quinta-feira, 31 de maio de 2012

O Feitiço de Áquila

O Feitiço de Áquila (Ladyhawke, EUA, 1985) – Nota 8
Direção – Richard Donner
Elenco – Matthew Broderick, Michelle Pfeiffer, Rutger Hauer, Leo McKern, John Wood, Ken Hutchison, Alfred Molina.

Na Idade Média, o Capitão Etienne Navarre (Rutger Hauer) e a bela Isabeau d’Anjou (Michele Pfeiffer) se apaixonam, porém a jovem é cobiçada pelo Bispo de Áquila (John Wood), um sujeito vingativo, que por não ter o amor da moça, joga uma maldição no casal. Durante o dia, Isabeau se transforma em falcão e a noite, Navarre vira lobo, fazendo com que o casal não possa consumar seu amor. 

Ao mesmo tempo, o pequeno ladrão Phillipe “O Rato” (Matthew Broderick) se torna o primeiro prisioneiro a fugir das masmorras de Áquila e o destino faz com que ele cruze com Navarre e com um frei bêbado (Leo McKern). Juntos, eles precisam enfrentar diversos perigos para acabar com a maldição do Bispo. 

Um dos grandes clássicos dos anos oitenta, este filme utiliza uma história de amor como base para criar uma ótima aventura, que tem ainda toques de humor a cargo do personagem de Matthew Broderick, que faz aqui quase uma prévia do jovem esperto de língua afiada que o consagraria em “Curtindo a Vida Adoidado” no ano seguinte. 

O longa tem ainda dois ícones dos anos oitenta. A belíssima e boa atriz Michelle Pfeiffer no auge da beleza e o holandês Rutger Hauer, mostrando aqui, assim como no clássico “Blade Runner” e em outros trabalhos da época, que é um bom ator, mas que infelizmente foi mal aproveitado em vários filmes ruins a partir da década de noventa. 

Não se pode deixar de citar o diretor Richard Donner. Hoje com mais de oitenta anos e praticamente aposentado, ele fez uma ótima carreira com trabalhos como “A Profecia”, “Superman”, “Os Goonies” e a série de filmes “Máquina Mortífera”. 

Sem dúvida, “O Feitiço de Áquila” é um dos meus filmes preferidos, daqueles que assisti mais de uma vez e que estão bem guardados na minha memória afetiva.   

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Quarteto Fantástico & Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado



Quarteto Fantástico (Fantastic Four, EUA, 2005) – Nota 5,5
Direção – Tim Story 
Elenco – Ioan Gruffudd, Jessica Alba, Chris Evans, Michael Chiklis, Julian McMahon, Hamish Linklater, Laurie Holden, Kerri Washington.

Durante uma viagem especial, um foguete sofre um acidente e seus quatro tripulantes voltam para Terra com poderes especiais. Reed Richards (Ioan Gruffudd) pode se esticar como se fosse de borracha, Ben Grimm (Michael Chiklis) se transforma em pedra, Susan Storm (Jessica Alba) pode ficar invisível e seu irmão Johnny Storm (Chris Evans) ganha o poder se transformar em fogo. Logo o grupo se torna popular e passa a usufruir da fama, porém Victor Von Doom (Julian McMahon) que financiou a viagem espacial também desenvolve um poder especial que utilizará contra o quarteto.

O filme acabou massacrado pela crítica em virtude das várias falhas no roteiro e dos personagens mal desenvolvidos e pessimamente interpretados, com exceção do bom Michael Chiklis como o Coisa. Os diálogos engraçadinhos não ajudam e até as cenas de ação são apenas razoáveis. É com certeza uma das adaptações mais fracas da Marvel, mesmo para pessoas como eu que não são especialistas em quadrinhos.

Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer, EUA / Alemanha / Inglaterra, 2007) – Nota 5,5
Direção – Tim Story
Elenco – Ioan Gruffud, Jessica Alba, Chris Evans, Michael Chiklis, Julian McMahon, Kerry Washington, André Braugher, Doug Jones, Laurence Fishburne, Zach Grenier.

Reed Richards (Ioan Gruffudd) e Sue Storm (Jessica Alba) estão prestes a se casar e abandonar a vida de combate ao crime, porém a chegada de um ser alienígena, o Surfista Prateado causando alterações no clima e pânico no mundo, faz a dupla adiar a aposentadoria. Na verdade, o Surfista Prateado é um emissário de Galactus, que veio preparar o caminho para ele destruir o planeta. Além disso, o quarteto ainda precisará enfrentar novamente Dr. Doom (Julian McMahon). 

O melhor do longa são os efeitos visuais, inclusive o Surfista Prateado (criado na figura do mímico Doug Jones), porém a história é fraquinha, os personagens soltam sempre uma piadinha após uma cena de ação e o elenco continua ruim como no original, novamente tendo como exceção o bom Michael Chiklis. 

terça-feira, 29 de maio de 2012

Atores Estranhos

O cinema todos os anos apresenta novos candidatos a astros e estrelas em que a beleza está muito acima do talento. Este tipo de ator ou atriz consegue bons trabalhos por pouco tempo, sendo logo deixado de lado em prol de um novo rosto bonito, porém o cinema também é local para grandes atores que não tem beleza alguma. Steve Buscemi, John Malkovich, John Turturro, Sean Penn e Christopher Walken são grandes exemplos que se firmaram pelo talento.

Nesta postagem vou um pouco além, cito oito atores realmente estranhos. A maioria não chegou a ser astro, mas são todos rostos (estranhos) conhecidos dos cinéfilos, que fizeram carreira principalmente em papéis de coadjuvantes.

Vincent Schiavelli será eternamente lembrado pelo papel do fantasma do metrô de "Ghost". Seus olhos caídos e sua voz estranha foram fundamentais para papéis de maluco ou vilão, como em "Um Estranho no Ninho" e "Batman - O Retorno", entre diversos outros papéis no cinema e em seriados de tv. Diferente de sua figura assustadora, Schiavelli era especialista em artes, apreciador de óperas e vinhos. Faleceu em 2005.

Professor Toru Tanaka
Este havaiano gigante estreou no cinema lutando contra Chuck Norris em "Olho por Olho". Depois sempre interpretando o vilão que não falava, trabalhou em filmes como "The Running Man - O Sobrevivente" com Schwarzenegger, "Braddock II" novamente com Norris e comédias como "Três Ninjas" e "O Último Grande Herói". Faleceu em 2000.

Danny Trejo é um caso único no cinema. Chegou a ser preso na juventude e já na faixa dos quarenta anos conseguiu pequenos papéis de bandido em diversos filmes policiais e de ação. Sua carreira cresceu quando Robert Rodriguez deu um papel interessante em "A Balada do Pistoleiro". A partir daí Trejo não parou mais. Conseguindo papéis cada vez maiores e Robert Rodriguez quase sempre o escalando em seus filmes, sua figura se tornou cult, culminando em "Machete", seu primeiro filme como protagonista em 2010.


O sul africano Zakes Mokae ficou conhecido ao interpretar um feiticeiro haitiano em "A Maldição dos Mortos Vivos" de Wes Craven. Ele tinha uma carreira em seu país e havia participado da minissérie "Raízes" que fez algum sucesso no início dos anos oitenta. Após o filme de Craven, Mokae trabalhou em longas como "Uma Vampiro no Brooklin" e "O Colecionador de Almas" e outros de crítica social sobre a África, como "Um Grito de Liberdade" e "Assassinato Sob Custódia". Seu último papel de destaque foi na série "Oz - A Vida é uma Prisão". Faleceu em 1999.

Michael J. Pollard tinha apenas pequenos papéis na tv quando foi escalado para "Bonnie & Clyde - Uma Rajada de Balas". O sucesso do filme fez sua figura estranha de voz anasalada ficar conhecida. Durante toda a carreira interpretou o esquisito, algumas vezes em comédias como "Roxanne" e outras em filmes de ação como "Tango & Cash - Os Vingadores".


O ruivo Courtney Gans era figura conhecida como coadjuvante em comédias nos anos oitenta. Ele trabalhou em "Admiradora Secreta", "Namorada de Aluguel" e "Meus Vizinhos São um Terror". Seu melhor papel foi no ótimo "Memphis Belle - Fortaleza Voadora" em 1990. Hoje sua carreira se resume a coadjuvante em seriados e filmes B.

