sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Filmes para TV - Violência e Traição entre Casais

Nesta postagem, destaco cinco produções para TV, onde os pontos principais são a violência e a traição entre casais.

É o tipo de filme que é especialidade dos canais abertos.

Marcada Para Morrer (She Was Marked for Murder, EUA, 1988) – Nota 5
Direção – Charles Thomson
Elenco – Stefanie Powers, Lloyd Bridges, Hunt Block, Debrah Farentino.

Elena (Stefanie Powers) é uma executiva solteira que corre todos os dias no Central Park em Nova York. Num certo dia ela é conhece por acaso o jovem Eric (Hunt Block), que se mostra gentil e interessado. Mesmo sendo dez anos mais velha, Elena se apaixona e acaba casando com Eric. Depois de algum tempo ela percebe atitudes estranhas no jovem e em sua secretária Claire (Debra Farentino), que parecem estar escondendo algo, situação que a deixa preocupada. 

A bela Stefanie Powers que ficou conhecida por seu papel no seriado “Casal 20” ao lado de Robert Wagner, é o exemplo de uma carreira que ficou presa a tv. Após o final do seriado ela estrelou apenas produções previsíveis para a tv, como este drama misturado com suspense.

 Nos Braços de um Assassino (In the Arms of a Killer, EUA, 1992) – Nota 5
Direção – Robert Collins
Elenco – Jaclyn Smith, John Spencer, Michael Nouri, Sandahl Bergman, Nina Foch.

A policial Maria Quinn (Jaclyn Smith) inicia a carreira como detetive na polícia de Nova York trabalhando com o veterano Vincent Cusack (John Spencer). Seu primeiro caso é investigar o assassinato de um chefão do tráfico. Durante as investigações a dupla cruza com o médico Brian Venible (o canastrão Michael Nouri), com quem Maria acaba se envolvendo, mesmo ele sendo casado. Para complicar ainda mais a situação, aos poucos Maria começa a desconfiar que o sujeito pode ser o assassino. 

A ex-pantera Jaclyn Smith não convence com policial nesta produção que tem um roteiro previsível e confirma porque a carreira da atriz não decolou após o final da série.

A Cama do Diabo (Shadows of Desire, EUA, 1994) – Nota 5,5
Direção – Sam Pillsbury
Elenco – Nicolette Sheridan, Adrian Pasdar, Joe Lando, Richard Roundtree, Piper Laurie.

A bela e sensual Rowena (Nicolette Sheridan) inicia um romance com Jude (Adrian Pasdar), porém quando entra em cena Sonny (o canastrão Joe Lando), o irmão canalha de Jude, a coisa se complica. Rowena se envolve com o sujeito, num triângulo amoroso que não acabará bem. 

Esta produção para a tv tem como ponto principal mostrar Nicolette Sheridan (muito antes de “Desperate Housewives”) em cenas sensuais, por sinal sua especialidade. O filme em si pouco mais tem a oferecer.


Dormindo com o Diabo (Sleeping with the Devil, EUA, 1997) – Nota 6
Direção – William H. Graham
Elenco – Tim Matheson, Shannen Doherty, Bonnie Bartlett, Steve Eastin.

A enfermeira Rebecca (Shannen Doherty) sofreu abuso sexual na adolescência e se tornou um pessoa fechada. Sua vida sofre nova mudança durante um evento quando ela conhece um empresário (Tim Matheson). Mesmo contrariando os pais, Rebecca se envolve com o homem que é bem mais velho e acaba indo morar com ele, dando início a um inferno. Rebecca descobre que o sujeito é possessivo e quando ela tenta abandoná-lo, passa a ser perseguida de todas as formas. 

O tema da violência doméstica é abordado até de forma interessante por ser um filme de tv, com Tim Matheson interpretando bem o papel do sujeito que é um exemplo para sociedade, mas que transforma a vida da esposa num inferno. Já Shannen Doherty apesar de bela, é apenas uma atriz com recursos limitados.

Armadilhas do Destino (Say Nothyng, EUA, 2001) – Nota 5,5
Direção – Allan Moyle
Elenco – Nastassja Kinski, Hart Bochner, William Baldwin.

O casal Matt (Hart Bochner) e Grace (Nastassja Kinski) estão em crise. O motivo é o desemprego de Matt que o leva a beber muito. Tentando acalmar os ânimos, Grace viaja durante um final de semana para um hotel e acaba se envolvendo com Julian (William Baldwin). O que seria apenas um caso passageiro, se torna pesadelo quando ao voltar para casa ela descobre que o marido conseguiu emprego e o novo patrão será Julian, seu amante casual. É o início de uma teia de mentiras que poderá acabar com seu casamento. 

Apesar de ser uma produção para o cinema, o filme tem toda a cara de filme de tv e acabou lançado apenas em dvd, o que se explica pela trama que lembra dramas de novela em algumas passagens e principalmente pela dupla de atores canastrões Hart Bochner e William Baldwin. Infelizmente este tipo de filme praticamente afundou a carreira da bela Nastassja Kinski. 



quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Cronicamente Inviável & Quanto Vale Ou É Por Quilo?



O diretor Sergio Bianchi é especialista em mostrar toda a hipocrisia do brasileiro em relação aos preconceitos culturais, sociais e até raciais. Nestes dois filmes ele dá um tapa na cara da nossa sociedade, mesmo atingindo em cheia a elite, sobram críticas também aos mais pobres, deixando no ar que a falta de caráter e o desprezo pelo próximo é algo comum por aqui.


Cronicamente Inviável (Brasil, 2000) – Nota 7,5
Direção – Sérgio Bianchi
Elenco – Cecil Thiré, Betty Goffman, Daniel Dantas, Dira Paes, Umberto Magnani, Leonardo Vieira, Cosme dos Santos, Zezé Mota, Dan Stulbach, João Acaiabe, Roberto Bomtempo, Gero Camilo.

Seis personagens circulam em torno do restaurante fino de Luís (Cecil Thiré), que explora sexualmente seus empregados em troca de favores, sendo eles a hostess Amanda (Dira Paes) e o garçom Adam (Dan Stulbach). O local é freqüentado pelo sociólogo e escritor Alfredo (Umberto Magnani) que viaja o país para analisar as diferenças culturais e pelo casal Carlos (Daniel Dantas) e Maria Alice (Betty Goffman), ele de uma família burguesa que há gerações explora os empregados, enquanto ela tenta amenizar a culpa por ser rica, distribuindo brinquedos para crianças carentes num tipo de ação social. 

Estes personagens podem ser considerados figuras comuns em nosso país, mesmo sendo esteriótipos, são utilizados para mostrar o que existe de pior por aqui em termos de caráter. Temos o dono do restaurante que tenta se mostrar um sujeito educado e de classe, mas que esconde seu gosto pela dominação. A dupla de funcionários ambiciosos que aceita participar deste jogo em troca de algum favor e o casal que é o exemplo de grande parte da nossa elite, onde ao mesmo tempo em que utiliza de falcatruas para lucrar, tenta mostrar aos pares uma bondade que não passa de hipocrisia. 

O roteiro pega pesado nas situações citadas, além de cenas fortes de sexo, inclusive uma sequência de masturbação masculina ligada a um clude de prostituição. 

O termômetro do filme é o personagem do sociólogo de Umberto Magnani,  que chega a conclusão de que o preconceito social e até racial tenta ser mascarado, porém em nossa realidade estas situações ainda são muito presentes.

Quanto Vale Ou É Por Quilo? (Brasil, 2005) – Nota 7,5
Direção – Sergio Bianchi
Elenco – Herson Capri, Caco Ciocler, Cláudia Mello, Ana Lúcia Torre, Ana Carbatti, Lena Roque, Lázaro Ramos, Míriam Pires, Zezé Motta, Joana Fomm, Silvio Guindane, Leona Cavalli, Leonardo Medeiros, Umberto Magnani, Antonio Abujamra, Caio Blat, Emílio de Melo, Danton Mello.

Criando um paralelo entre a época da escravidão no Brasil e os dias atuais, o diretor Sergio Bianchi cria sequências que mostram toda a hipocrisia da elite brasileira, além de uma crítica feroz as ONGs que se proliferam pelo país com o objetivo de lucrar em cima da pobreza, aproveitando a corrupção dos órgãos do governo que liberam milhões de reais. 

A história gira em torno de uma ONG comandada por dois corruptos (Herson Capri e Caco Ciocler) que após receberem uma alta verba do governo para um projeto de inclusão digital na periferia, superfaturam notas fiscais e entregam produtos de péssima qualidade. A responsável pelo local é Arminda (Ana Carbatti) que entra em conflito com a dupla quando resolve reclamar da situação. Temos ainda uma socialite (Ana Lúcia Torre) que cria uma instituição com o objetivo de conseguir dinheiro de uma grande organização americana. 

