quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Os Infratores

Os Infratores (Lawless, EUA, 2012) – Nota 7,5
Direção – John Hillcoat
Elenco – Shia LaBeouf, Tom Hardy, Jason Clark, Gary Oldman, Guy Pearce, Jessica Chastain, Mia Wasikowska, Dane DeHaan.

Em 1931, na comunidade rural de Franklyn na Virginia, os irmãos Bondurant vivem da fabricação de bebida ilegal e carregam a lenda de serem imortais. O mais velho é o calado Forrest (Tom Hardy), um veterano da 1º Guerra Mundial que foi o único sobrevivente de seu batalhão. O irmão do meio é o esquentado Howard (Jason Clark), que sobreviveu à Gripe Espanhola e o caçula é Jack (Shia LaBeouf), que é o protegido dos irmãos. Quando um promotor corrupto envia o agente Charlie Rakes (Guy Pearce) para cobrar um taxa de todos os fabricantes de bebida, os irmãos Bondurant se negam a pagar a extorsão, fato que dá início a uma violenta disputa ente eles. 

Baseado numa curiosa história real que ficou famosa em virtude da lenda sobre a imortalidade dos irmãos, o longa do diretor australiano John Hillcoat (“A Estrada”) foca principalmente na violência, com cenas fortes de espancamentos, brigas, tiroteiros e mortes. O diretor segue o estilo dos filmes de gângster, com um resultado que lembra os trabalhos de Howard Hawks, lógico que sem o mesmo talento do mestre e com uma violência mais explícita. 

Um ponto interessante é que o roteiro foi escrito pelo roqueiro australiano Nick Cave, parceiro do diretor em outros dois filmes. O elenco é irregular, com Shia LaBeouf dando conta do recado e o veterano Gary Oldman bem num pequeno papel, enquanto Tom Hardy parece preso a um personagem duro demais e Guy Pearce criando um vilão afetado e exagerado. Estes pequenos detalhe não diminuem a qualidade deste bom filme.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A Caixa

A Caixa (The Box, EUA, 2005) – Nota 5,5
Direção – Richard Kelly
Elenco – Cameron Diaz, James Marsden, Frank Langella, James Rebhorn, Holmes Osborne, Sam Oz Stone, Celia Weston.

Virginia, 1976, o casal Norma (Cameron Diaz) e Arthur (James Marsden) vive com o filho pré-adolescente Walter (Sam Oz Scott) em uma casa no subúrbio. Norma é uma corretora de imóveis e Arthur trabalha como cientista na Nasa, tendo a esperança de ser aprovado para se tornar astronauta. 

Num certo dia, alguém deixa um pacote na porta do casal e desaparece. Norma abre o pacote e descobre uma estranha caixa e um bilhete dizendo que alguém virá visitá-los no dia seguinte em determinado horário. No horário marcado, Norma recebe um sujeito com o rosto deformado que se apresenta como Arlington Steward (Frank Langella) que faz uma estranha proposta: A caixa tem um botão que ser for apertado alguém morrerá e quem apertar o botão receberá um milhão de dólares em dinheiro. O sujeito mostra o dinheiro e diz que a Norma terá um dia para decidir o que fazer. Se ela desistir, ele fará a proposta para outra pessoa. A cabeça de Norma entra em parafuso, enquanto o marido Arthur pensa que aquilo deve ser um trote de amigos. 

Esta instigante premissa é baseada num conto de Richard Matheson, escritor conhecido por histórias de terror, ficção e suspense e colaborador do antigo seriado “Além da Imaginação”, que por sinal já utilizou este conto em um episódio da série nos anos oitenta. 

Se o início deixa o espectador curioso, o desenrolar da trama decepciona. O que aparentava ser um suspense misturado com conspiração, se torna uma trama fria e pretensiosa, que mistura frases de efeito (Sartre é citado), filosofia barata e sequências sem explicação, até um final forte, mas ao mesmo tempo exagerado. 

O diretor Richard Kelly parece que não consegue se livrar das amarras do sensacional “Donnie Darko”, que ao invés de partir para projetos com estilo diferente, deixa a impressão de que deseja sempre criar algo cult e filosófico. Kelly errou feio no péssimo “Southland Tales” e aqui mesmo conseguindo um resultado melhor, ainda fica longe de comprovar o talento que parecia ter. 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Um Barco e Nove Destinos

Um Barco e Nove Destinos (Lifeboat, EUA, 1944) – Nota 8
Direção – Alfred Hitchcock
Elenco – Tallulah Bankhead, William Bendix, Walter Slezak, John Hodiak, Mary Anderson, Henry Hull, Hume Cronyn, Canada Lee, Heather Angel.

Durante a Segunda Guerra Mundial, um navio de passageiros é atacado por um submarino alemão e os poucos sobreviventes ficam a deriva em um barco. 

Entre os sobreviventes estão um cínica jornalista (Tallulah Bankhead), um milionário (Henry Hull), quatro tripulantes do navio (William Bendix, John Hodiak, Hume Cronyn e Canada Lee), uma enfermeira (Mary Anderson) e uma mãe (Heather Angel) com um bebê. Este grupo heterogêneo de pessoas terá de lidar ainda com a presença do capitão do submarino alemão que afundou após o ataque (Walter Slezak). 

A pouca comida e água, a falta de uma bússola, uma tempestade, as diferenças de pensamento entre o grupo e a desconfiança com o alemão são os ingredientes para análise do comportamento de pessoas comuns em situação de risco. 

O grande acerto de Hitchcock, que se baseou num livro de John Steinbeck, foi criar personagens próximos da realidade, que sofrem com a situação, mas não tentam resolvê-la através de heroísmo ou cenas absurdas. Hitchcock procurou enfatizar o lado humano de cada personagem, com erros e acertos, sendo que até mesmo um ato de violência não é pré-determinado, mas sim consequência de uma gama de situações que explodem em certo momento. 

O longa ganha pontos ainda por ser o primeiro, ou pelo menos um dos primeiros a utilizar um único cenário em todo o filme e manter a atenção do espectador, sendo que Hitchcock explora com o talento usual o pequeno espaço para contar várias histórias e ainda criar uma ótima cena de tempestade. 

Apenas dois fatos hoje incomodam um pouco. Apesar da personagem de Tallulah Bankhead ser perfeita em seu cinismo, em algumas partes ela aparenta estar arrumada demais para quem esteve num naufrágio. Logo no início do longa, um dos personagens cita o fato, porém até quase na parte final ela ainda aparece com o cabelo sedoso e arrumado. 

O segundo ponto é a clara escolha do roteiro em transformar a história numa propaganda política contra os nazistas. Mesmo o ator Walter Slezak tendo uma boa interpretação, a ruindade do sujeito é exagerada. Esta situação pode ser relevada pelo fato do longa ter sido filmado no meio do conflito, onde o “esforço americano” para demonizar os nazistas era enorme. 

No geral é um ótimo drama, com algumas boas cenas de ação e personagens bem construídos.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Três Enterros

Três Enterros (The Three Burials of Melquiades Estrada, EUA / França, 2005) – Nota 7,5
Direção – Tommy Lee Jones
Elenco – Tommy Lee Jones, Barry Pepper, Júlio César Cedillo, Dwight Yoakam, January Jones, Melissa Leo, Levon Helm, Mel Rodriguez, Vanessa Bauche.

Logo de início sabemos que Melquiades Estrada (Júlio César Cedillo) foi assassinado com um tiro. Aos poucos, o roteiro monta o quebra-cabeças do que realmente ocorreu com o pacato Melquiades, um imigrante mexicano ilegal que trabalhava em uma fazenda no Texas e tinha como melhor amigo o vaqueiro Pete Perkins (Tommy Lee Jones). 

A morte do amigo faz com que Pete pressione a polícia, principalmente o xerife Belmont (o cantor country Dwight Yoakam) para descobrir quem é o assassino, porém o sujeito não liga a mínima para a morte do imigrante. A situação faz com que Pete decida resolver a situação por conta própria, em virtude ter feito uma promessa para o amigo. 

