quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

João Saldanha

João Saldanha (Brasil, 2012) – Nota 7,5
Direção – André Iki Siqueira & Beto Macedo
Documentário

Este documentário conta a trajetória de João Saldanha, uma das figuras mais polêmicas do jornalismo esportivo brasileiro. Sem papas na língua, brigão e comunista, Saldanha além de jornalista foi também técnico de futebol, tendo sido campeão carioca em 1957 dirigindo o Botafogo, seu time de coração e também foi o responsável pela montagem da seleção brasileira tricampeã do mundo em 1970 no México. A passagem de Saldanha pela seleção é provavelmente o ponto principal do documentário. 

Em 1966, a seleção brasileiro fez uma péssima campanha na Copa do Mundo da Inglaterra e passou a ser bombardeado por todos os lados. Saldanha era um dos maiores críticos, principalmente da antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos), que era comandada a mão de ferro por João Havelange. O esperto Havelange, pensando em deixar de ser o alvo das críticas, de forma surpreendente convidou Saldanha para dirigir a seleção, que também estranhamente aceitou o convite. 

O trabalho de Saldanha foi impecável, conseguiu montar um belo time que venceu todas as partidas nas eliminatórias e transformou o Brasil em grande favorito, porém o seu sucesso passou a ameaçar o governo militar do General Médici. O pensamento do governo era ver Saldanha fracassar, mas quando perceberam a possibilidade do país ser campeão sendo dirigido por um comunista, eles acionaram a chamada “imprensa marrom”, as bocas de aluguel que começaram a criar pequenos fatos e deturpar notícias para enfraquecer Saldanha, que acabou sendo demitido poucos meses antes da Copa, dando lugar a um conhecido amigo dos poderosos, Zagallo, sujeito que jamais entraria em conflito com os superiores. 

Esta situação infelizmente continua comum nos dias atuais, mesmo vivendo numa democracia, a força da mídia levanta ou derruba uma pessoa de acordo com seus interesses. No jornalismo esportivo atual vemos diariamente “especialistas” defendendo ideias absurdas em favor dos interesses de seu empregador ou do seu time do coração. Saldanha foi um ícone numa época em que ainda existia o jornalista por ideologia, que tinha opinião própria e não se preocupava em agradar alguém em troca de algo, seguir manuais de redação ou linha editorial.  

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Tudo Sobre Minha Mãe

Tudo Sobre Minha Mãe (Todo Sobre Mi Madre, Espanha / França, 1999) – Nota 7,5
Direção – Pedro Almodovar
Elenco – Cecilia Roth, Marisa Paredes, Candela Peña, Antonia San Juan, Penelope Cruz, Rosa Maria Sardá, Fernando Fernan Gomez, Fernando Guillen, Eloy Azorin. 

Manuela (Cecilia Roth) é mãe do jovem Esteban (Eloy Azorin), que deseja ser escritor e por este motivo registra tudo sobre seu relacionamento com a mãe. Quando eles vão assistir a uma peça de teatro no aniversário de Esteban, um acidente ocorre quando o garoto deseja pegar o autógrafo da atriz principal da peça, Huma Rojo (Marisa Paredes) e ele acaba falecendo. 

Sem saber o que fazer da vida, Manuela decide ir embora de Madrid e voltar para Barcelona, onde tenta reencontrar o pai do seu filho. Manuela acaba reencontrando um amigo, o travesti Agrado (Antonia San Juan) e se envolve na vida da freira Rosa (Penelope Cruz), que passa por um momento difícil. Além disso, Manuela também se aproxima da atriz Huma e descobrirá que o sucesso na carreira não é garantia de felicidade. 

Não sou fã de novelas, considero um tipo de programa ultrapassado que tem objetivos comerciais no pior sentido possível, que são conseguir audiência, vender produtos e ditar moda, sem contar que os dramas são exagerados e na maioria das vezes difundem a ideia de que o mundo é dividido entre o bem e o mal, sem meio termo. 

Comentei este fato para citar que o cinema de Almodovar bebe na fonte dos dramalhões das novelas, porém sua habilidade em desenvolver personagens, muitas vezes bizarros e sintetizar interessantes histórias de vida em pouco menos de duas horas é digna de aplausos. 

A trama de “Tudo Sobre Minha Mãe” seria uma novela das piores nas mãos de um canal de tv, porém Almodovar consegue entreter o público de cinema mostrando gravidez indesejada, conflitos entre mãe e filha, drogas, doenças e tragédias de uma forma peculiar e original. 

Neste filme vale ainda destacar as belas atuações de Marisa Paredes, da argentina Cecilia Roth e de Antonia San Juan interpretando um travesti. 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O Declínio do Império Americano & As Invasões Bárbaras


O diretor canadense Denys Arcand ficou conhecido mundialmente quando o longa "O Declínio do Império Americano" concorreu ao Oscar de Filme Estrangeiro em 1987. O filme não venceu, mas Arcand se tornou um queridinho da crítica, fazendo em seguida bons trabalhos como "Jesus de Montreal" e "Amor e Restos Humanos".

Arcand voltaria ao Oscar para vencer com "As Invasões Bárbaras", uma continuação do filme de 1987.

Aqui comento estes dois filmes, trabalhos diferenciados recheados de diálogos afiados e com uma interessante visão do diretor em relação ao ciclo da vida e as relações humanas.

O Declínio do Império Americano (Le Déclin de L’Empire Américain, Canadá, 1986) – Nota 7,5
Direção – Denys Arcand
Elenco – Dominique Michel, Dorothée Berryman, Louise Portal, Pierre Curzi, Rémy Girard, Yves Jacques, Geneviéve Rioux, Daniel Briére, Gabriel Arcand.

Numa casa de campo na beira de um lago, quatro amigos intelectuais passam a tarde preparando um jantar e conversando sobre a vida, seus amores, traições e principalmente sexo. Enquanto isso, quatro mulheres estão numa academia conversando sobre os mesmos temas. No final do dia todos se juntam para o jantar, onde em meio a discussões filosóficas, alguns segredos vem à tona. 

Clássico cult dos anos oitenta, este longa do canadense Denys Arcand é falado em francês e tem como ponto principal os diálogos afiados que mostram todo o cinismo, egoísmo e falhas de caráter do ser humano, principalmente no quesito das relações amorosas. 

O título do longa é o mesmo de um livro escrito por uma das personagens, que pode também ser comparado ao declínio das relações estáveis, já que nos anos oitenta o individualismo começava a se tornar cada vez mais forte.

As Invasões Bárbaras (Les Invasions Barbares, Canadá, 2003) – Nota 7,5
Direção – Denys Arcand
Elenco – Rémy Girard, Stéphanne Rousseau, Marie Josée Croze, Marina Hands, Dorothée Berryman, Johanne Marie Tremblay, Yves Jacques, Louise Portal, Dominique Michel.

Dezesseis anos após o filme original, o diretor Denys Arcand reencontra seus personagens em outro estágio da vida. Se no filme anterior eles estavam no auge da carreira e da vida sexual, aqui todos estão entrando na terceira idade e desta vez a trama coloca como personagem principal o mulherengo Rémy (Rémy Girard), que tem uma doença terminal e pede para a ex-esposa Louise (Dorothée Berryman) chamar os velhos amigos. Rémy também precisa se acertar com o filho Sébastien (Stéphanne Rosseau), que ao contrário do pai que era professor, ele se tornou executivo do mercado financeiro. Um interessante conflito se cria entre os ideais de vida do velho acadêmico e o pragmatismo financeiro do filho. 

É curioso também ver como se desenvolveram os outros personagens. Temos o mulherengo (Pierre Curzi) que se casou com uma jovem e agora tem dois filhos pequenos e as amigas Diane (Louise Portal) e Dominique (Dominique Michel) que continuam trocando de amantes, mas que no fundo sentem-se sozinhas. 

O ponto principal aqui é mostrar as consequências de nossos atos nas relações amorosas, relacionamento com filhos e amigos, com uma pitada ainda do chamado conflito de gerações e as diferenças entre o passado e a modernidade, inclusive nos valores. 

As invasões bárbaras do título se referem aos ataques de 11 de Setembro e também as mudanças de valores das últimas décadas, onde a utopia de esquerda representada por Rémy e seus amigos intelectuais deu lugar ao capitalismo frio e selvagem representado por Sébastien.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Estômago

Estômago (Brasil, 2007) – Nota 7,5
Direção – Marcos Jorge
Elenco – João Miguel, Fabiula Nascimento, Babu Santana, Carlo Briani, Zeca Cenovicz, Paulo Miklos.

Raimundo Nonato (João Miguel) chega em São Paulo vindo da Paraíba sem conhecer pessoa alguma e dinheiro algum no bolso. Ele entra na lanchonete de Zulmiro (Zeca Cenovicz), come duas coxinhas e como não tem como pagar, acaba sendo obrigado a lavar pratos, mas pelo menos consegue um quarto para dormir. 

A partir daí, Nonato passa a trabalhar como cozinheiro e aprende a fazer coxinhas que se tornam o sucesso do local. Além disso, Nonato sente-se atraído pela prostituta Íria (Fabiula Nascimento), que é extremamente gulosa. Em paralelo, a narrativa mostra Nonato chegando a cadeia, sem explicar qual crime ele cometeu, onde aos poucos ganha a confiança do dono da cela, o bandido Bujiu (Babu Santana), através da comida que ele prepara. 