Em paralelo, conhecemos casos ocorridos na época da escravidão, como o exemplo dos “Capitães do Mato”, que eram sujeitos do povo que trabalhavam caçando escravos foragidos para receber uma recompensa, traduzindo, faziam o trabalho sujo para a elite entre troca de dinheiro, situação que se repetirá nos dias atuais, quando um jovem desempregado (Silvio Guindane) aceita trabalhar como matador eliminando pessoas que “incomodam” a elite. 

O filme é um verdadeiro tapa na cara da nossa sociedade, deixando claro o circulo vicioso que engloba “poder, dinheiro, corrupção, pobreza e ambição”, onde o que vale é levar vantagem e o próximo é visto apenas como uma escada ou um empecilho para o sucesso, que no caso é o lucro. 



quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada

Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada (Dan in Real Life, EUA, 2007) – Nota 7
Direção – Peter Hedges
Elenco – Steve Carell, Juliette Binoche, Dane Cook, Dianne Wiest, John Mahoney, Alison Pil, Brittany Robertson, Marlene Lawston, Norbert Leo Butz, Amy Ryan, Jessica Hecht, Frank Wood, Emily Blunt.

O viúvo Dan (Steve Carell) cuida das três filhas deixando sua vida pessoal de lado. Ele é bem sucedido como colunista de um jornal onde responde perguntas dos leitores, mas vive em conflito com as filhas, sendo duas já adolescentes. Num final de semana, ele leva as garotas para uma reunião de família na casa de seus pais (Dianne Wiest e John Mahoney), onde encontrarão tios, tias e os filhos destes. 

Logo no primeiro dia Dan sai para comprar um jornal e ao parar em uma livraria encontra a bela Marie (Juliette Binoche), por quem se sente atraído e tem uma agradável conversa, porém a mulher diz que tem namorado e deixa apenas um número de telefone. Voltando animado para a casa dos pais, ele toma um susto ao descobrir que Marie é a nova namorada de seu irmão Mitch (Dane Cook), dando início a um tumultuado final de semana. 

O diretor Peter Hedges segue a linha de seus outros trabalhos como roteirista, como “Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador” e “O Grande Garoto”, filmes com histórias que misturam passagens engraçadas com situações melancólicas, onde a frustração dos personagens fica clara. 

Este trabalho toca com carinho na relação entre pai e filhas, além de brincar com histórias de amor à primeira vista, valorizada pela simpatia do casal principal, com Steve Carell mostrando novamente que é mais do que um comediante, tendo outra boa interpretação assim como em “Pequena Miss Sunshine” e a bela Juliette Binoche cria uma divertida e simpática personagem, além de não parecer os mais de quarenta anos de idade que tinha na época. 

É o típico filme sobre família que deixa um sorriso no rosto do espectador ao final da sessão.     


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Eram os Deuses Astronautas

Eram os Deuses Astronautas (Erinnerungen na die Zukunft, Alemanha Ocidental, 1970) – Nota 7
Direção – Harald Reinl

Este documentário produzido há mais de quarenta anos foi baseado no best seller de mesmo nome do escritor suíço Erich Von Daniken, que acredita que nosso planeta foi visitado por extraterrestres há milhares de anos e estes ajudaram antigas civilizações na construção do que hoje são monumentos históricos. 

O roteiro começa mostrando documentos históricos onde foram descritos contatos com deuses, que para Daniken são extraterrestres, inclusive mostrando passagens da bíblia que se forem interpretadas ao pé da letra, deixam esta impressão. 

O documentário fica mais interessante quando passa a mostrar construções que até hoje os especialistas não sabem como foram feitas. As câmeras viajam pelas esculturas gigantes da Ilha de Páscoa, as Pirâmides do Egito, as similares construídas por Maias e Astecas no México e pelos Incas no Peru, as chamadas Linhas de Nazca também no Peru, entre outros enigmas da humanidade. 

Hoje em dia o documentário pode parecer datado por apresentar um conteúdo que canais como Discovery e History discutem em variados programas, com a participação de especialistas e curiosos no assunto, porém deve-se levar em conta que o livro de Daniken e o documentário foram produzidos numa época em que estas informações eram restritas a pouquíssimas pessoas. 

Como curiosidade, o falecido diretor Harald Reinl que nasceu no início do século XX ainda no Império Austro-Húngaro, era conhecido pela série de faroestes produzidos na Europa chamados “Winnetou”, que foram estrelados pelo americano Lex Barker, um dos interpretes de Tarzan mais famosos da história do cinema, que estrelou cinco filmes com o personagem. 

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Velozes e Mortais & Fúria em Duas Rodas


O sucesso de "Velozes e Furiosos" rendeu um franquia com altas e baixos, além de diversas cópias, em sua maioria filmes recheados de cenas de ação absurdas com roteiros péssimos. Estes dois filmes são exemplos claros.

Velozes e Mortais (Highwaymen, EUA/Canadá, 2004) – Nota 4
Direção – Robert Harmon
Elenco – Jim Caviezel, Rhona Mitra, Frankie Faison, Colm Feore.

Rennie Cray (Jim Caviezel) após ter sua esposa assassinada por um serial killer, vive amargurado e pronto para a vingança. Como o assassino aborda mulheres sozinhas dirigindo nas estradas da região, Rennie roda incansável em busca do sujeito. Quando ele encontra Molly (Rhona Mitra), que foi a única mulher que escapou do ataque do psicopata, ele acredita ter uma chance de encontrar o assassino. 

No mesmo ano em que estrelou “A Paixão de Cristo”, Jim Caviezel trabalhou neste filme arrastado, que tenta misturar trauma psicológico com ação, onde nem mesmo as cenas de perseguição na estrada se salvam, resultando numa bomba. 

Como curiosidade, o diretor Robert Harmon estreou no cinema com o ótimo “A Morte Pede Carona” de 1986 e parecia ter talento para uma grande carreira, o que acabou não acontecendo.

Fúria em Duas Rodas (Torque, EUA/Austrália, 2004) – Nota 3
Direção – Joseph Kahn
Elenco – Martin Henderson, Ice Cube, Monet Mazur, Jay Hernandez, Will Yun Lee, Adam Scott, Matt Schulze, Jaime Pressly, Justina Machado, Fredro Starr, John Doe, Faizon Love.

O motoqueiro Cary Ford (Martin Henderson) é considerado responsável pela morte de um membro de uma gangue rival liderada por Trey (Ice Cube), que para passa a perseguir o rapaz para se vingar. Precisando provar que não matou o sujeito, Cary se mete em alucinadas e absurdas sequências de perseguições com carros e motos. 

O neozelandês Martin Henderson que trabalhou em “O Chamado” quase afundou sua carreira neste longa totalmente equivocado, que tem um roteiro péssimo e interpretações tão ruins quanto, onde salva-se apenas a bela de Monet Mazur, que como atriz é bem fraca.   


domingo, 25 de setembro de 2011

O Amor Custa Caro

O Amor Custa Caro (Intolerable Cruelty, EUA, 2003) – Nota 6,5
Direção – Joel & Ethan Cohen
Elenco – George Clooney, Catherine Zeta Jones, Geoffrey Rush, Cedric the Entertainer, Edward Herrmann, Paul Adelstein, Richard Jenkins, Billy Bob Thornton, Julia Duffy, Stacey Travis.

Miles Massey (George Clooney) é um advogado canastrão especialista em divórcios, que tem a fama de enriquecer seus clientes, deixando o ex-marido ou ex-esposa na miséria. Quando a bela e esperta Marylin Rexroth (Catherine Zeta Jones) processa seu marido (Edward Herrmann) que foi filmado com a amante pelo detetive Gus Petch (Cedric the Entertainer), Miles acaba contratado para defender o sujeito e consegue salvar a situação, despertando a ira em Marylin, que cria um plano para se vingar. 

Com certeza este é o filme mais fraco dos irmãos Cohen, que tentam fazer graça exagerando nas piadas sobre o famoso acordo pré-nupcial, documento comum no casamento entre pessoas ricas nos Estados Unidos, que o utilizam para defender seus bens e se for possível ainda tomar o que puder do parceiro. 

