segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Mortos Que Matam

Mortos Que Matam (The Last Man on Earth, Itália / EUA, 1964) – Nota 6
Direção – Sidney Salkow & Ubaldo Ragona
Elenco – Vincent Price, Franca Bettoia, Emma Danieli, Giacomo Rossi Stuart, Christi Courtland.

O cientista Robert Morgan (Vincent Price) é aparentemente o último homem vivo na Terra após um vírus ter devastado a população. O vírus desconhecido fez ainda os mortos ressuscitarem e atacarem os sobreviventes. Morgan que perdeu esposa e filha, vive isolado numa casa que toda a noite é atacada pelos mortos-vivos, que durante a dia se escondem com medo da luz do sol. A surpresa aumenta quando Morgan encontra outra sobrevivente (Franca Bettoia) que parece não ter sido infectada. 

Esta produção rodada na Itália foi a primeira versão para o cinema do livro “I Am Legend” de Richard Matheson, que escreveu também o roteiro e que faleceu recentemente. As duas versões seguintes são superiores, sendo a melhor “A Última Esperança da Terra", longa protagonizado por Charlton Heston em 1971. Já a superprodução “Eu Sou a Lenda” de 2007 com Will Smith no papel principal, se mostra um filme apenas mediano, nada mais do que isso. 

O longa com Vincent Price hoje parece totalmente tosco, com um estilo que lembra a antiga série “Além da Imaginação”, que por sinal teve Richard Matheson como um dos seus criadores. As cenas de luta entre Price e os mortos-vivos são risíveis e o elenco italiano é canastrão ao extremo. 

Algumas ideias são interessantes, como o poço onde são jogados os corpos para serem incinerados e o cerco à casa do personagem principal, cena que serviu de inspiração para George Romero em seu clássico “A Noite dos Mortos-Vivos”, filme que mudou a cara do cinema do terror. 

No geral, “Mortos Que Matam” vale apenas como uma curiosidade cinematográfica para os fãs do gênero.

domingo, 29 de setembro de 2013

O Legado Bourne

O Legado Bourne (The Bourne Legacy, EUA, 2012) – Nota 7,5
Direção – Tony Gilroy
Elenco – Jeremy Renner, Rachel Weisz, Edward Norton, Stacy Keach, Dennis Boutsikaris, Zeljko Ivanek, Donna Murphy, Oscar Isaac, Corey Stoll, Michael Chernus, David Straithairn, Scott Glenn, Albert Finney, Joan Allen.

O agente Aaron Cross (Jeremy Renner) está numa missão secreta num local remoto do Alasca, quando percebe que seu suprimento de medicamentos está acabando. Ele atravessa montanhas para chegar até um ponto de encontro onde está outro agente (Oscar Isaac). Os dois pouco sabem sobre o verdadeiro objetivo de suas missões. 

Enquanto isso, Eric Byer (Edward Norton), um dos cabeças dos projeto Outcome, analisa que uma nova crise pode explodir por causa do encontro entre dois cientistas, um que criou o projeto Outcome e o outro responsável pelo fracassado projeto Treadstone, que acabou quando o agente Jason Bourne o tornou público. O objetivo dos dois projetos era criar o soldado perfeito através da manipulação genética, sendo assim, Byer decide eliminar de uma só vez todos os envolvidos, inclusive os pesquisadores, entre eles a dra. Martha Shearing (Rachel Weisz). 

Mesmo considerando desnecessário um novo filme após a sensacional trilogia original com Matt Damon, este reinicio da trama comandada por Tony Gilroy (roteirista dos filmes anteriores) está longe de ser um filme ruim. O roteiro de Gilroy cria uma trama que segue a história original sem ofender a inteligência do espectador, com apenas o detalhe de que é necessário ter visto os filmes anteriores para entender algumas situações, principalmente as pequenas participações de Joan Allen, Scott Glenn, David Straithairn e Albert Finney, que aparecem aqui para amarrar a narrativa de forma lógica. 

As cenas de ação são em quantidade menor aos longas com Damon, mas comprovam que Jeremy Renner tem talento para o gênero, tendo como grande destaque a longa sequência final em Manila nas Filipinas, com uma perseguição que começa em um cortiço, atravessa a cidade e termina no cais. 

Apesar de inferior aos outros filmes, este longa consegue entreter o espectador e ainda deixa algumas pontas em aberto para quem sabe uma nova sequência.

sábado, 28 de setembro de 2013

Narradores de Javé & Kenoma


Narradores de Javé (Brasil, 2003) – Nota 7
Direção – Eliane Caffé
Elenco – José Dumont, Nelson Xavier, Matheus Nachtergaele, Rui Resende, Gero Camilo, Luci Pereira, Nelson Dantas, Alessandro Azevedo, Maurício Tizumba, Altair Lima.

Zaqueu (Nelson Xavier) conta para alguns amigos em um bar a história da comunidade do vale do Javé, local onde ele morou grande parte de sua vida, mas foi obrigado a se mudar quando uma represa foi construída e a cidade foi inundada. Em flashback, Zaqueu mostra a reação das pessoas da cidade que a princípio não querem deixar o local e que se apegam na possibilidade da cidade ser preservada, desde que ela fosse considerada patrimônio histórico. 

Sem algo concreto para conseguir o objetivo, Zaqueu tem a ideia de tentar salvar a cidade contando a história do local em um livro. A maioria dos habitantes tem histórias para contar, porém poucos sabem escrever. Assim, Zaqueu chama Antônio Biá (José Dumont), um sujeito que foi expulso da cidade por escrever cartas falando mal dos habitantes. O teor das cartas desagradou as pessoas, mas todos reconhecem o talento de Biá para escrever. Biá aceita o desafio, porém logo perceberá a dificuldade que será transpor para o papel as diferenças versões das mesmas histórias. 

O roteiro da própria Eliane Caffé em parceria com Luís Alberto de Abreu, se baseia nos antigos contadores de histórias, que mantém viva a memória de um local ou de um acontecimento, passando a história de geração em geração, sempre com o próximo contador modificando os fatos, gerando várias versões para a mesma história, fazendo com que ninguém saiba ao certo o que realmente aconteceu. 

O destaque é o elenco, principalmente José Dumont como o sujeito “letrado”, que utiliza seu conhecimento para brincar e até ofender os moradores, situações que geram algumas boas risadas. 

O resultado é um bom filme que foge do lugar comum das produções comerciais que utilizam o nordeste brasileiro como cenário. 

Kenoma (Brasil, 1998) – Nota 7
Direção – Eliane Caffé
Elenco – José Dumont, Enrique Diaz, Jonas Bloch, Mariana Lima, Matheus Nachtergaele, Eliana Carneiro.

Jonas (Enrique Diaz) chega a pequena cidade de Kenoma e decide ficar por algum tempo após conhecer a bela Tira (Mariana Lima), por quem sente-se atraído. No local onde quase nada acontece, Jonas faz amizade com Lineu (José Dumont), que trabalha num velho moinho se dedicando a construir uma máquina capaz de produzir sem a necessidade de combustível, o chamado moto-perpétuo, um sonho que muitos inventores tentarem realizar e falharam.O sonho de Lineu irrita o fazendeiro Gerônimo (Jonas Bloch), o homem mais rico da região, que vê na situação um absurdo desperdício de tempo. 

Os destaques são a ótima atuação de José Dumont, que cria um obstinado sujeito que não desiste de seu sonho, mesmo que ele pareça impossível de realizar e a bela fotografia capta com primor o cenário do interior de Minas Gerais onde o longa foi filmado. 

É um filme sobre o sonho de uma pessoa simples que vive num lugar quase isolado.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Quando as Metralhadoras Cospem & Garotos em Ponto de Bala


Quando as Metralhadoras Cospem (Bugsy Malone, Inglaterra, 1976) – Nota 6,5
Direção – Alan Parker
Elenco – Scott Bayo, Jodie Foster, John Cassisi, Florrie Dugger, Martin Lev, Dexter Fletcher.

Durante a Lei Seca, o malandro Bugsy Malone (Scott Baio) trabalha para o gângster Fat Sam (John Cassisi), que está em guerra com a gangue rival comandada por Dandy Dan (Martin Lev), que está levando vantagem por utilizar uma nova arma, as metralhadoras que cospem tortas e imobilizam os inimigos. Ao mesmo tempo, Bugsy se envolve com a aspirante a cantora  Blousey Brown (Florrie Dugger) e com a femme fatale Talullah (Jodie Foster). 

Esta sátira aos filmes de gângsteres em formato de musical utilizando apenas crianças no elenco, foi a estreia na direção de um longa para o cinema do grande Alan Parker. Parker fez um filme inofensivo, um pouco irregular e que hoje é visto mais como curiosidade, principalmente pela presença de Jodie Foster, que no mesmo ano ficaria famosa pelo trabalho em “Taxi Driver”. 

Do restante do elenco, apenas Scott Baio fez carreira em seriados  de tv e Dexter Fletcher que tem um pequeno papel e que na época tinha apenas dez anos, seguiu com trabalhos importantes em filmes como “Namoros Eletrônicos”, “Revolução” ao lado de Al Pacino e o ótimo “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”.

