quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O Corvo (2012)

O Corvo (The Raven, EUA / Espanha / Hungria, 2012) – Nota 7,5
Direção – James McTeigue
Elenco – John Cusack, Luke Evans, Alice Eve, Brendan Gleeson, Kevin McNally, Sam Hazeldine, Pam Ferris, Oliver Jackson Cohen, Jimmy Yuill.

No final do século XIX em Baltimore, o escritor Edgar Allan Poe (John Cusack) está falido, apesar do grande número de contos de terror que publicou. Poe está apaixonado pela jovem Emily (Alice Eve), porém o pai da garota (Brendan Gleeson) o odeia. A vida de Poe fica ainda mais complicada quando um serial killer começa a cometer assassinados copiando seus contos macabros. Como responsável pela investigação, o detetive Fields (Luke Evans) pede ajuda a Poe para descobrir os próximos passos do assassino. 

Esta trama original é uma ficção que utiliza a falta de informações sobre os últimos dias de vida do escritor Edgar Allan Poe, para criar uma história de suspense fazendo referências as suas diversas obras. Mesmo o roteiro se aproveitando das reviravoltas comuns ao gênero, a boa direção de James McTiegue (“V de Vingança”) prende a atenção ao montar um quebra-cabeças macabro e criar ainda uma boa reconstituição de época. 

Pelo que pouco que conheço sobre a vida de Poe, provavelmente ele estaria bem mais decadente na época de sua vida que é mostrada aqui, mas isso não tira o valor da interpretação do sempre competente John Cusack. 

O resultado é um bom divertimento, principalmente para aqueles que gostam do gênero e da obra de Poe.     

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Munique

Munique (Munich, EUA, 2005) – Nota 8
Direção – Steven Spielberg
Elenco – Eric Bana, Daniel Craig, Ciaran Hinds, Mathieu Kassovitz, Hanns Zischler, Ayelet Zurer, Geoffrey Rush, Michael Lonsdale, Mathieu Amalric, Moritz Bleitbreu, Marie Josée Croze, Yvan Attal, Lynn Cohen.

Baseado livremente no terrível atentado das Olimpíadas de Munique em 1972, quando oito terroristas palestinos pertencentes a um grupo islâmico chamado Setembro Negro executaram onze atletas israelenses nos alojamentos da competição, este drama de Spielberg se concentra na vingança planejada pelo governo de Israel para matar os responsáveis por arquitetarem o ataque. 

O filme mostra a famosa primeira ministra de Israel Golda Meir (Lynn Cohen) convocando o agente do Mossad (o serviço secreto de Israel) Avner (Eric Bana) para comandar o plano de vingança. Avner é delisgado do Mossad para não ocorrer suspeitas de ligação com o governo de Israel e na clandestinidade monta um grupo de especialistas. Robert (o também diretor Mathieu Kassovitz) é o perito em explosivos, Carl (Ciaran Hinds) é o organizador, Hans (Hanns Zichler) o contador e Steve (Daniel Craig antes de ser James Bond) é a força bruta. 

Deixando de lado o cinema-pipoca, Spielberg preferiu mostrar a vingança como um drama questionador, onde mesmo ele sendo judeu, procurou não tomar lado na secular briga entre judeus e muçulmanos. São mostrados absurdos dos dois lados, além de dilemas de consciência, principalmente através do personagem principal de Eric Bana, que sofre quando percebe que alguma ação possa resultar em danos colaterais, como a morte de inocentes. 

Apesar de ter um ritmo até certo ponto lento em algumas partes, a força da história e as boas sequências de suspense resultam num drama obrigatório que faz pensar sobre o absurdo de um conflito que parece ser interminável.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Bombas - Atores Famosos, Filmes Ruins - Parte II

Como citei na primeira postagem do tema, são tantos filmes ruins com atores famosos que precisarei dividir em várias postagens.

Nesta eu cito mais cinco filmes.

O Escorpião Rei (The Scorpion King, EUA, 2002) – Nota 5,5
Direção – Chuck Russell
Elenco – Dwayne “The Rock” Johnson, Steven Brand, Michael Clarke Duncan, Kelly Hu, Bernard Hill, Grant Heslov, Peter Facinelli, Ralf Moeller, Branscombe Richmond, Roger Rees.

Na Era Antiga, a cidade de Gomorra é dominada por Memnon (Steven Brand) que destrói todos aqueles que o confrontam, usando as visões de uma espécie de oráculo (Kelly Hu). Os povos contrários a Memnon que sobreviveram, se juntam e contratam o mercenário Mathayus (The Rock) para salvar a vidente e acabar com o poder do ditador.

O filme utiliza o personagem que The Rock interpretou no sucesso “A Múmia” de 1999, porém muda a característica. No original ele era um dos vilões e aqui se transforma em herói. Com um roteiro melhor este fato poderia ser apenas um detalhe, mas o conjunto da obra é fraco. Até mesmo os efeitos especiais não sustentam as fracas cenas de ação. 

O Dia Depois do Amanhã (The Day After Tomorrow, EUA, 2004) – Nota 6
Direção – Roland Emmerich
Elenco – Dennis Quaid, Jake Gyllenhaal, Emmy Rossum, Sela Ward, Ian Holm, Jay O. Sanders, Dash Mihok, Austin Nichols, Arjay Smith, Tamlyn Tomita, Kenneth Welsh, Glenn Plummer, Adrian Lester, Nestor Serrano, Perry King, Mimi Kuzyk.

O cientista Jack Hall (Dennis Quaid) descobre em suas pesquisas que alterações climáticas estão ocorrendo no oceano em virtude do aquecimento global, porém não é levado a sério quando alerta as autoridades em um congresso mundial. Para se aprofundar nas pesquisas, ele se alia a um amigo cientista (Ian Holm) e juntos chegam a conclusão que o hemisfério norte pode ser inundado pelo degelo das calotas polares em pouco tempo. Quando a tragédia se inicia, Jack descobre que o filho Sam (Jake Gyllenhaal) está escondido na biblioteca do congresso em Washington para se proteger da revolta da natureza. Jack decide através meio país no meio da caos para salvar o filho, que por seu lado quer salvar a namorada (Emmy Rossum).

O mago dos desastres Roland Emmerich errou a mão neste projeto ambicioso, por sinal praticamente todos os seus filmes são caros e ambiciosos. Se por um lado os efeitos especiais são ótimos e assustadores ao mostrar as tragédias naturais, o roteiro é de um absurdo total ao fazer o personagem de Quaid atravessar o país par salvar o filho. A composição dos personagens também pouco ajuda no desenvolvimento da trama, que tem outros dramas ao redor da história principal, sempre com situações clichês dos filmes do gênero. O resultado é um filme que diverte em alguns momentos e se torna chato e cansativo em outros, ficando bem abaixo da expectativa. 

A Marca (Twisted, EUA, 2004) – Nota 5,5
Direção – Philip Kaufman
Elenco – Ashley Judd, Samuel L. Jackson, Andy Garcia, David Strathairn, Russell Wong, Camryn Manheim, Mark Pellegrino, Titus Welliver, D. W. Moffett, Richard T. Jones, Leland Orser.

A policial Jessica Shepard (Ashley Judd) é promovida para detetive e logo que assume seu novo posto, começam a aparecer homens assassinados à pancadas, mas com um detalhe específico, todos foram seus amantes. Para piorar sua situação, todos descobrem que ela leva um vida dupla (gosta de fazer sexo casual com estranhos) e sua carreira fica complicada, mesmo tendo o apoio do novo parceiro Mike Delmarco (Andy Garcia) e de seu tutor, o comissário de polícia John Mills (Samuel L. Jackson).

Fica difícil entender como o bom diretor Philip Kaufman (“Os Eleitos”) realizou este filme confuso e cheio de furos no roteiro, em que o espectador percebe logo no primeiro assassinato o que está acontecendo com a personagem de Ashley Judd, o que ela mesmo sendo detetive sequer desconfia, além da explicação idiota para o porquê dos assassinatos. Um desperdício de talento dos envolvidos, como Garcia,  Jackson e o ótimo David Strathairn, este no papel de um psiquiatra.

Stealth – Ameaça Invisível (Stealth, EUA, 2005) – Nota 5
Direção – Rob Cohen
Elenco – Josh Lucas, Jessica Biel, Jamie Foxx, Sam Shepard, Joe Morton, Richard Roxburgh, David Andrews.

Três pilotos de caça, o rebelde Ben (Josh Lucas), a bela Kara (Jessica Biel) e o certinho Henry (Jamie Foxx) fazem parte de uma espécie de grupo de elite, que utlizam o caça Stealth em treinamentos e missões. A disputa de egos que existe entre eles precisa ser deixada de lado quando um novo modelo de caça sem tripulação guiado por uma inteligência artificial é enviado numa missão com o trio e após receber uma descarga elétrica, o “cérebro” do caça resolve agir por conta própria e dá início a um missão secreta que tem como objetivo um ataque nuclear.

Infelizmente todo o aparato tecnológico não esconde o fraco roteiro e os personagens previsíveis e esquemáticos. O diretor Rob Cohen pensou que o filme faria sucesso apenas com cenas de perseguição entre caças, numa espécie de “Top Gun” turbinado, porém errou feio e entregou um filme frouxo, com cara de história requentada. 

