista é assassinado, o FBI envia uma dupla de agentes para investigar o caso. Greer (Bruce Willis) e Peters (Radha Mitchell), utilizando seus substitutos, acreditam que o assassinato está ligado a uma nova arma que destrói os robôs e que pode cair nas mãos de um sujeito conhecido como o Profeta (Ving Rhames), que lidera um grupo de humanos que vive numa área demarcada onde não aceitam a entrada dos robôs. Greer ainda passa por uma crise com a esposa (Rosamund Pike), que se afastou dele após uma tragédia e hoje convive com o marido apenas através do seu substituto. 

Mesmo com um premissa bem interessante que tenta fazer uma crítica a utilização exagerada da tecnologia, fato que deixa o contato humano em segundo plano, esta ficção falha pelo roteiro fraco e previsível, a narrativa irregular e até mesmo as cenas de ação que não empolgam. 

O elenco de nomes conhecidos pouco se esforça para melhorar o filme, inclusive o astro Bruce Willis mais um vez atuando no piloto automático. 

O diretor Jonathan Mostow fez filmes melhores como “O Exterminador do Futuro 3” e “U-571- A Batalha do Atlântico”.  

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A Sentinela dos Malditos

A Sentinela dos Malditos (The Sentinel, EUA, 1977) – Nota 6,5
Direção – Michael Winner
Elenco – Chris Sarandon, Cristina Raines, Martin Balsam, John Carradine, José Ferrer, Ava Gardner, Arthur Kennedy, Burgess Meredith, Sylvia Miles, Deborah Raffin, Eli Wallach, Christopher Walken, Jerry Orbach, Beverly D’Angelo, Jeff Goldblum.

Michael Lerman (Chris Sarandon) deseja casar com a modelo Alison Parker (Cristina Raines), com quem mora em um apartamento em Nova York, porém a jovem pretende morar sozinha por algum tempo antes de aceitar a proposta. Alison aluga um apartamento em um velho edifício de três andares e logo faz amizade com alguns estranhos vizinhos. Os problemas começam quando ela passa a ter pesadelos e descobre na que realidade o único morador do edifício é um padre cego. A angústia da garota faz com que Michael investigue o caso e descubra que a Igreja Católica esconde um segredo ligado aos acontecimentos sobrenaturais. 

Mesmo sendo inferior e com uma trama bem diferente, este longa que fez até algum sucesso na época, lembra “O Bebê do Rosemary”. Grande parte do filme se apoia no terror psicológico com algumas pitadas de sangue e erotismo, até o climax onde o horror completo vem à tona, num estilo que deve ter assustado o público, que na época não estava acostumado ao sangue fácil dos filmes atuais. 

Seguindo uma linha habitual dos anos setenta, o longa reúne um elenco repleto de veteranos da ‘Era de Ouro de Hollywood” como Ava Gardner, John Carradine, Martin Balsam e Arthur Kennedy, com pequenas participações de jovens que ficariam famosos como Christopher Walken e Jeff Goldblum, além do falecido Jerry Orbach, astro por muitos anos da série “Law & Order”. 

Finalizando, o diretor inglês Michael Winner era famoso na época por seus trabalhos em parceria com Charles Bronson, sendo no total cinco filmes, com destaque para o clássico “Desejo de Matar”.  

terça-feira, 13 de maio de 2014

Central do Brasil & À Beira do Caminho


Central do Brasil (Brasil / França, 1998) – Nota 8,5
Direção – Walter Salles
Elenco – Fernanda Montenegro, Vinicius de Oliveira, Marília Pera, Othon Bastos, Otavio Augusto, Mateus Nachtergaele, Soia Lira.

Dora (Fernanda Montenegro) trabalha na estação Central do Brasil no Rio de Janeiro escrevendo cartas para pessoas analfabetas que desejam enviar notícias para seus familiares. Num certo, Ana (Soia Lira) pede para Dora escrever uma carta para o pai de seu filho Josué (Vinicius de Oliveira) dizendo que o garoto deseja conhecê-lo. Por ironia do destino, ao sair da estação Ana é atropelada e morre. Josué fica sozinho e vê como único rosto conhecido a amargurada Dora, que a princípio não deseja ajudar o garoto. A insistência de Josué faz com que Dora aceite viajar para o nordeste levando o garoto para tentar encontrar o pai. A longa viagem fará os dois sofridos personagens criarem um forte laço de amizade, sem antes ter de enfrentar vários percalços pelo caminho. 

Premiado em diversos festivais e até indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro, este longa de Walter Salles com certeza está entre os melhores filmes brasileiros de todos os tempos, muito também pelas belas atuações do garoto Vinícius de Oliveira e da veterana Fernanda Montenegro que foi merecidamente indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante. O longa tem vários outros pontos positivos, como o roteiro que emociona na medida certa, a bela fotografia e a contagiante trilha sonora de Antonio Pinto e Jaques Morelenbaum. 