A estreia do ator Tommy Lee Jones na direção de um longa para o cinema resultou num drama sobre amizade, família e preconceito contra imigrantes, tudo valorizado pelo roteiro do mexicano Guillermo Arriaga, colaborador habitual do diretor Alejandro Gonzalez Iñarritu. 

Sem apelar para o estilo hollywoodiano, Jones alterna sequências no dias atuais com flashbacks, para mostrar a jornada de um sujeito simples que busca conhecer as raízes do amigo e por consequência analisar sua própria vida. 

Além da ótima atuação de Jones, vale destacar Barry Pepper como o preconceituoso policial da fronteira, a bela January Jones como a esposa frustrada de Pepper e Melissa Leo como a garçonete amante de Jones. 

Outro ponto positivo é a bela fotografia de Chris Menges (Oscar por “A Missão”), que capta a beleza natural do deserto na fronteira entre México e Estados Unidos.  

domingo, 27 de janeiro de 2013

A Grande Arte e Bufo & Spallanzani


A Grande Arte (Exposure, Brasil / Estados Unidos, 1991) – Nota 6,5
Direção – Walter Salles
Elenco – Peter Coyote, Tcheky Karyo, Amanda Pays, Raul Cortez, Giulia Gam, Eduardo Conde, Raul Ruiz, Miguel Angel Fuentes, Cassia Kiss, Tony Tornado, Tonico Pereira.

O fotógrafo americano Peter Mandrake (Peter Coyote) chega ao Rio de Janeiro com a namorada Mariet (Amanda Pays) com o objetivo de fazer um livro de fotos sobre a cidade. Durante o trabalho, ele se aproxima da prostituta Gisela (Giulia Gam) que acaba assassinada. Para piorar, sua namorada é violentada. Em busca de vingança, Peter decide aprender o manuseio de facas com o francês Hermes (Tcheky Karyo) e passa a investigar os dois casos, situação que o levará a Santa Cruz de La Sierra na Bolívia. 

Baseado num romance de Ruben Fonseca, este filme marcou a estreia de Walter Salles na direção de um longa de ficção e apesar de ter chamado a atenção por ser uma co-produção americana e pelo elenco internacional, o filme fica aquém do esperado. O roteiro apresenta algumas soluções confusas e a narrativa não empolga, deixando o filme com cara de produção policial para tv. 

É uma pena, a premissa tinha potencial para um resultado bem melhor.

Bufo & Spallanzani (Brasil, 2001) – Nota 7
Direção – Flávio R. Tambellini
Elenco – José Mayer, Tony Ramos, Isabel Guéron, Zezé Polessa, Gracindo Júnior, Maitê Proença, Matheus Nachtergaele, Juca de Oliveira, Milton Gonçalves, Dirce Migliaccio.

Uma mulher (Maitê Proença) é assassinada dentro de um carro. O detetive responsável pelo caso é Guedes (Tony Ramos), que logo descobre que ela era esposa de um empresário do ramo de seguros, o canalha Eugênio Delamare (Gracindo Júnior). Em seguida, Guedes é procurado pelo escritor Gustavo Flávio (José Mayer) que confessa ser amante da mulher assassinada e que diz ter medo de ser assassinado também, pois tem certeza que a mulher foi morta a mando do marido que sabia do affair. Em paralelo, a trama volta alguns anos quando o investigador de seguros Ivan Canabrava (José Mayer também) descobre um golpe milionário na empresa de Delamare e passa a correr perigo pelo fato. 

Baseado num livro de Ruben Fonseca, este longa marcou a estreia na direção de Flávio R. Tambellini, filho do também diretor Flávio Tambellini, responsável por filmes produzidos nos anos setenta, como o policial “A Extorsão”. O diretor novato consegue criar um clima de suspense com as idas e vindas da história, mesmo com um roteiro que falha em alguns momentos, principalmente na solução da trama. 

Vale destacar no elenco a atuação de José Mayer, da bela e desinibida Isabel Guerón e até de Tony Ramos, que cria um polícia honesto e mostra que é bom ator, pena que na maioria do tempo desperdice seu talento trabalhando em novelas. 

O resultado é um interessante longa policial, com uma trama complexa e bons personagens.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Crime em Palmetto

Crime em Palmetto (Palmetto, EUA, 1998) – Nota 6,5
Direção – Volker Schlondorff
Elenco – Woody Harrelson, Elisabeth Shue, Gina Gershon, Michael Rapaport, Rolf Hoppe, Tom Wright, Chloe Sevigny, Marc Macaulay.

Harry Barber (Woody Harrelson) é um jornalista que ficou preso injustamente por dois anos na cidade de Palmetto. Após sair da cadeia, Harry se mostra amargo e fica na cidade apenas por ter um caso com a escultora Nina (Gina Gershon). 

Num determinado dia, Harry é abordado por uma jovem sensual (Elizabeth Shue) que diz ser casada com Donnely (Michael Rapapaport), o sujeito mais rico da cidade. A jovem faz uma proposta tentadora a Harry, oferece cinquenta mil dólares para ele forjar o sequestro da enteada (Chloe Sevigny) e receber o resgate. Harry acaba aceitando a proposta e se envolve numa grande enrascada. 

A aventura do diretor alemão Volker Schlondorff em Hollywood resultou numa história contada ao estilo noir, protagonizada por um sujeito cínico e perdedor rodeado de mulheres fatais. Schlondorff que ficou famoso por “O Tambor”, entrega um filme interessante, mesmo que a trama seja um pouco confusa pelo excesso de detalhes. O destaque é a interpretação de Harrelson e a sensualidade do trio Shue, Gershon e Sevigny.  

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises, EUA, 2012) – Nota 8,5
Direção – Christopher Nolan
Elenco – Christian Bale, Gary Oldman, Tom Hardy, Joseph Gordon Levitt, Anne Hathaway, Marion Cotillard, Morgan Freeman, Michael Caine, Matthew Modine, Ben Mendelsohn, Alon Moni Aboutboul, Daniel Sunjata, Aidan Gillen, Liam Neesom.

Após a morte do Coringa, Gotham City está em paz, porém Bruce Wayne (Christian Bale) abandonou o uniforme de Batman e vive recluso após a morte de sua amada, deixando suas empresas nas mãos de Fox (Morgan Freeman). O comissário Gordon (Gary Oldman) também sofre por dentro em virtude de ser obrigado a manter a imagem de herói de Harvey Dent, que na verdade era o vilão Duas Caras. 

Estas pendências nas vidas de Bruce e Gordon voltam à tona quando Bane (Tom Hardy) surge em Gotham com o objetivo de aterrorizar a população através de uma crise no sistema financeiro que transformará Bruce Wayne em vilão. 

Em paralelo, o jovem policial Blake (Joseph Gordon Levitt) tenta se aproximar de Wayne para ajudá-lo, que por outro lado se interessa pela ladra de joias Selina Kyle (Anne Hathaway). No meio de todos estes personagens temos ainda Miranda (Marion Cotillard) que deseja financiamento para um projeto ambiental e Daggett (Ben Mendelsohn) que planeja tomar o controle das empresas de Bruce Wayne. 

Superar “Batman – O Cavaleiro das Trevas” seria quase impossível, o que com certeza trouxe grande pressão a Nolan, mas por outro lado o público entendeu a situação e aceitou este novo longa, mesmo não chegando ao mesmo nível do anterior e na minha opinião perdendo também na comparação com “Batman Begins”, o que não é demérito algum em virtude da qualidade destes filmes. 

Este terceiro longa tem novamente uma qualidade técnica fantástica, com uma produção visual de primeira e cenas de ação de tirar o fôlego. O filme ganha com as presenças de Joseph Gordon Levitt, que a cada novo trabalho confirma ser bom ator e de Anne Hathaway sensual com a futura Mulher-Gato. 

