sábado, 31 de agosto de 2013

O Abrigo (Dois Filmes)


Produzidos em 2011, estes dois filmes ganharam o mesmo título na tradução brasileira. Além do título em comum, os dois apresentam um abrigo para seus personagens, porém com histórias totalmente diferentes. Temos um drama sensível e uma ficção apocalíptica.

O Abrigo (Take Shelter, EUA, 2011) – Nota 7,5
Direção – Jeff Nichols
Elenco – Michael Shannon, Jessica Chastain, Tova Stewart, Shea Whigham, Kathy Baker, Katy Mixon, Robert Longstreet, Lisa Gay Hamilton.

Numa pequena cidade do interior de Ohio, Curtis (Michael Shannon) vive com a esposa Samantha (Jessica Chastain) e a filha pequena Hannah (Tova Stewart), que é surda. A vida comum da família começa a se complicar quando Curtis passa a ouvir trovões, ver raios e o céu totalmente escuro, como se uma enorme tempestade estivesse se aproximando. A questão é que apenas ele vê isso. 

Percebendo que algo está errado, Curtis decide procurar ajuda com uma psicóloga (LisaGay Hamilton) e por conta própria resolve estudar sobre problemas mentais. A preocupação de Curtis é grande porque sua mãe (Kathy Baker) está internada há anos em uma casa de repouso por sofrer de esquizofrenia. Mesmo tentando se tratar, as alucinações de Curtis começam a interferir no seu casamento, no emprego e nas amizades, principalmente após ele decidir restaurar um abrigo subterrâneo em sua propriedade. 

Este elogiado drama é um sensível retrato de como as pessoas que agem de forma diferente do chamado senso comum passam a ser discriminadas e principalmente como a maioria das pessoas reagem na convivência com alguém que aparentemente demostra ter algum distúrbio. 

O grande destaque é a interpretação de Michael Shannon, ator que por sua aparência geralmente é escalado para papéis de sujeitos duros, aqui tem a oportunidade de confirmar seu talento num papel difícil, de alguém que sofre por estar passando por algo que nem ele mesmo entende. Shannon divide a tela aqui com Shea Whigham, com quem também trabalha na série “Boardwalk Empire”, onde interpreta um atormentado agente do governo americano durante a Lei Seca. Vale destacar também a sensível atuação de Jessica Chastain (“A Hora Mais Escura”), como a esposa que tenta entender a situação do marido. 

O resultado é um interessante drama que apresenta ainda uma surpreendente cena final, daquelas que deixam o espectador pensando por um bom tempo.

O Abrigo (The Divide, EUA / Alemanha / Canadá, 2011) – Nota 7
Direção – Xavier Gens
Elenco – Lauren German, Michael Biehn, Milo Ventimiglia, Courtney B. Vance, Ashton Holmes, Rosanna Arquette, Ivan Gonzalez, Michael Eklund, Abby Thickson, Jennifer Blanc.

Durante um ataque nuclear, um grupo de moradores de um edifício se esconde numa espécie de bunker no subsolo do local. O bunker foi construído pelo zelador Mickey (Michael Biehn), um sujeito duro que se coloca com líder do grupo e decide organizar a distribuição de alimentos e água. 

O heterogêneo grupo que contém nove adultos e uma criança presos dentro do local, não demora para criar pequenos conflitos que se transformam em loucura quando o abrigo é invadido por soldados que sequestram a criança. Dois soldados são mortos, porém os demais que conseguem fugir soldam a porta, dando início a um terrível desespero entre os sobreviventes. 

Violento, sujo e degradante são alguns dos adjetivos que podem ser utilizados para descrever este longa do francês Xavier Gens (“Hitmam – Assassino 47”), que durante o desenrolar da trama mostra tudo de ruim que o ser humano é capaz de fazer em um momento de desespero. 

O clima da primeira parte lembra os trabalhos de John Carpenter ao misturar tensão e claustrofobia, já a parte final é uma verdadeira viagem ao inferno. 

Sem grandes desempenhos, vale destacar apenas a veterana Rosanna Arquette num papel difícil, com cenas fortes que poucas atrizes aceitariam fazer.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Assalto ao Carro Blindado

Assalto ao Carro Blindado (Armored, EUA, 2009) – Nota 6,5
Direção – Nimród Antal
Elenco – Matt Dillon, Columbus Short, Jean Reno, Laurence Fishburne, Amauri Nolasco, Fred Ward, Milo Ventimiglia, Skeet Ulrich, Andre Jamal Kinney.

Um grupo de agentes de segurança de uma empresa de transporte de valores arma um plano para roubar milhões que serão transportados por eles mesmos em dois carros-fortes. 

O cérebro do plano é Mike (Matt Dillon), que lidera outros quatro sujeitos (Jean Reno, Laurence Fishburne, Amauri Nolasco e Skeet Ulrich), tendo como último ponto a ser amarrado, convencer o novato Ty (Columbus Short) a participar do roubo. Precisando de dinheiro, Ty acaba aceitando, porém durante a ação algo dá errado e o “crime perfeito” se transforma em desespero. 

Grandes roubos em grupo em que os comparsas entram em conflito entre eles mesmos é um tema batido, mas que pode render um bom filme quando a trama é bem amarrada. Neste caso a história tem vários furos, que são compensados por algumas boas cenas de ação e a crescente tensão da história. 

Apesar do elenco de rostos conhecidos, os personagens são puro clichê. 

É um filme indicado para os fãs do gênero policial que não exigem muito para se divertir.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Cenas em um Shopping & Juntando os Pedaços


Nesta postagem comento dois raros filmes em que Woody Allen trabalha apenas como ator, sem participação no roteiro ou direção. Um detalhe, são filmes fracos, que mostram que Allen é muito melhor para escrever e dirigir do que para escolher papéis como ator.

Cenas em um Shopping (Scenes from a Mall, EUA, 1991) – Nota 5,5
Direção – Paul Mazursky
Elenco – Bette Midler, Woody Allen, Bill Irwin, Paul Mazursky.

No dia em que o casal Fifer completa dezessseis anos de casamento, Nick (Woody Allen) e Deborah (Bette Midler) resolvem comemorar passeando por um shopping de Beverly Hills, onde também farão compras de natal. Quando o casal passa por uma livraria e vê em exposição o novo livro escrito pela esposa chamado “Como Renovar seu Casamento”, Nick inicia uma discussão sobre o tema e abre uma verdadeira caixa de Pandora. O casal então desata a discutir sobre suas vidas e terminam por revelar segredos não muito agradáveis. 

O irregular diretor Paul Mazursky (“Moscou em Nova York”, “Luar Sobre Parador”) conseguiu a proeza de reunir Woody Allen e Bete Midler interpretando personagens comuns as suas carreiras. Allen faz o sujeito falastrão e inseguro que solta piadas irônicas a todo momento, enquanto Bette Midler interpreta a perua exagerada. 

A premissa interessante se torna cansativa com o excesso de discussões entre o casal, sem contar ainda a irritante participação de Bill Irwin como um mímico que trabalha no shopping.   

Juntando os Pedaços (Picking Up the Pieces, EUA, 2000) – Nota 4
Direção – Alfonso Arau
Elenco – Woody Allen, Sharon Stone, David Schwimmer, Maria Grazia Cucinotta, Cheech Marin, Kiefer Sutherland, Alfonso Arau, Danny De La Paz, Andy Dick, Fran Drescher, Joseph Gordon Levitt, Eliott Gould, Eddie Griffin, Mia Maestro, Lupe Ontiveros.

O açougueiro judeu Tex (Woody Allen) assassinou e esquartejou a esposa infiel Candy (Sharon Stone). Para enterrar o corpo, Tex utiliza um local no deserto do Novo México, porém a mão da falecida se perde na estrada. Uma senhora cega (Lupe Ontiveros) encontra a mão e começa a enxergar. Acreditando que a mão é de uma santa, a mulher a leva para um pequeno povoado e entrega ao padre (David Schwimmer), com o objetivo de que ele prove ser um milagre. O padre na verdade não acredita em nada e ainda tem um caso com uma prostituta (Maria Grazia Cucinotta), mas é obrigado a avisar o Vaticano quando outros milagres passam a acontecer. Em paralelo, um policial (Kiefer Sutherland) que era amante de Candy, sai a procura da desaparecida e desconfia do falastrão Tex. 

É difícil entender como a mesma pessoa que dirigiu o sensível “Como Água Para Chocolate” conseguiu realizar um filme tão equivocado como este “Juntando os Pedaços”. O gênero humor negro é extremamente complicado, sendo que aqui o diretor Alfonso Arau mistura ainda pitadas de sobrenatural e crítica social, principalmente contra a Igreja Católica, deixando tudo ainda mais confuso. As piadas não funcionam, salvando-se apenas alguns diálogos de Woody Allen. Os personagens são exagerados, todos criados em cima de clichês.