Como de hábito nas produções dos irmãos, temos os personagens incomuns, porém alguns são mal aproveitados, como Geoffrey Rush e Cedric the Entertainer que poderiam ter um espaço maior. Além disso, o roteiro se torna previsível no decorrer da trama, inclusive com um final certinho demais, bem diferente dos outros trabalhos dos irmãos Cohen. 


sábado, 24 de setembro de 2011

A Festa de Babette

A Festa de Babette (Babettes Gaestebud, Dinamarca, 1987) – Nota 7,5
Direção – Gabriel Axel
Elenco – Stephane Audran, Bodil Kjer, Birgitte Federspiel, Jarl Kulle, Jean Philippe Lafont, Bibi Andersson.

Numa isolada vila na região de Jutland na costa da Dinamarca, um pastor lidera os habitantes utilizando a religião, cuidando ainda de suas duas belas filhas. Como elas seguem rigidamente os preceitos do pai, acabam desperdiçando a chance de ser feliz. Uma das irmãs é cortejada por um oficial sueco que desiste por ter de optar entre a jovem e a carreira. A segunda irmã tem uma bela voz e desperta o interesse de um tenor francês que deseja levá-la para Paris, mas a garota também desiste e prefere ficar na remota vila. 

A história pula para 1871 (provavelmente 30 a 40 depois) e mostra as irmãs já idosas recebendo a francesa Babette (Stephane Audran), que chega indicada pelo tenor francês que pede para as irmãs darem abrigo, pois a mulher teve sua família assassinada durante a revolta chamada “Comuna de Paris” e precisou fugir da cidade. Babette se torna a cozinheira das velhas senhoras por alguns anos, até que um fato inusitado dará a chance daquelas pessoas mudarem um pouco o destino de suas vidas. 

Este sensível drama baseado num livro de Karen Blixen (escritora do livro que rendeu “Entre Dois Amores") venceu o Oscar de Filme de Estrangeiro e apresentou ao mundo o talento do veterano diretor de tv Gabriel Axel, que tinha na época quase 70 anos. 

A história contada em ritmo lento, mostra a força das crenças religiosas num local afastado e como determinadas escolhas ficam marcadas pela vida toda. 

É um simpático longa indicado para quem gosta de obras filmadas em locais e épocas completamente diferentes do mundo em que vivemos, ainda com o detalhe do delicioso banquete mostrado na parte final do filme.


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Livro - O Clube do Filme

O Clube do Filme (The Film Club, 2007)
Escritor - David Gilmour

Longe de ser um crítico literário, entendo porque este livro fez tanto sucesso. O apelo de livros sobre relações familiares que beiram o estilo auto ajuda, misturado com a expectativa de que o autor se aprofundasse na análise dos mais diversos filmes, foram os grandes trunfos de marketing, porém o resultado é apenas razoável.

O canadense David Gilmour (homônimo do integrante do grupo Pink Floyd) conta sua relação com o filho Jesse, quando este era adolescente e decidiu abandonar os estudos. O livro segue em torno de três a quatro deste período, começando quando Jesse estava com quinze anos e com péssimo desempenho no colégio, deixando claro que odiava estudar. Ao mesmo tempo, David havia perdido o emprego de crítico de cinema e apresentador de um programa numa tv do Canadá e estava procurando nova ocupação.

Quando Jesse diz para o pai que pretende abandonar o colégio, a saída encontrada por David é aceitar com a condição de que os dois deveriam assistir juntos pelo menos três filmes por semana, considerando como uma espécie de educação especial, até que Jesse descobrisse o que gostaria da fazer da vida.

O ponto principal do livro é a relação que se constrói entre pai e filho, que passam juntos por um período de mudanças e se aproximam de uma forma que normalmente não acontece quando o filho é adolescente, porém algumas situações incomodam. A solução encontrada por David funcionou neste caso por motivos como a condição financeira dele, que mesmo desempregado estava longe de se desesperar, mas a tendência é que esta ruptura com os estudos levaria a um caminho de vida complicado para qualquer jovem que não tivesse uma família estruturada e condições financeiras.

Outras duas situações não ajudam: O sofrimento do jovem Jesse na relação com duas ou três namoradas, passando praticamente todo livro depressivo em relação a estes amores perdidos, talvez sendo uma exagero de sentimentos do pai na descrição das situações. O segundo e talvez pior erro seja a descrição dos demais personagens. David cita a sua segunda esposa (com quem ele vive atualmente) como alguém de mente aberta, mas sua relação parece distante. Muito mais próxima e citada com maior carinho é a mãe de Jesse, que acaba descrita como uma atriz sem sucesso, uma espécie de hippie que vive de paz e amor. No final do livro ele cita ainda uma filha que teve com uma outra mulher, dizendo que sua relação é ótima mas nada sabemos dela. É no mínimo estranho escrever um livro sobre a família e excluir completamente a filha, mesmo que ela não viva com ele.

A análise dos mais de cem filmes assistidos pela dupla também é rasa, com David geralmente comentando apenas uma cena de cada filme para usar como exemplo de vida ou lição de moral ao filho. É uma pena, apesar da leitura fácil e até simpática, não recomendo para quem quer saber mais sobre cinema, neste caso o ideal seria comprar "1001 Para Ler Antes de Morrer", onde existem críticas bem mais aprofundadas sobre a maioria dos filmes citados aqui.


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Rocky II - A Revanche


Rocky II – A Revanche (Rocky II, EUA, 1979) – Nota 7.5
Direção – Sylvester Stallone
Elenco – Sylvester Stallone, Talia Shire, Burt Young, Carl Weathers, Burgess Meredith, Tony Burton, Joe Spinell.

Mesmo sendo derrotado por Apollo Creed (Carl Weathers), Rocky Balboa (Sylvester Stallone) se torna um astro do boxe e seus fãs pedem que tenha uma revanche. Em virtude dos ferimentos da luta e de sua esposa Adrian (Talia Shire) estar grávida, ele prefere se aposentar. A questão é que o próprio Apollo o pressiona para um novo combate, pois ele venceu mas não convenceu o público, além disso Rocky tenta a vida em outros empregos mas sabe que nasceu para o boxe. 

Esta inevitável sequência do sucesso de 1976, novamente é competente nas cenas de lutas e tem um roteiro de Stallone que mistura bem os dramas pessoais com o sonho de ser campeão. 

Desta vez o próprio Stallone dirigiu o longa e seguiu a mesma linha de trabalho de John G. Avildsen, que voltaria na parte cinco e faria sucesso ainda com a série “Karaté Kid”. 


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sozinho Contra Todos

Sozinho Contra Todos (Seul Contre Tous, França, 1998) – Nota 8
Direção – Gaspar Noé
Elenco – Phillipe Nahon, Bladine Lenoir, Frankye Pain, Martine Audrain.

O diretor franco-argentino Gaspar Noé quatro anos antes de ficar conhecido mundialmente pelo polêmico “Irreversível”, filmou este outro longa que também é um verdadeiro soco no estômago. 

O roteiro segue a história do Açougueiro (Phillipe Nahon) qua apareceu pela primeira vez no média-metragem “Carne” filmado em 1991. 

Logo no início o personagem principal faz um resumo de sua vida em tom de fábula, explicando ainda os fatos que ocorreram com sua esposa e principalmente com sua filha acarretando na sua prisão e na internação da garota em um hospício. O Açougueiro agora vive com sua amante (Frankye Pain) que está grávida e que prometeu dar a ele um novo açougue para trabalhar, mas acaba utilizando o fato para humilhar o homem que já carrega consigo uma tonelada de ódio e rancor. 

O ideal é não comentar mais sobre a trama, o principal aqui é entender a mente de um personagem que sofreu a vida inteira, chegando a uma situação sem saída, o que faz com que ele sinta ódio por tudo e contra todos. 

A grande sacada é a narração do personagem principal, o que na verdade é sua mente externando a vontade de vingança contra o sistema, seja ele o país, seus antigos parceiros de trabalho ou a amante e sua sogra, bem diferente de sua vida real, onde ele é um sujeito calado e sofrido. 

A parte técnica também é interessante, Noé deixa a câmera parada na maioria das tomadas com cortes pontuados por um barulho forte que pode ser comparado a um tiro, além de frases e palavras como Moral e Justiça utilizadas para explicar os pensamentos raivosos do protagonista, culminando com uma contagem regressiva de trinta segundos alertando o espectador para sair da sala antes da sequência final, que pode ser vista ao mesmo tempo como redentora e repulsiva. 

Como curiosidade, o ótimo ator Phillipe Nahon aparece na cena inicial de “Irreversível” conversando nu com outro personsagem dentro do quarto de um hotel vagabundo ao lado da boate onde acontece boa parte da trama. 

Assim como “Irreversível”, este é um típico filme que deixará o espectador no mínimo incomodado.   