O resultado é uma ótima diversão que mantém a série em altíssimo nível.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Instinto Selvagem 2 & 2010 - O Ano em que Faremos Contato


Muitos podem perguntar, porque escrever sobre dois filmes tão diferentes entre si na mesma postagem? A resposta está nas semelhanças que levaram os dois longas ao fracasso. São sequências desnecessárias de clássicos do cinema que foram produzidas com mais de uma década após o longa original. 

Como opinião pessoal, o fracasso de "Instinto Selvagem 2" foi totalmente merecido, escrevo um pouco mais na postagem, enquanto "2010 - O Ano em que Faremos Contato" é um bom filme que sofreu com a inevitável comparação com o clássico de Kubrick. 

Instinto Selvagem 2 (Basic Instinct 2, EUA / Inglaterra / Alemanha / Espanha, 2006) – Nota 5
Direção – Michael Caton Jones
Elenco – Sharon Stone, David Morrissey, Charlotte Rampling, David Thewlis, Hugh Dancy, Stan Collymore.

A escritora Catherine Tramell (Sharon Stone) trocou San Francisco por Londres, mas não seu gosto pelos amantes. Logo na sequência inicial, ela se envolve na morte de um jogador de futebol (o ex-atacante inglês Stan Collymore), que se afogou ao cair com o carro no rio Tâmisa. Por seu passado conturbado, Catherine se torna suspeita do crime e o detetive Roy Washburn (David Thewlis) solicita ao psiquiatra Michael Glass (David Morrissey, o governador da série “The Walking Dead”) para analisar o perfil da escritora. Aos poucos o Dr. Glass se sente atraído por Catherine e mesmo com os conselhos de sua mentora (Charlotte Rampling) para tomar cuidado, ele acaba se envolvendo com a paciente. 

Tirando a produção bem cuidada e o clima da narrativa, o restante do longa é um grande equívoco, mesmo com o esforço do bom diretor inglês Michael Caton Jones, responsável por ótimos filmes como “Memphis Belle – A Fortaleza Voadora” e “Tiros em Ruanda”. Começando por ser uma sequência tardia, com catorze anos separando este longa da obra original, o que por si só deixa a perder praticamente todo o impacto da história. Em 2006, a carreira de Sharon Stone já não era um sucesso, mesmo com papéis interessantes em “Flores Partidas” e “Alpha Dog”, a loira estava longe do auge dos anos noventa, sem contar ainda sua atuação exagerada aqui. Seu parceiro em tela, o canastrão David Morrissey também não ajuda. A trama é puro clichê, com uma história requentada e o inevitável final surpresa. Para finalizar, nem mesmo as cenas consideradas quentes empolgam.  

2010 – O Ano em que Faremos Contato (2010, EUA, 1984) – Nota 7
Direção – Peter Hyams
Elenco – Roy Scheider, John Lithgow, Helen Mirren, Bob Balaban, Keir Dullea, Madolyn Smith, Dana Elcar, Elya Baskin.

Massacrado pela crítica e pelos fãs de “2001”, esta sequência do clássico de Stanley Kubrick é desnecessária numa análise rápida, porém sem comparação com o original, o longa se torna eficiente como uma ficção pura. 

A trama se passa dez anos após os acontecimentos com a nave Discovery One. No longa, no ano de 2010 a Guerra Fria continua forte, Estados Unidos e União Soviética estão na iminência de uma guerra. Os soviéticos tem uma missão preparada chegar em Jupiter, porém precisam dos americanos para ajudarem a decifrar o ocorrido com a Discovery One, objetivo também dos americanos. Uma missão mista é enviada para o espaço para encontrar respostas. 

O roteiro é baseado também em um livro de Arthur C. Clarke e apresenta respostas interessantes que se casam com o longa original, inclusive com a participação de Keir Dullea, astro do filme de Kubrick. 

Não sou dos grandes fãs de “2001”, considero a extrema lentidão da narrativa chata e pretensiosa, mas não posso negar a belíssima parte técnica, que por sinal é superior a esta sequência, mesmo com a diferença de dezesseis anos. Aqui vemos computadores enormes e um visual que envelheceu pior do que o filme de Kubrick, que por seu lado apresentava um estilo clean. 

Mesmo sendo desnecessário, o filme é digno e vale como sessão para gosta do gênero ou tem curiosidade pela trama.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Furyo - Em Nome da Honra

Furyo – Em Nome da Honra (Merry Christmas Mr. Lawrence, Inglaterra / Japão, 1983) – Nota 7,5
Direção – Nagisa Oshima
Elenco – David Bowie, Tom Conti, Ryuichi Sakamoto, Takeshi Kitano, Jack Thompson.

Durante a Segunda Guerra Mundial, num campo de prisioneiros mantidos pelos japoneses, o capitão Yonoy (o músico Ryuichi Sakamoto) comanda o local com mão de ferro. Ele tenta a todo custo conseguir informações de um capitão inglês (Jack Thompson), que se cala mesmo com ameaça de violência. No meio deste conflito está o coronel Lawrence (Tom Conti), sujeito culto que fala japonês e tenta manter o mínimo de controle ao tratar com Yonoy e principalmente com o sargento Hara (Takeshi Kitano), com quem ele cria uma certo laço de amizade. 

Esta situação aparentemente sobre controle muda quando chega ao local o major Jack Celliers (o cantor David Bowie), que foi capturado pelos japoneses. Celliers é um sujeito orgulhoso que se nega a aceitar ordens de Yonoy em virtude de ter uma patente mais alta, o que causa retaliação por parte do japonês. Para complicar, o ódio demonstrado por Yonoy esconde uma fascinação pela figura rebelde de Celliers. 

O diretor japonês Nagisa Oshima que faleceu recentemente, ficou conhecido mundialmente pelo polêmico “Império dos Sentidos”. Aqui deixa o explícito de lado para mostrar um jogo de emoções reprimidas, onde o ódio esconde a atração proibida, além de fazer um paralelo com as diferenças culturais entre orientais e ocidentais, fato que pode unir ou separar, dependendo do pensamento dos envolvidos. 

O longa é um diferente drama que tem a guerra apenas como pano de fundo, o ponto principal é a relação de poder entre os personagens. 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O Casamento de Muriel & Vem Dançar Comigo


O Casamento de Muriel (Muriel’s Wedding, Austrália / França, 1994) – Nota 7
Direção – P. J. Hogan
Elenco – Toni Collette, Rachel Griffiths, Bill Hunter, Jeanie Drynan, Daniel Lapaine, Chris Haywood, Matt Day.

Muriel (Toni Collette) é uma jovem que vive numa pequena cidade litorânea da Austrália e por ser gordinha é rejeitada pelas “amigas” patricinhas e pelo pai (Bill Hunter), um político que trata pessimamente a família, chamando os filhos de inúteis com a complacência da esposa (Jeanie Drynan), uma verdadeira mosca morta. Muriel passa boa parte do tempo dentro do quarto ouvindo músicas do grupo sueco Abba e sonhando em se casar. 

Quando surge uma chance, Muriel rouba o dinheiro da família para passar férias num resort onde encontra Rhonda (Rachel Griffiths), uma antiga colega de colégio com que inicia uma amizade. Muriel decide ir para Sydney morar com a amiga pensando em começar um vida nova, porém descobrirá que não será nada fácil mudar. 

Com um roteiro que mistura comédia, drama e exagero, o diretor P. J. Hogan criou um longa que fez grande sucesso e tem na espontaneidade da interpretação de Toni Collette um dos seus grande trunfos. É um filme com uma estética que beira o kitsch, com personagens engraçados, quase exagerados e uma história maluca que vai apresentando situações absurdas em sequência, inclusive problemas sérios que seriam indicados para dramas pesados, mas que de uma forma incrível se tornam interessantes se o espectador comprar a ideia. 