O comediante inglês Terry-Thomas ficou conhecido por seus dentes separados e por interpretar vilões ao estilo Dick Vigarista. Thomas trabalhou no clássico "Deu a Louca no Mundo" ao lado dos maiores comediantes da época, no engraçado "Os Perigos de Paulina" e em três comédias deliciosas sobre corridas, verdadeiros clássicos da sessão da tarde: Os imperdíveis "Esses Homens Maravilhosos e Suas Máquinas Voadoras", "Aqueles Fantásticos Loucos Voadores" e "Esses Intrépidos Homens e Seus Calhambeques Maravilhosos". Faleceu em 1990.

Muitos podem perguntar, quem é Al Leong? Pelo nome poucas pessoas conhecem, porém o cinéfilo fã dos filmes de ação com certeza reconhecerá a figura. Um dos atores que mais morreu nas telas, teve sua principal cena da carreira ao torturar Mel Gibson em "Máquina Mortífera". Al trabalhou ainda em "Os Aventureiros do Bairro Proibido", "Duro de Matar", "Chuva Negra", "Um Tira Pesada III", "Fuga de Los Angeles" e a série "24 Horas", entre diversos outros papéis. Belo currículo para um desconhecido.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Digital

Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Digital (Medianeras, Argentina / Espanha / Alemanha, 2011) – Nota 7,5
Direção – Gustavo Taretto
Elenco – Javier Drolas, Pila Lopez de Ayala, Inés Efron, Adrian Navarro, Rafael Ferro, Carla Peterson.

Em Buenos Aires, dois jovens moram próximos em pequenos apartamentos, vivem solitários e convivem com suas neuroses. Martin (Javier Drolas) trabalha construindo sites e pouco sai do seu apartamento, tendo apenas a companhia de um pequeno cão deixado pela ex-namorada. Mariana (Pilar Lopez de Ayala) é uma arquiteta que nunca construiu nada e vive como montadora de vitrines. 

O roteiro do diretor Gustavo Taretto utiliza os personagens principais para narrar suas histórias e as impressões que tem da cidade de Buenos Aires, vista como um local onde as construções foram feitas para manter as pessoas longe umas das outras, tendo como exemplo as “Medianeras”, que seria o lado do prédios que não tem janelas, a chamada “parede cega”. 

Logo no início, o personagem de Martin cita uma série de doenças psicológicas que afligem as pessoas atualmente, que pelo seu pensamento aumentaram por culpa deste isolamente causado pelas construções. Ele mesmo toma medicamentos para combater a síndrome do pânico, enquanto Mariana tem fobia a elevadores. Estes problemas são mostrados ao longo do filme através de pequenas situações com outros personagens, principalmente as tentativas de sexo casual que terminam em frustração. 

Não chega a ser um grande filme, mas utiliza bem dois personagens que poderiam ser pessoas reais para mostrar como as relações estão cada vez mais distantes e complicadas.

domingo, 27 de maio de 2012

Tratamento de Choque & Click


Tratamento de Choque (Anger Management, EUA, 2003) – Nota 6
Direção – Peter Segal
Elenco – Adam Sandler, Jack Nicholson, Marisa Tomei, John Turturro, Luís Guzman, Kurt Fuller, Allen Covert, Lynne Thigpen, Woody Harrelson, Kevin Nealon, Krista Allen, January Jones.

Durante um vôo a trabalho, Dave Buznik (Adam Sandler) se desentende com uma comissária de bordo e acaba preso como se fosse um terrorista. Dave vai a julgamento e termina condenado a um tratamento de controle da raiva, que ficará a cargo do Dr. Buddy Rydell (Jack Nicholson). O que Dave imagina ser um tratamento comum, na realidade é um tratamento de choque. O Dr. Buddy passa a atormentar a vida de Dave, sempre o instigando a ficar nervoso, inclusive chegando a se mudar para casa do rapaz, dormir na mesma cama e até flertar com a bela namorada (Marisa Tomei). 

Esta comédia produzida numa época em que os atentados de 11 de setembro eram recentes, utiliza o medo dos americanos de um novo ataque terrorista como ponto partida e também em outras sequências, inclusive com uma participação de Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova York. 

É a típica comédia em que as melhores cenas estavam no trailer, sendo elas as loucuras do personagem de Jack Nicholson, que se diverte aqui com seu repertório de caretas e maluquices. Estas cenas estão principalmente na primeira metade do filme, sendo que a parte final apela para o sentimentalismo esquemático. 

No geral é um filme comum de Adam Sandler, recheado de piadas sobre sexo, tendo o plus de contracenar com Nicholson, além de uma pequena e estranha participação de Woody Harrelson como um travesti. 

Click (Click, EUA, 2006) – Nota 6,5
Direção – Frank Coraci
Elenco – Adam Sandler, Kate Beckinsale, Christopher Walken, David Hasselhoff, Henry Winkler, Julie Kavner, Sean Astin, Jennifer Coolidge, Rachel Dratch, Jonah Hill.

O arquiteto Michael Newman (Adam Sandler) é um viciado em trabalho que dá pouca atenção a esposa (Kate Beckinsale) e ao casal de filhos. Numa noite quando ele se confunde com o controle remoto, resolve ir até uma loja comprar um controle universal. Na loja ele é atendido pelo estranho Morty (Christopher Walken), que entrega um controle especial. Em casa, Michael percebe que o aparelho pode controlar tudo, desde o latido do cães até acelerar o tempo. O que no início parece ser a solução dos seus problemas, logo mostrará a Michael sua vida no futuro, que poderá não ser aquilo que ele imagina. 

O tema de um pessoa comum receber um poder especial já foi utilizado no razoável “Todo Poderoso” com Jim Carrey, porém aqui o personagem de Adam Sandler não pode modificar os acontecimentos, mas apenas acelerar o tempo. 

O filme é irregular, tem algumas boas ideias como a crítica ao excesso de trabalho e a pressa exagerada, situação que muitas pessoas vivem no mundo atual, além de personagens interessantes como o impagável Christopher Walken e o chefão babaca vivido por David Hasselhoff. Em compensação, outros personagens são fracos, como a esposa interpretada pela bela Kate Beckinsale e o ridículo personal trainer enrustido feito por Sean Astin. 

O resultado é uma comédia com toques de melancolia que agrada razoavelmente.

sábado, 26 de maio de 2012

Inside Men

Inside Men (Inside Men, Inglaterra, 2012) – Nota 8
Direção – James Kent
Elenco – Steven Mackintosh, Warren Brown, Ashley Walters, Nicole Brown, Kierston Wareing, Leila Mimmack.

Esta minissérie em quatro capítulos produzida pelo canal inglês BBC, começa com uma sensacional sequência de um roubo milionário a uma empresa de transporte de valores. O gerente da empresa, John (Steven Mackintosh) teve sua esposa e filha sequestradas para facilitar a entrada de uma quadrilha de assaltantes mascarados no local. Na sequência que dura dez minutos, os bandidos agem de forma violenta com os funcionários, inclusive baleando o segurança Chris (Ashley Walters) e agredindo outras pessoas. 

A partir daí, o roteiro se divide em duas narrativas: Uma volta nove meses para mostrar quem são os envolvidos no assalto, como o surgiu o plano e os contratempos para colocá-lo em prática, inclusive as desavenças entre os envolvidos. A segunda narrativa segue os dias após o assalto, com a consequência do crime na vida dos envolvidos. 

O tema grandes roubos já foi explorado centenas de vezes pelo cinema, quase sempre focando na ação, já esta minissérie tem a seu favor priorizar o drama e o desenvolvimento dos personagens, criando reviravoltas que deixam o espectador à espera da próxima revelação. 

Além dos personagens citados, temos outros importantes como Marcus (Warren Brown) também funcionário da empresa, sua esposa Gina (Kierston Wareing), Kirsty (Nicola Walker) esposa do gerente John e a imigrante polonesa Dita (Leila Mimmack) que se envolve como o segurança Chris. 

Apesar de algumas falhas no roteiro, como na diferente decisão final de um dos personagens e o do ritmo que desacelera após a sequência inicial, vale conferir esta interessante trama, principalmente por causa dos ótimos personagens e suas histórias que são contadas pouco a pouco durante a trama.        

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Grite, Grite Outra Vez!, Magia Negra & Semente do Diabo



Grite, Grite Outra Vez! (Scream and Scream Again!, Inglaterra, 1970) – Nota 5,5
Direção – Gordon Hessler
Elenco – Vincent Price, Christopher Lee, Peter Cushing.

O filme conta três histórias paralelas: Um cientista maluco (Vincent Price) sequestra um atleta para ser usado como cobaia numa experiência com o objetivo de criar uma raça perfeita. Enquanto isso, nas ruas de Londres um assassino mata suas vítimas e as deixa sem sangue. A terceira trama se passa num país fictício, onde um ditador comanda com mão de ferro. 