Mesmo tendo feito outros bons filmes como “Diários de Motocicleta” e “Abril Despedaçado”, este é o melhor trabalho de Walter Salles.

À Beira do Caminho (Brasil, 2012) – Nota 7,5
Direção – Breno Silveira
Elenco – João Miguel, Vinícus Nascimento, Dira Paes, Ludmila Rosa, Angelo Antonio, Denise Weinberg.

O caminhoneiro João (João Miguel) é um sujeito traumatizado por uma tragédia que se entregou ao trabalho para tentar esquecer do passado. Quando ele descobre o garoto Duda (Vinícius Nascimento) escondido em seu caminhão, seu desejo é abandonar a criança na delegacia mais próxima, porém alguns detalhes fazem com que ele seja obrigado a viajar com o acompanhante por algumas cidades do nordeste brasileiro. Aos poucos, João percebe que o garoto é tao sofrido quanto ele. Duda perdeu a mãe e deseja encontrar o pai que mora em São Paulo. Do pai ele tem apenas uma foto e o endereço. Os dois solitários acabam criando um laço que mudará completamente suas vidas. 

Entre o elogiado “Os Dois Filhos de Francisco” e o sensível “Gonzaga – De Pai pra Filho”, o diretor Breno Silveira comandou este road movie sobre amizade, frustrações e esperança, com uma trama que lembra o ótimo “Central do Brasil”, porém fazendo o percurso contrário. Aqui os protagonistas vão do nordeste para São Paulo, enquanto no longa de Walter Salles a viagem era do Rio de Janeiro para o nordeste. 

Vale destacar a interpretação espontânea do garoto Vinícius Nascimento e o sempre competente João Miguel, que a cada novo trabalho comprova ser um grande ator.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Ninfomaníaca: Volumes I e II


Ninfomaníaca: Volume I (Nymphomaniac: Vol. I, Dinamarca / Alemanha / França / Bélgica / Inglaterra, 2013) – Nota 7,5
Direção – Lars von Trier
Elenco – Charlotte Gainsbourg, Stellan Skarsgard, Stacy Martin, Shia LaBeouf, Christian Slater, Uma Thurman, Sophie Kennedy Clark, Connie Nielsen, Ananya Berg.

O solitário Seligman (Stellan Skarsgard) encontra uma mulher (Charlotte Gainsbourg) machucada e desmaiada em um beco. Ele decide levá-la para casa e quando ela acorda, conta que seu nome é Joe e que está naquela situação por ser uma pessoa ruim. A declaração deixa Seligman intrigado, que em seguida questiona o porquê. Este diálogo dá início a uma espécie de confissão de Joe, que decide contar a história de sua vida, principalmente as diversas aventuras sexuais. 

Este primeira parte da polêmica obra de Lars von Trier é a melhor, principalmente na relação criada entre Joe e Seligman, que lembra muito uma confissão católica, com Seligman apresentando as características de um padre, enquanto Joe é a pecadora. São interessantes as analogias que Seligman encontra para as histórias contadas por Joe, sejam as técnicas de pescaria ou as comparações religiosas. 

Vale destacar a desinibida atuação da estreante francesa Stacy Martin no papel da jovem Joe, que seduz vários homens em sequências sem erotismo algum, onde a busca pelo prazer é o ponto principal, mesmo que seja algo quase impossível dela alcançar. 

A melhor sequência é a participação de Uma Thurman, que rouba o filme no pouco tempo em que aparece na tela.

Ninfomaníaca: Volume II (Nymphomaniac: Vol. II, Dinamarca / Alemanha / França / Bélgica / Inglaterra, 2013) – Nota 7
Direção – Lars von Trier
Elenco – Charlotte Gainsbourg, Stellan Skarsgard, Stacy Martin, Shia LaBeouf, Jamie Bell, Willem Dafoe, Mia Goth, Jean Marc Barr, Michael Pass, Ananya Berg.

Esta sequência começa exatamente de onde parou o original, com Joe (Charlotte Gainsbourg) contando para Seligman (Stellan Skarsgard) como foi sua vida de casada quando ainda era jovem (interpretada por Stacy Martin) com o confuso Jerome (Shia LaBeouf). A relação fica complicada quando Jerome não consegue satisfazê-la sexualmente e abre as portas para que Joe tenha outros amantes. A relação entre o casal fica cada vez pior, principalmente após Joe (agora interpretada por Charlotte Gainsbourg) se envolve com K (Jamie Bell), um sujeito masoquista, violento e cheio de regras. O capítulo final em que Joe cria uma relação de trabalho com L (Willem Dafoe) e se envolve com a jovem P (Mia Goth), muda um pouco o rumo da trama e faz o filme perder alguns pontos. 

