terça-feira, 30 de abril de 2013

Cabeça a Prêmio

Cabeça a Prêmio (Brasil, 2009) – Nota 6,5
Direção – Marco Ricca
Elenco – Fúlvio Stefanini, Alice Braga, Daniel Hendler, Eduardo Moscovis, Cássio Gabus Mendes, Otávio Muller, Via Negromonte, Cesar Troncoso, Ana Braga, David Cardoso.

Na região do Pantanal, o pecuarista Miro (Fúlvio Stefanini) comanda também um esquema de tráfico de drogas e está sendo pressionado por investigações de agentes federais. Seu irmão Abílio (Otávio Muller) manda assassinar um radialista (David Cardoso) que poderia denunciá-los, fato que desagrada Miro. O assassinato foi cometido por Brito (Eduardo Moscovis), um ex-policial calado que faz dupla com o falastrão Albano (Cássio Gabus Mendes) e que trabalham para a família de traficantes. Ao mesmo tempo, a filha de Miro, Elaine (Alice Braga) tem um caso com o piloto (Daniel Hendler) que transporta as drogas do pai pela região. Miro acredita que possa se safar da justiça e manter sua família unida desistindo do tráfico, porém ele não percebe que na verdade comanda um castelo de areia prestes a ruir. 

O longa marca a estreia do ator Marco Ricca na direção, que se baseia num livro de Marçal Aquino para contar uma trama de mentiras, violência e traições. Ricca já havia trabalhado como ator em “O Invasor”, que também é baseado num livro de Aquino, que por sinal escreveu o roteiro do longa, porém este “Cabeça a Prêmio” é bem mais parecido com outra obra de Aquino que foi para as telas, o ótimo “Os Matadores” (leia resenha aqui) dirigido por Beto Brant, que por sinal é superior ao filme de Marco Ricca. 

A premissa é ótima, a história de decadência de uma família sustentada pelo tráfico e de seus pares tinha tudo para render um grande filme, mas talvez a inexperiência de Ricca na direção tenha pesado. O ritmo é irregular, algumas passagens são lentas demais e outras desnecessárias, além disso, algumas soluções incomodam. 

A subtrama do caso de amor entre o matador Brito e a ex-prostituta dona de bar vivida por Via Negromonte parece ter sido inserida no roteiro apenas para mostrar duas ousadas cenas de sexo, mesmo com a sequência final do longa tendo uma certa ligação com esta relação entre os dois personagens marginais. 

O elenco não compromete, considero que apenas o uruguaio Daniel Hendler não convence, mas o que me deixou surpreso foi a forma de Fúlvio Stefanini. Como não acompanho novelas, há muito tempo não via o veterano ator e até me assustei com a enorme barriga do sujeito, que rapidamente me lembrou Marlon Brando em final de carreira.            

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Selvagens

Selvagens (Savages, EUA, 2012) – Nota 7,5
Direção – Oliver Stone
Elenco – Taylor Kitsch, Aaron Johnson, Blake Lively, Benicio Del Toro, John Travolta, Salma Hayek, Demian Bichir, Emile Hirsch, Joaquin Cosio, Antonio Jaramillo.

Em Laguna Beach na Califórnia, a dupla de amigos Chon (Taylor Kitsch) e Ben (Aaron Johnson) comandam um lucrativo negócio de distribuição de maconha. A dupla divide também o amor e a cama de Ophelia “O” (Blake Lively). Chon é um ex-fuzileiro naval, enquanto Ben é um sujeito pacífico que utiliza parte do dinheiro ganho em projetos sociais na África e na Ásia. 

O dinheiro envolvido no negócio chama a atenção do Cartel de Baja, um grupo de traficantes mexicanos liderados por Elena “La Reina” (Salma Hayek), que está em guerra com o grupo de El Azul (Joaquin Cosio) e por isso deseja expandir seus negócios para os Estados Unidos. O braço direito de Elena é o violento Lado (Benicio Del Toro), que para forçar os amigos a aceitar um acordo, sequestra a bela Ophelia. A princípio eles decidem aceitar a proposta para manter Ophelia viva, porém sabem que precisam reagir para sobreviver, fato que dará início a uma violenta guerra. No meio desta confusão está ainda Dennis (John Travolta), um corrupto agente do FBI que aparentemente ajuda a dupla de amigos nos negócios. 

Depois de dois trabalhos interessantes, mas sem grandes surpresas como “W” e “Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme”, o polêmico diretor Oliver Stone volta a seu estilo habitual com uma visão violenta e assustadora sobre os cartéis de drogas mexicanos. Todos sabem que a fronteira do México com os Estados Unidos é um dos locais mais violentos do mundo atualmente, por causa do tráfico de drogas, sem contar a questão dos imigrantes ilegais, tendo a cidade de Tijuana como ponto principal desta situação. 

Stone não poupa o espectador da violência desmedida dos cartéis, que utilizam o terror para destruir concorrentes ou quem quer que cruze seu caminho, aqui tendo como contraponto uma dupla de traficantes que procura paz, mas que decide reagir para salvar a mulher amada. O misto do realismo da violência do tráfico, com a quase absurda história de amor, lembram o estilo que Stone utilizou em “Assassinos por Natureza”, sendo que aqui o psicopata é o vilão vivido por Benicio Del Toro, enquanto o trio da história de amor são quase como um grupo Robin Hood moderno. Stone filma ainda duas cenas quentes de sexo protagonizadas pela deliciosa Blake Lively, que por sinal também narra a história. 

O filme perde um pouco apenas na sequência final, no clímax entre os traficantes, que foge do lugar comum criando uma solução totalmente cínica, mesmo assim o resultado é um bom espetáculo, com uma narrativa original que tem a cara de Oliver Stone.     

sábado, 27 de abril de 2013

Todos a Bordo

Todos a Bordo (Get on the Bus, EUA, 1996) – Nota 7,5
Direção – Spike Lee
Elenco – Charles S. Dutton, Ossie Davis, Andre Braugher, Isaiah Washington, Richard Belzer, Gabriel Casseus, Albert Hall, Thomas Jefferson Byrd, Roger Guenveur Smith, Hill Harper, Wendell Pierce, DeAundre Bonds, Randy Quaid, Bernie Mac, Harry Lennix.

Em 1995, o líder religioso Louis Farrakhan organizou a chamada “Marcha de um Milhão de Homens”, convidando os negros americanos e suas famílias para se juntarem em um protesto pacífico em Washington. O fato motivou o diretor Spike Lee a filmar este “Todos a Bordo”, focando em vários personagens que não se conhecem e se juntam para viajar de ônibus até Washington e participar da marcha. 

O grande acerto de Lee foi reunir pessoas de diferentes idades, pensamentos, classes sociais e religiões, que tem em comum apenas a cor da pele ou a origem afro-americano. Esta mescla de pessoas convive durante três dias de viagem, onde criam laços, mas também geram conflitos, mostrando que o preconceito existe em todo o tipo de pessoa e de várias formas. 

Entre os personagens temos o motorista que tenta minimizar os problemas (Charles S. Dutton), um famoso ator arrogante (Andre Braugher), um jovem muçulmano (Gabriel Casseus), um homossexual conservador (Isaiah Washingyon), um sujeito rico e elitista (Wendell Pierce) e ainda o melhor dos personagens, um velho que sofreu o preconceito por toda a vida (o falecido Ossie Davis). 

Essa gama de personagens cria um universo riquíssimo de discussões sobre experiências, vida e preconceito, pena que hoje o filme esteja quase esquecido. 

O elenco é praticamente todo formado por atores negros, com exceção de Richard Belzer e da pequena participação de Randy Quaid.    

sexta-feira, 26 de abril de 2013

A Casa de Vidro & P2 - Sem Saída


A Casa de Vidro (The Glass House, EUA, 2001) – Nota 6
Direção – Daniel Sackheim
Elenco – Leelee Sobieski, Diane Lane, Stellan Skarsgard, Bruce Dern, Trevor Morgan, Kathy Baker, Chris Noth, Michael Paul Chan, Michael O’Keefe.