Garotos em Ponto de Bala (The Bad New Bears, EUA, 1976) – Nota 6,5
Direção – Michael Ritchie
Elenco – Walter Matthau, Tatum O'Neal, Vic Morrow, Joyce Van Patten, Jackie Earle Haley.

O ex-jogador de beisebol Morris Buttermaker (Walter Matthau) trabalha como limpador de piscinas, adora uma cerveja e nas horas vagas é treinador de uma equipe de garotos. A fraca equipe começa a vencer quando a pequena Amanda (Tatum O’Neal) e o jovem rebelde Kelly Leak (Jackie Earle Haley) entram para o time. A esperta Amanda é filha de uma ex-namorada de Morris e sempre que possível pega no pé do velho beberrão. 

Esta simpática comédia foi produzida com o objetivo de lucrar com o sucesso da garota Tatum O’Neal, filha do astro Ryan O’Neal, que foi a vencedora do Oscar de Melhor Atriz pelo ótimo “Lua de Papel” em 1973, quando tinha apenas dez anos de idade. Este foi o segundo filme da menina e resultou numa sessão da tarde despretensiosa, que tem como ponto principal os divertidos diálogos entre ela e o veterano Walter Matthau. 

Como curiosidade, o ator Jackie Earle Haley foi um astro infantil que ao chegar na idade adulta não conseguiu se firmar e abandonou a carreira em 1993. Ele acabou resgatado pelo diretor Todd Field em 2006 para um papel de pedófilo em “Pecados Íntimos”, trabalho que lhe valeu uma indicação ao Oscar de Ator Coadjuvante e a retomada da carreira. 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O Lado Bom da Vida

O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook, EUA, 2012) – Nota 8
Direção – David O. Russell
Elenco – Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Jackie Weaver, Chris Tucker, Anupam Kher, John Ortiz, Shea Whigham, Julia Stiles, Dash Mihok, Brea Bree.

Após oito meses internado numa instituição psiquiátrica por ter agredido o amante de sua esposa, o professor Pat (Bradley Cooper) volta para casa dos pais. Ele perdeu emprego, a esposa o abandonou e ficou marcado como maluco por ter sido diagnosticado como bipolar. 

Mesmo com tudo contra, Pat deseja retomar sua vida e reconquistar a esposa, repetindo uma espécie de mantra onde cita que dará valor apenas as coisas boas. Durante este complicado processo, ele fará amizade com Tiffany (Jennifer Lawrence) uma jovem que perdeu o marido e também o rumo na vida. Sem contar ainda que Pat precisará entender as excentricidades do pai (Robert De Niro), um sujeito obsessivo cheio de manias. 

Baseado num livro de sucesso, esta adaptação de David O. Russell (“O Vencedor”, “Três Reis”) resulta em um bom filme, mesmo tendo uma trama que basicamente utiliza o clichê da história de amor complicada. 

São vários pontos positivos, como as ótimas interpretações, onde quase todos os personagens tem algum tipo de distúrbio. Além da dupla de protagonistas e do personagem de De Niro, temos o maluco falastrão interpretado por Chris Tucker, o atormentado Ronnie de John Ortiz e o hilário psiquiatra de Anupam Kher, que se mostra extremamente sério no consultório e um maluco fanático no jogo de futebol. 

Estes “defeitos” deixam os personagens mais próximos da realidade, criando uma clara empatia com o espectador, sem contar os ótimos diálogos sobre variados temas como amor, família, remédios e até Ernest Hemingway. 

A princípio, as oito indicações ao Oscar podem parecer exageradas para uma trama simples, porém analisando a fundo, as indicações do quarteto principal, a de melhor filme, edição e de diretor e roteiro adaptado, percebe-se que todas foram merecidas, inclusive a vitória da jovem Jennifer Lawrence como melhor atriz.   


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Atirador de Elite

Atirador de Elite (Le Guetteur, França / Bélgica / Itália, 2012) – Nota 6,5
Direção – Michele Placido
Elenco – Daniel Auteuil, Mathieu Kassovitz, Olivier Gourmet, Francis Renaud, Nicolas Briançon, Jerome Pouly, Violante Placido, Luca Argentero, Arly Jover, Michele Placido, Hocine Choutri, Fanny Ardant.

O chefe de polícia Mattei (Daniel Auteuil) recebe informações sobre um plano de assalto a um banco no centro do Paris. Ele decide montar uma armadilha para prender os assaltantes assim que eles saírem do banco, porém Mattei não imagina que um atirador (Mathieu Kassovitz) está vigiando do alto de um prédio. Assim que a polícia age para prender o grupo, o atirador abre fogo e atinge vários policiais nos braços e nas pernas para imobilizá-los. O grupo consegue fugir com o dinheiro e com um dos elementos ferido. Em seguida, Mattei inicia uma caçada para encontrar os foragidos, principalmente o atirador. 

Este longa policial dirigido pelo ator italiano Michele Placido começa de uma forma sensacional, com uma ótima sequência de ação em frente ao banco que é assaltado, dando a impressão de que poderia ser um ótimo filme. A partir daí, o longa se perde um pouco num roteiro enrolado, que cria um emaranhado de mortes e traições, falha no desenvolvimento dos personagens e principalmente em algumas coincidências que soam forçadas, como o passado do atirador com o filho do policial e o sinistro segredo guardado pelo médico vivido por Olivier Gourmet. 

Quem gosta do gênero policial pode até se divertir relevando as falhas, mas fica a sensação de que a premissa poderia render um filme bem melhor.  

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A Escolha de Sofia

A Escolha de Sofia (Sophie’s Choice, EUA / Inglaterra, 1982) – Nota 7
Direção – Alan J. Pakula
Elenco – Meryl Streep, Kevin  Kline, Peter MacNicol, Rita Karin, Stephen D. Newman, Josh Mostel, Eugene Lipinski, Robin Bartlett, John Rottman.

Em 1947, o jovem Stingo (Peter MacNicol) chega em Nova York para tentar a vida de escritor. Com pouco dinheiro, Stingo acaba procurando um local para morar no afastado bairro do Brooklin e encontra um quarto para alugar no casarão de Yetta (Rita Karin). Em um dos quartos do local mora também a polonesa Sophie (Meryl Streep), uma sobrevivente do Holocausto que vive com o instável namorado Nathan (Kevin Kline). Não demora para o casal fazer amizade com Stingo, que fica fascinado pela cultura de Nathan e pela beleza de Sophie, porém terá de conviver com os ataques de ciúme do sujeito, sem contar os segredos escondidos por Sophie. 

Alguns filmes ficam marcados por determinadas cenas que a princípio se mostram surpreendentes e impactantes, mas que com o passar do tempo a surpresa já não existe mais e o filme acaba perdendo um pouco força. É o caso deste “A Escolha de Sofia”, que tem na famosa cena da escolha dos filhos uma das sequências mais cruéis da historia do cinema, cena que transformou o longa quase em cult, mas que assistindo por inteiro nos dias de hoje, percebe-se que a história é arrastada em alguns momentos, principalmente na primeira hora que foca na relação entre Sophie, Nathan e Stingo, com sequências que transformam as duas horas e meia de duração em exagero. 

Por outro lado, é necessário destacar a belíssima atuação de Meryl Streep, que merecidamente venceu o Oscar ao interpretar a jovem marcada por escolhas terríveis que foi obrigada a fazer durante toda vida, fatos revelados aos poucos para o espectador. 

É um bom filme, mas acredito que com um diretor com mais talento para o drama, o resultado seria superior. O falecido Alan J. Pakula sempre se saiu melhor em suspenses, tendo como exemplos “A Trama”, “Acima de Qualquer Suspeito” e “Klute, o Passado Condena”.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Sherlock Holmes

Sherlock Holmes (Sherlock Holmes, EUA / Alemanha, 2009) – Nota 7,5
Direção – Guy Ritchie
Elenco – Robert Downey Jr, Jude Law, Rachel McAdams, Mark Strong, Eddie Marsan, Robert Maillet, Geraldine James, Kelly Reilly, William Houston, Hans Matheson, James Fox.

Em Londres, no final do século XIX, o detetive Sherlock Holmes (Robert Downey Jr) e seu amigo dr. Watson (Jude Law) conseguem salvar uma mulher que está prestes a ser assassinada em um ritual de magia negra comandado por Lord Blackwood (Mark Strong). 

O sujeito é condenado à forca e antes de ser executado, chama Sherlock e diz que a morte é apenas o começo. Um dia após a execução, Blackwood é visto andando pela cidade e a dupla comprova que o corpo do sujeito desapareceu da tumba. Ao mesmo tempo, a vigarista Irene Adler (Rachel McAdams) contrata Sherlock para encontrar um estranho homem que desapareceu e que pode estar ligado aos crimes de Lord Blackwood. 

Nos últimos anos foram várias as tentativas de adaptar histórias clássicas para o cinema utilizando efeitos especiais com o objetivo de dar uma cara de modernidade. Longas como “Rei Arthur” e “Van Helsing” podem ser considerados apenas razoáveis, onde os efeitos se mostraram superiores ao roteiro. 