Apesar das várias cenas de nu frontal em close e das sequências de sexo e sadomasoquismo, pela propaganda eu esperava algo ainda mais polêmico, mas no geral mesmo sendo extremamente ousado, não chega a ser tão forte e exagerado como “Anticristo” por exemplo. 

A sequência mais marcante deste longa é cena do interrogatório com o francês Jean Marc Barr. A cena final também não deixa espectador algum indiferente. 

No geral, são dois bons filmes com a marca do diretor, que sabe muito bem promover seus trabalhos.

domingo, 11 de maio de 2014

Tropas Estelares

Tropas Estelares (Starship Troopers, EUA, 1997) – Nota 7,5
Direção – Paul Verhoeven
Elenco – Casper Van Dien, Dina Meyer, Denise Richards, Jake Busey, Michael Ironside, Neil Patrick Harris, Patrick Muldoon, Clancy Brown, Seth Gilliam, Marshall Bell.

No futuro, o planeta Terra vive em guerra com uma raça de alienígenas que parecem insetos gigantes. A democracia também foi derrotada e o mundo vive sob um governo fascista que divide a população entre civis e cidadãos. Os cidadãos são aqueles que se alistam nas forças militares para combater os insetos, enquanto o resto da população são os civis, considerados pelo governo como pessoas com menor importância. 

Neste contexto, o jovem de família rica Johnny Rico (Casper Van Dien) que vive em Buenos Aires, decide entrar para a infantaria do exército influenciado pela namorada (Denise Richards) que deseja se tornar piloto. Junto com o casal, outros dois amigos (a bela Dina Meyer e Neil Patrick Harris) também entram para as forças armadas. Quando Buenos Aires é destruída em um ataque dos alienígenas, para defender a Terra é criado uma espécie de exército mundial que acaba por reunir novamente o grupo de amigos numa sangrenta batalha. 

Baseado num livro de ficção escrito no final dos anos cinquenta, o diretor Paul Verhoeven criou um longa repleto de críticas ao totalitarismo resultando numa sátira recheada de sangue e violência. Verhoeven que tinha uma carreira sólida na Holanda, estreou na América com ótimo “Conquista Sangrenta” e emendou três grandes sucessos em seguida: “Robocop”, “O Vingador do Futuro”e “Instinto Selvagem” o transformaram em um dos grandes de Hollywood. Tudo estava ótimo até o retumbante fracasso de “Showgirls” em 1995. Tentando colocar a carreira nos trilhos, Verhoeven decidiu investir em outra ficção, ainda mais crítica e sanguinária dos que os trabalhos anteriores e acabou conseguindo um sucesso parcial. 

O longa tem cenas de ação de tirar o fôlego e os melhores efeitos especiais da época, porém dividiu público e critica. Quem conhecia o livro alegou que Verhoeven modificou muito o conteúdo, enquanto a crítica reclamava com razão das péssimas interpretações. Apesar dos rostos conhecidos, o elenco realmente é recheado de canastrões. 

O filme teve ainda três continuações lançadas diretamente em vídeo, além de um boato que roda na internet sobre uma refilmagem do original.

sábado, 10 de maio de 2014

Filmes com Animais - Parte I

Voando Para Casa (Fly Away Home, EUA / Canadá, 1996) – Nota 7
Direção – Carroll Ballard
Elenco – Jeff Daniels, Anna Paquin, Dana Delany, Terry Kinney, Holter Graham, Jeremy Hatchford.

Após a mãe falecer em um acidente de automóvel, a adolescente Amy (Anna Paquin) é obrigada a morar com o pai no Canadá. O pai é Tom (Jeff Daniels), um inventor maluco, fato que a princípio afasta a garota. Quando Amy descobre várias ovos que caíram de uma árvore, ela decide criar condições para eles serem chocados. A experiência dá certo e nascem vários filhotes de gansos selvagens. O problema é que eles são aves migratórias, que sem a mãe para guiá-los fica impossível que consigam chegar a floresta no verão. A insistência da garota e a criatividade do pai serão fundamentais para fazer com que as pequenas aves cheguem ao destino. 

Com uma trama original, este aventura ecológica é um longa extremamente simpático que foi produzido quase que por encomenda para a então garotinha Anna Paquin, que três anos antes havia sido indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante por “O Piano” e que aqui teve seu primeiro papel como protagonista, mesmo que dividindo a tela com Jeff Daniels.

Caninos Brancos (White Fang, EUA, 1991) – Nota 7
Direção – Randal Kleiser
Elenco – Klaus Maria Brandauer, Ethan Hawke, Seymour Cassel, James Remar, Susan Hogan, Bill Moseley.

