quinta-feira, 2 de maio de 2013

Querida Wendy & American Gun


Querida Wendy (Dear Wendy, Itália / Estados Unidos / Holanda / Espanha / Dinamarca / França / Alemanha / Inglaterra, 2004) – Nota 7
Direção – Thomas Vinterberg
Elenco – Jamie Bell, Bill Pullman, Michael Angarano, Danso Gordon, Novella Nelson, Chris Owen, Alison Pil, Mark Webber.

Numa pequena cidade americana onde a maioria da população trabalha em uma mina de carvão, o jovem Dick (Jamie Bell de "Billy Elliott") decide seguir um caminho diferente e acaba trabalhando no mercadinho local. A vida sem perspectivas muda quando ele compra um revolver que acredita ser de brinquedo, mas que depois descobre através do colega de trabalho Stevie (Mark Webber), que o artefato é verdadeiro. A antiga arma cria um laço entre os dois sujeitos, que passam a andar armados e se sentir poderosos. 

Eles resolvem fundar um grupo convidando outros três jovens “perdedores”. Os amigos começam a se reunir toda semana numa mina abandonada para praticar tiro e estudar coisas absurdas, como o funcionamento das armas e o estrago que um bala faz no corpo humano. O lema do grupo é o pacifismo e as armas seriam utilizadas apenas como apoio psicológico, fato que funciona a princípio mas que levará os jovens a uma tragédia. 

Este longa é uma colaboração entre os pais do Movimento Dogma, tendo a direção de Thomas Vinterberg (“A Caça”) e o roteiro de Lars Von Trier (“Melancolia”) que foca no fascínio pelas armas e como elas são um prenúncio de tragédia. 

O filme todo é narrado pelo personagem de Jamie Bell, que conta seu amor pela arma que ela chama de “Wendy” e os fatos que resultaram dessa união entre jovens desequilibrados e armas. O roteiro vai além da crítica às armas, sendo também um estudo de personalidade ao mostrar como o ser humano muda sua atitude em grupo, muitas vezes se tornando confiante e agindo de forma estúpida, como se fosse invencível. 

Finalizando, o filme também é uma crítica à sociedade americana, que tende a utilizar o medo para fazer as pessoas acreditarem nas armas como modelo de defesa. Além disso, a cidadezinha do cenário, que na verdade é apenas uma enorme praça, tem toda a cara das antigas cidades dos filmes de western, tendo como clímax um violento tiroteio, marca clássica do gênero. 

American Gun (American Gunn, EUA, 2002) – Nota 7
Direção – Alan Jacobs
Elenco – James Coburn, Virginia Madsen, Barbara Bain, Alexandra Holden, Martin Kove.

Martin Tillman (James Coburn) é um velho aposentado que vive tranquilamente com a esposa Anne (Barbara Bain) até o dia em que sua filha Penny (Virginia Madsen) é assassinada. Totalmente inconformado com a situação e sendo um sujeito pacifista, Martin decide seguir o rastro da arma que matou sua filha através do número de fabricação do artefato e assim atravessa o país para saber a história do maldito revólver. 

Pelo caminho ele cruzará com personagens que tiveram contato com a arma e conhecerá histórias tristes semelhantes a morte de sua filha. Além disso, Martin tentará encontrar a neta Mia (Alexandra Holden) que saiu de casa e não sabe da morte da mãe. 

Este drama pacifista é um manifesto contras as armas e o rastro de violência que elas costumam deixar, tendo como ponto principal a sensível e sóbria interpretação do grande James Coburn, que teve aqui seu último trabalho no cinema. Por uma ironia do destino, Coburn que quase sempre interpretou o sujeito durão e violento, encerrou sua carreira com um papel de homem pacifista que sofre pelo assassinato da filha. 

Um comentário:

Estante dois disse...

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