Desta vez quem tentou a sorte no gênero foi Guy Ritchie, que acertou em cheio ao casar com perfeição ótimos efeitos especiais com uma belíssima reconstituição de época, um roteiro inteligente e um elenco carismático, com destaque para a química entre Robert Downey Jr e Jude Law, além do competente Mark Strong como o vilão. Os diálogos afiados dosam na medida certa as piadas e os momentos mais sérios, sem insultar a inteligência do espectador. 

O filme teve merecidamente uma sequência em 2011, longa que ainda não conferi. 

domingo, 22 de setembro de 2013

Filmes Policiais B dos Anos Oitenta - Parte I

Território Inimigo (Enemy Territory, EUA, 1987) – Nota 7
Direção – Peter Manoogian
Elenco – Gary Frank, Ray Parker Jr, Jan Michael Vincent, Tony Todd, Stacey Dash.

O vendedor de seguros Barry (Gary Frank) aceita visitar um cliente em um decadente conjunto habitacional no final do dia. Sem conhecer o local, Barry acaba se desentendendo com alguns rapazes que fazem parte de uma gangue conhecida como “os vampiros”. Jurado de morte, Barry foge desesperadamente e tenta procurar ajuda com outros moradores, que também morrem de medo da gangue. 

Com um fio de história como premissa, o diretor Peter Manoogian criou um filme tenso, que prende a atenção e explora ao máximo o verdadeiro labirinto que é o conjunto habitacional. O elenco é curioso, tem o desconhecido Gary Frank como protagonista e como coadjuvantes o cantor Ray Parker Jr, conhecido pela música-título de “Os Caça-Fantasmas”, o outrora astro Jan Michael Vincent como um veterano de guerra que vive numa cadeira de rodas, além do sinistro Tony Todd como líder da gangue. 

Apesar de quase esquecido atualmente, é um filme que chega a ser cult.

Maniac Cop – O Exterminador (Maniac Cop, EUA, 1988) – Nota 6
Direção – William Lustig
Elenco – Tom Atkins, Bruce Campbell, Laurene Landon, Richard Roundtree, William Smith, Sheree North, Robert Z'Dar.

Em Nova York, várias mulheres são assassinadas de forma brutal. As pistas levam o detetive Frank McCrae (Tom Atkins) a acreditar que o assassino é um policial, tendo como principal suspeito o oficial Forrest (Bruce Campbell), que para provar sua inocência decide se unir ao detetive para investigar o caso. 

Quase cult também, este longa que mistura o gênero policial com horror, fez sucesso nas locadoras no final dos anos oitenta e gerou duas continuações com o mesmo diretor. 

Além do clima de suspense, o destaque é o elenco encabeçado por figuras conhecidas como Tom Atkins, ator habitual nos filmes de John Carpenter e Bruce Campbell, astro da trilogia “Evil Dead” e parceiro de Sam Raimi, sem contar os sinistros William Smith e Robert Z’Dar, este último um gigante assustador com um queixo enorme.

O Próximo Alvo (Hit List, EUA, 1989) – Nota 6
Direção – William Lustig
Elenco – Jan Michael Vincent, Leo Rossi, Lance Henriksen, Charles Napier, Rip Torn, Harold Sylvester, Jere Burns, Ken Lerner.

Jack Collins (Jan Michael Vincent) chega em casa e encontra a esposa e um amigo mortos, além de seu filho ter sido sequestrado. O assassino (Lance Henriksen) foi contratado pelo mafioso Vic Luca (Rip Torn) para eliminar uma testemunha (Leo Rossi) que está em poder da polícia, porém o matador ao tentar atacar a família do sujeito, acaba errando o endereço. Jogado no meio da confusão, Jack decide driblar o FBI e sequestrar a testemunha para tentar localizar seu filho. 

Com uma história exagerada, típica de filme B, o longa diverte pelo elenco recheado de canastrões famosos e as boas cenas de ação. É o típico filme para assistir sem se preocupar com os furos na trama.

O Vingador Sanguinário (True Blood, EUA, 1989) – Nota 5,5
Direção – Frank Kerr
Elenco – Jeff Fahey, Chad Lowe, Sherilyn Fenn, James Tolkan, Billy Drago, Ken Foree, John Capodice.

O jovem Raymond Trueblood (Jeff Fahey) é membro de uma gangue que tem uma rixa como outro grupo liderado pelo violento Spider (Billy Drago). Quando um policial é assassinado, Raymond foge e deixa o irmão pequeno. Dez anos depois, Raymond volta para o local e encontra o irmão (Chad Lowe) agora como membro da gangue de Spider, sem contar que a polícia ainda o procura. 

O roteiro utiliza a clássica história do personagem que tenta resolver conflitos do passado, mas que acaba criando um problema ainda maior. A narrativa é lenta e pouca coisa acontece até o final.

O elenco de canastrões tem Jeff Fahey (o piloto Frank Lapidus de "Lost") que na época tentava fazer carreira de galã, Chad Lowe, o irmão ainda menos talentoso do que Rob Lowe, a bela e fraquinha Sherilyn Fenn de “Twin Peaks” e o eterno vilão Billy Drago.

sábado, 21 de setembro de 2013

Marcados Para Morrer

Marcados Para Morrer (End of Watch, EUA, 2012) – Nota 7,5
Direção – David Ayer
Elenco – Jake Gyllenhaal, Michael Peña, Anna Kendrick, Natalie Martinez, David Harbour, Frank Grillo, America Ferrera.

Na violenta região de South Central em Los Angeles, a dupla de policiais Brian Taylor (Jake Gyllenhaal) e Miguel Zavala (Michal Peña) patrulha as ruas atendendo todo tipo de chamada. Taylor e Zavala tem um amizade de irmãos, inclusive se relacionando fora do trabalho, com o primeiro iniciando um relacionamento com a doce Janet (Anna Kendrick) e o segundo casado com Gabby (Natalie Martinez) e às vésperas de se tornar pai. A difícil vida nas ruas fica ainda mais complicada quando por acaso a dupla descobre alguns locais utilizados pelo violento cartel mexicano de Sinaloa e prende alguns de seus integrantes. 

Este é o terceiro filme do diretor e roteirista David Ayer, que novamente leva para as telas um drama policial tendo a periferia de Los Angeles como palco. O filme lembra um pouco seu primeiro trabalho, o nervoso “Tempos de Violência”, que ao invés de uma dupla de policiais, apresentava dois amigos que viviam à beira da marginalidade. A semelhança entre os dois filmes está na forte amizade entre os personagens principais e na violência que reina na região de South Central, muitas vezes atingindo pessoas inocentes. Em “Os Reis da Rua”, a trama baseada num livro de James Elroy focava na corrupção policial, o contrário daqui que mostra policiais honestos. 

Este “Marcados Para Morrer” se mostra o trabalho mais maduro do diretor, que utiliza sem exageros o estilo da câmera mão e em locais inusitados. O personagem de Gyllenhaal carrega uma câmera manual e algumas vezes uma minúscula câmera no uniforme para fazer um documentário para sua tese em um curso, fato que dá realismo aos mais diferentes ângulos. Por exemplo, em uma tomada noturno a câmera capta as imagens pela altura da arma do personagem, lembrando o antigo game “Doom”. 

O diretor acerta também na narrativa que intercala bem a vida profissional e pessoal de cada personagem, sem pressa para contar a história e principalmente sem apelar para cenas de ação exageradas.

O resultado é um bom drama policial, que fica mais próximo da realidade do que da ficção.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

The Way - O Caminho de Santiago

The Way – O Caminho de Santiago (The Way, EUA / Espanha, 2010) – Nota 8
Direção – Emilio Estevez
Elenco – Martin Sheen, Emilio Estevez, Deborah Kara Unger, Yorick van Wageningen, James Nesbitt, Matt Clark, Tcheky Karyo, Angela Molina.

O oftalmologista Tom (Martin Sheen) recebe a notícia de que seu filho Daniel (Emilio Estevez) morreu em um acidente quando iniciava o peregrinação entre Saint Jean Pied de Port na França até Santiago de Compostela na Espanha. Tom, que pouco falava com o filho desde que o rapaz decidiu viajar pelo mundo, se assusta com a situação e segue para a França para buscar o corpo. 

Na pequena cidade francesa, Tom descobre que a maioria dos visitantes estão ali para fazer a peregrinação, fato que ele que desconhecia completamente. As lembranças do filho, que abandonou tudo pelo sonho de viajar, faz com que Tom decida percorrer o longo caminho até a Espanha, carregando as cinzas do jovem. 

Pelo caminho, ele fará amizade com o falante holandês Joost (Yorick van Wageningen), com a amargurada canadense Sarah (Deborah Kara Unger) e o escritor irlandês Jack (James Nesbitt), sem contar outros personagens como um velho padre (Matt Clark). 

Baseado no livro do escritor irlandês Jack Hitt, que relata uma historia real presenciada por ele e aqui no filme é representado pelo ótimo James Nesbitt, é provavelmente o primeiro longa que tem a peregrinação para Santiago de Compostela como tema principal. 