Os irmãos Ruby (Leelee Sobieski) e Rhet (Trevor Morgan) perdem os pais em um acidente de carro e acabam sendo adotados pelo casal Glass, que se tornam seus tutores. Terry (Stellan Skarsgard) e Erin (Diane Lane) a princípio se mostram interessados e preocupados com os adolescentes, porém aos poucos fatos estranhos começam a acontecer e fazem com que Ruby passe a desconfiar do casal, que na verdade tem interesses bem diferentes do que o bem estar dos irmãos. 

Este suspense repleto de clichês foi a estreia na direção de um longa de Daniel Sackheim e até o momento seu único trabalho para o cinema. Com uma longa carreira dirigindo episódios de seriados como “Arquivo X”, “Nova York Contra o Crime” e “Law & Order”, Sackheim não conseguiu deixar de lados os maneirismos da tv e entregou um filme previsível, tendo como ponto positivo apenas algumas boas cenas de suspense. 

A bonita Leelee Sobieski (muito parecida com Helen Hunt quando jovem) foi uma aposta que não se confirmou como boa atriz e os competentes Stellan Skarsgard e Diane Lane tentam dar alguma credibilidade ao casal de vilões sem muito sucesso. 

O resultado é um suspense no máximo razoável.

P2 – Sem Saída (P2, EUA, 2007) – Nota 6,5
Direção – Franck Khalfoun
Elenco – Rachel Nichols, Wes Bentley.

A jovem executiva Angela (Rachel Nichols) é a última pessoa a sair do edifício onde trabalha na véspera de natal. Quando tenta ligar o carro ele falha. Ela busca ajuda com o segurança da garagem, o solícito Thomas (Wes Bentley) que tenta fazer o carro funcionar, mas não consegue. Angela decide sair do edifício para buscar um táxi, mas descobre o porteiro desapareceu e o local está totalmente fechado. A situação estranha piora quando Thomas a ataca, dando início a uma noite de terror. 

O roteiro do diretor Khalfoun em parceria com o também diretor Alejandre Aja (que aqui é o produtor), apresenta uma premissa ao estilo dos filme de suspense B, com uma história simples que se baseia num jogo de gato e rato entre predador e a possível vítima. Aja que fez o interessante “Viagem Maldita” (refilmagem de “Quadrilha de Sádicos” de Wes Craven) e o fraco “Espelhos do Mal” com Kiefer Sutherland, mesmo não sendo o diretor aqui, vemos seu estilo em algumas sequências sanguinárias, como a luta da protagonista com o cão e principalmente na cena do sujeito amarrado a uma cadeira de escritório. 

Quanto aos protagonistas, para nós homens é ótimo ver o generoso decote que a voluptuosa Rachel Nichols apresenta por quase todo o filme, além do vestido justo e molhado da parte final. Já Wes Bentley não convence nos momentos em que precisa demonstrar fúria, parecendo mais a vontade nas sequências de tortura psicológica. 

O resultado é um suspense que prende atenção, mesmo que o final seja o mais previsível possível. 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O Príncipe da Cidade

O Príncipe da Cidade (Prince of the City, EUA, 1981) – Nota 8
Direção – Sidney Lumet
Elenco – Treat Williams, Jerry Orbach, Richard Foronjy, Norman Parker, Bob Balaban, James Tolkan, Lindsay Crouse, Lance Henriksen, Lee Richardson, Lane Smith, Paul Roebling.

O detetive Danny Ciello (Treat Williams) está envolvido em pequenos casos de corrupção junto com seu parceiro Gus Levy (Jerry Orbach), fato comum com outros policiais de Nova York. Quando o departamento de justiça começa a investigar os casos sob a liderança de Joe Marinaro (Richard Foronjy), logo chegam em Danny e o pressionam tentando fazer com que ele coopere para depor contra os colegas policiais. 

Danny é casado com Carla (Lindsay Crouse) e tem dois filhos, situação que o faz temer ser preso, porém sua consciência fica dividida entre defender a família e a lealdade com os parceiros de departamento. Danny acaba cedendo e se transforma em peça chave para o caso, sem imaginar que os tentáculos da corrupção atingem todos os níveis dentro da polícia. 

Este ótimo e praticamente esquecido drama policial comandado pelo grande Sidney Lumet, é um filme pesado baseado numa história real que mistura tráfico de drogas, corrupção e lealdade entre policiais. A princípio, o filme teria Brian DePalma na direção e Robert DeNiro no papel principal, porém os produtores queriam algo bem próximo da realidade e resolveram contratar Sidney Lumet, que já havia feito um longa sobre corrupção policial, o hoje clássico “Serpico” com Al Pacino. 

Lumet exigiu um protagonista sem grande fama, por isso o papel ficou com Treat Williams, que na época era conhecido apenas por seu trabalho em “Hair” de Milos Forman. O resto do elenco também tinha atores pouco conhecidos, com destaque para o falecido Jerry Orbach, que ficaria famoso apenas dez anos depois na série “Law & Order”. 

Outra exigência de Lumet foi filmar todos os detalhes do livro, o que resultou num longa de três horas recheado de detalhes e personagens, porém sem ser cansativo para quem gosta do gênero. 

O fato curioso é que Lumet voltaria mais duas vezes ao tema da corrupção policial e na justiça, com os longas “Q & A – Sem Lei, Sem Justiça” e “Sombras da Lei”.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A Primeira Noite de um Homem

A Primeira Noite de um Homem (The Graduate, EUA, 1967) – Nota 8
Direção – Mike Nichols
Elenco – Dustin Hoffman, Anne Bancroft, Katharine Ross, William Daniels, Murray Hamilton, Elizabeth Wilson, Buck Henry, Normal Fell.

Após se formar na universidade, o jovem Benjamin Braddock (Dustin Hoffman) volta para a casa dos pais na Califórnia, que entusiasmados dão um carro como presente ao filho e ainda resolvem fazer uma festa. Durante a festa, a vizinha Mrs. Robinson (Anne Bancroft) que passa por uma crise no casamento, se interessa por Benjamin e cria uma situação para que ele a leve para casa. O ingênuo e tímido Benjamin passa a ser bombardeado de indiretas pela mulher, que consegue seduzir jovem é iniciá-lo na vida sexual. Pouco tempo depois, Elaine (Katharine Ross) que é filha do casal Robinson e também estava na universidade, volta para casa e inicia um namoro com Benjamin, sem saber da história dele com sua própria mãe. 

Clássico do cinema romântico, este longa foi o segundo trabalho de Mike Nichols no cinema e já mostra uma das marcas do estilo do diretor, os diálogos afiados que misturam ironia, cinismo e duplo sentido. Outro destaque é a trilha sonora da dupla Simon & Garfunkel, que chegaram ao topo das paradas com músicas como “The Sound of Silence” e “Mrs. Robinson”. 

O trio principal tem atuação destacada, com Dustin Hoffman em seu primeiro grande papel, com a curiosidade de interpretar um jovem de vinte e um anos, quando na realidade ele já tinha trinta. Por outro lado, a falecida Anne Brancroft (que foi casada por décadas com o diretor Mel Brooks) tinha apenas trinta e sete anos e interpretava uma mulher de quase cinquenta, inclusive na aparência. O terceiro elo da trama era a bela Katharine Ross, que mesmo participando de outros filmes importantes como “Butch Cassidy” e “Willie Boy”, nunca chegou a ser considerada uma grande atriz e a partir de meados dos anos oitenta fez pouquíssimos trabalhos, tendo como último destaque um ponta no ótimo “Donnie Darko”. 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Elefante

Elefante (Elephant, Irlanda do Norte, 1989) – Nota 7
Direção – Alan Clarke

Quando Gus Van Sant dirigiu “Elefante” em 2003, a mídia e o próprio diretor citaram que o título do longa era uma homenagem a uma obra de 1989 dirigida pelo falecido inglês Alan Clarke. Procurei ler sobre o filme e descobri apenas citações, sem comentários mais profundos. Depois de algum tempo encontrei o filme disponível no Youtube e foi uma inesperada surpresa o resultado. 