O resultado é um total desperdício de tempo. 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Um Grito de Liberdade

Um Grito de Liberdade (Cry Freedom, Inglaterra, 1987) – Nota 8
Direção – Richard Attenborough
Elenco – Kevin Kline, Penelope Wilton, Denzel Washington, Josette Simon, John Matshikzia, John Thaw, Kevin McNally.

Na África do Sul, em meados dos anos setenta durante o terrível Apartheid, Donald Woods (Kevin Kline) é o editor de um jornal considerado liberal, mas que condena a ação do ativista político Steve Biko (Denzel Washington), um dos líderes pelos direitos dos negros no país. 

Quando Biko é processado pelo governo e obrigado a ficar sob custódia em sua própria casa, Woods consegue autorização para entrevistá-lo. O que Woods imaginava ser apenas uma entrevista, se transforma em amizade e muda completamente a sua vida. Biko mostra para Woods as atrocidades cometidas pelo governo, que começa a ver de forma diferente o país em que vive. Quando Biko é assassinado na prisão e o governo divulga que ele cometeu suicídio, Woods decide escrever um livro contando a verdade, mas para isso precisa fugir do país com a família. 

O também ator Richard Attenborough marcou sua carreira de diretor com filmes longos e grandiosos como “Uma Ponte Longe Demais” e biografias como “Chaplin” e “Gandhi”, que assim como este “Um Grito de Liberdade”, se encaixam nos dois estilos. 

Na época desta produção, o opressivo regime do Apartheid ainda existia na África do Sul, sendo totalmente abolido apenas em 1994, deixando antes um rastro de sangue, ódio e violência que até hoje gera conseqüências na sociedade sul-africana. 

O filme tem um roteiro didático baseado no livro do próprio Donald Woods, mas que é perfeito ao retratar a tomada de consciência do jornalista através dos diálogos com Biko e pela escolha de mostrá-lo como uma pessoa comum que tomou uma posição extremamente difícil, colocando em risco até mesmo sua família. As dúvidas e o medo de Woods ficam claro em suas decisões e principalmente na complicada fuga com sua a família. 

A força do longa está também nas interpretações de Kevin Kline e Denzel Washington. Kline estava na melhor fase da carreira e seria premiado no ano seguinte pelo papel de coadjuvante na ótima comédia “Um Peixe Chamado Wanda”, enquanto Washington teve aqui seu primeiro trabalho de destaque no cinema.  

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O Hotel de um Milhão de Dólares

O Hotel de um Milhão de Dólares (The Million Dolar Hotel, Alemanha / Inglaterra / EUA, 2000) – Nota 6
Direção – Wim Wenders
Elenco – Mel Gibson , Jeremy Davies, Milla Jovovich, Jimmy Smits, Peter Stormare, Amanda Plummer, Gloria Stuart, Tom Bower, Donal Logue, Julian Sands, Bud Cort, Harris Yulin, Charlayne Woodard, Tim Roth.

Num hotel decadente, onde vivem pessoas à margem da sociedade (desajustados, prostitutas, drogados), o filho de um milionário morre. Para investigar o caso e descobrir se houve assassinato ou suicídio, é designado o detetive Skinner (Mel Gibson), sujeito que sofre com um sério problema na coluna e usa uma espécie de armadura metálica para se manter em pé. 

No meio de um fauna de personagens estranhos, Skinner parte do princípio de que todos são suspeitos. Em paralelo a investigação, a trama segue o ingênuo Tom Tom (Jeremy Davies), um morador do hotel que é apaixonado pela maluca Eloise (Milla Jovovich). 

Este estranho longa dirigido por Wim Wenders, dos ótimos “Asas do Desejo” e “Paris, Texas”, tem a marca do diretor na bela fotografia e na lentidão da narrativa, porém diferente dos filmes citados, aqui o roteiro escrito pelo vocalista da banda U2 Bono Vox em parceria com Nicholas Klein é confuso e a história demora a engrenar. 

O filme dividiu público e crítica, com parte considerando um trabalho cult e o outro lado tratando o longa como uma bola fora na carreira de Wenders. Eu esperava mais, dos filmes de Wenders que assisti este é o mais fraco. 

Vale destacar as interpretações do estranho Jeremy Davies, do astro Mel Gibson e de Peter Stormare como um sujeito fanático pelos Beatles.   

domingo, 25 de agosto de 2013

Narc

Narc (Narc, EUA / Canadá, 2002) – Nota 8
Direção – Joe Carnahan
Elenco – Jason Patrick, Ray Liotta, Chi McBride, Krista Bridges, Busta Rhymes, Alan Van Sprang.

O detetive Nick Tellis (Jason Patrick) está suspenso do trabalho por causa de um erro em uma perseguição. O erro ocorreu durante uma ótima sequência mostrada logo no início do longa. 

Um ano afastado das ruas, Tellis aceita uma proposta para voltar à ativa. Ele é escalado para investigar o assassinato de outro policial, tendo como parceiro o detetive Henry Oak (Ray Liotta), que por sinal, também era parceiro do policial assassinado. Os dois são policiais durões, porém com algumas diferenças. Tellis tem esposa e filho, além de carregar o remorso pelo erro, enquanto Oak não pensa duas vezes para agir com violência, deixando de lado a regras básicas de conduta. 

Este ótimo drama policial foi a promissora estreia na direção de Joe Carnahan, que com muita criatividade e pouco dinheiro, criou um filme cru e realista, que lembra os longas policiais dos anos setenta. 

Consta que o ator Ray Liotta gostou do roteiro e usou seu nome para conseguir dinheiro para bancar a produção. Mesmo assim, o filme ficou um ano parado sem ser lançado, até que o astro Tom Cruise o assistiu em uma sessão privada e fez com que o longa chegasse aos cinemas. 

As atuações dos irregulares Jason Patrick e Ray Liotta estão entre as melhores de suas carreiras, em muito ajudados pelo roteiro que cria algumas reviravoltas interessantes e foge dos clichês do gênero. 

Infelizmente, Carnahan não confirmou o talento em seus trabalhos seguintes, como no péssimo “A Última Cartada” e no exagerado “Esquadrão Classe A”.   

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Até a Morte

Até a Morte (Until Death, EUA, 2007) – Nota 6
Direção – Simon Fellows
Elenco – Jean Claude Van Damme, Stephen Rea, Selina Giles, Mark Dymond, William Ash, Stephen Lord.

O policial Anthony Stowe (Jean Claude Van Damme) está à beira do abismo, viciado em drogas, tratando pessimamente sua esposa (Selina Giles) e obcecado em prender seu ex-parceiro Gabriel Callahan (Stephen Rea), hoje um perigoso bandido. Durante uma operação policial, Stowe é atingido e fica seis meses em coma. Após acordar, percebe tudo o que fez de errado e tenta se redimir. 

O que começa como um filme policial comum, com direito a tiroteiros e mortes, na segunda metade se transforma em um drama sobre alguém tentando reparar os erros do passado e sendo obrigado a pagar um preço alto demais. 

Entre os astros de ação dos anos oitenta, Van Damme era o que provavelmente tinha o melhor potencial para se tornar um ator pelo menos mediano, porém o vício em drogas detonou sua carreira e fez com que seu últimos filmes fossem lançados diretamente em vídeo. 

Este filme é pelo menos superior aos seus trabalhos anteriores, tendo uma trama batida, porém desenvolvida de forma razoável e contando ainda com o bom ator Stephen Rea como vilão, apesar de que aqui ele trabalha apenas no piloto automático. 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Segredos de Família & Feriados em Família


Segredos de Família (Around the Bend, EUA, 2004) – Nota 6,5
Direção – Jordan Roberts
Elenco – Christopher Walken, Josh Lucas, Michael Caine, Jonah Bobo, Glenne Headly.

Jason Lair (Josh Lucas) é um sujeito simples que acabou de se separar da esposa e agora vive com o filho pequeno Zach (Jonah Bobo) e com seu avó Henry (Michael Caine), que é um arqueólogo aposentado. A vida aparentemente tranquila, se modifica quando Turner (Christopher Walken), filho de Henry e pai de Jason, volta para reencontrar a família após muitos anos. 

Jason recebe o pai com frieza, conseqüência de ter sido abandonado pelo sujeito quando criança, enquanto o velho Henry vê na situação uma chance de reaproximar a família. Já imaginando ter pouco tempo de vida, Henry tem como objetivo fazer filho, neto e bisneto viajarem juntos pelo país, de Los Angeles até o Novo México, para descobrirem segredos da família e quem se sabe criarem novos laços entre eles. 

Este longa é o típico drama que promete mais do que cumpre, resultando num road movie onde os destaques são as interpretações dos ótimos Christopher Walken e Michael Caine, que fazem o possível para passar emoção numa trama que se revela apenas mediana.   