O papel principal é um presente de Emilio Estevez ao pai Martin Sheen, que tem a oportunidade de interpretar um personagem que a princípio deseja cumprir o que seu filho não conseguiu, como uma espécie homenagem, mas que durante o percurso descobre uma nova vida, um sentimento que ele nunca havia experimentado, que vai além do sucesso profissional ou financeiro. 

O roteiro adaptado por Emilio Estevez desenvolve de forma interessante a história de cada personagem, com suas motivações, frustrações, virtudes e defeitos, todos numa jornada em busca de algo a mais na vida. 

É ao mesmo um filme simples e extremamente sensível, com personagens reais e belíssimas paisagens na França e Espanha.    

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Procurando por Sugar Man

Procurando por Sugar Man (Searching for Sugar Man, Suécia / Inglaterra / EUA, 2012) – Nota 9
Direção – Malik Bendjelloul
Documentário

Este documentário vencedor do Oscar tem uma inacreditável história, que se fosse levada às telas como ficção se mostraria totalmente inverossímil. 

Tudo começa em Detroit no ano de 1969, quando dois produtores musicais seguem uma dica e encontram cantando em um bar um sujeito de nome Rodriguez. A dupla se encanta pelas músicas do rapaz que toca e canta no estilo Folk, com letras que falam sobre o sofrido dia a dia na periferia de Detroit. Logo, eles conseguem um contrato numa gravadora chama Sussex, onde Rodriguez lança o álbum “Cold Facts”, que tem algumas críticas positivas, mas não vende absolutamente nada. Rodriguez ainda grava um segundo álbum chamado “Coming From Reality”, que tem o mesmo destino do anterior. 

Sem que saiba como aconteceu, o primeiro álbum chega na África do Sul, país que vivia o auge do terrível regime Apartheid, onde a censura e a repressão eram as regras e nem mesmo havia televisão no país. As letras libertárias que criticavam o sistema, rapidamente transformaram o álbum em sucesso no país, principalmente entre os jovens da classe média branca que viam naquelas músicas uma forma de rebeldia. 

Consta que pelos menos quinhentas mil cópias foram vendidas no país, Rodriguez se tornou um astro, porém nada se sabia sobre o sujeito. O mistério fez surgir variações de uma lenda em que o músico teria se suicidado no palco. Mesmo sem comprovação alguma, muitos acreditaram que Rodriguez havia morrido. 

Já nos anos noventa, várias coincidências e a curiosidade de dois sul-africanos: o dono de uma loja de discos e um jornalista, fizeram com que a história ganhasse novo rumo e uma inesperada descoberta. 

O diretor sueco Malik Bendjelloul procurava alguma história interessante para fazer um documentário, quando encontrou o dono da loja de discos na Cidade do Cabo na África do Sul, um sujeito chamado Stephen “Sugarman” Segerman,  que ganhou o apelido por ser grande fã de Rodriguez e que acabou contando a maluca história do sucesso do cantor no país. 

O talentoso diretor soube montar o documentário de uma forma em que ocorrem algumas reviravoltas que prendem a atenção durante a narrativa, até chegar na incrível figura de Rodriguez. Com uma voz marcante e um estilo que lembra Bob Dylan, Rodriguez fez dois álbuns sensacionais, porém numa época em que os músicos eram obrigados a seguir as regras das gravadoras e muitas vezes eram enganados ou deixados de lado, ele teve sua carreira abortada. 

Vale destacar ainda que o documentário inteiro é pontuado pelas ótimas canções de Rodriguez. 

É uma fantástica história contada num documentário imperdível.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Um Método Perigoso

Um Método Perigoso (A Dangerous Method, Inglaterra / Alemanha / Canadá / Suiça, 2011) – Nota 7
Direção – David Cronenberg
Elenco – Michael Fassbender, Keira Knightley, Viggo Mortensen, Vincent Cassel, Sarah Gadon.

Em 1904 na Suiça, o psicanalista Carl Jung (Michael Fassbender) vê na jovem paciente Sabina Spielren (Keira Knightley) a chance de utilizar pela primeira vez a chamada “cura pela fala”, a controversa teoria desenvolvida por Sigmund Freud (Viggo Mortensen). 

Jung que ainda não conhece Freud pessoalmente, decide procurá-lo ao perceber que está tendo sucesso com Sabina. Jung e Freud começam uma amizade baseada na troca de experiências, que terá altos e baixos por causa da relação cada vez mais próxima entre Jung e Sabina, situação complicada entre médico e paciente. 

Esta incursão de David Cronenberg aos primórdios da psicanálise foca na disputa e nas diferenças de conceitos entre Jung e Freud, além da relação entre Jung e Sabina. O longa mostra Freud como um sujeito sério que acredita que todo distúrbio tem como causa algum desejo sexual reprimido, enquanto Jung se deixa levar pelas idéias do liberal Otto Gross (Vincent Cassel), que acreditava que o psicanalista deveria suprir a atração sexual que as pacientes sentem pelo médico. 

O roteiro é recheado de diálogos sobre as teorias dos dois mestres, fato que pode cansar quem não gosta do tema. Não faltam também os diálogos sobre temas sexuais e algumas cenas mais intensas, situações comuns na filmografia de Cronenberg, mesmo que aqui ele esteja mais contido do que nos seus trabalhos dos anos oitenta. 

Basicamente é um filme indicado para quem gosta de psicologia e de analisar os estranhos caminhos da mente humana.
   

terça-feira, 17 de setembro de 2013

A Prometida & Labirinto - A Magia do Tempo


A Prometida (The Bride, EUA, 1985) – Nota 6
Direção – Franc Roddam
Elenco – Sting, Jennifer Beals, Clancy Brown, David Rappaport, Geraldine Page, Anthony Higgins, Verushka.

O Barão Von Frankenstein (Sting) realiza em parte seu sonho de criar vida ao fazer “renascer” um homem que mais parece um monstro (Clancy Brown). Insatisfeito, o Barão decide criar uma mulher e sua experiência resulta na bela Eva (Jennifer Beals). A beleza de Eva desperta o desejo no Barão e na criatura, que entram em conflito. A criatura destrói o laboratório e foge, aparentemente deixando o caminho livre para o Barão, porém seu instinto fará com que volte para acertar as contas. 

Esta versão pop da clássica história de Frankestein tinha como objetivo alavancar a carreira do cantor Sting no cinema, tendo como par romântico a estrela de “Flashdance”, a morena Jennifer Beals, mas infelizmente o filme fracassou nas bilheterias e o casal de protagonistas não conseguiu se firmar na carreira. 

Jennifer Beals ainda está na ativa, mas nunca alcançou o status de estrela, enquanto Sting deixou o cinema de lado no final dos anos oitenta e teve apenas mais um papel de destaque como coadjuvante no ótimo “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”.

Labirinto – A Magia do Tempo (Labyrinth, EUA / Inglaterra, 1986) – Nota 7
Direção – Jim Henson
Elenco – David Bowie, Jennifer Connelly.

A adolescente Sarah (Jennifer Connelly) é obrigada pelo pai e a madrasta a cuidar do irmão pequeno que ainda é bebê. Não gostando da situação, Sarah decide ler a história dos Goblins e pede para que aquelas criaturas levem seu irmão. De forma inacreditável, seu irmão desaparece e Sarah é transportada para o mundo dos Goblins, onde terá de atravessar um complicado labirinto para chegar até o castelo do rei Jareth (David Bowie) e assim salvar seu irmão. 

Clássico da fantasia dos anos oitenta, este longa foi dirigido por Jim Henson (falecido em 1990), o criador dos Muppets, que aqui utilizou toda sua experiência com bonecos animados para criar os Goblins. Mesmo que hoje pareçam pré-históricos, os efeitos especiais utilizados em algumas sequências era o que de melhor existia na época. 

Vale destacar David Bowie, que estava sua fase mais efetiva como ator e uma ainda adolescente Jennifer Connelly.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O Lugar Onde Tudo Termina

O Lugar Onde Tudo Termina (The Place Beyond the Pines, EUA, 2012) – Nota 7,5
Direção – Derek Cianfrance
Elenco – Ryan Gosling, Bradley Cooper, Eva Mendes, Ben Mendelsohn, Ray Liotta, Rose Byrne, Harris Yulin, Dane DeHaan, Bruce Greenwood, Robert Clohessy, Emory Cohen, Mahershala Ali.

Luke (Ryan Gosling) é um motociclista talentoso que trabalha em um circo fazendo shows no chamado “globo da morte”. Após uma apresentação, Luke fica surpreso ao ser visitado por Romina (Eva Mendes), uma jovem com quem teve um affair um ano antes quando o circo passou por aquela cidade. O reencontro resulta numa inesperada revelação que muda completamente a vida de Luke e que trará conseqüências para várias pessoas num período da quinze anos. 

Esta síntese é apenas a premissa de um interessante drama que pode ser dividido em três histórias interligadas, mas que não vale a pena se aprofundar para não estragar a surpresa de quem ainda não viu o filme.

Eu considero a primeira parte como a melhor das três histórias, ao misturar drama, ação e tragédia, com destaque para a interpretação de Ryan Gosling como o atormentado Luke. O segundo e o terceiro atos são mais previsíveis, com o segundo voltado para o drama policial e parte final para uma espécie de acerto de contas com o passado. 