O filme na realidade é um curta de trinta e nove minutos produzido por Danny Boyle para BBC da Irlanda do Norte. Na época, Boyle ainda não tinha estreado como diretor de cinema, mas já mostrava ousadia produzindo esta violenta obra. O filme tem apenas um rápido diálogo durante uma cena num campo de futebol, em compensação são dezoito assassinatos à sangue frio que tingem a tela de vermelho. Em todas as sequências a câmera do diretor segue o caminhar do assassino, ou dos assassinos em alguns casos, até encontrar e descarregar a arma em cima da vítima. Temos a cena no campo de futebol, outra numa loja de conveniência, dentro de residências, na rua, são execuções nos mais variados locais. 

A intenção do diretor Alan Clarke e de Danny Boyle foi chocar a audiência ao mostrar como a violência estava banalizada no país, isto vinte anos atrás, sem deixar o espectador respirar e com certeza deixá-lo extremamente incomodado. 

O diretor Alan Clarke faleceu cedo, com pouco mais de cinquenta anos, porém deixou além deste trabalho, outras obras polêmicas como “Scum”, longa sobre a violência num reformatório, o ótimo “Made In Britain” com um jovem Tim Roth interpretando um neonazista e talvez seu filme mais popular, a comédia sobre um inusitado triângulo amoroso chamada “Rita, Sue & Bob Nu”, que fez algum sucesso nos cinemas nos anos oitenta.

Consta que o título “Elefante” se refere ao termo “um elefante na sala de estar”, utilizado quando algo incomoda as pessoas, mas elas ignoram ou não sabem como resolver o problema.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Westworld - Onde Ninguém Tem Alma

Westworld – Onde Ninguém Tem Alma (Westworld, EUA, 1973) – Nota 6,5
Direção – Michael Crichton
Elenco – Yul Brynner, Richard Benjamin, James Brolin, Dick Van Patten, Alan Oppenheimer.

No futuro próximo, uma grande corporação criou uma espécie de parque de diversões adulto, onde o cliente paga mil dólares para participar de uma aventura no Velho Oeste, na Era Medieval ou durante o Império Romano. A grande atração destes três cenários são robôs idênticos aos humanos, que interagem com os clientes, seja em tiroteios, brigas e até para o sexo. O ambiente é todo controlado por computadores e cientistas que monitoram as ações do robôs. Dois amigos (Richard Benjamin e James Brolin) escolhem o Velho Oeste e se divertem com brigas, tiroteios e prostitutas, porém quando um falha atinge os robôs, estes passam a atacar os clientes de forma real, sendo que um robô pistoleiro (Yul Brinner) sai na caça da dupla de amigos. 

Esta curiosa produção que mistura western com ficção foi dirigida pelo falecido escritor Michael Crichton, que adaptou seu próprio livro para as telas. O ponto principal é a questão abordada em vários longas de ficção sobre como o avanço da tecnologia pode se virar contra o ser humano, aqui representado pela ótima interpretação de Yul Brynner, que provavelmente serviu de inspiração para o exterminador feito por Robert Patrick em “O Exterminador do Futuro II”. O rosto sem expressão e o andar duro e rápido com os braços para baixo quase sem se mover, são muito semelhantes nas duas interpretações. 

O roteiro falha em inserir um casal que decide se aventurar na Era Medieval, criando algumas sequências que parecem destoar do ponto principal, além de pouco mostrar o parque do Império Romano. A sensação é que se o longa foca-se apenas na trama do Velho Oeste seria mais coeso. 

Finalizando, são interessantes também as falsas entrevistas mostradas no início do filme, onde um repórter colhe depoimentos de clientes satisfeitos, no estilo das propagandas vagabundas que passam na tv durante a madrugada. 

Esclarecimento

Há alguns dias postei uma notícia sobre uma parceira do meu blog com o site AdoroCinema, que está selecionando blogs para este tipo de ação, porém peço que desconsiderem a postagem anterior, que por sinal já excluí do blog, já que o objetivo da parceria proposta pelo AdoroCinema é completamente diferente do foco do meu blog.

Minha vida profissional não tem ligação alguma com cinema ou jornalismo, criei o blog como hobby e tenho um imenso prazer em comentar sobre filmes e seriados de todos os tempos. Vocês que visitam o espaço percebem que sequer tenho anúncios gratuitos do Google, fato comum na maioria das blogs e já recusei outras propostas de parcerias de sites que desejam apenas usar o blog como mais um link para fazer propaganda.

É também com muito prazer que coloco na barra lateral o link de diversos blogs sobre cinema, alguns extremamente profissionais e outros escritos por amadores como eu, mas todos com informações preciosas sobre os mais diversos filmes. O único problema é a falta tempo para que eu possa visitar estes blogs amigos com maior regularidade.

Quando vi a questão de parceria do AdoroCinema em outro blog, entrei em contato e recebi uma proposta citando que os blogs parceiros teriam de enviar links de suas postagens com resenhas e que algumas seriam escolhidas como as melhores para serem publicadas como notícia no site, além de participar de promoções como sorteios de ingressos. Em troca o blog deveria colar o banner do AdoroCinema e quando fosse possível divulgar notícias enviadas pelo site.

Sou uma pessoa com os pés na chão, mas a curiosidade foi mais forte e resolvi aceitar a proposta acreditando que o site realmente estivesse interessado em receber resenhas dos mais diversos filmes. Reconheço que fui ingênuo em acreditar que um site gigante tivesse realmente algum interesse em divulgar conteúdo de blogs, já que dois dias depois depois recebi um e-mail solicitando que fosse enviada uma resenha do filme "A Morte do Demônio", que estava sendo lançado naquele dia e era o grande destaque no site. 

Ficou claro que o objetivo da parceria era divulgar o site através dos blogs de forma gratuita, que terão de focar nos principais lançamentos da semana. Para vários blogs profissionais que trabalham com uma equipe, a parceria pode até ser interessante, já que o sorteio de ingressos entre os leitores aumentará o número de visitas na página, mas no meu caso seria uma via de mão única, pois eu divulgaria o site por aqui e não teria contrapartida alguma em virtude das minhas resenhas serem em sua grande maioria sobre filmes do passado. Além disso, o site sequer cita em local algum de sua página os blogs parceiros.

Deixo bem claro que não tenho nada contra o AdoroCinema, que é um fonte preciosa de informações sobre cinema e ao mesmo tempo um trabalho profissional, porém a parceria não teria sentido algum, em virtude de nossas propostas serem completamente diferentes.

domingo, 21 de abril de 2013

Procura-se Susan Desesperadamente & Quem É Essa Garota?


Procura-se Susan Desesperadamente (Desperately Seeking Susan, EUA, 1985) – Nota 6,5
Direção – Susan Seidelman
Elenco – Rosanna Arquette, Madonna, Robert Joy, Aidan Quinn, Mark Blum, Laurie Metcalf, Will Patton, Richard Edson, John Lurie, John Turturro, Giancarlo Esposito.

A dona de cada Roberta (Rosanna Arquette) leva uma vida monótona com o marido (Mark Blum) e sonha em participar de alguma aventura. Susan tem o hábito de ler os classificados do jornal e descobre uma troca de mensagens entre Susan (Madonna) e seu namorado (Robert Joy), que marcam encontros pelo país através de anúncios. 

Num certo dia, Roberta decide bisbilhotar o encontro do casal e para tentar se sentir livre como Susan, acaba comprando um casaco que a própria Susan trocou em um brechó. O problema é que Susan deixou no casaco um valioso par de brincos que ela roubou de um bandido (Will Patton). Para recuperar o brinco, o namorado de Susan utiliza como cobaia seu amigo Dez (Aidan Quinn), que confunde Roberta com Susan por causa do casaco, dando início a uma complicada comédia de erros. 

O sucesso como cantora fez Madonna tentar se transformar em estrela de Hollywood e mesmo sem ter uma atuação que empolgasse a crítica, ela conseguiu chamar a atenção por escolher um filme divertido e um papel que se casava perfeitamente com sua figura de jovem rebelde. O longa fez algum sucesso e não deixa de ser uma boa diversão, que brinca com encontros e desencontros provocados pela sonhadora Roberta e ainda insere pitadas de policial para criar algumas sequências de correria. A diretora Susan Seidelman ainda dirigiu algumas comédias nos anos oitenta e depois migrou para tv, sem grande sucesso. 

Quem é Essa Garota? (Who’s That Girl, EUA 1987) – Nota 6
Direção – James Foley
Elenco – Madonna,  Griffin Dunne, Haviland Morris, John McMartin, Bibi Besch, John Mills.