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Paixão Eterna & Quando Me Apaixono



Paixão Eterna (Made in Heaven, EUA, 1987) – Nota 7
Direção – Alan Rudolph
Elenco – Timothy Hutton, Kelly McGillis, Maureen Stapleton, Ann Wedgeworth, James Gammon, Mare Winninghan, Don Murray, David Rasche, Tim Daly, Amanda Plummer, Debra Winger, Ellen Barkin, Debra Winger.

No início dos anos cinquenta, Mike O’Shea (Timothy Hutton) morre e chegando ao céu encontra pessoas conhecidas que faleceram, como sua tia (Maureen Stapleton). Após algum tempo ele aceita sua condição e se aproxima de Annie (Kelly McGillis) que também faleceu cedo. As duas almas se apaixonam, mas Annie acaba reencarnando, deixando Mike desesperado. Ele faz um acordo com uma espécie de anjo chamado Emmett (Debra Winger irreconhecível em papel masculino) e volta para a Terra, porém terá trinta anos para encontrar a amada, caso não consiga os dois terão uma vida infeliz. 

Este drama romântico segue um pouco a linha de “Além da Eternidade”, que Spielberg dirigiu no mesmo ano e também tem como tema o amor após a morte. O roteiro apesar de previsível é sensível e feito na medida certa para fãs do gênero, contendo todos os percalços que os personagens neste tipo de filme precisam enfrentar. 

Quando Me Apaixono (Then She Found Me, EUA, 2007) – Nota 6
Direção – Helen Hunt
Elenco – Helen Hunt, Colin Firth, Bette Midler, Matthew Broderick, Ben Shenkman, Lynn Cohen, John Benjamin Hickey, Salman Rushdie.

April Epner (Helen Hunt) se casa com Ben (Matthew Broderick) já próxima dos quarenta anos e enfrenta dificuldade em realizar o sonho de engravidar. Pouco tempo depois, sua mãe adotiva (Lynn Cohen) que a pressionava para adotar uma criança acaba falecendo. Para piorar a situação, seu marido resolve abandoná-la e ao mesmo tempo ela é procurada por Bernice Graves (Bette Midler), que diz ser sua mãe biológica. A vida de April se torna uma grande confusão, aumentando ainda mais quando ela se envolve com Frank (Colin Firth), um divorciado que cuida do casal de filhos pequenos. 

Este drama sobre amores complicados, traições e maternidade marca a estréia na direção da atriz Helen Hunt, famosa pela antiga série “Mad About You” e vencedora do Oscar por “Melhor É Impossível”. 

O filme é simpático e os personagens bem próximos da realidade, mostrando falhas e frustrações. O elenco dá conta do recado, com destaque até para Bette Midler, que muitas vezes exagera na caracterização, mas aqui acerta o tom. 

No geral é um filme razoável, que poderia se aprofundar mais na história, mas fica apenas na superfície dos temas mostrados.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Segredos de Estado


Segredos de Estado
Quelques Jours en Septembre, Itália / França / Portugal, 2006) – Nota 6,5
Direção – Santiago Amigorena
Elenco – Juliette Binoche, John Turturro, Sarah Forestier, Tom Riley, Nick Nolte, Mathieu Demy, Said Amadis.

Alguns dias antes dos atentados de 11 de Setembro, a espiã francesa Irene Montano (Juliette Binoche) recebe uma carta para encontrar o espião americano Elliott em um quarto de hotel em Paris. O espião enviou cartas também para sua filha francesa Orlando (Sarah Forestier) que não o vê há mais de uma década e a seu filho de criação americano David (Tom Riley). 

O encontro não acontece porque outro espião, o estranho William Pound (John Turturro) também está a procura de Elliott. Em seguida Irene e os dois jovens são procurados por dois homens misteriosos, um francês e outro árabe, que dizem ter negócios com Elliott e que todos deverão se encontrar em Veneza, onde o espião americano fará uma revelação. 

A interessante premissa perde um pouco o impacto no desenvolvimento lento e no roteiro que deixa o suspense um pouco de lado para focar no relacionamento entre os dois irmãos que não se conheciam. 

Vale destacar a interpretação de Juliette Binoche como a espiã inteligente e cínica e John Turturro novamente fazendo o sujeito maluco. 

A trama deixa no ar a suspeita de que várias pessoas, além dos terroristas, sabiam o que iria acontecer em 11 de Setembro, inclusive parte do governo americano.

domingo, 18 de setembro de 2011

Gente Grande

Gente Grande (Grown Ups, EUA, 2010) – Nota 5,5
Direção – Dennis Dugan
Elenco – Adam Sandler, Kevin James, Chris Rock, David Spade, Rob Schneider, Salma Hayek, Maria Bello, Maya Rudolph, Joyce Van Patten, Ebony Jo Ann, Di Quon, Colin Quinn, Steve Buscemi, Tim Meadows, Madison Riley, Jamie Chung. Cameron Boyce.

Cinco amigos de infância (Adam Sandler, Kevin James, Chris Rock, David Spade e Rob Schneider) se reencontram após trinta anos para o funeral do treinador da equipe de basquete do colégio. Como o funeral acontece na véspera do feriado de quatro de julho, Lenny Feder (Sandler) aluga uma antiga casa à beira de um lago onde eles se divertiam quando crianças. Os amigos levam suas  esposas e filhos para um feriado cheio de confusões. 

A premissa de reunir os cinco comediantes famosos no mesmo filme é ótima, porém o fraco roteiro e a história que parece não existir atrapalham muito o resultado. O longa funciona nas piadas entre os protagonistas, principalmente na primeira parte, porém a partir do momento em que o roteiro tenta incluir na trama os dramas pessoais de uma forma rasteira e a disputa contra os moradores locais, o filme perde toda a graça até o final com uma lição de moral totalmente tola. 

Os papéis femininos também são mal aproveitados, se salvando apenas a beleza de Salma Hayek e Maria Bello. Vale destacar a química entre Sandler e Kevin James, que já deu certo em “Eu os Declaro Marido e ... Larry” e o desbocado David Spade. Já Chris Rock tem um papel sem graça, assim como o sempre irritante Rob Schneider. 

É o típico filme em que o elenco se divertiu muito mais do que o público.

sábado, 17 de setembro de 2011

Norma Rae & Ausência de Malícia


A atriz Sally Field ficou conhecida no final dos anos sessenta pela papel no seriado "A Noviça Voadora", onde interpretava um jovem noviça rebelde que arrumava várias confusões com as freiras mais velhas. No cinema ela despontou em algumas comédias com Burt Reynolds até ser reconhecida como grande atriz no premiado "Norma Rae". Este filme marcou o início dos trabalhos de Sally Field em papéis de mulheres fortes, decididas e sofridas, como em "Um Lugar no Coração", "Flores de Aço" e até no seriado atual "Brothers & Sisters".

Nesta postagem escrevo sobre dois trabalhos marcantes na carreira deste talentosa atriz.

Norma Rae (Norma Rae, EUA, 1979) – Nota 7,5
Direção – Martin Ritt
Elenco – Sally Field, Ron Leibman, Beau Bridges, Pat Hingle, Barbara Baxley, Gail Strickland.

Nos anos setenta numa pequena cidade do Alabama, Norma Rae (Sally Field) é uma mãe solteira com duas crianças que trabalha numa indústria têxtil que explora os operários. 

Norma se envolve e casa com outro operário, Sonny (Beau Bridges), mas tem seu relacionamento abalado por se aliar a Reuben (Rob Leibman), um sindicalista de Nova York que chega a cidade com o objetivo de reunir os funcionários e criar um sindicato, o que desagrada e muito as autoridades locais. 

Este drama baseado em história real, deu a Sally Field um merecido Oscar, o Globo de Ouro, além de prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes e realmente seu desempenho é sensacional na pele da mulher filha de operários, com pouco estudo, mas com uma força gigantesca para lutar por seus direitos. 

O falecido diretor Martin Ritt foi um dos perseguidos pela “caça as bruxas” no anos cinqüenta em virtude de sua predileção por filmes com temas de causas sociais, como este bom drama.

Ausência de Malícia (Absence of Malice, EUA, 1981) - Nota 7,5
Direção – Sydney Pollack Elenco – Paul Newman, Sally Field, Bob Balaban, Melinda Dillon, Wilford Brimley, Barry Primus, Josef Sommer.

O executivo Michael Gallagher (Paul Newman) lê no jornal que está sendo investigado pelo desparecimento de um sindicalista. Ele resolve confrontar a jornalista que escreveu a matéria, Megan Carter (Sally Field) que se baseou de um dossiê que estava na mesa de outro jornalista (Bob Balaban). Megan e Gallagher se juntam para tentar descobrir quem está por trás das acusações, porém a ânsia de Megan em fazer uma grande reportagem pode levar os dois a uma armadilha.