O diretor Derek Cianfrance brinca com o espectador ao criar a sequência inicial com a motos girando no globo da morte e finalizar o longa como se alguns personagens estivessem vivendo em círculos e suas histórias voltando ao ponto inicial. 

Apesar de irregular, o filme vale pela trama que prende a atenção e o competente elenco.   

domingo, 15 de setembro de 2013

Um Crime Racial

Um Crime Racial (Spinning Into Butter, EUA, 2007) – Nota 5,5
Direção – Mark Brokaw
Elenco – Sarah Jessica Parker, Mykelti Williamson, Miranda Richardson, Beau Bridges, Paul James, James Rebhorn.

A orientadora pedagógica Sarah Daniels (Sarah Jessica Parker) trabalha na Universidade de Belmont, local tradicionalmene voltado para alunos brancos e ricos, mas por conta da lei de cotas para minorias, hoje a instituição recebe também alunos negros, hispânicos e orientais. 

A aparente tranquilidade é abalada quando um aluno negro, Simon Brick (Paul James), recebe bilhetes racistas e ameaçadores. A princípio a universidade tenta a abafar o caso, mas alguém avisa ao repórter negro Aaron Carmichael (Mykelti Williamson), que começa a investigar o acontecido e faz amizade com Sarah, que por seu lado tenta ao mesmo tempo manter o emprego e a integridade frente as decisões erradas do conselho da universidade. 

A história interessante e polêmica é tratada sem profundidade neste drama que pretende mexer num tema espinhoso, mas tem um roteiro que não decola e deixa a impressão que faltou coragem também ao diretor. 

Sarah Jessica Parker (com os cabelos negros, apesar de estarem claros no cartaz) não consegue se aprofundar na personagem, que parece indecisa todo o tempo e o resto do elenco apenas cumpre a obrigação, com os veteranos Miranda Richardson, Beau Bridges e James Rebhorn no papel dos líderes da universidade, personagens que tentam ser politicamente corretos, mas que no fundo são extremamente preconceituosos. 

O resultado é uma boa história desperdiçada. 

sábado, 14 de setembro de 2013

Killing Season

Killing Season (Killing Season, EUA / Bélgica, 2013) – Nota 6
Direção – Mark Steven Johnson
Elenco – Robert De Niro, John Travolta, Milo Ventimiglia, Elizabeth Olin.

Em 1995, durante a Guerra dos Balcãs, Emil Kovac (John Travolta) sobreviveu a uma execução em massa cometida por soldados americanos. O homem que atirou nele foi o hoje aposentado Coronel Benjamin Ford (Robert De Niro), que vive recluso em uma bela cabana nas montanhas. Quase vinte anos depois, Kovac descobre onde Ford vive e arma um plano para se vingar do sujeito. A ação de Kovac dá início a uma guerra particular entre os dois homens nas montanhas. 

Com uma interessada premissa inspirada no clássico “Inferno no Pacífico” de John Boorman, o diretor Mark Steve Johnson escreveu um roteiro que tenta entreter o espectador com reviravoltas, mas que infelizmente se mostra cansativo, mesmo com apenas uma hora e vinte minutos de filme (sem contar os créditos finais de quase dez minutos). A carreira de Johnson não é das melhores, ele estreou com o bom e pouco visto “Pequeno Milagre”, depois comandou fracassos como “O Demolidor” e “Motoqueiro Fantasma”. 

A expectativa aqui era ver o resultado do primeiro filme em que os astros De Niro e Travolta trabalhariam juntos, que no final se mostrou nada mais que razoável. Um dos erros foi criar cenas de ação que claramente não se encaixam com a idade de Robert De Niro, que completou 70 anos em agosto. As interpretações de De Niro e Travolta são apenas aceitáveis, sendo que o segundo cria ainda um estranho sotaque sérvio para seu personagem. 

Pela premissa e os atores envolvidos, fica a sensação de que faltou um melhor roteiro e um diretor mais talentoso para render um bom filme.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sem Sentido

Sem Sentido (Elephant Sights, EUA, 2012) – Nota 6,5
Direção – Ed Simpson
Elenco – John Cariani, Edward Asner, Mike Fite, Jack Kehler, David Wells.

Joel (John Cariani) é um advogado que se mudou para o subúrbio de uma pequena cidade com sua esposa e dois filhos pequenos. Numa determinada manhã, Joel é abordado pelo idoso Leo (Edward Asner) em uma lanchonete e recebe o convite para uma reunião no próximo final de semana. 

Pensando ser um local onde poderia conseguir novos clientes, Joel fica surpreso ao encontrar o falante Dink (Jack Kehler) e logo em seguida chegarem o estressado Nick (Mark Fite) e o ex-pastor Perry (David Wells), sem contar o próprio Leo. Por ser um sujeito tímido e inseguro, Joel tenta de todas as formas ir embora e não entende o que aqueles sujeitos fazem ali, contando histórias, discutindo sobre a vida e relembrando um outro amigo que faleceu, numa espécie de terapia que ao final do dia mudará a forma de como Joel encara a vida. 

Este diferente longa é uma produção independente dirigida e escrita pelo novato Ed Simpson, que se baseou em seu próprio livro para contar um dia na vida de pessoas comuns, que mesmo sendo bem diferentes entre si, colocam a amizade em primeiro lugar. 

O elenco é competente, tendo como rosto mais conhecido o veteraníssimo Edward Asner como uma espécie de líder natural do grupo e como destaque a interpretação introspectiva de John Cariani, ator que tem como papel mais conhecido o de legista em vários episódios da extinta série “Law & Order”. 

O título original é explicado próximo do final, quando o personagem de Edward Asner conta uma parábola sobre elefantes, história que resulta na melhor sequência do longa e numa verdadeira catarse do personagem de John Cariani. 

É um drama simples, diferente e estranho em alguns momentos, que vale como curiosidade cinematográfica. 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Cafundó

Cafundó (Brasil, 2005) – Nota 6,5
Direção – Paulo Betti & Clóvis Bueno
Elenco – Lázaro Ramos, Leona Cavalli, Leandro Firmino, Alexandre Rodrigues, Luís Melo, Renato Consorte, Francisco Cuoco, Abrahão Farc, Flavio Bauraqui, Paulo Betti.

No final do século XIX, em Sorocaba no interior de São Paulo, João de Camargo (Lázaro Ramos) era um escravo que ganhou a liberdade com a Lei Áurea e durante algum tempo viveu num local conhecido como Cafundó, uma colônia de negros na periferia da cidade. 

Sua mãe acreditava que João tinha algo de especial e que ajudaria as pessoas, porém por muito tempo ele não levou a sério. João chegou a se casar com uma mulher branca (Leona Cavalli) e tentar a vida na lavoura, mas as coisas não deram certo e ele se entregou a bebida. 

A vida de João mudou quando teve algumas visões e decidiu construir uma simples igreja de barro para ajudar os necessitados. Contando com a ajuda de dois amigos (Leandro Firmino e Alexandre Rodrigues), João construiu a Igreja do Senhor do Bonfim da Água Vermelha e se transformou numa figura querida pelo povo que o procurava pedindo todo tipo de ajuda, ao mesmo tempo em que se tornou um estorvo para a Igreja Católica. 

Baseado numa história real, este longa dirigido em quatro mãos por Clóvis Bueno e pelo ator Paulo Betti, é um interessante registro sobre uma figura pouco conhecida, mas que deixou um legado de esperança para o população pobre de Sorocaba. Por sinal, Paulo Betti nasceu em Sorocaba e com certeza desde criança ouviu as histórias sobre João de Camargo, que viveu de 1858 até 1942, decidindo assim homenagear o religioso. 

Analisando como cinema, o filme é apenas razoável, tem problemas no roteiro, como na questão da passagem do tempo que é confusa e na perseguição sofrida por João que é mostrada rapidamente, sem se aprofundar. 

É mais um longa que vale pela curiosidade de se conhecer um personagem marcante como João de Camargo.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Inimigos de Sangue

Inimigos de Sangue (Welcome to the Punch, Inglaterra / EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – Eran Creevy
Elenco – James McAvoy, Mark Strong, Andrea Riseborough, David Morrissey, Johnny Harris, Daniel Mays, Peter Mullan, Natasha Little, Daniel Kaluuya, Jason Flemyng.

Em Londres, o policial Max Lewinski (James McAvoy) caça um grupo de assaltantes que foge em motocicletas. Lewinski consegue derrubar um dos fugitivos, Jacob Sternwood (Mark Strong), com quem inicia uma luta corporal. Durante a luta, Jacob saca sua arma e atinge Max no joelho, mas surpreendentemente o deixa vivo e foge. 

Três anos depois, Max que continua na polícia trabalhando sem motivação alguma ao lado de uma colega novata (Andrea Riseborough), vê uma possibilidade de se vingar quando o filho de Jacob é baleado e termina preso. Max consegue autorização do seu superior (David Morrissey) para vigiar o garoto que está em coma no hospital, acreditando que Jacob volte para tentar resgatá-lo, porém ele não imagina que o rapaz baleado está envolvido numa trama bem mais complicada. 