O advogado Louden Trott (Griffin Dunne) está prestes a se casar com a fútil Wendy (Haviland Morris), quando recebe do futuro sogro (John McMartin), que também é seu patrão, a incumbência de acompanhar a jovem Nikki Finn (Madonna) que sairá da cadeia após quatro anos e terá de pegar um ônibus para voltar até sua cidade. O serviço fica complicado quando a rebelde Nikki alega que cumpriu pena sendo inocente e que pretende encontrar o verdadeiro culpado. O certinho Louden não consegue mudar a ideia da jovem e ainda se vê obrigado a acompanhá-la na investigação, que por seu lado não respeita lei alguma, transformando a vida do advogado em um pesadelo. 

O pequeno sucesso que Madonna teve em “Procura-se Susan Desesperadamente” acabou totalmente ofuscado pelo péssimo “Surpresa de Shangai” que ela protagonizou ao lado do então marido Sean Penn. Tentando minimizar o prejuízo, Madonna procurou um projeto semelhante a “Susan”, onde ela interpretaria novamente uma garota rebelde numa comédia com toques de policial, porém juntou isso ao lançamento de um novo disco e da turnê “Who’s That Girl”. 

Para tentar dar um ar de seriedade ao longa, foi contratado o promissor diretor James Foley, que chamou atenção no ano anterior com o drama “Caminhos Violentos”, curiosamente estrelado por Sean Penn e utilizou um roteiro que em parte era uma variação do ótimo “Depois de Horas” dirigido por Martin Scorsese e protagonizado por Griffin Dunne, que aqui repete o papel do sujeito certinho se metendo em confusão por causa de uma mulher. 

Todo este esforço resultou numa diversão apenas razoável, inclusive inferior a “Susan” e com cara de comédia requentada. Não chegou a fazer grande sucesso, mas mesmo assim deu um novo gás para a carreira de Madonna no cinema. 

sábado, 20 de abril de 2013

Quebrando o Tabu

Quebrando o Tabu (Brasil, 2011) – Nota 7
Direção – Fernando Grostein Andrade
Documentário

Este documentário defende um tema controverso: a descriminalização da maconha, tendo como porta voz o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que viajou pelo mundo para conhecer como alguns países como Holanda e Estados Unidos tratam do assunto. 

O documentário é válido por colocar um tema importante em discussão, porém falha ao ser didático e tentar defender a ideia com argumentos simplórios de personalidades famosas. Fernando Henrique e os ex-presidentes americanos Bill Clinton e Jimmy Carter se dizem arrependidos de terem tratado o problema das drogas como caso de polícia ao invés de um problema social. Soa falso quando FHC diz que não conhecia o problema a fundo, fica a impressão de que como sua vida como político profissional acabou (entenda-se a disputa por cargos públicos), ficou mais fácil para ele defender algo que provavelmente já acreditava quando era presidente, mas não tinha coragem de assumir publicamente. Outra ideia do documentário que gerou polêmica, foi classificar o usuário de maconha como doente, algo que aqueles que utilizam a droga esporadicamente (o chamado uso recreativo) consideram um absurdo. 

É um tema extremamente complicado que terá discussões eternas, sendo quase impossível se chegar num ponto comum, talvez um paliativo seja algo similar as experiências mostradas na Holanda, onde existem bares com licença para vender pequenas quantidades de maconha e local apropriado para os compradores fumarem, além dos centros montados pelo governo que disponibilizam drogas para os viciados em estágio avançado, aqueles que precisam do produto para ter uma vida normal, já que pelo longo de tempo de uso, eles sequer sentem prazer usando a droga. 

Como curiosidade, consta que o diretor Fernando Grostein Andrade é meio-irmão do apresentador Luciano Huck, que é um dos produtores do documentário.   

sexta-feira, 19 de abril de 2013

É Proibido Fumar

É Proibido Fumar (Brasil, 2009) – Nota 6,5
Direção – Anna Muylaert
Elenco – Glória Pires, Paulo Miklos, Alessandra Colassanti, Antonio Abujamra, Marisa Orth, André Abujamra, Paulo César Peréio, Etty Fraser.

Baby (Glória Pires) é uma solteira que mora num bairro de classe média paulistana e sobrevive dando aulas de violão para crianças, idosos e outras pessoas sem talento algum para a música. Sempre procurando um amor, ela se interessa pelo músico Max (Paulo Miklos), que aluga o apartamento vizinho. Max adora rock, mas para ganhar a vida é obrigado a tocar samba num restaurante, além disso, ele também precisa lidar com a ex-mulher. 

Estes dois personagens solitários lembram em parte o protagonista de “Durval Discos”, o trabalho anterior da diretora Anna Muylaert. Durval era um sujeito que parecia ter parado nos anos setenta, não aceitando que o mundo havia mudado, enquanto o casal de protagonistas aqui tem toda a cara dos anos oitenta. As aulas de violão, o estilo de se vestir e agir da personagem Baby, inclusive sua compulsão em fumar e o músico sonhador tentando fazer rock são situações típicas da época, culminando com o cenário principal, o apartamento de Baby localizado num velho edifício. 

Se estes pontos são interessantes e deixam a trama próxima da realidade de uma época, por outro lado, a virada na história que começa com um acidente ridículo se mostra forçada ao tentar incluir uma pitada de suspense, mesmo que seja com uma história de amor ao fundo. Mesmo não sendo uma virada tão radical quanto a parte final de “Durval Discos”, ainda assim fica a impressão de que a história poderia ter tomado outro rumo.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

The Walking Dead - 3º Temporada

The Walking Dead (The Walking Dead, EUA, 2010)
Criador - Frank Darabont
Elenco - Andrew Lincoln, Sarah Wayne Callies, Laurie Holden, Steven Yuen, Norman Reedus, Chandler Riggs, Lauren Cohan, Scott Wilson, Danai Gurira, Michael Rooker, Melissa McBride, David Morrissey.

Um dos grande trunfos desta série é ir além dos clichês comuns aos filmes de zumbis, em sua maioria criados pelo grande George Romero. O cuidado com o desenvolvimento dos personagens é perfeito, todos passaram por uma transformação durante as temporadas, fato comum que ocorre com uma pessoa real que enfrenta um trauma, sendo que na série todos viram parentes e amigos sendo mortos pelos zumbis. Junto com o desenvolvimento dos personagens, a narrativa ágil, os elaborados conflitos da trama e a violência transformaram a série em merecido sucesso.

A quarta temporada será um novo desafio para os produtores e até agora um enigma para os fãs. A série é baseada numa história em quadrinhos, o que provavelmente faz com que os leitores tenham algumas ideias do que possa ocorrer, porém para o espectador comum fica a dúvida.

A primeira temporada serviu para apresentar os personagens e os colocava na estrada fugindo dos zumbis com o objetivo de chegar em algum lugar seguro. As estradas cheias de carros acidentados e a dificuldade em conseguir água e comida, além dos conflitos entre os próprios integrantes do grupo eram outros desafios.

Na segunda temporada o grupo chegou na fazenda de Hershell (Scott Wilson) e sua família, que foi um porto seguro por pouco tempo, até que precisaram novamente fugir dos zumbis. Esta temporada acabou tensa, com o grupo chegando até o presídio após algumas mortes e Rick (Andrew Lincoln) decidindo liderar com mão de ferro.

O final da terceira da temporada foi exatamente o contrário, o sentimento que fica é de uma aparente paz após o também aparente final do conflito com o governador (David Morrisey), o líder maluco da cidade de Woodbury. Esta temporada focou principalmente neste conflito entre Woodbury e a turma do presídio, que resultou na morte de vários coadjuvantes e uma grande mudança no elenco. Poucos personagens do elenco inicial continuam vivos para a quarta temporada, o que pela qualidade do roteiro até aqui, acredito que não atrapalhará a trama.

Agora fica a expectativa da sequência da trama, que num palpite sem informação alguma, apenas um chute, acredito que o grupo ficará por mais alguns episódios no presídio para depois seguir sua jornada em busca de local para quem saber iniciar uma nova vida.

domingo, 14 de abril de 2013

Atividade Paranormal 3

Atividade Paranormal 3 (Paranormal Activity 3, EUA, 2011) – Nota 6
Direção – Henry Joost & Ariel Schulman
Elenco – Lauren Bittner, Christopher Nicholas Smith, Chloe Csengery, Jessica Tyler Brown, Hallie Foot, Dustin Ingram.

