sábado, 4 de fevereiro de 2012

Vício Frenético (1992)

Vício Frenético (Bad Lieutenant, EUA, 1992) – Nota 8
Direção – Abel Ferrara
Elenco – Harvey Keitel, Victor Argo, Paul Calderon, Leonard Thomas.

Um tenente de polícia (Harvey Keitel) tem esposa, filhos pequenos e uma boa carreira, porém é viciado em drogas. Logo nas primeiras cenas vemos ele deixar os filhos no colégio e em seguida cheirar cocaína antes de ir para o trabalho. Além das drogas, ele é viciado em apostas e mesmo devendo um valor alto para um bookmaker, continua apostando, brincando com a própria sorte. Em paralelo, ele tenta capturar os estupradores de um freira. 

O diretor Abel Ferrara é uma espécie de Martin Scorsese independente, que não tem pudor em misturar nos seus filmes sexo, drogas, violência e religião. Neste trabalho específico, ele cria um roteiro (junto com os atores Victor Argo, Paul Calderon e Zoe Lund) que mostra a descida ao inferno de um personagem dominado pelo vício, valorizado pela visceral interpretação de Harvey Keitel, que se entrega totalmente ao personagem. 

Outro ponto interessante é a decisão tomada pelo personagem de Keitel em relação aos criminosos, algo totalmente diferente do que seria o comum neste tipo de filme. 

Como curiosidade, em um Festival de Cannes dos anos noventa, Abel Ferrara deu uma entrevista para Rubens Ewald Filho totalmente drogado. Ele estava descabelado, ria sem parar e não conseguia completar um raciocínio sequer. Os seus próprios demônios talvez possam explicar a temática realista dos seus filmes e os personagens marginais que neles habitam. 

Finalizando, o diretor alemão Werner refilmou o longa em 2009 alegando que não assistiu ao filme de Ferrara e mudou quase toda a trama. Abel Ferrara não gostou de ver seu filme ligado a esta refilmagem e os dois diretores que são polêmicos, trocaram farpas pela imprensa na época.

10 comentários:

thicarvalho disse...

Não vi esse, mas confesso ter gostado mto da segunda versão. Nicolas Cage manda mto bem, e mostra que não é essa ruindade toda q muitos acreditam. Abs.

Marcos Rosa disse...

A droga até pode ajudar a aflorar criatividade de alguns, porém, a verdade que afunda a quase totalidade dos artistas e homens comuns.
Quanto ao filme, ainda não o vi mas fiquei curioso.

Tiago Britto disse...

Hoje aprendi que o de Cage era uma refilmagem...muito legal!

Luís disse...

Parece que se trata de uma obra muito interessante que merece ser conferida!
Vou procurá-la, acho que conheço outro filme com o nome igual, refilmagem, suponho...

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

O Abel Ferrara é muito bom. Seus filmes são realistas, fortes. Essa versão é superior a de Herzog. E muito.

O Falcão Maltês

Hugo disse...

Thi - Tb não acho Nicolas Cage um ator ruim, o grande problema são suas escolhas de filmes ruins.

Marcos - Não devo ter sido claro, tb não acho que as drogas ajudem na criatividade, eu quis dizer que Abel Ferrara conhece o mundo das drogas, por isso seu filmes são realistas em relação ao tema.

Tiago - Uma refilmagem com uma trama um pouco diferente do original.

Luís - Os filmes de Abel Ferrara são não mínimo polêmicos.

Antonio - Gosto do trabalho dos dois diretores, mas concordo que original de Ferrara é melhor.

Abraço a todos

Gilberto Carlos disse...

Assisti só à refilmagem de Werner Herzog com Nicolas Cage, mas tenho muita curiosidade para ver o original de Abel Ferrara com Harvey Keitel.

Hugo disse...

Gilberto - O original é mais barra pesada.

Abraço

O Narrador Subjectivo disse...

Uma das minhas interpretações favoritas, Harvey Keitel sem restrições. Um filme muito intenso. Abraço

Hugo disse...

Narrador - Harvey Keitel se entrega completamente a um difícil papel.

Abraço