Este curioso longa foi uma agradável surpresa graças ao desempenho do ator João Miguel, que ficou conhecido por “Cinema, Aspirinas e Urubus” e aqui comprova seu talento ao criar um sujeito ao mesmo tempo simplório, ingênuo em alguns aspectos, mas inteligente ao conquistar as pessoas através de sua habilidade na cozinha. 

As duas narrativas seguem até o final onde conheceremos o crime que levou Nonato para cadeia, fato em si sem muitas surpresas, porém um detalhe é sinistro, se revelando uma pérola do humor negro. 

Como curiosidade, a atriz Fabiula Nascimento se entrega a algumas cenas ousadas que muitas atrizes se negariam a fazer, principalmente a sequência do striptease na boate.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Por Uma Boa Briga & Veia de Lutador


Por Uma Boa Briga (Play It to the Bone, EUA, 1999) – Nota 5
Direção – Ron Shelton
Elenco – Woody Harrelson, Antonio Banderas, Lolita Davidovich, Tom Sizemore, Lucy Liu, Richard Masur, Robert Wagner, Willie Garson, Aida Turturro.

Cesar (Antonio Banderas) e Vince (Woody Harrelson) são dois pugilistas fracassados que recebem uma proposta irrecusável, lutarem na preliminar de uma luta de Mike Tyson em Las Vegas. Os dois aceitam e resolvem viajar juntos de carro até o local, mesmo sendo rivais, inclusive porque Cesar namora Grace (Lolita Davidovich), ex-namorada de Vince. Lógico que Grace viajará junto e a dupla terá de aceitar suas diferenças em prol do dinheiro da luta. 

O diretor e roteirista Ron Shelton é especialista em filmes sobre esporte, tendo já comandado bons longas sobre beisebol (“Sorte no Amor” e “Cobb – A Lenda”), golfe (“O Jogo do Amor”) e basquete (“Homens Brancos Não Sabem Enterrar”), porém aqui ele erra feio. O roteiro não cria empatia alguma na dupla de boxeadores derrotados, sendo que na primeira hora durante a viagem quase nada de interessante acontece. Mesmo com a luta entre os amigos no final sendo muito bem filmada, a sequência acaba sendo insuficiente para transformar num bom filme.

Veia de Lutador (Fighting, EUA, 2009) – Nota 6
Direção – Dito Montiel
Elenco – Channing Tatum, Terrence Howard, Zulay Henao, Luis Guzman, Roger Guenveur Smith, Brian White, Michael Rivera, Flaco Navaja, Peter Anthiny Tambakis.

O jovem Shawn McArthur (Channing Tatum) veio do Alabama para Nova York e para sobreviver trabalha vendendo produtos na rua. Após se meter em uma confusão e mostrar ser bom de briga, Shawn recebe uma oferta do vigarista Harvey (Terrence Howard). O sujeito diz que ele pode ganhar cinco mil dólares participando de uma luta clandestina. Precisando de dinheiro, Shawn aceita a oferta e se envolve num mundo violento onde acontecem apostas altas. 

O diretor Dito Montiel estreou com o elogiado “Santos e Demônios”, um longa autobiográfico que ainda preciso conferir, porém seus dois trabalhos seguintes não se sustentam. O mais recente, o policial “Anti-Heróis” é decepcionante e este “Veia de Lutador” que foi seu segundo trabalho também deixa a desejar. Os três filmes citados tem Channing Tatum no elenco. 

A premissa aqui é boa, mostrar o mundo das lutas clandestinas, porém o desenrolar da trama é repleto de clichês, desde os dramas do passado dos personagens, passando pelas coincidências forçadas, chegando até a luta final entre os inimigos. Apesar dos desempenhos dignos de Channing Tatum e Terrence Howard, o resultado é um filme abaixo do potencial da história. 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Benny & Joon - Corações em Conflito

Benny & Joon – Corações em Conflito (Benny & Joon, EUA, 1993) – Nota 7,5
Direção – Jeremiah Chechik
Elenco – Johnny Depp, Mary Stuart Masterson, Aidan Quinn, Julianne Moore, Oliver Platt, Dan Hedaya, CCH Pounder, Joe Grifasi, William H. Macy.

O mecânico Benny (Aidan Quinn) é o preocupado irmão mais velho de Joon (Mary Stuart Masterson), uma jovem que tem um distúrbio mental e dificuldade para conviver com outros pessoas por ser agressiva em alguns momentos e por preferir se isolar em outros. Quando Benny participa de uma partida de pôquer com amigoss, ele acaba apostando e perdendo, sendo obrigado a pagar a aposta. Ele precisará hospedar em sua casa por algum tempo o sobrinho de um amigo, porém Benny não imaginava encontrar o estranho Sam (Johnny Depp). Ao mesmo tempo em que ele se assusta com as atitudes de Sam, sua irmã fica encantada pelo rapaz, o que provocará ciúme em Benny.

Este sensível longa mistura comédia, drama e história de amor na medida certa, valorizado principalmente pela ótima atuação de Johnny Depp, que se inspirou em Chaplin e Buster Keaton para criar o sujeito especialista em mímicas que se apaixona pela jovem problemática. Outro ponto positivo é a trilha sonora, com destaque para a canção “I’m Gonna Be (500 Miles)” da dupla escocesa “The Proclaimers”. 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Bombas - Filmes de Ficção B - Parte II

O gênero ficção é um dos que mais rendem filmes ruins. Já comentei sobre alguns por aqui e agora cito mais cinco produções de péssima qualidade.

A Rebelião Final (Rising Storm, EUA, 1989) – Nota 3
Direção – Francis Schaeffer
Elenco – Zach Galligan, Wayne Crawford, June Chadwick, Elizabeth Keifer, John Rhys Davies.

Em 2099, os Estados Unidos vivem uma ditadura comandada por um reverendo e seu exército. Neste contexto, os irmãos Gage (Zach Galligan e Wayne Crawford) vivem de pequenos golpes e de transportar imigrantes ilegais do México. Quando eles cruzam com duas irmãs (June Chadwick e Elizabeth Keifer) que estão em busca de antiguidades valiosas, os irmãos aceitam ajudá-las nas busca entre troca de parte do valor, porém terão de enfrentar ainda os soldados do reverendo. 

Esta fraquissima ficção B é falsa desde os figurinos estranhos, passando pelos cenários sem charme algum, até os péssimos elenco e roteiro. A única curiosidade é ter como protagonista Zach Galligan, que ficou conhecido pelo sucesso de “Gremlins” e depois desapareceu em papéis ruins como este aqui. 

O Portal do Tempo (Beastmaster 2: Trough the Portal of Time, EUA, 1993) – Nota 3,5
Direção – Sylvio Tabet
Elenco – Marc Singer, Wings Hauser, Kari Wuhrer, Sarah Douglas, James Avery, Robert Z’Dar.

Na Idade Média, durante uma batalha, o príncipe Dar (Marc Singer) entra em uma caverna para perseguir seu inimigo Arklon (Wings Hauser), porém o local na verdade é um portal do tempo que os leva para Los Angeles nos dias atuais, onde Arklon tentará explodir uma bomba atômica. 

Sequência do longa cult “O Senhor das Feras” (ou “O Príncipe Guerreiro”), esta produção com um roteiro totalmente absurdo, tenta utilizar a criatividade na mudança de cenário para tentar driblar a falta de orçamento, mas falha completamente. 

Marc Singer teve alguma fama nos anos oitenta ao estrelar “O Senhor das Feras” e principalmente pelo papel na minissérie original “V – A Batalha Final”, mas não conseguir se firmar e se tornar figura carimbada em filmes B, assim como o vilão Wings Hauser, pai do ator Cole Hauser.

Agentes da Sombra (The Shadow Men, EUA, 1997) – Nota 2
Direção – Timothy Bond
Elenco – Eric Roberts, Sherilyn Fenn, Dean Stockwell, Brendon Ryan Barrett.

Um casal (Eric Roberts e Sherilyn Fenn) viaja de carro com seu filho pequeno quando são ofuscados por um luz intensa. Eles acordam horas depois sem saber o que ocorreu. Logo, o casal começa a ter pesadelos com alienígenas e ao mesmo tempo passa a ser perseguido por estranhos homens de preto. A única saída parece ser a ajuda de um escritor de ficção científica (Dean Stockwell).

Esta ficção vagabunda tentou capitalizar com o sucesso do ótimo “Homens de Preto”, utilizando a lenda urbana destes personagens para criar uma péssima trama de ficção, com cenas constrangedoras de tão ruins. Um caso a parte é a carreira de Eric Roberts, irmão mais velho de Julia Roberts. Nos anos oitenta ele chegou a ser famoso e até concorreu ao Oscar de Coadjuvante pelo papel em “Expresso para o Inferno”, mas sabe-se lá porque, a partir dos anos noventa ele se tornou um operário do cinema, aceitando papel em todo tipo de filme, desde o sensacional “Batman – O Cavaleiro das Trevas” até longas horrorosos como este. Até hoje consta participação de Eric Roberts em 270 filmes, um absurdo para um ator que já foi promissor e que ainda tem apenas 56 anos.

Fragmentos do Passado (Fugitive Mind, EUA, 1999) – Nota 4
Direção – Fred Olen Ray
Elenco – Michael Dudikoff, Heather Langenkamp, Michele Greene, David Hedison, Ian Ogilvy, Gil Gerard, Barry Newman, Chick Vennera, Gabriel Dell, Judson Scott.

Um engenheiro (Michael Dudikoff) tem a vida virada de ponta cabeça quando homens invadem sua casa e o sequestram, ao que parece com ajuda de sua esposa (Michele Greene). O sujeito passa por uma sessão de lavagem cerebral e se torna um assassino, porém aos poucos começa a ter flashes do seu passado e descobre ter sido utilizado como cobaia numa experiência de uma agência secreta do governo. 