Além de Collette, vale destacar a trilha sonora repleta de músicas do Abba e a atuação de Rachel Griffiths como a amiga maluca. A atriz que voltaria a trabalhar com P. J. Hogan em “O Casamento do Meu Melhor Amigo” e ficaria conhecida por seu papel na série “Six Feet Under”. 

Vem Dançar Comigo (Strictly Balroom, Austrália, 1992) – Nota 5,5
Direção – Baz Luhrmann
Elenco – Paul Mercurio, Tara Morice, Bill Hunter, Gia Carides, Barry Otto.

Scott Hastings (Paul Mercurio) é um dançarino campeão em concursos de dança de salão na Austrália. Querendo inovar na dança, Scott cria passos que desagradam sua parceira (Gia Carides) e o o organizador dos concursos (Bill Hunter). Enquanto isso, Fran (Tara Morice) que trabalha como faxineira é também uma tímida dançarina iniciante que sonha em fazer par com Scott. A inusitada parceria acaba acontecendo e a dupla parte para tentar vencer o mais importante concurso do país. 

Baz Luhrman consagrado por “Moulin Rouge”, estreava aqui com esta pequena produção que fez sucesso e chamou a atenção de Hollywood que abriu as portas para o diretor. Talvez por não ser grande fã de musicais, acabei não entrando no clima da história. Além disso, as interpretações são exageradas, com o canastrão Paul Mercurio criando um personagem arrogante e Tara Morice uma parceira sem carisma. 

Como curiosidade, o filme ressuscitou brevemente a carreira do cantor escocês John Paul Young ao colocar sua clássica “Love Is In The Air” (música original de 1978) de volta às paradas de sucesso.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A Vida Útil

A Vida Útil (La Vida Útil, Uruguai / Espanha, 2010) – Nota 7,5
Direção – Federico Veiroj
Elenco – Jorge Jellinek, Manuel Martinez Carril, Paola Venditto.

Jorge (Jorge Jellinek) trabalha há vinte e cinco anos na Cinemateca de Montevidéo, capital do Uruguai. Hoje o local sofre com a falta de público e de dinheiro. As dívidas se acumulam, o diretor Martinez (Manuel Martinez Carril) não tem iniciativa para buscar soluções e a Fundação que apoiava o local desiste do projeto por ele não ser lucrativo. A princípio, Jorge encara a tristeza pelo fim daquilo que é a parte importante de sua vida, mas logo percebe que o amor ao cinema pode ajudá-lo, até mesmo para conquistar a professora de direito Paola (Paola Venditto). 

Este drama com pouco mais de uma hora de duração é uma bela homenagem do diretor uruguaio Federico Veiroj ao cinema de arte e ao mesmo tempo uma constatação da mudança de gosto do público, fato que está levando ao fim salas no estilo da Cinemateca do filme. 

Filmado em preto e branco ao estilo dos clássicos antigos, utilizando ainda a música em momentos cruciais e criando diálogos onde são citados longas como “Alexander Nevsky” e “Cidadão Kane”, além de uma curiosa análise do personagem Martinez sobre os críticos de cinema, o resultado é indispensável para o cinéfilo que gosta de filmes de todos os tempos.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Boleiros


Boleiros – Era Uma Vez o Futebol (Brasil, 1998) – Nota 8
Direção – Ugo Giorgetti
Elenco – Adriano Stuart, Flavio Migliaccio, Otavio Augusto, Lima Duarte, Cassio Gabus Mendes, Wandi, André Abujamra, Marisa Orth, Denise Fraga, RogÉrio Cardoso, Elifas Andreato, João Acaiabe.

Numa mesa de bar, alguns ex-jogadores de futebol e um ex-árbitro contam histórias engraçadas e até dramáticas sobre o mundo do futebol. O diretor paulistano e palmeirense Ugo Giorgetti procurou destacar fatos comuns e histórias folclóricas do futebol, principalmente situações ocorridas entre os anos sessenta e final dos anos oitenta, para criar um verdadeira homenagem ao esporte e principalmente aos seus personagens. 

São seis pequenas histórias ligadas pelos comentários dos amigos no bar. Temos a do juiz ladrão, a do moleque de rua craque de bola que está envolvido com marginais, a do jogador no hotel que tenta enganar o técnico para levar uma garota para cama e a do craque revelação que está para ser vendido pro exterior e ao mesmo tempo foge das responsabilidades com o filho. As duas melhores histórias são a do jogador que consegue se recuperar de uma contusão após consultar um pai de santo e a do craque do passado que hoje vive na miséria, mas continua sendo orgulhoso. 

No ótimo elenco, vale destacar o falecido Rogério Cardoso como um ex-árbitro, Flávio Migliaccio que faz um ex-jogador amargurado com o presente e o músico André Abujamra como o pai de santo Vavá. Por sinal, Abujamra também é o responsável pela trilha sonora do longa. 

Como curiosidade, o bar retratado aqui é inspirado no Bar do Elias, um ponto de encontro de personagens do futebol nos anos setenta e oitenta localizado próximo ao estádio do Palmeiras. 

O resultado é um filme delicioso, principalmente para quem gosta de futebol e das histórias do passado deste esporte.

Boleiros 2 – Vencedores e Vencidos (Brasil, 2006) – Nota 7
Direção – Ugo Giorgetti
Elenco – Cássio Gabus Mendes, Flávio Migliaccio, Paulo Miklos, Adriano Stuart, Otávio Augusto, Lima Duarte, Silvio Luiz, Sócrates, Wandi, Denise Fraga, Petrônio Gontijo, Fulvio Stefanini, Duda Mamberti, Suzana Alves, Walter Portella.

Esta continuação do longa de 1998 muda o foco. Aqui o diretor Ugo Giorgetti procura mostrar os bastidores do futebol atual, onde tudo envolve dinheiro, modernidade e marketing, mas o conteúdo é bem menos rico. Além de ser inferior ao original, este enfoque do lado sujo do futebol ajudou a diminuir a aceitação do longa. 

Novamente o longa se passa num bar, porém agora aquele local com cara de buteco se transformou num bar temático, onde o dono Aurélio (o narrador Silvio Luiz) tem como sócio um famoso jogador que atua na Europa. Os jogadores do passado ainda tem uma mesa, porém agora ficam isolados no mezanino observando a fauna de pessoas que estão no local à espera do jogador famoso. 

O roteiro aqui cria uma história principal, tendo um empresário malandro (Paulo Miklos) que precisa lidar com a ex-namorada do jogador e também com uma advogada que representa o irmão do craque, sujeito que está preso e que deseja uma quantia para não contar a história da família na imprensa. 

Enquanto isso, na mesa dos veteranos apenas três histórias são contadas, duas apenas razoáveis. A do falso jogador argentino (Petrônio Gontijo) e a de Nestor (Walter Portella), um sujeito que chega do México tentando convencer a todos que era um jogador famoso. A melhor história é a de Barbosa (Duda Mamberti), um auxiliar do treinador Edil (Lima Duarte repetindo o papel do filme anterior), que sonha em dirigir o time e tem a chance quando o esquentado Edil é expulso durante um clássico, porém o destino será cruel com o pobre Barbosa. 

No final fica claro que tanto esta sequência, como a época atual foram implacáveis com o futebol, esporte que hoje se transformou num negócio onde o dinheiro é o carro chefe.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Hatfields & McCoys

Hatfields & McCoys (Hatfields & McCoys, EUA, 2012) – Nota 8
Direção – Kevin Reynolds
Elenco – Kevin Costner, Bill Paxton, Matt Barr, Tom Berenger, Powers Boothe, Andrew Howard, Jena Malone, Sarah Parish, Mare Winningham, Lindsay Pulshiper, Ronan Vibert, Noel Fisher, Boyd Holbrook, Tom McKay, Sam Reid.

Baseado num conflito real ocorrido entre as famílias Hatfield da Virginia Ocidental e McCoy do Kentucky após o final da Guerra Civil Americana, esta minissérie com quase cinco horas de duração produzida pelo History Channel é um ótimo western que resgata os melhores momentos do gênero. 