Edison – Poder e Corrupção (Edison, EUA, 2005) – Nota 6
Direção – David J. Burke
Elenco – Morgan Freeman, L L Coll J, Justin Timberlake, Kevin Spacey, Dylan McDermott, John Heard, Cary Elwes, Roselyn Sanchez, Piper Perabo, Damien Dante Wayans.

Durante uma ação policial de um grupo de elite, o oficial Lazerov (Dylan McDermott) mata um traficante. O caso acaba sendo arquivado porque outro policial, Deed (L L Cool J) é coagido e testemunha a favor do colega. Percebendo algo estranho no caso, o jornalista novato Pollack (Justin Timberlake) tenta se aprofundar na investigação, mas não é apoiado por seu chefe, o editor Ashford (Morgan Freeman), responsável pelo jornal na pequena cidade de Edison, que não deseja se envolver com a polícia. Pollack encontra apoio apenas no veterano policial Wallace (Kevin Spacey), que conhece os podres dos colegas.

Existem filmes em que vemos o cartaz cheio de rostos conhecidos e uma sinopse interessante, porém o conteúdo está longe do potencial. É o caso deste longa, que desperdiça ótimos atores como Freeman e Spacey, além de coadjuvantes competentes como L L Cool J e Dylan McDermott numa história repleta de clichês utilizados em seriados policiais. O resultado é o típico filme de produtor, daqueles em que o diretor é um mero operário. David J. Burke fez toda sua carreira na tv como produtor e este filme é seu único trabalho como diretor em cinema. É uma pena, o resultado fica bem abaixo da expectativa.  

domingo, 28 de outubro de 2012

Quem São os Políticos?


Após meses de discussões, alianças, conchavos e uma fortuna gasta em propaganda, terminaram hoje as eleições municipais, mas fica a pergunta, o que mudará?

A resposta: Nada

A população em geral tem o hábito de falar que todo político é corrupto. Sendo bonzinho, acredito que 90% dos políticos tem um objetivo bem diferente do que pensar no bem estar da população. A ideia principal é usufruir do poder e suas facilidades. Altos salários, verbas generosas, mordomias como carros, auxílio moradia e até o chamado auxílio paletó, além da possibilidade de conseguir mais do que uma aposentadoria são "pequenos atrativos" para se candidatar a algum cargo. Agora faço outra pergunta, quem são os políticos?

A resposta: Representantes da população brasileira, ou seja, o espelho do nosso povo.

Sei que nem todos os brasileiros agem desta forma, mas infelizmente grande parte da população é adepta da "Lei de Gerson". Traduzindo, gosta de levar vantagem em tudo. No caso dos políticos, os candidatos são uma minoria, porém cada um deles tem uma legião de pessoas apoiando, não por ideologia ou vontade de ajudar a população, mas para conseguir um cargo caso o sujeito seja eleito. Existem os empresários que apoiam pensando em conseguir um alto cargo, sendo indicados para Ministro, Secretário, Sub-Prefeito ou Presidente de algum órgão estatal. As corporações que colocam dinheiro nas campanhas para conseguir benesses futuras e até mesmo os sujeitos que colam cartazes nos postes e distribuem "santinhos" que sonham em ser pelo menos office boy de algum vereador. No fundo, todos estão pensando em melhorar de vida as custas do dinheiro público.

Estas pessoas comuns que tentam se associar aos políticos são tão culpadas quantos os homens públicos que desviam nosso dinheiro e fazem negociatas. Todos estes fazem parte do povo, assim como o prestador de serviço que cobra um valor absurdo por um serviço mal feito, aquele que cobra pela troca de uma peça que não precisava ser substituída, pelo corretor que inflaciona o preço de um imóvel para aumentar sua comissão ganhando por fora, o sujeito que recebe um troco errado a mais e não devolve o dinheiro, a vendedora que mente para a cliente dizendo que o vestido lilás com bolinhas amarelas está lindo nela, o funcionário do supermercado que troca as etiquetas de validade dos produtos perecíveis, as empresas que inventam taxas para camuflar o aumento de preço de um produto, os funcionários de bancos e financeiras que enganam clientes para vender produtos inúteis e cobrar tarifas absurdas, os comerciantes das cidades turísticas que tentar extorquir os visitantes com preços abusivos e até mesmo o feirante que pendura um peso na balança para cobrar um valor maior do que o correto.

Eu poderia ficar até amanhã citando exemplos de como grande parte do nosso povo é desonesto, situações que mostram que aquelas campanhas inúteis da mídia que tentam vender o brasileiro como solidário, honesto e sem preconceitos é pura balela, a realidade é bem diferente.

Se vocês quiseram citar outros exemplos, fiquem a vontade,

sábado, 27 de outubro de 2012

América do Medo & Marcados Pelo Sangue


Em 1978, quando Walter Hill dirigiu o ótimo "Warriors - Os Selvagens da Noite", filmes sobre gangues eram pouco comuns. O sucesso do longa fez nascer timidamente um gênero, que logo se adaptou a realidade. O filme Hill mostrava a violenta Nova York dos anos setenta, porém o local mais complicado em relação as gangues era Los Angeles. O tema pegou forte quando Dennis Hopper filmou "Colors - As Cores da Violência" em 1988 com Sean Penn e Robert Duvall nos papéis principais. A partir daí várias produções abordaram o tema. Nesta postagem comento dois filmes que estão entre os melhores e mais realistas sobre a vida nas gangues de Los Angeles. Como curiosidade, o dois filmes tem roteiro de Floyd Mutrux e foram produzidos quase em seguida.

América do Medo (American Me, EUA, 1992) – Nota 7,5
Direção – Edward James Olmos
Elenco – Edward James Olmos, William Forsythe, Pepe Serna, Sal Lopez, Evelina Fernandez, Vira Montes, Jacob Vargas, Cary Hiroyuki Tagawa.

Após passar dezoito anos preso e ficar em liberdade por pouco tempo, Montoya Santana (Edward James Olmos) volta para prisão e começa a relembrar sua vida. Em 1968, ainda adolescente, ele e os amigos J. D. (William Forsythe) e Mundo (Pepe Serna) se envolvem com o crime, são presos e levados a um reformatório, local onde Santana mata um agressor. O fato o transforma em um sujeito temido e dá início a sua carreira como chefe de uma gangue de descendentes de mexicanos dentro da prisão. 

O roteiro segue a vida de Santana durante o período em que ele fica na cadeia, sua relação com os companheiros de gangue e toda violência utilizada para manter seu poder e também afastar os grupos inimigos. 

Existe um prólogo que se passa nos anos quarenta durante a Segunda Guerra, quando o pai de Santana (Sal Lopez) tem orgulho da bela esposa (Vira Montes), porém como o preconceito contra estrangeiros era grande, eles são atacados por marinheiros, fato que marcará o restante da vida do casal. 

Este prólogo mostra uma espiral de violência contínua, que passa pela vida de Santana e segue na geração dos anos oitenta, quando ele sai de cadeia por um período e acaba sendo visto como herói pelas crianças do bairro, inclusive por seu irmão adolescente (Jacob Vargas). 

A mistura de drama com violência infelizmente é próxima da realidade, sendo que o filme se diz baseado em fatos reais, porém como um coletânea de situações que se transformaram num roteiro de cinema. 

Vale destacar a segurança do ótimo ator Edward James Olmos, tanta na interpretação do personagem principal, quanto na condução do longa como diretor. 

Uma sequência é quase uma parábola de vida, quando Santana e seus amigos ainda jovens decidem mudar de caminho para chegar em casa, atravessando o território de rivais, fato que acaba em tragédia e deixa a mensagem de que mesmo para quem acredita não ter futuro existem escolhas, a questão é decidir pelo caminho correto.

Marcados Pelo Sangue (Bound by Honor, EUA, 1993) – Nota 8
Direção – Taylor Hackford
Elenco – Damian Chapa, Benjamin Bratt, Jesse Borrego, Enrique Castillo, Delroy Lindo, Ving Rhames, Victor Rivers, Tom Towles, Raymond Cruz, Tom Wilson, Danny Trejo, Billy Bob Thornton, Richard Masur.

No início dos anos setenta no leste de Los Angeles, os meio-irmãos Paco (Benjamin Bratt) e Cruz (Jesse Borrego) juntos com o primo Miklo (Damian Chapa), entram para gangue chamada de “Vatos Locos” e se envolvem com violência e drogas. A vida louca acaba em tragédia que leva Miklo para cadeia e afasta os irmãos que abandonam a gangue. Cruz se torna um artista plástico famoso, porém o psicológico frágil e a crise familiar o empurra para as drogas, enquanto o explosivo Paco se torna policial. 

Este épico de três horas de duração sobre as gangues de Los Angeles foi uma aposta arriscada de Taylor Hackford que fracassou nas bilheterias e dividiu a crítica, porém a qualidade do roteiro é inegável, sendo baseado na história real do poeta Jimmy Santiago Baca. 