Este longa da produtora inglesa Hammer, que era especialista no gênero terror, tem um roteiro confuso e algumas passagens sem explicação. O que chama a atenção é a presença do trio principal, já que Vincent Price, Christopher Lee e Peter Cushing estavam entre os nomes mais famosos do gênero na época. Como curiosidade, dois detalhes: Apenas Christopher Lee ainda está vivo e continua na ativa com quase noventa anos de idade e o filme passou dezenas de vezes nas madrugadas da tv aberta nos oitenta.

Magia Negra (Magic, EUA, 1978) – Nota 6,5
Direção – Richard Attenborough
Elenco – Anthony Hopkins, Ann Margret, Burgess Meredith, Ed Lauter, David Ogden Stiers.

O ventríloquo Corky (Anthony Hopkins) é um homem tímido que começa a fazer sucesso com seu boneco Fats, onde mostra seu outro lado, interpretando um sujeito desbocado e sem medo. O sucesso acaba o assustando, fazendo com que ele tente fugir do seu empresário (Burgess Meredith, o treinador Mickey da série “Rocky”), voltando para sua cidade natal. Lá ele reencontra um amor da juventude (Ann Margret), hoje casada com um antigo astro do time de futebol do colégio (Ed Lauter). Aos poucos a personalidade do boneco começa a dominar a mente do perturbado Corky, que não sabe lidar com seu lado obscuro. 

Este filme de Richard Attenborough (“Ghandi”) não tem nada de magia negra, sendo na realidade um suspense que brinca com a sanidade do protagonista, muito bem interpretado por Anthony Hopkins, na época ainda um ator pouco conhecido.

Semente do Diabo (Prophecy, EUA, 1979) – Nota 5
Direção – John Frankenheimer
Elenco – Talia Shire, Robert Foxworth, Armand Assante, Richard Dysart, Victoria Racimo.

O médico Bob (Robert Foxworth) trabalha atendendo a população de um bairro pobre. Pela sua habilidade de lidar com pessoas, Bob recebe o convite de intermediar uma disputa de terras entre índios e uma indústria de papel no Estado do Maine. Bob leva sua esposa (Talia Shire) e terá de montar um relatório ambiental que será usado para decidir quem tem razão na disputa, o problema é que alguns lenhadores foram encontrados mortos e o responsável pela indústria tem certeza que os índios foram os assassinos. Por outro lado, os índios acreditam que uma espécie de monstro que vive floresta matou os lenhadores. 

Este misto de terror e denúncia ambiental foi uma grande bola fora na carreira de John Frankenheimer. O roteiro do também diretor David Seltzer é confuso ao misturar o misticismo dos índios com a poluição do meio ambiente causada pela indústria de papel, lembrando um cruzamento ruim de “O Bebê de Rosemary” com “O Monstro do Pântano”, além de criar personagens fracos, com a insossa Talia Shire (a Adrian da série “Rocky” que também é irmã do diretor Francis Ford Coppola) e o canastrão Armand Assante como o líder dos índios.   

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Peggy Sue - Seu Passado a Espera

Peggy Sue – Seu Passado a Espera (Peggy Sue Got Married, EUA, 1986) – Nota 6,5    
Direção – Francis Ford Coppola
Elenco – Kathleen Turner, Nicolas Cage, Barry Miller, Barbara Harris, Don Murray, Maureen O’Sullivan, Catherine Hicks, Joan Allen, John Carradine, Jim Carrey, Lisa Jane Persky, Lucinda Jenney.

Peggy Sue (Kathleen Turner) engravidou ainda jovem e se casou com Charlie (Nicolas Cage), porém vinte cinco anos depois o casal está à beira do divórcio. Antes disso, eles vão a uma reunião de confraternização da antiga turma de colégio. Após ter uma espécie de colapso, Peggy Sue desmaia e acorda vinte cinco anos antes. Ela vê no fato a chance de mudar sua vida, tomando decisões diferentes do que fez quando era jovem, acreditando que teria um vida melhor no futuro. 

Coppola vinha do retumbante fracasso de “Cotton Club” e provavelmente por este fato escolheu filmar uma história mais leve, que se passa em grande parte nos anos sessenta, época em que ele próprio era jovem. 

O roteiro mistura drama sobre frustração e crise da meia-idade, com a ideia da felicidade na juventude, acertando apenas em parte. A tentativa da personagem de Kathleen Turner em refazer o caminho de sua vida é irregular, com alguns momentos interessantes e outros bem previsíveis, principalmente o final. 

Visto hoje é apenas um longa razoável, abaixo do talento de Coppola. 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Eu Sou o Número Quatro

Eu Sou o Número Quatro (I Am Number Four, EUA, 2011) – Nota 6
Direção – D. J. Caruso
Elenco – Alex Pettyfer, Timothy Olyphant, Teresa Palmer, Dianna Agron, Callan McAuliffe, Kevin Durand.

O jovem Daniel (Alex Pettyfer) na verdade nasceu no planeta Lorien e foi levado para Terra com o objetivo de manter viva sua espécie, tendo como guardião Henri (Timothy Olyphant). Daniel faz parte de um grupo de nove crianças que foram salvas da destruição do planeta e hoje vivem escondidas na Terra. 

A situação se complica quando seus inimigos, os Morgadorianos chegam à Terra e começam a matar estas crianças, que hoje são adolescentes. Após três deles serem assassinados, Daniel se torna o próximo alvo, por ser o número quatro da lista. Henri e Daniel mudam de cidade, onde numa nova escola, Daniel se envolve com a bela Sarah (Dianna Agron) e faz amizade com um garoto que acredita que o pai tenha sido abduzido (Caulin McAuliffe). 

Esta ficção infanto juvenil foi feita sob medida para dar início a uma nova franquia, porém apesar da premissa ser interessante, o roteiro deixa a desejar em virtude dos clichês e do elenco de jovens atores fracos e totalmente sem carisma. É o típico filme pipoca com a cara do produtor Michael Bay, onde os efeitos especiais e as cenas de ação são o ponto principal. Analisando o resultado, acredito que não vale a pena continuar a história.

terça-feira, 22 de maio de 2012

A Importância do Diretor de Cinema

Ontem zapeando pelos canais, assisti uma pequena parte da entrevista do diretor Fernando Meirelles no programa do Roberto Justus. Apenas como adendo, apesar da não gostar da figura do Justus, tenho de aceitar que ele está se mostrando um bom entrevistador, muito melhor do que seu trabalho anterior no horrível programa "O Aprendiz".

Sobre a entrevista, uma declaração do Fernando Meirelles meu deu a ideia desta postagem. Quando Justus perguntou porque ele não se mudou para Los Angeles para fazer uma carreira em Hollywood, Meirelles foi enfático em afirmar que não tem o mínimo interesse em trabalhar com os grandes estúdios.

Ele foi questionado sobre "Ensaio Sobre a Cegueira" e disse que foi uma produção independente, assim como o recente "360". Disse ainda que foi convidado para dirigir um filme da franquia 007 e também as sequências de "Crepúsculo", porém deixou claro que as contrapartidas exigidas pelos grandes estúdios tirariam toda sua liberdade de criação.

Citou que num filme deste tamanho, ele ficaria preso por dois anos, passando pela pré-produção, filmagens, pós-produção e divulgação, com um fato pior, ter de obedecer as regras do estúdios, sendo obrigado por produtores até mesmo a mudar posição de câmera e incluir cenas que não desejaria.

Esta declaração deixa um questionamento: Até que ponto o sucesso ou fracasso de um longa tem a responsabilidade do diretor? Como opinião pessoal, pensei em três situações. A grande maioria de filmes dos grandes estúdios tem resultados artísticos de médio para baixo, geralmente utilizando roteiros esquemáticos repletos de clichês e dirigidos por jovens que saíram da publicidade, eram roteiristas ou trabalhavam na parte técnica, geralmente em efeitos especiais. Neste tipo de filme fica quase impossível analisar o talento do diretor, já que geralmente a parte técnica é colocada como prioridade. No geral é apenas um entretenimento de massa.

A segunda situação são os diretores que se destacam em filmes independentes e aceitam o inevitável convite de Hollywood, porém acaba sendo engolidos pelo sistema e mesmo que o filme não dê prejuízo para o estúdio, no final a carreira do sujeito é que estará abalada. O que sobra para o sujeito, tentar retomar a carreira no cinema independente, o que não é nada fácil ou aceitar a nova situação e deixar a qualidade de lado para continuar a fazer filmes meia-boca e se manter na ativa.