O conflito começa quando Anderson “Devil Anse” Hatfield (Kevin Costner) abandona o exército confederado por acreditar que a guerra já estava perdida e não é acompanhado por seu amigo Randall McCoy (Bill Paxton), que passa o considerá-lo um desertor. Quando a guerra acaba, Randall volta para casa e descobre que seu irmão fora assassinado por Jim Vance (Tom Berenger), tio de Anse e que sua família passa por dificuldades, enquanto os Hatfields prosperam no comércio de madeira. 

A disputa por um porco, o amor proibido entre Johnse Hatfield (Matt Barr) e Roseanna McCoy (Lindsay Pulshiper), junto com dois assassinatos, dão início a uma guerra que destruirá as duas famílias, deixando vários mortos dos dois lados. 

A produção de primeira qualidade, a ótima história, as boas cenas de ação e o elenco competente (Kevin Costner venceu o Emmy e o Globo de Ouro de Melhor Ator e Tom Berenger venceu o Emmy de Ator Coadjuvante) são os pontos de destaque da minissérie. 

A curiosidade principal é ver o astro Kevin Costner e o diretor Kevin Reynolds trabalharem juntos novamente após dezoito anos. Os dois eram amigos na juventude, inclusive com Costner antes da fama estrelando “Fandango”, que foi a estreia de Reynolds na direção. Após se tornar astro, Costner praticamente impôs a escalação de Reynolds como diretor aos produtores de “Robin Hood – O Príncipe dos Ladrões”. O filme fez grande sucesso e a dupla partiu para um terceiro trabalho, o fracassado “Waterworld”. A amizade acabou numa terrível briga em meio a estouro de orçamento e cenários destruídos por um furação. Reynolds largou a produção antes do final, com Costner assumindo como diretor mas mantendo o ex-amigo nos créditos. Apenas em 2010 os dois se reaproximaram e logo surgiu o projeto deste “Hatfields & McCoys”, que se tornou merecido sucesso na tv americana.   

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Cinco Vezes Favela

Cinco Vezes Favela (Brasil, 1962) – Nota 6,5
Direção – Marcos Farias, Miguel Borges, Joaquim Pedro de Andrade, Carlos Diegues e Leon Hirszman
Elenco – Flávio Migliaccio, Waldir Onofre, Oduvaldo Vianna Filho, Cláudio Corrêa e Castro, Milton Gonçalves, Francisco de Assis, Glauce Rocha.

Considerado um dos marcos iniciais do chamado Cinema Novo, está obra dividida em cinco episódios dirigidos por jovens diretores é ao mesmo tempo interessante e irregular. Vale destacar que os diretores eram jovens da classe média carioca que decidiram iniciar a carreira utilizando como tema principal uma realidade diferente de suas raízes, a favela. 

O primeiro episódio dirigido por Marcos Farias é o melhor na minha opinião. Com o título de “Um Favelado”, conta a história de um sujeito (o ótimo Flávio Migliaccio) que sem dinheiro para pagar o aluguel do barraco onde vive com mulher e filho na favela, acaba se envolvendo num assalto mal sucedido. 

A segundo história chamada “Couro de Gato” foi dirigida por Joaquim Pedro de Andrade (“Macunaíma”) e apesar de constar ter sido premiada no exterior, é apenas razoável. Mostra alguns garotos que roubam gatos na época do carnaval para vendê-los a pessoas que usam seu couro para fabricar tamborins. 

A terceira história é “Zé da Cachorra” de Miguel Borges. A trama com conotação política e social gira em torno de um político que deseja expulsar um grupo de pessoas de uma parte da favela que não pagam aluguel, para no local construir um empreendimento. O tal Zé da Cachorra se torna o líder dos favelados e toma a frente para impedir a expulsão das famílias. 

A quarta história é “Escola de Samba Alegria de Viver” dirigida por Carlos Diegues (“Bye Bye Brasil”), que mostra um sujeito (Oduvaldo Vianna Filho) que se torna presidente de uma escola de samba após dar uma espécie de golpe e precisa enfrentar dívidas e rivais para poder fazer a escola desfilar no carnaval. É o típico filme de Diegues, que mistura música e drama porém com resultado vazio. 

O episódio final dirigido por Leon Hirszman tem o título de “Pedreira de São Diego” e já mostra o estilo contestador do diretor. A história mostra um grupo de trabalhadores de uma pedreira que se revoltam quando o capataz manda explodir um local que afetará os barracos da favela onde eles moram. Hirszman faleceu cedo, mas deixou o ótimo "Eles Não Usam Blakc-Tie”, drama sobre as greves no ABC paulista durante os anos setenta. 

Em 2010, Carlos Diegues produziu uma espécie de sequência do longa chamado “Cinco Vezes Favela – Agora Por Nós Mesmos”, filme com cinco episódios dirigidos por cineastas nascidos na favela que mostravam sua visão sobre o local.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

The Investigation & The Life

The Investigation (The Investigation, Canadá, 2002) – Nota 7,5
Direção – Anne Wheeler
Elenco – Nicholas Lea, Lochlyn Munro, Reece Dinsdale, David Warner, Paul Coeur, Duncan Fraser.

Baseado na história real de um serial killer que violentou e matou várias mulheres em British Columbia no Canadá, esta produção para a tv canadense prende a atenção do espectador que gosta de filmes que se seguram por um bom roteiro, sem apelar para cenas de ação. 

No início, o policial Darryll Kettles (Lochlyn Munro) prende um suspeito pelos crimes, porém como o caso é grande, ele é obrigado a entregar o sujeito para uma unidade de crimes especiais. Por falta de provas, o suspeito é solto e novos crimes ocorrem. Neste meio tempo, outro policial, Les Forsythe (Nicholas Lea, o agente Kricek da série “Arquivo X”) passa a investigar o homem, mas também esbarra na burocracia da justiça, inclusive entrando em conflito com seus superiores. Quando o caso chama atenção da mídia, um superintendente da polícia (o veterano David Warner) cria uma força tarefa para tentar resolver a situação. 

O longa lembra o posterior e superior “Zodíaco” de David Fincher, onde vários policiais investigam o mesmo caso de forma separada e esta falta de união transforma a situação num grande fiasco. 

Mesmo com as limitações da tv, vale a sessão para quem gosta de investigações complexas.

The Life (The Life, Canadá, 2004) – Nota 7,5
Direção – Lynne Stopkewich
Elenco – Bruce Greenwood, Brian Markinson, Alisen Down, Nicholas Campbel, Nancy Sivak, Terry Chen, Duncan Fraser, John Cassini.

A dupla de policiais Arnie (Bruce Greenwood) e Tony (Brian Markinson) foram criados num bairro pobre de Vancouver e hoje trabalham no mesmo local, tendo de encarar traficantes e viciados. Pensando em fazer algo para melhorar a vida no local, a dupla começa a filmar depoimentos de viciados e pessoas do bairro para serem apresentados as crianças como modo de evitar que eles se envolvam com as drogas. Quando uma das pessoas que deram seu depoimento é assassinada, os policiais precisam investigar o caso e descobrir quem é o responsável pelo crime. 

Esta interessante produção canadense para tv mistura drama com história policial para mostrar a vida num bairro pobre e violento do país. O roteiro mostra que o combate as drogas não deve ser encarado apenas como caso policial, mas sim com um problema social que deve ser combatido de outras formas, inclusive através da educação nas escolas. Esta mistura resulta num bom filme. 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A Experiência

A Experiência (Das Experiment, Alemanha, 2001) – Nota 8
Direção: Oliver Hirschbiegel
Elenco: Moritz Bleibtreu, Christian Berkel, Maren Eggert, Justus Von Dohnanyy, Oliver Stokowski, Andréa Sawatzki, Edgar Selge.

Este interessante filme com uma história original foi dirigido pelo alemão Oliver Hirschbiegel antes do ótimo "A Queda! As Últimas Horas de Hitler" e do criticado "Os Invasores". 