Após a morte do pai, o jovem Jack Conroy (Ethan Hawke) decide morar no Alasca para explorar uma mina de ouro que pertencia a seu pai e que está abandonada. No local, ele cria uma inusitada amizade com um lobo branco, que acaba capturado por um sujeito (James Remar) que deseja utilizá-lo em brigas clandestinas de cães. Quando o lobo se fere em uma destas brigas, Jack consegue salvá-lo e juntos enfrentarão desafios naquele local gelado e quase inóspito. 

Baseado num livro clássico, este longa dos estúdios Disney é uma simpática aventura sobre amizade, que tem como destaques um Ethan Hawke ainda bem jovem e as belas paisagens brancas do Alasca.   

Caninos Brancos II – A Lenda do Lobo Branco (White Fang 2: Myth of the White Wolf, EUA 1994) – Nota 6
Direção – Ken Olin
Elenco – Scott Bairstow, Charmaine Craig, Alfred Molina, Geoffrey Lewis, Anthony Ruivivar, Al Harrington, Ethan Hawke.

Jack (Ethan Hawke) foi embora do Alasca e deixou seu lobo Caninos Brancos com o garoto Henry (Scott Bairstow). Durante um passeio pela floresta, por acidente o lobo cai em um rio sendo levado pela corredeira até uma aldeia indígena. Os índios acreditam que a chegada de Caninos Brancos é a comprovação de uma lenda em que um logo branco salvaria a tribo, que no momento sofre com a fome. Para cumprir a profecia, Henry se junta a índia Lily (Charmaine Craig) para chegarem até uma montanha que seria o local sagrado, mas além dos percalços da natureza, terão de enfrentar também alguns bandidos que procuram ouro na região. 

Diferente do original, esta continuação não é baseada em livro, sendo uma nova história escrita diretamente para o longa. Mesmo com alguns sequências de ação e aproveitando novamente as belas paisagens do Alasca, além de coadjuvantes competentes como Alfred Molina e Geoffrey Lewis, a trama é um pouco forçada e o protagonista Scott Bairstow muito fraco. Como informação, Bairstow foi também o protagonista da série “Harsh Realm”, escrita por Chris Carter, que na época era famoso por ser o autor de “Arquivo X”. A série foi lançada com muita expectativa, mas durou apenas nove episódios e foi cancelada.

O Menino e a Foca Dourada (The Golden Seal, EUA, 1983) – Nota 5,5
Direção – Frank Zuniga
Elenco – Torquil Campbell, Steve Railsback, Penelope Milford, Michael Beck, Richard Narita.

Eric (Toquill Campbell) é um garoto solitário que vive no Alasca com seus pais (Steve Railsback e Penelope Milford). Quando Eric se perde do pai e encontra uma rara foca dourada que dá a luz a um filhote, o garoto se torna uma espécie de guardião dos animais, que se transformam em alvos de caçadores ambiciosos e nativos que desejam lucrar. 

Produzido pela MGM, está aventura ecológica segue a linha dos filmes da Disney dos anos setenta e início dos oitenta. Com bela fotografia e algumas cenas bem filmadas nas paisagens geladas do Alasca, o filme diverte o público que gosta de aventuras rasas, sem violência e até certo ponto ingênuas.

O Corcel Negro (The Black Stalion, EUA, 1979) – Nota 7,5
Direção – Carroll Ballard
Elenco – Kelly Reno, Mickey Rooney, Teri Garr, Hoyt Axton, Michael Higgins.

Este verdadeiro clássico da sessão da tarde foi produzido por Francis Ford Coppola e conta uma história emocionante. Nos anos quarenta, o garoto Alec (Kelly Reno) sobrevive a um naufrágio junto com um cavalo negro e até serem resgatados criam uma grande amizade. De volta a cidade, por um acaso o cavalo foge e é encontrado no estábulo do veterano criador Henry (Mickey Rooney), que acaba se tornando o seu treinador. 

Com belas imagens e um final emocionante na corrida, o filme cumpre o seu papel falando de amizade e perseverança com extrema sensibilidade. O diretor Carroll Ballard fez também o bom “Voando para Casa” e um dos destaques do filme é o veterano Mickey Rooney que ganhou Oscar de Ator Coadjuvante pelo papel.

O Regresso do Corcel Negro (The Black Stallion Returns, EUA 1983) – Nota 6
Direção – Robert Dalva
Elenco – Kelly Reno, Vincent Spano, Allen Garfield, Teri Garr, Woody Strode, Jodi Thelen, Ferdy Mayne.

Após alguns anos em poder de Alec (Kelly Reno), o Corcel Negro se torna alvo de disputa entre duas tribos árabes que desejam utilizá-lo numa famosa corrida no deserto do Saara. Um dos grupo consegue roubar o cavalo e o transporta clandestinamente para Casablanca no Marrocos. Quando o jovem Alec descobre o destino de seu amigo, decide enfrentar tudo para encontrá-lo, inclusive uma viagem clandestina até o deserto. 