O falecido diretor Sydney Pollack acerta a mão neste longa que mistura drama e suspense ao mostrar como não se deve fazer jornalismo. A personagem de Sally Field erra desde publicar fatos sem comprovação, até se envolver com o protagonista da matéria vivido por Paul Newman, não percebendo que está sendo manipulada. 

Vale a sessão pela história envolvente e o talento do casal de protagonistas.


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O Sacrifício


O Sacrifício (The Wicker Man, EUA / Alemanha / Canadá, 2006) – Nota 5
Direção – Neil LaBute
Elenco – Nicolas Cage, Ellen Burstyn, Kate Beahan, Frances Conroy, Molly Parker, Leelee Sobieski, Diane Delano, Aaron Eckhart, James Franco, Jason Ritter.

O policial Edward Malus (Nicolas Cage) não consegue salvar mãe e filha após um caminhão bater no carro das duas. Traumatizado com o acontecido, Edward recebe em seguida uma carta da ex-noiva (Kate Beahan) que o abandonou há alguns anos. 

Na carta ela diz estar morando num pequena ilha onde vive uma comunidade isolada e que sua filha desapareceu, assim precisando de ajuda para encontrar a menina. Edward resolve ajudá-la e se depara com uma sociedade matriarcal liderada pela irmã Summersile (Ellen Burstyn), onde as mulheres vivem com se estivessem na época da colonização americana e os homens são tratados como inferiores. O obstinado Edward tenta impor sua condição de policial em vão, sendo manipulado por todas até o cruel desfecho. 

Esta nova versão do clássico cult “O Homem de Palha” muda um pouco foco da história e acaba falhando pelo roteiro ruim que abusa de diálogos exagerados e criam sequências de alucinação do personagem de Cage quase sem sentido, deixando muitas situações sem explicação, além das péssimas interpretações, como da atriz Kate Beahan e até da ótima Ellen Burstyn que cria uma vilã caricata. 

No original o líder do local era um homem vivido por Christopher Lee que cultuava a fertilidade e utilizava de um apelo erótico para fragilizar o policial que era um católico fervoroso interpretado por Edward Woodward. Aqui a fertilidade é apenas citada, o que está em jogo é uma disputa dos sexos, onde as mulheres utilizam todas as armas para enlouquecer o personagem de Nicolas Cage. Por sinal este tema é recorrente na filmografia de Neil Labute, que foi muito mais feliz no interessante “Na Companhia de Homens”. 

Como curiosidade, na sequência inicial o ator Aaron Eckhart, figura comum nos filmes de LaBute, faz uma participação que quase passa despercebida. O filme cria ainda uma sequência final onde James Franco e Jason Ritter fazem uma pequena aparição que poderia até ser usada como gancho para uma continuação, caso o longa não tivesse sido um merecido fracasso.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ford: O Homem e a Máquina


Ford – O Homem e a Máquina (“Ford: The Man and the Machine”, Canadá, 1987) – Nota 6,5
Direção – Allan Eastman
Elenco – Cliff Robertson, Hope Lange, Michael Ironside, Heather Thomas, Nicholas Kilbertus, Allan Eastman.

Esta produção da tv canadense é uma biografia de Henry Ford (Cliff Robertson), que no início do século passado revolucionou a produção de automóveis criando as chamadas “linhas de montagem” para diminuir os custos e consequentemente vender os veículos por um preço mais baixo, atingindo uma grande quantidade de pessoas. 

O roteiro mostra que Ford era um verdadeiro tirano, que colocava seus carros e a empresa acima de tudo e de todos, causando uma grande insatisfação nos funcionários. Ao mesmo tempo sua vida particular também era complicada, mesmo casado com Clara (Hope Lange), ele mantinha um caso com uma funcionária (Heather Thomas). 

Lembrei do filme ao ver a notícia da morte de Cliff Robertson, conhecido pela geração atual pelo papel do avô de Peter Parker na franquia “Homem-Aranha”, mas que estava no cinema desde os anos cinqüenta, tendo seu auge ao vencer o Oscar de Melhor Ator em 1968 pelo drama “Os Dois Mundos de Charlie”. 

Aqui sua interpretação de Henry Ford é competente, mas o filme peca pelas limitações das produções de tv, deixando quase todas as sequências a cargo do personagem principal que interage com coadjuvantes fracos, além de um duração longa que deixa algumas passagens cansativas. O roteiro toca ainda em temas da época como a Quebra da Bolsa em 1929, seguida da Depressão Americana, passando um pouco pela ascensão do comunismo e do nazismo, porém sem se aprofundar. 

Eu assisti o filme quando estava na universidade no curso de Administração e ficou bem claro como a idéia das linhas de montagem são utilizadas até hoje, não apenas na produção de carros, mas na grande maioria das empresas, podendo ser nas áreas administrativas, bancos e centrais de atendimento, que consideram o “colaborador” apenas uma peça na engrenagem que não pode parar. 

Mesmo tendo me formado neste curso, muitas das idéias difundidas atualmente não me agradam, deixar de valorizar o “colaborador” transformando o trabalho em algo repetitivo, pensando apenas em diminuir custos, leva a desmotivação e a rotatividade. A maioria dos empresários utilizam estas práticas, pois sabem que podem substituir os descontentes quando quiserem. Vivenciei este fato em algumas empresas e por isso considero que o legado de Ford continua sendo utilizado de uma péssima forma, principalmente para os trabalhadores.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O Cheiro do Ralo

O Cheiro do Ralo (Brasil, 2006) – Nota 7,5
Direção – Heitor Dahlia
Elenco – Selton Mello, Paula Braun, Lourenço Mutarelli, Silvia Lourenço, Alice Braga, Flávio Bauraqui, Milhem Cortaz, Wolney de Assis, Abrahão Farc, Susana Alves, Martha Meola.

Num antigo galpão em São Paulo, Lourenço (Selton Mello) tem um escritório onde compra objetos de pessoas que precisam de dinheiro rapidamente. Ele atende pessoas simples e algumas estranhas que lhe oferecem os mais diversos objetos. Lourenço despreza estes clientes, os tratando da pior forma possível. 

Um destes clientes oferece um olho de vidro que deixa Lourenço fascinado, ao mesmo tempo em que ele começa a ficar obcecado pela bunda de uma garçonete (Paula Braun), que trabalha num boteco onde ele almoça todos os dias. 

Estas duas obsessões se misturam ao cheiro ruim que exala do banheiro de seu escritório e que Lourenço tenta explicar para cada cliente como uma desculpa, ao mesmo tempo em que o mal cheiro pode comparado com o caráter desagradável de seu personagem. 

O longa é baseado num romance de Lourenço Mutarelli, que interpreta o segurança do escritório de Selton Mello, tendo o roteiro sido desenvolvido pelo diretor Heitor Dahlia em parceria com Marçal Aquino, roteirista de “O Invasor”. 

O estilo sujo e quase marginal que o também desenhista Mutarelli utilizou para criar um personagem principal que desperta antipatia no público, acerta em cheio na proposta mostrar como uma pessoa sem caráter trata os semelhantes, principalmente aqueles que ele julga serem inferiores. 

Destaque também para o elenco, com os diversos personagens que desfilam pela trama, principalmente a drogada intepretada por Silvia Lourenço e o encanador de Milhem Cortaz.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

O Ultimato Bourne


O Ultimato Bourne (The Bourne Ultimatum, EUA / Alemanha, 2007) – Nota 9
Direção – Paul Greengrass
Elenco – Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Scott Glenn, Joan Allen, Albert Finney, Paddy Considine, Edgar Ramirez, Tom Gallop, Corey Johnson, Daniel Bruhl.

Após a Operação Treadstone vir a torna, Jason Bourne desaparece, porém uma reportagem em um jornal de Londres comentando sobre a existência da operação faz com que o o novo diretor da CIA, Noah Vosen (David Straithairn) retome a caçada para matar Bourne. 

O verdadeiro objetivo de Vosen é esconder outro projeto, a Operação Blackbriar, uma nova versão do Treadstone. Para sobreviver, Bourne volta a ativa e ainda descobrirá outras situações sobre seu passado.

Novamente o roteiro é inteligente e o elenco de apoio competente, além de Joan Allen e Julia Stiles, aqui temos as entradas do ótimo David Straithairn como o vilão, além de nomes como Scott Glenn e o veterano Albert Finney, que tem um papel importante no passado de Bourne. 

Apesar dos boatos de uma nova sequência, este terceiro filme fecha perfeitamente a história do agente Bourne, que transformou Matt Damon em astro de filmes de ação.

