quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A Árvore da Vida

A Árvore da Vida (The Tree of Life, EUA, 2011) – Nota 8
Direção – Terrence Malick
Elenco – Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain, Hunter McCracken, Laramie Eppler, Tye Sheridan, Fiona Shaw.

O diretor Terrence Malick é com certeza um dos sujeitos mais estranhos do cinema. Completamente avesso as entrevistas, ele chamou a atenção da crítica com “Terra de Ninguém” em 1973 e em seguida com “Cinzas no Paraíso” em 1978, porém abandonou tudo para reaparecer vinte anos depois e comandar o belíssimo “Além da Linha Vermelha”. Sete anos depois ele faria “O Mundo Novo”, trabalho que ainda não conferi e pareceu ter resgatado o gosto pela direção. Além deste “A Árvore da Vida”, ele já tem mais quatro filmes em andamento, o que é ótimo para os cinéfilos. 

Malick filma com uma visão extremamente pessoal e em “A Árvore da Vida” fica claro o toque autobiográfico na história da família que vive numa pequena cidade do Texas nos anos cinquenta. O patriarca Mr. O’Brien (Brad Pitt) é um marido seco com a esposa (Jessica Chastain) e um pai rígido com os três filhos, a quem ele exige que o trate por senhor, como se fosse uma espécie de Deus da casa. O roteiro foca principalmente no filho mais velho, Jack (Hunter McCracken) que ao chegar na adolescência passa a enfrentar a autoridade do pai. Em paralelo, vemos Jack (vivido por Sean Penn) nos dias atuais como um executivo que parece viver alienado ao que acontece a sua volta, sempre lembrando o passado. 

A vida da família é mostrada num ritmo lento e de forma não linear, dando ênfase a acontecimentos específicos, como quando o pai viaja e a casa se transforma num local alegre, com a mãe e os filhos brincando e sorrindo, ou ainda perto do final, quando o pai demonstra sua frustração com a vida e principalmente com a empresa onde trabalhou por muitos anos. 

O roteiro toca em temas universais como religião, família, frustração e perda, para contar a história de uma típica família americana dos anos cinquenta de uma maneira diferente, em alguns momentos de forma poética e em outros como um drama, além disso a parte técnica é de primeira qualidade, com uma bela fotografia  e algumas sequências com efeitos especiais que podem simbolizar religião, ciência e até mesmo o Big Bang.

7 comentários:

! Marcelo Cândido ! disse...

O filme é uma aula de cinema, é denso e até mesmo monótono, mas esse é o seu tempo ideal!!!

Celo Silva disse...

Realmente é um filme bem pessoal de Malick. Tanto q demorou anos para concebe-lo. Que bom que gostou, pq realmente é um filme maravilhoso.

Hugo disse...

Marcelo - Malick é um cineasta única, um artesão das imagens.

Celo - Demorar para completar um filme é normal na carreira de Malick, mas o bom é que resultado é sempre compensador.

Abraço

Gilberto Carlos disse...

Um filme belissimo. Pena que não é para todos os gostos.

Hugo disse...

Gilberto - Os filmes de Malick não são indicados para o público comum.

Abraço

J. BRUNO disse...

"A Árvore da Vida" continua sendo meu filme favorito dentre os que forma lançados no ano passado, uma pena que muito ainda não tenham a sensibilidade necessária para apreciar uma obra de tamanha profundidade. Algumas das reflexões a que o filme me levou permanecem até hoje, como a principal delas, que aborda o porquê do sofrimento...

Hugo disse...

J. Bruno - Este filme abre a perspectiva de debate para vários temas. Cada análise pode seguir um caminho diferente como sofrimento, religião, família, etc.

Abraço