O filme é ruim, a trama fraca e o elenco recheado de canastrões, como o “American Ninja” Michael Dudikoff e Heather Langenkamp que tem como papel principal seu trabalho nos três melhores filmes da série “A Hora do Pesadelo”. 

O diretor Fred Olen Ray é um caso a parte. Ele iniciou a carreira nos anos oitenta produzindo e dirigindo filmes vagabundos de ficção, terror e policial direto para vídeo e lucrou com a explosão do VHS na época. Quando o mercado decaiu, ele passou a produzir longas erótico soft, do estilo que passam na madrugada dos canais a cabo. Sua marca é sempre a péssima qualidade.

Terror em Alcatraz (New Alcatraz, EUA, 2001) – Nota 4
Direção – Phillip J. Roth
Elenco – Dean Cain, Elizabeth Lackey, Mark Sheppard, Dean Biasucci, Craig Wasson, Grand L. Bush, Greg Collins, Richard Tanner, Dana Ashbrook

Um presidio de segurança máxima construído no Alasca recebe detentos do mundo inteiro, porém quando descobrem por acaso uma gigantesca cobra enterrada e congelada no local, a Dr. Jessica (Elizabeth Lackey) convida seu ex-marido, o Dr. Robert Trenton (Dean Cain) para ajudar na análise da criatura. Lógico que a situação sairá do controle e todos (administradores, guardas e prisioneiros) terão de lutar para tentar sobreviver. 

Este terror de baixo orçamento é outra bola fora do canastrão Dean Cain, famoso pela série de tv “Lois e Clark”, que no cinema está relegado a pequenos papéis de vilão em seriados ou protagonista de filmes vagabundos como este. 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Conspiração Americana

Conspiração Americana (The Conspirator, EUA, 2010) – Nota 7
Direção – Robert Redford
Elenco – James McAvoy, Robin Wright, Kevin Kline, Tom Wilkinson, Evan Rachel Wood, Justin Long, Danny Huston, Colm Meaney, James Badge Dale, Alexis Bledel, Norman Reedus, Johnny Simmons, Toby Kebbell, Stephen Root, David Andrews, Chris Bauer, Jim True Frost, Shea Whigham.

Quando o presidente Abraham Lincoln é assassinado em 1865, os militares rapidamente prendem um grupo de homens acusados do crime e uma mulher, Mary Surratt (Robin Wright), a dona da pensão onde os conspiradores se encontravam. O advogado indicado para defender Mary é o senador sulista Reverdy Johnson (Tom Wilkinson), que na primeira sessão percebe que a mulher está praticamente condenada. 

Como os conspiradores eram do sul dos Estados Unidos e assassinaram Lincoln por causa da unificação do país, Reverdey acreditava que sua defesa seria vista como um afronta ao governo e por isso Mary não teria chances. Ele praticamente obriga o jovem advogado Frederick Aiken (James McAvoy) a defender a mulher. Aiken era um herói da guerra e por este fato poucos entendiam porque ele aceitou defender uma mulher acusada de conspirar contra o país. Mesmo não acreditando em Mary de início, Aiken decide fazer seu melhor e logo descobre que a verdade não é tão clara como parece, fato que transforma sua luta em algo pessoal. 

O astro Robert Redford sempre foi um sujeito politicamente ativo, tendo abordado uma questão social no quase esquecido “Rebelião em Milagro” e por outras duas vezes tocado em questões que mostram uma América bem diferente do país que se conclama defensor da justiça. Em “Quiz Show” ele dissecou um dos maiores escândalos da tv americana, fato ocorrido numa época em que o público acreditava muito mais na tv do que nos dias atuais. Em 2007 ele abordou a política de guerra do presidente Bush no pouco visto “Leões e Cordeiros”, que mesmo não sendo um grande filme, solta farpas contra o governo, o exército e a mídia. 

Neste “Conspiração Americana”, Redford foi buscar a história nos bastidores de um dos fatos mais conhecidos do país, o assassinato de Lincoln, porém seu foco estava voltado para o julgamento de cartas marcadas comandado pelo governo, manipulado pelo Secretário de Defesa vivido por Kevin Kline, que pode ser comparado com as atitudes de Bush durante as invasões ao Iraque e Afeganistão. Nos dois casos existe um discurso semelhante, utilizando frases como “defender a segurança do país” e “o fato precisa servir de exemplo”, além do filme mostrar os presos detidos em péssimas condições (igual Guantanamo), o julgamento militar e a atitude do personagem de Aiken, que deseja defender as liberdades individuais que foram suprimidas no caso dos suspeitos e também distorcidas nas ações do governo Bush. 

O filme em si é até frio em alguns momentos e com um excesso de diálogos, mas vale por colocar em discussão a questão de quando a justiça na realidade se torna vingança. 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O Prisioneiro da Grade de Ferro

O Prisioneiro da Grade de Ferro (Brasil, 2004) – Nota 7,5
Direção – Paulo Sacramento
Documentário

O complexo do Carandiru foi o maior presídio da América Latina até ser desativado em 2002. Este documentário foi produzido durante os últimos meses antes do fechamento do local e tem como um dos pontos principais ter sido filmado em grande parte pelos próprios detentos. O diretor Paulo Sacramento deixou um câmera com alguns detentos, que filmaram praticamente todo o local, inclusive em horários como a madrugada, conseguindo mostrar ao espectador como funcionava e como viviam os presos naquele verdadeiro inferno. 

O local que ficou conhecido mundialmente pelo chamado “Massacre do Carandiru” em 1992 e depois pela versão para o cinema do livro de Drauzio Varela, que foi dirigido por Hector Babenco, era uma cidade com regras próprias, muitas delas criadas pelos próprios presos para tentar manter alguma ordem em meio ao caos, o abandono e a falta de condições para se viver. 

A câmera na mão dos detentos captou todo o tipo de situação e abriu caminho para vários presos darem seus depoimentos. Vemos o pessoal que organizava os jogos de futebol, os lutadores de boxe, os estrangeiros reclamando de estarem abandonados, os cultos com os detentos que se tornaram evangélicos, o precário atendimento médico prestado ainda por Drauzio Varela, as diversas alas, entre elas a dos homossexuais e o maldito Pavilhão 9, além dos negócios feitos pelos presos, que utilizavam cigarro como moeda de troca, sem contar verdadeiras aulas de como produzir drogas e destilar cachaça, crimes que vários detentos cometiam dentro do local debaixo das vistas grossas das autoridades. 

Sem entrar no mérito de como deve ser tratado um presidiário ou o tipo de pena para cada crime, um local como o Carandiru era um depósito de pessoas, uma verdadeira escola do crime que tinha de acabar. O depoimento de um detento que virou pastor mostra bem a falência do sistema. Ele citava que após a criação da famosa facção criminosa, a vida do preso melhorou e a violência no local praticamente acabou, ou seja, este grupo tomou o lugar que seria das autoridades. 

Finalizando, quem vive ou conhece São Paulo e viajou de metrô passando ao lado do Carandiru quando este existia, jamais vai esquecer as roupas e panos pendurados nas grades dos enormes pavilhões e a fila de visitantes que se formava em frente ao local aos domingos.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Madrugada dos Mortos

Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead, EUA / Canadá / Japão / França, 2004) – Nota 7,5
Direção – Zack Snyder
Elenco – Sarah Polley, Ving Rhames, Jake Webber, Mekhi Phifer, Ty Burrell, Michael Kelly, Kevin Zegers, Jayne Eastwood, Matt Frewer.

Numa cidade de Wisconsin, zumbis famintos começam a atacar as pessoas que tentam fugir desesperadamente. Algumas pessoas conseguem se esconder dentro de um Shopping Center, entre elas a enfermeira Ana (Sarah Polley) e o policial Kenneth (Ving Rhames). A princípio o lugar parece ser um oásis no meio do inferno, com uma provisão de comida e abrigo onde os zumbis parecem não conseguir invadir. Porém aos poucos começam as desavenças entre as diferentes pessoas do grupo, situação que se torna crítica quando o perigo da invasão dos zumbis é iminente. 

O longa é uma refilmagem de “O Despertar dos Mortos”, que George Romero dirigiu em 1978 como sendo uma continuação do clássico “A Noite dos Mortos Vivos”, que por sinal foi refilmado em 1990 por Tom Savini. Desta forma está entendido porque este filme de Zack Snyder não tenta explicar como começou o ataque dos zumbis, pois na teoria ele seria uma continuação do longa de 1990. 

Apesar de Romero ser um ícone do gênero zumbi, esta refilmagem e tão boa quando o original de 1978, apresentando bons efeitos especiais, maior orçamento e cenas de ação e suspense que prendem a atenção até o final. 

Romero dirigiu em 1985 “O Dia dos Mortos”, que foi refilmado em 2008, o que completaria a trilogia original e as suas refilmagens, porém o velho Romero não abandonou o tema e nos últimos anos dirigiu três outros filmes: “Terra dos Mortos” de 2005, “Diário dos Mortos” de 2007 e “A Ilha do Mortos” em 2009. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Tudo Pelo Poder

Tudo Pelo Poder (The Ides of March, EUA, 2011) – Nota 7
Direção – George Clooney
Elenco – Ryan Gosling, George Clooney, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Jeffrey Wright, Max Minghella, Jennifer Ehle, Gregory Itzin, Michael Mantell.