  

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

The Walking Dead

The Walking Dead (The Walking Dead, EUA, 2010)
Criador - Frank Darabont
Elenco - Andrew Lincoln, Jon Bernthal, Sarah Wayne Callies, Laurie Holden, Jeffrey DeMunn, Steven Yuen, Chandler Riggs, Norman Reedus, IronE Singleton, Michael Rooker, Lennie James.

O diretor Frank Darabont, responsável por ótimos filmes como "À Espera de um Milagre", "Um Sonho de Liberdade" e "O Nevoeiro", se juntou a produtora Gale Anne Hurd, ex-esposa de James Cameron e parceira do diretor em trabalhos como "Exterminador do Futuro I e II" e "Aliens - O Resgate" para criar este seriado que dá novo fôlego as tramas sobre zumbis e apocalipse.

A história começa com uma cena cruel e enigmática, que não se casa com os acontecimentos dos seis episódios da primeira temporada, deixando a impressão de ser algo que acontecerá futuramente. Após este prólogo, somos apresentados a uma dupla de policiais de uma cidade do interior americano, sendo eles Rick Grimes (Andrew Lincoln) e Shane Walsh (Jon Bernthal), que durante uma perseguição precisam enfrentar um sujeito totalmente descontrolado que acerta um tiro em Rick.

Em seguida a história mostra Rick acordando em um hospital completamente sozinho (sequência semelhante ao início do ótimo "Extermínio" de Danny Boyle). Ele sai do quarto sem saber o que está acontecendo e vê que todos no hospital estão mortos. É o início da jornada de Rick que terá de enfrentar zumbis sedentos para sobreviver e tentar encontrar sua esposa Lori (Sarah Wayne Callies) e o filho Carl (Chandler Riggs).

O enredo mistura perfeitamente filmes como o citado "Extermínio" com as obras de George A. Romero, criando cenas sanguinárias como é obrigatório no gênero, mas principalmente uma tensão constante, tanto entre os personagens que são obrigados a ficar juntos para sobreviver, como pelo medo dos ataques dos zumbis, que podem acontecer a qualquer momento.

A estratégia de lançar apenas seis episódios, além de provavelmente existir a questão da análise de aceitação do público, com certeza criou uma expectativa enorme pela segunda temporada. A história bem amarrada deixou várias perguntas em aberto, como a cena inicial que citei, um cochicho entre um personagem que aparece no sexto episódio vivido por Noah Emmerich e o ator principal, além de dois personagens que o público fica sem saber o destino. O primeiro é vivido por Lennie James, que junto com filho pré-adolescente promete encontrar o personagem de Andrew Lincoln e o segundo é um psicopata vivido pelo sempre vilão Michael Rooker.

A escolha do elenco foi outro acerto, deixando de lado nomes famosos, os personagens são interpretados por atores que até aqui eram apenas coadjuvantes e pelo sucesso que a série deverá conseguir, eles tem tudo para se consagrar. Do elenco fixo o rosto mais conhecido é do veterano Jeffrey DeMunn.

Agora os fãs ficam à espera da segunda temporada que começará em outubro e terá treze episódios, tendo agora mais tempo para explorar melhor a história e os personagens.

domingo, 11 de setembro de 2011

Bananas


Bananas (Bananas, EUA, 1971) – Nota 6
Direção – Woody Allen
Elenco – Woody Allen, Louise Lasser. Carlos Montalban, Natividad Abascal, Jacobo Morales, Rene Enriquez.

Fielding Mellish (Woody Allen) odeia seu trabalho de testar novos aparelhos, mas não faz nada para mudar sua vida. Num certo dia a jovem estudante Nancy (Louise Lasser) bate em sua porta pedindo que ele assine um manifesto contra a ditadura no fictício país de São Marcos na América do Sul. Logo eles começam a namorar e planejam viajar para São Marcos com o objetvo de lutar contra o governo, porém Nancy muda de idéia e o abandona. Fielding resolve ir sozinho para país e por acaso se torna uma figura importante na revolução. 

Não é dos melhores filmes de Woody Allen, inclusive o tipo de humor usado aqui envelheceu. A idéia de Allen foi criticar as ditaduras nos países latinos à época, além de mostrar a participação dos EUA que financiaram vários golpes e fecharam os olhos para as atrocidades cometidas por estes ditadores. 

A revolução em São Marcos é claramente baseada na revolução cubana e seu líder em Fidel Castro, com o roteiro mostrando ainda que tantos os ditadores quanto os revolucionários não eram tão diferentes assim. 

Como curiosidade, Sylvester Stallone aparece numa cena dentro do metrô com outro sujeito tentando assaltar o personagem de Woddy Allen.

sábado, 10 de setembro de 2011

O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final


O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (Terminator 2: Judgment Day, EUA / França, 1991) – Nota 10
Direção – James Cameron
Elenco – Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton, Robert Patrick, Edward Furlong, Joe Morton, S. Epatha Merkerson, Castulo Guerra, Jenette Goldstein, Earl Boen, Xander Berkeley.

Sarah Connor (Linda Hamilton) após sobreviver ao ataque do exterminador anos atrás, resolveu contar ao mundo sobre o futuro trágico e acabou sendo presa em uma instituição psiquiátrica. 

Enquanto isso, seu filho John Connor (Edward Furlong) passou por várias famílias adotivas e se tonou um adolescente problemático. Como ele pode ser o salvador da população no futuro, a corporação Skynet envia um novo exterminador quase indestrutível modelo T-1000 (Robert Patrick), feito de metal líquido com o objetivo de matá-lo. O próprio John Connor no futuro envia um modelo antigo de exterminador, o T-800 (Arnold Schwarzenegger) para proteger a si mesmo quando adolescente. 

Esta sequência chega ainda mais sensacional que o ótimo filme original, com James Cameron não economizando nas cenas de ação, como na sequência da perseguição do caminhão dentro do canal seco em Los Angeles, além dos efeitos especiais criados especialmente para composição do vilão de Robert Patrick, que está perfeito como uma máquina assassina. 

Até mesmo a idéia de transformar Schwarzenegger em herói nesta continuação é muito bem amarrada pelo roteiro. 

Vale destacar ainda a forma física de Linda Hamilton, que desempenha com sucesso as difíceis cenas de ação. 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Muito Além do Cidadão Kane


Muito Além do Cidadão Kane (Beyond Citizen Kane, Inglaterra, 1993) – Nota 7,5
Direção – Simon Hartog

Este documentário produzido pela BBC de Londres no início dos anos noventa, mostra como ocorreu o crescimento da Rede Globo e todo o poder que Roberto Marinho conquistou através de favores e alianças com a ditadura. 

Tendo sido produzido há quase vinte anos quando o presidente era Fernando Collor e temas como inflação e dívida externa eram pontuais, hoje pode parecer ultrapassado nestas discussões, mas por outro lado apresenta informações importantes sobre todo o poder que o falecido Roberto Marinho acumulou. 

O roteiro passa rapidamente pela chegada da tv no Brasil nos anos cinqüenta, quando ela visava apenas a classe alta (que eram os poucos que podiam ter um aparelho de tv) e segue para os anos sessenta, quando Roberto Marinho que era dono do jornal O Globo, assina um contrato milionário para os padrões brasileiros com o grupo americano Time Life para montar a TV Globo e percebe que apoiando o governo teria privilégios. 

Marinho apoia todos os governos desde Juscelino Kubitschek e faz praticamente uma aliança com a ditadura, utilizando a programação do canal para “entreter” o povo, deixando de lado os absurdos da censura e da opressão contra os direitos humanos na época. Esse favor fez com que o governo liberasse para Marinho a retransmissão de seu canal para o todo Brasil, criando um monopólio de mídia que existe até hoje, mesmo após a morte de Roberto Marinho. 

São mostrados quatro exemplos de manipulação de notícias perpretados pela Globo que podem ser considerados casos que envergonham o jornalismo. Alguns dos entrevistados citam que o poder de Roberto Marinho era maior do que o Cidadão Kane, que por sua vez foi baseado na figura real do americano Charles Foster Kane. 

Não sou jornalista, mas considero um documentário obrigatório para quem deseja seguir esta profissão e ver qual lado escolher, aquele de acordo com a verdade ou jornalismo de manipulação, que infelizmente é comum nos dias de hoje. 

Vale também a curiosidade de ver o ex-Presidente Lula ainda em “estado bruto”, quando não suportava as Organizações Globo, bem diferente do sujeito que se aliou ao sistema e fez acordo de ocasião com corporações e políticos corruptos. 