Esta inevitável sequência continua tendo como ponto alto a bela fotografia do deserto africano e algumas cenas de ação com o cavalo. Se o original tinha uma história interessante e sensível, esta sequência não apresenta novidades, mas mesmo assim é divertida para quem gosta do gênero.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Os Trombadinhas

Os Trombadinhas (Brasil, 1979) – Nota 4
Direção – Anselmo Duarte
Elenco – Pelé, Paulo Goulart, Paulo Villaça, Francisco Di Franco, Kátia D’Ângelo, Paulo Duarte, Sergio Hingst, Ana Maria Nascimento e Silva, Roberto Maia.

Ao voltar de uma viagem, o empresário Frederico (Paulo Goulart) é guiado por seu motorista pelo centro de São Paulo, quando um jovem trombadinha fugindo da policia é atropelado por seu veículo. Acreditando que os jovens infratores precisam ser ajudados para sair do crime, Frederico convence o astro do futebol Pelé a participar de um projeto. Para entrar em contato com os jovens, Pelé passa a patrulhar o centro de São Paulo ao lado policial Bira (Paulo Villaça). Enquanto o ex-jogador deseja descobrir quem é o adulto que chefia a gangue de trombadinhas, o policial acredita que a única forma de resolver o problema é batendo e prendendo os garotos. 

O argumento inicial tenta colocar em discussão a questão da responsabilidade criminal dos adolescentes, fato que continua atual, porém o roteiro confuso e o formato datado resulta até em risadas involuntárias em algumas sequências, como naquelas em que o astro Pelé briga com bandidos misturando o estilo dos filmes de Kung Fu com a câmera lenta que era comum nas cenas de ação da série “O Homem de Seis Milhões de Dólares”, que na época fazia grande sucesso na tv. 

O elenco apresenta ainda um vigarista (Sergio Hingst) que comanda uma gangue com pelo menos trinta adolescentes, um grande empresário (Francisco Di Franco) metido com tráfico de drogas e um jovem trombadinha (Paulo Duarte) com quem Pelé consegue se aproximar, resultando numa sequência ingênua e piegas. 

Para piorar, a edição cria um vai e vem da trama entre as cidades de São Paulo e Santos extremamente confuso, as vezes Pelé e o policial estão perseguindo trombadinhas no centro de SP e em seguida Pelé está na delegacia em Santos. 

Como informação, o longa tem ainda algumas sequências de perseguição de automóveis que serviram como uma espécie de propaganda para os carros da Chevrolet, empresa que patrocinou o longa. 

Finalizando, este foi o último trabalho do ator Anselmo Duarte como diretor. Ele que comandou “O Pagador de Promessas”, com certeza um dos melhores longas da história cinema nacional, nunca mais conseguiu chegar sequer próximo da qualidade deste clássico e encerrou sua carreira atrás das câmeras com esta pérola trash.   

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Joe

Joe (Joe, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – David Gordon Green
Elenco – Nicolas Cage, Tye Sheridan, Gary Poulter, Ronnie Gene Blevins, Adriene Mishler.

Na zona rural de uma pequena cidade do Texas, Joe (Nicolas Cage) supervisiona um grupo de trabalhadores, vários deles imigrantes, que tem como ocupação fazer cortes em árvores e encher de veneno para facilitar a derrubada das mesmas por uma grande empresa que plantará novas árvores no local. 

Joe é um sujeito solitário que carrega frustrações e tem uma rixa com o valentão Willie (Ronnie Gene Blevins), com quem já trocou sopapos algumas vezes. Num certo dia, o garoto Gary (Tye Sheridan) surge na floresta procurando emprego e se torna amigo de Joe, que não demora para descobrir que o rapaz sofre com pai (Gary Poulter), sujeito violento e alcoólatra que trata pessimamente também a esposa e a filha adolescente. A relação entre estes personagens problemáticos se torna cada vez mais complicada e violenta. 

Muito criticado nos últimos anos por escolher papéis em filmes de conteúdo vazio, desta vez Nicolas Cage acertou ao protagonizar este drama com cara de produção independente. A trama é triste e até crua, os personagens são todos decadentes e vivem sem perspectivas num local que parece o fim do mundo. A relação de amizade que surge entre o personagem de Cage e o garoto interpretado pelo promissor Tye Sheridan, a princípio parece ser uma redenção na vida dos dois, mas no final se torna o estopim de mais violência. 