A única situação em que o diretor tem força para impor suas vontades com os grandes estúdios é no caso de ser famoso. Nomes como Spielberg, Scorsese e George Lucas por exemplo, já tem um carreira consolidada, o que trouxe poder para escolher os projetos e comandá-los da forma que desejar, com uma mínima interferência de terceiros. Este grupo de diretores é muito pequeno e para chegar neste nível é necessário um bom tempo de carreira com vários sucessos e se possível, ainda ter grana para co-produzir seus próprios filmes.

O sucesso de um filme eleva o nome do diretor, mas por outro lado, o fracasso de crítica pode enterrar a carreira de um jovem diretor, mesmo que o longa que ele tenha entregado tenha muito mais o dedo dos produtores do que suas próprias ideias.

Finalizando, chego a conclusão de que a decisão de Fernando Meirelles foi extremamente correta, mesmo trabalhando com menos recursos, ele tem a independência de criar seus próprios filmes e o sucesso ou fracasso será resultado de seu trabalho, não da influência de estúdios e produtores.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Desconstruindo Harry

Desconstruindo Harry (Desconstructing Harry, EUA, 1997) – Nota 7,5
Direção – Woody Allen
Elenco – Woody Allen, Judy Davis, Elisabeth Shue, Kirstie Alley, Billy Crystal, Bob Balaban, Richard Benjamin, Demi Moore, Robin Williams, Caroline Aaron, Eric Bogosian, Mariel Hemingway, Amy Irving, Julie Kavner, Eric Lloyd, Julia Louis Dreyfus, Hazelle Goodman, Tobey Maguire, Stanley Tucci, Lynn Cohen, Philip Bosco, Paul Giamatti.

O escritor Harry Block (Woody Allen) utiliza seus casamentos, seus relacionamentos familiares e suas neuroses como inspirações para seus trabalhos. Esta escolha desagrada várias pessoas, como duas ex-esposas (Judy Davis e Kirstie Alley) e sua irmã (Caroline Aaron) que odeiam se verem retratadas em livro. 

O roteiro como sempre do próprio Woody Allen, mostra seu personagem alguns dias antes de receber uma homenagem da Universidade que o expulsou quando era estudante. Durante estes dias, Harry procura alguém que queira acompanhá-lo na cerimônia, ao mesmo tempo em que precisa lidar com as ex-esposas, a irmã e o cunhado, um amigo que acredita estar doente (Bob Balaban), além da ex-namorada (Elisabeth Shue) que irá se casar com seu amigo Larry (Bily Crystal). 

A grande sacada do roteiro de Allen é intercalar as cenas da vida real de Harry com as encenações do conteúdo de seus livros, criando situações engraçadas e críticas que beiram o absurdo. 

Outro acerto é o ótimo elenco, recheado de nomes famosos (Demi Moore, Billy Crystal, Robin Williams, Stanley Tucci) que aceitaram pequenos papéis apenar para trabalhar com Allen. 

É mais um delicioso filme de Allen, que brinca e ao mesmo tempo faz uma homenagem aos escritores.
   

domingo, 20 de maio de 2012

A Grande Chantagem

A Grande Chantagem (The Big Knife, EUA, 1955) – Nota 7,5
Direção – Robert Aldrich
Elenco – Jack Palance, Ida Lupino, Wendell Corey, Jean Hagen, Rod Steiger, Shelley Winters, Ilka Chase, Everett Sloane, Paul Langton, Wesley Addy.

O grande astro de cinema Charles Castle (Jack Palance) passa por uma séria crise. Está separado de sua esposa Marion (Ida Lupino) que aceita voltar para casa apenas se o marido não renovar o contrato com o produtor Stanley Hoff (Rod Steiger), sujeito que pensa apenas no lucro dos filmes, sem se preocupar com a qualidade artística. 

Marion pressiona o marido, dizendo que ele era idealista no início de carreira, mas se vendeu para ficar rico e famoso. Mesmo pensando em não renovar o contrato, Charles está numa encruzilhada em virtude do produtor Stanley saber a verdade sobre um acidente de carro onde uma pessoa faleceu e seu amigo Buddy (Paul Langton) assumiu a culpa e cumpriu pena na prisão. Charles diz ainda amar a esposa, porém mantém casos com várias fãs, inclusive com a esposa de seu amigo Buddy, a bela Connie (Jean Hagen). 

Esta teia de segredos e mentiras é filmada de modo teatral, com quase todas as cenas se passando na sala da mansão de Charles, com uma história que critica ferozmente o mundo do cinema na época. O astro vivido por Jack Palance passa a impressão de ser feliz com o sucesso, porém sua vida é um caos e toda a sujeira que aparece é jogada debaixo do tapete, as custas de lealdade e até mesmo chantagem. 

O personagem do produtor vivido por Rod Steiger é provavelmente baseado nos chefões dos estúdios da época, que mantinham astros e estrelas sobre contratos de exclusividade, que os obrigavam muitas vezes a aceitar qualquer papel, em troca de um polpudo salário e muita fama. Apesar de hoje os atores assinarem contratos por filmes, os bastidores continuam iguais ou até piores aos mostrados neste filme. 

Como curiosidades, a atriz inglesa Ida Lupino foi a primeira estrela a se aventurar na direção ainda no final dos anos quarenta e se tornou também produtora e roteirista. Já o diretor Robert Aldrich assinou vários grandes filmes como “Os Doze Condenados” e “O Que Terá Acontecido com Baby Jane?”.

sábado, 19 de maio de 2012

Viagem à Lua & O Grande Roubo do Trem



Viagem à Lua (Le Voyage Dans La Lune, França, 1902) – Nota 8
Direção – Georges Melies
Elenco – Georges Melies

Após assistir “A Invenção de Hugo Cabret”, procurei rever este filme de onze minutos saído da criativade do grande Georges Melies. 

Melies pode ser considerado o precursor das trucagens e dos efeitos especiais. De 1896 a 1913 ele produziu mais de quinhentos filmes, sendo este “Viagem à Lua” o mais famoso, por ser um dos poucos que sobreviveram ao tempo. Melies era um ilusionista que se apaixonou pelo cinema e transportou seus truques para a tela. 

Neste filme específico ele utiliza diversas cortes e muita criatividade para contar a história de seis cientistas que são enviados à lua através de um canhão e lá enfrentam criaturas saídas de cogumelos. Muito do que vemos no cinema de ficção até hoje está ali, na simplicidade dos cenários e figurinos. 

Infelizmente a produtora criada por Melies teve problemas financeiros e faliu, acabando com a indústria de sonhos do realizador. 

Como curiosidade, nos anos sessenta foi produzido um longa de ficção B dirigido por Nathan Juran chamado “Os Primeiros Homens na Lua”, que lembra muito a obra de Melies. 

Finalizando, é possível encontrar no Youtube outros filmes de Melies.

O Grande Roubo do Trem (The Great Train Robbery, EUA, 1903) – Nota 8
Direção – Edwin S. Porter
Elenco – Justus D. Barnes, Gilbert M. Anderson

Assim como “Viagem à Lua” de Georger Melies influenciou o cinema de ficção, este “O Grande Roubo Trem” é considerado o primeiro western da história. Produzido por Thomas Edison, o longa criou sequências que se tornaram clássicas nos westerns. 

O filme de apenas nove minutos mostra quatro assaltantes invadindo um trem, explodindo uma espécie de cofre, roubando os passageiros e fugindo sendo perseguidos por policiais a cavalo, tudo isso com direito a tiroteios. 

Além disso, uma cena clássica fecha o filme, o ator Justus D. Barnes dá um tiro em direção a plateia, com certeza causando um efeito assustador no público da época. 

Como curiosidade, o diretor Edwin S. Porter comandou mais de duzentos e cinquenta filmes entre 1898 e 1915.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Penn & Teller - Perseguidos por Acaso & Dois Malas sem Alça


Penn & Teller – Perseguidos por Acaso (Penn & Teller Get Killed, EUA, 1989) – Nota 6,5
Direção – Arthur Penn
Elenco – Penn Jillette, Teller, Caitlin Clarke, David Patrick Kelly, Jon Cryer, Christopher Durang, Alan North.

A dupla de ilusionistas e comediantes Penn & Teller são especialistas em truques e perfomances recheadas de humor negro. Enquanto Penn é o sujeito grandalhão e falastrão, o baixinho Teller não fala uma palavra sequer. Neste longa, a dupla é dirigida pelo grande diretor Arthur Penn (“Caçada Humana”, “Bonnie & Clyde”). 

A trama começa com a dupla sendo entrevistada num programa de tv, onde Teller declara de brincadeira que desejaria que alguém tentasse o assassinar, dando início a uma caçada onde aparecem vários malucos em busca de satisfazer o desejo do comediante. 