A história vai além dos filmes sobre gangues e prisão, a trama é temperada por situações como traições, lealdade, seja ela de sangue ou de amizade e conflitos pessoais, como o perturbado Cruz e a crise de identidade de Miklo, que é branco e pobre, por isso não se encaixa entre os chicanos ou entre os brancos, precisando lutar para sobreviver em meio a violência.

O único senão é quanto ao elenco, se Benjamin Bratt e Jesse Borrego dão conta do recado, o canastrão Damian Chapa é o elo fraco do trio, mas isso não tira a força do longa.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos

Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (Mujeres al Borde de um Ataque de Nervios, Espanha, 1988) – Nota 7,5
Direção – Pedro Almodovar
Elenco – Carmen Maura, Antonio Banderas, Julieta Serrano, Maria Barranco, Rossy de Palma, Fernando Guillen, Kiti Manver.

Em Madri, a atriz Pepa Marcos (Carmen Maura) está deprimida por ter sido abandonada pelo amante, o também ator Ivan (Fernando Guillen). Tentando descobrir onde está o sujeito, que ao parece deve viajar naquele dia, Pepa o procura no estúdio onde trabalham, telefona para casa do amante e discute com a esposa dele (Julieta Serrano) e por fim decide colocar a cobertura onde mora para alugar, pensando em morar em outro local e esquecer o sujeito. 

O problema é que várias situações inusitadas acontecerão naquele dia. Pepa receberá a visita da ingênua amiga Candela (Maria Barranco) que se apaixonou por um terrorista, do casal Marisa (Rossy de Palma) e Carlos (Antonio Banderas) que pretende alugar o imóvel, com o detalhe de Carlos ser filho de Ivan, a esposa de Ivan e por fim a polícia em busca de informações sobre o terrorista. Junte a estes personagens uma advogada feminista, uma recepcionista curiosa, uma vizinha testemunha de Jeová e um taxista que dirige um carro todo enfeitado chamado de “Mambo Taxi”. 

Almodovar chamou a atenção da crítica com dois trabalhos anteriores estrelados por Antonio Banderas, os polêmicos “Matador” e “A Lei do Desejo”, mas foi com este “Mulheres” que ele se tornou mundialmente conhecido. O seu roteiro é perfeito ao misturar comédia pastelão, nonsense e dramalhão que lembra as novelas de uma forma engraçada, onde o exagero e o kitsch se tornam agradáveis. 

Mesmo sendo um estilo que não está entre os meus preferidos, é impossível não rir com algumas sequências, como a do gazpacho e a ridícula perseguição entre moto e táxi. 

Outro destaque é a atuação de Carmen Maura, ótima como a mulher totalmente neurótica por causa do amante. 

O resultado é um longa divertido e mais leve que os trabalhos habituais de Almodovar. 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Aliens, o Resgate

Aliens, o Resgate (Aliens, EUA, 1986) – Nota 10
Direção - James Cameron
Elenco – Sigourney Weaver, Michael Biehn, Carrie Henn, Paul Reiser, Lance Henriksen, Bill Paxton, Jennete Goldstein, Mark Rolston, Daniel Kash, William Hope.

Após quase sessenta anos hibernando em uma cápsula no espaço, Ellen Ripley (Sigourney Weaver) é resgatada por uma nave e descobre que o estranho planeta onde ela e seus companheiros da nave Nostromo foram atacados, foi colonizado. A nave que a resgatou leva um grupo de fuzileiros e tem como missão descobrir o que ocorreu no planeta, em virtude da Terra ter perdido o sinal com os colonizadores. Mesmo com Ripley alertando que voltar para aquele local é suicídio, um burocrata (Paul Reiser) que viaja como representante da corporação que colonizou o planeta decide continuar a expedição.

Se o clássico de Ridley Scott era claustrofóbico ao extremo, esta sequência comandada por James Cameron é sensacional como filme de ação. Aqui os aliens criados pelo falecido mestre dos efeitos especiais Stan Winston, estão ainda mais perigosos, surgem em várias formas e em diversas sequências até o clímax da luta dentro da espaçonave entre Ripley e a rainha-mãe dos aliens. 

O longa é valorizado ainda pelo bom roteiro do próprio Cameron em parceria com David Giler e o diretor Walter Hill (“Warriors”, “Inferno Vermelho”), que cria uma sequência totalmente verossímil, inclusive adicionando novos fatos como a questão da filha de Ripley e a relação que ela cria com a menina Newt (Carrie Henn), única sobrevivente do planeta colonizado. 

Outro acerto foi transformar a personagem Ripley em heroína, com Sigourney Weaver tendo um ótima interpretação, tanto na parte dramática como nas sequências de ação. Sua atuação valeu uma merecida indicação ao Oscar. 

O resultado é um dos melhores filmes dos anos oitenta e o meu preferido de toda a série.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Dragnet - Filme e Série


A série policial "Dragnet" fez sucesso durante quatro temporadas (entre 1967 e 1970) tendo como protagonistas Harry Morgan e Jack Webb. Não tenho absoluta certeza, mas acredita que a série seja inédita no Brasil.

Nesta postagem comento dois remakes da série. O primeiro é um longa produzido nos anos oitenta em formato de comédia e o segundo é uma nova versão que infelizmente durou apenas duas temporadas.

Dragnet – Desafiando o Perigo (Dragnet, EUA, 1987) – Nota 5,5
Direção - Tom Mankiewicz
Elenco – Dan Aykroyd, Tom Hanks, Christopher Plummer, Dabney Coleman, Harry Morgan, Alexandra Paul, Jack O’Halloran, Elizabeth Ashley, Kathleen Freeman.

O detetive Joe Friday (Dan Aykroyd) é um sujeito correto ao extremo, que chega a ser chato. Joe acaba sendo obrigado a trabalhar com um novo parceiro que é o seu contrário, o desleixado Pep Streebek (Tom Hanks). O primeiro caso da dupla é investigar o roubo de vários objetos estranhos. Após algumas pistas em meio a muita confusão, a dupla passa a suspeitar de um reverendo picareta (Christopher Plummer) que pretende utilizar uma jovem virgem (Alexandra Paul) num ritual pagão. 

Mesmo sem ter assistido a série original que era narrada de forma séria, fica claro que esta versão foi concebida como comédia para aproveitar a fama de Aykroyd e Hanks na época, que por sinal fizeram outras comédias bem melhores. A escolha deu errado, principalmente pelo fraco e totalmente absurdo roteiro e os personagens sem graça. 

Como curiosidade, Aykroyd interpreta aqui o sobrinho do personagem de Jack Webb da série original e Harry Morgan que interpretava o parceiro de Webb, aqui é o tenente chefe da dupla de comediantes. 

Dragnet (Dragnet, EUA, 2003 / 2004) 
Criadores - Jack Webb & Dick Wolf
Elenco – Ed O'Neill, Ethan Embry, Christina Chang, Desmond Harrington, Eva Longoria, Evan Parke, Erick Avary.

O produtor Dick Wolf, criador da premiada "Law & Order", decidiu ressuscitar a antiga série e contratou o ator Ed O'Neill para interpretar Joe Friday, aqui transformado em tenente. Conhecido por seu papel durante quase uma década na sitcom "Married with Children", O'Neill era uma escolha arriscada, porém ele assumiu muito bem o papel do policial durão e correto que precisa comandar a investigação de homicídios pelos bairro ricos de Los Angeles.

Na primeira temporada que teve doze episódios, ele tinha como parceiro o detetive Frank Smith (Ethan Embry) e uma equipe de assistentes, porém na virada para segunda temporada o elenco foi modificado. No lugar de Embry entrou Desmond Harrington e após mais dez episódios a série acabou cancelada.

Acompanhei todos os episódios pelo Universal Channel e gostei. As investigações tinham um clima sério pontuado por uma música tema marcante, os roteiros eram interessantes e até a química entre o veterano O'Neill e o jovem Embry funcionava, mas provavelmente a audiência não deve ter sido das melhores.

É uma pena, para quem é fã de séries policiais como eu, esta tinha tudo para ter seguido por mais temporadas.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Juventude Selvagem & Juventude em Fúria


A questão de jovens envolvidos com gangues e violência é fato comum nos dias atuais, porém nesta postagem comento dois filmes que tem este tema como foco principal e mostram que o problema é bem mais velho do que se imagina. Um deles foi produzido no início dos anos sessenta e o segundo no início dos anos oitenta.

Juventude Selvagem (The Young Savages, EUA, 1961) – Nota 7,5
Direção – John Frankenheimer
Elenco – Burt Lancaster, Dina Merrill, Edward Andrews, Shelley Winters, Telly Savalas.

Um jovem porto-riquenho cego é assassinado a facadas por três adolescentes de descendência italiana, que são presos e levados a julgamento, onde a princípio o promotor Hank Bell (Burt Lancaster) pensa em pedir a pena de morte. Como um dos jovens assassinos é filho de uma ex-namorada de Hank (Shelley Winters), ele resolve se aprofundar no caso para descobrir as motivações do crime e decidir qual pena pedir para os jovens. 