Produzido por Ridlet Scott, este longa foi lançado por aqui direto em DVD, porém se engana quem acredita que seja um filme ruim por este motivo. 

A sequência inicial é ágil é muito bem filmada, servindo como base para o desenrolar da trama e o desenvolvimento do personagem de McAvoy, que acerta no tom ao criar o sujeito obcecado pela vingança. Vale destacar ainda o competente Mark Strong, sujeito de forte presença, além das boas cenas de ação. 

O roteiro apresenta algumas reviravoltas que o espectador fã do gênero não terá dificuldades para descobrir, mas isso não diminui a diversão deste bom longa policial.  

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Grass - A História da Proibição

Grass – A História da Proibição (Grass, Canadá, 1999) – Nota 7
Direção – Ron Mann
Documentário Narrado por Woody Harrelson

Este documentário conta de forma didática a história da proibição da maconha nos Estados Unidos e por conseqüência no mundo. 

O primeiro registro de proibição ocorreu no início do século XX na cidade El Paso na fronteira com o México. Na época, a erva era cultivada pelos mexicanos e utilizada como cigarro para eles relaxaram após um pesado dia de trabalho na lavoura. A pressão dos americanos da cidade fez com que fosse criada uma lei para proibir e controlar a erva, o que no fundo serviria também para controlar os trabalhadores mexicanos. 

A chamada “Guerra Contra as Drogas” começou realmente nos anos trinta, quando os cantores negros de jazz começaram a utilizar a erva que chegava ao país pelo porto de New Orleans. Estes artistas levavam “a novidade” para o norte dos Estados Unidos quando faziam suas apresentações, fato que começou a desagradar a elite branca, cristã e conservadora. 

Nesta época, foi criado um Departamento Anti-Drogas comandado por um ambicioso sujeito chamado Harry J. Anslinger, que durante três décadas fez de tudo para proibir a maconha por todo o país. Ao mesmo tempo em que ele conseguiu seu objetivo, o consumo de maconha se transformou de algo recreativo em um lucrativo negócio ilegal dominado por violentos traficantes. A estratégia se mostrou totalmente errada, trazendo conseqüências até os dias atuais. 

Vale destacar no doc um depoimento do então prefeito de Nova York nos anos trinta e quarenta, Fiorello La Guardia, que em um discurso dizia claramente que a proibição junto com as leis pesadas contra o usuário era um grande erro. O homem tinha uma visão inteligente e sem preconceitos, porém que não foi levada em conta. 

O doc mostra ainda a ação dos presidentes americanos do século XX, mostrando que quase todos seguiram o caminho da repressão com o objetivo de agradar a elite, tendo como exceção o liberal Jimmy Carter, que no final da década de setenta tentou aprovar uma lei mais branda, porém foi abortado pelos inimigos políticos. 

O resultado é um interessante registro histórico para entender o porquê da criminalização da maconha. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Comédias Românticas com Sandra Bullock


Enquanto Você Dormia (While You Were Sleeping, EUA, 1995) – Nota 7,5
Direção – Jon Turteltaub
Elenco – Sandra Bullock, Bill Pullman, Peter Gallagher, Peter Boyle, Jack Warden, Michael Rispoli, Glynis Johns, Ally Walker.

Lucy (Sandra Bullock) é uma solitária bilheteira do metrô em Chicago que nutre um amor platônico por um sujeito (Peter Gallagher) que toda dia passa pelo local. Quando o homem é assaltado e jogado nos trilhos, Lucy consegue salvá-lo, porém ele entra em coma. No hospital, Lucy se apresenta a família do sujeito como sendo sua noiva e passa a ser tratada como parte da família. Com o passar dos dias e a convivência com a família, Lucy acaba se apaixonando pelo irmão do acidentado, o simpático Jack (Bill Pullman), porém fica perdida sem saber se conta a verdade ou espera o sujeito acordar do coma. 

Apesar da trama simples e sem surpresas, o longa fez merecido sucesso pela espontânea interpretação de Sandra Bullock, que tem um dos seus melhores desempenhos como a jovem solitária. Vale destacar também a participação dos veteranos Peter Boyle e Jack Warden, hoje falecidos, que aqui ajudam a valorizar a trama. 

Pela simplicidade, é minha comédia romântica favorita com Sandra Bullock.

Amor à Segunda Vista (Two Weeks Notice, EUA / Austrália, 2002) – Nota 7
Direção – Marc Lawrence
Elenco – Hugh Grant, Sandra Bullock, Alicia Witt, Dana Ivey, Robert Klein, Heather Burns.

O milionário George Wade (Hugh Grant) é o dono de uma corporação que tem como sua principal assistente a advogada Lucy Kelson (Sandra Bullock). George é um sujeito mimado, que utiliza Lucy para todo tipo de tarefa, em qualquer horário. Cansada de viver vinte e quatro horas para o sujeito, Lucy decide pedir demissão, porém George diz que aceitará apenas se ela encontrar alguém para substituí-la. Lucy escolhe a ambiciosa June (Alicia Witt), mas durante o processo de transição, algumas situações podem fazer Lucy mudar de ideia. 

Comédia feita sob medida para os astros principais, diverte principalmente pelos bons diálogos entre os dois, que por sinal repetem papéis comuns as suas carreiras. Vale nota sete pela química entre o casal.

Mesmo com uma trama ser surpresas, vale uma sessão descompromissada.

A Proposta (The Proposal, EUA, 2009) – Nota 6,5
Direção – Anne Fletcher
Elenco – Sandra Bullock, Ryan Reynolds, Mary Steenburgen, Craig T. Nelson, Betty White, Malin Akerman, Denis O’Hare, Oscar Nuñez, Aasif Mandvi, Michael Nouri, Gregg Edelman.

Margaret Tate (Sandra Bullock) é a editora chefe de uma empresa onde comanda com mãos-de-ferro seus funcionários. Quando por um problema burocrático ela recebe a notícia de que será deportada para seu país de origem, o Canadá, Margaret vê como única saída obrigar seu assistente Andrew (Ryan Reynolds) a se casar com ela e assim conseguir o visto de permanência no país. Andrew aceita a situação, mas exige em troca uma promoção. 

A farsa que parecia simples, fica complicada quando um agente da imigração (Denis O’Hare) diz que investigará a vida dos dois para confirmar se o casamento é verdadeiro. O fato faz com que Andrew tenha de apresentar Margaret para sua família, causando uma confusão ainda maior. 

Utilizando todos os clichês possíveis dos filmes românticas atuais, este longa de Anne Fletcher (“Vestida Para Casar”) se salva pela ótima química entre Sandra Bullock e Ryan Reynolds, que interpretam papéis comuns em suas carreiras. 

A trama é uma bobagem completa e alguns personagens são ridículos, como o agente de Denis O’Hare e o latino maluco de Oscar Nuñez. Vale destacar também a simpática e veteraníssima Betty White como a avó do personagem de Reynolds.

Miss Simpatia (Miss Congeniality, EUA, 2000) – Nota 6,5
Elenco – Sandra Bullock, Michael Caine, Benjamin Bratt, Candice Bergen, Ernie Hudson, William Shatner, John DiResta, Heather Burns.

A agente do FBI Gracie Hart (Sandra Bullock) que segue os passos da mãe que faleceu em serviço, leva seu trabalho a sério e tem um temperamento complicado. Gracie tem como único amigo no FBI seu parceiro Eric (Benjamin Bratt). Quando o FBI recebe a informação de que pode ocorrer um ataque terrorista durante o concurso de Miss Estados Unidos, Gracie é obrigada a se infiltrar entre as candidatas para investigar o possível atentado. Sem a mínima vocação para ser miss, o FBI contrata um sujeito experiente em concursos (Michael Caine impagável) para transformar a selvagem Gracie em uma miss.

A premissa da trama policial é apenas uma escada para as confusões criadas pela personagem de Sandra Bullock em meio as outras candidatas e nos divertidos diálogos como Michael Caine interpretando um sujeito afetado. Vale destacar ainda o veterano William Shatner como o canastrão apresentador do concurso.

O filme fez algum sucesso e gerou uma sequência em 2005.

Corações Roubados (Two If by Sea, EUA, 1996) – Nota 5
Direção – Bill Bennett
Elenco – Sandra Bullock, Denis Leary, Yaphet Kotto, Stephen Dillane, Mike Starr, Jonathan Tucker, Wayne Robson, Michael Badalucco, Lenny Clarke.

Frank O’Brien (Denis Leary) é um ladrão decadente que acredita ter conseguido o grande golpe da carreira ao roubar um valioso quadro. Para vender o objeto, Frank leva a namorada Roz (Sandra Bullock) para o litoral de New England onde deseja encontrar o comprador. Roz está cansada dos golpes de Frank e por este motivo sente-se atraída pelo milionário Evan Marsh (Stephen Dillane). Frank ainda precisa escapar do agente do FBI O’Malley (Yaphet Kotto) que o persegue. 

Pouca coisa funciona nesta comédia, que tem um roteiro fraquinho e várias situações sem graça, sem contar a falta de química entre Sandra Bullock e Denis Leary.