Feriados em Família (Home for the Holidays, EUA, 1995) – Nota 6
Direção – Jodie Foster
Elenco – Holly Hunter, Robert Downey Jr, Anne Bancroft, Charles Durning, Dylan McDermott, Geraldine Chaplin, Steve Guttenberg, Cynthia Stevenson, Claire Danes, Austin Pendleton, David Strathairn, Amy Yasbeck.

Neste segundo longa dirigido pela atriz Jodie Foster, ela tenta mostrar a dificuldade de relacionamento de uma família que fica praticamente o ano inteiro separada e se encontra apenas nos feriados, onde ao invés de comemorar, os membros preferem desencavar ressentimentos do passado. 

O filme foca em Claudia (Holly Hunter), que após perder um emprego num museu e passar por uma cena constrangedora com seu ex-chefe, ainda recebe a notícia da filha adolescente (Claire Danes) que pretende perder a virgindade naquele final de semana. Além disso, Claudia terá de enfrentar uma viagem de avião, situação que a deixa apavorada. O reencontro com a família no feriado de Ação de Graças não será muito melhor. 

Na casa dos pais (Anne Bancroft e Charles Durning), ela encontrará o irmão homossexual e extremamente agitado (Robert Downey Jr) e seu amigo (Dylan McDermott), sua irmã metódica (Cynthia Stevenson), o cunhado chato (Steve Guttenberg) e a tia maluca (Geraldine Chaplin), que passarão dois dias em meio a discussões e lembranças do passado, além de perceberem que o tempo e a distância ajudou ainda mais a separá-los e que a única coisa em comum entre eles é o sangue. 

O tema é interessante, mas o filme acaba não se desenvolvendo como poderia, deixando uma sensação de que faltou algo. 

Como curiosidade, Robert Downey que na época era viciado em drogas, declarou que teve muita dificuldade em rodar suas cenas, o que fica claro na sua atuação acelerada, evidenciando que ele não estava em seu estado normal.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Coach Carter - Treino Para Vida

Coach Carter – Treino Para Vida (Coach Carter, EUA / Alemanha, 2005) – Nota 7
Direção – Thomas Carter
Elenco – Samuel L. Jackson, Rob Brown, Robert Richard, Rick Gonzalez, Nana Gbewonyo, Antwon Turner, Channing Tatum, Ashanti, Texas Battle.

Este longa é baseado numa história real acontecida em Richmond, Califórnia em 1999. 

O dono de uma loja de materiais esportivos, Ken Carter (Samuel L. Jackson), aceita o cargo de treinador da equipe de basquete do colégio local, onde anos antes ele estudou e ainda é o recordista em pontos. Ele encontra uma equipe onde cada um joga por si e que no ano anterior venceu apenas quatro partidas. Tendo de mudar a situação, Carter cria algumas regras de comportamento, entre elas a obrigação do atleta em se sair bem na sala de aula para poder atuar no time de basquete. Como esperado, as coisas não serão fáceis e o treinador tomará uma atitude radical para tentar resolver a situação e mostrar aos jovens que o estudo é o caminho para uma vida melhor. 

Este interessante drama bebe na fonte de diversos outros longas sobre professores que tentam fazer a diferença utilizando métodos não convencionais e tem como ponto positivo ser baseado numa história verdadeira. 

O roteiro põe em discussão algo a pensar: até que ponto vale investir tudo no esporte e deixar os estudos de lado, pois como sabemos bem aqui no Brasil (o futebol é o exemplo), muitos arriscam e poucos conseguem realmente vencer.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Grupo 7

Grupo 7 (Grupo 7, Espanha, 2012) – Nota 7,5
Direção – Alberto Rodriguez
Elenco – Antonio de La Torre, Mario Casas, Joaquin Nuñez, José Manuel Poga, Estefania de los Santos, Carlos Olalla, Lucia Guerrero, Julián Villagran.

Em 1987, a cidade de Sevilha na Espanha começa os preparativos para receber a Expo Mundial em 1992. Para tentar resolver o problema das drogas no centro da cidade, o chefe de polícia Don Julian (Carlos Olalla) dá carta branca a uma unidade de investigadores denominado Grupo 7. Os quatro integrantes do grupo são o introspectivo e violento Rafael (Antonio de La Torre), o jovem Angel (Mario Casas), o falador Mateo (Joaquin Nuñez) e o apagado Miguel (José Manuel Poga). 

Enfrentando de forma violenta os traficantes e viciados que vivem no local, especificamente num decadente condomínio conhecido como Candelária, durante uma batida na casa de uma cafetina (Estefania de los Santos), Angel sugere que eles fiquem com um pouco da droga apreendida e utilizem a mulher como informante. Este fato dá início a vários delitos que serão cometidos pelo grupo, sempre encobertos pelo grande número de prisões efetuados pelos sujeitos. 

O roteiro segue a vida dos personagens durante quatro anos, enfatizando também os problemas pessoais. Rafael (que é a cara de Chuck Norris) se envolve com uma jovem drogada (Lucia Guerrero), Angel vê seu casamento afundar e se torna cada vez mais violento, enquanto Mateo se apaixona pela cafetina. 

Por cobrir um longo tempo na vida dos personagens, a história se torna um pouca irregular, mas isso não atrapalha o vigor da narrativa e os momentos de tensão e violência. 

O filme lembra um misto da série “The Shield”, que tinha uma equipe de policiais corruptos como protagonistas, com o nosso “Tropa de Elite”, principalmente na questão da violenta luta contra o tráfico de uma forma praticamente sem lei. 

Para quem gosta do gênero, o longa é uma boa pedida.   

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

As Confissões de Schmidt

As Confissões de Schmidt (About Schmidt, EUA, 2002) – Nota 8
Direção – Alexander Payne
Elenco – Jack Nicholson, Hope Davis, Dermot Mulroney, Kathy Bates, June Squibb, Howard Hesseman, Len Cariou.

Warren Schmidt (Jack Nicholson) é um sujeito que passou toda a vida num emprego burocrático, acabou de se aposentar e vive um casamento tomado pelo tédio. Quando de forma inesperada sua esposa morre, Schmidt decide mudar sua vida e tentar aproveitar o que deixou de lado. O seu primeiro objetivo é visitar a filha (Hope Davis) que mora em outro Estado e está prestes a casar com um vendedor (Dermot Mulroney num personagem muito estranho), sujeito que Schmidt não considera a altura de sua filha.Para viajar, Schmidt compra um enorme trailer e inicia sua jornada pelo país.

Pouco antes da viagem, Schmidt encontra um anúncio que pede para as pessoas ajudarem crianças pobres na África através de um donativo em dinheiro e de cartas que serviriam como uma espécie de apoio emocional as crianças. Estas cartas se transformam na terapia de Schmidt, que descreve longamente sua vida, seus desejos e frustrações, variando da euforia à melancolia.

Da safra atual de diretores, Alexander Payne é um dos melhores para contar histórias de pessoas comuns com seus defeitos e virtudes. Ele mostrou como uma simples disputa pode transformar as pessoas em “Eleição”, vimos a busca por companhia e o medo da solidão em “Sideways – Entre Umas e Outras” e a complicada relação entre familiares no drama”Os Descendentes”.

Aqui o foco é a solidão na terceira idade, misturada com a tristeza do personagem de Nicholson ao perceber o vazio que foi sua vida e descobrir que suas escolhas foram erradas, custando até mesmo o amor da filha.

Mesmo com algumas cenas engraçadas, principalmente a cargo da personagem de Kathy Bates, o que fica ao final é a melancolia de Warren Schmidt.

Vale destacar ainda os grandes desempenhos de Jack Nicholson e Kathy Bates que concorrem merecidamente ao Oscar.

domingo, 18 de agosto de 2013

Vera Cruz & 100 Rifles


Vera Cruz (Vera Cruz, EUA, 1954) – Nota 7,5
Direção – Robert Aldrich
Elenco – Gary Cooper, Burt Lancaster, Denise Darcel, Cesar Romero, Sarita Montiel, George Macready, Jack Elam, Ernest Borgnine, Charles Bronson.

Durante a Revolução Mexicana, vários mercenários americanos cruzaram a fronteira para ganhar dinheiro prestando serviços sujos para o imperador Maximiliano (George Macready). Neste cenário, o veterano da Guerra da Secessão Ben Trane (Gary Cooper) se une ao pistoleiro Joe Erin (Burt Lancaster) e seu bando para fazer a segurança da Condessa Duvarre (Denise Darcel), que precisa atravessar território dominado pelos rebeldes para chegar ao porto de Vera Cruz. O que eles não sabem é que o Marques de Labordere (Cesar Romero) que os acompanha com seus soldados, carrega também uma fortuna em ouro. 

Com uma trama típica do gênero, recheada com algumas reviravoltas e traições, incluindo duas personagens femininas perigosas e boas cenas de ação, este longa do competente Robert Aldrich ("Os Doze Condenados" e "Assim Nascem os Heróis") diverte os fãs do gênero. 