A grande curiosidade é o desconhecido Gary Poulter, que na verdade era um morador de rua que foi escolhido pelo diretor David Gordon Green para dar maior veracidade ao papel do pai bêbado e violento. Poucas vezes o cinema mostrou uma interpretação tão verdadeira, com o sujeito sendo ele mesmo na frente da telas, pois assim que terminaram as filmagens, Gary Poulter voltou para as ruas de Austin no Texas e faleceu dois meses depois. 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo, EUA / Suécia / Noruega, 2011) – Nota 8
Direção – David Fincher
Elenco – Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgard, Steven Berkoff, Robin Wright, Yorick van Wageningen, Joely Richardson, Geraldine James, Goran Visnjic, Donald Sumpter.

O jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig) é desmoralizado após ser condenado por acusar de corrupção e não conseguir provar a culpa de um empresário milionário. Pensando em se afastar da revista onde é sócio de Erika (Robin Wright), Mikael aceita a proposta de um outro empresário, o velho Henrik Vanger (Christopher Plummer), que diz ter provas contra o empresário corrupto que o processou, mas que antes de ajudá-lo precisará que o jornalista investigue uma mistério que dura quarenta anos. Vanger deseja saber o que aconteceu com sua sobrinha que desapareceu sem deixar vestígios. 

Para tentar descobrir a verdade, Mikael precisa investigar os integrantes da família de Vanger, que vivem isolados numa ilha no interior da Suécia e que se odeiam entre si. Para auxiliá-lo, o advogado de Vanger (Steven Berkoff) indica a hacker Lisbeth Salander (Rooney Mara), uma jovem solitária que passou parte da vida em um sanatório e que continua enfrentando vários problemas pessoais, principalmente com seu novo tutor. 

O hábito de refilmar longas europeus e orientais que fazem sucesso é algo comum em Hollywood desde os anos noventa, se aproveitando da falta de interesse do público americano comum em assistir estas obras originais. Muitas vezes estas refilmagens passam longe do nível do original e em outros casos geram bons filmes que ficam próximos da qualidade, mas que ainda perdem um pouco por serem cópias. O ótimo e premiado “Os Infiltrados” de Martin Scorsese é a uma exceção.O longa está no mesmo nível do original e pouco visto fora do oriente “Conflitos Internos” de Andrew Lau, com o ponto positivo de ter modificado a trama de forma consistente. 

Este “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” é mais um bom trabalho de David Fincher, porém para quem assistiu ao original de Niels Arden Oplev, fica a sensação de repetição. O filme de Fincher não apresenta nada de novo, inclusive algumas cenas são quase cópias, como as sequências de violência sexual e o climax. É estranho assistir a um bom filme que merece ser elogiado, mas que ao mesmo tempo é muito parecido e um pouco inferior ao ótimo original. 

Finalizando, o original tem ainda como ponto positivo a grande atuação de Noomi Rapace, superior a jovem Rooney Mara na comparação. 

terça-feira, 6 de maio de 2014

Síndrome do Mal

Síndrome do Mal (Rampage, EUA, 1987) – Nota 6,5
Direção – William Friedkin
Elenco – Michael Biehn, Alex McArthur, Nicholas Campbell, Deborah Van Valkenburg, John Harkins, Art LaFleur, Billy Green Bush, Royce D. Applegate, Grace Zabriskie.

Na época do Natal, sem motivo algum, o jovem Charlie Reece (Alex McArthur) assassina uma família inteira e dias depois sequestra e mata também uma mãe e seu filho pequeno. A polícia não demora para capturar o rapaz, que se mostra cínico e sem remorsos. O promotor designado para o caso é Anthony Fraser (Michael Biehn), um sujeito liberal que é contra a pena de morte, mas que se vê obrigado a acusar o jovem por causa da violência dos crimes. A acusação dá início a uma batalha jurídica, com a defesa alegando que o jovem tem problemas mentais e por isso não poderia ser condenado à morte. 

O diretor William Friedkin foi um dos grandes nomes da chamada “Nova Hollywood", ao comandar sucessos como “Operação França” e “O Exorcista”, porém o restante de sua carreira é extremamente irregular, alternando longas interessantes como a versão para a tv de “Doze Homens e uma Sentença” e porcarias como “A Árvore da Maldição”. 

Este “Síndrome do Mal” fica no meio do caminho, começando de forma interessante ao mostrar a frieza do assassino interpretado por Alex McArthur e a investigação policial. A partir do momento em que a trama segue para o julgamento, o longa se transforma num drama para debater a pena de morte e acaba perdendo a força em meio as discussões jurídicas e morais sobre o caso, ficando muito parecido com os julgamentos da série “Law & Order” que sequer existia na época. 