Este ótimo drama praticamente esquecido que foi dirigido pelo falecido John Frankenheimer (“Grand Prix”, “Ronin”), é um retrato da violenta relação entre jovens de diferentes descendências na Nova York dos anos sessenta. O roteiro mostra algo parecido ao que ocorre no dias de hoje, colocando como protagonistas jovens sem perspectivas na vida, que entram para gangues com o objetivo de conquistar respeito e se sentirem partes de algo, como uma família distorcida. 

É um longa que vale ser conhecido, ainda pela curiosidade de ter um tema que lembra o grande clássico musical “Amor, Sublime Amor”, produzido no mesmo ano.

Juventude em Fúria (Bad Boys, EUA, 1983) – Nota 7
Direção – Rick Rosenthal
Elenco – Sean Penn, Reni Santonti, Esai Morales, Jim Moody, Eric Gurry, Aly Sheedy, Clancy Brown, Robert Lee Rush, Alan Ruck.

O jovem Mick O’Brien (Sean Penn) mora com a mãe que faz programas e namora a jovem J. C. (Ally Sheedy), porém extravasa toda sua revolta em pequenos roubos. Num destes roubos, seu amigo Carl (Alan Ruck) acaba morto e Mick atropela e mata o irmãos mais novo de Paco Moreno (Easi Morales), jovem envolvido no tráfico de drogas e que era o alvo do roubo armado por Mick e seu amigo. Mick acaba preso e levado a um reformatório, onde a violência impera igual a um presídio comum. Para piorar, Paco faz de tudo para ser preso e encontrar Mick com o objetivo de vingar a morte do irmão. 

Apesar do filme ter quase trinta anos, a história é extremante atual ao mostrar um juventude violenta, envolvida em roubos e tráfico e que vê o próximo como inimigo. É interessante ver Sean Penn e Esai Morales muito jovens e interpretando personagens com a fúria que era necessária aos papéis. 

O reformatório do filme é mostrado com um depósito de jovens, praticamente um vestibular para o crime. 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Selo Versatile Blogger

O amigo Gilberto do blog Gilberto Cinema me presentou com este selo que sugere ao indicado escrever sete coisas sobre ele mesmo.

Não é fácil escrevermos sobre nós mesmos, mas tentarei comentar alguns detalhes sobre minha vida e personalidade.

1. Crítico - Sou extremamente crítico, comigo mesmo inclusive. Por não gostar de errar, analiso muito antes de tomar uma decisão séria. Como tudo na vida, este jeito de ser tem dois lados: O ruim é que as vezes deixo de fazer algo que daria certo. O lado bom é que não entro em furadas, principalmente na questão financeira.

2. Direto - Não suporto indiretas, briguinhas e joguinhos de palavras. Procuro sempre ser direto com as pessoas, o que já me fez perder amigos (provavelmente a amizade não era tão forte), mas também me ajudou a criar laços fortes com algumas pessoas que pensam de forma semelhante.

3. Idade - Tenho quarenta e um anos e sinto que levo uma vida diferente da maioria das pessoas desta faixa etária. Sou casado e não tenho filhos, escrevo um blog, vou a estádios de futebol, saio com a esposa todo final de semana e trabalho em casa. As vezes sinto que vivo como um adolescente ao ver os casais passeando em shoppings e parques com filhos chorando, pedindo algo e correndo. Não tenho paciência para isso, acho que nunca tive e ainda bem que minha esposa pensa igual.

4. Família - É algo tão complicado que no momento considero como família apenas minha esposa, pai, mãe, irmão, cunhada esposa do meu irmão e minha cachorrinha. Tenho alguns amigos que considero muito mais que o restante da família. Infelizmente parentesco de sangue não é sinônimo de amizade.

5. Cães - Sempre tive cães, os chamados vira-latas. Na casa de meus pais vive uma cadela que pegamos filhote. Ela gosta de companhia, mas sem exageros. Hoje moro em apartamento e minha esposa queria adotar um cão de pequeno porte. Adotamos uma poodle que fora abandonada e em pouco ela nos conquistou. A pequena vive o dia todo ao meu lado, companheira ao extremo. Como citei no início, procuro ser racional, não tenho sonhos mirabolantes, mas neste ano na convivência com a pequena criatura passei a pensar em algo diferente. Se no futuro existir condições de morar em uma casa com quintal espaçoso, tenho vontade de resgatar cães de rua para cuidar e procurar um novo lar. O futuro é sempre uma surpresa, mas quem sabe.

6. Cinema - A paixão pelo cinema está estampada no blog. Assisto filmes e leio sobre cinema desde meados dos anos oitenta. Um fato que não citei é que sou extremamente organizado, assim desde que comecei a assistir filmes fazia anotações em cadernos. No final dos anos noventa comecei a passar aos poucos todas as informações para o computador. Em breve pretendo postar como começou minha paixão pelo cinema.

7. Palmeiras - Amor passado de pai para filho. Meu pai começou a me levar ao estádio desde criança e passou sua paixão pelo clube para mim. Hoje ele não vai mais aos estádios, mas mesmo com alguns problemas continua acompanhando os jogos pela tv e pelo rádio. Eu fui fisgado por esta paixão maluca e continuo minha rotina de alegria e sofrimento no estádio ou em frente a tv. É um amor incondicional e irracional, algo maluco que somente quem torce para um clube de futebol sabe.

domingo, 21 de outubro de 2012

Melinda e Melinda

Melinda e Melinda (Melinda e Melinda, EUA, 2004) – Nota 7
Direção – Woody Allen
Elenco – Radha Mitchell, Will Ferrell, Chloe Sevigny, Jonny Lee Miller, Amanda Peet, Chiwetel Ejiofor, Steve Carell, Daniel Sunjata, Vinessa Shaw, Brooke Smith, Larry Pine, Wallace Shawn, Josh Brolin, Shalom Harlow, David Aaron Baker, Zak Orth.

Em Nova York numa mesa de bar, quatro intelectuais discutem as diferenças da comédia e da tragédia. Eles decidem partir da mesma premissa para montar uma comédia e uma tragédia. Wallace Shawn é o dramaturgo adepto da comédia e Larry Pine da tragédia. As duas histórias tem como personagem principal a complicada Melinda (Radha Mitchell). 

Na trama voltada para a tragédia, Melinda chega sem avisar ao apartamento da amiga de infância Laurel (Chloe Sevigny), que está casada com o ator desempregado Lee (Jonny L Miller) e que no momento é anfitriã de um jantar com amigos, inclusive com a presença de Cassie (Brooke Smith), que também é amiga de infância de Melinda. Laurel e Cassie decidem encontrar alguém para Melinda, porém o próprio casamento de Laurel está em crise e será afetado pela presença da amiga. 

Na história voltada para comédia, Melinda mora sozinha num apartamento e após ingerir vários comprimidos, bate à porta do casal de vizinhos, a cineasta Susan (Amanda Peet) e seu marido Hobie (Will Ferrell), outro ator desempregado, que preparam um jantar para tentar seduzir um sujeito a produzir o primeiro filme de Susan. Após ser amparada pelos participantes do jantar, Melinda conta sua história de vida e faz amizade com o casal. A questão é que Hobie logo se sente atraído pela jovem. 

Mesmo não estando entre os melhores filmes de Woody Allen, é interessante a escolha de colocar a mesma personagem em histórias paralelas, mostrando como comédia e tragédia podem estar próximas, dependendo muitas vezes da visão de quem conta a história. 

Quanto as tramas em si, tudo que conhecemos de Allen está lá, adultérios, descoberta do amor, desilusão e diálogos engraçados. 

Desta vez o elenco não se destaca, vale citar apenas a beleza de Radha Mitchell e a presença de Will Ferrell como o alter ego do diretor, personagem comum  nos filmes de Allen.

sábado, 20 de outubro de 2012

O Sequestro do Metrô - 1974, 1998 & 2009


O Sequestro do Metrô (The Taking of Pelham One Two Three, EUA, 1974) – Nota 7,5
Direção – Joseph Sargent
Elenco – Walter Matthau, Robert Shaw, Martin Balsam, Hector Elizondo, Jerry Stiller, James Broderick, Kenneth McMillan, Julius Harris, Dick O’Neill, Earl Hindman, Lee Wallace, Doris Roberts.

Quatro homens (Robert Shaw, Martin Balsam, Hector Elizondo e Earl Hindman) sequestram uma composição do metrô e exigem um mihão de dólares como resgate. O líder da quadrilha (Robert Shaw) faz contato com a sala de comando do metrô e passa a negociar como tenente Zachary Garber (Walter Matthau), que precisa ganhar tempo enquanto espera a decisão do prefeito panaca (Lee Wallace) e um possível plano de ação da polícia para invadir o vagão sequestrado. 

Mesmo não sendo filmaço, é uma obra cultuada pela tensão crescente pontuada por uma marcante trilha sonora, pelo roteiro inteligente e o elenco competente com personagens bem desenvolvidos, inclusive os bandidos. Temos o cérebro do crime (Robert Shaw), o sujeito calado (Earl Hindman), o explosivo (Hector Elizondo) e o veterano (Martin Balsam), sem contar o grande Walter Matthau misturando astúcia e ironia nos diálogos da negociação. 