Vale destacar também o elenco, com Gary Cooper já veterano mas ainda carismático, um atlético Burt Lancaster e ótimos coadjuvantes, como o eterno Coringa da série “Batman” Cesar Romero e três ícones do western como parte do bando de mercenários: Jack Elam, Ernest Borgnine e Charles Bronson assinando ainda com seu nome de batismo, Charles Buchinski.   

100 Rifles (110 Rifles, EUA, 1969) – Nota 7
Direção – Tom Gries
Elenco – Burt Reynolds, Jim Brown, Raquel Welch, Fernando Lamas, Dan O’Herlihy.

O mestiço Yaqui Joe Herrera (Burt Reynolds) rouba um banco e foge para a fronteira do México com o objetivo de comprar armas para ajudar seu povo, uma tribo indígena, a lutar contra o exército americano. Yaqui é perseguido pelo xerife Lyedecker (Jim Brown), porém após alguns conflitos, os dois se tornam aliados quando entra em cena a revolucionária mexicana Sarita (Raquel Welch), que tem como inimigo um general (Fernando Lamas) aliado dos americanos. O trio decide então ajudar os índios na luta contra o exército, que deseja construir a ferrovia passando por suas terras. 

Este faroeste movimentado é um exemplar despretensioso do gênero, que mesmo tendo um roteiro com pano de fundo político, o grande objetivo era divertir o espectador. 

O longa é marcante também por ser um dos primeiros a mostrar uma cena de sexo inter-racial, com Jim Brown e Raquel Welch se enroscando na cama. 

Este também foi o primeiro filme do astro Burt Reynolds no cinema, antes disso ele tinha uma década de trabalhos na tv. 

sábado, 17 de agosto de 2013

Gomorra & O Professor do Crime


A temida Camorra, a Máfia Napolitana, poucas vezes foi retratada no cinema, diferente da Cosa Nostra, a Máfia Siciliana e de outras organizações criminosas pelo mundo.

Nesta postagem eu comento dois bons filmes sobre a Camorra.

 Gomorra (Gomorra, Itália, 2008) – Nota 8
Direção – Matteo Garrone
Elenco – Salvatore Abruzzese, Simone Sachettino, Salvatore Ruocco, Vincenzo Fabricino, Vincenzo Altamura, Anna Sarnelli, Gianfelice Imparato, Salvatore Cantalupo.

Num local pobre da região de Nápoles dominada pela Camorra, a Máfia Napolitana, vários personagens se cruzam quando explode uma guerra entre dois grupos. O conflito começa pela insatisfação de alguns membros que tem parentes presos e que recebem uma espécie de compensação em dinheiro paga pelos chefões, sendo um valor considerado baixo. Estes membros utilizam o fato para criar um grupo com o objetivo de tomar o poder na organização. 

No meio deste conflito temos o jovem Toto (Salvatore Abruzzese) que de mensageiro dos mafiosos passa a ajudar os rebeldes, Don Ciro (Gianfelice Imparato) que é o responsável por pagar as famílias e por isso passa a ser ameaçado e o costureiro Pasquale (Salvatore Cantalupo) que por aceitar ensinar alta costura para os chineses, se torna alvo dos mafiosos. Temos ainda uma dupla de jovens ladrões (Salvatore Ruocco e Vincenzo Fabricino) que agem sozinhos e não aceitam trabalhar para a Máfia, além de uma empresário corrupto que lucra despejando lixo tóxico em uma área pobre. 

Mesmo sendo filmes bem diferentes, a temática deste longa lembra o superior “Cidade de Deus”, mostrando o lado violento e quase sem lei da sul da Itália, local tomado pela corrupção e pela falta de perspectivas para os jovens. 

Se no início a trama parece dispersa, mesmo com a violência aparecendo logo na sequência inicial, aos poucos a tensão aumenta e a narrativa vai ganhando contornos trágicos. 

O estilo cru empregado pelo diretor Matteo Garrone dá ainda mais realismo a história, que é baseada num famoso livro de Roberto Saviano. 

O resultado é um ótimo e violento drama.  

O Professor do Crime (Il Camorrista, Itália, 1986) – Nota 7,5
Direção - Giuseppe Tornatore
Elenco – Ben Gazzara, Laura Del Sol, Leo Gullotta, Marzio Honorato.

Ainda jovem, Raffaele (Ben Gazzara) é preso e condenado a vinte de anos de cadeia por ter assassinado um sujeito que ofendeu sua irmã Rosaria (Laura Del Sol). Inteligente e líder nato, Raffaele se alia a Camorra, a Máfia Napolitana e aos poucos vai galgando postos dentro da organização, até que se torna o chefão na cadeia, ficando conhecido como “O Professor”. Extremamente ambicioso, Rafaelle tem o objetivo de se tornar o chefe maior da Camorra, para isso ele planeja fugir do presídio e assassinar os outros chefes, sempre com a ajuda de sua irmã. 

Este quase esquecido drama sobre a Máfia foi o primeiro filme do diretor Giuseppe Tornatore, que dois anos depois se consagraria com o hoje clássico “Cinema Paradiso”. Mesmo com um tema bem diferente do seu trabalho posterior, aqui já vemos o potencial de Tornatore, que não tem pressa para contar a história de vida do mafioso (o longa tem quase três horas de duração), que é livremente baseada na vida do chefe da Camorra Raffaele Cutolo. 

Outro ponto positivo são as interpretações do americano Ben Gazzara (falecido em 2012) e da espanhola Laura Del Sol (“The Hit – O Traidor” e “O Rei Pasmado e a Rainha Nua”). 

É um bom filme indicado para quem gosta de longas sobre a máfia. 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O Gosto dos Outros

O Gosto dos Outros (Le Gout des Autres, França, 2000) – Nota 7,5
Direção – Agnes Jaoui
Elenco – Anne Alvaro, Jean Pierre Bacri, Alain Chabat, Agnes Jaoui, Gerard Lanvin, Christiane Millet, Wladimir Yordanoff.

Numa cidade do interior da França, o industrial Castella (Jean Pierre Bacri) é um sujeito grosseiro e entediado com sua vida de casado com a fútil Angélique (Christiane Millet). Numa certa noite, Castella é obrigado pela esposa a ir numa peça de teatro, mas para sua surpresa, a atriz principal é Clara (Anne Alvaro), mulher que anos atrás foi sua professora de inglês e quem ele dispensou do trabalho sem o menor constrangimento. 

Desta vez, Castella sente-se atraído por Clara, principalmente pelo seu desempenho na peça. Ele se aproxima de Clara e dos amigos da atriz, despertando uma paixão pela vida cultural e boêmia, porém sendo também alvo das piadas do grupo, que vê no homem alguém que não faz parte daquele mundo. 

Em paralelo, o ex-policial Franck (Gerard Lanvin), guarda-costas de Castella, se envolve com a garçonete Manie (Agnes Jaoui), que vende haxixe para complementar o orçamento e o motorista Bruno (Alain Chabat) percebe o vazio de sua vida ao comparar com a vida sexual de Franck e a nova vida de Castella. 

A atriz Agnes Jaoui estreou na direção com este longa que concorreu ao Oscar de Filme de Estrangeiro, utilizando um roteiro escrito em parceria com seu marido Jean Pierre Bacri. O ponto principal do roteiro é criticar os preconceitos que surgem das diferenças entre os personagens, como o grupo de atores de teatro que não respeita o sujeito de meia-idade que descobriu o gosto pela arte ou o conflito entre a garçonete que infringe a lei e seu amante ex-policial que não aceita a situação. 

O resultado é um simpático misto de drama com comédia, que no fundo deixa a lição de que devemos seguir nosso gosto, nossas vontades, não se importando com as críticas.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Duro de Matar: Um Bom Dia Para Morrer

Duro de Matar: Um Bom Dia Para Morrer (A Good Day To Die Hard, EUA, 2013) – Nota 5,5
Direção – John Moore
Elenco – Bruce Willis, Jai Courtney, Sebastian Koch, Yulia Snigir, Rasha Bukvic, Cole Hauser, Amaury Nolasco.

O veterano policial John McClane (Bruce Willis) recebe a notícia de que seu filho Jack (Jai Courtney) está preso no Rússia e prestes a ser condenado. McClane que não vê o filho há anos, decide ir até Moscou para saber o que ocorreu e acaba entrando no meio de uma violenta guerra. O palácio de justiça é atacado e seu filho foge levando um preso político (o alemão Sebastian Koch de “A Vida dos Outros”), sendo perseguido pelo violento grupo. Lógico que o velho McClane entrará na confusão para ajudar o filho. 

É triste ver uma série tão legal ser transformada num amontoado de clichês por um diretor que pensa estar comandando um video clipe. A exagerada quantidade de cortes e o ritmo frenético das cenas de ação seguem o estilo criado por Michael Bay, onde o absurdo é a lei e a trama apenas um detalhe. 