Além disso, a própria dupla cria pegadinhas sangrentas entre si. O destaque entre os perseguidores, está o baixinho David Patrick Kelly, figura conhecida como vilão em filmes como “Os Selvagens da Noite”, “Comando para Matar” e “O Corvo”. 

O longa tem ainda uma pequena participação de Jon Cryer da série “Two and Half Man” antes da fama. 

Uma curiosa diversão para quem gosta de humor negro.

Dois Malas Sem Alça (The Jerky Boys, EUA, 1995) – Nota 3
Direção – James Melkonian
Elenco – John G. Brennan, Kamal Ahmed, Alan Arkin, William Hickey, Alan North, Vincent Pastore, Brian Tarantina.

A dupla de comediantes John G. Brennan e Kamal Ahmed fez sucesso nos EUA passando trotes e depois vendendo um CD com o resultado das piadas. Algum produtor espertalhão resolveu transportar a dupla para o cinema resultando neste longa de uma piada só. 

O roteiro mostra a dupla passando trotes e numa destas ligações afirmam serem matadores de aluguel. O problema é que a ligação cai na casa de um chefão da máfia (Alan Arkin), o que dá início a uma perseguição dos mafiosos em busca dos supostos assassinos. 

O filme tem pouquíssimas cenas engraçadas e um fio de história. Fica difícil entender o que fez o veterano Alan Arkin pagar mico neste filme.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ritual dos Sádicos - O Despertar da Besta

Ritual dos Sádicos – O Despertar da Besta (Brasil, 1970) – Nota 5,5
Direção – José Mojica Marins
Elenco – José Mojica Marins, Ozualdo Candeias, Maurice Capovila, Sérgio Hingst, Carlos Reichenbach, Mário Lima, Ítala Nandi.

Um psicanalista (o cineasta Maurice Capovila) discute com um grupo de intelectuais (vividos por outros cineastas como Ozualdo Candeias e Carlos Reichenbach)  a influência das drogas nas atitudes das pessoas, o que incitaria a perversão, ao sadismo, a violência e outras falhas de caráter no usuário. 

Para esta análise, o psicanalista injetou LSD em seis voluntários e usou a imagem de Zé do Caixão como estimulante para descobrir a influência da sugestão no comportamento dos voluntários. 

Boa parte do filme mostra cenas aleatórias de comportamento fora do normal, apresentando diversos tipos de perversão, porém o melhor do filme é a discussão entre os intelectuais e a parte final quando as cobaias humanas interagem com o personagem Zé do Caixão. 

Não é o melhor de Mojica, por sinal considero inferior a seus outros trabalhos, mas vale como curiosidade para quem é fã do diretor.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O Sol Por Testemunha & O Talentoso Ripley


O Sol Por Testemunha (Plein Soleil, França / Itália, 1960) – Nota 8
Direção – René Clément
Elenco – Alain Delon, Maurice Ronet, Marie Laforet, Frank Latimore, Billy Kearns.

O jovem ambicioso Tom Ripley (Alain Delon) está no litoral italiano para tentar convencer seu amigo Philippe Grenleaf (Maurice Ronet) a voltar para os EUA, a pedido do pai deste, que ofereceu 5.000 dólares pelo o trabalho.

O problema é que o milionário Philippe não tem a mínima intenção de voltar e está apaixonado pela bela Marge (Marie Laforet), com quem aproveita a vida naquele belo local. Percebendo que dificilmente conseguirá convencer o rapaz, Tom planeja e consegue assassinar o “amigo” durante um viagem no barco deste e toma seu lugar para tentar ficar com o dinheiro do milionário assassinado.

Baseado num livro de Patricia Highsmith, este bom suspense misturado com drama tem Alain Delon numa ótima interpretação do sujeito esperto, que tenta se infiltrar na classe alta a qualquer custo. Destaque ainda para a beleza de Marie Laforet e as belas paisagens do sul da Itália.

O Talentoso Ripley (The Talented Mr. Ripley, EUA, 1999) – Nota 8       
Direção – Anthony Minghella
Elenco – Matt Damon, Gwyneth Paltrow, Jude Law, Cate Blanchett, Philip Seymour Hoffman, James Rebhorn, Sergio Rubini, Jack Davenport, Philip Baker Hall, Celia Weston.

O jovem Tom Ripley (Matt Damon) cruza o caminho do milionário Herbert Greenleaf (James Rebhorn) e recebe a proposta de viajar para Europa e trazer o filho do homem de volta aos EUA. Por uma boa recompensa, Tom aceita a proposta e parte em busca de Dickie (Jude Law). 

Ao conhecer o rapaz na Europa, Tom fica maravilhado com a vida que Dickie leva ao lado da doce namorada Marge (Gwyneth Paltrow). Diferente do que seu pai deseja, Dickie gosta de viajar e gastar o dinheiro da família em festas e noitadas, não tendo o menor interesse em voltar para assumir os negócios da família. Os problemas começam quando o estranho Tom se torna seu amigo e passa a admirar o estilo de vida de Dickie, fazendo com que sua ambição cresça e ainda veja a namorada Marge como empecilho para seus planos de ascensão social. 

Este drama baseado num livro de Patricia Highsmith, é também uma nova versão do clássico francês “O Sol Por Testemunha” dirigido por René Clément e protagonizado por Alain Delon em 1960. As diferenças das versões são grandes, o original era um filme policial sobre um charmoso golpista, aqui a trama é mais voltada para o drama, com o Ripley de Matt Damon sendo um pobre coitado sem charme algum, que tem como dom imitar perfeitamente as vozes das pessoas, além de saber falsficar assinaturas. 

Mesmo diferentes, são filmes praticamente do mesmo nível, se o original é um longa mais charmoso, este tem um elenco melhor, inclusive com coajudantes do quilate de Cate Blanchett e Philip Seymour Hoffman. O ponto de convergência entre os longas é a ambição cega dos protagonistas. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Duro de Matar a Vingança

Duro de Matar a Vingança (Die Hard With a Vengeance, EUA, 1995) – Nota 8,5
Direção – John McTiernan
Elenco – Bruce Willis, Jeremy Irons, Samuel L. Jackson, Graham Greene, Colleen Camp.

Nesta sequência, John McClane (Bruce Willis) foi abandonado pela esposa e está afastado da polícia. Quando uma bomba explode em Nova York, um terrorista chamado Simon (Jeremy Irons) exige que a polícia coloque McClane como seu contato, caso contrário ele explodirá outras bombas pela cidade. 

Sem saber porque foi escolhido, McClane é obrigado a seguir pistas passadas por Simon para desativar as bombas em um determinado tempo, dando início a uma correria desenfreada pela cidade, levando como companhia o civil Zeus Carver (Samuel L. Jackson), que por acaso cruza seu caminho e acaba se tornando seu parceiro, mesmo que contra a própria vontade. 

Diferente dos filmes anteriores que se passavam em um determinado local (edifício no original e aeroporto na sequência), aqui a cidade de Nova York é o cenário. 

Mesmo com ótimas cenas de ação, o filme não é tão espetacular neste quesito quanto os anteriores, porém considero que tem uma história mais interessante, já que mostra aos poucos o real motivo do terrorista. 

Outro ponto positivo são os diálogos entre Bruce Willis e Samuel L. Jackson, que revelam uma ótima química, além do ótimo Jeremy Irons que parece se divertir interpretando o vilão. 

Considero o segundo melhor filme da série, abaixo apenas do original, que hoje já é um clássico.  

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Sessão Especial de Justiça

Sessão Especial de Justiça (Section Spéciale, França / Itália / Alemanha Ocidental, 1975) – Nota 7,5
Direção – Costa-Gavras
Elenco – Michael Lonsdale, Louis Segnier, Claude Piéplu, Bruno Cremer, Jacques Perrin.

Em 1941, a França estava ocupada pelos nazistas, tendo a sede do governo em Vichy, uma cidade próximo a Paris. Este governo compactuava com a causa nazista, sendo apoiado ainda por parte da elite francesa, perseguindo judeus, comunistas e todos que fossem considerados subversivos. 

A repressão fez nascer uma resistência contra o governo e os nazistas, que atuava através de passeatas, distribuição de panfletos e até com violência. Quando jovens ligados ao Partido Comunista assassinam um oficial da marinha alemã, o governo colaboracionista francês aceita a pressão dos nazistas para condenar seis pessoas a morte pelo crime, que deveriam ser escolhidas entre presos políticos, caso contrário os nazistas matariam cem cidadãos franceses. 