Aqui uma corporação coloca um anúncio num jornal com a intenção de contratar doze homens para uma experiência que consiste em colocá-los numa prisão por duas semanas, sendo que seis homens serão escalados como prisioneiros e os outros seis como guardas, para análise de comportamento em uma ambiente controlado. 

No início, os homens agem como estivessem em uma brincadeira onde ganhariam um dinheiro fácil, porém aos poucos a coisa começa a ficar séria, gerando tensão entre os grupos e alguns personagens em especial, o que poderá acabar em tragédia. 

O ótimo tema que é desenvolvido com talento, tem como ponto principal o relacionamento que se cria com a convivência em grupo e como os líderes surgem naturalmente, conseguindo manipular seus pares, tanto para o bem como para o mal. 

Os destaques do elenco são Moritz Bleitbreu de "Corra Lola, Corra", que faz o papel do prisioneiro que começa levando na tudo na brincadeira, mas que terá de mudar o comportamento para se tornar um líder e Christian Berkel, que trabalharia novamente com Hisrchbiegel em "A Queda!", como um personagem a princípio apenas observador entre os prisioneiros, que se mostrará de grande importância durante a trama. 

Para quem gosta de filmes com temas originais, boas cenas de suspense e ação, além de um interessante estudo sobre comportamento humano em grupo, este filme é uma ótima pedida. 

Como curiosidade, o roteiro e baseado em parte da história real de uma experiência nos mesmos moldes realizada na Alemanha. 

Finalizando, o longa tem uma versão americana chamada “Detenção”, com Forest Whitaker e Adrien Brody. 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Memórias de um Assassino

Memórias de um Assassino (Salinui Chueok, Coréia do Sul, 2003) – Nota 8,5
Direção – Joon Ho Bong
Elenco – Kang Ho Song, Sang Kyung Kim, Roe Ha Kim, Jae Ho Song, Hie Bong Byeon.

Em 1986, numa pequena cidade do interior da Coréia do Sul, duas mulheres são encontradas mortas da mesma forma em dias e locais diferentes. As garotas foram amarradas, violentadas e estranguladas. 

A investigação fica por conta de dois detetives que desejam resolver rapidamente o caso, mesmo que acusem o sujeito errado. Um dos detetives é Park (Kang Ho Song de “O Hospedeiro”) e o outro é o violento Cho (Roe Ha Kim), que juntos utilizam até mesmo de tortura para conseguir uma confissão. 

Para auxiliar na investigação, chega na cidade o detetive Seo (Sn Kyung Kim), um jovem que trabalha na capital do país, em Seul e tem como característica analisar os detalhes seguindo o estilo americano de investigação, mesmo com pouquíssimos recursos a disposição. Logo, a truculência de Park e o jeito calado de Seo criam um conflito entre os sujeitos, que pensam e investigam de formas completamente diferentes. 

Baseado na história real de um serial killer que atacava mulheres entre 1986 e 1991 na Coréia do Sul, este trabalho do mesmo diretor do ótimo “O Hospedeiro” é um belíssimo longa que mistura o que de melhor existe nos filmes policiais americanos com o estilo oriental de contar uma história. 

O roteiro ainda tem toques políticos ao citar que na época a Coréia do Sul estava sob um ditadura e diariamente ocorria um toque de recolher, além de algumas cenas rápidas sobre a repressão da polícia e do exército contra manifestantes durante uma visita do presidente. 

Aqui a tensão em busca do assassino se torna crescente e cria algumas ótimas sequências, como a perseguição a pé pela cidade que termina numa enorme pedreira, além da bela fotografia das cenas inicial e final que se passam no mesmo campo onde ocorreu o primeiro assassinato. 

A história e a narrativa lembram filmes como “Seven” e “Zodíaco”, dois ótimos trabalhos de David Fincher.

Praticamente desconhecido, este ótimo longa policial merece ser descoberto pelos fãs do gênero. 
   

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

C.H.U.D.

C.H.U.D. (C.H.U.D., EUA, 1984) – Nota 7
Direção – Douglas Cheek
Elenco – John Heard, Daniel Stern, Christopher Curry, Kim Greist, Eddie Jones, George Martin, John Befdord Lloyd, John Goodman, Jay Thomas.

Em Nova York, pessoas comuns começam a desaparecer numa determinada região, inclusive a esposa do capitão de polícia Bosch (Christopher Curry). Durante a investigação, Bosch chega até A. J. (Daniel Stern), um sujeito que tem um espaço para servir alimentação a moradores de rua e este alega que nas últimas semanas pelo menos doze pessoas sumiram na região, sendo que todas viviam nos esgotos da cidade. Em paralelo, o fotógrafo George Cooper (John Heard) que fez fotos com estas pessoas do subsolo, desconfia que algo de errado está acontecendo quando uma das moradoras dos esgotos o leva para ver outro sujeito que foi atacado por algo desconhecido e está muito ferido. 

Este misto de terror e ficção B é quase um cult, apesar de desconhecido por aqui em virtude de não ter passado pelos cinemas na época e ter sido lançado apenas em VHS. 

A história segue o estilo dos longas do gênero dos anos cinquenta, escondendo o monstro do público durante boa parte da trama, criando um interessante suspense até a parte final quando explode a violência e o sangue. 

O baixo orçamento é compensando com criatividade e com o clima da história, que mostra uma Nova York suja e ameaçadora, principalmente o horrível esgoto onde se passa parte da trama. 

Como curiosidades, o longa rendeu uma continuação em 1989, que pela sinopse parece ser apenas um caça-níquel. A outra curiosidade é que os atores John Heard e Daniel Stern voltariam a trabalhar juntos em “Esqueceram de Mim”. 

domingo, 13 de janeiro de 2013

Os Crimes de Snowtown

Os Crimes de Snowtown (Snowtown, Austrália, 2011) – Nota 7,5
Direção – Justin Kurzel
Elenco – Lucas Pittaway, Daniel Henshall, Louise Harris, Anthony Groves.

Em 1999, na cidade de Snowtown no interior da Austrália, Elizabeth Harvey (Louise Harris) é uma mulher divorciada que vive num bairro pobre com três filhos, tendo ainda um quarto filho que pouco aparece no local, sendo este o mais velho. Elizabeth flerta com um vizinho, mas logo se revolta ao descobrir que o sujeito abusou de seus três filhos, inclusive do adolescente Jamie (Lucas Pittaway). 

O fato faz algumas pessoas da comunidade se reunirem para discutir o assunto, situação que faz emergir a figura de John (Daniel Henshall), que se apresenta como alguém indignado com a falta de atitude da polícia e que pensa em resolver o assunto por conta própria. Ao mesmo tempo, John se envolve com Elizabeth e se aproxima dos três filhos, criando quase uma relação de pai e filhos. Com Jamie a relação se torna mais profunda, John passa a atuar como uma espécie de mentor, o que a princípio parece ser algo bom, mas aos poucos ele demonstra sua verdadeira face, colocando na cabeça do jovem seus pensamentos homofóbicos e preconceituosos, envolvendo ainda o garoto numa série de crimes. 

Este pesadíssimo drama australiano é baseado numa história real que chocou o país, sendo a estreia na direção de Justin Kurzel, que optou por contar uma história fragmentada, bem longe de ser didática, mostrando aos poucos a verdadeira motivação dos crimes e todo o horror daquela situação absurda. 

O elenco é ótimo, o jovem Lucas Pittaway lembra o falecido Heath Ledger, inclusive na melancolia e submissão de como cria seu personagem, que é ao mesmo tempo vítima e cúmplice. Vale destacar também o desenvolvimento do personagem de Daniel Henshall, que mostra um olhar frio de psicopata em várias sequências, alternando com cenas em família onde deixa a impressão de ser um bom padrasto. 

Esta escolha em apresentar o dia a dia da vida de um psicopata, que nesses momentos geralmente age como uma pessoa normal, foi outro acerto do diretor Kurzel. 

