domingo, 1 de setembro de 2013

Corações Sujos

Corações Sujos (Brasil, 2011) – Nota 7
Direção – Vicente Amorim
Elenco – Tsuyoshi Ihara, Takako Tokiwa, Eiji Okuda, Shun Sugata, Kimiko Yo, Eduardo Moscovis, Celine Fukumoto, André Frastechi, Ken Kaneko.

Após o final da Segunda Guerra Mundial, muitos imigrantes japoneses que viviam em colônias no Brasil não acreditavam que o Japão havia perdido a guerra e se rendido aos americanos. Como estes imigrantes estavam proibidos de receber jornais ou notícias de seu país, eles acreditavam que as notícias dadas pelo rádio brasileiro eram mentiras e que jamais o imperador japonês se entregaria, já que o povo o considerava imortal. 

Vendo os brasileiros como inimigos, os imigrantes japoneses criaram uma espécie de seita chamada Shindo Renmei, onde se organizaram e passaram a assassinar os próprios japoneses que não acreditassem na sua teoria. Muitos foram mortos entre 1946 e 1947, até que a polícia paulista conseguiu identificar os líderes. Alguns foram presos e condenados, enquanto outros foram deportados para o Japão. Esta história ficou esquecida por quase cinqüenta anos, até que o escritor Fernando Morais escreveu o livro “Corações Sujos”, que fez grande sucesso e deu origem a este filme. 

O longa de Vicente Amorim (“O Caminho das Nuvens” e “Um Homem Bom”) não cita a Shindo Renmei, mas cria uma trama que mistura realidade e ficção para contar o ocorrido. A trama começa com um grupo de japoneses fazendo uma pequena festa onde um militar aposentado (Eiji Okuda), trajado com sua farda, observa a bandeira de seu país ser colocada em um mastro. O fato é visto por um soldado brasileiro (André Frateschi) que junto com dois companheiros interrompe a reunião, destrói objetos e pega bandeira. 

Revoltado com a humilhação, o militar junta um grupo para se vingar, porém o delegado do local (Eduardo Moscovis) acalma a situação e utiliza outro imigrante como tradutor para saber o que o grupo deseja. A atuação do jovem tradutor faz com ele seja considerado um traidor e chamado de “Coração Sujo”. O militar aposentado indica para seu grupo quais traidores devem ser assassinados, sendo que um dos seus comandados é o fotógrafo Takahashi (Tsuyoshi Ihara de “Cartas de Iwo Jima”), um sujeito pacato e apaixonado pela esposa que se vê obrigado a vingar a honra de seu país, mesmo que isso acabe com sua vida. 

O filme tem um boa trilha sonora estilo oriental, um elenco que segura bem os papéis e uma trama extremamente triste, porém a frieza da narrativa e a escolha de não citar a Shindo Renmei, faz o longa perder alguns pontos. Mesmo sendo interessante, fica a impressão de que poderia ter resultado num filme bem melhor.  

4 comentários:

renatocinema disse...

Particularmente gostei do filme. Mas, concordo que realmente parece que não ficou completo.....


abs

Amanda Aouad disse...

Não consegui ver esse filme ainda, nunca estreou em Salvador e depois não procurei mais. Tenho curiosidade.

bjs

Celo Silva disse...

Assisti esse filme no cinema e gostei muito. Ele tem um apelo sentimental que combina bastante com a história.

Hugo disse...

Renato - A história poderia render algo mais completo.

Amanda - É o tipo de filme que o público atual não tem tanto interesse, infelizmente.

Celo - O sofrimento do protagonista Takahashi é quase um retrato do sofrimento de todo povo japonês na época.

Abraço