Para tentar legitimar as execuções, o Ministro do Interior (Michael Lonsdale) pressiona outros Ministros a aprovarem uma lei que autoriza o julgamento de crimes passados, com efeito retroativo e passíveis da pena de morte. Esta excrescência judiciária é enfiada goela abaixo dos poucos que tentam ir contra e a ordem das execuções vai descendo de degrau em degrau até chegar nos juízes e defensores públicos que tentarão lutar contra o absurdo. 

Esta trama que parece criada diretamente para o cinema, infelizmente é baseada numa história real. A criação destes tribunais especiais ocorreu França e condenou centenas de pessoas a morte, com o agravante de que após a guerra, os magistrados envolvidos neste crime contra a população francesa não foram punidos. 

O diretor Costa-Gavras tem provavelmente a carreira mais politizada da história do cinema. Ela já mostrou sua visão sobre os golpes de Estado na América Latina em “Estado de Sítio” e na Grécia em “Z”, a questão dos desparecidos no Chile em “Missing”, a colaboração da Igreja Católica com os nazistas em “Amen.”, entre vários outros trabalhos. Para quem tem interesse em política, a obra de Costa-Gavras e obrigatória. 

domingo, 13 de maio de 2012

O Pecado de Todos Nós

O Pecado de Todos Nós (Reflections in a Golden Eye, DEUA, 1967) – Nota 7,5
Direção – John Huston
Elenco – Marlon Brando, Elizabeth Taylor, Brian Keith, Julie Harris, Robert Forster, Zorro David, Gordon Mitchell.

Numa base militar no sul dos EUA, o Major Penderton (Marlon Brando) vive uma crise com sua esposa Leonora (Elizabeth Taylor). Penderton é um sujeito frio que esconde o desejo homossexual pelo soldado Williams (Robert Forster estreando no cinema). Enquanto isso, o próprio Williams cobiça Leonora, que por outro lado tem um caso com o Tenente Coronel Langdon (Brian Keith). Langdon é casado com a complicada Alison (Julie Harris), que passa por problemas emocionais, sendo taxada por todoss como louca. 

Esta ciranda de sexo, traição e mentiras é baseada num romance da escritora Carson McCullers, que desnuda aqui toda a hipocrísia e o falso moralismo presente no sul dos EUA na época. 

As interpretações de Marlon Brando e Elizabeth Taylor são perfeitas, inclusive em cenas fortes, como na briga após o personagem de Brando agredir um cavalo. 

O fime tem ainda uma bela fotografia, porém não fez sucesso e acabou redescoberto pelas novas gerações. 

No geral é um interessante trabalho de John Huston.

sábado, 12 de maio de 2012

A Invenção de Hugo Cabret

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo, EUA, 2011) – Nota 8
Direção – Martin Scorsese
Elenco – Asa Butterfield, Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen, Chloe Grace Moritz, Ray Winstone, Emily Mortimer, Christopher Lee, Helen McCrory, Michael Stuhlbarg, Frances de la Tour, Richard Griffiths, Jude Law.

Em Paris nos anos trinta, após a morte de seu pai (Jude Law), Hugo Cabret (Asa Butterfied) passa a viver com seu tio bêbado (Ray Winstone) escondido na estação de trem cuidando do enorme relógio, cometendo pequenos roubos para sobreviver e também para consertar um antigo robô deixado pelo pai. 

Após tentar roubar um objeto numa loja de brinquedos dentro da estação, Hugo acaba expulso pelo dono, o velho Georges (Ben Kingsley), que fica com a posse de seu diário, que também fora deixado pelo pai. Ao mesmo tempo, Hugo fará amizade com a sonhadora Isabelle (Chloe Grace Moritz), garotada adotada por Georges e terá ainda de escapar da perseguição do inspetor da estação (Sacha Baron Cohen) e de seu cachorro. 

Com uma belíssima direção de arte, o filme lembra os trabalhos de Tim Burton, se tornando um longa único na carreira de Scorsese. Não chega a ser filme sensacional, mas além da beleza visual, outro ponto positivo é o roteiro que se transforma na segunda parte em uma bela homenagem ao primórdios do cinema. O garoto Asa Butterfield e a promissora Chloe Grace Moritz carregam bem boa parte do longa, porém a história cresce quando o personagem de Ben Kingsley se torna o protagonista. 

Como curiosidade, na minha opinião o distribuidor errou em duas situações em relação ao lançamento do filme. O título nacional está incorreto, não existe uma invenção, além disso o longa foi vendido dando a impressão de ser um filme voltado para o público infantil, o que foi outro grande erro, já que mesmo sendo censura livre, a trama é mais indicada para os adultos, principalmente cinéfilos curiosos com a história do cinema.  

Os trabalhos de Scorsese são obrigatórios para todo cinéfilo e este vale para confirmar o amor que o realizador tem pelo cinema. 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Filmes Legendados, Sempre!

Hoje recebi uma newsletter informando que o Telecine Action teve um aumento de audiência de quase 50% após dublar sua programação. Diversos canais por assinatura estão dublando sua programação, seguindo uma "tendência" que infelizmente chegou as salas de cinema. Alguns destes canais sequer disponibilizam a opção da versão com som original e legendas, o que é um grande absurdo.

A amiga Amanda comentou no seu blog Cine Pipoca Cult sobre a questão da dublagem. Quem tiver interesse em ler, clique no link acima.

Posso parecer radical, mas vejo nesta situação um retrocesso de vinte anos. Voltarei a meados dos anos oitenta para defender minha tese, quando eu ainda era garoto. Na época, a única opção para assistir filmes legendados era o cinema. Acostumado com os filmes dublados na tv, quando fui ao cinema pela primeira vez descobri um mundo totalmente novo. Ouvir a voz verdadeira de astros e atrizes famosos foi uma grande novidade, assim como a diferença no som ambiente e o clima único de uma sala de cinema.

Pouco tempo depois, o videocassete começou a se popularizar e se tornou meu desejo de consumo. Comecei a trabalhar bem garoto ainda e algum tempo depois consegui comprar um modelo com a ajuda de minha mãe. Um detalhe, não venho de família rica, por isso sei a dificuldade que era comprar qualquer novo aparelho naquele tempo. Com o aparelho comprado, comecei a garimpar todo tipo de filme nas locadoras para conhecer a fundo a história do cinema.

A tv por assinatura chegou ao Brasil no início dos anos noventa, mas novamente era algo voltado para classe alta. Eu consegui acesso a uma tv por assinatura muitos anos depois, não apenas pela variedade de filmes, mas principalmente porque eles eram legendados.

Escrevi todos os seus detalhes para mostrar que os cinéfilos da minha geração consideram todo este processo uma evolução, saímos dos filmes dublados que modificavam o sentido dos diálogos e cortavam cenas importantes, para o acesso total a obra, uma ganho cultural imenso.

Esta volta dos filmes dublados está ligado a diversos fatores: O principal é o financeiro. Dez anos atrás os canais por assinatura não veiculavam a metade das propagandas dos dias de hoje, era canais dinâmicos. Hoje estão muito mais próximos do estilo dos canais abertos e por isso também disputam uma audiência maior.

A popularização dos canais por assinatura fez com que um público acostumado aos filmes dublados tivessem acesso a estes canais, junto com a preguiça intelectual do brasileiro em geral, seja ele da classe alta, média ou baixa. Para grande parte dos brasileiras e leitura é algo chato.

Finalizando, hoje temos uma geração que se importa muito mais com a imagem do que com o conteúdo. Para eles vale mais um filme em 3D repleto de efeitos especiais do que uma trama que o faria pensar. Esta situação é um reflexo do mundo atual, onde "parecer" está sendo considerado mais importante do que "ser".

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Notas Sobre um Escândalo

Notas Sobre um Escândalo (Notes on a Scandal, Inglaterra, 2006) – Nota 7,5
Direção – Richard Eyre
Elenco – Judi Dench, Cate Blanchett, Bill Nighy, Andrew Simpson, Juno Temple.

Barbara Covett (Judi Dench) é uma professora solteirona odiada por todos no colégio, que utiliza um diário para descrever sua visão distorcida das pessoas ao seu redor. 

Quando a bela Sheba Hart (Cate Blanchett) começa a trabalhar no colégio como professora de artes, logo Barbara analisa suas fragilidades e se aproxima para ajudá-la, porém com segundas intenções. 

Sheba acredita que conseguiu uma nova amiga, porém quando Barbara descobre que ela está tendo um caso com um aluno, o jovem Steven (Andrew Simpson), Barbara passa a manipular Sheba que tem medo de perder seu marido (Bill Nighy) e seu casal de filhos, sendo um deles deficiente. 