Stephen Meyers (Ryan Gosling) é o assessor de comunicação da campanha do governador Mike Morris (George Clooney) que disputa as prévias do Partido Democrata para escolha do candidato a presidente. Enquanto seu oponente é um homem conservador, Mike se mostra a favor da liberdade e das inovações, fatos que fazem com que Stephen acredite no aparente idealismo do sujeito. 

Os problemas começam quando Paul Zara (Philip Seymour Hoffman), chefe da campanha do governador, busca conseguir com que um senador picareta (Jeffrey Wright) aceite apoiar a campanha, porém ele não sabe que o político já se acertou com o outro candidato, que prometeu um cargo caso seja eleito. Ao mesmo tempo, Tom Duffy (Paul Giamatti), organizador da campanha do outro candidato, procura Stephen para tentar fazer o jovem mudar de lado. No meio deste jogo de intrigas, Stephen ainda se envolve com uma bela estagiária (Evan Rachel Wood), sem saber que a jovem esconde um segredo que pode mudar a eleição. 

O filme se passa durante poucos dias quase todo em Iowa, local considerado chave para o candidato vencer as prévias e mostra toda a sujeira por trás dos sorrisos falsos e dos discursos vazios dos políticos em época de eleição. George Clooney sempre foi um defensor do Partido Democrata, mas aqui deixa transparecer nas entrelinhas sua decepção com o governo Obama, que assim como o personagem Mike Morris, Obama aparentava independência, mas pouco cumpriu do que prometeu após ser eleito. 

Mesmo utilizando personagens fictícios, o roteiro escrito por Clooney, seu sócio Grant Heslov e o escritor Beau Willimon, claramente mostra que a política não é lugar para idealistas e que somente metendo as mãos e os pés na lama é possível ser eleito. 

O ponto negativo é a frieza da narrativa, não sei se por escolha de Clooney ou mesmo pela história onde o que vale é o poder, em muitas passagens parece faltar emoção, deixando um certo vazio no espectador. 

A trama sempre atual sobre sujeiras na política e o ótimo elenco que tem ainda a bela Marisa Tomei como uma repórter interesseira, tinha tudo para resultar num filme melhor.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Sem Vestígios & Killshot


Sem Vestígios (Untraceable, EUA, 2008) – Nota 6,5
Direção – Gregory Hoblit
Elenco – Diane Lane, Billy Burke, Colin Hanks, Joseph Cross, Mary Beth Hurt, Peter Lewis.

Jennifer Marsh (Diane Lane) é uma agente do FBI que trabalha na divisão que investiga crimes virtuais. Num certo dia, ela recebe uma informação para rastrear um site que convidada pessoas para matar. A princípio alguém coloca no site um coelho que é envenenado e morre. O que parece atitude de um idiota, logo se torna séria quando o sujeito coloca no ar uma homem preso a uma máquina ao vivo e que a cada acesso ao site, a máquina funciona mais rápido com o objetivo de matar a pessoa. Jennifer tem a ajuda de sua parceiro Dowd (Colin Hanks) e do policial Eric Box (Billy Burke), porém a inteligência do psicopata o deixa sempre um passo à frente da investigação. 

O diretor Gregory Hoblit começou a carreira como um dos produtores da ótima série “Hill Street Blues” e depois migrou para o cinema se especializando em suspenses, tendo dirigido longas como “Um Crime de Mestre” e “Possuídos”. Aqui ele novamente consegue impor seu estilo, principalmente em dois terços do filme, porém como o roteiro é totalmente esquemático, na parte final o diretor não conseguir fugir dos clichês do gênero. 

A premissa é boa, ao mostrar ao vivo os crimes pela internet, colocando os visitantes do site como cúmplices dos crime, ao mesmo tempo fazendo uma crítica a curiosidade mórbida do público que adora assistir tragédias. 

No final é um razoável, previsível e esquecível longa. 

Killshot – Tiro Certo (Killshot, EUA, 2008) – Nota 6
Direção – John Madden
Elenco – Diane Lane, Mickey Rourke, Thomas Jane, Joseph Gordon Levitt, Rosario Dawson, Hal Holbrook.

Armand “Blackbird” Degas (Mickey Rourke) é um assassino profissional de origem indígena que não costuma deixar testemunha alguma viva. Por acaso, o jovem delinquente Richie Nix (Joseph Gordon Levitt) tenta assaltar Blackbird e acaba se tornando seu parceiro. Richie arma um golpe para extorquir um rico corretor de imóveis, porém um desencontro faz com que a dupla transforme o casal Colson em testemunha. A esposa Carmen (Diane Lane) e o marido Wayne (Thomas Jane) estão em crise, mas precisam se unir para fugir da dupla de assassinos. 

Baseado num livro de Elmore Leonard, craque em tramas policiais, este longa tem uma interessante premissa e a curiosa ideia de colocar como assassino um sujeito de origem indígena, porém a direção de atores e o roteiro não são dos melhores. 

Mickey Rourke e Diane Lane convencem nos seus papéis, já Joseph Gordon Levitt tem uma interpretação exagerada e Thomas Jane parece estar no piloto automático, além do desperdício de Rosario Dawson num papel mal desenvolvido. 

Após o bom início, a trama se mostra simples e sem novidades, chegando a um final mais do que previsível.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Django Livre

Django Livre (Django Unchained, EUA, 2012) – Nota 8,5
Direção – Quentin Tarantino
Elenco – Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson, Walton Goggins, Dennis Christopher, James Remar, James Russo, Don Johnson, Franco Nero, Tom Wopat, Don Stroud, Russ Tamblyn, Amber Tamblyn, Bruce Dern, M. C. Gainey, Cooper Huckabee, Doc Duhame, Jonah Hill, Lee Horsley, Michael Parks, John Jarratt, Quentin Tarantino, Robert Carradine, Tom Savini, Michael Bowen, Ted Neeley.

Dois anos antes do início da guerra civil americana, o escravo Django (Jamie Foxx) está sendo levado pelo seus novos donos quando é resgatado pelo caçador de recompensas Dr. King Schultz (Christoph Waltz), um alemão que era dentista e trocou de profissão para caçar bandidos, matá-los e receber as recompensas. Schultz deseja que Django o ajude a encontrar três irmãos que ele não conhece, mas que valem uma boa recompensa. Logo, os dois se tornam amigos e sócios, com Django tendo o objetivo de reencontrar sua mulher, a bela Broomhilda von Schaft (Kerry Washington), que foi comprada pelo milionário Calvin Candie (Leonardo DiCaprio). A dupla decide armar um complicado golpe para conseguir a liberdade de Broomhilda, sem que Calvin perceba que está sendo enganado. 

Este novo trabalho de Tarantino é um bela homenagem ao chamado “Western Spaghetti”, filmes italianos que copiavam o clássico gênero. Tarantino pegou emprestado o título de um do clássico italiano estrelado por Franco Nero, que tem uma ponta aqui, mas criou uma história completamente diferente, basicamente uma trama sobre liberdade, vingança e amor. Como é normal nas obras de Tarantino, a violência é forte, porém perfeita dentro do contexto da trama, com destaque para os tiroteios na parte final, que claramente faz uma homenagem ao estilo de Sam Peckinpah, com balas explodindo nos corpos e sangue jorrando para todos os lados. 

O elenco está ótimo, Jamie Foxx está perfeito como o ex-escravo orgulhoso, Leonardo DiCaprio faz bem um vilão almofadinha, mas os destaques são Samuel L. Jackson, envelhecido pela maquiagem e interpretando um ex-escravo puxa-saco do personagem de DiCaprio e principalmente o incrível Christoph Waltz, que rouba todas as cenas como o alemão bom de lábia e de armas. 

Não se pode deixar de citar as pequenas participações de atores interessantes e alguns até esquecidos, fato comum nos filmes de Tarantino. Para o cinéfilo com mais idade ou que gosta de filmes antigos, aqui se diverte com vários rostos conhecidos. Temos Don Johnson da série “Miami Vice” como um fazendeiro, Walton Goggins de “The Shield” como um pistoleiro racista, a dupla de eternos vilões James Remar e James Russo, Tom Wopat da série “Os Gatões” (The Dukes of Hazzard) e até o aposentado Ted Neeley que foi o protagonista da versão hippie sobre Jesus Cristo, o musical “Jesus Cristo Superstar”.  

O resultado é uma diversão de primeira qualidade.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Super Size Me - A Dieta do Palhaço

Super Size Me – A Dieta do Palhaço (Super Size Me, EUA, 2004) – Nota 7
Direção – Morgan Spurlock
Documentário com Morgan Spurlock

O então desconhecido Morgan Spurlock escolheu um curioso tema para seu primeiro documentário e se transformou na própria cobaia do seu experimento. 

Para comprovar os efeitos maléficos do excesso de consumo de fast food, Morgan decidiu encarar um desafio: Durante trinta dias ele faria todas as suas refeições no McDonald’s, sendo obrigado a ainda a aceitar o tamanho grande dos produtos quando estes fossem oferecidos. Antes de começar a maratona, Morgan passou por exames com vários especialistas e detectou que sua saúde estava boa, porém após os trinta dias de excessos, o quadro mudou consideravelmente, para pior, é claro. 

O resultado da experiência era mais do que esperado, o que vale são outras questões envolvidas. Morgan com certeza viu nesta loucura a chance de conseguir uma carreira, o que deu certo, já que o documentário fez sucesso e abrir as portas para novos trabalhos. Como o McDonald’s é uma espécie de Papa dos fast foods, a escolha da empresa foi de extrema inteligência. A marca por si só já chamaria atenção em virtude do marketing agressivo que a empresa pratica, fato que Morgan utilizou a seu favor e que transformou num marketing negativo para empresa, que foi obrigada a fazer alterações no seu cardápio, mesmo que tenham sido mais ações para minimizar o prejuízo da marca do que para melhorar a qualidade da comida. 

