domingo, 12 de agosto de 2012

Habemus Papam

Habemus Papam (Habemus Papam, Itália / França, 2011) – Nota 7
Direção – Nanni Moretti
Elenco – Michel Piccoli, Nanni Moretti, Jerzy Stuhr, Renato Scarpa, Margherita Buy.

O Papa morreu. Cento e oito cardeais se reunem de portas fechadas no Vaticano para escolher o sucessor. A primeira votação não aponta o vencedor, apenas na segunda votação é escolhido um candidato que não estava entre os favoritos, o cardeal Melville (Michel Piccoli), porém no  momento de ser apresentado ao público no balcão em frente a Praça de São Pedro, ele tem um ataque de pânico e foge da responsabilidade. 

É o início de uma inesperada crise no Vaticano, onde os cardeais não sabem o que fazer para Melville aceitar a escolha e o porta voz (Jerzy Stuhr) tenta soluções diferentes, como chamar um psicanalista (Nanni Moretti) para conversar com o novo Papa. A trama se passa durante alguns dias e foca principalmente no Papa eleito vivido pelo veteraníssimo francês Michel Piccoli, que tenta descobrir o aconteceu com sua vida e o porquê do vazio que sente. 

O diretor, ator e roteirista Nanni Moretti que é ateu, mostra os cardeais como idosos alienados, que se fecham para escolher o Papa e ao mesmo estão fechados para o mundo, com a curiosa cena em que eles estão reunidos para votar e todos rezam pedindo para não serem escolhidos, já que na visão de Moretti ser o Papa é um fardo que cardeal algum deseja carregar. 

O roteiro do próprio Moretti critica a Igreja Católica, principalmente sua liderança no Vaticano que vive distante do povo, além de sobrar farpas para a mídia que nos dias atuais adora criar a notícia, mesmo que seja apenas para causar polêmica. Estas situações são mostradas de forma irônica, porém sem grande profundidade. 

O melhor do longa é a busca pessoal do cardeal Melville, que ao poucos deixa claro ao espectador toda a frustração de alguém que não acredita mais no que faz. Por outro lado, algumas passagens são descartáveis, como o jogo de vôlei entre os cardeais, situação que tenta criticar a divisão política e geográfica entre eles, mas a sequênca não funciona. Além disso, o próprio personagem de Moretti parece um intruso no meio da trama, acrescentando pouco ao filme. 

A ótima premissa tinha tudo para render um grande filme, mas infelizmente desta vez Moretti (que fez o ótimo drama "O Quarto do Filho") acertou apenas parcialmente.

6 comentários:

Amanda Aouad disse...

Que bom, outra pessoa que achou a sequência do campeonato de vôlei infrutífera. Fiquei um pouco decepcionada com esse filme, acho que ao tirar o candidato tão prematuramente do Vaticano, ele perdeu a oportunidade de construir melhor sua própria crítica e paródia contra a igreja e a psicanálise.

Também acho O Quarto do Filho o melhor de Moretti até agora.

bjs

Celo Silva disse...

Eu gosto do filme, acho uma piada jocosa e ácida, mas realemente ele divide opiniões.

http://espectadorvoraz.blogspot.com.br/

PROGEB disse...

Olá, gostaria de propor uma parceria entre nossos blogs. Caso você tenha interesse, acesse: http://cinefilosconvergentes.blogspot.com.br/

Att.,
Hilarius

Hugo disse...

Amanda - A premissa tinha tudo para render uma ótima crítica a igreja e psicanálise, mas o resultado fico no meio do caminho.

Celo - Não é ruim, a questão é tinha potencial para ser melhor.

Hilarius - Já linkei seu endereço aqui no blog.

Abraço

Az disse...

sou fã de Moretti. Acho que já vi todos os seus filmes... gosto do seu estilo. Mas, concordo totalmente com você: pelo argumento, pela premissa, deveria sair um filme bem melhor do que ficou. O filme é bom, mas bem abaixo do que poderia.
366filmesdeaz

Hugo disse...

Az - De Nanni Moretti assisti apenas este e "O Quarto do Filho" por enquanto.

Abraço