Este drama inglês tem uma boa interpretação de Cate Blanchett como a esposa sexualmente insatisfeita, porém o show fica por conta de Judi Dench, que cria uma personagem frustrada, praticamente uma psicopata manipuladora que narra a história através do seu diário. As duas atrizes concorreram ao Oscar, assim como o roteiro e a marcante trilha sonora de Philip Glass. 

É um filme pequeno que vale principalmente pelas duas atrizes principais
.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Lixo Extraordinário

Lixo Extraordinário (Waste Land, Brasil / Inglaterra, 2011) – Nota 7,5
Direção – Lucy Walker
Documentário com Vik Muniz

Em 2007, o artista plástico Vik Muniz resolveu abandonar sua confortável vida nos EUA para retratar o dia a dia dos catadores de lixo no aterro sanitário do Jardim Gramacho no Rio de Janeiro. 

Vik é brasileiro de origem pobre, porém vive há quase trinta anos nos EUA onde se tornou famoso ao recriar quadros famosos com materiais diversos, numa espécie de reinvenção das obras. O objetivo de Vik seria ajudar as pessoas do lixão através da criação de novas obras para serem leiloadas, com a renda revertida para a melhoria do local. 

Antes de chegar ao Brasil, ele acreditava que encontraria pessoas complicadas, o que deixa sua esposa preocupada, porém Vik acaba sendo bem recebido pelos catadores, criando um laço de amizade com alguns deles que servirão de modelos e ajudantes na confecção das obras. 

O documentário concorreu a Oscar, mas na minha opinião não tanto pela parte técnica ou roteiro que são comuns, mas principalmente pela empatia dos personagens do lixão e suas tristes histórias de vida. A forma amigável com que Vik é recebido passa a impressão para ele de que os catadores são felizes no trabalho, porém aos poucos ele percebe que aquilo é o caráter de cada um, mas que o sonho é ter uma vida melhor, se possível bem longe dali. A exceção é Tião Santos, o líder dos catadores que construiu uma espécie de ONG para organizar o local e que participa da cena mais emocionante do documentário após o leilão em Londres. 

Fica claro também todo o descaso dos governantes brasileiros em relação ao tratamento dado ao lixo. A reciclagem que deveria ser algo obrigatório praticamente inexiste, o que vemos no filme é que este trabalho esquecido pelos poderosos, se tornou um meio para aquelas pessoas abandonadas pela sociedade sobreviver de forma extremamente precária. 

A força do documentário está nos personagens simples, sofridos e que sonham com um vida melhor longe da miséria.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Motoqueiros Selvagens

Motoqueiros Selvagens (Wild Hogs, EUA, 2007) – Nota 6,5
Direção – Walt Becker
Elenco – Tim Allen, John Travolta, Martin Lawrence, William H. Macy, Ray Liotta, Marisa Tomei, Jill Hennessy, Kevin Durand, M. C. Gainey, Tichina Arnold, Peter Fonda, Stephen Tobolowsky, John C. McGinley.

Quatro amigos de meia-idade (Allen, Travolta, Lawrence e Macy) tem profissões distintas,  porém nos momentos de lazer se unem e formam os Wild Hogs (Porcos Selvagens), uma gangue de motoqueiros de final de semana. 

Num certo momento, o grupo de amigos resolve viajar sem destino pelos EUA durante uma semana. O que seria uma espécie de férias, se torna uma situação complicada quando no caminho eles cruzam com uma verdadeira gangue de motoqueiros, os “Del Fuegos” liderados por Jack (Ray Liotta), com quem acabam entrando em conflito. 

Algumas boas piadas sobre a idade e a dificuldade dos personagens em aceitar que não são mais garotos, são os pontos altos do filme, além do elenco recheado de astros, mas no geral é apenas uma sessão da tarde descompromissada. É o tipo de filme em que os protagonistas parecem se divertir mais que o espectador.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

X-Men: Primeira Classe

X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class, EUA, EUA, 2011) – Nota 8
Direção – Matthew Vaughn
Elenco – James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Rose Byrne, Jennifer Lawrence, Oliver Platt, January Jones, Nicholas Hoult, Jason Flemyng, Alex Gonzalez, Zoe Isabella Kravitz, Caleb Landry Jones, Lucas Till, Edi Gateghi, Glenn Morshower, Matt Craven, James Remar, Rade Sherbedgia, Ray Wise, Oleg Krupa, Michael Ironside, Jason Beghe, Hugh Jackman.

Este prequel da série X-Men mostra rapidamente fatos importantes infância do Professor Charles Xavier (James McAvoy) e de Magneto (Michael Fassbender) durante os anos quarenta, para em seguida pular para 1962, quando a vida destes personagens se cruzará. 

Enquanto o Professor Xavier teve uma vida tranquila em uma família rica, Magneto passou sua infância em um campo de concentração, viu sua mãe ser assassinada pelo nazista Sebastian Shaw (Kevin Bacon) e ainda foi utilizado como cobaia pelo sujeito, em virtude de seus poderes. Estas situações moldaram o caráter da dupla, que mesmo sendo pessoas bem diferentes, a princípio precisam se unir para lutar com o próprio Shaw, que utilizando outros mutantes, pretende deflagar a Terceira Guerra Mundial. 

O interessante roteiro acerta ao misturar a história dos mutantes criados brilhantemente por Stan Lee, com o medo de uma nova guerra e o fato real da Crise do Mísseis em Cuba. Além disso o roteiro ainda toca na questão do preconceito em relação aos mutantes, fato que determinará a cisão entre Xavier e Magneto.

Apesar de uma ou outra falha, a trama prende a atenção e as cenas de ação são competentes, tendo ainda as boas interpretações de James McAvoy e Michael Fassbender, que dão um tom diferente ao criar a juventude de dois personagens tão conhecidos do público. 

Alguns exigentes fãs dos quadrinhos reclamaram de algumas situações que foram adaptadas para o cinema, como a questão de poderes de alguns mutantes e até mesmo o final com o Professor Xavier que não se encaixa com o início de “X-Men 3”, porém como sou leigo em quadrinhos, considero o filme extremamente divertido. 

Como curiosidade, o filme tem uma pequena e engraçada participação de Hugh Jackman com seu personagem Wolverine.

domingo, 6 de maio de 2012

O Crime do Século

O Crime do Século (Crime of the Century, EUA, 1996) – Nota 8
Direção – Mark Rydell
Elenco – Stephen Rea, Isabella Rossellini, Michael Moriarty, J. T. Walsh, Allen Garfield, Barry Primus, David Paymer, Bert Remsen, Don Harvey, John Harkins.

Em 1932, o filho de apenas um ano do herói da aviação Charles Lindbergh é sequestrado e morto. Com a opinião público cobrando justiça, a polícia se sentindo pressionada chega até o imigrante alemão Bruno Richard Hauptmann (Stephen Rea), um simples carpinteiro que acaba envolvido na investigação por uma série de fatores e vê sua vida e de sua família (Isabella Rossellini interpreta sua esposa) desmoronar. 

Este ótimo drama é baseado numa real e conta um dos maiores erros judiciários da história dos EUA. Além da pressão da opinião pública, outro fator importante para o erro foi o preconceito contra os imigrantes, que atingiu diretamente Hauptmann, mostrado aqui como um sujeito que jamais aceitou assumir a culpa por algo que não fez. 

O longa é uma produção HBO de primeira qualidade.

sábado, 5 de maio de 2012

Pânico - A Quadrilogia

Uma das mais divertidas séries de suspense da história do cinema, "Pânico" é obra de Wes Craven, um diretor especialista no gênero, aqui em parceria (pelo menos em três dos filmes) com o roteirista Kevin Williamson.

Pânico (Scream, EUA, 1996) – Nota 9
Direção – Wes Craven
Elenco – Neve Campbell, David Arquette, Courteney Cox, Skeet Ulrich, Matthew Lillard, Drew Barrymore, Jamie Kennedy, Liev Schreiber, Rose McGowan.

Na pacata cidade de Woodsboro, começam a ocorrer assassinatos de jovens amigos de Sydney Prescott (Neve Campbell). No passado, a mãe de Sydney fora assassinada brutalmente, fato que pode estar ligado aos novos crimes. Enquanto isso, o atrapalhado policial Dewey (David Arquette) investiga os crimes e a ambiciosa repórter Gale Weathers (Courteney Cox) vê sua chance de ficar famosa. Com um clima de tensão crescente e muito humor negro, os crimes ocorrerão até o sanguinário clímax em uma festa. 