O documentário em si é apenas interessante, as poucas citações fora da questão do McDonald’s são uma comparação da alimentação oferecida entre duas escolas, uma particular e outra para jovens delinquentes, fato que apresenta uma resposta diferente do que se poderia imaginar e alguns comentários sobre como o marketing influencia as pessoas a consumir, principalmente os jovens, sem se importar com a qualidade do está sendo oferecido. 

Como curiosidade um pouco sinistra, Morgan coloca algumas batatinhas fritas do McDonald’s em um pote fechado e após semanas elas continuam intactas. É melhor nem imaginar o tipo de conservante utilizado naquelas batatas e qual a reação daquilo no organismo humano.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ardida Como Pimenta & Sete Noivas Para Sete Irmãos


Ardida como Pimenta (Calamity Jane, EUA, 1953) – Nota 7
Direção – David Butler
Elenco – Doris Day, Howard Keel, Ally Ann McLerie, Philip Carey, Dick Wesson, Paul Harvey.

Na cidade do oeste americano chamada Deadwood, Jane Calamidade (Doris Day) se veste e age como homem, enfrentando índios e contando vantagem para os homens. Após uma confusão no pequeno teatro da cidade, ela promete trazer para um próximo show uma atriz famosa e para isso viaja até Chicago atrás da moça. Por engano, a camareira da atriz, Katie Brown (Ally Ann McLerie) se faz passar pela estrela e viaja com Jane até a pequena Deadwood para se apresentar. No local, ela despertará a paixão de Wild Bill Hickok (Howard Keel) e do Tenente Gilmartin (Philip Carey) e também o ciúme de Jane que é apaixonada pelo Tenente. 

O longa é um faroeste musical romântico, que mistura tiros, paixões e música de forma agradável e tem na interpretação de Doris Day outro ponto forte. Ela canta e dança em sequências bem coreografadas. 

Um filme simpático até para quem não é fã de musicais.

Sete Noivas Para Sete Irmãos (Seven Brides for Seven Brothers, EUA, 1954) – Nota 7,5
Direção – Stanley Donen
Elenco – Howard Keel, Jane Powell, Jeff Richards, Russ Tamblyn, Tommy Rall, Julie Newmar.

Adam Pontipee (Howard Keel) é o mais velho de sete irmãos que vivem em uma cabana nas montanhas. Num certo dia, Adam decide ir para a cidade comprar mantimentos, utensílios e encontrar uma esposa. Ele consegue convencer Milly (Jane Powell) pra ser sua esposa, porém não conta que tem seis irmãos. Ao descobrir a verdade, Milly tenta domesticar os rústicos irmãos, até incentivá-los a arrumarem esposas, nem que tenham de sequestrar garotas. 

Dois anos após comandar o clássico “Cantando na Chuva” em parceira com Gene Kelly, o diretor Stanley Donen utilizou seu talento para criar este western musical inusitado, com coreografia do grande Michael Kidd. As sequências musicas estão entre as melhores do cinema, misturando história de amor e comédia na medida certa. 

Como curiosidade, o jovem Russ Tamblyn seria um dos protagonistas de outra musical sensacional, o clássico “Amor, Sublime Amor”.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Colateral

Colateral (Collateral, EUA, 2004) – Nota 7,5
Direção – Michael Mann
Elenco – Tom Cruise, Jamie Foxx, Jada Pinkett Smith, Mark Ruffalo, Peter Berg, Bruce McGill, Irma P. Hall, Barry Shabaka Henley, Richard T. Jones, Klea Scott, Javier Bardem, Debi Mazar.

O motorista de táxi Max (Jamie Foxx) sonha em conseguir dinheiro para montar um pequeno negócio, por isso encara todo tipo de passageiro pela noite de Los Angeles. Quando o acaso faz com que Vincent (Tom Cruise) entre em seu carro, Max não imagina como sua vida irá mudar naquela noite. Parecendo um executivo, Vincent contrata Max para levá-lo a cinco locais diferentes, porém o pobre taxista não imagina que o sujeito é um assassino profissional que precisa eliminar algumas pessoas durante poucas horas. 

A qualidade técnica dos trabalhos de Michael Mann é sempre fantástica e aqui não é diferente. Ele capta com perfeição uma Los Angeles enorme e fria, bem diferente da cidade dos sonhos que na maioria das vezes é mostrada pelos filmes de Hollywood. 

A premissa também é ótima, resultando numa primeira hora de filme muito boa, que apresenta os personagens e logo cria um embate entre o sonhador Max, um sujeito que ainda acredita na bondade e o gelado Vincent, que vê o ser humano como descartável. Esta diferença de personalidades gera ótimos diálogos, inclusive alguns que chegam a ser filosóficos. A parte final do longa já segue o estilo comum ao gênero, perdendo um pouco da originalidade inicial. 

No geral é um drama policial acima da média, que tem ainda ótimas interpretações de Jamie Foxx e Tom Cruise.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Argo

Argo (Argo, EUA, 2012) – Nota 8,5
Direção – Ben Affleck
Elenco – Ben Affleck, Bryan Cranston, Alan Arkin, John Goodman, Victor Garber, Tate Donovan, Clea DuVall, Scoot McNairy, Rory Cochrane, Christopher Denham, Kerry Bishé, Kyle Chandler, Chris Messina, Zeljko Ivanek, Titus Welliver, Bob Gunton, Philip Baker Hall, Keith Szarabajka, Richard Kind, Richard Dillane.

Em 1979, o Irá estava à beira de uma guerra civil. O país tinha como líder o xá Reza Pahlevi, um ditador que estava no poder desde 1941 e que apenas em 1953 saiu do Irá após perder eleições para Mohammad Mosaddeq, mas logo retornou com apoio americano e derrubou Mosaddeq, dando continuidade a seu governo de terror. Na época, Pahlevi está muito doente, situação que ajudou a crescer uma revolução popular comandada à distância pelo Aiatolá Khomeini que vivia exilado na França. 

Neste contexto, no final de 1979, os revolucionários invadiram a embaixada americana tomando os funcionários como reféns, porém seis americanos conseguiram fugir e se esconder na casa do embaixador canadense (Victor Garber). O governo americano precisava tentar retirar estas seis pessoas antes que os revolucionários descobrissem que elas haviam fugido, porém não sabiam como fazer. 

Em meio a várias teorias, surge o agente da CIA Tony Mendez (Ben Affleck) que após ver na tv um dos filmes da série “O Planeta dos Macacos”, sugere que o governo financie uma falsa produção de um filme canadense e que ele vá até o Irã como sendo chefe de uma equipe de filmagens para resgatar os americanos. 

Para o negócio dar certo, Mendez pede ajuda a seu amigo, o maquiador John Chambers (John Goodman) vencedor do Oscar pelo clássico “O Planeta dos Macacos”, que aceita e ainda convence um velho produtor (Alan Arkin) a participar do esquema. 

Por mais absurda que pareça, esta história é verdadeira e com exceção do personagem de Arkin, todos os outros participaram da ação que ficou em segredo por quase vinte anos, vindo a público apenas no final dos anos noventa quando o então presidente Bill Clinton liberou os documentos. 

Depois dos ótimos “Medo da Verdade” e “Atração Perigosa”, Ben Affleck confirma seu talento na direção ao comandar uma trama que em alguns momentos pode parecer engraçada, mas que segue numa crescente de tensão até a sequência final no aeroporto, que prende o espectador na cadeira e até lembra (mesmo com conteúdo bem diferente), a assustadora sequência em que o personagem de Brad Davis é preso pelo polícia turca no aeroporto em “O Expresso da Meia-Noite”. 

A ótima montagem e a trilha sonora valorizam ainda mais a narrativa, além da ótima reconstituição das cenas reais que são comparadas com fotos nos créditos finais. 

A mão de Affleck estava tão boa que até mesmo sua interpretação convence, onde vale destacar ainda o ótimo Bryan Cranston (da série “Breaking Bad”) como seu chefe e os veteranos Alan Arkin e John Goodman que fazem o contraponto mais leve na trama. 

O resultado é um belo longa que mistura drama político com suspense de modo exemplar.     
      

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Chattahoochee & Spider


Chattahoochee (Chattahooche, EUA, 1989) – Nota 6
Direção – Mick Jackson
Elenco – Gary Oldman, Dennis Hopper, Frances McDormand, Pamela Reed, Matt Craven, M. Emmet Walsh, Ned Beatty, Richard Portnow.

Em 1955, Emmett Foley (Gary Oldman) é um veterano da Guerra da Coréia que ao voltar para casa sofre de trauma profundo. Ele provoca um incidente com o intuito de ser morto pela polícia, mas não consegue, mesmo tentando o suicídio em seguida. Ao se recuperar, ele é internado numa hospital psiquiátrico no condado de Chattahooche na Flórida, onde precisar enfrentar os maus tratos cometidos por médicos e enfermeiras, que transformam o local num inferno tão horroroso quanto a guerra. 

O roteirista James Hicks se baseou na história de um sujeito chamado Chris Calhoun, que passou por situação semelhante ao do personagem de Oldman e seu depoimento fez com que ocorressem várias mudanças na forma de tratamento de pacientes psiquiátricos na Flórida. 