O longa tem várias curiosidades: O diretor Quentin Tarantino homenageou o filme em “Cães de Aluguel” utilizando as cores para os apelidos dos bandidos, assim como vemos aqui. Temos Mr. Blue, Mr. Grey, Mr. Green e Mr. Brown. O operador do metrô é vivido por James Broderick, pai do futuro astro Matthew Broderick e Jerry Stiller, pai de Ben Stiller, interpreta um policial. Finalizando, o diretor Joseph Sargent fez praticamente toda a carreira em filmes para tv, este longa é uma exceção, assim como “MacArthur” com Gregory Peck.  

O Sequestro do Metrô ou Inferno Subterrâneo (The Taking of Pelham One Two Three, EUA, 1998) – Nota 6
Direção – Felix Enriquez Alcalá
Elenco – Edward James Olmos, Vincent D'Onofrio, Donnie Wahlberg, Richard Schiff, Lisa Vidal, Lorraine Bracco, Tara Rosling, Kenneth Welsh.

Quatro assaltantes sequestram uma composição do metrô e exigem cinco milhões de dólares como resgate. Dois policiais (Edward Jamess Olmos e Lorraine Bracco) são chamados para negociar, porém os sequestradores matam um dos reféns, fato que faz com que a polícia acredite que invadir o vagão seja única solução. 

É com certeza a versão mais pobre dos três filmes sobre a mesma trama, porém alguns detalhes são diferentes em relação aos personagens. No grupo de bandidos temos uma mulher (Tara Rosling) e outra mulher (Lorraine Bracco) interpreta uma personagem importante da polícia. O restante do filme é bem parecido com original, porém com as limitações de uma produção para a tv, além de apresentar um vilão exagerado interpretado por Vincent D’Onofrio. 

Como curiosidade, o filme também é conhecido como “Inferno Subterrâneo”.

O Sequestro do Metrô 1 2 3 (The Taking of Pelham 1 2 3, EUA, 2009) – Nota 6,5
Direção – Tony Scott
Elenco – Denzel Washington, John Travolta, John Turturro, James Gandolfini, Luís Guzman, Michael Rispoli, Ramon Rodriguez, John Benjamin Hickey, Victor Gojcaj, Robert Vataj, Gary Basaraba, Aunjanue Ellis.

Quatro sujeitos sequestram uma composição do metrô que saiu do Brooklin com destino a Manhattan. O líder do grupo é Ryder (John Travolta) que entra em contato com a sala de controle do metrô e fala com Walter Garber (Denzel Washington), exigindo um resgate de dez milhões de dólares em uma hora, caso contrário matará um refém por cada minuto de atraso. Walter na verdade era o chefe do departamento, porém está em investigação por suspeita de ter recebido propina, por este motivo perdeu temporariamente o cargo. Ryder não aceita conversar com o negociador da polícia (John Turturro), preferindo manter Walter como seu único contato. 

O recentemente falecido Tony Scott era um diretor craque na parte técnica, seus filmes sempre traziam imagens estilizadas, cortes rápidos e câmera lenta em determinadas cenas, porém os roteiros na maioria das vezes eram previsíveis. Aqui acontece exatamente isso, a primeira hora é interessante, com ótimos diálogos entre Washington e Travolta e uma certa tensão dentro do vagão sequestrado. Os problemas começam com o mal aproveitamento de bons coajuvantes como Turturro e James Gandolfini como o prefeito. Para piorar, a parte final transforma a tensão e o suspense numa perseguição absurda, não pela sequência em si, mas por transformar o personagem de Washington em herói, diferente das versões anteriores em que o clímax não apelava para o exagero. 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Trapaceiros & Aprovados


Trapaceiros ou A Grande Farsa (Cheaters, EUA, 2000) – Nota 6,5
Direção – John Stockwell
Elenco – Jeff Daniels, Jena Malone, Paul Sorvino, Luke Edwards, Blake Heron, Robert Joy.

Em 1994 numa escola de Chicago, o professor Gerard Plecky (Jeff Daniels) recruta um grupo de alunos para participar de uma competição anual sobre conhecimentos gerais. Por ser uma escola com pouca tradição e apenas com alunos medianos, o ótimo resultado surpreende os participantes, principalmente uma escola rival que era favorita. Para piorar a situação, dias antes da competição, um aluno roubou o gabarito da prova, o que deixa o resultado ainda mais duvidoso. 

Este interessante drama produzido para tv é baseado na história real de um escândalo escolar que se transformou num circo pela mídia e marcou para sempre a vida dos envolvidos. Os destaques são Jeff Daniels como o professor e Jena Malone como a principal aluna de sua equipe. O filme passou algumas vezes na tv aberta com o título “A Grande Farsa”.

Aprovados (Accepted, EUA, 2006) – Nota 7
Direção – Steve Pink
Elenco – Justin Long, Jonah Hill, Adam Herschman, Columbus Short, Maria Thayer, Lewis Black, Blake Lively, Mark Derwin, Ann Cusack, Hannah Marks, Anthony Heald.

Esta divertida comédia adolescente mostra que com um pouco de boas ideias este tipo de filme ainda pode ser interessante. O personagem principal é Bartleby Gaines (Justin Long) que está no último ano de colégio e por ter notas baixas acaba não sendo aceito em faculdade alguma, o que causa desespero em seus pais.

Tentando arrumar uma maneira de melhorar as coisas, Bartleby se junta a alguns amigos que também não conseguiram ir para a faculdade e resolvem montar uma universidade falsa, com a ajuda principal de seu melhor amigo Sherman (Jonah Hill de “Superbad”) que tendo conseguido entrar em uma universidade de primeiro nível, considera a ideia idiota mas acaba aceitando ajudar. O que começa como um golpe se torna realidade quando dezenas de jovens se inscrevem no site falso e se apresentam para as aulas na universidade fantasma. 

O longa bebe na fonte de filmes como o clássico “O Clube dos Cafajestes” e resulta numa comédia divertida, que ainda faz uma crítica ao modelo escolar americano, onde as notas do colégio dizem se o aluno pode ou não ser aceito em uma universidade e como isso influenciará por toda sua a vida, além de mostrar mais uma vez a estupidez das fraternidades e suas tradições.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Alien - O 8º Passageiro

Alien – O 8º Passageiro (Alien, EUA, 1979) – Nota 9
Direção – Ridley Scott
Elenco – Sigourney Weaver, Tom Skerritt, John Hurt, Harry Dean Stanton, Veronica Cartwright, Ian Holm, Yaphet Kotto.

A nave Nostromo está voltando para Terra quando recebe sinais de uma transmissão vinda de um pequeno e desconhecido planeta. O capitão Dallas (Tom Skerritt) recebe ordens da empresa dona da nave para aterrisar no planeta e descobrir quem está emitindo o sinal. 

Após aterrissar no local, Dallas lidera uma expedição que encontra uma velha nave com restos de alienígenas mortos. Um dos integrantes da expedição é Kane (John Hurt), que encontra um local onde diversos ovos gigantes parecem intactos, porém de um destes ovos solta-se uma estranha criatura que gruda no capacete de Kane. Os outros integrantes resgatam o sujeito e o levam para nave, sem saber que a criatura pode matar a todos. 

Este grande clássico da ficção de terror foi o segundo trabalho no cinema do diretor Ridley Scott, que vinha do sucesso de crítica de “Os Duelistas”. Scott que veio da propaganda, soube utilizar sua experiência na criação visual misturada ao sensacional desenho de produção H. R. Giger para criar um ambiente de claustrofobia, valorizado pelo roteiro simples e direto de Dan O’Bannon (diretor do divertido “A Volta dos Mortos Vivos”). 

As cenas de ação são competentes, sem contar a clássica sequência do monstro saindo do estômago de John Hurt. O elenco é competente, Sigourney Weaver faz a heroína Ripley que voltaria ainda três vezes ao papel, com destaque principalmente para sua atuação em “Aliens – O Resgate”. 

O sucesso do filme rendeu três sequências, dois crossovers com o Predador e ainda um prequel dirigido pelo mesmo Ridley Scott. 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O Poderoso Chefão II

O Poderoso Chefão II (The Godfather: Parte II, EUA, 1974) – Nota 10
Direção – Francis Ford Coppola
Elenco – Al Pacino, Robert Duvall, Robert De Niro, Diane Keaton, Lee Strasberg, Talia Shire, Morgana King, John Cazale, Marianna Hill, Danny Aiello, James Caan, Harry Dean Stanton, Roger Corman, Troy Donahue, Michal V. Gazzo, G. D. Spradlin, Bruno Kirby.

Esta continuação é para muitos críticos ainda melhor que o clássico de 1972. Eu considero dois filmes sensacionais, que contam uma das maiores sagas da história do cinema. 

Aqui o roteiro de Coppola e do escritor Mario Puzo divide o longa em duas narrativas. Uma delas se passa nos ano cinquenta e segue a vida de Michael (Al Pacino), o caçula da família Corleone, que após a morte do pai e do irmão mais velho, se torna o líder da família mafiosa. Sua ambição faz com que tente levar os negócios da família para Las Vegas e Havana, situação que o faz enfrentar um rival (Lee Strasberg), entrar em conflito com seu irmão do meio (John Cazale) e ver seu casamento com Kay (Diane Keaton) entrar em crise. 

