quarta-feira, 9 de maio de 2012

Lixo Extraordinário

Lixo Extraordinário (Waste Land, Brasil / Inglaterra, 2011) – Nota 7,5
Direção – Lucy Walker
Documentário com Vik Muniz

Em 2007, o artista plástico Vik Muniz resolveu abandonar sua confortável vida nos EUA para retratar o dia a dia dos catadores de lixo no aterro sanitário do Jardim Gramacho no Rio de Janeiro. 

Vik é brasileiro de origem pobre, porém vive há quase trinta anos nos EUA onde se tornou famoso ao recriar quadros famosos com materiais diversos, numa espécie de reinvenção das obras. O objetivo de Vik seria ajudar as pessoas do lixão através da criação de novas obras para serem leiloadas, com a renda revertida para a melhoria do local. 

Antes de chegar ao Brasil, ele acreditava que encontraria pessoas complicadas, o que deixa sua esposa preocupada, porém Vik acaba sendo bem recebido pelos catadores, criando um laço de amizade com alguns deles que servirão de modelos e ajudantes na confecção das obras. 

O documentário concorreu a Oscar, mas na minha opinião não tanto pela parte técnica ou roteiro que são comuns, mas principalmente pela empatia dos personagens do lixão e suas tristes histórias de vida. A forma amigável com que Vik é recebido passa a impressão para ele de que os catadores são felizes no trabalho, porém aos poucos ele percebe que aquilo é o caráter de cada um, mas que o sonho é ter uma vida melhor, se possível bem longe dali. A exceção é Tião Santos, o líder dos catadores que construiu uma espécie de ONG para organizar o local e que participa da cena mais emocionante do documentário após o leilão em Londres. 

Fica claro também todo o descaso dos governantes brasileiros em relação ao tratamento dado ao lixo. A reciclagem que deveria ser algo obrigatório praticamente inexiste, o que vemos no filme é que este trabalho esquecido pelos poderosos, se tornou um meio para aquelas pessoas abandonadas pela sociedade sobreviver de forma extremamente precária. 

A força do documentário está nos personagens simples, sofridos e que sonham com um vida melhor longe da miséria.

6 comentários:

Gilberto Carlos disse...

Um filme muito premiado. Fiquei triste quando omitiram o Brasil na festa do Oscar.

Celo Silva disse...

Gosto desse doc, é emocional e humano, apesar de se mostrar maniqueista em alguns aspectos, mas ainda assim é muito bom.

Amanda Aouad disse...

A força está nos personagens mesmo, mas o roteiro foi inteligente ao focá-los. Quando estamos com eles a obra cresce, ao contrário daquela excursão à casa da infância de Vik em São Paulo.

bjs

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

grande documentário. fiquei impressionado.

O Falcão Maltês

Maxwell Soares disse...

Olá, Hugo. Ainda não vi este documentário. Preciso vê-lo. Valeu pela lembrança. Um abraço, Hugo...

Hugo disse...

Gilberto - Isso não tira os méritos do documentário.

Celo - É um tema complicado mostrado de forma sensível.

Amanda - Concordo, os personagens sofridos são o ponto alto do documentário.

Antonio - É uma realidade triste.

Maxwell - O documentário vale uma sessão.

Abraço a todos