O filme tem como ponto principal a interpretação de Oldman, que cria um sujeito sofrido e traumatizado que ainda busca forças para tentar mudar seu destino. Vale destacar também Dennis Hopper como outro paciente, personagem em que ele não deve ter tido problemas para interpretar, já que era um maluco na vida real. 

O filme em si é pesado e um pouco lento, perdendo ainda pontos ao ser comparado com o semelhante “Um Estranho no Ninho”, clássico de Milos Forman.

Spider (Spider, Canadá, 2002) – Nota 6,5
Direção – David Cronenberg
Elenco – Ralph Fiennes, Miranda Richardson, Gabriel Byrne, Lynn Redgrave, John Neville, Bradley Hall, Gary Reineke.

Durante muitos anos, Spider (Ralph Fiennes) viveu num hospital psiquiátrico, até que recebe alta e volta para o bairro em Londres onde viveu quando criança. Estranho e solitário, o local faz com que ele comece a relembrar sua infância e acreditar que seu pai (Gabriel Byrne) assassinou a mãe (Miranda Richardson) e depois trouxe uma prostituta para viver em sua casa (também Miranda Richardson). 

O diretor David Cronenberg novamente apresenta uma história pesada e no mínimo esquisita, tendo como personagem principal um sujeito perturbado que vive no seu próprio mundo de fantasia. Ralph Fiennes encarna bem o personagem atormentado e consegue segurar este estranho e curioso filme.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Inversão

Inversão (Brasil, 2010) – Nota 5,5
Direção – Edu Felistoque
Elenco – Alexandre Barillari, Giselle Itié, Rodrigo Brassoloto, Tadeu di Pietro, Rubens Caribé, Wander Wildner, Marisol Ribeiro, Francisco Carvalho, Eduardo Silva.

Dividido em duas narrativas, este longa peca pelo exagerado visual, contém um excesso de cortes, várias tomadas desfocadas e as imagens invertidas, que na mente do diretor servem para confirmar a inversão de valores que o roteiro tenta mostrar. 

A trama se passa em 2006, quando o Estado de São Paulo sofria com os ataques de uma organização criminosa e no embalo da crise, um grupo planeja o sequestro de um empresário, porém a ação dá errado, os criminosos tentam mudar o local do cativeiro e acabam perdidos no meio da floresta após um acidente com um pequeno avião. Em paralelo, o caso é entregue para uma delegada novata (a fraca atriz Marisol Ribeiro), que recebe ajuda de uma dupla de policiais malandros (Rodrigo Brassoloto e o roqueiro Wander Wildner). 

O roteiro não apresenta surpresas, mas apenas isso não seria problema caso o diretor optasse por uma narrativa mais simples. Sua escolha em querer dar uma cara moderna ao filme atrapalha bastante o resultado. O elenco também não é dos melhores, com destaque apenas para o corpo de Giselle Itié, já que os demais personagens são no mínimo canastrões.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Filmes Antigos - Tema Segunda Guerra Mundial

O Expresso de Von Ryan (Von Ryan’s Express, EUA, 1965) – Nota 7
Direção – Mark Robson
Elenco – Frank Sinatra, Trevor Howard, Sergio Fantoni, Brad Dexter, Adolfo Celi, Raffaella Carrá, Edward Mulhare, James Brolin.

Duranta a Segunda Guerra, num momento em que o exército alemão já mostrava fraqueza, o Coronel Joseph L. Ryan (Frank Sinatra) tem seu caça abatido atrás das linhas inimigas e se torna prisioneiro em um campo de concentração. No local, o Coronel ganha o apelido de Von Ryan, o que a princípio o irrita, mas aos poucos percebe que pode unir os soldados aliados para tentar uma fuga. Junto com o oficial inglês Eric Fincham (Trevor Howard), Ryan planeja utilizar um trem que passa próximo ao campo para escapar. 

Seguindo o estilo do clássico “Fugindo do Inferno” de John Sturges, o diretor canadense Mark Robson com menos recursos e tendo apenas com Sinatra como astro, apoiado pelo inglês Trevor Howard, cria um bom filme sobre fuga, que diverte sem maiores pretensões.

A Batalha de Anzio (Lo Sbarco di Anzio, EUA / França / Espanha / Itália, 1968) – Nota 7,5
Direção – Edward Dmytryk
Elenco – Robert Mitchum, Peter Falk, Earl Holliman, Reni Santoni, Mark Damon, Arhur Kennedy, Giancarlo Giannini, Patrick Magee, Robert Ryan.

Quando os aliados desembarcam em Anzio na Itália, o objetivo principal seria avançar para atacar os nazistas, porém um General (Arthur Kennedy) decide construir uma espécie de fortaleza no local para se defender dos nazistas. Sua ideia não é bem aceita por um Capitão (Peter Falk) e também por um correspondente de guerra (Robert Mitchum), que acreditam que a decisão fará com os soldados sejam cercados pelos nazistas, fato que ocorre e transforma a região num sangrento palco de batalha. 

Baseado numa história real, o filme se sustenta pelas ótimas cenas de ação e pelo elenco recheado de bons atores como Mitchum, Fak, Kennedy e o veterano Robert Ryan. Como curiosidade, por ser um produção multinacional, grande parte do elenco de apoio é formado por atores italianos. 

A Defesa do Castelo (Castle Keep, EUA, 1969) – Nota 7
Direção – Sydney Pollack
Elenco – Burt Lancaster, Peter Falk, Patrick O’Neal, Jean Pierre Aumont, Astrid Hereen, Tony Bill, Bruce Dern, Scott Wilson, Michael Conrad, James Patterson.

Na região da Antuérpia, durante a Segunda Guerra Mundial, um esquadrão de soldados americanos liderados pelor major Abraham Falconer (Burt Lancaster usando um tapa-olho) se refugia no castelo de um rico conde (Jean Pierre Aumont), que basicamente dá abrigo em troca de segurança para ele, sua esposa (Astrid Hereen) e sua valiosa coleção de obras de arte. Os americanos passam a defender o castelo do ataque de soldados nazistas que estão saqueando toda a região. 

É um longa eficiente, com algumas boas cenas de ação e uma trama diferente dos filmes comuns sobre a Segunda Guerra. As curiosidades são o roteiro que tenta criar um triângulo amoroso entre Major, Conde e sua esposa e principalmente ter na direção Sydney Pollack, especialista em dramas, aqui comandando seu único longa com o tema guerra.

A Fuga dos Homens Pássaros (The Birdmen, EUA, 1971) – Nota 7
Direção – Philip Leacock
Elenco – Doug McClure, Rene Auberjonois, Richard Basehart, Chuck Connors, Max Baer Jr, Tom Skerritt, Paul Koslo, Don Knight.

O Coronel Morgan Crawford (Chuck Connors) é enviado para resgatar um cientista (Rene Auberjonois) prisioneiro dos nazistas. Ele consegue resgatar o homem, porém em seguida os dois são capturados por outra patrulha alemã. Como o cientista conhece segredos dos aliados, ele esconde sua identidade dos nazistas. A dupla é levada para um castelo que fica à beira de uma montanha nos Alpes Suiços, onde nem mesmo os outros prisioneiros conhecem a verdade identidade do cientista. Como o local é difícil acesso, a única forma de escapar é voando, o que outro prisioneiro, o Major Harry Cook (Doug McClure) planeja fazer ao construir um planador improvisado. O fato desagrada ao Coronel Crawford, causando um conflito entre os dois oficiais que estão presos. 

Esta produção feita para a tv é um dos clássicos da extinta Sessão da Dez do SBT, porém o fato não diminui o interesse na trama bem contada e no curioso plano de fuga, ponto principal da história. Como curiosidade, Doug McClure e Chuck Connors eram astros da tv americana, McClure foi co-protagonista da série “O Homem da Virginia” ao lado de James Drury por nove temporadas nos anos sessenta e Connors estrelou “O Homem do Rifle” entre 1958 e 1963. Além disso, Richard Basehart que interpreta aqui o oficial nazista, era famoso pela série “Viagem ao Fundo do Mar”.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Quando Chega a Escuridão

Quando Chega a Escuridão (Near Dark, EUA, 1987) – Nota 7
Direção – Kathryn Bigelow
Elenco – Adrian Pasdar, Jenny Wright, Lance Henriksen, Bill Paxton, Jenette Goldstein, Tim Thomerson, Joshua Miller, Marcie Leeds.

Numa pequena cidade do meio-oeste americano, o jovem Caleb (Adrian Pasdar) flerta com a desconhecida Mae (Jenny Wright), sem saber que a garota é uma vampira. Mae morde Caleb, que começa a passar a mal e se vê obrigado a participar de uma gangue de vampiros com quem Mae vive. O líder da gangue é Jesse (Lance Henriksen), que tem ainda o violento Severen (Bill Paxton), Diamondback (Jenette Goldstein) e o garoto Homer (Joshua Miller). Caleb passa a se alimentar do sangue de Mae, já que não tem coragem de matar, situação que faz com seus “colegas de viagem” o pressionem para que ele se torne um assassino. Ao mesmo tempo, o pai de Caleb, o veterinário Loy (Tim Thomerson) sai pelas estradas à procura do filho. 

Este foi o primeiro trabalho de Kathryn Bigelow (Oscar por “Guerra ao Terror”) que chamou atenção do público e se torno um pequeno cult, mesmo com vários defeitos. Os acertos são a narrativa que lembra o estilo de um western misturado com terror sangrento ao estilo dos anos oitenta, além do clima estranho pontuado pela ótima trilha sonora do conjunto de música eletrônica Tangerine Dream.  