Finalizando, o documentário foi proibido pela Globo na justiça e nunca foi ao ar na tv brasileira, estando disponível apenas na internet, inclusive no Google, com uma péssima imagem provavelmente gravada de uma fita do canal BBC.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro


007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro (The Man wiht the Golden Gun, Inglaterra, 1974) – Nota 7
Direção – Guy Hamilton
Elenco – Roger Moore, Christopher Lee, Britt Ekland, Maud Adams, Hervé Villechaize, Clifton James, Soon Teck Oh, Bernard Lee, Lois Maxwell, Desmond Llewellyn.

O quartel general do serviço secreto britânico recebe uma bala de ouro com a inscrição 007. Logo acreditam ser uma ameaça de Scaramanga (Christopher Lee), um assassino de aluguel que cobra um milhão de dólares por serviço e vive numa ilha isolada. 

James Bond (Roger Moore) resolve investigar por conta própria e antes de chegar ao vilão passa por Beirute, Macau, Hong Kong e Bangcok. Em paralelo, o anão Nick Nack (Hervé Villechaize, o Tatu do seriado “A Ilha da Fantasia”) rouba um importante dispositivo que produz células de energia a mando de Scaramanga. 

Com o sucesso na estréia de Roger Moore como Bond em “007 Viva e Deixe Morrer”, os produtores realizaram rapidamente este segundo filme que é considerado por muitos como um dos mais fracos da série. 

Como sou fã da série gosto do filme. Considero um trabalho menor, mas mesmo assim é uma boa aventura que se não tem grandes cenas de ação como o longa anterior, apresenta dois vilões carismáticos, o veterano Christopher Lee que ainda está na ativa aos 89 anos e o falecido anão Hervé Villechaize, que ficaria famoso anos depois com o seriado de tv. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Síndromes e um Século


Síndromes e um Século (Sang Sattawat ou Syndromes and a Century, Tailândia / França / Áustria, 2006) – Nota 7,5
Direção – Apichatpong Weerasethakul
Elenco – Arkane Cherkam, Jaruchai Iamaram, Sakda Kaewbuadee, Sin Kaewpakpin.

O diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul, também conhecido como Joe, é um cineasta que utiliza seus filmes para mostrar as diferenças culturais existentes dentro da Tailândia. 

Em “Tio Boone” ele utiliza misticismo e crenças para mostrar a união entre natureza, seres humanos e animais, aqui ele apenas cita a reencarnação em alguns diálogos, deixando como foco principal a influência do ambiente na pessoa. 

O roteiro divide o filme em duas partes, ou melhor, os mesmos personagens interpretam a mesma história duas vezes, na primeira parte em um hospital no interior da Tailândia e a parte final em um hospital moderno de uma grande cidade. A diferença de atitude dos personagens em situações semelhantes mostra como a influência do ambiente (para o bem e para o mal) é forte. 

Enquanto na primeira parte vemos um casal que flerta em diversas cenas num estilo de amor a moda antiga, nas cenas do grande hospital o mesmo casal vive uma relação muito mais sexual e com as carreiras dos dois influenciando o que pode ser o fim do relacionamento. 

Esta diferença é sentida no atendimento do dentista ao jovem monge, que logo se revela um delicioso diálogo onde o monge fala sobre sua vontade de ser DJ e o dentista revela ser um cantor de músicas tailandesas. A mesma cena na parte final é fria, a dupla não troca palavra alguma enquanto uma assistente prepara os utensílios para o dentista trabalhar, causando um triste e incômodo silêncio. 

A grande diferença é acentuada nas sequências de música, enquanto vemos o dentista cantando suas músicas tranquilas em um palco simples para enfermeiras, médicos e funcionários do pequeno hospital que ouvem com um sorriso no rosto, no final do longa vemos uma acelerada sessão de aeróbica onde um grupo enorme de pessoas dança agitadamente, sem olhares entre em si ou mesmo um sorriso. 

O cinema lento e contemplativo de Joe não agradará a todos, mas com certeza fará o espectador refletir bastante sobre o mundo em que vivemos.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Abaixo de Zero & Informers - Geração Perdida



Nesta postagem escrevo sobre dois filmes produzidos com vinte anos de diferença, porém baseados em livros do mesmo escritor, Bret Easton Ellis que também assina os roteiros.

Abaixo de Zero (Less Than Zero, EUA, 1987) – Nota 6,5
Direção – Marek Kanievska
Elenco – Andrew McCarthy, Robert Downey Jr, Jami Gertz, James Spader, Tony Bill, Nicholas Pryor, Donna Mitchell., Michael Bowen.

Este longa foi a primeira adaptação de um livro de Bret Easton Ellis para o cinema. O escritor que melhor retratou a chamada “Geração X” (jovens ambiciosos nos anos oitenta), conta aqui a história de três jovens amigos: Julian (Robert Downey) é rico mas se considera completamente infeliz, sua namorada Blair (Jami Gertz) e Clay (Andrew McCarthy), que vivem num mundo de excessos com drogas e sexo. 

Ellis retrata com perfeição a juventude da época na questão da ambição e por conseqüência da angústia que se reflete na busca desenfreada por prazer e dinheiro. O filme em si é apenas razoável, tendo como destaque a interpretação de Downey Jr, sendo quase uma premonição do que aconteceria com ele na vida real. Destaque ainda para o papel de James Spader como um jovem milionário sem escrúpulos. 

Informers – Geração Perdida (The Informers, EUA / Alemanha, 2008) – Nota 5
Direção – Gregor Jordan
Elenco – Billy Bob Thornton, Kim Basinger, Mickey Rourke, Winona Ryder, Jon Foster, Brad Renfro, Austin Nichols, Amber Heard, Lou Taylor Pucci, Chris Isaak, Mel Raido, Rhys Ifans, Suzanne Ford, Angela Sarafyan.

O diretor australiano Gregor Jordan erra feio ao dirigir este longa baseado num livro de Bret Easton Ellis, que por sinal escreveu também o roteiro que deixa a desejar. Ellis é especialista em livros sobre os excessos dos anos oitenta, onde sexo, drogas e dinheiro são os principais temas, vide adaptações para o cinema como “Psicopata Americano” e “Abaixo de Zero”. 

Aqui todos estes elementos aparecem novamente, a história se passa em 1983 e tem vários personagens que se cruzam, mas não convence. Não existe um protagonista, quem mais chega perto disso é o personagem Graham (Jon Foster), filho de um casal separado, onde o pai (Billy Bob Thornton) é mulherengo e a esposa (Kim Basinger) viciada em remédios. Graham é bissexual e vive rodeado de amigos que abusam das drogas e do sexo fácil. O porteiro do edifício onde ele mora (Brad Renfro) se envolve num crime com seu tio ex-presidiário (Mickey Rourke).Temos ainda a relação vazia entre pai e filho (o cantor Chris Isaak e Lou Taylor Pucci), além de um cantor de rock viciado em drogas (Mel Raido). 

Essa fauna de personagens complicados é muito mal explorada, alguns como Rhys Ifans e Wynona Ryder tem papéis ridículos, praticamente sem diálogos. O final aberto talvez pretenda chocar, mas deixa apenas o espectador pensado “e aí?”. 

A curiosidade é ver no  mesmo filme depois de mais de vinte o anos, Mickey Rourke e Kim Basinger o casal de “Nove e Meia Semanas de Amor",  porém são personagens que não se cruzam durante a história. 

O detalhe triste é que este foi o último trabalho de Brad Renfro que faleceu no início de 2008 e o filme acaba sendo dedicado a ele, pois foi lançado posteriormente. O estranho é perceber que Renfro estava quase irreconhecível, bem mais gordo e com vários tiques que deixam a impressão de que ele já não estava normal quando filmou as cenas. Um pena, era um ator jovem e talentoso que se foi cedo demais. 


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

10 Minutos Para Morrer

10 Minutos Para Morrer (10 to Midnight, EUA, 1983) – Nota 7
Direção – J. Lee Thompson
Elenco – Charles Bronson, Lisa Eilbacher, Andrew Stevens, Gene Davis, Geoffrey Lewis, Wilford Brimley, Robert F. Lyons, Kelly Preston.

O veterano detetive Leo Kessler (Charles Bronson) é um policial durão, encarregado de solucionar o assassinato de uma garota amiga de sua filha Laurie (Lisa Eilbacher) e recebe como parceiro o jovem Paul McAnn (o galã de filmes B e hoje também produtor Andrew Stevens). 

Durante a investigação, Kessler acredita que o assassino seja o estranho Warren Stacy (Gene Davis), mas percebe que não conseguirá provar a culpa do rapaz se tiver que seguir as leis, o que causará uma tremenda frustração e ainda o fará entrar em conflito com seu parceiro, um sujeito que sempre segue as regras. 