Poção de Amor Nº 9 (Love Potion Nº 9, EUA, 1992) – Nota 6
Direção – Dale Launer
Elenco – Tate Donovan, Sandra Bullock, Anne Bancroft, Mary Mara, Dale Midkiff, Dylan Baker, Adrian Paul.

O químico Paul Matthews (Tate Donovan) é um sujeito que não faz sucesso algum com as mulheres. Num determinado dia, junto com alguns amigos, decide consultar seu futuro com uma cigana (Anne Bancroft). A vidente logo percebe que o problema do rapaz é com as mulheres e indica como solução uma espécie de perfume, a poção nº 9 do título. 

Rapidamente, Paul descobre que a poção atrai as mulheres e assim resolve fazer uma experiência em seu laboratório para descobrir a fórmula da poção, isso com ajuda de sua colega Diane (Sandra Bullock), outra jovem deslocada em relação aos homens. 

O longa utiliza como ponto de partida uma famosa canção dos anos sessenta para criar uma comédia romântica irregular e divertida em alguns momentos. Como demonstraria em sua carreira, Tate Donovan tem pouco carisma no papel, enquanto a desconhecida na época Sandra Bullock, já dava sinais que poderia se tornar uma estrela. O jeito simpático e o talento para comédia estão aqui, pontos de destaque na carreira da atriz. 

O resultado é uma simpática sessão da tarde e nada mais que isso. 

domingo, 8 de setembro de 2013

Máquina Mortífera

Máquina Mortífera (Lethal Weapon, EUA, 1987) – Nota 9
Direção – Richard Donner
Elenco – Mel Gibson, Danny Glover, Gary Busey, Mitchell Ryan, Tom Atkins, Darlene Love, Traci Wolf.

O veterano policial Roger Murtaugh (Danny Glover) está prestes a se aposentar, mas antes disso recebe como parceiro o descontrolado Martin Riggs (Mel Gibson), que passa problemas na vida pessoal e chega a flertar com o suicídio. A princípio a dupla não se aceita, mas aos poucos criam um forte laço de amizade após terem de enfrentar uma violenta quadrilha de traficantes liderados por ex-soldados que lutaram no Vietnã. 

A trama simples pode parecer clichê, porém o resultado foi um dos melhores filmes policiais dos anos oitenta. O ótimo roteiro de Shane Black apresenta divertidos diálogos entre Glover e Gibson, que criaram uma perfeita química entre dois personagens completamente diferentes. 

O diretor Richard Donner que estava plena forma, acertou na narrativa ágil sem ser acelerada, nas ótimas cenas de ação que apesar de violentas não se mostram exageradas, com destaque para a sequência em que o personagem de Mel Gibson é torturado pelo sinistro oriental Al Leong, figura carimbada em filmes de ação da época, sempre interpretando algum capanga de vilão. Valorizando a trama, temos ainda dois vilões competentes, com Mitchell Ryan como o general corrupto e Gary Busey como seu braço direito. 

O grande sucesso do longa gerou três boas continuações recheadas de cenas de ação, todas como o mesmo trio principal, Donner, Gibson e Glover.   

sábado, 7 de setembro de 2013

O Voo

O Voo (Flight, EUA, 2012) – Nota 7,5
Direção – Robert Zemeckis
Elenco – Denzel Washington, Kelly Reilly, Don Cheadle, John Goodman, Bruce Greenwood, Tamara Tunie, Nadine Velazquez, Brian Geraghty, Peter Gerety, Garcelle Beauvais, Justin Martin.

Whip Whitaker (Denzel Washington) é um experiente piloto de avião que durante um voo precisa lidar com um sério problema mecânico. Com grande habilidade e sangue frio, Whip consegue pousar o avião danificado salvando a vida de quase todos os passageiros e tripulantes. Seis pessoas morrem, quatro passageiros e duas comissárias de bordo, sendo que uma delas era namorada de Whip. 

A princípio tratado como herói, aos poucos a situação muda após a investigação do acidente descobrir que Whip tinha um nível elevado de álcool e drogas no sangue. Os excessos na vida já tinham feito Whip perder esposa e filho e agora poderiam destruir sua carreira. 

Este longa é a volta de Robert Zemeckis aos filmes de live action depois de doze trabalhando apenas com animações com captura de movimento. Zemeckis que tem uma bela carreira com destaque para a trilogia “De Volta Para o Futuro”, “Um Cilada Para Roger Rabbit” e “Forrest Gump”, aqui enveredou para o drama apoiado na ótima interpretação de Denzel Washington que concorreu ao Oscar. 

A sequência do desastre aéreo é tensa e muito bem filmada, com certeza a melhor do filme, que em seguida foca na luta do personagem de Denzel contra o vício, os traumas do passado e a relação com outra drogada interpretada por Kelly Reilly. Vale destacar ainda a participação de John Goodman como o amigo maluco do protagonista. 

O resultado é um bom drama, que na minha opinião perde pontos apenas no final quando resvala para o politicamente correto. A decisão do personagem de Washington vale apenas como cinema, passando longe do que uma pessoa faria na vida real.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Perdidos em Nova York

Perdidos em Nova York (The Out-of-Towners, EUA, 1999) – Nota 6
Direção – Sam Weisman
Elenco – Steve Martin, Goldie Hawn, John Cleese, Mark McKinney, Oliver Hudson.

Após os filhos saírem de casa, um casal de meia-idade (Steve Martin e Goldie Hawn) que mora em Ohio entra numa nova etapa de vida. O marido resolve fazer uma entrevista de emprego em Nova York e junto com a esposa incia uma atrapalhada viagem. Enquanto a esposa não entende porque o marido quer mudar de emprego, ele esconde que foi demitido e que está tentando arrumar um novo trabalho sem precisar contar o que houve. 

Depois de muito sufoco, o casal chega em Nova York onde são roubados, descobrem que a filha estourou o limite do cartão de crédito deles e ainda terão de enfrentar um cínico gerente de hotel (John Cleese) para conseguir se hospedar. 

Este longa é uma refilmagem de “Forasteiros em Nova York” que Arthur Hiller dirigiu em 1970 com Jack Lemmon e Sandy Dennis nos papéis principais. 

Esta nova versão é razoável, tendo algumas cenas engraçadas a cargo de Steve Martin,  porém perde pontos na fraca interpretação de Goldie Hawn, aqui já em decadência na carreira. 

O destaque fica para John Cleese, o ex-integrante do Monty Python está engraçadíssimo no papel do sujeito esnobe e arrogante, que trata bem quem tem dinheiro e humilha funcionários e o casal azarado, além de protagonizar uma sensacional cena de dança. 

O resultado é uma leve diversão sem compromisso.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Estação 44 - O Refúgio dos Exterminadores

Estação 44 – O Refúgio dos Exterminadores (Moon 44, Alemanha Ocidental, 1990) – Nota 6
Direção – Roland Emmerich
Elenco – Michael Paré, Lisa Eicchorn, Dean Devlin, Malcolm McDowell, Brian Thompson, Stephen Geoffreys, Leon Rippy.

No futuro, quando os recursos naturais se esgotaram, as grandes corporações passaram a explorar o espaço para conseguir combustível. Um dos locais escolhidos para a mineração espacial é a Estação 44, onde muitos dos empregados são condenados que cumprem suas penas trabalhando. 

Quando problemas começam a ocorrer na estação e a empresa acredita que seja por culpa de sabotagem, ela envia o agente Stone (Michael Paré) disfarçado como empregado para investigar o caso. A dificuldade está em lidar com o grupo de condenados composto por sujeitos violentos e corruptos, onde qualquer um pode ser o sabotador. 

Esta ficção B produzida na antiga Alemanha Ocidental, foi o primeiro trabalho de Roland Emmerich que chamou a atenção do público quando foi lançado direto em VHS. Emmerich que estava acostumado a fazer filmes de baixo orçamento que copiavam o estilo americano como “Joey Fazendo Contato” e “Hollywood Monster”, aqui acertou ao filmar um roteiro que buscava inspiração em clássicos como “Blade Runner” e “Alien – O Oitavo Passageiro”. 

A comparação na qualidade passa longe, mas mesmo assim o longa tem um interessante clima de suspense e claustrofobia dentro da estação espacial, uma história simples que prende a atenção e boas cenas de ação, sem contar o elenco recheado de atores americanos de filmes B. 

O herói é o canastrão Michael Paré, aqui longe dos dias de sucesso de “Eddie – O Ídolo Pop” e “Ruas de Fogo”, auxiliado por rostos conhecidos como Malcolm McDowell, o estranho e eterno vilão Brian Thompson, o garoto Stephen Geoffreys que era conhecido pelo trabalho em “A Hora do Espanto” e que de forma inusitada seguiu carreira como ator pornô gay e até Dean Devlin, o produtor parceiro de Emmerich, que ainda tentava a carreira de ator. 

Mesmo com pontos negativos como o ritmo irregular e algumas cenas muito escuras, o longa é um curioso filme B que mostra Roland Emmerich tentando usar a criatividade com pouco dinheiro. 