A segunda narrativa se passa décadas atrás, quando o jovem Vito Corleone (Robert DeNiro) foge da Sicília para Nova York após ter sua família assassinada pela Máfia. Na América, Vito tenta sustentar esposa e filhos através de pequenos bicos, até que acaba matando um sujeito que extorquia comerciantes. O fato faz com que Vito ganhe respeito e poder na região conhecida como Litte Italy, dando início a sua escalada como criminoso. 

As duas narrativas são perfeitas, valorizadas pelo belo roteiro e um sensacional elenco. Se esta sequência não tinha Brando e Caan que morreram no filme anterior, a atuação de Robert DeNiro compensa tranquilamente, junto com um jovem Al Pacino e os sempre competentes Robert Duvall e Diane Keaton. 

Não se pode esquecer também de John Cazale, grande ator que faleceu em 1978 após ter trabalhado apenas em cinco filmes, porém em cinco grande clássicos do cinema. Cazale trabalhou em “O Poderoso Chefão I e II”, “A Conversação”, “Um Dia de Cão” e “O Franco Atirador”, além disso, quando faleceu Cazale vivia com Meryl Streep, com quem contracenou em “O Franco Atirador”.
     

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Ed

Ed (EUA, 2000 a 2004)
Criadores - Jon Beckerman & Rob Burnett
Elenco - Tom Cavanagh, Julie Bowen, Justin Long, Josh Randall, Jana Marie Hupp, Lesley Boone, Michael Ian Black, Rachel Cronin, Michael Genadry, Ginnifer  Goodwin, Mike Starr, Daryl "Chill" Mitchell, John Slattery.

Dentre várias séries que são produzidas sem muita badalação, algumas sobrevivem a primeira temporada em virtude de sua simplicidade e do carisma do elenco. Esta é a explicação para as quatro temporadas da simpática série "Ed".

A trama começa com o advogado Ed Stevens (Tom Cavanagh) trabalhando num grande escritório de Nova York, até um determinado dia em que um contrato mal feito faz com que a empresa tenha um grande prejuízo e ele perca o emprego. No mesmo dia ele volta para casa mais cedo e encontra a esposa na cama com o carteiro.

Após as duas "tragédias", Ed decide voltar por algum tempo para sua cidade natal, a pequena Stuckeyville em Ohio. Chegando ao local ele reencontra velhos amigos, como casal Mike e Nancy (Josh Randall e Jana Marie Hupp), a gordinha Molly (Lesley Boone) e também uma antiga paixão platônica, a ex-cheerleader Carol (Julie Bowen), hoje uma professora primária colega de Molly.

Este reencontro faz Ed se sentir feliz e acreditar que desta vez possa conquistar Carol, que no passado sequer o cumprimentava. Para ficar na cidade, Ed decide comprar o velho boliche, que se torna ponto de encontro dos amigos, ao mesmo tempo que ele transforma o local em seu escritório de advocacia, se tornando "O Advogado do Boliche".

A premissa simples é muito bem desenvolvida nos roteiros dos episódios que misturam pequenos dramas com comédia. Os dramas apresentados são problemas amorosos, questões familiares, de amizade e preconceito na escola, este último representando pelo núcleo de jovens do elenco. Justin Long interpreta o sonhador Warren, garoto que é quase uma cópia de Ed quando adolescente. Warren tem como amigos o gordinho Mark (Michael Genadry), a garota pouco popular Diane (Ginnifer Goodwin).

Vale destacar ainda os malucos funcionários do boliche. Phil (Michael Ian Black) que a cada episódio inventa uma nova forma de ganhar dinheiro e sempre se dá mal, o grandalhão Kenny (Mike Starr) e a estranha Shirley (Rachel Cronin). Nas duas últimas temporadas entrou na série o personagem Eli, interpretado por Daryl "Chill" Mitchell, ator que apesar de jovem era veterano de séries como "The John Larroquette Show" e "Veronica's Closet", mas que pouco tempo antes sofreu um acidente de moto e ficou paraplégico. Daryl deu a volta por cima e continuou a carreira, mesmo com a deficiência.

É uma divertida e simpática série para quem curte humor e drama de forma inofensiva.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Ratos do Deserto & Dá-me Tua Mão


Ratos do Deserto (The Desert Rats, EUA, 1953) – Nota 7
Direção – Robert Wise
Elenco – Richard Burton, Robert Newton, James Mason, Robert Douglas, Chips Rafferty.

Em 1941, os confrontos da Segunda Guerra já haviam chegado a África e os alemães avançavam cada vez mais sob o comando do General Rommel (James Mason). Uma das cidades ainda sob poder dos aliados era Tobruk na Líbia. Para defender a região, uma legião de soldados australianos conhecidos como “Ratos do Deserto” criam um barreira no deserto da Líbia para impedir o avanço dos alemães. Apesar da legião ser australiana, um inglês, o Capitão MacRoberts (Richard Burton) é designado para comandar os soldados no campo de batalha.

O filme que venceu o Oscar de Melhor Roteiro Original, é baseado livremente na história real dos “Ratos do Deserto”, um grupo de soldados australianos, neozelandeses e britânicos que ajudaram a impedir a expansão alemã na África. O longa tem boas sequências de ação que podem parecer um pouco envelhecidas hoje, mas que com certeza funcionaram bem na época.

Os destaques são as boas interpretações de Richard Burton como o comandante sério, Robert Newton como o soldado bêbado e James Mason como Romel, além da direção de Robert Wise (“Amor, Sublime Amor” e “O Dia em que a Terra Parou”). 

Uma boa pedida para quem gosta de filmes de guerra antigos.

Dá-me Tua Mão (Take the High Ground!, EUA, 1953) – Nota 7
Direção – Richard Brooks
Elenco – Richard Widmark, Karl Marlden, Elaine Stewart, Russ Tamblyn, Steve Forrest, Carleton Carpenter.

Num centro de treinamento militar, o sargento Thorne Ryan (Richard Widmark) pega pesado para preparar recrutas novatos que serão enviados para a Guerra da Coréia. Sujeito durão, tem como único amigo outro sargento, Laverne Holt (Karl Marlden), que faz o contraponto mostrando tranquilidade. O estilo rústico de Ryan o fará entrar em conflito com superiores, com a garota Julie (Elaine Stewart) e até com seu amigo Holt. 

Este foi talvez o primeiro filme a mostrar o duro treinamento que os soldados americanos são obrigados a enfrentar, inclusive situações que de tão absurdas se tornam engraçadas. O roteiro também dá espaço para o inevitável drama, mas filmado com a competência do bom diretor e roteirista Richard Brooks (“Os Profissionais”, “A Sangue Frio”). 

Como curiosidade, a premissa lembra um pouco o ótimo e superior “Nascido para Matar” de Stanley Kubrick.

domingo, 14 de outubro de 2012

JCVD

JCVD (JCVD, Luxemburgo / França / Bélgica, 2008) – Nota 7,5
Direção – Mabrouk El Mechri
Elenco – Jean Claude Van Damme, François Damiens, Zinedine Soualem.

Em meados dos anos oitenta, quando o cinema de ação estava no auge e astros com Stallone e Schwarzenegger emplacavam um sucesso atrás do outro, vários atores tentaram seguir o rastro da dupla. Bruce Willis se transformou em astro de ação meio que por acaso após o sucesso do sensacional “Duro de Matar”. Willis tinha fama pela série “A Gata e o Rato” e isso ajudou para que ele fosse visto como um ator de respeito. Com inteligência, ele fez comédias e até dramas, para não ficar marcado num único gênero. 

Enquanto isso, atores como Steven Seagal, Chuck Norris, Jean Claude Van Damme e outros menos cotados, fizeram sucesso com alguns filmes, mas não conseguiram seguir carreira além dos filmes de ação. A partir de meados dos anos noventa, estes atores foram perdendo espaço e praticamente sumiram dos cinemas, restando apenas as produções lançadas diretamente em vídeo. 

Entre estes que se perderam na carreira, Van Damme com certeza era o que tinha maior potencial de se tornar uma verdadeiro ator. A aparência de galã, o físico de atleta e até algum talento para representação ele possuía, porém a fama chegou junto com vários casamentos, escolhas ruins de papéis e até problemas com drogas. 

Quando Van Damme decidiu apostar suas fichas neste “JCVD”, ele já estava há quase uma década sem que filme algum chegasse aos cinemas. O longa começa com Van Damme no meio de um cena de ação onde derruba vários bandidos, típica sequência dos caça-niqueis que protagoniza há anos. Quando a cena acaba após um erro no cenário, Van Damme diz ao diretor que já tem 47 anos e que ficaria difícil repetir a cena, situação que é tratada com desprezo pelo jovem diretor de origem oriental. 

Em seguida descobrimos que Van Damme está no meio de uma disputa na justiça pela guarda da filha, que por seu lado não deseja morar com o pai, alegando que seus filmes fazem com que as outras crianças tirem sarro dela. Para piorar, Van Damme que precisa de dinheiro para pagar o advogado, vai até Bruxelas na Bélgica (seu país natal) para sacar o valor no correio e acaba envolvido no meio de um assalto, onde os bandidos fazem a polícia acreditar que o astro é o mentor do crime. 