Além da trama ser ruim, a impressão é que as cenas de ação foram elaboradas pensando em um filme de super herói como Homem-Aranha ou Homem de Ferro, já que o personagem de Willis falta apenas voar. 

Se o quarto filme surpreendeu por atualizar o personagem e a série sem apelar para o exagero, este quinto longa parece ter sepultado a carreira de John McClane.  

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Quem Matou o Carro Elétrico?

Quem Matou o Carro Elétrico? (Who Killed the Electric Car?, EUA, 2006) – Nota 8
Direção – Chris Payne
Documentário

Produzido por Dean Devlin, parceiro do diretor Roland Emmerich, este documentário retrata a absurda história de como a produção do carro elétrico foi sabotada pela própria General Motors, que era a fabricante do veículo, junto com o governo americano e as companhias petrolíferas. 

Tudo começou na Califórnia nos anos noventa, quando um sujeito desenvolveu o projeto de um carro elétrico em sua garagem de casa. A GM comprou o projeto e alguns protótipos foram produzidos em 1996, sendo criada também uma equipe específica de vendas do carro. A produção do carro estava de acordo com uma lei aprovada na Califórnia que obrigava as montadoras a fabricar veículos menos poluentes, sendo que o modelo elétrico era totalmente limpo, não soltava fumaça e era até silencioso em comparação com os carros comuns. 

A equipe de vendas teve a ideia de oferecer os carros a algumas celebridades, para desta forma popularizar o veículo. Famosos como Mel Gibson, Ed Begley Jr, Alexandra Paul da série “Baywatch” e Peter Horton de “Brismtone”, foram alguns dos escolhidos para adquirir o automóvel. Os depoimentos deles no documentário deixam claro que gostaram do carro, que funcionava com uma bateria que era recarregada em casa. 

Antes de começar a produção em massa e praticamente sem propaganda alguma, já existia uma lista de duas mil pessoas esperando para comprar o carro, porém a própria GM demorava em iniciar o processo e durante este tempo de espera, as companhias de petróleo e o governo federal pressionaram a comissão de energia da Califórnia para revogar a lei, fato que ocorreu em seguida. 

A GM ficou calada e aos poucos passou a resgatar os carros que circulavam, já que estes foram cedidos como leasing e quando as pessoas tentavam adquirir em definitivo ou prorrogar o contrato, recebiam a ordem para devolver o automóvel. Por sinal, o ator Peter Horton foi a última pessoa a devolver um carro elétrico para a GM, fato mostrado no documentário. 

A história é um grande exemplo de como as grandes empresas e os governos mentem quando falam sobre defender o meio ambiente, na realidade o que sempre importa para esta elite é o lucro. 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Crimes Cruzados & Sem Lei


Crimes Cruzados (Pawn, EUA, 2013) – Nota 6
Direção – David A. Armstrong
Elenco – Michael Chiklis, Sean Faris, Ray Liotta, Forest Whitaker, Ronald Guttman, Stephen Lang, Marton Csokas, Common, Niki Reed, Jessica Szohr, Max Beesley, Jonathan Bennett, Jordan Belfi, Cameron Denny.

Um policial (Forest Whitaker) entra em uma lanchonete para tomar café e percebe que existe algo de estranho com os funcionários e os clientes. Ele não sabe que três assaltantes (Michael Chiklis, Max Beesley e Cameron Denny) estão no local realizando um assalto. Enquanto isso, um jovem ladrão de carros que acabou de sair da cadeia (Sean Faris) está escondido no banheiro. 

Este é o início promissor de uma trama que poderia render um ótimo filme, mas que peca pelo roteiro confuso e a falta de talento do diretor, que na verdade é um câmera que estreou na função. 

O longa foi produzido pelo ator Michael Chiklis (“The Shield”, “Vegas”) e isto explica porque o ator interpreta um inglês, inclusive fazendo um estranho sotaque, escolha que se mostra equivocada. Se fosse um diretor mais experiente jamais aceitaria a situação, seria um personagem americano ou um ator inglês para o papel. 

A montagem entrecortada desvenda aos poucos as relações entre os personagens e o que realmente está ocorrendo, o que é uma boa sacada como premissa, porém vários personagens são mal desenvolvidos e alguns atores totalmente canastrões, como o jovem Sean Faris e o sempre vilão Marton Csokas, sem contar que a participação de Forest Whitaker é mínima, num tipo de trabalho que o ator deve ter aceitado por dinheiro ou amizade com alguém da produção. 

Nem tudo é ruim, o clima de tensão é permanente e as cenas de violência são competentes, mas nada além disso.

Sem Lei (Setup, EUA, 2011) – Nota 5
Direção – Mike Gunther
Elenco – Curtis “50 Cent” Jackson, Bruce Willis, Ryan Phillipe, James Remar. Randy Couture, Shaun Toub, Will Yun Lee, Rory Markham, Jenna Dewan Tatum, Brett Granstaff.

Os amigos Sonny (Curtis “50 Cent” Jackson), Vince (Ryan Phillipe) e Dave (Brett Granstaff) assaltam e matam um sujeito que carrega uma pasta cheia de diamantes. Vince que diz já ter comprador para os diamantes, decide assassinar os amigos para ficar com a fortuna. Dave acaba morto, mas Sonny sobrevive e procura vingança a qualquer custo. O problema é ainda maior porque outras pessoas também querem os diamantes, como o mafioso Biggs (Bruce Willis) e um assassino contratado sabe-se lá por quem (Shaun Toub). 

Narrado pelo personagem de 50 Cent, o longa tem um roteiro repleto de clichês (traição entre amigos, dívida com mafioso, personagem em crise com a religião) e diálogos idiotas que tentam ser engraçadinhos, sem contar algumas cenas de humor negro imitando o estilo Tarantino, mas que se mostram de péssimo gosto. 

Vale citar que o diretor Mike Gunther na realidade é um veterano dublê, inclusive tendo em trabalhado em “Duro de Matar 4”, o que pode explicar a presença de Bruce Willis num filme tão fraco e ainda como coadjuvante.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Em Transe

Em Transe (Trance, Inglaterra, 2013) – Nota7
Direção – Danny Boyle
Elenco – James McAvoy, Vincent Cassel, Rosario Dawson, Danny Sapani, Matt Cross, Wahab Sheikh.

Simon (James McAvoy) trabalha em uma famosa casa de leilão em Londres. Viciado em jogos, Simon se envolve com Franck (Vincent Cassel) com quem arma o roubo de uma valiosa pintura. Durante a ação, algo dá errado, a pintura desaparece e uma pancada na cabeça faz Simon ter amnésia. Para tentar descobrir quem roubou a pintura, Franck e seus comparsas obrigam Simon a comparecer a uma sessão de hipnose ministrada pela psicóloga Elizabeth (Rosario Dawson), com o objetivo de fazer o rapaz lembrar do ocorrido. Novamente ocorre uma surpresa que complica ainda mais a busca pela pintura. 

Com uma ótima sequência inicial pontuada por uma trilha sonora de impacto, este filme de Danny Boyle dava a impressão de ser um thriller acelerado, porém a entrada da personagem de Rosario Dawson em cena, transforma a trama numa viagem pela mente do personagem de James McAvoy, misturando flashbacks, sessões de hipnose e realidade. 

O roteiro cria ainda uma triângulo amoroso e várias reviravoltas que são apresentadas ao espectador em uma narrativa entrecortada, que em algumas momentos chega a cansar. O roteiro também deixa alguns pontos mal costurados e por incrível que pareça, praticamente não existe a participação da polícia na trama. 

Mesmo com estas falhas, a história prende a atenção, tem um bom trio principal, com McAvoy deixando seu forte sotaque escocês fluir naturalmente, o sempre competente Vincent Cassel perfeito como o chefão violento e Rosario Dawson totalmente desinibida em algumas cenas onde mostra praticamente tudo. 

Não é o melhor de Danny Boyle, mas ainda assim é um bom espetáculo.   

domingo, 11 de agosto de 2013

Memórias do Chumbo - O Futebol nos Tempos do Condor


Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor (Brasil, 2013) – Nota 9
Direção – Lúcio de Castro
Documentário

O jornalista e historiador Lúcio de Castro é comentarista do canal ESPN Brasil e um dos maiores críticos contra os absurdos que estão sendo cometidos pelas prefeituras, governos estaduais e governo federal em nome da realização da Copa do Mundo e da Olimpíada no Brasil. O gasto excessivo de dinheiro na construção de estádios, a total descaracterização do estádios, principalmente o Maracanã, as desapropriações e a elitização do futebol através dos preços altos dos ingressos são temas que ele comenta diariamente junto com outros jornalistas do canal, que por sinal é o único grande veículo da mídia que toca nestes assuntos espinhosos de uma forma direta. 