A carreira de Charles Bronson pode ser dividida em duas fases: A primeira que vai do início nos anos cinqüenta até meados dos anos setenta, quando trabalhou em clássicos como “Os Doze Condenados”, “Fugindo do Inferno” e “Era Uma Vez no Oeste”. A segunda fase começa nos anos setenta quando ele direcionou sua carreira para ser sempre o ator principal, na maioria das vezes dividindo a tela com sua esposa, a fraca atriz inglesa Jill Ireland. 

Nesta fase com certeza “10 Minutos Para Morrer” é seu último bom filme, sem os exageros dos filmes posteriores. Este é um filme policial focado muito mais no suspense do que na ação, com um roteiro que valoriza a participação sinistra do psicopata vivido por Gene Davis e tem uma boa interpretação de Bronson como o policial que se deixa levar pela emoção, principalmente quando o vilão resolve atacar sua filha, além da eletrizante sequência final, com uma solução politicamente incorreta até a medula. 

Como curiosidade, Charles Bronson e J . Lee Thompson trabalharam juntos em nove filmes. Em breve farei uma postagem sobre os demais filmes da dupla.

domingo, 4 de setembro de 2011

Rei Arthur


Rei Arthur (King Arthur, EUA / Inglaterra / Irlanda, 2004) – Nota 6,5
Direção – Antoine Fuqua
Elenco – Clive Owen, Ioan Gruffudd, Keira Knightley, Ray Winstone, Mads Mikkelsen, Joel Edgerton, Hugh Dancy, Stephen Dillane, Stellan Skarsgard, Til Schweiger, Ray Stevenson.

A Bretanha está sob o domínio dos romanos e Arthur (Clive Owen) é um dos cavaleiros que serve o Papa há muitos anos. Quando o Papa precisa que um protegido seja resgatado numa vila distante, Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda são os escolhidos, porém em troca eles desejam a liberdade. Os cavaleiros irão cruzar com a jovem Guinevere (Keira Knightley) e enfrentarão os saxões numa batalha sangrenta. 

O filme é mais uma versão da história do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, contada diversas vezes no cinema (“Excalibur”, Lancelot”), filmada como superprodução com a ajuda de efeitos especiais e uma roupagem moderna para agradar ao público jovem. 

Apesar de utilizar todos estes elementos misturados com clássica historia e os carismáticos  personagens (Mago Merlin, Lancelot, Galahad, Tristan), o filme é apenas uma diversão passageira que fica longe do que poderia se esperar, tendo sido produzido num período em que este tipo de filme estava em alta (“Cruzada”, “Tróia’, “Alexandre”). O maior destaque é a sensacional cena da batalha no gelo. 


sábado, 3 de setembro de 2011

Ensaio Sobre a Cegueira


Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness, Canadá / Brasil / Japão, 2008) – Nota 8
Direção – Fernando Meirelles
Elenco – Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Danny Glover, Gael Garcia Bernal, Maury Chaykin, Yusuke Iseya, Yoshino Kimura, Don McKellar, Mpho Koaho, Mitchell Nye, Sandra Oh.

No meio do trânsito, um homem de origem japonesa (Yusuke Iseya) fica completamente cego. Em seguida outras pessoas que tem contato om o sujeito também ficam cegos, entre eles sua esposa (Yoshuno Kimura), um ladrão (Don McKellar) que rouba seu carro e o médico que o atende (Mark Ruffalo). 

Quando o governo percebe a situação, resolve confinar estas pessoas num antigo galpão que parece um presídio. A esposa do médica (Julianne Moore) que não foi afetada pela cegueira, resolve enganar as autoridades para ficar perto do marido e aos poucos será a única pessoa capaz de guiar a multidão que será isolada no local. 

O livro do falecido escritor José Saramago sempre foi considerado pelo autor como praticamente impossível de ser adaptado para o cinema e quando ele ainda antes de falecer foi convidado a assistir a pré-estréia ao lado do diretor Fernando Meirelles, ficou extremamente emocionado ao ver como sua obra se transformou num ótimo filme, que faz o espectador pensar. 

O roteiro mostra principalmente as fraquezas de caráter do ser humano, mesmo acometidos pela cegueira, diversos personagens ainda utilizam da violência e da intimidação para ter poder, conseguir privilégios e até humilhar os que estão na mesma situação, nada tão diferente do que vemos no dia a dia. O lado que tenta ser racional e colocar algum ordem no caos é interpretado pelo casal vivido por Julianne Moore (em ótima interpretração) e Mark Ruffalo. 

A parte técnica é extremamente cuidadosa, com um fotografia clara que faz alusão a “cegueira branca” que ataca os personagens e uma recriação interessante do que seria o mundo após uma situação de caos. Por sinal, muitas sequências externas foram filmadas no centro de São Paulo, que com sua mistura de arquitetura antiga com o abandono da atualidade, ficou perfeita para o objetivo do filme. 

O resultado é uma obra forte com sequências de violência física e psicológica,  que merece ser vista e analisada em todos os seus detalhes.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Mad Max


Mad Max (Mad Max, Austrália, 1979) – Nota 7.5
Direção – George Miller
Elenco – Mel Gibson, Joanne Samuel, Steve Bisley, Tim Burns, Hugh Keays Byrne, Roger Ward.

Num futuro próximo, o mundo está à beira do caos. Um dos motivos principais é escassez da gasolina, o que faz com gangues ataquem motoristas nas estradas em busca de combustível. O policial Mad Max Rockatansky (Mel Gibson) tem o parceiro, sua esposa e filho assassinados por uma destas gangues e precisa reagir com violência para sobreviver e se vingar.  

Recheado de cenas de perseguição e violência, esta produção australiana de baixo orçamento foi um sucesso mundial e revelou ao mundo o futuro astro Mel Gibson e o diretor George Miller (“As Bruxas de Eastwick”, “O Óleo de Lorenzo). 

O roteiro do próprio diretor Miller e de James McCausland utiliza a idéia comum na época de que logo o petróleo acabaria e causaria uma enorme crise mundial. 

O resultado é um filme cult que gerou duas sequências distintas, com a parte dois produzida em 1982 e resultando num sensacional longa de ficção apocalíptica e ação, enquanto a terceira parte produzida em 1985 em parceria com Hollywood tem um ritmo lento, sendo bem inferior na qualidade. O destaque desta produção de 1985 é a participação da cantora Tina Turner.


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

F. I. S. T.

F. I. S. T. (F. I. S. T. , EUA, 1978) – Nota 7
Direção – Norman Jewison
Elenco – Sylvester Stallone, Rod Steiger, Peter Boyle, Melinda Dillon, David Huffman, Kevin Conway, Tony Lo Bianco, Cassie Yates, Peter Donat, Richard Herd, Brian Dennehy.

Baseado livremente na vida do polêmico sindicalista Jimmy Hoffa (que rendeu “Hoffa, um Homem, uma Lenda” com Jack Nicholson) que desapareceu em 1975 e até hoje ninguém sabe o que realmente ocorreu, este filme tem roteiro do astro Stallone que vinha do sucesso de “Rocky – Um Lutador” em parceria com Joe Eszterhas que ficaria famoso anos depois com o roteiro de “Instinto Selvagem”. 

Aqui Stallone é o imigrante húngaro Johnny Kovak que trabalha como carregador numa transportadora e cansado de ser explorado, se rebela contra o empregador liderando alguns outros trabalhadores. Percebendo que Johnny é um líder natural, o sindicalista Mike Monahan (Richard Heard) o convida para trabalhar no sindicato dos caminhoneiros com o objetivo de recrutar trabalhadores do setor. Johnny aceita o trabalho junto do inseparável amigo Abe Belkin (David Huffman) dando início a uma carreira que terminará com ele sendo presidente do sindicato nacional. 

Para conseguir seu objetivo, Johnny utiliza de seu carisma para incitar greves, até mesmo usando a violência. Pelo caminho ele se une a um mafioso (Tony Lo Bianco), situação que o levará a grandes problemas com um senador (Rod Steiger). 

O filme pode ser dividido em duas partes, a primeira e mais interessante mostra o início da vida de Johnny no sindicato, os problemas enfrentados por ele e seu amigo Abe para unir os motoristas e seu casamento com Anna (Melinda Dillon), em seguida o filme pula quase duas décadas para mostrar o sindicato já consolidado e o início de seus problemas com o governo. Esta espaço de tempo deixa a impressão de que faltou algo na história, acredito que tenha sido uma opção em virtude do filme ter quase duas horas e meia e se outros fatos fossem mostrados a duração poderia ser longa demais. 

No geral é uma interessante visão de comos os sindicatos cresceram nos EUA nos anos cinqüenta e como seus líderes se envolveram em corrupção.