Mesmo longe de ser um grande roteiro, o ponto principal e corajoso do filme é Van Damme se mostrar como ele mesmo, expondo seus erros e fraquezas, principalmente num doloroso monólogo durante o assalto, quando ele vira para a câmera e abre o coração mostrando todo o arrependimento que carrega. 

A história funciona principalmente por mostrar o homem e não o astro como personagem principal, mesmo que a trama em si seja ficção. Porém é triste constatar que o filme que poderia ser o renascimento da carreira do ator, será lembrado apenas como um trabalho diferenciado, já que em seguida Van Damme retornou aos filmes de ação de baixo orçamento lançados direto em vídeo. 

sábado, 13 de outubro de 2012

A Dupla Vida de Veronique

A Dupla Vida de Veronique (La Double Vie de Veronique, França / Polônia / Noruega, 1991) – Nota 7
Direção – Krzysztof Kieslowski
Elenco – Irene Jacob, Phillippe Volter.

Na Polônia, a jovem Weronika (Irene Jacob) vive com o pai e consegue ser aceita como cantora em uma orquestra, porém aos poucos ela apresenta problemas de saúde e acaba falecendo após sua apresentação de estreia. 

Ao mesmo tempo na França, Veronique (Irene Jacob também) é uma jovem idêntica a garota polonesa, que também vive com o pai e tem o mesmo talento para a música. Sua vida muda após assistir a um show de marionetes comandado pelo escritor Alexandre Fabbri (Philippe Volter). Veronique sente-se atraída pelo sujeito e decide desistir da carreira de cantora. 

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, este filme apresentou ao mundo o trabalho do diretor polonês Krzysztof Kieslowski, sendo extremamente elogiado pela crítica, assim como a interpretação de Irene Jacob que venceu o prêmio de melhor atriz no mesmo festival. 

Apesar de todos os elogios, gosto mais dos outros trabalhos do diretor, aqui a história tem uma premissa interessante ao mostrar duas jovens idênticas que vivem em países diferentes e sentem que falta algo em suas vidas, porém o desenrolar da trama é filosófico demais. 

Existem bons momentos como a cena em que as duas jovens se encontram por acaso numa praça na Cracóvia e as sequências de sexo da bela protagonista, em contrapartida o ritmo lento que nos outros trabalhos do diretor serviam como reflexão da história e das vidas dos personagens, aqui deixa a impressão de que a trama não chega a lugar algum. 

Para os fãs do filme, com certeza a história pode render grandes discussões filosóficas, mas na minha opinião é um longa superestimado.   

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Ficção B com Alienígenas

Hangar 18 (Hangar 18, EUA, 1980) – Nota 6
Direção – James L. Conway
Elenco – Gary Collins, Darren McGavin, Robert Vaughn, James Hampton, Pamela Bellwood.

Uma nave não identificada se choca com um satélite e faz um pouso de emergência no deserto. Dois astronautas (Gary Collins e James Hampton) que estavam em um ônibus espacial presenciam o acidente e quando voltam à Terra tentam descobrir o que ocorreu com a nave, porém são proibidos de investigar pelo governo que não deseja que o fato influencie na reeleição do presidente (Robert Vaughn). Esta razoável ficção fez algum sucesso na época ao mostrar uma trama de conspiração governamental para esconder alienígenas, com uma mistura do anterior “Capricórnio Um” (longa que tratava a chegada à lua como um farsa) e a posterior série “Arquivo X”, porém sem o charme e o carisma dos personagens da série. Com efeitos especiais que envelheceram, hoje o filme val apenas como curiosidade.  

Missão Alien (Alien Nation, EUA, 1988) – Nota 7
Direção – Graham Baker
Elenco – James Caan, Mandy Patinkin, Terence Stamp, Kevin Major Howard, Peter Jason, Jeff Kober, Leslie Bevis, Conrad Dunn, Roger Aaron Brown, Brian Thompson.

Um nave com trezentos mil alienígenas chega à Terra fugindo de uma guerra no seu planeta de origem. O governo recebe os visitantes e tenta criar formas de integrá-los a sociedade. Após algum tempo os alienígenas vivem normalmente entre humanos, inclusive demonstrando os mesmos defeitos e virtudes. Quando um policial (James Caan) tem seu parceiro morto por uma gangue de alienígenas, seu superior escala como novo parceiro o primeiro alienígena a ser tornar policial (Mandy Patinkin), o que causa revolta no sujeito. A trama lembra bastante o ótimo e bem posterior “Distrito 9”, mostrando a interação dos alienígenas com a população e todos os conflitos que surgem com a situação, inclusive o preconceito idêntico ao que ocorre com os imigrantes. O roteiro segue o estilo dos longas policiais sobre parceiros que a princípio não se entendem e depois se tornam amigos, com a diferença de que um deles é alienígena. Como curiosidade, o longa fez sucesso e gerou uma série com outro elenco que rendeu uma temporada. A série foi cancelada e os fãs reclamaram, o que posteriormente gerou cinco filmes para a tv baseados na série, produzidos de 1994 a 1997.

Caçada Alienígena (Peacemaker, EUA, 1990) – Nota 5,5
Direção – Kevin S. Tenney
Elenco – Robert Forster, Lance Edwards, Hilary Shepard, Robert Davi, Bert Remsen.

Dois alienígenas (Robert Forster e Lance Edwards) chegam à Terra e travam uma violenta batalha. Entre eles está uma médica (Hillary Shepherd) que não sabe quem é o mocinho ou o bandido. Um policial (Robert Davi) também se envolve na caçada. Esta ficção B copia o superior “The Hidden – O Escondido”, longa produzido dois anos antes que também tinha como ponto principal a caçada a um alienígena assassino que usava o corpo das vítimas como hospedeiro. O filme tem até boas cenas de ação e bastante correria, que pode divertir quem não sabe importar com as falhas do roteiro e o elenco de canastrões.   

Monolith – A Energia Destruidora (Monolith, Alemanha / EUA, 1993) – Nota 5,5
Direção – John Eyres
Elenco – Bill Paxton, Lindsay Frost, John Hurt, Louis Gossett Jr, Musetta Vander.

Uma dupla de policiais (Bill Paxton e Louis Gosset Jr) investiga o assassinato de um jovem e as pistas os levam a uma entidade secreta do governo que está envolvida numa experiência com alienígenas. Esta ficção B misturada com longa policial, começa deixando o espectador curioso com a possível conspiração, porém o roteiro se perde resultando num clímax fraco repleto de efeitos especiais ruins. Bill Paxton, Louis Gosset Jr e John Hurt fazem o possível com o que tem em mãos, porém não é o suficiente para resultar num bom filme.

Sob o Domínio dos Aliens (The Puppet Masters, EUA, 1994) – Nota 6,5
Direção – Stuart Orme
Elenco – Donald Sutherland, Eric Thal, Julie Warner, Keith David, Will Patton, Yaphet Kotto, Richard Belzer, Tom Mason, Sam Anderson, Marshall Bell.

Uma nave alienígena cai numa pequena cidade americana e quando os agentes do governo chegam ao local, tudo parece normal, como se nada tivesse ocorrido. A questão é que os aliens tem o poder de entrar no corpo dos humanos e se alojar na espinha dorsal, mantendo o hospedeiro como uma espécie de zumbi. Quando os agentes do governo (Donald Sutherland, Eric Thal e Julie Warner) descobrem o que ocorreu, é o início de uma corrida contra o tempo, já que qualquer um pode estar contaminado e rapidamente infectar outros. Copiando a premissa do clássico “Vampiros de Almas” que já foi refilmado algumas vezes, esta ficção com cara de filme B é até competente ao misturar o clima de caos com cenas de ação, mesmo que tenha alguns furos e o final não seja lá grande coisa. Como curiosidade, Sutherland estrelou o semelhante “Invasores de Corpos” em 1978, que foi a primeira refilmagem de “Vampiros de Almas”.

Contato Alienígena (Alien Hunter, EUA / Bulgária, 2003) – Nota 6
Direção – Ron Krauss
Elenco – James Spader, Janine Ester, John Lynch, Carl Lewis, Keir Dullea.

Numa base no Pólo Sul, cientistas descobrem um estranho objeto enterrado no gelo. Enquanto isso, diversas estações pelo mundo captam sinais de rádio vindos do espaço. Para decifrar os sinais, a cientista chefe da base convoca o especialista Julian Rome (James Spader), que descobrirá uma terrível ameaça na mensagem. Basicamente é uma ficção “B”, com uma história que tem algum suspense e agradará fãs nem tanto exigentes do gênero. O ponto negativo são os fracos efeitos especiais que comprometem o longa. Como curiosidade, temos a participação do ex-corredor e medalhista olímpico Carl Lewis e uma ponta de Keir Dullea, que protagonizou o clássico “2001 – Uma Odisséia no Espaço” e nunca se firmou no carreira.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Terráqueos

Terráqueos (Erathlings, EUA, 2005) – Nota 7,5
Direção – Shaun Monson
Narração – Joaquin Phoenix
Documentário 

O diretor Shaun Monson reuniu uma coletânea de imagens, em grande parte gravadas com câmeras escondidas, que mostram como os seres humanos tratam os animais de forma terrível, como se fossem objetos, sendo que nossa sociedade é totalmente dependente dos animais. 