Esta terceira parte é outro prequel, agora voltando vinte anos até 1988, quando as irmãs Katie (Chloe Csengery) e Kristi (Jessica Tyler Brown) eram apenas crianças e viviam com a mãe Julie (Lauren Bittner) e o padastro Dennis (Christopher Nicholas Smith). A pequena Katie começa a conversar com um amigo invisível chamado Toby. A princípio, Julie acredita que Toby seja fruto da imaginação da filha, enquanto Dennis que trabalha com edição de vídeos de casamento, decide colocar câmeras pela casa após ver uma estranha imagem em um vídeo gravado no local durante um terremoto. Aos poucos, as câmeras captam imagens de acontecimentos inexplicáveis, principalmente com a garotinha Katie envolvida. 

Alguns críticos e boa parte do público consideram este filme superior até mesmo ao original, provavelmente por ser mais ágil, ter um pouco mais de sustos e até algumas pitadas de comédia com o personagem Randy (Dustin Ingram), que por coincidência tem o mesmo do personagem engraçadinho vivido por Jamie Kennedy na série “Pânico”. Eu vejo como uma sequência apenas razoável, que recicla o estilo dos filmes anteriores e cria uma trama que deixa alguns furos se confrontada com diálogos e situações daqueles filmes. 

É interessante como diversão passageira e nada mais.

sábado, 13 de abril de 2013

Landscape Nº 2

Landscape Nº 2 (Pokrajina St.2, Eslovênia, 2008) – Nota 7,5
Direção – Vinko Moderndorfer
Elenco – Marko Mandic, Slobodan Custic, Barbara Cerar, Maja Martina Merljak, Janez Hocevar, Jaka Lah, Janez Skof.

Polde (Janez Hocevar) é um pai de família que trabalha consertando aparelhos eletrônicos, porém junto com seu auxiliar na oficina e também amigo Sergej (Marko Mandic), eles roubam quadros valiosos que estão ilegalmente em poder de pessoas ricas, para em seguida pedir um resgate. Esta elite, durante o regime comunista iugoslavo, se apoderou das obras se aproveitando da influência que tinham no governo e por este motivo não podem acionar a polícia. 

O golpe que parecia simples, fica complicado quando durante o roubo de um quadro (o Paisagem nº 2 do título) na casa de um ex-general (Janez Skoff), o irresponsável Sergej leva consigo dinheiro e alguns documentos que comprovam a ajuda de militares eslovenos na morte de milhares de civis pelos nazistas durante a Segunda Guerra. Para recuperar os documentos e não deixar que o segredo seja revelado, o militar aposentado chama um assassino (Slobodan Custin) para realizar o serviço sujo. 

Os longas produzidos nos últimos anos pelos países que pertenciam a antiga Iugoslávia geralmente focam a sangrenta Guerra das Balcãs, que arrasou a região no início dos anos noventa, porém este interessante filme vai mais longe, utiliza como pano de fundo a colaboração dos próprios militares eslovenos com os nazistas. 

A primeira parte é quase toda voltada para mostrar a irresponsabilidade do personagem Sergej, que mente para o amigo e para as duas namoradas, a tímida Magda (Barbara Cerar) e a fogosa Jasna (Maja Martina Merljak), inserindo ainda ousadas cenas de sexo entre ele e Jasna, porém a segunda parte muda o foco, colocando em cena o assassino, que parte na caçada em busca dos documentos deixando um rastro de sangue pelo caminho, até o final que pode ser considerado um cruel castigo.  

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Filmes de Humor Negro - Parte I

Filmes de humor negro são um subgênero extremamente complicado, onde muitas vezes os realizadores apelam para o exagero e ao invés de fazer rir, acabam irritando o espectador.

Mesmo não sendo grande fã do formato, assisti alguns longas e nesta postagem comento quatro filmes.

O Sangue de Romeu (Romeo Is Bleeding, Estados Unidos / Inglaterra, 1993) – Nota 6,5
Direção – Peter Medak
Elenco – Gary Oldman, Lena Olin, Annabella Sciorra, Juliette Lewis, Roy Scheider, Will Patton, Dennis Farina, Ron Perlman, David Proval, Will Patton, Tony Sirico.

O longa começa com o personagem Jack Grimaldi (Gary Oldman) trabalhando num posto de beira de estrada. Logo, o personagem passa a narrar sua história e saberemos como ele foi parar naquele local. Cinco anos antes, Jack era um policial ambicioso e corrupto que fazia trabalhos para Máfia para poder bancar a esposa (Annabella Sciorra) e a jovem amante (Juliette Lewis). Num destes trabalhos, Jack conhece Mona (Lena Olin), que pertence a Máfia Russa e que o contrata para matar um mafioso rival, Don Falcone (Roy Scheider). Lógico que as coisas não acontecem como o esperado e a vida de Jack se transforma num inferno. 

O diretor húngaro Peter Medak (do interessante “Os Implacávei Krays”) bebe na fonte do noir pra criar uma trama com todos os elementos do gênero: O protagonista não muito honesto, as mulheres perigosas e os bandidos violentos, porém ele vai além, a partir da metade o longa se transforma numa experiência radical recheada de violência e sangue. A interpretação de Oldman é um dos pontos fortes do filme, que por sua vez é indicado para o espectador que gosta histórias complexas e violentas. 

Eles Matam e Nós Limpamos (Curdled, EUA, 1996) – Nota 5
Direção – Reb Braddock
Elenco – William Baldwin, Angela Jones, Bruce Ramsay, Lois Chiles, Barry Corbin.

Quando criança, Gabriela (Angela Jones) viu um homem ser assassinado em seu país, a Colômbia e ficou fascinada com o acontecido. Adulta e morando nos EUA, ela coleciona recortes de jornal de crimes famosos, principalmente do psicopata chamado “Sangue Azul” (William Baldwin), que seduz mulheres ricas e depois as mata com diversas facadas. Gabriela querendo conhecer as cenas dos crimes do assassino, consegue um emprego numa empresa que faz limpeza nestes locais. Sua curiosidade levará ao encontro do assassino. 

Este suspense teve alguma fama na época do lançamento por ser uma produção de Quentin Tarantino, que se baseia num curta feito pelo mesmo diretor cinco anos antes e que também tinha Angela Jones (a taxista Esmeralda Villalobos de “Pulpi Fiction”) no papel principal. Mesmo com Tarantino por trás do projeto e com certeza dando pitacos no roteiro, principalmente em um cena que cita os Irmãos Gecko, personagens de Tarantino e George Clooney em “Um Drink no Inferno”, o longa não se sustenta. O diretor Reb Braddock tenta usar humor negro sem sucesso, o ritmo é arrastado e o elenco fraco, inclusive o conhecido canastrão William Baldwin.

Atração Mortal (Heathers, EUA, 1989) – Nota 6
 Direção – Michael Lehmann
Elenco – Winona Ryder, Christian Slater, Shannen Doherty, Lisanne Falk, Kim Walker, Penelope Milford, Ione Skye

A adolescente Veronica (Winona Ryder) deseja ser aceita num grupo de garotas conhecidas como “Heathers”. O grupo é formado por três belas garotas (uma delas é Shannen Doherty antes de “Barrados no Baile”) que tratam mal as outras meninas do colégio. Veronica acaba se aproximando de JD (Christian Slater), um sujeito rebelde e numa brincadeira acabam matando por acidente uma das Heathers. Para esconder o acidente, eles mudam a cena do crime, deixando de uma forma como se a garota tivesse cometido suicídio. O acidente detona uma espécie de gatilho assassino em JD, que sugere para Veronica matar todas as pessoas de que ela não gosta, criando sempre uma cena de suicídio. 

O roteiro explora o humor negro da trama para criticar os jovens alienados da época e consegue até certo ponto, cansando por se apoiar em apenas uma situação. Com o passar do tempo, o filme ganhou ares de cult e consta que uma série pode sair do papel ainda neste ano.