Sobre o elenco, Alex McArthur se mostra um canastrão e por isso não conseguiu se firmar na carreira, enquanto Michael Biehn chegou próximo de se tornar astro nos anos oitenta, tendo trabalhado em três filmes de James Cameron, mas hoje apesar de estar na ativa, ficou relegado a papéis de coadjuvante.    

segunda-feira, 5 de maio de 2014

O Fim da Escuridão

O Fim da Escuridão (Edge of Darkness, Inglaterra / EUA, 2010) – Nota 7
Direção – Martin Campbell
Elenco – Mel Gibson, Ray Winstone, Danny Huston, Bojana Novakovic, Shawn Roberts, David Aaron Baker, Jay O. Sanders, Denis O’Hare, Damian Young, Frank Grillo, Wayne Duvall, Gbenga Akinnagbe.

O detetive Thomas Craven (Mel Gibson), que vive e trabalha no subúrbio de Boston, recebe a visita da filha Emma (Bojana Novakovic). Pouco tempo após chegar em casa, a garota começa a passar mal. Assim que Thomas sai de casa para levar a filha ao hospital, surgem dois sujeitos mascarados que atiram e matam a garota. A princípio a polícia acredita que o alvo era Thomas, porém ele decide investigar à margem do caso e descobre que o assassinato da filha pode estar ligado ao seu trabalho como estagiária em uma corporação que desenvolve projetos secretos para o governo. 

O astro Mel Gibson estava afastado das telas desde 2003 e da direção desde “Apocalipto” de 2006. Neste tempo longe dos cinemas Gibson se envolveu em problemas com a ex-esposa, com a namorada e até enfrentou uma acusação de antissemitismo. 

Passadas as turbulências, o ator retornou neste mediano drama policial que é baseado numa premiada minissérie inglesa de 1985, que apresenta um tema instigante para quem gosta do gênero e até prende a atenção em boa parte do filme, o problema está no roteiro que precisa mixar uma trama complexa em apenas duas horas (o original tinha seis horas) e por este motivo não se aprofunda devidamente na conspiração, preferindo dar ênfase a vingança do personagem de Mel Gibson. 

Para quem estava afastado das telas, este retorno vale pelo reencontro com o público, mas infelizmente desperdiça em parte o ótimo material original. 

domingo, 4 de maio de 2014

A Lista

A Lista (Bad Country, EUA, 2013) – Nota 6
Direção – Chris Brinker
Elenco – Willem Dafoe, Matt Dillon, Tom Berenger, Bill Duke, Neal McDonough, Amy Smart, Christopher Denham, Chris Marquette, Kevin Chapman.

Anos oitenta, em Baton Rouge, Lousiana, o detetive Bud Carter (Willem Dafoe) e sua equipe estouram um esconderijo de traficantes e prendem alguns sujeitos. Um deles (Christopher Denham) entrega o irmão Jesse (Matt Dillon) para diminuir sua pena. Ao contrário do irmão drogado, Jesse é um assassino de aluguel que presta serviços para a organização criminosa de Lutin (Tom Berenger), mas que pensa em abandonar o crime para viver com a esposa (Amy Smart) que está grávida. Quando seu irmão é assassinado na prisão, Jesse aceita se unir a Bud Carter para entregar Lutin e seus comparsas. 

Baseado numa história real, este longa tem um início promissor que dá a impressão de ser uma trama focada na investigação com um interessante clima acentuado pela narração do personagem de Dafoe, porém a partir da metade se transforma num filme de ação comum, repleto de tiroteios e acertos de conta. 

Pesa contra também a mão pesada do falecido diretor e produtor Chris Brinker, que tenta criar uma estilo próprio em algumas sequências que acabam tornando o filme irregular. Por sinal, Brinker que estreava como diretor, faleceu em 2013 e sequer teve tempo de ver seu trabalho concluído. 

Pelo potencial da premissa e o elenco de atores com muito experiência em filmes do gênero, o resultado fica abaixo do esperado.  

sábado, 3 de maio de 2014

O Despertar de um Homem

O Despertar de um Homem (This Boy’s Life, EUA, 1993) – Nota 7,5
Direção – Michael Caton Jones
Elenco – Robert De Niro, Leonardo DiCaprio, Ellen Barkin, Jonah Blechman, Eliza Dushku, Chris Cooper, Carla Gugino, Kathy Kinney, Tobey Maguire.

No final dos anos cinquenta, Caroline (Ellen Barkin) viaja pelos Estados Unidos com o filho adolescente Toby (Leonardo DiCaprio) em busca de um local onda possa criar raízes. Separada do marido e fugindo de um namorado violento (Chris Cooper), Caroline chega a Seattle onde conhece o mecânico Dwight (Robert De Niro), que a princípio se mostra atencioso, mesmo falando demais e sendo um pouco chato. 

Quando Caroline decide se casar com Dwight, ela pede para Toby passar um mês com a família do futuro padastro, que é viúvo e tem duas filhas e um filho. Não demora para Toby sentir na pele que Dwight é um sujeito dominador que não aceita ser confrontado. Após o casamento, Caroline também descobre o verdadeiro caráter do marido, mas mesmo assim prefere se calar para garantir uma vida estável, mesmo que a relação entre Toby e Dwight seja cada vez mais complicada. 

