segunda-feira, 14 de maio de 2012

Sessão Especial de Justiça

Sessão Especial de Justiça (Section Spéciale, França / Itália / Alemanha Ocidental, 1975) – Nota 7,5
Direção – Costa-Gavras
Elenco – Michael Lonsdale, Louis Segnier, Claude Piéplu, Bruno Cremer, Jacques Perrin.

Em 1941, a França estava ocupada pelos nazistas, tendo a sede do governo em Vichy, uma cidade próximo a Paris. Este governo compactuava com a causa nazista, sendo apoiado ainda por parte da elite francesa, perseguindo judeus, comunistas e todos que fossem considerados subversivos. 

A repressão fez nascer uma resistência contra o governo e os nazistas, que atuava através de passeatas, distribuição de panfletos e até com violência. Quando jovens ligados ao Partido Comunista assassinam um oficial da marinha alemã, o governo colaboracionista francês aceita a pressão dos nazistas para condenar seis pessoas a morte pelo crime, que deveriam ser escolhidas entre presos políticos, caso contrário os nazistas matariam cem cidadãos franceses. 

Para tentar legitimar as execuções, o Ministro do Interior (Michael Lonsdale) pressiona outros Ministros a aprovarem uma lei que autoriza o julgamento de crimes passados, com efeito retroativo e passíveis da pena de morte. Esta excrescência judiciária é enfiada goela abaixo dos poucos que tentam ir contra e a ordem das execuções vai descendo de degrau em degrau até chegar nos juízes e defensores públicos que tentarão lutar contra o absurdo. 

Esta trama que parece criada diretamente para o cinema, infelizmente é baseada numa história real. A criação destes tribunais especiais ocorreu França e condenou centenas de pessoas a morte, com o agravante de que após a guerra, os magistrados envolvidos neste crime contra a população francesa não foram punidos. 

O diretor Costa-Gavras tem provavelmente a carreira mais politizada da história do cinema. Ela já mostrou sua visão sobre os golpes de Estado na América Latina em “Estado de Sítio” e na Grécia em “Z”, a questão dos desparecidos no Chile em “Missing”, a colaboração da Igreja Católica com os nazistas em “Amen.”, entre vários outros trabalhos. Para quem tem interesse em política, a obra de Costa-Gavras e obrigatória. 

5 comentários:

Fábio Henrique Carmo disse...

O problema de Costa-Gavras é que ele às vezes parece esquecer que cinema também é arte e não apenas meio manifestos políticos. Daí que seus filmes muitas vezes são frios, com pouco envolvimento emocional, assemelhando-se a documentários.

renatocinema disse...

Concordo, em partes, com meu amigo Fábio Henrique Carmo sobre Costas-Gavras. Mas, aprecio o trabalho dele de uma forma geral.

Celo Silva disse...

Mas devemos lembrar q Costa-Gravas tem um filme emocional muito bom: O Corte, é um deles que mais gosto. Esse ainda não vi. Abs.

Hugo disse...

Fábio - Alguns trabalhos podem parecer frios, mas o conteúdo é sempre interessante.

Renato - Cinema político é com ele.

Celo - Este "O Corte" eu ainda preciso assistir.

Abraço

william disse...

"Z" é um filme frio?