Diabólicos Sedutores (Something for Everyone, EUA, 1970) – Nota 7
Direção – Harold Prince
Elenco  – Michael York, Angela Lansbury, Anthony Higgins, Heidelinde Weis, Jane Carr.

O jovem Conrad Ludwig (Michael York) é contratado por uma aristocrática família que está falida. Mesmo assim, o esperto Conrad vê a chance de lucrar, utilizando seu charme para seduzir cada membro da família e assim tomar o controle da situação. O rapaz utiliza o sexo como arma para ganhar a confiança da condessa falida (Angela Lansbury), sua filha gordinha (Jane Carr) e até do filho gay (Anthony Higgins, aqui assinando ainda como Anthony Corlan), para em seguida aplicar o golpe final através de um casamento de fachada do filho gay com uma garota rica, que por sinal também é sua amante. 

O resultado é um divertida comédia de humor negro em que o diretor não se preocupou nem um pouco com a moral da época, inclusive com uma cena de beijo entre Michael York e Anthony Higgins. O roteiro brinca com o tabu do sexo na época e dos costumes, com a família falida tentando viver como se ainda tivesse dinheiro, representada principalmente pela interpretação da veterana Angela Lansbury.    

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Inverno de Sangue em Veneza

Inverno de Sangue em Veneza (Don’t Look Now, Inglaterra / Itália, 1973) – Nota 7,5
Direção – Nicolas Roeg
Elenco – Donald Sutherland, Julie Christie, Hilary Mason, Clelia Matania, Massimo Serato, Renato Scarpa.

O casal John Baxter (Donald Sutherland) e Laura (Julie Christie) sofre um grande trauma com a morte da pequena filha por afogamento num riacho que passa aos fundos da bela casa onde eles vivem na Inglaterra. Pouco antes da garota se afogar, John tem um pressentimento e sai correndo para tentar salvar a filha, mas não consegue. 

Em seguida, a trama pula algum tempo e o casal está em Veneza, onde John trabalha na restauração de uma antiga igreja e Laura tenta se recuperar da tragédia. Quando o casal vai a um restaurante, o acaso faz com que Laura encontre duas velhas irmãs escocesas (Hilary Mason e Clelia Matania), sendo que uma delas é cega e também paranormal. Esta senhora diz para Laura que sua filha está ao seu lado e feliz, fato que mexe com a pobre mãe, enquanto o pai que aparentemente pode prever acontecimentos, nega o próprio dom e também não quer acreditar na história do espírito da filha. Ao mesmo tempo, estranhos assassinatos começam a ocorrer em Veneza. 

O diretor inglês Nicolas Roeg marcou sua carreira com filmes que fogem do lugar comum. Longas como “O Homem que Caiu na Terra”, “Malícia Atômica” e “Convenção das Bruxas” tem uma narrativa diferente, em alguns momentos até mesmo estranha, mas uma indiscutível qualidade técnica. Este “Inverno de Sangue em Veneza” tem sequências extremamente criativas, como a ousada cena de sexo entre Donald Sutherland e Julie Christie, que é intercalada com cenas do casal se vestindo para sair. 

Hoje o filme pode parecer lento, mas isso é compensado também pelo ótimo roteiro que foca no suspense psicológico e deixa o espectador em dúvida até o final. Ao longo do filme não sabemos se os personagens de Sutherland e Julie Christie estão enlouquecendo, se as duas velhinhas estão escondendo algo e até se o estranho padre vivido por Renato Scarpa está envolvido nos assassinatos. 

Produzido no mesmo ano do clássico “O Exorcista”, este longa foi um dos que fizeram o cinema de terror e suspense passar a ser respeitado pelo críticos.   

terça-feira, 9 de abril de 2013

O Padrasto

O Padrasto (The Stepfather, EUA, 1987) – Nota 6,5
Direção – Joseph Ruben
Elenco – Terry O’Quinn, Jill Schoelen, Shelley Hack, Charles Lanyer, Stephen Shellen, Blu Mankuma.

O filme começa com um sujeito (Terry O’Quinn, o John Locke de “Lost”) se lavando, cortando a barba e saindo calmamente de uma casa no subúrbio onde acabou de assassinar sua família. Algum tempo depois, o mesmo sujeito, agora utilizando o nome de Jerry Blake e trabalhando como corretor de imóveis, está morando com a viúva Susan (Shelley Hack, atriz da segunda fase do seriado “As Panteras”) e sua filha Stephanie (Jill Schoelen), porém esta desconfia dos sorrisos e do jeito um tanto quanto falso de Jerry e começa a investigar seu passado, principalmente após ler sobre o assassinato da família que ainda está sem solução. 

Este é um típico filme de suspense dos anos oitenta, que mesmo não sendo ótimo, prende a atenção com boas cenas de suspense e violência, um clima estranho acentuado pela trilha sonora e a curiosidade de ver Terry O’Quinn num dos poucos papéis principais de sua carreira e muitos anos antes de ficar famoso com “Lost”. 

O longa foi refilmado em 2009 sem sucesso.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

The Following

The Following (The Following, EUA, 2013)
Elenco - Kevin Bacon, James Purefoy, Natalie Zea, Shawn Ashmore, Annie Parisse, Nico Tortorella, Valorie Curry,Adam Canto, Kyle Catlett.
Criador - Kevin Williamson

Após assistir metade da primeira temporada, fica claro que "The Following" é uma série onde o roteirista Kevin Williamson ("Pânico", "Dawson's Creek") misturou ideias de outras séries policiais como "CSI" e "Criminal Minds", com o estilo comum de investigação do gênero, lembrando um pouco "24 Horas" e recheou com muita violência.

A série parte de uma premissa absurda, a criação de uma seita de serial killers, porém a esperteza de Williamson em utilizar o termo "seguidores", comum aos membros de uma seita e também aos atuais participantes das redes sociais na internet, dá uma cara de novidade a uma trama que no fundo é a tradicional disputa entre mocinho e bandido, aqui entre alguns mocinhos e vários assassinos.

A escolha de Kevin Bacon para o papel principal foi acertada, ele que primeira vez protagoniza uma série de tv, interpreta o ex-agente do FBI Ryan Hardy, que quase uma década atrás prendeu o professor e escritor frustrado Joe Carroll, sujeito obcecado pela obra de Edgar Allan Poe, vivido pelo inglês James Purefoy, que havia assassinado várias garotas após seu livro ser massacrado pela crítica. Carroll é um sujeito extremamente carismático e inteligente, que com facilidade consegue dominar pessoas que carregam algum trauma, sempre mostrando que elas são importantes, porém fazendo com que todas se sintam em dívida com ele.

Quando Hardy capturou Carroll, levou um tiro no peito e por este motivo hoje vive com um marcapasso, além de um sério problema cardíaco que o afastou do FBI. Aposentado e com problemas com a bebida, Hardy é surpreendido quando recebe uma ligação do FBI informando que Carroll fugiu da prisão. O FBI deseja que Hardy seja uma espécie de consultor do caso, em virtude de conhecer profundamente o assassino.

A situação é ainda mais complicada, porque o motivo principal da fuga de Carroll é a vingança contra Hardy, que além de tê-lo prendido, ainda teve um caso com sua esposa Claire (Natalie Zea). Carroll deseja ainda conhecer seu filho Joey (Kyle Catlett) que nasceu enquanto ele estava na prisão.

Parte da crítica não gostou da série por causa de alguns furos no roteiro e também pela violência. Em todos os episódios até aqui ocorreram mortes, tanto de policiais, quanto dos assassinos seguidores de Carroll. Por outro lado, o público gostou do história e os produtores já praticamente garantiram uma segunda temporada.

Eu gosto muito do gênero policial, sejam filmes ou seriados e entendo quem crítica as falhas no roteiro e alguns exageros da trama, mas não se pode negar que a narrativa ágil, as cenas de ação e o bom desempenho de Kevin Bacon são pontos positivos, sem contar que a presença de múltiplos serial killers como vilões abre várias novas possibilidades para o desenvolvimento da série.

domingo, 7 de abril de 2013

Violação de Privacidade

Violação de Privacidade (The Final Cut, EUA / Canadá / Alemanha, 2004) – Nota 6
Direção – Omar Naim
Elenco – Robin Williams, Mira Sorvino, James Caviezel, Mimi Kuzyk, Stephanie Romanov, Thom Bishops, Genevieve Buechner, Brendan Fletcher.