Baseado no livro autobiográfico de Tobias Wolff, este longa recria a adolescência do escritor e sua complicada relação com o padastro, além da vida sem atrativos na pequena cidade onde morava, até surgir a chance de sair do local para tentar mudar de vida. 

O elenco é competente, com De Niro muito bem no papel do sujeito controlador e um jovem Leonardo DiCaprio enfrentando com talento o veterano astro, já demonstrando que tinha potencial para uma bela carreira. 

Como informação, o diretor escocês Michael Caton Jones fez poucos filmes,sendo alguns interessantes como “Memphis Belle – A Fortaleza Voadora” e “Tiros em Ruanda”, mas também tem no currículo a bomba “Instinto Selvagem 2”.  

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Mineirinho Vivo ou Morto

Mineirinho Vivo ou Morto (Brasil, 1967) – Nota 7,5
Direção – Aurélio Teixeira
Elenco – Jece Valadão, Leila Diniz, Gracinda Freire, Fábio Sabag, Oswaldo Loureiro, Wilson Grey, Milton Gonçalves, Edson Silva, Milton Moraes.
Direção – Aurélio Teixeira

José (Jece Valadão) é um mecânico que se envolve numa briga de bar para defender a jovem Isabela (Gracinda Freire) e termina por matar o marginal Arubinha (Milton Moraes). Enquanto a polícia sai a procura de José que fugiu para uma favela com Isabela, o crime chama a atenção de um repórter sensacionalista (Edson Silva), que consegue uma entrevista com a jovem noiva do acusado (Leila Diniz), distorce o que a garota falou e transforma o sujeito no perigoso bandido apelidado de Mineirinho. Ao mesmo tempo, o irmão de Arubinha (Wilson Grey), sobe o morro com seus capangas para buscar José, que por seu lado consegue ajuda do chefão do crime no local, Nenem Russo (Fábio Sabag), fato que dá início a uma briga entre bandidos, além da violenta perseguição da policia.

É interessante notar que os filmes ambientados em favelas, estilo comum no cinema brasileiro atual, já foram explorados nos anos cinquenta e sessenta com produções como “Rio Zona Norte” e “Rio 40 Graus” de Nelson Pereira dos Santo, “Cidade Ameaçada” de Roberto Farias, além de outros longas como este “Mineirinho Vivo ou Morto”. 

O longa é baseado na história real do bandido conhecido como Mineirinho, o qual foi explorado pela imprensa como um criminoso extremamente perigoso, mas que no filme é mostrado como um sujeito que entrou para o mundo do crime por acaso. O papel canalha da imprensa sensacionalista também aparece em “Cidade Ameaçada” e junto com este filme que comento, são duas produções que buscaram um pouco de inspiração no clássico “A Montanha do Sete Abutres”de Billy Wilder. 

Além do bom roteiro, vale destacar as cenas de tiroteio que são bem filmadas pelos becos da favela e o elenco recheado de nomes marcantes da história do cinema brasileiro. Além do protagonista interpretado por Jece Valadão, temos Milton Gonçalves ainda bem jovem, o sempre vilão Oswaldo Loureiro como o violento delegado e Wilson Grey, ator com maior números de participações em produções nacionais, tendo atuado em quase duzentos filmes num periodo de quarenta anos.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O Triunfo da Vontade

O Triunfo da Vontade (Triumph des Willens, Alemanha, 1935) – Nota 0
Direção – Leni Riefenstahl
Documentário

Algumas obras se tornam malditas por problemas nas filmagens, gasto excessivo de dinheiro, diretor egocêntrico e até acidentes causando mortes, porém este documentário “O Triunfo da Vontade” pode ser considerado único neste quesito por mostrar a reunião do Partido Nacional Socialista (Partido Nazista) em 1934 na cidade de Nuremberg, como uma espécie de prévia sinistra do que Hitler e seus generais planejavam para tentar dominar o mundo poucos anos depois. 

A diretora Leni Riefesntahl, que carregou a mancha deste trabalho até a morte, mostrou talento para criar um clima de grandiosidade do regime, tanto nas cenas das multidões, como nos discursos inflamados do alto comando nazista. Até hoje vemos muito coisa parecida nas campanhas políticas, com os candidatos tentando manipular as massas através de palavras fortes, mesmo que com conteúdo vazio ou até absurdo. 

Sequências com crianças sorrindo para o ditador, um exército de jovens que parecia acreditar em um novo país e os vários discursos do Fuhrer são de revirar o estômago. Foi extremamente difícil assistir até o final, confesso que usei o fast forward em várias sequências. Pensei em não dar nota alguma para o doc, mas algo com um conteúdo tão absurdo merece um zero gigante.