O documentário é dividido em cinco partes: Animais de estimação, comida, vestuário, entretenimento e pesquisas científicas. Em todas estas situações o diretor mostra como os animais são tratados com crueldade. São cenas absurdas que chocam pela total falta de sentimento de pessoas envolvidas que podem ser consideradas psicopatas. 

Confesso que em várias partes usei o fast forward. Logo na questão dos animais de estimação fiquei com um nó na garganta. Os terríveis criadouros de cães são comparados aos campos de concentração nazistas, com os pobres animais ficando presos em pequenas jaulas, situação que leva muitos deles a loucura. 

O documentário segue mostrando como funcionam os criadores e abatedouros, onde vacas, porcos e galinhas vivem amontoados até o momento de serem executados. Vemos ainda cenas de caça onde os animais são vítimas para serem utilizados na confecção de roupas, as corridas de cavalo e cães, onde o que vale é o lucro com as apostas, os domadores de circo que batem em animais para adestrá-los e finalizando com as pesquisas científicas que muitas vezes utilizam animais vivos como cobaias. 

Fica claro que o documentário foi feito com o objetivo de chocar, utilizando as piores imagens possíveis de maus tratos aos animais, situações que não merecem perdão para os envolvidos, porém, infelizmente esta dependência do ser humano em relação aos animais continuará existindo, não vejo como isso possa mudar. Por outro lado, acredito que existam formas de minimizar este sofrimento, a questão é como fazer isso?

Resumindo, é um documentário pesado que faz o espectador refletir sobre suas atitudes de consumo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Dúvida

Dúvida (Doubt, EUA, 2008) – Nota 8,5
Direção – John Patrick Shanley
Elenco – Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Viola Davis.

Em 1964, no colégio católico St. Nicholas no Bronx, a irmã Aloysius (Meryl Streep) comanda as professoras e os alunos com mão de ferro. Em contrapartida, padre Flynn (Philip Seymour Hoffman) é um sujeito progressista, que ensina basquete para os alunos, tira suas dúvidas e faz sermões nas missas baseados em temas como dúvida e intolerância. 

O padre considera um grande atraso os métodos da irmã Aloysius, que pelo seu lado não vê com bons olhos a relação do padre com os alunos. No meio desta guerra está a jovem irmã James (Amy Adams), uma professora que acredita na bondade e por este motivo fica dividida entre as suspeitas da irmã Aloysius e o tratamento carinhoso que o padre Flynn tem com os alunos. 

A situação fica complicada quando um aluno de cor negra, o primeiro a ser aceito na escola, tem um comportamento estranho após conversar com o padre. O fato transforma a inimizade entre irmã e padre numa guerra, onde a irmã Aloysius tentará fazer todos acreditarem que o padre molestou o garoto. 

Este ótimo drama é baseado numa peça teatral do próprio diretor John Patrick Shanley (Oscar pelo roteiro de “O Feitiço da Lua”) que utiliza a dúvida em relação ao comportamento do padre como ponto principal. Pequenos detalhes em cena, algumas sequências e os ótimos diálogos que podem ser interpretados nas entrelinhas, deixam o espectador e os personagens mergulhados na dúvida até o final, que por sinal tem uma sensacional cena com Meryl Streep e Amy Adams. 

Além do roteiro que foi indicado ao Oscar, a atuação do quarteto principal também resultou em merecidas indicações, inclusive a pequena participação de Viola Davis como a mãe do aluno que faz amizade com o padre.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Ele Não Está Tão Afim de Você

Ele Não Está Tão Afim de Você (He’s Just Not That Into You, EUA, 2009) – Nota 7
Direção – Ken Kwapis
Elenco – Ginnifer Goodwin, Justin Long, Jennifer Aniston, Jennifer Connelly, Scarlett Johansson, Bradley Cooper, Ben Affleck, Drew Barrymore, Kevin Connolly, Luis Guzman, Kris Kristofferson.

Em Baltimore, várias pessoas estão interligadas por encontros e desencontros amorosos. Temos a jovem sonhadora procurando o amor (Ginnifer Goodwin), que faz amizade com o gerente de um bar (Justin Long), que resolve contar de forma direta quais são os sinais que os homens dão quando não estão afim de uma garota. Temos um corretor de imóveis (Kevin Connolly) apaixonado por uma professora de ioga (Scarlett Johansson), que por seu lado está interessada num sujeito casado (Bradley Cooper) que passa por uma crise com a esposa (Jennifer Connelly). Esta última trabalha com a jovem sonhadora e com outra mulher (Jennifer Aniston) que vive há sete anos com o namorado (Ben Affleck) que não pensa em casar. Ainda temos uma jovem (Drew Barrymore) que procura um namorado pela internet. 

Esta ciranda de amores brinca com a ansiedade feminina em decifrar os sinais dados pelos homens, que na maioria das vezes nem imaginam que uma determinada atitude pode ser interpretada pelas mulheres como sinal de interesse. 

As narrações no prólogo e no epílogo refletem bem como a maioria das mulheres escolhem sonhar com um final feliz, mesmo que a situação real mostre o oposto. 

O elenco de astros segura bem o filme, com destaque para os dois menos conhecidos: A simpática Ginnifer Goodwin e Justin Long tem os papéis mais interessantes, com os melhores diálogos, repetindo o par que fizeram na antiga série de tv “Ed”.  

Do restante do elenco vale destacar os corretos Bradley Cooper e as Jennifer Aniston e Connelly, além da volúpia de Scarlett Johansson. O destaque negativo é o fraco Ben Afleck, que aparece pouco na tela, provavelmente por escolha do diretor. 

Como curiosidade, em uma cena a personagem de Ginnifer Goodwyn assiste ao longa “Alguém Muito Especial”, clássico adolescente dos anos oitenta estrelado por Eric Stoltz e Mary Stuart Masterson.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O Artista

O Artista (The Artist, França / Bélgica, 2011) – Nota 8
Direção – Michael Hazanavicius
Elenco – Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelop Ann Miller, Missy Pyle, Beth Grant, Ed Lauter, Malcolm McDowell, Ken Davitian.

Na Hollywood de 1927, George Valentin (Jean Dujardin) é um grande astro do cinema mudo, porém não imagina que sua vida irá mudar em pouco tempo. Quando o produtor Al Zimmer (John Goodman) mostra que o futuro chegou e os novos filmes seriam produzidos com som, George debocha do sujeito. Pouco tempo depois Al despede George, que decide produzir seu próprio filme mudo e acredita que continuará fazendo sucesso. Por outro lado, a jovem Peppy Miller (Bérénice Bejo) que começou no cinema como figurante com a ajuda de George, se torna a nova estrela da companhia de Al Zimmer, que agora produz apenas filmes com som. 

O filme é uma grande homenagem ao cinema mudo, focando a transição para o cinema com som, fato que acabou com a carreira de diversos astros e estrelas, abrindo caminho para novos rostos. O roteiro do diretor Hazanavicius é apenas certinho, segue um modelo clássico de sucesso, queda e redenção, citando ainda rapidamente a questão da quebra da bolsa de Nova York em 1929, porém o filme cresce nas ótimas interpretações de Dujardin e Bejo, na “atuação” do simpático cachorrinho companheiro de Dujardin, na belíssima fotografia em preto e branco, numa perfeita reconstituição de época e em fazer o espectador atual prender atenção em um filme sem diálogos, pontuado por um trilha sonora inspirada. 

É um belo filme em que o diretor buscou inspiração nos primórdios do cinema.  

domingo, 7 de outubro de 2012

O Enigma das Cartas

O Enigma das Cartas (House of Cards, EUA, 1994) – Nota 5,5
Direção – Michael Lessac
Elenco – Kathleen Turner, Tommy Lee Jones, Asha Menina, Shiloh Strong, Esther Rolle, Park Overall.

Ruth Mattews (Kathleen Turner) volta da América Central após a morte do marido num acidente quando o casal fazia a restauração de uma pirâmide Maia. Ao chegar em casa nos Estados Unidos com o filho adolescente Michael (Shiloh Strong) e a pequena Sally (Asha Menina), a garota começa a agir de forma estranha. Primeiro subindo em lugares altos como árvores e o telhado de casa, depois deixando de falar e não mostrando reação a situação alguma. A escola indica o assistente social Jake Beerlander (Tommy Lee Jones) para examinar a garota, o que a princípio não é aceito por Ruth, mas diante das situações perigosas que a menina se envolve, ela é obrigada a aceitar o tratamento. 

É um filme estranho, que no início passa a impressão de que a garota está possuída por algum espírito Maia ou algo sobrenatural, já que no prólogo a criança conversa na antiga língua dos Maias com um descendente daquele povo. O foco muda quando a garota constrói uma espécie de casa de cartas e a mãe tentando ajudar procura uma solução fora do comum. 

Mesmo o filme não sendo de todo ruim, ele perde pontos em virtude do roteiro confuso escrito pelo diretor Lessac e também por seu trabalho atrás das câmeras que é fraco, apresentando uma narrativa lenta e sem emoção.