No futuro, as pessoas ao nascer recebem um chip implantado no cérebro que guardará as imagens de sua vida inteira. Quando a pessoa morre, uma empresa edita os melhores momentos de sua vida, excluindo as atitudes ruins e cria uma apresentação na cerimônia do funeral. 

O estranho Alan Hakman (Robin Williams) é considerado o melhor editor deste tipo de trabalho, conseguindo extrair o melhor da vida das pessoas, porém sua vida pessoal é complicada, ele tem um relacionamento frio com a namorada (Mira Sorvino) e ainda guarda um segredo de infância. 

O lado profissional também fica abalado quando ao montar as memórias de um determinada pessoa, ele começa a ser pressionado por um sujeito (James Caviezel) que participa de um grupo que é totalmente contra este trabalho. 

Assim como fez em “Insônia” e “Retratos de uma Obsessão”, Robin Williams cria um personagem soturno e calado, quase um sujeito sem alma, porém apenas sua interpretação não consegue salvar este filme que tem uma premissa diferente, mesmo que absurda (quanto tempo levaria para alguém analisar a vida inteira de um sujeito em imagens?). O desenrolar da trama é tão frio quando o personagem de Williams, além de exagerar no uso de flashbacks, resultando num filme apenas razoável.

sábado, 6 de abril de 2013

Nos Calcanhares da Máfia

Nos Calcanhares da Máfia (The Pope of Greenwich Village, EUA, 1984) – Nota 7
Direção – Stuart Rosenberg
Elenco – Eric Roberts, Mickey Rourke, Daryl Hannah, Geraldine Page, Kenneth McMillan, Tony Musante, M. Emmet Walsh, Burt Young, Jack Kehoe, Philip Bosco, Val Avery, Joe Grifasi.

Quem conhece meu blog sabe que comento sobre filmes de todos os tempos, muitas vezes buscando longas esquecidos no tempo. É o caso deste interessante “Nos Calcanhares na Máfia”, que na época trazia um elenco encabeçado por atores emergentes e uma trama que lembrava os primeiros filmes de Scorsese, como “Caminhos Perigosos”. 

A história tem como protagonistas os primos Paulie (Eric Roberts) e Charlie (Mickey Rourke), que vivem em Nova York e sonham com uma vida melhor, porém de formas diferentes. Charlie trabalha como maitre num restaurante, namora a bailarina Diane (Daryl Hannah) e tem como objetivo abrir seu próprio estabelecimento, enquanto o sonhador Paulie procura a sorte grande nos cavalos. Quando Charlie perde o emprego, Paulie o procura e diz ter o plano perfeito para enriquecer. Paulie pretende roubar um cofre e utilizar o dinheiro para apostar em um cavalo que já teria a vitória garantida, desta forma rendendo dinheiro até mesmo para Charlie abrir seu restaurante. O plano se transforma em pesadelo quando a dupla descobre que roubou dinheiro sujo, que pertencia ao chefão mafioso Eddie (Burt Young) e a um grupo de policiais corruptos. 

O cinéfilo que olha hoje para este elenco sem conhecer o cinema dos anos oitenta a fundo, acredita ser apenas um filme policial vagabundo, igual a tantos outros protagonizados por Eric Roberts (irmão de Julia Roberts) e até mesmo por Mickey Rourke, que mesmo tentando reerguer a carreira nos últimos anos, cansou de trabalhar em porcarias nas duas últimas décadas. Porém a realidade aqui era outra, na época os dois eram atores promissores e tiveram seus momentos de glória nos anos seguintes. 

Em 1985, Roberts co-estrelou ao lado de Jon Voight a aventura “Expresso Para o Inferno” e chegou a concorrer ao Oscar de Ator Coadjuvante, enquanto Rourke engatou uma sequência de sucessos com “O Ano do Dragão”, “Nove e Meia Semanas de Amor” e “Coração Satânico”, além de terem ao lado a belíssima Daryl Hannah, que havia chamado a atenção em “Blade Runner”. 

O elenco tem como destaque ainda a veterana Geraldine Page, que aparece na tela apenas pouco mais de dez minutos interpretando a mãe de um policial corrupto e mesmo assim concorreu ao Oscar de Atriz Coadjuvante. Ela não venceu, mas acabou premiada com o Oscar de Melhor Atriz no ano seguinte pelo sensível “O Regresso Para Bountiful”. 

Vale destacar ainda a direção do falecido Stuart Rosenberg, que capta com perfeição a Nova York dos anos oitenta, quando a cidade ainda estava em processo de transformação, deixando de ser a cidade suja e violenta dos anos setenta e abrindo caminho para se tornar a metrópole dos yuppies e novos ricos. Mesmo com uma carreira irregular, Rosenberg deixou dois dos melhores filmes sobre o sistema prisional americano, os dramas “Rebeldia Indomável” com Paul Newman e o ótimo “Brubaker” com Paul Robert Redford. 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A Caça

A Caça (Jagten, Dinamarca, 2012) – Nota 8,5
Direção – Thomas Vinterberg
Elenco – Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Annika Wedderkopp, Lasse Fogelstrom, Susse Wold, Anne Louise Hasing, Alexandra Rapaport.

Numa pequena cidade do interior da Dinamarca, Lucas (Mads Mikkelsen) é um professor que após perder emprego pelo fechamento da escola, passa a trabalhar numa creche cuidando de crianças pequenas. Extremamente querido pelas crianças, Lucas cria um laço especial com a pequena Klara (Annika Wedderkopp), filha de seu melhor amigo Theo (Thomas Bo Larsen) e de Agnes (Anne Louise Hasing). 

Klara sofre com as brigas dos pais e acaba tendo tranquilidade conversando com Lucas, que por seu lado, para não confundir inda mais a cabeça da garota após ela ter dado um beijo nele, pede que ela seja carinhosa com os pais. A garota fica brava e ingenuamente repete palavras ditas pelo irmão mais velho, dizendo para diretora da creche (Susse Wold) que Lucas havia mostrado suas partes íntimas. A pequena mentira toma grandes proporções e torna a vida do pobre Lucas um inferno, ele que ainda vive em conflito com a ex-esposa para ficar com a guarda do filho adolescente Marcus (Lasse Fogelstrom). 

Este doloroso longa do dinamarquês Thomas Vinterberg (“Festa de Família”) é um grande exemplo de como a histeria causada pelo medo cega as pessoas, principalmente numa suspeita de pedofilia, mesmo que não existam provas. A forma como o roteiro do próprio Vinterberg conduz a história é perfeita ao mostrar a incredulidade do personagem principal, que fica totalmente sem rumo, principalmente quando os amigos se voltam contra ele e grande parte da população passa a tratá-lo como um pervertido. 

Algumas sequências chegam a ser cruéis, como as duas cenas no supermercado e o destino da cadela do personagem principal, exemplos de como o muitos seres humanos esperam uma chance de despejar seu ódio sobre o próximo, mesmo que a certeza da culpa da pessoa esteja apenas na cabeça do agressor. 

Vale destacar a grande atuação de Mads Mikkelsen, que ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes pelo papel do professor acusado injustamente. 

A cena final mostra que algumas feridas jamais são curadas, sendo ainda outro exemplo de como muitas pessoas além de cruéis, são também falsas e não tem coragem de assumir seus atos. 

Como curiosidade, o título”A Caça” serve tanto para a tradição do local, onde caçar é um ato comum entre os homens, como para a perseguição que o professor passa a sofrer após a falsa acusação.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Invasão de Domicílio

Invasão de Domicílio (Breaking and Entering, EUA / Inglaterra, 2006) – Nota 7
Direção – Anthony Minghella
Elenco – Jude Law, Juliette Binoche, Robin Wright Penm, Martin Freeman, Ray Winstone, Vera Farmiga, Rafi Gavron, Juliet Stevenson.

O arquiteto inglês Will (Jud Law) e sua esposa sueca Liv (Robin Wright Penn) passam por uma séria crise no casamento, em parte pela filha adolescente que é hiperativa, o que desencadeou um problema de depressão na mãe e por outro lado pelo trabalho de Will, que junto com um sócio (Martin Freeman), está desenvolvendo um enorme projeto de revitalização de uma bairro violento de Londres, onde eles também montaram um enorme escritório. 

