sexta-feira, 14 de junho de 2013

Leonera

Leonera (Leonera, Argentina / Coréia do Sul / Brasil / Espanha, 2008) – Nota 7,5
Direção – Pablo Trapero
Elenco – Martina Gusman, Elli Medeiros, Rodrigo Santoro, Laura Garcia, Leonardo Sauma.

A jovem Julia (Martina Gusman) é presa acusada de assassinar o noivo e ferir outro homem numa briga em seu apartamento. O que realmente aconteceu nunca fica claro, já que o sobrevivente (Rodrigo Santoro), que era amante do sujeito morto e da própria Julia, alega ter sido atacado, enquanto Julia se defende dizendo que os dois homens brigavam entre si quando ela chegou ao apartamento. 

Para piorar a situação, Julia está grávida e por este motivo é colocada numa área do presídio onde vivem apenas mulheres com filhos, pois a lei argentina permite que as presas fiquem com seus filhos até os quatro anos de idade. Enquanto espera o julgamento, Julia vai se adaptando ao local, onde faz amizade com Marta (Laura Garcia), que a ajuda na gravidez, mais ainda após o nascimento do filho e com quem cria uma relação de carinho que termina na cama. Julia sofre ainda com o complicado relacionamento com a mãe (Elli Medeiros). 

O cinema do diretor Pablo Trapero sempre procura mostrar o lado obscuro da sociedade argentina, seja a corrupção policial de “O Outro Lado da Lei”, a fraude em seguros do ótimo “Abutres” e a comunidade pobre dominada pela tráfico em “Elefante Branco”. Aqui o alvo é a triste realidade das mulheres grávidas nas prisões. 

O “Leonera” do título significa o local onde ficam os leões, no caso do filme são as leoas (presas) que mesmo trancafiadas precisam cuidar de suas crias. 

O grande destaque é a atuação de Martina Gusman, esposa do diretor Trapero na vida real, que acerta ao criar a atormentada jovem Julia, que acaba se apegando ao filho como única esperança de uma nova vida e que por ele se transforma numa verdadeira leoa em algumas sequências. 

A pequena participação de Rodrigo Santoro também é importante, seu personagem é crucial para o destino de Julia, mas sua escalação no papel de um argentino se explica apenas por ter Walter Salles como um dos produtores. 

É um filme triste, melancólico, lento em algumas passagens, mas que vale pela força da interpretação da personagem principal e pela história de luta pela liberdade. 

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