Esta apresentação é para aqueles que não o conhecem saberem um pouco sobre o profissional por trás deste ótimo documentário dividido em quatro episódios, que mostra como foi a relação entre as ditaduras sul-americanas e o futebol. Cada episódio tem como tema um pais, começando pelo Brasil e passando por Argentina, Uruguai e Chile, com este último episódio tendo sido premiado como melhor longa do festival Cinefoot. 

Lúcio de Castro utilizou como fonte o Arquivo Nacional, onde encontrou imagens e documentos que comprovam a forte ligação do governo militar com o futebol, corroboradas ainda por depoimentos de pessoas que viveram na época, sendo vários personagens que foram perseguidos e torturados. 

O episódio do Brasil mostra a perseguição que o então treinador da seleção brasileira João Saldanha sofreu por ser comunista e não ter medo de falar o que acreditava, uma entrevista com o jornalista gaúcho Luís Cláudio Cunha, que por causa de um telefonema anônimo descobriu o cativeiro onde um casal de uruguaios estava sendo mantido preso no Brasil por torturadores ligados ao governo, fato que salvou os uruguaios e os transformou nos únicos presos políticos que sobreviveram a maldita “Operação Condor”, a chamada multinacional do terror que criou uma ligação direta com troca de informações e de presos entre os repressores dos quatro países sul-americanos. 

Neste episódio. Lúcio revela alguns fatos que foram jogados para debaixo do tapete da vida de dois famosos jogadores. Lúcio comprova a ligação entre o ex-jogador e ex-comentarista da rede Globo Paulo Roberto Falcão com Pedro Selvig, considerado o chefe da tortura no sul do país. A outra informação é sobre Pelé. Um documento do DOPS comprova que Pelé foi ao local e contou que havia sido procurado por comunistas brasileiros no exterior para assinar uma lista de apoio, mas se negou, dedurou o sujeitos e ainda se dispôs a falar em público para apoiar o governo. Dois fatos que os ex-atletas tentam apagar de suas biografias. 

Os outros episódios exploram bastante os emocionados depoimentos de personagens que sobreviveram as torturas ou que tiveram parente e amigos assassinados pelas ditaduras. No episódio da Argentina vale destacar a insólita história contada por uma sobrevivente sobre os festejos do título da Argentina na Copa do Mundo de 1978 e o depoimento de Mariana Zaffaroni, uma das várias pessoas que quando bebês tiveram seus pais assassinados e foram criados pelos torturadores, uma loucura sem limites. 

No Uruguai, os destaques são a eloquência do escritor Eduardo Galeano, que com muita sobriedade comenta sobre o terror que a população daquele pequeno país sofreu e os depoimentos dos jogadores uruguaios que atuaram no Mundialito de 1981 que fora criado pela Fifa para ajudar o governo uruguaio e que no final se transformou em algo inesperado, abalando a estrutura da ditadura. 

O episódio do Chile é com certeza o mais emocionante, com três depoimentos que valem todo o doc. O ex-editor do jornal chileno Clarin, Alberto Gato Gamboa e os ex-jogadores da seleção chilena de futetol, “Pollo” Veliz e Carlos Caszelly, contam detalhes do horror que o país passou, com Gamboa do alto dos seus noventa e dois anos, comentando como foram as torturas e como seus amigos da época se emocionam cada vez que se reencontram. Por outro lado, Veliz e Caszelly não foram torturados por serem astros de futebol, mas sofreram pelos amigos, inclusive com Caszelly tendo sua própria mãe torturada como vingança por ele não ter cumprimentado o ditador Pinochet durante um evento. 

Além da “Operação Condor” em si, outro ponto em comum nos quatro países foi a participação da Fifa como parceira das ditaduras. Seja no circo do jogo da seleção chilena em que não havia adversário, passando pelas Copa do Mundo de 1978 na Argentina e o Mundialito de 1981 no Uruguai, quase sempre tendo a frente o brasileiro João Havelange, que também comandava o futebol no Brasil e apoiava a ditadura. 

O resultado é um documentário obrigatório para quem deseja saber um pouco mais sobre uma época terrível para o chamado Cone Sul.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Massacre no Bairro Japonês & Rajada de Fogo


A curta carreira de Brandon Lee se resumiu basicamente a quatro filmes. O primeiro é um policial B chamado "Missão Resgate" e por último, o ótimo e ao mesmo tempo trágico "O Corvo", longa que com certeza levaria a carreira de Lee a um novo patamar.

Entre destes filmes, Lee protagonizou dois outros trabalhos que podem ser considerados diversão passageira com muita ação e violência.

São estes dois filmes que comento nesta postagem.

Massacre no Bairro Japonês (Showdown in Litte Tokyo, EUA, 1991) – Nota 7
Direção – Mark L. Lester
Elenco – Dolph Lundgreen, Brandon Lee, Tia Carrere, Cary Hiroyuky Tagawa.

A dupla de policiais Chris Kenner (Dolph Lundgreen) e Johnny Murata (Brandon Lee) tem personalidades bem diferentes. Chris é um sujeito sério que foi criado no Japão e gosta de seguir preceitos orientais, enquanto o oriental Johnny é o jovem impetuoso. Por sua ligação com o Japão, Chris investiga um chefe da Yakuza (Cary Hiroyuki Tagawa) que comanda o tráfico de drogas no bairro de Little Tokyo em Los Angeles. Quando uma jovem (Tia Carrere) que vai testemunhar contra o mafioso é ameaçada, a dupla de policiais fica encarregada da proteção. 

Este eficiente e exagerado filme de ação pode ser considerado um Guilty Pleasure. A narrativa ágil (menos de uma hora e vinte minutos de duração), a mistura de tiroteios com lutas e a boa química entre o grandalhão Lundgreen e o novato Brandon Lee, transformaram um roteiro comum num filme divertido e agitado. 

O longa segue o estilo do diretor Mark L. Lester, responsável pelo clássico cult “Comando Para Matar” e o violento policial “Justiça Extrema”.  

Rajada de Fogo (Rapid Fire, EUA, 1992) – Nota 6
Direção - Dwight H. Little
Elenco – Brandon Lee, Powers Boothe, Nick Mancuso, Kate Hodge, Raymond J. Barry, Tzi Ma, Tony Longo, Michael Paul Chan, Dustin Nguyen.

O estudante Jake Lo (Brandon Lee) testemunha um assassinato cometido pelo mafioso Antonio Serrano (Nick Mancuso) e por este motivo é obrigado a entrar para o programa de proteção a testemunhas. Como ocorre em todo filme sobre o tema, o mafioso consegue informações de dentro da polícia sobre o esconderijo de Jake e este precisa fugir, tendo como apoio apenas o policial Mace Ryan (Powers Boothe). 

Brandon Lee teve aqui seu primeiro papel como protagonista individual em uma produção mais caprichada, recheada de coadjuvantes conhecidos e com cenas de ação bem coreografadas, dando espaço para ele mostrar seu talento nas lutas. A trama é repleta de clichês, mas a ágil narrativa e até o carisma de Lee ajudam o espectador fã do gênero a se divertir. 

Como opinião pessoal, Lee tinha potencial para uma boa carreira, mas infelizmente sua vida foi abreviada na tragédia das filmagens de “O Corvo”.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Os Mercenários 2


Os Mercenários 2 (The Expendables 2, EUA, 2012) – Nota 7,5
Direção – Simon West
Elenco – Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Chuck Norris, Jean Claude Van Damme, Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger, Terry Crews, Randy Couture, Liam Hemsworth, Scott Adkins, Nan Yu.

O filme começa com Barney Ross (Sylvester Stallone) e seu grupo de mercenários resgatando um milionário chinês e encontrando junto outro sujeito de forma surpreendente. Após voltar para casa e comemorar o sucesso da missão, Barney é procurado por Church (Bruce Willis), um diretor da CIA que cobra uma dívida. Barney é obrigado a recuperar um cofre que está preso em um avião que caiu no leste europeu. A simples missão se complica quando entre em cena Vilain (Jean Claude Van Damme) e seu bando, que rouba o cofre e mata um aliado de Barney, que por seu lado jura vingança. 

O filme original era melhor por ter um roteiro mais bem elaborado e um ar um pouco mais sério, enquanto a trama desta sequência se mostra fraca, porém as cenas de ação se equivalem e aqui fica claro que a ideia principal era fazer uma espécie de paródia ao filmes dos anos oitenta. 

As cenas de ação exageradas, os tiroteios que voam balas que nunca atingem os mocinhos e principalmente os deliciosos diálogos que brincam com a idade e a carreira dos protagonistas, dão um tom de diversão sem compromisso, principalmente para quem curtia os filmes do gênero nos anos oitenta. 

Vale destacar ainda as maiores participações de Bruce Willis e Schwarzenegger, as absurdas cenas com Chuck Norris e até Van Damme fazendo um vilão, tipo de personagem que não interpretava desde sua estreia no cinema em 1986 no fraco “Retroceder Nunca, Render-se Jamais”. 