O resultado é um filme de difícil digestão, que inclui ainda cenas de violência, tortura e estupro.    

sábado, 12 de janeiro de 2013

Medos Privados em Lugares Públicos

Medos Privados em Lugares Públicos (Coeurs, França / Itália, 2006) – Nota 7
Direção – Alain Resnais
Elenco – Sabine Azéma, Isabelle Carré, Laura Morante, Pierre Arditi, André Dussollier, Lambert Wilson.

No inverno em Paris, três homens e três mulheres se cruzam em busca de companhia. O solteirão Thierry (André Dussollier) é um corretor de imóveis que sente atração por sua colega de trabalho Charlotte (Sabine Azéma), que guarda um segredo e também tem um segundo emprego como enfermeira do pai de Lionel (Pierre Arditi), que por sua vez trabalha como bartender em um hotel tendo como cliente o desempregado Dan (Lambert Wilson), que passa por um crise com a noiva Nicole (Laura Morante). Completando o elenco, temos a jovem Gaelle (Isabelle Carré), irmã de Thierry que procura um amor através de encontros no escuro. 

Esta ciranda de relacionamentos é contada de modo sensível pelo veteraníssimo diretor francês Alain Resnais, que começou a carreira nos anos quarenta, que tinha oitenta e quatro anos na época do lançamento deste filme e hoje aos noventa ainda está na ativa. 

Longe de ser um grande filme, vale a sessão pelo ótimo desempenho do elenco, pelas pequenas e tristes histórias dos personagens solitários e a parte técnica que pontua as sequências com uma neve intermitente.  

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Filmes B com Duplas Policiais

Dois Policiais em Apuros (Running Scared, EUA, 1986) – Nota 6
Direção – Peter Hyams
Elenco – Gregory Hines, Billy Crystal, Steven Bauer, Darlanne Fluegel, Joe Pantoliano, Jimmy Smits, Dan Hedaya, Jon Gries, Tracy Reed.

A dupla de policiais Ray (o falecido Gregory Hines) e Danny (Billy Crystal) após muito trabalho conseguem prender o traficante Julio Gonzales (Jimmy Smits). A dupla sai de férias para Key West na Flórida, onde pretendem se aposentar em breve, porém ao saber que o traficante pagou fiança, eles voltam para Chicago atrás do sujeito. 

Este fio de história é apenas um detalhe para as boas cenas de ação, com destaque para a perseguição de carro nos trilhos do metrô, intercaladas com diálogos engraçadinhos entre os protagonistas e algumas cenas descartáveis na Flórida. 

O filme foi claramente inspirado no sucesso de “Um Tira da Pesada”, mas mesmo sendo divertido é inferior ao quase clássico com Eddie Murphy. 

As Duas Faces da Lei (Gang Related, EUA, 1996) – Nota 6
Direção – Jim Kouf
Elenco – James Belushi, Tupac Shakur, Lela Rochon, Dennis Quaid, James Earl Jones, David Paymer, Wendy Crewson, Gary Cole, Terrence T. C. Carson, Brad Greenquist, James Handy, Kool Moe Dee.

Dois policiais corruptos, Da Vinci e Rodriguez (James Belushi e Tupac Shakur) ganham um dinheiro extra negociando drogas e em seguida matando os traficantes. Em um destes golpes eles matam um policial disfarçado e tentam encobrir o crime utilizando o testemunho falso de uma stripper (Lela Rochon), amante de Da Vinci e ainda incriminam um morador de rua (Dennis Quaid) que sequer lembra o próprio nome. 

Com um premissa interessante, o filme dá a impressão que poderia deslanchar para um bom drama policial, porém o roteiro confuso desperdiça bons atores como Quaid, James Earl Jones e David Paymer em papéis mal delineados e na relação entre os dois policiais e seus contatos de rua. Em alguns momentos a história parece pender para a comédia, mas logo a trama fica séria e termina em tragédia. Infelizmente o diretor e roteirista Jim Kouf, que escreveu o roteiro do bom “Tocaia”,  não soube conduzir a trama e desperdiçou o bom elenco em um filme que poderia ser muito melhor.  

Tiras Especiais (Number One with a Bullet, EUA, 1987) – Nota 4
Direção – Jack Smight
Elenco – Robert Carradine, Billy Dee Williams, Valerie Bertinelli, Peter Graves, Doris Roberts, Mykelti Williamson, Bobby DiCicco, Jon Gries.

Os detetives Barzak e Hazeltine (Robert Carradine e Billy Dee Williams) não conseguem proteger uma testemunha crucial num caso de tráfico de drogas que acaba assassinada. Barzak acredita que alguém dentro da polícia está ligado ao assassinato, ao mesmo tempo em que passa por um crise pessoal ao tentar reatar seu casamento. Além disso, a dupla é pressionada pelo capitão de polícia (Peter Graves da série original “Missão Impossível”) para resolver o caso. 

Longa policial com cara de série de tv, com uma trama repleta de clichês, cenas de ação fracas e uma dupla de canastrões. Robert Carradine (irmão de David e Keith e filho de John Carradine) é o menos talentoso da família, enquanto Bily Dee Williams teve uma breve fama pelo seu papel em “O Império Contra Ataca” e “O Retorno de Jedi”, mas não emplacou na carreira.  

Dupla Selvagem (The Wild Pair, EUA, 1987) – Nota 5
Direção – Beau Bridges
Elenco – Beau Bridges, Bubba Smith, Lloyd Bridges, Gary Lockwood, Raymond St. Jacques, Danny De La Paz, Lela Rochon.

Um agente do FBI (Beau Bridges) e um policial da narcóticos (Bubba Smith) se unem para investigar um grupo que prega a segregação racial. Este longa policial foi a estreia na direção do ator Beau Bridges, o irmão menos talentoso de Jeff Bridges e tem como ponto principal algumas cenas de violência e a boa química entre Beau e o recentemente falecido Bubba Smith, conhecido pelo papel na série de filmes “Loucademia de Polícia”. A curiosidade é o vilão ser interpretado pelo pai de Beau, o também já falecido Lloyd Bridges.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Crime Delicado

Crime Delicado (Brasil, 2005) – Nota 5,5
Direção – Beto Brant
Elenco – Marco Ricca, Lilian Taublib, Maria Manoella, Felipe Ehrenberg, Cláudio Assis, Zé Carlos Machado, Marcelia Cartaxo, Matheus Nachtergaele, Adriano Stuart.

O crítico teatral Antonio Martins (Marco Ricca) é um sujeito solitário com fama de implacável nas suas análises. Numa certa noite, Antonio troca olhares com Inês (Lilian Taublib) em um bar e logo se aproximam, conversam um pouco e ela o convida para ir a sua casa. Antonio se surpreende quando percebe que a garota é deficiente e anda com auxílio de muletas. A surpresa fica ainda maior quando descobre que Inês tem uma perna mecânica e que ela trabalha como modelo para um pintor (Felipe Ehrenberg) especialista em quadros eróticos. 

Poucas vezes no cinema um diretor deu uma guinada tão grande na carreira. Brant fez fama com três longas policiais muito bons, começando com “Os Matadores”, passando por “Ação Entre Amigos” e chegando ao “O Invasor”, porém aqui deixou de lado o ritmo dos filmes anteriores para criar um trabalho quase contemplativo, que mistura teatro e artes plásticas com cinema. 

Foi uma escolha ousada que agradou boa parte da crítica especializada, mas não foi bem aceito pelo público. É um filme que parece ter sido produzido especificamente para um público que gosta de arte, já que na primeira parte são mostradas partes de peças teatrais clássicas e num segundo momento a história é dedicada ao trabalho do pintor com a modelo, situação artística com forte conteúdo sexual. 

O destaque vai para a participação da atriz Lilian Taublib, não por sua interpretação, mas por realmente ser uma deficiente física num papel de destaque, fato extremamente incomum no cinema. 