O longa peca um pouco pelo exagero nas interpretações, apesar de parecer algo planejado e pelas soluções um pouco forçadas na parte final. Vale destacar a sequência em que os vampiros invadem um bar, que rapidamente lembra o posterior “Um Drink no Inferno”. 

Apesar de ter chamado a atenção do púbico que gosta de terror, o filme não chegou a fazer sucesso por ter sido ofuscado pelo ótimo “Os Garotos Perdidos“ de Joel Schumacher, que apresentava uma trama semelhante e ainda tinha uma melhor produção, um elenco carismático e inseria pitadas de comédia na medida certa. 

Uma curiosidade sobre “Quando Chega a Escuridão” está no elenco, que trazia Lance Henriksen, Bill Paxton e Jenette Goldstein, o mesmo trio que trabalhou com James Cameron no ano anterior em “Aliens – O Resgate”. Henriksen e Paxton também tiveram pequenos papéis no primeiro “O Exterminador do Futuro”. Para completar, Cameron que na época era casado com a produtora Gale Anne Hurd, logo se separou e em 1989 se casou com Kathryn Bigelow, com quem viveu por dois anos até trocá-la por Linda Hamilton.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Nem Trens Nem Aviões & Fama Para Todos


Nem Trens Nem Aviões (No Trains No Planes , Holanda / Bélgica, 1999) – Nota 7
Direção – Jos Stelling
Elenco – Dirk van Dijck, Ellen Ten Damme, Herni Garcin, Kees Prins, Gene Bervoets, Peer Mascini, Katja Schuurman.

Em um bar na Holanda, vários personagens interagem durante um dia tendo ao centro o estranho Gerard (Dirk van Dijck), que diz estar se preparando para viajar para Itália e assim resolve deixar um presente para cada amigo do bar. A atenção maior de Gerard está na prostituta Paula (Ellen Ten Damme), que por outro lado fica interessada apenas quando descobre que Gerard é irmão de um famoso cantor brega (Gene Bervoets), com quem ele não conversa há anos. 

O dono do bar é o mal humorado Jacques (Henri Garcin) que precisa cuidar da filha rebelde e tem como clientes um casal entediado que apenas bisbilhota a vida alheia, uma sujeito pervertido que canta todas as mulheres, o garçom idoso e atrapalhado, além de um alemão picareta metido a galã. 

O diretor holandês Jos Stelling se tornou queridinho da crítica em meados dos anos oitenta ao comandar dois trabalhos considerados cults, “O Ilusionista” e “O Homem da Linha”, porém estranhamente ficou dez anos sem dirigir até fazer “O Holandês Voador” em 1995 e ser recebido com críticas ruins. Ainda não tive oportunidade de ver estes trabalhos para ter uma opinião. 

Este “Nem Trens Nem Aviões” começa dando a impressão de ser uma comédia maluca, utilizando na engraçada sequência inicial a clássica música “It’s a Heartache” na voz de Bonnie Tyler, grande sucesso nos anos oitenta, porém o desenrolar da trama mistura toques dramáticos com algumas sequências engraçadas e tristes ao mesmo tempo, chegando a um final bem diferente do que se esperava no início do longa. 

É no mínimo um filme diferente indicado para o cinéfilo curioso.

Fama Para Todos (Iedereen Beroemd!, Bélgica / Holanda / França, 2000) – Nota 7
Direção – Dominique Deruddere
Elenco – Josse de Pauw, Eva Van Der Gucht, Werner de Smedt, Thekla Reuten, Victor Low.

Jean (Josse de Pauw) é um compositor frustrado que tenta realizar o sonho de ser famoso através da jovem filha Marva (Eva Van Der Gucht). Mesmo a filha não levando jeito para cantar e sendo olhada com preconceito por ser gordinha, Jan a leva para vários programas de calouros onde a garota fracassa. Desesperado pelo sonho, Jean decide sequestrar Debbie (Thekla Reuten), a cantora jovem mais famosa do país, para pedir como resgate que sua filha cante na tv

Esta pequena produção mistura drama e comédia num roteiro que parece absurdo, mas que no fundo faz uma crítica ao desejo de sucesso a qualquer preço dos dias atuais, onde muitos acreditam que a felicidade é ser famoso, esquecendo que a vida oferece muito mais. 

O longa fez algum sucesso e chegou a concorrer ao Oscar de Filme Estrangeiro representando a Bélgica.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sete Psicopatas e um Shih Tzu

Sete Psicopatas e um Shih Tzu (Seven Psicopaths, Inglaterra, 2012) – Nota 7,5
Direção – Martin McDonagh
Elenco – Colin Farrell, Sam Rockwell, Christopher Walken, Woody Harrelson, Tom Waits, Zeljko Ivanek, Abbie Cornish, Olga Kurylenko, Linda Bright Clay, Brendan Sexton III, Kevin Corrigan, Long Nguyen, Harry Dean Stanton, Michael Pitt, Michael Stuhlbarg, Gabourey Sidibe.

O inglês Martin McDonagh estreou na direção com o divertido “Na Mira do Chefe”, que misturava história policial, violência, comédia e um filme sendo rodado dentro do filme. Nesta nova produção ele transporta a ação de Bruges na Bégica para Los Angeles e aumenta a dose de violência e absurdos. 

O personagem principal é o roteirista Marty (Colin Farrell), um irlandês alcoólatra que precisa escrever um filme sobre assassinos (Os Sete Psicopatas do título), mas ao mesmo tempo deseja criar uma história com alguma mensagem. Seu melhor amigo é o ator desempregado Billy (Sam Rockwell), que decide ajudá-lo de uma forma inusitada, colocando um anúncio no jornal procurando psicopatas para contarem suas histórias. O maluco Billy vive de sequestrar cães e devolver para os donos em troca de recompensa. Neste “serviço”, ele conta com a ajuda de Hans (Christopher Walken), que usa o dinheiro para pagar o tratamento da esposa doente. A situação fica ainda mais louca quando Billy sequestra o Shih Tzu do bandido Charlie (Woody Harrelson), um psicopata que é apaixonado pelo cão de estimação. 

Assim como em “Na Mira do Chefe”, o roteiro de McDonagh utiliza a metalinguagem ao misturar o desenvolvimento do roteiro de Billy com os psicopatas que surgem no filme, criando algumas sequências que beiram o nonsense. É o tipo de filme em que o espectador deve entrar no clima proposto pelo diretor e aceitar os personagens estranhos e marcantes que lembram os trabalhos de Guy Ritchie. 

Por sinal, um dos grandes destaques é o elenco. Reunir especialistas em personagens estranhos como Sam Rockwell, Christopher Walken, Woody Harrelson e o hilário cantor Tom Waits como um psicopata que carrega um coelho e procura a mulher amada já valem a sessão. 

Vale destacar ainda o sinistro diálogo entre dois assassinos interpretados por Michael Pitt e Michael Stuhlbarg (atores da série “Boardwalk Empire”) na curiosa e violenta sequência inicial.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

007 Somente Para Seus Olhos

007 Somente Para Seus Olhos (For Your Eyes Only, Inglaterra, 1981) – Nota 7
Direção - John Glen
Elenco – Roger Moore, Carole Bouquet, Topol, Lynn Holly Johnson, Julian Glover, Cassandra Harris, Lois Maxwell, Desmond Llewellyn.

Após um aparente acidente no mar, um sistema de comunicação para lançamento de mísseis é danificado. O governo britânico envia um oceanógrafo que acaba assassinado, mas sua filha Melina (Carole Bouquet) sobrevive. O assassino roubou o artefato e fugiu. James Bond (Roger Moore) é chamado para investigar o caso e chega até a Espanha onde estaria o ladrão. No local, Bond encontra Melina que deseja vingar a morte do pai. As pistas levarão Bond até a Itália, onde cruzará com um contrabandista (Topol) e um empresário grego (Julian Glover) que podem estar envolvidos com o crime. 

Este foi o quinto filme de Roger Moore como Bond e faz parte da fase em que os longas da série recebiam as piores críticas, pois mesmo com tramas complexas, a narrativa misturava piadinhas cínicas com cenas ação as vezes exageradas. Mesmo com os defeitos apontados pela crítica, o filme agrada aos fãs de Moore como Bond. 

A clássica cena de abertura desta vez relembra o filme “A Serviço Secreto de Sua Majestade”, o único protagonizado por George Lazenby. O filme começa com James Bond visitando o túmulo de sua esposa que fora assassinada naquele filme e em seguida acaba sendo atacado por Blofeld, um dos seus inimigos mais famosos. 

Como informação, a atriz Cassandra Harris que faz aqui uma Bond Girl, foi casada com Pierce Brosnan, futuro 007 e faleceu jovem no início dos anos noventa.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Anjos da Noite & Anjos da Noite: A Evolução


Anjos da Noite (Underworld, Alemanha / Inglaterra / EUA / Hungria, 2003) – Nota 7,5
Direção – Len Wiseman
Elenco – Kate Beckinsale, Scott Speedman, Michael Sheen, Shane Brolly, Bill Nighy, Sophia Miles, Robbie Gee, Wentworth Miller.

A vampira Selene (Kate Beckinsale) pertence a um grupo que caça lobisomens (no filme chamados de Lycans). Durante um confronto, Selene percebe que os lobisomens estão perseguindo um humano (Scott Speedman), fato estranho, já que o interesse dos lobisomens em humanos seriam apenas como alimentação. Selene se aproxima do jovem que chama Michael Corvin e aos poucos descobre que existe um segredo milenar por trás das atitudes dos lobisomens. Para complicar ainda mais, Michael foi mordido por um lobisomem e pode se transformar a qualquer momento. 