Um grupo de ladrões bósnios vê no novo escritório a chance de lucrar roubando os equipamentos, para isso utilizando dois adolescentes especialistas em escalar prédios e muros. Após roubarem o local, um dos garotos (Rafi Gavron) fica interessado no trabalho dos arquitetos e decide voltar, porém acaba sendo visto e perseguido por Will. O garoto acredita ter despistado Will, mas não percebe que o sujeito descobriu sua residência. Will fica curioso ao ver a forma amorosa com que o garoto é recebido pela mãe, a refugiada bósnio Amira (Juliette Binoche) e decide descobrir quem são aquelas pessoas, fato que dará início a um confuso despertar de sentimentos e frustrações. 

Este longa foi o último trabalho do falecido diretor Anthony Minghella (vencedor do Oscar com “O Paciente Inglês), que procurou misturar drama familiar com a questão dos imigrantes refugiados, todos unidos pela solidão numa grande metrópole. 

O personagem de Jude Law tem sucesso na vida profissional, porém a crise no casamento o faz duvidar se ainda ama a esposa, enquanto a personagem de Robin Wright Penn fica perdida entre a filha problemática e a frustração no casamento. O terceiro elo da trama tem a ótima Juliette Binoche, que faz uma mulher sofrida disposta a tudo para ajudar o filho delinquente. 

O filme peca apenas pela frieza da narrativa em alguns momentos e o desperdício de bons coadjuvantes que são deixados de lado na trama, como o policial de Ray Winstone e a prostituta do leste europeu vivida por Vera Farmiga. 

No geral é um bom drama urbano com um tema atual.   

terça-feira, 2 de abril de 2013

Pra Frente Brasil

Pra Frente Brasil (Brasil, 1982) – Nota 7,5
Direção – Roberto Farias
Elenco – Reginaldo Faria, Antônio Fagundes, Carlos Zara, Cláudio Marzo, Natália do Valle, Elizabeth Savalla.

Em 1970, durante a Copa do Mundo do México, no auge da repressão da ditadura militar e também do chamado “Milagre Econômico”, Jofre Godoy (Reginaldo Faria) é um simples trabalhador da classe média, que por acaso divide o táxi com um militante de esquerda e por este motivo é preso e torturado por agentes da repressão que o consideram subversivo. Após ele desaparecer, seu irmão Miguel (Antônio Fagundes) e sua esposa Marta (Natália do Valle) iniciam uma peregrinação para localizá-lo, sendo ignorados pela polícia e ainda ameaçados por tentarem enfrentar o sistema. 

Este longa é um marco do cinema nacional por ter sido um dos primeiros a mexer no vespeiro da ditadura, tendo sido liberado para exibição apenas em 1983 após uma batalha com a censura, que se não era a mesma dos anos setenta, ainda tinha poder para vetar filmes, músicas e peças de teatro. 

Diz a lenda, que a ideia do filme nasceu de um incidente com o ator Reginaldo Faria, que teria brincando com uma mulher em um aeroporto dizendo que estava armado e a conversa foi ouvida por policiais que o levaram para uma sala onde ele teria sofrido tortura psicológica até conseguir convencê-los que era apenas uma brincadeira. 

Verdade ou não, o roteiro escrito por Reginaldo e por seu irmão, o diretor Roberto Farias acerta ao mostrar o absurdo das ações da ditadura, que a princípio consideravam todos os suspeitos culpados, com um detalhe especial sinistro, os agentes são mostrados como homens trabalhando para um grupo de empresários que apoiavam a ditadura, não diretamente para o governo. 

Este fato é livremente inspirado na história do empresário dinamarquês Henning Albert Boilesen, sujeito radicado no Brasil que teria financiado a terrível Operação Bandeirantes (OBAN), que prendeu, torturou e matou várias pessoas. Existe um documentário sofre o assunto chamado “Cidadão Boilesen”, porém ainda não tive oportunidade de assistir. 

Voltando ao filme, temos uma primeira parte mais voltada para o desespero e a investigação da família e a parte final dando maior ênfase a ação, sempre mostrando ao fundo cenas dos jogos da Copa do Mundo do México e a alegria da população totalmente alienada com que acontecia nos porões da ditadura. 

É um filme obrigatório para quem gosta de história e principalmente quem quer saber um pouco mais, mesmo que numa ficção, sobre um dos períodos mais tristes da história do Brasil.  

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Jason Vai Para o Inferno - A Última Sexta-Feira & Jason X


A série "Sexta-Feira" rendeu dez filmes, mais uma refilmagem, além de "Freddy vs Jason". Muitos assistiram a todos os filmes deste exagero cinematográfico. Da série de dez filmes eu assisti até a parte quatro, que na época tinha o subtítulo de Capitulo Final e deixei de lado o restante. Anos mais tarde, numa destas sessões da tv por assinatura que pegamos por acaso, vi o nono filme, o absurdo "Jason Vai Para o Inferno" e algum tempo depois, ganhei ingressos para a pré-estréia de "Jason X".

Nesta postagem eu comento estes dois filmes, provavelmente os que apresentam os roteiros mais absurdos da série. Enquanto "Jason Vai Para o Inferno" é mais do mesmo, apenas includindo um pretexto ridículo para os assassinatos e praticamente escondendo Jason  por todo o filme, tenho de admitir que me diverti com "Jason X", que de tão absurdo se torna um longa interessante.

Jason Vai Para o Inferno – A Última Sexta-Feira (Jason Goes to Hell: The Final Friday, EUA, 1993) – Nota 4
Direção – Adam Marcus
Elenco – John D. LeMay, Kari Keegan, Steven Williams, Kane Hodder, Erin Gray, Richard Gant, Billy Green Bush, Steven Culp, Rusty Schwimmer.

O assassino mascarado Jason Voorhees (Kane Hodder) é pego numa emboscada pelo FBI e termina sendo destroçado. O que sobrou do corpo de Jason é enviado para o IML do FBI e durante a autópsia, o espírito de Jason toma o corpo do médico legista, que sai matando guardas para fugir do edifício. A partir daí, o espírito assassino troca algumas vezes de corpo, até chegar na família da jovem Jessica Kimble (Kari Keegan), que não sabe que tem uma forte ligação com Jason. 

Depois ter praticamente um filme por ano na década de oitenta, o personagem de Jason estava sem aparecer nas telas desde 1989 e para muitos parecia que sua carreira de assassino havia terminado, porém o diretor Adam Marcus decidiu estrear no cinema criando uma história que busca inspiração no clássico “O Exorcista”, desvirtuando completamente a essência da série. As mortes violentas e o clima estranho foram mantidos, mas para tristeza dos fãs, Jason aparece em poucas sequências. 

Novamente alardeado como último filme da série, esta produção na verdade praticamente enterrou o personagem, que voltaria apenas oito anos depois no também absurdo “Jason X”.

Jason X (Jason X, EUA, 2001) – Nota 7
Elenco – Kane Hodder, Lexa Doig, Lisa Ryder, Jonathan Potts, Peter Mensah, Melyssa Ade, Chuck Campbell, David Cronenberg.

Estamos no Século 25 e a Terra não é mais um local habitável. O governo americano colonizou outro planeta e criou também uma forma de ressuscitar pessoas que foram mantidas congeladas. Logo no início do filme, um cientista (o diretor David Cronenberg tirando um sarro do gênero) junto com outros militares, se preparam para descongelar uma jovem (Lexa Doig) e junto com ela está ninguém menos que Jason (Kane Hodder). Lógico que os militares erram, Jason é descongelado e reinicia sua sede por vingança, agora no espaço, primeiro trucidando o cientista e os militares, depois descendo o machado interplanetário em quem cruzar seu caminho.

O falecido diretor James Isaac optou por filmar quase uma paródia da série, criando uma história totalmente absurda e recheando o filme de mortes e violência. É o tipo de filme para ser visto com o cérebro desligado e se divertir com os diálogos toscos, o elenco canastrão e os assassinatos violentos.

A participação de David Croneneberg no início foi uma ótima sacada, uma piada divertida para os fãs de terror e suspense.