É um filme quase experimental, daqueles trabalhos pessoais de diretor, situação que na maioria das vezes resulta num longa ignorado pelo público.    

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Somente Deus Por Testemunha & Titanic (1953)


Somente Deus Por Testemunha (A Night to Remember, Inglaterra, 1958) – Nota 8
Direção – Roy Ward Baker
Elenco – Kenneth Moore, David McCallum, Jill Dixon, Honor Blackman, Alec McCowen.

Pouco lembrado atualmente, esta versão com estilo quase documental do naufrágio do Titanic é uma produção inglesa dirigida por Roy Ward Baker, diretor que faria carreira em filmes de terror da produtora Hammer nos anos sessenta. 

O longa começa mostrando a chegada de vários personagens ao navio, mas não se prende a um principal, apesar de que talvez o mais importante seja o do Segundo Oficial Herbert Lightoller interpretado por Kenneth Moore. Lightoller foi um personagem real que sobreviveu ao Titanic e um dos muitos que deram sua versão sobre o fato. Estes depoimentos serviram de base para esta versão, que foca na tragédia, mostrando o desespero das pessoas tentando chegar aos botes salva-vidas, a dificuldade das que estavam na terceira classe, ou seja, vemos aqui muito do que James Cameron mostrou com um orçamento extremamente maior em 1997, com a diferença de que neste clássico não existe espaço para história de amor. 

As cenas de ação são muito bem filmadas para a época e ainda causam impacto. A única falha é a sequência que mostra o navio afundando por inteiro, na época ainda não se sabia que o navio havia se partido ao meio, já que no momento os sobreviventes já estavam nos botes e no escuro. 

Para muitos críticos este trabalho de Roy Ward Baker era considerado a melhor versão sobre a tragédia antes do filme de Cameron.

Titanic (Titanic, EUA, 1953) – Nota 7
Direção – Jean Negulesco
Elenco – Clifton Webb, Barbara Stanwyck, Robert Wagner, Audrey Dalton, Harper Carter, Thelma Ritter, Brian Aherne, Richard Basehart, Edmund Purdom.

Esta foi a primeira versão de Hollywood para a tragédia do Titanic e além do naufrágio, o roteiro foca principalmente na relação entre o casal Sturges. Julia (Barbara Stanwyck) embarca com o casal de filhos adolescentes para fugir do esposo e morar nos Estados Unidos. O marido Richard (Clifton Webb) consegue embarcar no último instante com o objetivo de ficar com os filhos. A diferença entre o casal é enorme, enquanto Julia quer uma vida simples, Richard é um arrogante aristocrata que adora viver em hotéis de luxo. O drama entre o casal fica em segundo plano quando o navio bate em um iceberg e a tragédia se torna inevitável. 

Quanto ao elenco, vale destacar Robert Wagner ainda bem jovem como um flerte da filha do casal Sturges, Richard Basehart como um alcoólatra e a pequena mais importante participação de Edmund Purdom como Lightoller, o segundo em comando e a única pessoa a se preocupar com os avisos enviados por outros navios de que um iceberg estava na região. 

James Cameron também utilizou algumas situações daqui para o seu “Titanic”, como o romance adolescente, a segurança cega do capitão que imaginava um navio indestrutível, a banda tocando até o navio afundar e a participação de uma personagem rica e vulgar interpretada aqui por Thelma Ritter e na nova versão por Kathy Bates. Esta personagem é baseada na figura real de Molly Brown, talvez a mais famosa sobrevivente da verdadeira tragédia. 

Assim como em “Somente Deus Por Testemunha”, aqui o navio é mostrado afundando por inteiro, mas para época os efeitos especiais foram muito bem feitos, tendo ainda uma bela fotografia em preto e branco. 

O senão é o final que apela para o melodrama de uma forma irreal, situação diferente de Cameron, que com certeza chegou bem próximo do verdadeiro sofrimento daqueles que afundaram junto com o navio. 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Celular - Um Grito de Socorro

Celular – Um Grito de Socorro (Cellular, Alemanha / EUA, 2004) – Nota 6,5
Direção – David R. Ellis
Elenco – Kim Basinger, Chris Evans, Jason Statham, William H. Macy, Jessica Biel, Caroline Aaron, Richard Burgi, Noah Emmerich, Eric Christian Olsen, Valerie Cruz.

Hoje o cinema perdeu o diretor David R. Ellis, responsável por longas como "Premonição 2 e 4" e o cult "Serpentes a Bordo", além de ter uma longa carreira como dublê.

O filme começa com o jovem Ryan (Chris Evans) recebendo uma estranha ligação em seu celular, onde uma mulher que diz se chamar Jessica (Kim Basinger) alega que foi sequestrada e está mantida como refém em um local desconhecido. Jessica está desesperada e diz ainda que os bandidos pretendem sequestrar seu filho que está na escola. Ryan acaba acreditando na história, o que dá início a uma correria desenfreada por Los Angeles para salvar a criança e descobrir onde é o cativeiro de Jessica. 

Dois anos antes, o diretor e roteirista Larry Cohen escreveu o roteiro de “Por um Fio”, longa dirigido por Joel Schumacher sobre um sequestro que se passava dentro de uma cabine telefônica no meio da rua. Cohen é um veterano especialista em filmes B, tendo criado obras interessantes como “Nasce um Monstro” e “A Ambulância”. A simples trama de “Por um Fio” fez sucesso e Cohen acabou utilizando uma ideia semelhante para criar a história deste outro filme. 

O roteiro é repleto de absurdos que tentam ser escondidos pelo ritmo acelerado da trama e a ação ininterrupta, especialidade do diretor David R. Ellis, sujeito que não tinha talento para o desenvolvimento de personagens e trama, mas utilizava sua experiência como dublê para criar boas cenas de ação. Entre os absurdos temos a personagem de Kim Basinger fazendo um celular destruído funcionar, além de vários delitos cometidos pelo personagem de Chris Evans em sua corrida desesperada por Los Angeles. 

No elenco vale destacar ainda Jason Statham, desta vez como vilão interpretando o líder dos sequestradores e William H. Macy como um detetive prestes a se aposentar, personagem que tem algumas tiradas engraçadas. 

O resultado é um longa que diverte se não for levado a sério.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Patrulha da Montanha

Patrulha da Montanha (Kekexili, China / Hong Kong, 2004) – Nota 8
Direção – Chuan Lu
Elenco – Zhang Lei, Duobuji, Lianq Qi, Xueying Zhao, Zhanlin Ma.

Em 1996, o jornalista Ga Yu (Zhang Lei) é enviado para as montanhas Kekexili no Tibet com o objetivo de escrever um artigo sobre a Patrulha da Montanha liderada por Ri Tai (Duobuji). Este sujeito comanda um grupo de homens que patrulha a vasta região em busca dos caçadores que estão matando antílopes para vender as valiosas peles. Para escrever o artigo, Ga Yu acompanha uma missão com Ri Tai e seus homens, sem saber que estava iniciando uma perigosa e violenta jornada por uma região praticamente desabitada. 

Com uma fotografia belíssima que explora as paisagens naturais das montanhas no Tibet, este longa é baseado numa história real sobre a matança de antílopes, situação que levou a espécie próxima da extinção. 

A direção de Chuan Lu é perfeita na parte técnica e ainda apresenta uma narrativa que parece ser lenta, mas que na verdade conta a história de forma concisa, sem apelar para cenas grandiosas ou de ação. 

Mesmo com simplicidade, algumas sequências são marcantes, como o encontro das ossadas dos antílopes, a da areia movediça e ainda as situações em que Ri Tai precisar tomar decisões que podem significar a morte de pessoas. 

Por sinal, a interpretação do ator Duobuji como Ri Tai é ótima, ele constrói ao mesmo tempo um sujeito firme que toma decisões duras, mas que no fundo sente remorso, inclusive por ações contra seus inimigos. 

O resultado é um ótimo exemplar do cinema chinês que rende uma história triste e real.