Misturando as cenas de ação ao estilo “Matrix” com o universo de “Blade”, o diretor Len Wiseman cria um divertido e agitado longa de ficção que utiliza ainda personagens clássicos do cinema como vampiros e lobisomens com uma roupagem moderna. O roteiro tem furos e algumas atuações são exageradas, mas é superior em comparação aos filmes atuais do gênero. O destaque do elenco é a pequena mais importante participação do veterano Bil Nighy com o soturno vampiro Viktor.

Como curiosidade, na época a atriz Kate Beckinsale vivia com o ator Michael Sheen e durante a produção do filme o trocou pelo diretor Len Wiseman. 

Anjos da Noite: A Evolução (Underworld: Evolution, EUA, 2006) – Nota 7
Direção – Len Wiseman
Elenco – Kate Beckinsale, Scott Speedman, Tony Curran, Shane Brolly, Derek Jacob, Bill Nighy, Steven Mackintosh.

Selene (Kate Beckinsale) está procurando Marcus (Tony Curran), o rei dos vampiros que foi acordado após hibernar por séculos, porém Marcus e Viktor (Bill Nighy) desejam matar Selene. Ao mesmo, Michael Corvin (Scott Speedman) deseja ajudar Selene, por quem está apaixonado, mas ela não confia no rapaz em virtude dele ser híbrido, sendo metade lobisomem. 

Esta sequência novamente apresenta um roteiro com furos e alguma novidade ao mostrar um pouco do início da rivalidade entre vampiros e lobisomens. Estas falhas no roteiro são compensadas pelo ritmo frenético e as ótimas cenas de ação. No elenco vale destacar novamente Kate Beckinsale, por sua beleza e por se mostrar a vontade no papel da heroína e o sempre competente Bill Nighy como o vampiro Viktor. 

O filme tem outras duas sequências que ainda não conferi: A parte três “A Rebelião” e quatro “Despertar”. 

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Safety Not Guaranteed

Safety Not Guaranteed (Safety Not Guaranteed, EUA, 2012) – Nota 7,5
Direção – Colin Trevorrow
Elenco – Aubrey Plaza, Mark Duplass, Jake Johnson, Karan Soni, Jenice Bergere, Kristen Bell, Jeff Garlin, Mary Lynn Rajskub.

Corre na internet uma história sobre um jornalista que teria publicado em 1997 como piada e uma espécie de pesquisa maluca, um anúncio dizendo que procurava um parceiro para uma viagem no tempo. Dizem que até hoje o sujeito recebe correspondências sobre o assunto na caixa postal que ele divulgou no anúncio. Partindo desta história, o desconhecido roteirista Derek Connolly escreveu o roteiro deste simpático longa, que a princípio pode parecer uma comédia idiota, mas que no desenrolar da trama se revela uma história bem mais profunda do que aparenta. 

A protagonista da trama é a jovem Darius (Aubrey Plaza de “Tá Rindo do Que?”), uma tímida estagiária que trabalha numa revista e acaba se interessando em participar de uma matéria sobre o tal anúncio que fica a cargo do jornalista Jeff (Jake Johnson), um sujeito cínico e mulherengo que na verdade pretende encontrar um velho amor da época de colégio que mora na cidade onde foi postado o anúncio da viagem no tempo. Junto com a dupla segue o estagiário Arnau (Karan Soni), um nerd de origem indiana que tem grande dificuldade em se comunicar. 

Chegando no local, eles descobrem que o homem do anúncio é Kenneth (Mark Duplass), um sujeito paranóico que trabalha num supermercado. Logo, Darius se aproxima de Kenneth para ganhar sua confiança e acaba criando um forte ligação com ele, descobrindo que os dois tem várias coisas em comum. 

O bom roteiro é valorizado pelo elenco, a jovem Aubrey Plaza acerta no tom da personagem que é ao mesmo tempo triste, tímida e sincera, criando um tipo de humor diferente, que em alguns momentos lembra a “Juno” de Ellen Page do filme homônimo. O desconhecido Mark Duplass está bem como o sujeito meio maluco e Jake Johnson como o cínico que no fundo procura o amor. 

Esta produção é mais um exemplo de como o cinema independente é importante no cenário atual e muito mais original que a maioria das grandes produções.    

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Bombas - Atores Famosos, Filmes Ruins - Parte III

Os quatro filmes que comento aqui além de serem ruins, são obras praticamente esquecidas. Cada um destes filmes podem ser considerados um grande erro na carreira dos envolvidos.

Diabolique (Diabolique, EUA, 1996) – Nota 5
Direção – Jeremiah Chechik
Elenco – Sharon Stone, Isabelle Adjani, Chazz Palminteri, Kathy Bates, Spalding Gray, Allen Garfield, Adam Hann Byrd, Donal Logue.

Numa escola no interior dos Estados Undidos, o diretor Guy Baran (Chaz Palminteri) é casado com Mia (Isabelle Adjani), a quem humilha sem piedade na frente de outras pessoas. Para piorar, Guy tem um caso com uma professora da escola, Nicole (Sharon Stone), que também não está feliz com o modo como é tratada pelo amante. Por incrível que pareça, esposa e amante se unem para matar o sujeito. Uma investigadora (Kathy Bates) é designada para investigar o caso, que começa a ficar ainda mais estranho quando o corpo da vítima desaparece. 

Este longa é uma refilmagem do clássico francês “As Diabólicas” de Henry George Clouzot, filme que ainda não assisti. Mesmo sem ter como comparar, fica claro a fragilidade desta versão, muito pelo roteiro e a fraca direção, que entrega uma narrativa frouxa com sequências de suspense previsível, além da péssima interpretação da bela Isabelle Adjani, que passa o filme inteiro com expressão de assustada. Mesmo com Sharon Stone no auge da beleza e as presenças de competentes coadjuvantes como Chazz Palminteri e Kathy Bathes, o longa não se sustenta.

Momento do Destino (A Time of Destiny, EUA, 1988) – Nota 5
Direção – Gregory Nava
Elenco – William Hurt, Timothy Hutton, Melissa Leo, Francisco Rabal, Concha Hidalgo, Megan Follows, Frederick Coffin, Stockard Channing.

O jovem Jack (Timothy Hutton) namora Josie (Melissa Leo), filha de imigrantes bascos que não aceitam o rapaz. Quando ele é convocado para lutar na Segunda Guerra, Josie o procura para se despedir e acaba perseguida pelo pai (Francisco Rabal) que morre em um acidente. Inconformado com a morte do pai, Martin (William Hurt), o irmão de Josie, planeja como vingança matar o cunhado nos campos de batalha da Itália. 

Este dramalhão dirigido por Gregory Nava (“Selena”) é inspirado numa ópera de Verdi, porém se perde no roteiro ralo e nas fracas interpretações, até mesmo de bons atores como Wiliam Hurt e Timothy Hutton. O resultado foi um merecido fracasso. 

O 4º Anjo (The Fourth Angel, Inglaterra / Canadá, 2001) – Nota 5
Direção – John Irvin
Elenco – Jeremy Irons, Forest Whitaker, Charlotte Rampling, Jason Priestley, Brionny Glassco, Lois Maxwell, Ian McNeice.

O jornalista Jack Elgin (Jeremy Irons) trabalha demais e até mesmo as férias são planejadas de acordo com sua vida profissional. Ele decide passar as férias na Índia com as esposa e os três filhos (duas garotas e um menino) para passear e também trabalhar em um matéria para seu jornal. Uma inesperada situação ocorre quando o avião em que eles viajam é sequestrado e sua esposa e as duas filhas acabam assassinadas. Jack fica revoltado quando dois dos terroristas são soltos por uma manobra política e assim decide fazer justiça com as próprias mãos. 

Não existe bom ator que salve um longa com roteiro ruim nas mãos de diretor sem talento. Jeremy Irons e Forest Whitaker até tentam passar credibilidade a história, que a partir da metade se transforma num filme de espionagem sobre vingança apresentando uma trama totalmente inverossímil, chegando até uma absurda sequência final. 

A única curiosidade é ver a falecida atriz Lois Maxwell em um papel diferente da Miss Moneypenny que tantas vezes interpretou nos filmes de 007. 

Trauma (Trauma, Inglaterra, 2004) – Nota 5,5
Direção – Marc Evans
Elenco – Colin Firth, Mena Suvari, Naomie Harris, Kenneth Cranham, Tommy Flanagan, Brenda Fricker.

Numa noite chuvosa, Ben (Colin Firth) sofre um acidente de automóvel onde morre sua esposa Elisa (Naomie Harris). Ao acordar do coma após o acidente, Ben tenta se recuperar do trauma, primeiro procurando o psiquiatra que o atendia quando criança após ele perder os pais, depois mudando de apartamento e ainda procurando o velho amigo Tommy (Tommy Flanagan) para trabalhar. Extremamente abalado, ele começa a ter visões da esposa morta e após fazer amizade com uma vizinha (Mena Suvari) e visitar uma vidente (Brenda Fricker), tudo fica ainda mais complicado, pois ele passa a acreditar que possa ter assassinado uma famosa cantora que foi encontrada morta no mesmo dia do seu acidente e com quem sua esposa trabalhava. 

O longa tem um roteiro que tenta surpreender o espectador mostrando aos poucos o que realmente aconteceu naquele dia, porém a história é confusa, com pelo menos duas reviravoltas forçadas. Além disso, as cenas de alucinação do personagem de Colin Firth não convencem. 

A história do sujeito sem memória que pode ser um assassino, já foi contada de forma bem melhor em outras oportunidades.