Uma nova sequência está sendo planejada para ser lançada em 2015.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Maria Cheia de Graça

Maria Cheia de Graça (Maria Full of Grace, Colômbia / EUA / Equador, 2004) – Nota 7,5
Direção – Joshua Marston
Elenco – Catalina Sandino Moreno, Yenny Paola Vega, John Alex Toro, Guilied Lopez, Patrícia Era, Wilson Guerrero.

A jovem Maria (Catalina Sandino Moreno) mora numa cidade do interior da Colômbia e trabalha numa plantação de flores. A vida sem perspectivas fica ainda mais complicada quando Maria descobre que está grávida do imaturo namorado (Wilson Guerrero), sem contar que entra em conflito com seu patrão e acaba sendo demitida. 

Sonhando com uma vida melhor e vendo a luta de sua irmã para cuidar de um filho sem pai, Maria decide viajar para Bogotá com a amiga Blanca (Yenny Paola Vega) para procurar emprego e mudar sua história. Em Bogotá, as amigas recebem uma proposta de Franklin (John Alex Toro), para transportar drogas até Nova York. Precisando de dinheiro, elas aceitam o desafio e iniciam uma perigosa viagem junto com uma terceira pessoa, Lucy (Guilied Lopez). 

O roteiro do diretor estreante Joshua Marston é detalhista ao descrever todo o processo de transporte de drogas pelas “mulas”, as pessoas que engolem drogas embaladas com o objetivo de passar pela alfândega sem que o produto seja detectado. O perfil da maioria das pessoas que aceitam este perigoso trabalho são de gente desesperada por dinheiro, seja por viver na pobreza ou até mesmo para pagar dívidas do próprio vício. 

A primeira parte do filme mostra como a falta de perspectivas dos jovens em locais pobres, aqui no caso a Colômbia, os transforma em alvos para serem cooptados para o crime, com o longa deixando claro que isso é uma escolha pessoal, não colocando as personagens como vítimas. 

A partir do momento em que começa a preparação para a viagem, o filme se torna angustiante, começando com a pressão dos traficantes para as mulas engolirem as drogas, isso numa sequência extremamente realista, passando pelo medo das jovens em serem descobertas no aeroporto e finalmente no momento em que precisam expelir as drogas, sem contar o risco delas estourarem dentro do corpo. 

Após este trabalho promissor, Marston dirigiu apenas alguns episódios de seriados e em 2011 fez o ainda inédito por aqui “The Forgiveness of Blood”, drama sobre um tradicional código de justiça na Albânia. 

Vale destacar ainda a bela atuação de Catalina Sandino Moreno, que se tornou a primeira colombiana a ser indicada para o Oscar de Melhor Atriz.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Os Vingadores


Os Vingadores (The Avengers, EUA, 2012) – Nota 8
Direção – Joss Whedon
Elenco – Robert Downey Jr, Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Samuel L. Jackson, Jeremy Renner, Tom Hiddleston, Clark Gregg, Cobie Smulders, Stellan Skarsgard, Gwyneth Paltrow, Paul Bettany.

Tudo começa quando o cientista Selvig (Stellan Skarsgard) percebe que o projeto sobre energia que está desenvolvendo para S.H.I.E.L.D. foi manipulado e aciona seu chefe Nick Fury (Samuel L. Jackson). Não demora para a máquina entrar em colapso e transportar para Terra o vilão Loki (Tom Hiddleston), irmão de Thor (Chris Hemsworth). Loki rouba o ‘tesseract”, um cubo de força que fazia a máquina funcionar e ainda enfeitiça Selvig e o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) que se tornam seus escravos. Para defender a Terra, Fury convoca o Homem de Ferro (Robert Downey Jr), a Viúva Negra (Scarlett Johansson), o Capitão América (Chris Evans) e Hulk (Mark Ruffalo), além do próprio Thor que deseja enfrentar o irmão. 

Se existe uma certa irregularidade entre os filmes solo, por exemplo, o primeiro “Homem de Ferro” é ótimo, já “Thor” e “Capitão América” são apenas razoáveis, aqui o roteiro amarra muito bem as pontas e cria uma trama que explora com inteligência todos os personagens, sem contar as sensacionais cenas de ação. 

Entre os personagens os destaques são Robert Downey Jr, novamente perfeito como o sarcástico Homem de Ferro, a bela Scarlett Johansson como a dissimulada Viuva Negra e a surpresa de Mark Ruffalo como o atormentado Bruce Banner, que na minha opinião se mostra o melhor ator para o papel de Hulk, superando de longe os atores dos filmes anteriores, o fraco Eric Bana e o talentoso Edward Norton. 

Os fãs dos heróis Marvel com certeza se deliciaram com esta ótima aventura que liga os filmes solo dos heróis e como era esperado, uma merecida sequência deverá chegar aos cinemas em 2015.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Zardoz & Quatro Filmes de Ficção B

Zardoz (Zardoz, Inglaterra, 1974) – Nota 5,5
Direção – John Boorman
Elenco – Sean Connery, Charlotte Rampling, Sara Kestelman, John Alderton.

Num futuro distante, a Terra está dividida em três grupos: Os Brutais que representam o povo desesperado por alimento para sobreviver, os Exterminadores que são uma espécie de polícia que obedece ordens de uma enorme cabeça de pedra voadora (o Zardoz do título) e tem como missão eliminar os Brutais. O terceiro grupo são os Imortais, que vivem num local secreto onde predomina a paz. Esta ordem é colocada em cheque quando Zed (Sean Connery), o líder dos Exterminadores, decide se esconder na cabeça de pedra para descobrir o que realmente existe na terra dos Imortais. 

Para entender esta estranha ficção, é necessário analisar o contexto de como foi produzido o longa. Consta que o diretor John Boorman tinha a intenção de adaptar para o cinema “O Senhor dos Anéis”, porém não conseguiu acordo para a produção e provavelmente por não ter gostado da situação, decidiu escrever uma ficção sobre um futuro apocalíptico, criando este estranhíssimo “Zardoz”. 

O filme tem cenas surreais, um figurino que lembra o estilo hippie, com direito a Sean Connery utilizando uma espécie de sunga vermelha com um rabo de cavalo, interpretando um sinistro personagem, sem contar com a cabeça de pedra que voa. 

O roteiro faz uma crítica a dominação através da religião e a segregação dos povos, mas é pouco perante ao desenrolar bizarro da trama. 

Vale apenas como curiosidade para os cinéfilos que gostam de filmes estranhos.

Vítimas do Desconhecido (Impulse, EUA, 1984) – Nota 7
Direção – Graham Baker
Elenco – Tim Matheson, Meg Tilly, Hume Cronyn, John Karlen, Bill Paxton, Peter Jason.

Após receber um estranho telefonema onde uma pessoa relata que sua mãe tentou o suicídio, a jovem filha (Meg Tilly) e seu namorado (Tim Matheson) partem para a pequena cidade onde a mulher vive e descobrem que após um tremor de terra, as pessoas começaram a agir de forma estranha. 

Copiando ideias dos ótimos “O Exército do Extermínio” de George Romero e “Vampiros de Almas” de Don Siegel, o diretor Graham Baker (“Missão Alien”) desenvolve um interessante suspense misturado com ficção com uma crescente tensão que prende a atenção do espectador. 

Como curiosidade, a atriz Meg Tilly ficaria famosa no ano seguinte com “Agnes de Deus” e o galã Tim Matheson revelado em “O Clube dos Cafajestes”, não conseguiria se firmar como astro, seguindo carreira com coadjuvante em seriados de tv. 

Delírios Mortais (Nomads, EUA, 1986) – Nota 6
Direção – John McTiernan
Elenco – Pierce Brosnan, Lesley Anne Down, Anna Maria Monticelli, Adam Ant, Mary Woronov.

O antropólogo francês Pommier (Pierce Brosnan) é um especialista em estudar civilizações extintas. Durante uma de suas pesquisas de campo, Pommier desperta espíritos de uma tribo extinta que passam a persegui-lo, até mesmo quando ele decide se mudar para Los Angeles. 

Este estranho suspense marcou a estreia de John McTiernan na direção e abriu caminho para seus dois trabalhos seguintes que se tornaram clássicos. Os sensacionais “O Predador” e “Duro de Matar” transformaram McTiernan em um nome de peso em Hollywood no final dos anos oitenta. 

Mesmo tendo um clima de suspense interessante, este “Delírios Mortais” vale por algumas outras curiosidades. Na época, Pierce Brosnan era conhecido por protagonizar a série de tv “Remington Steele”, que passou na tv aberta por aqui como “Jogo Duplo”, mas ficaria famoso mundialmente apenas em 1995 quando assumiu o posto de 007 no cinema. Além disso, um dos estranhos espíritos que perseguem o personagem de Brosnan é o roqueiro inglês Adam Ant, conhecido por ser o líder da banda “Adam and the Ants”, que teve algum sucesso na época.