Finalizando, o subtítulo nacional é um absurdo que tenta ligar o filme ao clássico “O Exterminador do Futuro”. 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Bates Motel

Bates Motel (Bates Motel, EUA, 2013)
Criador - Anthony Cipriano
Elenco - Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thierot, Olivia Cooke, Nicola Peltz, Nestor Carbonell, Mike Vogel, Keegan Connor Tracy.

Quando alguém decide refilmar ou recriar algum clássico do cinema, a tendência é resultar em fracasso. Sempre haverá a comparação, sendo muito difícil uma nova versão superar o original.

O clássico "Psicose" de Alfred Hitchcock teve duas continuações e uma refilmagem que foram detonadas pela crítica, o que deixaria qualquer diretor ou produtor com um pé atrás antes de tentar mexer novamente com esta história, porém o roteirista Anthony Cipriano arriscou criar uma nova trama que mostraria a adolescência do psicopata Norman Bates e a pelo que vimos nos dez episódios da primeira temporada, o sujeito acertou na sacada.

A trama se passa nos dias atuais e tem como protagonistas o adolescente Norman Bates (Freddie Highmore) e sua mãe Norma Bates (Vera Farmiga). A trama começa com mãe e filho se mudando para uma pequena cidade após o pai de Norman morrer em um estranho acidente. Com o dinheiro do seguro, Norma adquiriu em um leilão um motel, que seria rebatizado como "Bates Motel". A intenção de ter uma vida tranquila dura pouco, não demora para o ex-dono do.local aparecer e o irmão de Norman, Dylan (Max Thierot) também surgir procurando um local para ficar. Para piorar, a cidade guarda vários segredos e diversas atividades ilícitas, sem contar que aos poucos o espectador percebe que existe algum de diferente com Norman, tanto em sua falta de empatia como nas explosões de ódio, além de sua estranha relação com a mãe superprotetora.

O elenco é competente, com destaque para Freddie Highmore ("A Fantástica Fábrica de Chocolate" e "O Som do Coração") criando um pré-psicopata perfeito, com poucos gestos e uma estranha dicção, para Vera Farmiga ótima como a mãe tão desequilibrada como o filho e para a pequena e importante participação de Nestor Carbonell ("Lost") como o sério chefe de polícia.

O final da temporada deixou vários ganchos para a continuação da trama, que se forem bem aproveitados tem tudo para resultar em mais algumas interessantes temporadas.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Cidade Ameaçada

Cidade Ameaçada (Brasil, 1960) – Nota 7,5
Direção – Roberto Farias
Elenco – Reginaldo Faria, Eva Wilma, Jardel Filho, Milton Gonçalves, Dionísio Azevedo.

Anos cinquenta, na periferia de São Paulo, o jovem assaltante Passarinho (Reginaldo Faria) e seu bando se tornam os criminosos mais procurados da cidade. Com a imprensa criando manchetes sensacionalistas e atribuindo todo tipo de crime ao bando, a polícia sente-se pressionada e fecha o cerco para capturar os sujeitos. 

Durante uma fuga, Passarinho cruza o caminho da jovem Terezinha (Eva Wilma), uma ex-colega de escola que é apaixonada por ele. A jovem o ajuda de todas de formas, fazendo com que Passarinho acredite que possa mudar de vida, porém a perseguição da polícia, da imprensa e dos próprios companheiros de crime são obstáculos gigantescos para o casal. 

Baseado livremente na história real do bandido Promessinha que agia em São Paulo nos anos cinquenta, este foi o primeiro longa de destaque entre os vários trabalhos em parceria dos irmãos Roberto e Reginaldo Faria, que fizeram ainda o clássico “O Assalto ao Trem Pagador” e o polêmico “Pra Frente Brasil”. 

O longa em preto e branco segue o estilo dos filmes policiais americanos da época, com muitas cenas noturnas, diálogos afiados e uma marcante trilha sonora do maestro Gabriel Migliore. 

O roteiro apresenta ainda uma crítica a atuação da imprensa e da polícia, tendo na primeira como destaque o personagem do inescrupuloso repórter interpretado por Jardel Filho, que lembra muito o estilo da mídia atual, que muitas vezes ao invés de noticiar e comentar, prefere criar a notícia. 

Para as gerações atuais, Reginaldo Faria é apenas mais um ator de novelas, desconhecendo sua carreira no cinema nos sessenta e setenta principalmente. Aqueles que tiverem curiosidade, vale a pena procurar os filmes citados aqui, sem contar ainda outro clássico, o policial “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” de Hector Babenco.   

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Alvo Duplo

Alvo Duplo (Bullet to the Head, EUA, 2012) – Nota 7
Direção – Walter Hill
Elenco – Sylvester Stallone, Sung Kang, Sarah Shahi, Adewale Akinnoyue Agbaje, Jason Momoa, Christian Slater, Jon Seda, Holt McCallany, Brian Van Holt, Weronika Rosati, Marcus Lyle Brown.

Em Nova Orleans, James “Jimmy Bobo” Bonomo (Sylvster Stallone) é um assassino profissional que após “finalizar” um trabalho, escapa de ser morto, mas não consegue salvar seu parceiro (Jon Seda). Jimmy decide investigar para descobrir quem está tentando matá-lo e no meio do caminho cruza com o honesto policial Taylor Kwon (Sung Kang de “Velozes e Furiosos”) que segue o mesmo rastro. Mesmo em lados opostos da lei, os sujeitos se unem para enfrentar um poderoso inimigo em comum. 

É muito legal ver Stallone voltando com tudo ao gênero ação com filmes que tem o único objetivo de satisfazer o público, sem preocupação com as críticas. Um dos acertos aqui é a escolha do veterano diretor, roteirista e produtor Walter Hill para comandar o longa. A carreira de Hill como diretor é toda voltada para filmes policiais, ação e western, com destaque para o cult “Warriors – Os Selvagens da Noite”. 

O longa é divertido, tem boas cenas de ação, diálogos interessantes entre o velho Stallone e o jovem Sung Kang, além do sinistro vilão troglodita interpretado pelo gigante Jason Momoa (o Conan da nova versão), que mesmo sendo um ator ruim é o cara perfeito para o papel de assassino maluco. 

Como curiosidade, é triste ver o outrora promissor Christian Slater interpretando aqui o auxiliar do vilão. 

Como informação, a distribuidora traduziu o título original utilizando o mesmo nome de um filmaço dirigido por John Woo em Hong Kong nos anos noventa.

domingo, 1 de setembro de 2013

Corações Sujos

Corações Sujos (Brasil, 2011) – Nota 7
Direção – Vicente Amorim
Elenco – Tsuyoshi Ihara, Takako Tokiwa, Eiji Okuda, Shun Sugata, Kimiko Yo, Eduardo Moscovis, Celine Fukumoto, André Frastechi, Ken Kaneko.

Após o final da Segunda Guerra Mundial, muitos imigrantes japoneses que viviam em colônias no Brasil não acreditavam que o Japão havia perdido a guerra e se rendido aos americanos. Como estes imigrantes estavam proibidos de receber jornais ou notícias de seu país, eles acreditavam que as notícias dadas pelo rádio brasileiro eram mentiras e que jamais o imperador japonês se entregaria, já que o povo o considerava imortal. 

Vendo os brasileiros como inimigos, os imigrantes japoneses criaram uma espécie de seita chamada Shindo Renmei, onde se organizaram e passaram a assassinar os próprios japoneses que não acreditassem na sua teoria. Muitos foram mortos entre 1946 e 1947, até que a polícia paulista conseguiu identificar os líderes. Alguns foram presos e condenados, enquanto outros foram deportados para o Japão. Esta história ficou esquecida por quase cinqüenta anos, até que o escritor Fernando Morais escreveu o livro “Corações Sujos”, que fez grande sucesso e deu origem a este filme. 

O longa de Vicente Amorim (“O Caminho das Nuvens” e “Um Homem Bom”) não cita a Shindo Renmei, mas cria uma trama que mistura realidade e ficção para contar o ocorrido. A trama começa com um grupo de japoneses fazendo uma pequena festa onde um militar aposentado (Eiji Okuda), trajado com sua farda, observa a bandeira de seu país ser colocada em um mastro. O fato é visto por um soldado brasileiro (André Frateschi) que junto com dois companheiros interrompe a reunião, destrói objetos e pega bandeira. 

Revoltado com a humilhação, o militar junta um grupo para se vingar, porém o delegado do local (Eduardo Moscovis) acalma a situação e utiliza outro imigrante como tradutor para saber o que o grupo deseja. A atuação do jovem tradutor faz com ele seja considerado um traidor e chamado de “Coração Sujo”. O militar aposentado indica para seu grupo quais traidores devem ser assassinados, sendo que um dos seus comandados é o fotógrafo Takahashi (Tsuyoshi Ihara de “Cartas de Iwo Jima”), um sujeito pacato e apaixonado pela esposa que se vê obrigado a vingar a honra de seu país, mesmo que isso acabe com sua vida. 

O filme tem um boa trilha sonora estilo oriental, um elenco que segura bem os papéis e uma trama extremamente triste, porém a frieza da narrativa e a escolha de não citar a Shindo Renmei, faz o longa perder alguns pontos. Mesmo sendo interessante, fica a impressão de que poderia ter resultado num filme bem melhor.