A grande sacada de Wes Craven e do roteirista Kevin Williamson foi tirar um sarro dos clichês do gênero, através de diálogos afiados e personagens carismáticos. A sinistra voz do assassino que antes de atacar entra em contato com suas vítimas pelo telefone fazendo perguntas sobre filmes de terror já se tornou clássica, assim como a sequência inicial com Drew Barrymore. 

O elenco recheado de jovens que ficariam conhecidos, tem como destaque Jamie Kennedy como Randy, um fanático por filmes de terror que brinca com os assassinatos clichês, ditando as regras básicas do gênero. Uma ótima diversão que deu novo gás ao gênero. 

Pânico 2 (Scream 2, EUA, 1997) – Nota 8
Direção – Wes Craven
Elenco – Neve Campbell, David Arquette, Courteney Cox, Jamie Kennedy, Laurie Metcalf, Sarah Michelle Gellar, Jada Pinkett, Omar Epps, Liev Schreiber, Duane Martin, Heather Graham, Tori Spelling, Jerry O'Connell, David Warner, Timothy Olyphant.

Um ano depois dos assassinatos de Woodsboro, Sydney (Neve Campbell) entra para Universidade de Windsor pensando em seguir sua vida e esquecer o passado. Lá ela faz novos amigos, tem um novo namorado (Jerry O’Connell), reencontra Randy (Jamie Kennedy), mantém contato com o policial Dewey (David Arquette) e a repórter Gale (Courteney Cox) que ficou famosa após escrever um livro sobre o massacre. A calmaria na vida de Sydney acaba quando um casal é assassinado numa sala de cinema, em um ótima cena de abertura e um novo assassino “Ghost Face” volta a rondar sua vida. 

Desta vez o roteiro brinca com os clichês das continuações dos filmes de terror, com o personagem Randy novamente citando as regras destas sequências. O filme é tão divertido quanto o original, novamente deixando vários personagens como suspeitos dos crimes.

Pânico 3 (Scream 3, EUA, 2000) – Nota 7
Direção – Wes Craven
Elenco – Neve Campbell, David Arquette, Courteney Cox Arquette, Patrick Dempsey, Scott Foley, Lance Henriksen, Matt Keeslar, Jenny McCarthy, Parker Posey, Emily Mortimer, Liev Schreiber, Jamie Kennedy, Patrick Warburton, Roger Corman.

Após as tragédias, Sydney (Neve Campbell) resolve se isolar no campo, porém em Holywood, o policial Dewey (David Arquette) que agora trabalha como consultor do terceiro filme da série “Stab”, baseado no livro de sua hoje esposa Gale (Courteney Cox), testemunha novos assassinatos baseados no roteiro do filme. Sydney aceita ir para Hollywood e novamente se vê envolvida com os crimes de um novo “Ghost Face”. 

Este terceiro filme apesar de ainda ser interessante, é o mais fraco da série, provavelmente pelo roteiro não ser de Kevin Williamson. Desta vez o roteiro brinca com um história de “filme dentro do filme”, inclusive trazendo novamente o personagem de Randy que havia sido assassinado no longa anterior, aparecendo agora através de uma fita de vídeo comentando as regras de uma terceira parte. Novamente são vários suspeitos e diversos assassinatos elaborados com a criatividade macabra de Wes Craven.

Pânico 4 (Scream, EUA, 2011) – Nota 7,5
Direção – Wes Craven
Elenco – Neve Campbell, David Arquette, Courteney Cox, Emma Roberts, Anthony Anderson, Adam Body, Hayden Panettiere, Marley Shelton, Erik Knudsen, Rory Culkin, Nico Tortorella, Mary McDonnell, Anna Paquin, Kristen Bell.

Dez anos após os crimes em Woodsboro, Sydney (Neve Campbell) volta à cidade para promover um livro sobre sua vida e como é de praxe, os assassinatos de “Ghost Face” recomeçam. O xerife Dewey (David Arquette) é o responsável pela investigação e sua esposa Gale (Courteney Cox) que se tornou uma famosa escritora em virtude dos crimes anteriores, vê nos novos crimes a chance de escrever outro livro, já que há muito tempo não tem ideia alguma do que escrever. A novidade na trama é a presença de Jill (Emma Roberts), sobrinha de Sydney, que junto com seus amigos são os jovens que agora enfrentam o perigo de um novo assassino. 

Mesmo sendo uma continuação tardia, Wes Craven e o roteirista Kevin Williamson acertam no tom ao atualizar os motivos dos crimes, com uma explicação extremamente atual. O longa é recheado de aparelhos modernos (celulares, câmeras, internet) e tem como personagens fanáticos por filmes, os jovens Erik Knudsen e Rory Culkin, que são uma versão atualizada de Jamie Kennedy dos filmes anteriories. Temos ainda a clássica cena inicial, desta vez mostrando o sétimo filme da série “Stab”, o filme dentro do filme, onde jovens patricinhas são trucidadas. No geral, a série é um ótima diversão do gênero, que fica ainda mais legal sendo assistida em sequência.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O Triunfo & Crianças do Meu Coração


O Triunfo (The Ron Clark Story, EUA / Canadá, 2006) – Nota 7
Direção – Randa Haines
Elenco – Matthew Perry, Ernie Hudson, Melissa De Sousa, Hannah Hodson, Brandon Smith, Micah Williams, Bren Eastcott.

Esta produção feita para tv é baseada na história real do professor Ron Clark (Matthew Perry), que nos anos noventa saiu da Carolina do Norte para lecionar em um escola pública no Harlem. O filme mostra a vida do professor Clark em seu primeiro ano quando assumiu um classe com alunos pré-adolescentes atrasados no aprendizado e com diversos problemas familiares. 

O roteiro segue o estilo criado em “Ao Mestre com Carinho”, com um professor conquistando aos poucos os alunos e mostrando que existem opções de mudança na vida. 

Mesmo com as limitações das produções de tv e a história que todos sabem o final, acaba sendo um longa simpático com um bom papel para Matthew Perry. 

Como curiosidade, a diretora Randa Haines ficou famosa nos anos oitenta pelo drama “Filhos do Silêncio” com William Hurt e Marlee Matlin.

Crianças do Meu Coração (Children of My Heart, Canadá, 2000) – Nota 7
Direção – Keith Ross Leckie
Elenco – Genevieve Desilets, Yani Gellman, Michael Moriarty, Genevieve Bujold, Mark Ellis, Lise Roy, Barbara Gordon, Richard McMillan.

Nos anos 30, em plena Depressão Americana, a jovem Gabrielle (Genevieve Desilets) consegue seu primeiro emprego como professora numa pequena cidade do oeste. Precisando controlar uma classe com alunos de diferentes idades, ela emprega métodos diferentes que irritam o conselho da escola. 

Para piorar a situação, ela cria um vínculo afetivo com o jovem Mederic (Yani Gellman), filho do homem rico da cidade, Rodrigue (Michael Moriarty). Mederic é um garoto rebelde em virtude ser mestiço, sua mãe era índia e deixou seu pai para voltar a tribo. 

É um drama parecido com vários outros sobre o tema, porém a relação entre a jovem professora e o garoto é sensível e realista. 

Como curiosidade, a veterana Genevieve Bujold faz o papel da professora depois de trinta anos do ocorrido e ainda é a narradora da história

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Gunga Din

Gunga Din (Gunga Din, EUA, 1939) – Nota 8
Direção – George Stevens
Elenco – Cary Grant, Victor McLaglen, Douglas Fairbanks Jr, Sam Jaffe, Joan Fontaine, Eduardo Ciannelli.

Durante a dominação inglesa na Índia, três oficiais do exército são incumbidos de liderar um missão onde precisam enfrentar os rebeldes Thugs, que adoram a deusa Kali e estão matando soldados do exército inglês em nome dela. 

Os oficiais são o ambicioso Cutter (Cary Grant) que tem a esperança de encontrar algum tesouro no país, o esperto McChesney (Victor McLaglen) que faz de tudo para manter no exército o terceiro oficial, Ballantine (Douglas Fairbanks Jr) que vai se casar com a bela Emmy (Joan Fontaine) e pretende mudar de profissão. 

Muita ação com brigas e batalhas, além de pitadas de comédia são os ingredientes deste clássico que hoje pode parecer ultrapassado nas cenas de ação, mas é extremamente bem filmado analisando a época em que foi produzido. 

O longa é baseado num conto do jornalista e escritor Rudyard Kipling, famoso por diversas obras sobre a Índia ainda colônia inglesa, como “Mogli – O Menino Lobo” e “O Homem que Queria Ser Rei” que também foram adaptados para o cinema.

Como curiosidade, o diretor George Stevens ainda faria clássicos como "Um Lugar ao Sol" e "Assim Caminha a Humanidade".