Nas Asas do Vento (Slipstream, EUA, 1989) – Nota 6,5
Direção – Steven M. Lisberger
Elenco – Mark Hamill, Bill Paxton, Ben Kingsley, F. Murray Abraham, Roshan Seth, Robbie Coltrane, Bob Peck.

Num futuro em que a Terra foi devastada por catástrofes naturais, os sobreviventes vivem em pequenas comunidades isoladas. Com as mudanças climáticas, a Terra sofre com um vento muito forte, o que faz com que a única forma de viajar seja o avião. Neste cenário, o aventureiro Matt Owens (Bill Paxton) é um caçador de recompensas que captura Byron (Bob Peck), um fugitivo procurado pela justiça, porém precisa escapar de outro caçador, Will Tasker (Mark Hamill) que também tem interesse no sujeito. 

Esta ficção B tem como pontos principais o bom elenco, que além do futuro astro Paxton e do “eterno Luke Skywalker” Mark Hamill, tem ainda grandes atores como Ben Kingsley e F. Murray Abraham como coadjuvantes. O baixo orçamento é claro, porém as cenas de ação são razoáveis e até a trama é interessante. 

Como informação, o filme é um dos pouquíssimos trabalhos na direção de Steven M. Lisberger, responsável por “Tron – Uma Odisséia Eletrônica”.

Programado Para Esquecer (Timebomb, EUA, 1991) – Nota 6,5
Direção – Avi Nesher
Elenco – Michael Biehn, Patsy Kensit, Richard Jordan, Billy Blanks, Robert Culp, Tracy Scoggins, Raymond St Jacques.

O relojoeiro Eddy Kay (Michael Biehn) sobrevive a uma tentativa de assassinato, porém o fato desencadeia uma série de alucinações e flashbacks que o fazem procurar uma psicóloga, a dra. Anna (Patsy Kensit). Uma segunda tentativa de assassinato faz Eddy acreditar que o problema esteja em seu passado, e que suas visões podem ser algo que ele realmente viveu e por isso está sendo perseguido agora. 

Com uma premissa interessante, este suspense tem um ritmo ágil, um boa narrativa e as competentes cenas de suspense, que minimizam o roteiro cheio de clichês. 

Como curiosidade, a bela inglesa Patsky Kensit interpretou a namorada do personagem do Mel Gibson em “Máquinha Mortífefa II”.

domingo, 4 de agosto de 2013

Rocky IV

Rocky IV (Rocky IV, EUA, 1985) – Nota 6,5
Direção – Sylvester Stallone
Elenco – Sylvester Stallone, Talia Shire, Burt Young, Carl Weathers, Dolph Lundgreen, Brigitte Nielsen, Tony Burton, Michael Pataki, James Brown.

Rocky (Sylvester Stallone) parou de lutar e vive tranquilo com sua esposa Adrian (Talia Shire). Quando o ex-rival e hoje amigo Apollo Creed (Carl Weathers) decide voltar aos ringues para enfrentar o campeão russo Ivan Drago (Dolph Lundgreen), Rocky fica apreensivo, mas acaba apoiando o amigo. A diferença de físico e idade faz com que Drago aplique uma violenta surra em Apollo, que morre durante a luta. A tragédia faz Rocky decidir voltar a lutar contra o gigante Drago para vingar a morte do amigo. 

Lançado no mesmo ano de “Rambo II – A Missão”, estes dois filmes se tornaram uma espécie de proaganda política do Partido Republicano que estava no poder com o ex-ator Ronald Reagan como presidente. Reagan que era conservador e entusiasta de maluquices como o “Projeto Guerra nas Estrelas”, gostou dos filmes que mostravam Rambo voltando ao Vietnã para trucidar inimigos e Rocky defendendo a bandeira americana contra os malvados soviéticos. Os filmes foram detonados pela crítica, mas fizeram sucesso com o público da época acostumado com longas de ação absurdos. 

Este “Rocky IV” é até competente nas cenas de luta embaladas pela trilha sonora marcante, inclusive com a participação apoteótica de James Brown cantando”Living in America” antes da luta de Apollo com Drago, além das clássicas cenas de treinamento do personagem, aqui trocando a Filadélfia por uma gelada União Soviética, mas não se pode levar o roteiro a sério. 

Inferior aos três primeiros filmes, “Rocky IV” é apenas uma diversão absurda, que ainda é melhor que sua continuação, o fraco “Rocky V”.

sábado, 3 de agosto de 2013

Cortando Custos

Cortando Custos (The Big One, EUA / Inglaterra, 1997) – Nota 7,5
Direção – Michael Moore
Documentário

Michael Moore chamou a atenção pela primeira vez com o documentário “Roger e Eu”, em que ele mostrava a realidade da sua cidade natal Flint, que fica no Estado de Michigan na divisa com o Canadá, tendo como fronteira o famoso lago Michigan.

Flint era também o local onde existia a primeira fábrica da General Motors, que no final dos anos oitenta decidiu encerrar as atividades e por conseqüência fez a cidade de Flint entrar em colapso por causa do desemprego. Moore perseguiu por meses o presidente da GM na época, Roger Smith, até que conseguiu entrevistá-lo.

O sucesso do doc abriu as portas da tv, com Moore criando o programa “TV Nation” e posteriormente comandou também um longa para o cinema chamado “Operação Canadá”, uma sátira sobre o capitalismo que resultava num inusitado conflito entre Canadá e Estados Unidos. O fracasso do longa provavelmente mostrou a Moore que seu estilo funcionaria melhor em documentário, o que resultou neste “Cortando Custos”.

O doc segue a viagem de Moore pelos Estados Unidos para divulgar seu livro “Downsize This!”, que mostrava como as corporações pagam salários e bônus milionários a seus executivos, enquanto exploram funcionários, sonegam impostos e fecham fábricas para aumentar o lucro.

O ponto alto é o encontro de Moore com Phil Knight, o então presidente da Nike, principalmente quando ele questiona porque uma empresa americana como a Nike não tinha sequer uma fábrica nos Estados Unidos e ainda utilizava crianças na produção em suas fábricas na Ásia .

Não é o melhor doc de Moore, mas funciona como retrato de uma época onde as demissões em massa e a mudança da produção das grandes empresas para Ásia estavam começando com a desculpa de que as empresas precisavam diminuir os custos para continuarem competitivas, o que na verdade tinha o objetivo de alavancar os lucros diminuindo gastos com matéria prima, instalações, salários e direitos trabalhistas.

Era o início da maldita terceirização que elevou o desemprego nos Estados Unidos e na Europa para a estratosfera.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Alien³

Alien³ (Alien³, EUA, 1992) – Nota 7,5
Direção - David Fincher
Elenco – Sigourney Weaver, Charles S. Dutton, Charles Dance, Lance Henriksen, Paul McGann.

A série de filmes “Alien” é provavelmente a única que apresenta longas tão diferentes entre si, em estilo, narrativa e direção, porém todos filmes de qualidade. Considero este “Alien³” o filme que merece a menor nota da série, mas isso não chega a ser um demérito em comparação com os outros longas, até mesmo com o criticado “Alien – A Ressurreição” que é competente como filme de ação. 

Aqui a história se passa após a tenente Ripley (Sigourney Weaver) escapar do planeta dos aliens e ficar a deriva no espaço. Sua nave cai num estranho planeta utilizado como prisão de segurança máxima, onde vivem homens condenados que são obrigados ainda a ser uma religião quase medieval. Não demora para vários corpos aparecerem mutilados e Ripley ter a certeza de que trouxe um alien para o planeta escondido em sua nave. O desafio passa a ser matar a criatura sem a utilização de armas, já que o locar é uma prisão. 

O filme foi a estreia na direção de David Fincher, que até então havia dirigido apenas clips e que mesmo assim mostrou parte do seu talento em interessantes movimentos de câmera nas cenas de perseguição e no clima de claustrofobia que lembra em parte o original “Alien – O Oitavo Passageiro”, porém de uma forma mais dark. 

Fincher foi a terceira escolha para a direção, que seria a princípio do neozelandês Vincent Ward, que havia dirigido o cult “Navigator – Uma Odisseia no Tempo” e que assinou o roteiro aqui, mas foi dispensado antes das filmagens. A segunda opção seria o finlandês Renny Harlin, especialista em filmes de ação, mas acabou descartado provavelmente por não se encaixar num roteiro que dava maior ênfase ao suspense do que a ação. Para complicar ainda mais, Sigourneuy Weaver relutou em aceitar voltar ao papel da tenente Ripley, até que os produtores conseguiram persuadir a atriz. 

As poucas cenas cenas de ação e o ritmo lento em algumas passagens, não agradaram ao público e nem a boa parte da crítica. Mesmo com todos estes problemas, o resultado é um filme interessante, que apresenta uma visão diferente da série e deixava a impressão de que Fincher tinha potencial, o que foi comprovado nos seus próximos trabalhos.